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Rajneesh - Osho - Algo para Enfiar Seus Dentes

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  • Pablo Pereira
    Oi gentis!!! Nós realizamos pequenos atos diariamente e nunca nos damos conta do que realmente acontece. Acredito que quanto mais achamos que estamos
    Mensagem 1 de 1 , 1 de jul de 2003
      Oi gentis!!!

      Nós realizamos pequenos atos diariamente e nunca nos damos conta do
      que realmente acontece. Acredito que quanto mais "achamos" que
      estamos acordados, mais "sonolentos" nos encontramos.

      Por exemplo, mascamos um inocente chiclete... Não há problema em
      mascar chiclete... Mas o mascar é expressão do quê? De onde vem a
      necessidade? Quando mascamos estamos movendo nossas mandíbulas,
      estamos exercitando algo... Não é a toa que chiclete acalma a
      ansiedade. Já perceberam como mascamos mais "violentamente" quando
      estamos ansiosos?

      Pois é... realizamos atos "violentos" e nem prestamos atenção... bom
      isso só para citar um. Mas a questão não é ficar neurótico e tentar
      se ater a tudo, não é isso, mas sim tentar estar atento ao que
      acontece. Não só atento mas presente, aqui e agora - sem a pretensão
      de nos acharmos "mais acordados" - a sensação de estar acordado é uma
      ilusão. Um iluminado não se sente acordado, ele simplesmente está
      acordado é de sua natureza.

      Se conseguirmos estar mais cônscios de nossa natureza e da natureza
      incerta da vida, ela com certeza será mais fácil. Perceberemos que o
      sofrimento foi inventado por nós mesmos, e quando isso acontecer,
      teremos o poder de mudar uma sociedade que utiliza o medo deste
      sofrimento, como modo de manipulação e controle.


      Keep Rockin'!

      Om Sattva!

      Pablo

      Algo para Enfiar Seus Dentes

      É ruim que a raiva se mova para dentro, porque isso significa que
      toda sua estrutura corpo-mente ficará envenenada por isso. E então se
      você continuar fazendo isso por muito tempo... Como todo mundo vem
      fazendo, porque a sociedade ensina controle, não transformação.

      A sociedade diz - Controle a si mesmo - e através do controle todas
      as coisas negativas tem sido jogadas cada vez mais fundo no
      inconsciente, e assim, se tornam algo constante dentro de você. Então
      não é uma questão de, às vezes, você estar zangado ou não; você está
      simplesmente zangado. Às vezes você explode, outras vezes você não
      explode porque não há nenhuma desculpa, ou você precisa achar uma
      desculpa. E lembre-se, você pode achar uma desculpa em qualquer lugar!

      Você é raivoso. Porque você tem reprimido tanta raiva, agora não
      existem mais momentos que você não esteja com raiva, no máximo, você
      fica menos zangado, outras vezes mais zangado. Todo o seu ser está
      envenenado pela repressão.

      Você come com raiva - e existe uma qualidade diferente quando uma
      pessoa se alimenta sem raiva: é bonito observá-lo, porque ele come
      não violentamente. Ele pode estar comendo carne, mas ele come não
      violentamente; você pode estar comendo apenas vegetais e frutas,
      porém se a raiva estiver reprimida, você está comendo violentamente.

      Através de comer, seus dentes, sua boca libera raiva. Você tritura a
      comida como se ela fosse inimiga. E lembre-se: sempre quando os
      animais ficam raivosos, que eles irão fazer? Somente duas coisas são
      possíveis: eles não possuem armas e nem bombas atômicas, que eles
      podem fazer? Ou com as unhas ou com os dentes, eles vão ser violentos
      com você.

      Essas são as armas naturais do corpo: unhas e dentes. É muito difícil
      fazer alguma coisa com as suas unhas, porque as pessoas dirão: Você é
      um animal? Assim a única coisa que lhe resta para expressar sua raiva
      e violência é a boca. E isso também você não pode usar para morder
      ninguém. Eis porque dizemos; um pedaço de pão, um pedaço de comida,
      algumas mordidas.

      Você se alimenta violentamente, como se a comida fosse um inimigo. E
      lembre-se, quando a comida é o inimigo, ela não lhe alimenta, ela
      alimenta tudo que não presta em você. As pessoas com muita raiva
      reprimida comem mais; elas vão acumulando desnecessariamente mais
      gordura no corpo. E você já observou que as pessoas gordas estão
      quase sempre sorrindo? Desnecessariamente, mesmo sem nenhuma causa,
      os gordos estão sempre rindo. Porque? Essa é a face deles, essa é a
      máscara: eles estão tão assustados com a raiva e violência deles que
      eles precisam continuamente manter um rosto sorridente neles mesmos -
      e eles prosseguem comendo muito.

      Comer muito é violência, raiva. E desse modo, isso se espalhará por
      toda parte, em cada arena de sua vida.

      Comendo, você fica raivoso: observe uma pessoa comendo. Observe uma
      pessoa fazendo amor - a raiva penetrou tão fundo que mesmo o amor,
      uma atividade totalmente oposta à raiva, mesmo isso está envenenado;
      comer, uma atividade absolutamente neutra, mesmo isso está
      envenenado. Assim basta você abrir a porta e existe raiva, você
      coloca um livro sobre a mesa e a raiva aparece, você tira os sapatos
      e lá está a raiva, você dá as mãos e a raiva está presente - porque
      agora você é a raiva personificada.

      Através da repressão, a mente fica dividida. A parte que você aceita
      torna-se o consciente e a parte que você nega torna-se o
      inconsciente. Essa divisão não é natural, a divisão acontece devido à
      repressão. E no inconsciente você vai lançando todo o lixo que a
      sociedade rejeita - mas lembre-se, tudo que você lança lá se torna
      cada vez mais parte de você: vai para suas mãos, para seus ossos,
      para seu sangue, para as batidas de seu coração. Agora os psicólogos
      dizem que quase oitenta por cento das doenças são causadas pelas
      emoções reprimidas: tantos ataques cardíacos significam muita raiva
      reprimida no coração, tanto rancor que o coração fica envenenado.

      Porque? Porque o homem reprime tanto e fica doente? Porque a
      sociedade lhe ensina a controlar, não a transformar, e o caminho da
      transformação é totalmente diferente. Por uma coisa, não é
      absolutamente uma maneira de controlar, é exatamente o oposto.

      Primeira coisa: controlando você reprime, transformando você
      expressa. Mas não há necessidade de expressar sobre alguém porque o
      outro não é necessário. Na próxima vez que você ficar raivoso, vá e
      corra ao redor da casa por sete vezes e depois disso, sente-se sob
      uma árvore e observe para onde a raiva foi. Você não a reprimiu, você
      não a controlou, você não a jogou sobre outro alguém - porque se você
      a joga sobre alguém uma corrente é criada porque o outro é tão tolo
      quanto você, tão inconsciente quanto você. Se você joga a raiva no
      outro, e se ele for uma pessoa iluminada, então não haverá problema;
      ele irá lhe ajudar a jogá-la e liberá-la e a passar por uma catarse.
      Porém o outro é tão ignorante quanto você - se você jogar a raiva
      sobre ele, ele irá reagir. Ele irá jogar mais raiva sobre você, ele
      está tão reprimido quanto você. Então surge uma corrente: você joga
      sobre ele, ele joga sobre você e ambos se tornam inimigos.

      Não jogue a raiva sobre ninguém. È a mesma coisa que quando você
      sente vontade de vomitar: você não vai vomitar sobre alguém. Raiva
      precisa de vômito. Você vai até o banheiro e vomita! Isso limpa todo
      o corpo - se você reprimir o vômito isso será perigoso, e quando você
      vomita você se sente refrescado, se sente descarregado, aliviado,
      bem, saudável. Algo estava errado com o alimento que você comeu e o
      corpo o rejeitou. Não o retenha dentro.

      Raiva é somente um vômito mental Alguma coisa que você ingeriu deu
      errado e todo o seu ser psíquico deseja jogar fora, mas não há
      necessidade de jogar isso sobre alguém. Devido a que as pessoas jogam
      a raiva sobre os outros, a sociedade lhes diz para controlar isso.

      Não há nenhuma necessidade de jogar a raiva sobre outra pessoa. Você
      pode ir até seu banheiro, você pode sair para uma longa caminhada.
      Isso significa que alguma coisa dentro precisa de uma atividade
      rápida para que possa ser liberada. Basta fazer um pouco de exercício
      e você se sentirá aliviado, ou pegue um travesseiro e bata nele, lute
      com o travesseiro e morda o travesseiro até que suas mãos e dentes
      fiquem relaxados. Com cinco minutos de catarse você se sentirá
      descarregado e uma vez que você aprende isso você nunca mais jogará a
      raiva sobre alguém, porque isso é tolice absoluta.

      A primeira coisa na transformação é expressar a raiva, mas não sobre
      alguém, porque se você a expressa sobre alguém você não pode expressá-
      la totalmente. Você pode até matar, mas isso não é possível; você
      pode até morder, mas isso não é possível. Mas isso pode ser feito com
      um travesseiro. Um travesseiro significa - já iluminado - o
      travesseiro é iluminado, um Buda. Ele não irá reagir e ele não irá a
      nenhum tribunal, o travesseiro não trará qualquer inimizade contra
      você e ele não fará nada. O travesseiro estará feliz e ele irá rir
      pra você.

      A Segunda coisa para lembrar: fique atento. Controlando, nenhuma
      atenção é necessária; você simplesmente faz isso mecanicamente, como
      um robô. A raiva surge e há um mecanismo - subitamente todo seu ser
      se torna apertado e fechado. Se você estiver atento, controle pode
      não ser tão fácil.

      A sociedade nunca lhe ensina a ficar atento porque quando alguém está
      atento, ele fica muito aberto. Isso é parte da consciência; o
      indivíduo é aberto, e se você deseja reprimir alguma coisa e você for
      aberto, isso é contraditório. A sociedade lhe ensina como você pode
      se fechar por dentro, como se enterrar dentro. Não permita que nada
      saia para fora nem por uma pequena janela.

      Mas lembre-se: quando nada sai, nada entra também. Quando a raiva é
      impedida de sair, você fica fechado. Se você toca numa linda rocha,
      nada a penetra; você olha para uma flor, nada a penetra: seus olhos
      estão mortos e fechados. Você beija uma pessoa - nada vai para
      dentro, porque você está fechado. Você vive uma vida insensitiva.

      Sensitividade cresce com consciência. Através do controle você se
      torna apático e morto. Isso é parte do mecanismo de controle: se você
      estiver apático e morto então nada pode afetá-lo, como se o corpo se
      tornasse uma fortaleza, uma defesa. Nada irá lhe afetar, nem insulto
      nem amor.

      Mas esse controle tem um alto custo, um custo desnecessário; torna-se
      todo o esforço na vida: como controlar a si mesmo - e então morrer!
      Todo esforço para controlar consome toda sua energia e assim, você
      simplesmente morre.

      A raiva é bela; sexo é bonito. Mas coisas bonitas podem se tornar
      feias. Isso depende de você. Se você as condena, elas ficam feias; se
      você as transforma, elas se tornam divinas.

      Nenhum controle, nenhuma expressão sobre os outros, mais atenção - e
      assim a consciência se move da periferia para o centro.

      Osho, Extraído de: And the Flowers Showered
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