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Paulo Coelho - Novo Romance “O vencedor está só”

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Literatura à americana Paulo Coelho: trama policial e crítica social fácil, em livro feito sobre medida para agradar o grande público (Foto: Paul Macleod)
    Mensagem 1 de 1 , 12 de ago de 2008
      Literatura à americana

      Paulo Coelho: trama policial e crítica social fácil, em livro feito
      sobre medida para agradar o grande público (Foto: Paul Macleod)


      Menos místico que o habitual, o escritor Paulo Coelho aposta no
      gênero policial em seu novo romance - "O vencedor está só"

      Paulo Coelho é um problema, um aparente paradoxo que atordoa
      editores, pelo mundo, e a crítica brasileira, em particular. Aqueles,
      disputam a tapa seu passe (por aqui, ele já foi da Rocco, passou à
      Planeta e agora estréia na Agir). Já estes, eles vestem a máscara
      da "intelligentsia" e costumam torcer o nariz para o ex-parceiro de
      Raul Seixas.

      O fato de Paulo Coelho vender bem (e muito bem: informações oficiais
      dão conta de 100 milhões de livros vendidos) explica o desejo de uns
      e ajuda a entender o repúdio de outros. Com um pouco de boa vontade,
      se põe por terra o preconceito de que sucesso comercial é sinônimo de
      fracasso artístico. No caso de Coelho, é inegável a aceitação que
      este conquistou lá fora. E não só por parte de famosos que andam com
      seus livros debaixo do braço, mas de publicações respeitadas, como a
      revista The New Yorker (EUA).

      Então: Paulo Coelho é um escritor medíocre, cuja mediocridade só é
      percebida pelo pequeno grupo de "intelectuais" brasileiros? Ou ele é
      um bom escritor, ofuscado pela avaliação preconceituosa destes mesmos
      sujeitos? "O vencedor está só", seu mais recente romance, pode ajudar
      na solução deste impasse.

      Know-how

      Amparado por uma forte campanha de marketing, o lançamento traz Paulo
      Coelho um tanto diferente do que os leitores estão acostumados. As
      diferenças, no entanto, evidenciam o tipo de escritor que ele é e
      ajudam a entender a falta de tato da crítica brasileira com seus
      trabalhos. "O vencedor está só" é um romance policial, com uma trama
      cheia de mistérios, revelações e segredos sujos. Não surpreenderia se
      fosse adaptado por Hollywood.

      Paulo Coelho é um "best-seller", assim mesmo em inglês e tudo mais.
      Não tem muito parentesco com seus companheiros de Academia Brasileira
      de Letras (tanto com os que merecem ser lidos, quanto com os
      falsários). Melhor seria citar um Stephen King, um Sidney Sheldon ou
      uma J.K. Rowling como exemplos para descrever a natureza de sua obra.

      Os livros, no caso de Paulo Coelho, são escritos exclusivamente em
      função do público. O que ele gosta de ler? No caso de "O vencedor
      está só", o autor faz uma aposta dupla: primeiro, na tradicional
      trama policial com direito a sua rede de intrigas; combinado a isto,
      o fascínio exercido pelo mundo dos "ricos&famosos".

      Massa ou biscoito fino

      A história narrada se passa num espaço de 24 horas, em um dos dias do
      Festival de Cinema de Cannes. As ações de serial killer são a trilha
      que o escritor segue para revelar para seus leitores os bastidores do
      glamour. O retrato corrosivo que Coelho faz do que
      chama "Superclasse" tem como contraponto a figura de Igor Dalev, bem-
      sucedido e nada fútil empresário russo, que penetra no jet set de
      Cannes movido pelo amor obsessivo que ainda nutre pela ex-mulher.
      Da mesma forma que seus pares gringos, Paulo Coelho não é um autor
      indigesto, como muitos costumam dizer. "O vencedor está só" é uma
      leitura leve que tem o poder de envolver o leitor. Cumpre seu papel
      de entreter. No entanto, vai pouco além disso.

      Desde sua estréia à valer, com o autobiográfico "O Diário de um
      Mago", o escritor mostrou que não tinha muito interesse em invenções
      formais. Em tempos de discursos híbridos e descontínuos (como nas
      linguagens do vídeo-game e da Internet), ele corre o risco de
      ser "normal demais" e chato para uma parcela do público.

      No site oficial, o escritor revela que passa em média dois anos para
      formatar a idéia de um livro e não mais que quatro semanas para
      escrevê-lo. Este método fica claro em algumas passagens, quando as
      construções de frases são precárias. Isto não se dá em todo o texto,
      mas imprime uma irregularidade desnecessária a ele.

      O fato de não ser um grande esteta dificulta a aceitação do autor
      mesmo pela crítica que se dê ao trabalho de lê-lo. Para piorar, o
      escritor é dado a declarações "polêmicas", que chamam a atenção pelo
      teor arrogante. Na edição de 33 anos da revista Playboy, atualmente
      nas bancas, uma destas declarações de Coelho é estampada na
      capa: "Sou o intelectual mais importante do Brasil". O baiano João
      Ubaldo Ribeiro é bem superior - para dar como exemplos não um
      candidato sério ao posto de "intelectual mais importante do Brasil",
      mas um de seus colegas de ABL.

      Para desmentir a afirmação de Coelho, basta considerar a "crítica
      social" de "O vencedor está só". Afinal, a "Superclasse" arrogante,
      sectária, cheia de vícios e parasitas ao redor é demasiado e casa com
      clichê de quem só conhece este mundo por TV e revistas de fofoca.
      Diferente do próprio autor, diga-se, que já desfilou pelo mesmo
      tapete vermelho que serve de cenário para o romance.

      Para ler Paulo Coelho, vale uma receita: querer uma diversão leve e
      ignorar a fortuna crítica sobre sua sobra. Ou torcer para que suas
      tramas leves tornem-se em filmes e possam ser vistas em duas horas.

      "O vencedor está só"
      Paulo Coelho
      R$ 39,90
      400 páginas
      2008
      Agir

      DELLANO RIOS
      Repórter

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      Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=562042
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