Carregando ...
Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o conteúdo.

Mensagem - Vale a pena servir o Senhor?

Expandir mensagens
  • Marcos Amazonas
    Queridos, Bom dia! Segue a mensagem que estarei a pregar dentro de poucas horas. Um grande abraço a todos, Marcos Amazonas Texto: Malaquias 3.13-18 Tema: Vale
    Mensagem 1 de 1 , 12 de mar de 2005
    Exibir fonte
    • 0 Anexo
      Queridos,
       
      Bom dia!
       
      Segue a mensagem que estarei a pregar dentro de poucas horas.
       
      Um grande abraço a todos,
       
       
      Marcos Amazonas
       
       

      Texto: Malaquias 3.13-18

      Tema: Vale a pena servir ao Senhor?

      Introdução

      Malaquias está a pronunciar o seu sexto oráculo. Iremos analisar o mesmo pela LXX, que tem o capítulo 4. Nossas Bíblias utilizam o esquema que foi legado pelo texto grego. O texto hebraico do massoretas continua o capítulo 3 até o fim do livro. Encontramos algumas Bíblias católicas modernas que seguem o texto hebraico e por isso o capítulo 3 tem 24 versículos e assim é suprimido o capítulo quatro.

      Este texto fala da realidade de muita gente. A questão que é apresentada pelo povo, muitas vezes é apresentada por nós. Como o povo de Israel, muitas vezes pensamos que é inútil servir ao Senhor, pois tudo nos corre mal.

      É interessante que o povo não fala, mas quem está a falar é o Senhor. Deus está a revelar o pensamento do povo. Estamos diante de um dos atributos de Deus. Devemos compreender que atributos são “elementos sobre Deus, certos aspectos da Sua imensa e gloriosa natureza eterna, os quais Ele quis revelar-nos, e os quais, em certa medida, podemos aprender.”[1]

      Nesta declaração o Senhor está a permitir que o povo conheça sua omnisciência. O Senhor está a revelar que sabe o pensamento do povo.

      O que significa a omnisciência de Deus?

      Ø                      Deus conhece todas as coisas, e Seu conhecimento é sempre um conhecimento absoluto. É conhecimento perfeito, um completo conhecimento de tudo.[2]

      Ø                      A onisciência de Deus – Esta característica é uma conseqüência inevitável da onipresença de Deus. Ele é onipresente e onisciente porque presencia tudo. Não há lugar onde alguém se possa esconder dele. Ele vê tudo. "E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas" (Hb 4.13). Porque vê tudo, ele sabe tudo: "Porque vosso Pai celestial sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes" (Mt 6.8).[3]

      Ø                      Deus tudo sabe. Esta perfeição está intimamente ligada à sua onipresença (Sl 139.1-12). As implicações práticas são semelhantes e perturbadoras, mas trazem ao mesmo tempo segurança: Deus vê e, portanto, tudo sabe. Isto é, em especial, pertinente ao tema do juízo, sendo simbolicamente expresso pela “abertura dos livros” (Ap 20:12). O passado não se foi para sempre; o tempo, desde o seu início, é presente para Deus. No julgamento final, a evidência irá exceder de longe o que qualquer juiz ou júri jamais considerou: a recapitulação da vida inteira do acusado, todos os atos exteriores, cada motivo e atitude visíveis ou secretos.[4]

      Deus está a revelar ao povo o seu conhecimento. Está a dizer que sabe o que vai no seu interior. Podemos enganar a todos. Podemos até enganar a nós próprios, mas não podemos enganar a Deus. Ele sabe o que vai no mais profundo do nosso ser.

      Olhemos para o texto. Note que há um certo desalento por parte do povo. Eles dizem que não vale a pena ser fiel. “Os repatriados do Exílio caíram de decepção em decepção: as promessas ligadas ao retorno não se realizaram. O cepticismo manifesta-se nas censuras que eles dirigem secretamente ao Senhor: então para que continuar a servi-lo? Porque respeitar os dias de jejum com veste de luto? A felicidade apenas é para os maus e para os que se chegam até a desafiar Deus impunemente.”[5]

      Um povo decepcionado que põe em questão servir a Deus. Nós estamos a viver em pleno século XXI, na era da tecnologia, num mundo globalizado. As informações chegam sem parar para nós e para os nossos. Nossa grande dificuldade hoje é saber o que fazer com tanta informação. É neste mundo em mudanças constante que devemos pergunta: Vale a pena servir ao Senhor?

      1 – Não vale a pena servir ao Senhor só por causa das suas bênçãos 14

      Servir a Deus com o intuito de receber algo em troca não é servi-lo. Não vale a pena vir para a igreja a espera de no decorrer dos dias receber muitas bênçãos. Notemos o versículo 14: “Vós tendes dito: lnútil é servir a Deus. Que nos aproveita termos cuidado em guardar os seus preceitos, e em andar de luto diante do Senhor dos exércitos?” Aqui é dito claramente que há serviço no sentido de prática religiosa, estudo da palavra, sacrifício e dízimo. Mas para que? Isto é inútil. Por que? A questão é que estava à espera de ganhar algo em troca.

      Na realidade o povo estava a barganhar com Deus. Esperava receber algo em troca por causa da sua atitude. Por conseguinte, por adorar a Deus, os judeus buscavam um pagamento tangível. Eles estavam concentrados apenas em “coisas”. Eles buscavam a felicidade através das “coisas”. Eles não nutriam um verdadeiro amor pelo Senhor; não havia uma resposta amorosa a Deus.”[6] Eles esperavam bênçãos materiais. Se nos aproximamos de Deus na tentativa e na expectativa de receber bênçãos matérias, estamos no caminho errado.

      Devemos compreender que o Deus das bênçãos é melhor que as bênçãos. Deus deve ser amado pelo que Ele é e não pelo que Ele tem para oferecer. Habacuque compreendeu esta realidade. Ele não negociou com Deus. Ele não esperou receber apenas bênçãos de Deus. Ele exultouem Deus. Veja como cantou Habacuque: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto nas vides; ainda que falhe o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que o rebanho seja exterminado da malhada e nos currais não haja gado. Todavia eu me alegrarei no Senhor, exultarei no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é minha força, ele fará os meus pés como os da corça, e me fará andar sobre os meus lugares altos. (Hab 3.17-19). Tudo pode ser retirado, posso ficar sem bênçãos materiais, mas mesmo assim eu me alegrarei em Deus. Exultarei no Deus da minha salvação.

      É inútil servir a Deus com o desejo de tirar algo de Deus, pois o Senhor deixa de ser Senhor e passa a ser um escravo nas nossas mãos. É um empregado que obedece nossas ordens. Deus é Deus. É o Senhor soberano e deve ser adorado e amado por nós pelo que Ele é.

      É muito triste ver que em nossos dias há pessoas que agem da mesma maneira. Buscam não a Deus, mas as bênçãos de Deus. Não amam ao Senhor, só desejo receber suas bênçãos. Note que o texto nos diz o seguinte sobre os israelitas: “Eles cumprem os rituais porque acreditam que fazendo isto, receberão de Deus as coisas que eles desejam. Não existe amor por Deus, apenas o ritual, eles não desejam nenhuma relação com o Senhor, não desejam conhecer o Senhor, só querem tirar vantagem e obter lucro. Sendo assim, o ritual é vazio e eles dizem que Deus está vazio e a bênção não foi dada.”[7] Não vale a pena servir a Deus na tentativa de extorqui-lo.

      Deus deve ser amado. Tomé compreendeu esta realidade. Jesus chamou os seus discípulos para regressarem à Judeia. Os discípulos tentam demove-lo porque os judeus haviam tentado matá-lo. Jesus disse que era necessário regressar, pois Lázaro havia morrido. Neste momento Tomé diz: “Vamos nós também para morrermos com ele.” (Jo 1.1-16). Tomé aceitou o que Jesus tinha para lhe oferecer. Jesus antes de nos oferecer vida fala que há necessidade de morrermos. O seu chamado é para tomarmos à nossa cruz e segui-lo (Lc 9.23-24).

      Esperar em Deus apenas nesta vida é não ter uma visão escatológica. É ser o mais digno de lástima como nos diz Paulo (1 Cor 15.19). É bom lembrar que o Senhor Jesus afirmou que onde está o tesouro do homem, aí está o seu coração (Mt 6.21). Desejar bênçãos terrenas indica que vivemos para este mundo e desejamos nos satisfazer neste mundo. Entretanto, o Senhor nos diz na sua Palavra: “Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mt 6.19-21). Não junte tesouros aqui na terra. Não faça negociata com Deus. Servir ao Senhor só por causa das suas bênçãos é não amá-lo e ficar longe do Senhor. “Se você aceitou o falso ensino de que quanto mais fiel for, maiores serão as bênçãos materiais que você vai receber, então pode esperar um grande desapontamento no futuro. Em minha experiência, quanto maior a fé, menor a riqueza material. É comum vermos Deus optando por temperar um fiel seguidor nas chamas da perda financeira e da pobreza (pense em Jó). Tais experiências parecem provar que, quando a única coisa que restou é Deus, então você terá o máximo de Deus que jamais poderia ter tido.”[8]

      Se não há amor, não há adoração. Se não há amor, não vale a pena tentar servir ao Senhor.

      2 – Não vale a pena servir ao Senhor se pensamos que Ele é um Deus que não age 15

      Aqui encontramos mais um ponto que fala dos atributos de Deus. O Senhor é acusada de na sua santidade tolerar o pecado. O Deus Todo-Poderoso não é parcial. O Senhor omnipotente não tem por inocente o culpado (Êx 34.6-7).

      Pensar que Deus não age é crer num Deus ausente. É ser adepto do deísmo. É claro que não compreendemos o facto de ver o ímpio prosperar. Muitas vezes pensamos que isto é injusto. Este não é um pensamento novo. Asafe já pensava assim (Sl 73). Contudo, Asafe compreendeu que o Senhor age no momento certo e não quando nós queremos.

      A argumentação do povo era a seguinte: Os arrogantes provam a Deus e seguem impunes. Nada lhes acontece. O povo esta a por em causa a soberania de Deus. Será que nós muitas vezes não fazemos o mesmo?

      Os ímpios podem até prosperar, mas devemos compreender o que compreendeu Asafe. Veja o que ele nos diz no seu salmo: “Certamente tu os pões em lugares escorregadios, tu os lanças para a ruína. Como caem na desolação num momento! ficam totalmente consumidos de terrores. Como faz com um sonho o que acorda, assim, ó Senhor, quando acordares, desprezarás as suas fantasias.” (Sl 73.18-20). O que é dito aqui é que a situação dos ímpios é muito delicada. “Eles estão “em lugares escorregadios”. Tudo o que eles tem é apenas temporário.”[9]

      Querer servir a Deus só pelas suas bênçãos e não tê-lo como o Senhor soberano não faz sentido. Pensar que Deus não se importa com a soberba dos ímpios é pensar que o Senhor não é um Deus presente. Note que só poderemos perceber o agir de Deus e o juízo de Deus quando entrarmos no templo do Senhor. Quando nos encontrarmos com o Senhor. Asafe fez isso e compreendeu o que acontece com os ímpios. Ele nos diz no seu salmo o seguinte: “A vereda de um homem sem Deus é lodacenta e escorregadia. Seus negócios, fama e glória estão construídos sobre bases “lisas”. Seus pés podem deslizar a qualquer momento.”[10]

      O que está a ser dito é que quem teme ao Senhor está seguro. Sua vida está edificada sobre a Rocha e as muitas tempestades não poderão destruir sua vida (Mt 7.24-25). Para o que serve ao Senhor há segurança espiritual e emocional. Para aquele que vive para o seu prazer e a olhar para si mesmo vai desmoronar. As tempestades da vida o destruirão (Mt 7.26-27). Se prosperidade fosse o bem maior, não haveria suicídios, crises existenciais e abarrotamento de clínicas psiquiátricas, por parte dos ricos.”[11]

      Para servir ao Senhor é necessário crer na sua actuação. É preciso crer que Ele é um Deus moral e soberano que tem todas as coisas sob controle e que nada passa desapercebido por Ele. Se não for assim, não vale a pena tentar servi-lo.

      3 – Vale a pena servir ao Senhor quando compreendemos que somos sua propriedade particular 16-18

      Estes versículos são belíssimos. É a reacção do povo de Deus. Quanto tudo parece estar perdido, quando pensamos que já não faz sentido servir a Deus, pois vivemos tantas decepções com as pessoas religiosas o verdadeiro povo de Deus reage.

      Note que o texto diz por duas vezes “os que temiam ao Senhor”. A ideia é aqueles que colocam Deus em primeiro lugar. Estes se unem, apoiam-se mutuamente. Apresentam ao Senhor um culto genuíno. Honravam o nome do Senhor.

      O Senhor atenta e ouve a oração e adoração destes. Não somente isto, o Senhor diz que há um memorial diante do Senhor. Aqui lembra o costume da época, pois os reis tinham um livro dos seus feitos, de actos memoriais. A ideia chave aqui é que Deus não esquece ninguém que crê. O Senhor não esquece os seus. Ele não esquece de ti. Ele sabe o que estás a passar. Ele vai intervir no momento certo.

      O texto segue e afirma que ter o seu nome registado neste livro significa ser possessão do Senhor. É o que nos diz o versículo 17. Já não é o povo todo. É apenas um grupo. Esta é a ideia de Paulo quando escreve aos romanos: “Porque nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9.6). Agora vejamos o que o Senhor Jesus diz também sobre os que fazem parte da comunidade que chamamos igreja: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 7.21). Fazer parte da igreja e estar na igreja não garante fazer parte do povo de Deus. É necessário aceitar a oportunidade que o Senhor concede a cada um através da sua graça demonstrada na cruz do Calvário. É necessário arrepender-se e entregar-se ao Senhor Jesus.

      Não é apenas pertencer ao Senhor. Serão o tesouro do Senhor. Serão poupados pelo Senhor. Deus vela e cuida dos seus. O Senhor protege os seus sempre.

      O versículo 17 nos mostra o amor de Deus. Mostra como o Senhor os seus e todos os que o amam e o servem vivem uma relação amorosa com o Pai. Estamos diante de uma outra realidade de amor. Aqui neste versículo vislumbramos um amor relacional. Sendo assim, se perguntarmos o que é o amor? Poderemos ter a seguinte resposta: “«Diálogo.» O diálogo é o fundamento de uma verdadeira relação amorosa. Não é a comunicação, pois a comunicação pode incluir ódio, amarguras, etc. Mas o diálogo é o conceito em Mal. 3.17. Se amas alguém, vais desejar dialogar com ele. Deus dialoga com o ser humano e o ser humano tem o privilégio de dialogar com Deus.

      Somos do Senhor. Ele nos comprou com o seu sangue. Nossas vidas devem ser vividas com gratidão e sempre a dedicar glória e honra a Ele.

      O Senhor julgar as pessoas. O versículo 18 nos projecta para um momento escatológico. Projecta-nos para o dia do juízo. Neste dia veremos a diferença entre o justo e o ímpio. Neste dia os que servem ao Senhor permanecerão com Ele e os ímpios terão o sofrimento eterno.

      Servir ao Senhor é prestar-lhe culto. Mas não é qualquer culto. É o culto da vida. É apresentar sua vida no altar do Senhor e a cada dia agradecer-lhe pelo facto de ser propriedade exclusiva do Senhor.

      Guisa de Conclusão

      Vale a pena servir ao Senhor?

      É claro que sim!

      Contudo, é preciso compreender que servir o Senhor é amá-lo independente das circunstâncias.

      É exultar no Senhor e saber que Ele tem tudo sob controlo e que nada passa desapercebido por Ele.

      É cultuá-lo alegrando-se no facto de saber que Ele nos fez povo seu. Sua propriedade através do sacrifício de Cristo Jesus.

      Já estás a servir o Senhor?

      Entrega a tua vida a Jesus. Aceita a oportunidade que Ele te concede de fazer parte do seu povo e ser propriedade exclusiva dEle.

      Que Deus nos abençoe!



      [1] LLOYD-JONES, Martyn. Grandes Doutrinas Bíblicas Volume 1, 1ª Edição PÉS São Paulo 1997

      [2] Ibid

      [3] COELHO FILHO, Isaltino Gomes. TEOLOGIA SISTEMÁTICA I, www.ibcambui.org.br

      [4] MILNE, Bruce. Estudando as doutrinas da Bíblia, 2ª Edição abu São Paulo, 1991

      [5] AMSLER, Samuel. Os Últimos Profetas: Ageu, Zacarias, Malaquias e alguns outros, 1ª edição, Difusora Bíblica

      Lisboa 2002

      [6] RADIC, Randall E. Malachi

      [7] Ibid.

      [8] ARTERBURN, Stephen Mais Jesus, menos religião: trocando regras por relacionamentos – Editora Mundo Cristão,

      São Paulo, 2002

      [9] LLOYD-JONES, Martyn  Por que prosperam os ímpios? 1ª Edição PÉS São Paulo, 1983

      [10] D´ARAÚJO FILHO, Caio Fábio Quase uma exposição do Salmo 73, 2ª Edição VINDE, Niterói 1985

      [11] COELHO FILHO, Isaltino Gomes. Malaquias, nosso contemporâneo: um estudo contextualizado do Livro de

      Malaquias, 2ª edição JUERP, Rio de Janeiro, 1994

    Sua mensagem foi enviada com êxito e será entregue aos destinatários em breve.