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Um Euclides à Margem da História

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Um Euclides à Margem da História Por Hiram Reis e Silva (*) Artigos - 15/10/2008 - 09h00 Por Hiram Reis e Silva Porto Alegre, RS, 15 de outubro de
    Mensagem 1 de 1 , 29 de out de 2008
      Um Euclides à Margem da História




      Por Hiram Reis e Silva (*) Artigos - 15/10/2008 - 09h00


      Por Hiram Reis e Silva Porto Alegre, RS, 15 de outubro de 2008




      "Que me importa, a mim, que o leitor estaque na leitura corrente, se
      a impressão que lhe dou com esse termo esquecido é a mais verdadeira,
      a mais nítida, e, em verdade, a única que eu lhe queria dar?!"
      (Euclides da Cunha)



      É triste verificar que um autor da envergadura moral e cultural de um
      Euclides da Cunha seja tão pouco conhecido por uma nação que não
      aprendeu, ainda, a cultuar e valorizar seus antepassados. A
      repugnante série denominada `Desejo´, levada ao ar de 27 de maio a 22
      de junho de 1990, em vez de mostrar a importância do ilustre
      brasileiro no contexto nacional, se preocupou apenas em mostrar aos
      mal informados brasileiros os desvarios de uma esposa infiel. Mas o
      que esperar de um povo que tem, em sua própria cédula monetária
      nacional, a estampa de animais em vez de seus heróis nacionais ou
      vultos históricos que se destacaram no campo da política, das artes e
      das ciências?



      - Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha



      Euclides nasceu no dia 20 de janeiro de 1861, em Santa Rita do Rio
      Negro, Fazenda da Saudade, município de Cantagalo, antiga província
      do Rio de Janeiro. Filho do baiano Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha
      e Eudóxia Moreira da Cunha de Cantagalo. Aos três anos de idade, com
      o falecimento de sua mãe, ele e a irmã foram entregues aos cuidados
      da tia Rosinda de Gouveia, que faleceu dois anos mais tarde.
      Novamente, foram encaminhados para a companhia de outra tia, Laura
      Moreira Garcez, em Conceição de Ponte Nova, Fazenda de São Joaquim e
      São Fidélis, no Estado do Rio de Janeiro, onde iniciou o aprendizado
      das primeiras letras. Passou por diversos colégios antes de chegar à
      Escola Militar revelando-se um aluno invulgar e de sagaz inteligência.



      - Escola Militar da Praia Vermelha



      Assenta praça, a 20 de fevereiro de 1886, na Escola Militar da Praia
      Vermelha fazendo parte de uma geração de notáveis, destinada a ter
      uma participação fundamental nos destinos da nação brasileira.
      Euclides se tornou colaborador assíduo, seja em prosa ou em verso, da
      recém fundada revista da escola - `A Família Acadêmica´. O ideal
      republicano vicejava pelo país encontrando na Escola um de seus
      núcleos mais ativos, empolgando professores e alunos.



      José Lopes da Silva Trovão, um dos republicanos mais atuantes,
      regressava da Europa e preparavam-se grandes manifestações de apoio,
      com a presença dos alunos da Escola Militar. O Coronel Clarindo de
      Queirós, comandante da Escola, comunica a visita do Conselheiro Tomás
      Coelho, Ministro da Guerra, para a mesma ocasião tentando evitar a
      participação dos seus alunos nos protestos. O Ministro passou em
      revista a 1ª Companhia sem que se verificasse qualquer tipo de
      indisciplina, mas, quando chega à 2ª Companhia, Euclides sai de forma
      e tenta quebrar sua baioneta, jogando-a depois aos pés do ministro a
      quem se dirige com violentas palavras de protesto.



      É recolhido, imediatamente, à prisão. Dr. Lino de Andrade transfere
      Euclides para o hospital com diagnóstico de `esgotamento nervoso por
      excesso de estudo´. Os jornais republicanos exploram o fato
      prenunciando o fim da Monarquia. Submetido, mais tarde, a
      interrogatório, professa sua fé republicana com veemência e coragem
      provocando seu desligamento do Exército por indisciplina.



      - A República



      No dia 15 de novembro, eclode o movimento da proclamação da República
      e Euclides obtém de Benjamin Constant sua reintegração, a 19 de
      novembro, sendo promovido, no dia 21, a alferes-aluno. No ano
      seguinte, matricula-se na Escola Superior de Guerra, atingindo o
      posto de 2º Tenente a 14 de abril de 1890. Em dezembro de 1891, após
      a conclusão do curso, foi promovido a 1º tenente, da arma de
      Artilharia, sendo designado para instrutor na Escola Militar e, em
      1893, é colocado à disposição do Ministério da Viação na Estrada de
      Ferro Central, distrito de São Paulo.



      - Canudos



      Incompatibilizado com a farda é reformado em julho de 1893. Em São
      Paulo, é contratado como engenheiro-ajudante de 1ª classe da
      Superintendência de Obras. Seu amigo, Júlio de Mesquita, do jornal `O
      Estado de S. Paulo´, convida-o para acompanhar a campanha de Canudos
      como correspondente. Euclides é nomeado adido do Estado-Maior do
      Marechal Carlos Machado Bittencourt, Ministro da Guerra, e segue para
      Canudos para fazer a cobertura da última fase da campanha. Ao
      retornar, em 1898, publica um artigo que fará parte de `Os Sertões´ -
      `Excerto de um livro inédito´. Ao término da Guerra de Canudos, mudou-
      se, com a família, para São José do Rio Pardo onde organizou suas
      anotações de campanha transformando-as na sua Obra-Prima.



      - Os Sertões



      "Conta-nos contristado os episódios horríveis da caatinga
      conflagrada. Repugnava-lhe aquela reação da legalidade que não lhe
      pareceu na altura da nossa força militar, como não agiu consoante à
      cultura que, como um povo civilizado e cristão, representávamos. Não
      acusava a indivíduos; reprovava, porém, a ação descabida, errônea,
      incontida dos responsáveis". (Teodoro Sampaio)



      Logo após a publicação de `Os Sertões´, passou a ser conhecido como o
      maior escritor brasileiro do seu tempo. O escritor e crítico
      literário Tristão de Alencar Araripe Júnior promoveu-o de `recruta a
      triunfador´. A primeira edição foi esgotada em tempo recorde e, como
      reconhecimento, a Academia Brasileira de Letras elegia-o para a vaga
      de Valentim Magalhães.



      - Fronteira Brasil x Peru



      "Quando poucos desviavam suas atenções para o extremo norte, ele
      soube conduzir a opinião nacional para a primeira meditação acerca
      dos destinos dele, obrigações e responsabilidades de que o país
      precisava tomar consciência". (Arthur Cézar Ferreira Reis)



      Os conflitos entre brasileiros e peruanos, no alto Juruá e alto
      Purus, anunciavam um desenrolar sangrento. O Brasil precisava
      assumir, no continente, uma posição mais firme nas relações
      internacionais.



      Em 15 de janeiro 1904, Rio Branco nomeia-o chefe da `Comissão
      Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus´, cuja missão era mapear o
      rio Purus desde a desembocadura no Solimões até suas cabeceiras no
      atual Estado do Acre, definindo as fronteiras do país com a Bolívia e
      o Peru. A viagem foi patrocinada pelo Ministério das Relações
      Exteriores e realizada conjuntamente com uma comissão do governo
      peruano.



      Com essa missão, Euclides realizava o velho sonho: o de ver a
      Amazônia, satisfazendo a curiosidade de muitos anos. Preparara-se
      para a grande aventura lendo clássicos como: La Condamine , Bates,
      Wallace, Spruce, Alexandre R. Ferreira, Tavares Bastos, Frei João de
      São José, Silva Coutinho, dentre outros. Em Belém, fica maravilhado
      com o Museu do Pará onde teve a oportunidade de conhecer `dois homens
      admiráveis´: o Dr. Emílio Goeldi e Jacques Huber. Chegou a Manaus, em
      30 de dezembro, onde encontrou o seu antigo companheiro de Escola,
      Alberto Rangel, e em cuja casa ficou hospedado. Rangel escreveu um
      livro capital para a cultura amazônica: `Inferno Verde´, publicado no
      Rio de Janeiro em 1908.



      Belém e Manaus viviam o auge do ciclo da borracha, as grandes casas
      de negócio eram estrangeiras, tudo era importado. Euclides se
      assustou com a tremenda desordem social que se agravava com a
      incorporação de estranhos valores alienígenas.



      O trabalho de campo das duas comissões demonstrou a tenacidade
      invulgar de Euclides vencendo obstáculos de toda ordem: enfermidades,
      escassez de víveres, revolta, naufrágio e, inclusive, a desconfiança
      dos peruanos, que identificavam, nas atitudes dos brasileiros,
      manifestações que poderiam colocar em risco a sua soberania.



      A visão holística de Euclides é caracterizada pelos seus comentários
      de cunho antropológico, aspectos do relevo, solo, fauna, flora, clima
      da região e sobre o caráter divagante do rio Purus, baseados na
      concepção do `ciclo vital´. Durante a viagem teve, ainda, o cuidado
      de recolher amostras de fósseis e rochas, posteriormente encaminhadas
      ao Museu do Pará (atualmente Emílio Goeldi).



      Concluído o levantamento, Euclides, regressa ao Rio de janeiro onde
      inicia a redação do Relatório sobre a evolução fisiográfica da bacia
      do Purus. Terminado o Relatório, no final de 1905, o Barão do Rio
      Branco o mantém como auxiliar técnico. Neste período, escreve para
      diversos jornais suas impressões sobre a Amazônia e faz o mapeamento
      de diversas questões de limites defendidas pelo grande estadista.
      Escreve, então, em um mês, a obra `Peru Versus Bolívia´. Considerado
      por alguns, menos informados, como mero relatório técnico são na
      realidade páginas repletas de uma lógica insofismável e de um
      conhecimento fantástico da história e política do continente. Mais
      uma vez foi reconhecido e consagrado não só no Brasil, mas em todo
      continente Americano.



      - Peru versus Bolívia



      Como chefe da `Comissão Brasileira de Reconhecimento do Alto Purus´
      vivencia o angustiante problema do seringueiro no Acre e passa a se
      preocupar com a questão da demarcação das fronteiras entre a Bolívia
      e o Perú. Assumindo apaixonadamente partido da Bolívia, tornou-se o
      `Cavaleiro andante da Bolívia contra o Peru´, conforme ele mesmo se
      definia.



      `Muitos talvez não compreendam que, numa época de cerrado
      utilitarismo, alguém se demasie em tanto esforço numa advocacia
      romântica e cavalheiresca, sem visar um lucro, ou interesse
      indiretos. Tanto pior para os que não o compreendam. Falham à
      primeira condição prática, positiva e utilitária da vida, que é
      aformoseá-la...´ (Euclides da Cunha)



      Euclides da Cunha é um imortal e como tal consegue transformar um
      árido relatório técnico numa obra magistral onde os argumentos de
      irrefutável lógica cartesiana ombreiam com a história e acompanham
      harmonicamente seus devaneios de pura poesia. Vamos citar apenas
      algumas de suas memoráveis considerações:

      `A barreira colonial renasce num majestoso traço imperialista,
      espichada, e deslocando-se para o norte, golpeantemente, em pleno
      seio da Amazônia. Depois de tantas resoluções debatidas, afirmadas e
      ratificadas em numerosos atos oficiais, a República sonhadora do
      Pacífico abandona, de improviso, os compromissos oriundos da sua
      existência autônoma e, abdicando a própria altitude política, volve,
      às recuadas, aos tempos em que ainda não existia, acolhendo-se à
      placenta morta da metrópole extinta, e revivendo, entre as
      singularidades desse processo retrospectivo, as fantasmagorias do
      Vice-reinado, cujo acabamento foi a primeira condição da sua própria
      vida´.

      `Contemplemos nos seus vários aspectos, desde o nascedouro abortício
      à caduquice lastimável - periclitante e vária, à mercê dos lápis
      arbitrários dos copistas de mapas - aquela risca fantástica e curiosa
      de uma espécie de geografia espectral´.

      `A tanto se alarga a amplitude de oscilação da fronteira jogada, à
      toa, no deserto. A agitante caduquice político-geográfica,
      estereotipa-se. Vê-se. Aí está, sempre dúbia, sempre incompreendida,
      sempre errante, sempre atarantada, hoje como há um século, a saltar
      de um para outro lado, numa inambulação desesperadora, ora ao norte,
      ora ao sul, sem pouso, sem posição, sem fixidez, sem descanso,
      ocupando todos os pontos, abandonando todos os pontos, fugindo de
      todos os pontos; e a espelhar nesta volubilidade pasmosa, em nossos
      dias - depois de Humboldt, depois de Castelnau, depois de Gibbon,
      depois de Chandless - os mesmos erros, que a obscureceram nos
      primeiros tempos´.




      `Não combatemos as pretensões peruanas. Denunciamos um erro.



      Não defendemos os direitos da Bolívia. Defendemos o Direito´.



      - À Margem da História


      Em 1909, ano da sua morte, é publicado postumamente Á Margem da
      História, que reúne o que é de melhor de seus escritos dedicados à
      Amazônia


      `A inconstância tumultuária do rio retrata-se ademais nas suas curvas
      infindáveis, desesperadoramente enleadas, recordando o roteiro
      indeciso de um caminhante perdido, a esmar horizontes, volvendo-se a
      todos os rumos ou arrojando-se à ventura em repentinos atalhos. Assim
      ele se precipitou pela angustura afogante de Óbidos num abandono
      completo do antigo leito, que ainda hoje se adivinha no enorme plaino
      maremático ganglionado de lagoas, de Vila Franca; ou vai, noutros
      pontos, em furos inopinados, afluir nos seus grandes afluentes,
      tornando-se ilogicamente tributário dos próprios tributários: sempre
      desordenado, e revolto, e vacilante, destruindo e construindo,
      reconstruindo e devastando, apagando numa hora o que erigiu em
      decênios - com a ânsia, com a tortura, com o exaspero de monstruoso
      artista incontentável a retocar, a refazer e a recomeçar
      perpetuamente um quadro indefinido...´



      `Ao passo que no Amazonas, o contrário. O que nele se destaca é a
      função destruidora, exclusiva. A enorme caudal está destruindo a
      terra. O Professor Hartt, impressionado ante as suas águas sempre
      barrentas, calculou que `se sobre uma linha férrea corresse dia e
      noite, sem parar, um trem contínuo carregado de tijuco e areias, esta
      enorme quantidade de materiais seria ainda menor do que a de fato é
      transportada pelas águas...´


      `Neste ponto, o rio, que sobre todos desafia o nosso lirismo
      patriótico, é o menos brasileiro dos rios. É um estranho adversário,
      entregue dia e noite à faina de solapar a sua própria terra´.



      `... Esqueceu-lhe, porém, que aquele originalíssimo sistema
      hidrográfico não acaba com a terra, ao transpor o Cabo Norte; senão
      que vai, sem margens, pelo mar dentro, em busca da corrente
      equatorial, onde aflui entregando-lhe todo aquele plasma gerador de
      territórios. Os seus materiais, distribuídos pelo imenso rio pelágico
      que se prolonga com o Gulf-Stream, vão concentrando-se e surgindo a
      flux, espaçadamente, nas mais longínquas zonas: a partir da costa das
      Guianas, cujas lagunas, a começar no Amapá, a mais e mais se dessecam
      avançando em planuras de estepes pelo mar em fora, até aos litorais
      norte-americanos, da Geórgia e das Carolinas, que se dilatam sem que
      lhes expliquem o crescer contínuo os breves cursos d'água das
      vertentes orientais dos Aleganis.

      Naqueles lugares, o brasileiro salta: é estrangeiro, e está pisando
      em terras brasileiras. Antolha-se-lhe um contra-senso pasmoso: à
      ficção de direito estabelecendo por vezes a extraterritorialidade,
      que é a pátria sem a terra, contrapõe-se uma outra, rudemente física:
      a terra sem a pátria. É o efeito maravilhoso de uma espécie de
      imigração telúrica. A terra abandona o homem. Vai em busca de outras
      latitudes. E o Amazonas, nesse construir o seu verdadeiro delta em
      zonas tão remotas do outro hemisfério, traduz, de fato, a viagem
      incógnita de um território em marcha, mudando-se pelos tempos
      adiante, sem parar um segundo, e tornando cada vez menores, num
      desgastamento ininterrupto, as largas superfícies que atravessa´.



      - Recordando Euclides da Cunha - Teodoro Sampaio

      "Ninguém lê; ninguém escreve; ninguém pensa. A mofina literária
      nacional traduz-se, naturalmente, numa vasta poliantéia, a 100 réis
      por linha. De todo absorvidos no presente, às voltas com seus
      interessículos, estes homens, tão descuidados do futuro, ainda menos
      curam o passado; e decerto não escutarão a grande voz do historiador.
      Entretanto, quero crer que ainda haverá meia dúzia de espíritos
      capazes do esforço heróico de um rompimento com tanta frivolidade. E
      entre estes me alinharei". (Euclides da Cunha)

      Como professor de matemática, do Colégio Militar de Porto Alegre,
      tenho procurado reforçar, nos meus alunos, o interesse e a
      importância da interpretação de textos para todas as ciências e me
      valho sempre deste belo texto relatado por Teodoro de Sampaio, grande
      amigo de Euclides.


      "Conversamos uma vez a propósito do estouro da boiada e dos costumes
      do vaqueiro da caatinga, quando me ocorreu citar-lhe um bilhete de
      sertanejo cujo teor, como se vai ver, me deram por autêntico de um
      vaqueiro dos Inhamuns:



      - Ilustríssimo Senhor meu amo. Participo-lhe que a sua boiada meteu-
      se em despotismo. Um boi no deixar o curral entregou o couro às
      varas. O resto... o resto trovejou naquele mundão.

      `Falar assim é que é falar com a natureza´, atalhou-me encantado o
      Euclides. `Não conheço deveras povo, como o nosso do sertão, que por
      palavras dê mais realce ao seu sentir, tenha mais energia no dizer.´


      Uma boiada que `se meteu em despotismo´, comentávamos então, é em
      verdade a revolta, a convulsão da bovina caterva, mugindo,
      arremetendo, arrombando porteiras e levando tudo adiante de si.
      `Meter-se em despotismo´ quer dizer tudo isso numa frase sintética
      muito verdadeira ao sabor da gente simples do sertão.



      `Um boi que entrega o couro às varas´ é a vítima do incontido tropel
      sobre cujo cadáver passou a avalanche de manada e de que o provido
      boiadeiro tirou o couro, espichando-o por meio de varas a secar no
      oitão da casa da fazenda.



      `Trovejar naquele mundão...´ exprime de modo incomparável o que é o
      horizonte da caatinga quando, como um furacão, o sacode o arranco da
      boiada por entre nuvens de pó. O chão treme. O ruído da ramalhada
      partida e levada a peitos estruge como um trovão ao longe, numa
      tempestade em que aos euros se substituem bisões furibundos como que
      tangidos por demônios invisíveis. Euclides repetia essas frases como
      que a pesar-lhes as imagens, a haurir-lhes na onomatopéia
      significativa, a sensação real que lhe produziam".



      - Poesia de Euclides da Cunha - Gonçalves Dias



      "... chegou a notícia da morte de Gonçalves Dias, o grande poeta dos
      Cantos e dos Timbiras. A poesia nacional cobre-se, portanto, de luto.
      Era Gonçalves Dias o seu mais prezado filho, aquele que de mais
      louçania a cobriu. Morreu no mar-túmulo imenso para talento".
      (Machado de Assis)


      Gostaria de fazer minhas as palavras da primeira estrofe do verso,
      de Euclides, homenageando o poeta Antônio Gonçalves Dias, para
      reverenciar, um justo tributo, a ele próprio, que tanto fez por esta
      Terra Brasilis. Euclides cumpriu suas missões com invulgar e total
      dedicação, sem medir esforços, sem jamais buscar o reconhecimento
      pessoal a não ser a satisfação do dever cumprido.


      "Seu eu pudesse cantar a grande história,
      Que envolve ardente o teu viver brilhante!...
      Filho dos trópicos que - audaz gigante -
      Desceste ao túmulo subindo à Glória!.."


      (*) Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
      Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
      Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)
      Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

      Rua Dona Eugênia, 1227

      Petrópolis - Porto Alegre - RS - 90630 150

      Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

      E-mail: hiramrs@...


      Fonte: http://www.pantanalnews.com.br/contents.php?CID=5317
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