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Ainda sobre Ray Silveira - Opinião da Moderação

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Senhores(as) do Conselho, O texto abaixo é da Maguinha, é possíve que alguns de vocês a conheçam. Ele trata do que alguns acreditam ser a boa
    Mensagem 1 de 1 , 4 de jan de 2006
      Senhores(as) do Conselho,

      O texto abaixo é da Maguinha, é possíve que alguns de vocês a
      conheçam.
      Ele trata do que "alguns" acreditam ser a "boa literatura" ou
      o "conceito de Literatura".
      Este texto foi publicado no Grupo durante o excesso de "um" antigo
      membro do Grupo sobre os textos publicados no Grupo (06/11/04).

      Este texto representa a Opinião da Moderação do [L&L].


      Texto de "Maguinha"

      Caríssimo colega, A coisa está ficando impossível, tomara o que Bira
      volte logo.
      Não pretendia me meter nesta conversa, até mandei uma etiqueta para
      se usar em grupos, mas depois do que vc enviou abaixo, foi impossível
      ficar quieta. Não estou fazendo provocação, é apenas um
      esclarecimento.
      Sou professora de literatura brasileira e portuguesa na Universidade
      Federal do Acre há 15 anos e vejo que vc está um pouco desatualizado.
      Vamos aos fatos: conceituar literatura é coisa antiga que vem da
      modernidade, coisa do século XIX. Há muito tempo, literatos, teóricos
      da literatura e críticos literários do mundo inteiro já viram ser
      impossível conceitur a literatura. Os formalistas russos nas
      primeiras décadas do século XX tentaram muito definir literatura e
      descobrir a literariedade, aquilo que faria a literatura ser
      literatura e que nenhuma outra arte tem. Não conseguiram até hoje,
      nem eles nem os que vieram depois.
      A professora Marisa Lajolo, professora titular de literatura da
      UNICAMP, uma vez escreveu um livrinho: O que é literatura, da coleção
      Passo a Passo da Ática. Ela nos dizia em 1994 (faz
      teeeeeeeeeemmmmmpo) que tinha se arrependido de escrever o tal
      livreto, porque literatura não tem definição.
      Derrida e Foucault nos anos 70 andaram mostrando e demolindo muita
      coisa com seus escritos e não pouparam nem a literatura. Tudo foi
      descontruído. Eles lançaram os tempos da pós-modernidade que agora já
      vamos ultrapassando também e vc vem citar verbete de dicionário que
      empobrece e limita a literatura com definições didáticas para uso nas
      escolas?
      Faz tempo não existe mais isso de valorizar como literário apenas o
      que tem valor estético. Eu escrevo uma tese de doutorado que envolve
      as escritoras do Acre que na grande maioria escreve e publica poesias
      sem quase nenhum valor estético, mas muitas de inestimável valor
      histórico, documentos da memória cultural de uma sociedade
      internalizada nas selvas. Nem por isto deixo de estudá-las e mencioná-
      las na tese e sem ofensas, porque não existe apenas o estético como
      valor literário.
      Senão o que seria da poesia dos anos 70, a poesia marginal, o poema
      sujo? Eram poemas com palavrões, obcenidades, linguagem vulgar,
      rejeitados na época, foi a geração do mimeógrafo, e que agora constam
      dos melhores manuais de história da literatura brasileira.
      Veja a História Concisa da Literatura Brasileira do Bosi (eu tenho em
      ebook) ou os livros de Afrânio Coutinho. É fácil pesquisar.
      Este ano de 2004 saiu pela editora Objetiva alguns volumes
      interessantes:

      - Como e porque ler poesia brasileira do século XX - de Italo
      Moricone (que foi meu professor nos tempos em que fiz Letras no Rio
      de Janeiro e que tb lançou o livro: Os 100 melhores contos do século
      XX)
      - Como e porque ler o romance brasileiro - de Marisa Lajolo (esta foi
      minha professora na UNICAMP, no mestrado)
      Os livros são dirigidos para o público infanto-juvenil numa linguagem
      cheia de gírias e fácil de ler, muito didáticos e instrutivos. Eles
      mostram que "novos valores se alevantam", como dizia Camões, em 1572,
      nos Lusíadas.
      Sem provocação caro amigo, não estou começando nova polêmica e nem de
      ironias. Falo como professora. Encare como uma pequena aula e pode
      fazer as perguntas que quiser.
      Sem ofensas, um abraço

      Maguinha (maga@we...)(em 06/11/04)
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