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Paulo Coelho e as "Conjunções aditivas" - ENTREVISTA VIRTUAL

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    ENTREVISTA VIRTUAL Paulo Coelho e as Conjunções aditivas A cada cinco minutos, um sobressalto. Além de curiosas revelações, o escritor Paulo Coelho
    Mensagem 1 de 1 , 12 de ago de 2008
      ENTREVISTA VIRTUAL
      Paulo Coelho e as "Conjunções aditivas"
      A cada cinco minutos, um sobressalto. Além de curiosas revelações, o
      escritor Paulo Coelho distribuiu tapas involuntários no microfone do
      seu PC durante coletiva de imprensa virtual



      09/08/2008 13:34


      Carlus Após ser pronunciada, a frase - "Eu sou o intelectual mais
      influente do Brasil" - foi anotada. Quem sabe, destacada do restante
      da recente entrevista concedida à edição brasileira de Playboy. Não
      menos estrepitoso, outro punhado de palavras vindas do mesmo
      personagem - "Se eu, que tive de suportar tudo que tem na biografia,
      não vou reclamar, imagina um personagem" -, logrou destino
      semelhante. É que ambas compuseram o rol de ditos escandalosos da
      grife de Paulo Coelho durante a realização de uma coletiva de
      imprensa virtual. Organizada pelo site Comunique-se (www.comunique-
      se.com.br) na última quarta-feira, 6, a coletiva convidou jornalistas
      do Brasil inteiro para a sabatinar o autor de O Alquimista. Nela, os
      profissionais disparavam perguntas que eram lidas pelo escritor na
      tela do seu computador e, em alguns casos, respondidas.

      Sentado, bebericando um pouco d'água e dando safanões involuntários
      no microfone acoplado à máquina, em uma hora de entrevista,
      o "imortal" respondeu a perguntas sobre os mais variados temas. Entre
      uma e outra, reclamou de Roberto Carlos. De acordo com informações
      que teriam chegado aos ouvidos de Coelho, o Rei estaria incomodado
      com o conteúdo de O Mago (Planeta, 2008). Escrita por Fernando
      Morais, a biografia recém-lançada narra os percalços espirituais e
      seculares do parceiro de Raul Seixas com detalhes impressionantes.
      Nela, há quatro ou cinco referências ao cantor popular. Nenhuma
      desonrosa. A troca de farpas entre o Mago e o Rei parece resultar
      mais do posicionamento de Paulo Coelho envolvendo a biografia não-
      autorizada de Roberto Carlos (à época, o cantor processou a editora
      Planeta, responsável pela publicação da obra, que foi retirada das
      prateleiras após um acordo entre as partes envolvidas) do que
      propriamente as citações de Morais. Em seu blog, o escritor disse que
      o episódio marcava um retorno à censura. Na quarta-feira, Coelho
      soltou a frase, equivalente a um dar de ombros: Roberto Carlos não
      tem do que reclamar.

      Quanto à controversa afirmação de que o autor de O Alquimista seria o
      intelectual mais influente do País, Paulo Coelho pareceu não se
      abalar muito. Voz tranqüila, num sotaque carioca bastante carregado
      para quem vive tanto tempo fora do Brasil, ele respondeu ser muito
      provável que a repórter de Playboy estivesse, de fato, correta.
      Trocando em miúdos, ele realmente gabara-se de ser o maior pensador
      brasileiro. Todavia, o entrevistado justificou-se. Bombástica, a
      frase havia nascido de uma conversa sobre o livro SuperClass: The
      Global Power Elite and the World They Are Making (algo como
      Superclasse: a elite do poder global e o mundo que ela está fazendo,
      cuja versão para o português será lançada pela editora Planeta, a
      mesma de Paulo Coelho), do norte-americano David Rothkopf. No livro,
      aponta Coelho, David indica o grupo de pessoas, pouco menos de uma
      dúzia, mais influentes em todo o mundo. Para o autor, elas são
      determinantes nas tomadas de decisões que, de um modo ou de outro,
      acabam afetando o destino de bilhões de seres humanos. Entre elas há
      um único brasileiro. Exatamente: Paulo Coelho de Sousa, 61 anos. "Ela
      (a repórter) não ia inventar. Mas vamos esperar a revista. Vamos ver
      em que contexto isso está colocado. Isso está dito no Superclasse."

      As vírgulas
      Bem-humorado, o escritor, que neste ano tem motivos de sobra para
      comemorar, também respondeu a um grande número de perguntas sobre O
      vencedor está só, seu 12º romance. Acusado de deixar de lado o
      esoterismo para investir em uma literatura mais "mundana", o best
      seller descartou rupturas significas em sua obra. Segundo Coelho, sua
      literatura obedece aos ditames da curiosidade e do momento. Ora pode
      estar a fim de sexo, ora de bruxaria. Em 2008, o Mago confessou estar
      disposto a falar de assassinatos em série. Afinal, esse é o mote do
      novo livro, em cujas páginas acompanham-se as investidas de um serial
      killer em busca da ex-mulher. Para tanto, o psicopata escolhe como
      cenário o Festival de Cinema de Cannes, na França, um dos mais
      badalados do cinema mundial. Não à toa, Cannes também é o habitat
      natural da "superclasse", ou seja, os ricos com poder de influir nos
      destinos de bilhões.

      Na entrevista, Coelho desconsiderou as polêmicas. "Eu não mudei de
      tema, meu estilo continua o mesmo. O vencedor está só não é um livro
      policial, é um livro que por acaso tem crimes. Quem conhece o meu
      trabalho vai ver que eu escrevi um livro só sobre sexo, o Onze
      minutos, e um outro sobre loucura, que foi Veronika decide morrer",
      explica. Para ele, "O vencedor está só é um livro que por acaso toca
      no tema da moda, da violência". Não é, portanto, um livro policial. A
      obra não foge daquilo que marca a sua literatura: a condição humana.

      Algumas vezes, porém, essa condição esbarra em vírgulas, adjetivos
      utilizados inadequadamente e conjunções aditivas esquizofrênicas. À
      pergunta "Você não tem revisores?", feita à queima-roupa, o autor
      respondeu, brando: "Sim, eu tenho". Motivada por supostos erros de
      concordância nominal e verbal e vírgulas fora de lugar presentes em
      seu novo livro, a questão, formulada por uma repórter do Correio
      Braziliense, trouxe à baila a qualidade literária das obras de Paulo
      Coelho. E também a da crítica literária feita no Brasil. Sempre
      atento às boas oportunidades, o escritor escapou rapidamente da
      posição de réu para a de acusador. Num segundo, desferia frases
      venenosas contra certo tipo de crítica, que, a seu ver, não dialoga
      com a realidade do País. "O meu trabalho provoca polêmicas há vinte
      anos. As polêmicas da crítica são as de sempre, as críticas são as de
      sempre. O Diário e O Alquimista já passaram por duas gerações. Se
      você for numa livraria, vai encontrar todo o meu catálogo", disparou.

      Noutro trecho da entrevista, o autor, de cuja imagem sabe cuidar como
      ninguém, tratou de elogiar a resenha escrita por Marcelo Coelho
      (ambos, jornalista e escritor, trataram de deixar claro não haver
      qualquer parentesco entre eles) na Folha de S. Paulo do último dia 2
      de agosto. Na mesma toada, elogiou o destaque dado na matéria de
      Eduardo Simões, também da Folha, à Mônica Antunes, sua agente
      literária, a quem o próprio agenciado refere-se como a "Bruxa de
      Barcelona". Ganho por ter fama de severa, Mônica, disse Paulo, é uma
      das grandes responsáveis por seu sucesso. (Henrique Araújo, Especial
      para O POVO)

      E-MAIS

      Na mesma coletiva de imprensa virtual promovida pelo site Comunique-
      se, Paulo Coelho leu a pergunta: "Quais as expectativas que o senhor
      tem para uma vaga na Academia Brasileira de Letras?" Alegre, o Mago
      riu. Em, seguida, "sem revelar o nome do repórter", respondeu: "Eu já
      estou na ABL". Desde 2002, após uma eleição acirrada, com direito a
      compra de votos de um lado e forte campanha via Internet do outro, o
      autor de Brida e O Alquimista passou a integrar o panteão de
      imortais, ocupando a cadeira de número 21, esvaziada com o
      falecimento de Roberto Campos.

      Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/vidaearte/810699.html
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