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Nova regra de ortografia confunde até dicionários

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Nova regra de ortografia confunde até dicionários Folha Online 27 de Outubro de 2008 - 10:18 Faltando apenas dois meses para que as novas regras
    Mensagem 1 de 1 , 29 de out de 2008
      Nova regra de ortografia confunde até dicionários

      Folha Online
      27 de Outubro de 2008 - 10:18


      Faltando apenas dois meses para que as novas regras ortográficas
      entrem em vigor no Brasil, nem mesmo os especialistas em língua
      portuguesa conseguem chegar a um consenso sobre como determinadas
      palavras serão escritas a partir de 1º de janeiro de 2009.

      As divergências aparecem nos dicionários "Houaiss" (ed. Objetiva)
      e "Aurélio" (ed. Positivo), nas recém-lançadas versões de bolso, que
      já contemplam as mudanças ortográficas. O "pára-raios" de hoje, por
      exemplo, virou "para-raios" no primeiro e "pararraios" no segundo.

      A lista de diferenças continua. A versão mini do "Houaiss" grafa "sub-
      reptício" e "para-lama". Em outra direção, o novo "Aurélio"
      traz "subreptício" e "paralama".

      Prevendo o impasse, antes mesmo do lançamento dos dicionários, a ABL
      (Academia Brasileira de Letras) tomou para si a difícil missão de
      dirimir essas e outras dúvidas. A palavra final da entidade deverá
      sair apenas em fevereiro, quando as novas regras ortográficas já
      estiverem valendo.

      Confusões

      O acordo internacional, assinado em 1990, foi concebido para unificar
      e simplificar a grafia da língua portuguesa. Certos acentos serão
      derrubados ("enjoo" e "epopeia"), e o trema será praticamente
      extinto -só permanecerá em palavras estrangeiras (como "Müller"
      e "mülleriano").

      O que tem sido motivo de apreensão é o hífen.

      O acordo está cheio de regras novas --certas palavras perderão o
      hífen (como "antissocial" e "contrarregra") e outras ganharão ("micro-
      ondas" e "anti-inflamatório")--, mas deixa buracos.

      O texto diz que devem ser aglutinadas, sem hífen, as palavras
      compostas quando "se perdeu, em certa medida, a noção de composição".
      E lista meia dúzia de exemplos: "girassol, madressilva, mandachuva,
      pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.".

      "O problema está justamente no "etc.". Como sabemos que as pessoas
      perderam a noção de composição de uma palavra? É algo subjetivo",
      afirma o professor e autor de gramática Francisco Marto de Moura.
      Na dúvida, os elaboradores dos dois dicionários consultaram
      especialistas e chegaram às suas próprias conclusões.

      O "Houaiss", por exemplo, achou mais seguro ignorar o "etc." e
      decidiu que só seriam aglutinadas as seis palavras da lista de
      exemplos.

      "Com essas mudanças, os dicionários precisam sair na frente, já que
      são as obras às quais todos vão recorrer. Precisam dar soluções.
      Diante das lacunas, tivemos de inferir", afirma Mauro Villar, co-
      autor do "Houaiss".

      O acordo diz que perdem o acento os ditongos "ei" e "oi" de palavras
      paroxítonas, como "idéia" e "jibóia". No entanto, existe hoje uma
      regra que determina que paroxítonas terminadas com "r" tenham acento.
      O que fazer com "destróier", que se encaixa nas duas regras?

      O texto tampouco faz referência ao uso ou à ausência do hífen em
      formações como "zunzunzum", "zás-trás" e "blablablá".

      Pontos obscuros

      No início do ano, quando aumentaram os rumores de que as mudanças
      ortográficas acordadas em 1990 finalmente seriam tiradas da gaveta, a
      Academia Brasileira de Letras começou a se debruçar sobre os pontos
      obscuros. Seis lexicógrafos e três acadêmicos têm essa missão.

      "Estamos tentando resolver os problemas de esquecimento e esclarecer
      os pontos obscuros. As interpretações serão feitas com o objetivo de
      facilitar a vida do homem comum", diz Evanildo Bechara, gramático e
      ocupante da cadeira 33 da ABL.

      As decisões da comissão da ABL estarão no "Vocabulário Ortográfico da
      Língua Portuguesa", a lista oficial da correta grafia das palavras.

      O término da obra estava previsto para novembro. Por causa do excesso
      de dúvidas, o lançamento acabou sendo adiado para fevereiro.

      Uma vez pronto o "Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa", os
      dicionários de bolso que já incorporaram o acordo ortográfico
      internacional precisarão ser mais uma vez reeditados, dessa vez com
      as mudanças definitivas. É por isso que as versões completas
      do "Houaiss" e do "Aurélio" ainda não foram lançadas.

      As novas regras ortográficas começam a ser aplicadas em janeiro de
      2009, mas as atuais continuarão sendo aceitas até dezembro de 2012.

      A partir de janeiro de 2013, serão corretas apenas as novas grafias.

      Fonte: http://www.fatimanews.com.br/canais/noticias/?id=76176
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