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Bukowski sempre volta (Charles Bukowski)

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Bukowski sempre volta Morto em 1994, aos 73 anos, o escritor e poeta não sumiu das livrarias e seu trabalho continua atualNeste mês. dia 9 de março,
    Mensagem 1 de 1 , 2 de abr de 2009
      Bukowski sempre volta

      Morto em 1994, aos 73 anos, o escritor e poeta não sumiu das livrarias e seu trabalho continua atualNeste mês. dia 9 de março, completaram-se 15 anos da morte de Charles Bukowski. Um dos escritores mais importantes da segunda metade do século 20, marcou grande influência na música e na literatura, como o cubano Pedro Juan Gutierrez ou a gaúcha Clarah Averbuck, escritores confessamente inspirados nas histórias do grande velho safado da literatura americana, como também se costuma chamá-lo.

      Bukowski escreveu o "sonho americano jogado no lixo". Seus personagens são frequentemente bêbados, prostituas, fracassados à margem da sociedade. Seus temas vão desde as histórias de bares e mulheres que o tornaram tão célebres, até a música clássica, a filosofia, corridas de cavalos e a sua luta diária na escrita. Seu estilo é de uma escrita imediata, fluente, precisamente trabalhada para o máximo de agilidade e naturalidade, como uma história contada num balcão de bar.

      Aos 20 anos, largou os estudos e abandonou a casa dos pais, com quem não se relacionava bem. O pai fora um sargento americano que servira na forças de ocupação na Alemanha após a I Guerra, onde conheceu e engravidou a mãe de Bukowski, mudando-se os três para os EUA quando Bukowski tinha três anos. A época não poderia ser mais propícia para o desenvolvimento do misantropismo de Bukowski. Viveu a adolescência na Los Angeles dos anos 30, auge da recessão, vendo o pai desempregado fingindo que ia trabalhar todo dia para os vizinhos não ficarem sabendo de sua situação.

      Embora tivesse posicionamento anti-americano na II Guerra, alistou-se para lutar, mas foi dispensado no exame psiquiátrico. Vagou por cidades acumulando demissões ou abandonos de subempregos, o que lhe rendeu inspiração para seu livro Factotum, assim como para os primeiros poemas que publicou. Todo dia, chegava do trabalho e ia para a máquina de escrever, escrevendo horas sem parar, hábito que conservou a vida inteira, legando um enorme volume de produção literária publicada em vida, e outro postumamente.

      Publicou seu primeiro conto aos 24 anos de idade e o primeiro poema aos 35. Aos 46 anos, em 1966, foi procurado por John Martin, que queria abrir uma editora e admirava Bukowski como um dos melhores escritores vivos. Sua fama já estava se espalhando através de inúmeras publicações em que suas histórias apareciam. Através de John Martin, o trabalho de Bukowski se consolidou, assim como a editora de Martin, a Black Sparrow Press, e em 1969 Bukowski parou de trabalhar nos correios e começou a viver de um salário pago pela editora para se dedicar exclusivamente a escrever.

      A partir daí ele podia trabalhar não somente durante a noite, madrugada adentro, mas durante o dia todo, e sua produção não parou mais. Embora odiasse todo o cenário cultural dos anos sessenta, acabou se envolvendo e conhecendo escritores como Neal Cassidy, Jack Kerouac e Allen Ginsberg, sendo admirado por milhares de leitores de jornais hippies e publicações beat.

      Embora em alguns aspectos formais suas obra se aproxime dos escritores Beat, por causa da fluência de seu verso e sua ruptura com os padrões de pontuação e escrita, é a Walt Whitman que Bukowski deve sua inspiração inicial para o verso livre e a transgressão de normas de escrita. Mesmo se relacionando com diversos escritores, Bukowski era avesso aos Beats e deixa isso bem claro em muitos de seus poemas, como em O Que Precisamos (Tempo de Voo para Lugar Algum, 2004), em que Bukowski ridiculariza a figura de um poeta beat, preferindo ao final a companhia agradavelmente silenciosa de sua geladeira.

      Se no campo da forma na poesia a influência vem de Whitman, é em John Fante que Bukowski encontra a inspiração para a narração do submundo de Los Angeles e o estilo ágil da prosa. Fante foi sem dúvida o escritor favorito de Bukowski, como ele próprio afirmou muitas vezes. A narrativa de Fante não só sobre os subempregos (como em rumo a Los Angeles e os diversos contos sobre trabalhadores Filipinos), mas também sobre o imigrante (sendo Fante descendente de italianos), são um claro indicador para a importância da pesquisa do papel de imigrante na formação da identidade de outsider de Bukowski. Embora muito da pesquisa sobre Bukowski acabe se perdendo ao ofuscá-lo em meio aos poetas beat, ele continua sendo um dos poetas americanos mais publicados e pesquisados atualmente.

      Em contrapartida à influência de Fante sobre a obra de Bukowski, é dele o mérito pelo resgate da obra de Fante, que em meados da década de 80 passa a ser publicada também pela Black Sparrow Press. Embora a maior e melhor parte da produção de Bukowski seja de poemas, gênero no qual ele se consagrou, a chegada dele no Brasil se deu pela publicação de sua prosa, tendo somente nos últimos anos despertado a atenção seus poemas, publicados aqui por várias editoras.

      Publicou em vida mais de 40 livros, sendo a maior parte poesia. Atualmente são editados cerca de dois livros por ano de poemas inéditos do autor nos EUA, sendo que metade de sua obra continua ainda inédita. No Brasil a publicação de seu primeiro romance se deu em 1983, e somente em 2003 começaram a sair os primeiros volumes de seus poemas, sendo publicado no Brasil cerca de um livro por ano do autor.

      Seus últimos livros publicados no Brasil são Essa Loucura Roubada que Não Desejo a Ninguém a Não Ser a Mim Mesmo Amém (7 Letras, 2005), Vida Desalmada (Spectro, 2006), À Toa em San Pedro (2007), O Amor é um Cão dos Diabos (L&PM 2007) e Ao Sul de Lugar Nenhum (L&PM, 2008).

      Bukowski teve também obras adaptadas para o cinema, entre elas Crônicas de Um Amor Louco (1981), dirigido por Marco Ferreri, Barfly (1987), dirigido por Barbet Schroeder, com Faye Dunnaway e Mickey Rourke, Born in This (2003), um documentário sobre o autor e, finalmente, Factotum (2005), com Matt Dillon no papel de um jovem Henry Chinaski, o alter ego do autor.

      No campo dos estudos literários Bukowski continua alvo de muito interesse, tão vigoroso quanto a volumosa produção do autor, que continua sendo publicada postumamente. Sua obra enceta várias abordagens diferentes, da construção da identidade outsider e o status de imigrante, a reflexão sobre a música clássica e filosofia alemãs, a paixão por beisebol e corridas de cavalos e a atualidade de seus escritos sobre jogadores, bêbados e fracassados em geral. Sendo a obra de Bukowski uma grande análise e descrição do "sonho americano jogado no lixo", parece ser, hoje, mais atual do que nunca.


      Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2446814.xml&template=3898.dwt&edition=11947§ion=1029
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