Carregando ...
Desculpe, ocorreu um erro ao carregar o conteúdo.
 

Saída para a crise na educação

Expandir mensagens
  • Ubiratan Rocha da Silva
    SHIRLEI NEVES Saída para a crise na educação Já fez doze e dez anos, respectivamente, da publicação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB/1996) e dos
    Mensagem 1 de 1 , 1 de set de 2008
      SHIRLEI NEVES

      Saída para a crise na educação

      Já fez doze e dez anos, respectivamente, da publicação da Lei de
      Diretrizes e Bases (LDB/1996) e dos Parâmetros Curriculares Nacionais
      (PCN, 1998). As normatizações, que dizem respeito à educação, visam,
      entre outros, à adequação da escola pública às transformações sociais
      e culturais do mundo contemporâneo assim como integrar a escola ao
      seu público atual, a maioria proveniente das camadas menos
      privilegiadas da população.

      Com a democratização da escola pública brasileira, a partir dos anos
      60, a educação no país tem passado por uma crise profunda,
      principalmente no que diz respeito à qualidade do ensino oferecido.
      Apontava-se como fator agravante a inadequação curricular para esse
      novo público, advinda, a maioria, das classes desprivilegiadas.
      Considerando que o currículo já foi inovado pelas reformas promovidas
      pela LDB e pelos PCN e que, entretanto, o problema persiste, apontam-
      se falhas na formação profissional dos educadores para levar adiante
      esse novo projeto de educação do país.

      Daí, o investimento na formação do professor ser uma das saídas
      possíveis para a resolução desse problema devido ao fato de que é
      impossível transpor as novas diretrizes educacionais sem a devida
      preparação dos educadores para isso. Para realizar tal transposição a
      contento, faz-se necessário o desenvolvimento de políticas
      educacionais que dêem sustentação a esse professor para poder avançar
      na sua formação e tornar o ensino significativo e que atenda às
      exigências do seu público e da sociedade atual.

      Um dos obstáculos para a implantação das novas diretrizes na sala de
      aula é o fato de os professores já saírem da graduação com uma
      formação defasada devido as grades curriculares de muitos cursos
      ainda não estarem adequadas às novas orientações educacionais. Além
      disso, muitos educadores mergulham no mundo da prática, fundamentos
      pelos conhecimentos básicos adquiridos na graduação e deixam de lado
      a formação continuada. A causa disso é a submissão desses
      profissionais a uma jornada de trabalho dupla, muitas vezes, tripla
      para compensar os baixos salários pagos à categoria.

      A política de remuneração no país é muito desigual. Para sanar alguns
      disparates nessa relação, o governo aprovou o piso salarial nacional
      de 950 reais (novecentos e cinqüenta reais). Como diz Milton Hatoum,
      escritor e autor renomado de vários romances literários
      contemporâneos, os professores da rede pública brasileira apenas
      sobrevivem. A remuneração dos mestres – de Norte a Sul – é uma
      indignidade deste país que sonha com normas civilizadas. Se um país
      tão rico como o Brasil continuar a pagar um piso salarial tão ínfimo
      como este, o que se pode esperar da formação da imensa maioria de
      jovens que dependem da escola pública para romper o ciclo secular da
      pobreza e marginalidade social? Não é preciso comparar a
      insignificância de tal piso com a remuneração dos professores na
      França, na Inglaterra e na Alemanha. Aliás, é melhor não divulgar o
      salário desses professores. Nem é preciso mencionar números: todo
      mundo sabe como e por que a Alemanha quase inteiramente devastada
      pela Segunda Guerra tornou-se, em poucas décadas, um dos países mais
      prósperos do mundo.

      Em suma, o professor brasileiro ganha mal e, ainda por cima, com
      condições instrumentais de trabalho precárias, resumindo-se em quadro-
      negro, giz e apagador na maioria das escolas. Esse quadro é agravado
      pelas salas superlotadas. Enfim, um professor com carga horária de 30
      horas semanais é responsável, geralmente, por cinco turmas, contendo,
      cada uma, em média 35 a 40 alunos, somando-se o total, esse professor
      tem o desafio de educar 175 a 240 alunos, provenientes das mais
      diferentes classes sociais. Agora, multiplique 240 por três para
      aqueles que trabalham os três períodos. Em outras palavras, o
      educador brasileiro não tem tempo nem condições de estudar.

      A professora doutora do Programa de Pós-Graduação em Lingüística
      Aplicada da PUC/SP, Roxane Rojo, argumenta que a formação do
      professor, seja inicial ou continuada, é o ponto chave para as
      mudanças que se deseja na educação. De nada adianta atualizar leis
      que respondam às necessidades na sociedade contemporânea, se não se
      preparar o professor para levar adiante sua tarefa nessa nova
      conjuntura. Além disso, dados recentes de uma reportagem publicada
      pela revista Isto É, de 18/06/08, edição 2015, mostrou uma escola
      pública de um município de Mato Grosso do Sul, cujos alunos obtiveram
      índices muito acima da média nacional no exame nacional do Ensino
      Médio (ENEM). A responsabilidade por isso está no fato de que 90% dos
      professores dessa escola possuem títulos de mestres e doutores.

      Concluindo, como se observa, a formação continuada é um círculo
      virtuoso, gera qualidade na educação como também aumento na
      remuneração dos educadores. Enfim, falar em qualidade de educação
      deve incluir o investimento da formação inicial e continuada do
      educador como também na sua valorização efetiva em termos de ganho
      salarial. Não se deve esquecer também da qualidade e condições de
      trabalho adequadas a este profissional. Investir nos professores pode
      não ser suficiente, mas é condição imprescindível para atingir um
      padrão mínimo de qualidade no ensino - aprendizagem da escola
      pública.


      * SHIRLEI NEVES, Professora de Língua Portuguesa da educação básica
      do Estado de Mato Grosso; aluna especial do Programa de Pós-Graduação
      do Mestrado em Estudos de Linguagem – MeEL/IL/UFMT

      Fonte: http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=324307
    Sua mensagem foi enviada com êxito e será entregue aos destinatários em breve.