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O jornalista dramaturgo e professor Luiz Carlos da Silva Lisboa

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    O jornalista e dramaturgo Silva Lisboa O Almanaque Sergipano de 1904 traz um longo texto de pesar sobre seu editor, Luiz Carlos da Silva Lisboa, que dirigiu
    Mensagem 1 de 1 , 8 de jun de 2009
      O jornalista e dramaturgo Silva Lisboa


      O Almanaque Sergipano de 1904 traz um longo texto de pesar sobre seu editor,
      Luiz Carlos da Silva Lisboa, que dirigiu com carisma e dedicação essa renomada
      publicação, animando a vida intelectual da cidade: "O dia 23 de maio de 1903 foi
      de constante dos e de indizível mágoa para nós. Foi nesse dia que caiu vencido
      pela arma truculenta da fatalidade um dos nossos mais dedicados amigos e
      excelentes companheiros de luta - o Professor Luiz Carlos da Silva Lisboa.
      Como um Íris funesto, a triste manhã desse dia envolveu-se, porque todos sentiam
      no coração uma tristeza inextinguível velada pela dor agudíssima da saudade com
      o desaparecimento de tão digno cidadão. Em menos de 15 dias fulminou-o uma
      rebelde lesão cardíaca que zombou de todos os recursos empregados pela sua
      desolada família."


      Nascido no Estado da Bahia em 1850, onde feito reconhecido aproveitamento no seu
      curso preparatório, em busca de vida melhor passa a residir em Aracaju a partir
      de 28 de abril de 1870. Na verdade veio servir na Secretaria de Governo,
      ocupando mais tarde os cargos de Promotor Público da cidade de São Cristovão e
      Presidente do Conselho Municipal, Secretário da Diretoria da Instrução Pública,
      Fiscal dos exames gerais de cursos preparatórios e lente de inglês do Ateneu
      Sergipenses, passando depois a reger a cadeira de Geografia geral e astronomia,
      exercendo as funções até o seu falecimento. Houve uma época, no Ateneu que
      lecionou a cadeira de História em substituição ao bacharel Justiniano de Melo e
      Silva, que se achava em gozo de licença.


      Mestre exemplar, querido por todos os seus discípulos, Silva Lisboa era um
      trabalhador incansável e deixou as seguintes obras.
      Redigiu na terra natal os periódicos: Bosquejo Literário (1865) e A Estrela
      D'Alva (1866-1867) com Paulo Marques. Em Sergipe atuando como dramaturgo
      escreveu para o teatro, Madeira (drama histórico) e Andaluza (drama realista em
      cinco atos). Suzana (romance abolicionista - 1878), publicado anteriormente no
      Diário de Sergipe com o título de Liberta, As desgraçadas (romance abolicionista
      - 1882), Paraguaçu (romance - publicado na Gazeta de Sergipe), O Homem de Ouro
      (romance de costumes), O Anjo dos Túmulos (contos), Indiana (romance, 1892), O
      Inspirado (apoteose a Vitor Hugo), Maldição do povo (poesia), Misérias da Pátria
      (poesia), A jovem República (poesia), Canção do Século (poesia), Trovas e
      sonetos (poesia), O Rei dos beócios (romance, 1897).


      Tendo integrado a vida sergipana, política e culturalmente, através da imprensa
      colaborou nos jornais sergipanos: Diário Popular (1879), A Província (1885), O
      Mercantil (1886), Eco Liberal (1887-1891), O Monitor (1889) A Notícia
      (1896-1898) e outros. Em 1895 é nomeado pelo Presidente da Província, General
      Manuel Presciliano de Oliveira Valadão (1849-1921) para assumir a direção e
      redação da recém criada Imprensa Oficial do Estado de Sergipe. Silva Lisboa é
      autor do primeiro livro "didático" sergipano, Corografia do Estado de Sergipe,
      publicado pela Imprensa Oficial em 1897, aprovado pelo Conselho Superior da
      Instrução Pública, conforme parecer datado de 29 de julho de 1896, para uso nas
      escolas públicas, teve sua impressão autorizada pela Lei 199, de 11 de novembro
      de 1896, assinada pelo Presidente Martinho César da Silveira Garcez (1850-1918).
      Quando o livro foi publicado, o renomado jornalista, redator do jornal O Estado
      de Sergipe e Diretor da Inspeção Pública (1898) Manoel dos Passos de Oliveira
      Teles (1859-1935) teceu comentário crítico, apontando alguns erros e falhas de
      conteúdo publicando-os no livro, Sergipenses - Escritos Diversos, Typ. d'O
      Estado de Sergipe, 1903.


      Silva Lisboa faleceu em Aracaju em 23 de maio de 1903.


      II. O corpo do professor, jornalista e major Silva Lisboa saiu do Ateneu
      Sergipense às 7 horas da manhã com destino a igreja Matriz, a fim de receber as
      bênçãos e encomendações do ritual católico. Seguraram nas alças do caixão desde
      a residência do finado até o cemitério público, os estudantes do Ateneu
      Sergipense, que deram mais uma prova de veneração e respeito à memória do seu
      mestre querido. Entre muitas grinaldas e capelas de flores naturais, os alunos
      do Ateneu gravaram em larga fita a significativa inscrição: "Ao professor Silva
      Lisboa - tributo de amizade de seus colegas e dos estudantes de Ateneu." Após
      eloqüente oração à beira do túmulo, enaltecendo as nítidas qualidades do
      estimado falecido os alunos José Barreto, Luiz José da Costa Filho e Álvaro
      silva, que foram ouvidos com a mais profunda atenção:


      "Finda a cerimônia do enterramento, dirigiram-se os estudantes à casa da
      residência da ilustre e consternada família do finado, a fim de apresentarem
      suas condolências; sendo recebidos pelo Sr. Oscar Lis, filho do falecido, e que
      havia chegado de Japaratuba, de cuja estação telegráfica é encarregada, na hora
      do sabimento."


      Após seu sepultamento foi publicado por vários dias no jornal O Estado de
      Sergipe, nota de agradecimento da Comissão encarregada da celebração das
      exéquias do desditoso professor Luís Carlos Silva Lisboa:


      "Ainda sob o peso da mais acerba dor e profunda comoção, vem por este meio
      convidar aos amigos e parentes do ilustre extinto estudante das diversas casas
      de instrução desta capital, corpo docente do Ateneu Sergipense e da Escola
      Normal e as exmª normalistas para assistirem ao ofício fúnebre que por alma do
      mesmo ficado mandará rezar às 7 horas da manhã do dia 24 do corrente, na Matriz
      desta cidade; bem como convida ainda para, em romaria visitarem o túmulo recém
      fechado do pranteado morte, às 4 horas da tarde deste mesmo dia.


      Desde já a mesma Comissão hipoteca os seus sinceros agradecimentos a todas as
      pessoas que concorrem a esses atos de religião e caridade.
      Aracaju, 25 de maio de 1903
      Domingos Gordo, Álvaro F. da Silva, Luiz Galvão, Antônio de Resende e Eunápio
      Simões dos Reis."


      Neste mesmo periódico o agradecimento da família se faz presente:


      "Oscar Lisboa, Otávio Lisboa (ausente), Mário Lisboa e João Lisboa (ausentes),
      Elisa Lisboa, Eduardo Lisboa e Carlos Lisboa, vêm do alto da imprensa agradecer
      a todas as pessoas que compartilharam de sua grande dor com o falecimento do seu
      querido e sempre chorado pai Luiz Carlos da Silva Lisboa, não podendo jamais
      olvidar os obséquios prestados pelos Srs. Estudantes do Ateneu Sergipense, Dr.
      Antônio Garcia Rosa, José Bomfim, família Brito o Professor Alexandre Teixeira;
      e, por terem de seguir para a vila de Japaratuba os que aqui se acham, porque a
      isto os arrastam motivos imperiosos, agradecem, ainda uma vez aos mesmos
      estudantes o grande favor de mandarem celebrar uma missa de 7º dia em sufrágio
      da alma do mesmo falecido. Sentidamente lamentam não poderem assistir esse ato
      de religião e amor da parte dos dignos moços, mas garantem fazerem-se
      representar na referida solenidade.
      Aracaju, 25 de maio de 1903."


      Na missa de mês realizada às 7 horas na igreja Matriz desta cidade, além dos
      parentes, amigos, estudantes do Ateneu Sergipense, marcaram presença o corpo
      docente do Ateneu e da Escola Normal, representantes de várias classes sociais:


      "Ao ato, que foi bastante concorrido, como era de esperar, compareceu crescido
      número de alunos do estabelecimento supracitado, os quais respeitosamente
      cercaram o vistoso cenotáfio, artisticamente ereto no centro da nave do
      majestoso templo aracajuense, diversos membros do Corpo docente do mesmo Ateneu
      e da Escola Normal, representantes de várias classes sociais e muitas senhoritas
      normalistas, além de distintas famílias das relações do ilustre finado.


      Seguiu-se à Missa o momento, sendo celebrada aquela e entoado este pelo
      Reverendo, vigário Manoel Raymundo de Melo, pároco da freguesia.


      A banda marcial do Corpo de Polícia, gentilmente cedida pelo digníssimo capitão
      Antônio Ribeiro, zeloso comandante interino do mesmo Corpo, executou durante as
      lúgubres cerimônias várias peças do seu vastíssimo arquivo, derramando no
      perfumado ambiente plangentes acordes que arrancaram muitas lágrimas no
      contristado auditório."


      O Jornalista e professor Silva Lisboa exerceu vários cargos públicos
      desempenhando-os, com zelo e inteligência, prestando muitos benefícios a
      sociedade sergipana. Proprietário e redator principal do Diário de Notícias
      contribuiu com suas colaborações com brilhantismo na imprensa sergipana, através
      dos jornais: Cansanção, Guarany, Americano e na Ordem.


      GILFRANCISCO: jornalista, professor da Faculdade São Luís de França e membro do
      Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe
      gilfrancisco.santos@...

      Fonte: http://www.informesergipe.com.br/pagina.php?sec=3&&rec=24296
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