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O livro História de Gdynia, do professor R. Wapiński

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Se ler sobre o Nazismo, Campos de Concentrção, II Guerra Mundial já é complicado do ponto de vista do que é ser um humano imagine tudo junto. Esta
    Mensagem 1 de 1 , 31 de out de 2008
      Se ler sobre o Nazismo, Campos de Concentrção, II Guerra Mundial já
      é complicado do ponto de vista do que é ser um humano imagine tudo
      junto. Esta história é indescrítivel... urs.bira

      Leiam abaixo:



      Hugo Souza

      Lendo um pequeno trecho do livro "História de Gdynia", do professor R.
      Wapiński -- uma das mais importantes publicações sobre a cidade --,
      pode-se ter uma idéia do que representa o drama da falta de informações:

      "O número exato de cidadãos de Gdynia assassinados ou desaparecidos é
      difícil de ser estimado. As fontes de dados não abrangem todas as
      pessoas e estão cheias de imprecisões, o que dificulta identificar a
      real a extensão das perdas. Portanto, podemos citar como vítimas do
      terror nazista apenas 15 conselheiros da Câmara de Indústria e
      Comércio, 12 professores, 14 padres, 65 funcionários poloneses da
      Western Union, 24 oficiais de polícia, 10 colaboradores da Câmara
      Marítima, 10 meninos e 31 comerciantes".

      Ou seja, os documentos existentes dão conta de apenas 181 mortos.
      Agora, além da vontade política de trazer a verdade à tona, Gdynia
      recorre à alta tecnologia, conta com recursos públicos e aposta na
      cooperação e na solidariedade para preencher a sua lacuna particular,
      entre as tantas deixadas mundo afora pelos horrores daquela e de outras
      guer

      No dia 12 de outubro de 1939, o "Brigadeführer" da SS nazista Christoph
      Diehl ordenou que o distrito de Orlowo, na cidade polonesa de Gdynia,
      deveria ser totalmente evacuado até as nove horas da manhã daquela
      quinta-feira. Os apartamentos deveriam ser deixados abertos, com as
      chaves no chão em frente às portas de entrada. Permanecer em casa
      depois das 9h seria considerado um ato de sabotagem.

      Cada pessoa estava autorizada a levar apenas uma bagagem de mão, com
      roupas e pequenos objetos pessoais. O resto deveria ficar para trás.
      Qualquer depredação do mobiliário ou da estrutura das moradias seria,
      igualmente, um ato de sabotagem. Todos tiveram 20 minutos para cumprir
      todas as ordens. Os "sabotadores", os desobedientes e os que fossem
      pegos armados seriam punidos com execução.

      Este foi apenas o primeiro desalojamento em massa promovido pelos
      alemães nesta pequena cidade portuária localizada na costa norte da
      Polônia, às margens do mar Báltico.

      No entanto, desde o primeiro dia da ocupação de Gdynia -- 14 de
      setembro de 1939 --, todos aqueles que poderiam oferecer ou organizar
      resistência aos nazistas foram presos, e em seguida enviados a campos
      de concentração ou assassinados nas florestas próximas. Muitos outros,
      alistados no exército polonês, morreram em combate ou foram feitos
      prisioneiros de guerra. O fato é que, antes da II Guerra Mundial, 120
      mil pessoas viviam na cidade; depois, restavam 30 mil. Vivos ou mortos,
      onde foram parar?

      Para tentar achar respostas, no último dia 1º de setembro --
      aniversário da invasão da Polônia, em 1939 -- a prefeitura lançou um
      site chamado:"Gdynia durante a II Guerra Mundial".
      ( http://www.2wojna.gdynia.pl ). O objetivo é aproveitar as
      possibilidades oferecidas pelo meio online para descobrir o paradeiro
      de quase 90 mil pessoas, que podem ter sido mortas, deportadas ou
      simplesmente emigraram e não deram mais notícias.

      À primeira vista, a inciativa esbarra na dificuldade prática de que os
      sobreviventes provavelmente não são pessoas habituadas a navegar pela
      internet. Mas os organizadores acreditam que eles poderão ser avisados
      sobre a campanha por terceiros. Na primeira semana em que o site esteve
      no ar, dez pessoas apareceram -- em nome próprio ou referidas por
      conhecidos.

      Além de ser um esforço para reconstituir a História, o projeto tem
      ainda um caráter mais pragmático: fazer justiça quanto às propriedades
      perdidas nos tempos de guerra.

      Entre todos os países envolvidos na II Guerra Mundial, a Polônia foi
      aquele que teve a maior perda relativa de vidas humanas. Dezesseis por
      cento dos seus habitantes morreram em razão do conflito -- estima-se
      que a população polonesa na época era de 35,1 milhões de pessoas.
      Quanto às perdas materiais, as estimativas oficiais dão conta de que
      elas somaram o equivalente a dez vezes o valor do orçamento do Estado
      polonês para o biênio 1939/1940.

      Na Polônia, entretanto, a percepção é de que os números que pretendem
      traduzir os sofrimentos e prejuízos causados à população do país são
      marcados pela pouca transparência e pela falta de esmero em um
      levantamento fiel ao que realmente aconteceu. A ocupação dos
      soviéticos, subseqüente à guerra, teria contribuído para a falta de
      dados confiáveis sobre o tamanho da catástrofe que se abateu sobre o
      país até meados dos anos 1940. As autoridades comunistas, dizem os
      poloneses, não quiseram ou não puderam mostrar o que realmente
      aconteceu.

      Ainda hoje, 63 anos depois da II Guerra Mundial, o balanço daqueles
      anos nos territórios poloneses invadidos pelo III Reich permanece em
      relativa obscuridade. E o pior: à medida que o tempo passa, fica cada
      vez mais difícil jogar luz sobre os fatos do passado. As testemunhas
      vão envelhecendo e morrendo, e os documentos se deterioram ou mesmo
      desaparecem. No caso de Gdynia, as fontes escritas sobre a repressão
      aos cidadãos da cidade são incompletas, dispersas, ou sequer chegaram a
      ser elaboradas.

      Lendo um pequeno trecho do livro "História de Gdynia", do professor R.
      Wapiński -- uma das mais importantes publicações sobre a cidade --,
      pode-se ter uma idéia do que representa o drama da falta de informações:

      "O número exato de cidadãos de Gdynia assassinados ou desaparecidos é
      difícil de ser estimado. As fontes de dados não abrangem todas as
      pessoas e estão cheias de imprecisões, o que dificulta identificar a
      real a extensão das perdas. Portanto, podemos citar como vítimas do
      terror nazista apenas 15 conselheiros da Câmara de Indústria e
      Comércio, 12 professores, 14 padres, 65 funcionários poloneses da
      Western Union, 24 oficiais de polícia, 10 colaboradores da Câmara
      Marítima, 10 meninos e 31 comerciantes".

      Ou seja, os documentos existentes dão conta de apenas 181 mortos.
      Agora, além da vontade política de trazer a verdade à tona, Gdynia
      recorre à alta tecnologia, conta com recursos públicos e aposta na
      cooperação e na solidariedade para preencher a sua lacuna particular,
      entre as tantas deixadas mundo afora pelos horrores daquela e de outras
      guerras.

      Hugo Souza

      Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=19669
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