Carregando ...
Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o conteúdo.
 

O papel do livro na cultura brasileira

Expandir mensagens
  • Ubiratan
    O papel do livro na cultura brasileira Evoco neste momento as vozes de um passado distante, porém não o suficiente para que sejam esquecidas: Labuta longa,
    Mensagem 1 de 1 , 10 de set de 2008

      O papel do livro na cultura brasileira

      Evoco neste momento as vozes de um passado distante, porém não o suficiente para que sejam esquecidas: Labuta longa, vita breve; traduzindo do Latim: o trabalho é longo, a vida é breve. Educar um homem é dissipar capitais de dúvida e preparar dores aos poderosos. De posse do preâmbulo acima, partamos para a nossa reflexão: Ora, cumpre entendermos em primeira ordem que a população brasileira, por razões históricas, não se formou em torno de uma vertente intelectiva no sentido de que a nossa sociedade não abraçou o livro como objeto de consumo. Assim, fica fácil compreendermos o porquê dos números alarmantes aludidos pelas pesquisas que, inutilmente buscando um paradigma comparativo, tentam estratificar aspectos e dados confrontando a nossa realidade com a de países como França e Itália. Ora, a adoção desse método é ineficaz, até porque se entendermos a formação dessas nações enquanto Estados politicamente organizados, veremos que suas transformações históricas, as relações humanas e culturais lhe são absolutamente peculiares, não se aplicando ao Brasil. Cultivamos ainda algumas crenças históricas herdadas de um passado em que o acesso ao livro era privilégio apenas de uma minoria aristocrática que podia custear estudos na Europa; motivo este que até justifica o porque de nossos intelectuais das Letras “importarem” um nacionalismo idealizado na elucubração ufanista. Exageros à parte, não podemos cegar nossos olhos críticos, de sorte que é preciso projetar o pensamento além das limitadas paredes do quarto, pois é nesse instante que o fraco se diferencia do forte; enquanto o primeiro é um pobre de espírito e se isola na segurança ineficaz de uma vida sem desafios, o outro luta brava e heroicamente para tentar transformar o mundo num lugar melhor para cada um de nós, pois ele sebe que se não fizer a sua parte, ninguém a fará. Os argumentos apresentados acima podem soar como uma aparente digressão, mas é impossível estabelecermos uma apreciação consistente acerca do tema, sem antes traçarmos tais apontamentos. Doravante, falemos um pouco sobre a importância do livro na educação; compreendemos cultura como sendo o conjunto de competências cognitivas que se assomam com o passar do tempo na relação do homem com o seu meio. O livro é um aparato que se utiliza da informação construída e se canaliza no viés da língua enquanto objeto empírico-social. A adoção dele como objeto da prática pedagógica deve ser levada com muita seriedade. Sabemos que um dos maiores desafios do educador hoje é justamente buscar os meios necessários para que se consiga difundir no aluno o prazer pela leitura e a conseqüente produção textual. Não há receitas prontas; há alguns caminhos, pois é preciso fazer com que o aluno se sinta, sobretudo, autor de seu próprio texto, e abolir definitivamente a prática de redação como forma de castigo. Escrever não é um dom divino (como algumas pessoas erroneamente pensam); é técnica que deve ser constantemente aprimorada. Nos dias de hoje vivemos o advento da internet e da globalização econômica, fato este que justifica o porquê dos nossos jovens buscarem entretenimento e informação não mais nos livros. Ora, não devemos nos privar das maravilhas do mundo moderno, mas é preciso conjugá-las ao arsenal rústico, porém insubstituível do livro. Pensemos nos mundos que são criados a partir desse estado de inserção cultural! Por outro lado, os nossos jovens estão cada vez mais consumindo produtos internacionais contra os quais a cultura de resistência já não tem a mesma força de antes. Eles ouvem música estrangeira mesmo sem saberem o significado das suas letras. Não sejamos xenófobos, mas como brasileiros é preciso valorizarmos a nossa riqueza cultural. Defendemos impreterivelmente o livro enquanto indutor de conhecimentos, pois é esta a chave do poder, de forma que um povo mais crítico e leitor da sua realidade tem condições de desenvolver a autonomia de um pensamento livre e autêntico. Finalmente, entendamos a importância do livro para a nossa formação não só cultural, mas como criaturas cósmicas, pois infeliz do homem que se tranca na masmorra do silêncio e se priva da magia de sonhar. Ele é pobre, muito pobre mesmo, posto que somente em nossos sonhos somos de fato livres, e quem não consegue enxergar o livro como fio condutor desta dádiva, é com certeza o mais pobre dentre os pobres da Terra!

      Professor Alex Swander

       

      Fonte: http://www.paratexto.com.br/document.php?id=2716   (Acessado 10/9/2008)

       

    Sua mensagem foi enviada com êxito e será entregue aos destinatários em breve.