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Re: Fw: L&L_Patativa do Assaré_Recado pra Acadêmicos das letras

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Edmilson, Bom você citar Patativa, segue algumas considerações: Os textos de Patativa são uma afirmação aos conceitos de Roland Barthes (semiologista
    Mensagem 1 de 2 , 11 de set de 2006
      Edmilson,

      Bom você citar Patativa, segue algumas considerações:


      Os textos de Patativa são uma afirmação aos conceitos de Roland
      Barthes (semiologista francês) em sua obra "Aula" (1978). Barthes
      afirma estarmos todos aprisionados irremediavelmente às estruturas
      lingüísticas, definido que temos que enquadrar nosso pensamento em
      suas regras, diz: "somos todos escravos da língua" - chega a
      enfatizar que a língua é facista uma vez que a utilização da língua
      leva à aceitação obrigatória de suas estruturas para a completa
      comunicação, como se ela fizesse parte de uma estrutura de poder à
      qual todos estamos submetidos.

      Ele como um estudioso da linguagem e não da literatura, demonstra um
      amplo conhecimento no campo da linguagem e, como não poderia deixar
      de ser, de uma de suas vertentes: a linguagem literária

      Ele apresenta como saída para o homem dessa prisão criada pela
      linguagem, da qual a língua é sua expressão obrigatória, por força do
      estudo da arte literária criada pela humanidade, a fuga da linguagem
      por meio de uma trapaça lingüística utilizando-se da própria língua,
      a essa "esquiva" ele chamou de LITERATURA.

      E Patativa do Assaré, defendo ser a expressão real da utilização
      deste recurso definido pelo mestre francês.

      E para reforça minha opnião, Umberto Eco fala de "idioleto" da obra
      (definindo-se como idioleto o código privado e individual de um único
      falante).(ECO, 1981:59), e ele afirma que para determinado leitor que
      não esteja familiarizado com a característica da obra pode sofrer do
      que ECO chamou de "efeito de estranhamento". Determinados leitores
      estão presos a regras já definidas ou habituados a regras rigídas de
      estruturação da linguagem, quando vê em sua frente uma nova
      estrutura, passa a olhar com estranheza.

      Temos que tomar cuidado com as críticas, pois na realidade elas podem
      não passar de FALTA DE CONHECIMENTO, ou PRECONCEITO ou mais
      técnicamente "efeito de estranhamento".

      Acho que já defendi minha opnião, vou parar aqui, mas pedindo ajuda
      aos professores (no Grupo) para falarem sobre este tema, deveras
      complexo, para principiantes como nós.

      No aguardo da opnião dos colegas,

      Moderação Grupo Leitura & Literatura


      Leia Mais sobre Patativa do Assaré em:

      Patativa do Assaré
      Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de
      março de 1909 na Serra de Santana
      Patativa
      Sobre Patativa
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      Discussão no Grupo Leitura & Literatura sobre Patativa do Assaré
      Clique aqui para ver a mensagem original


      Sem falar na crença filosófica de que, além de nós, só existem as
      nossas experiências, (Solipsismo) Bertrand Russel, com o intuito de
      demonstrar como considerava ridícula esta ideia, refere o caso de uma
      mulher que se dizia solipsista, estando espantada por não existirem
      mais pessoas como ela.

      O solipsismo é a consequência extrema de se acreditar que o
      conhecimento deve estar fundado em estados de experiência interiores
      e pessoais, não se conseguindo estabelecer uma relação direta entre
      esses estados e o conhecimento objetivo de algo para além deles.
      O "solipsismo do momento presente" estende este ceticismo aos nossos
      próprios estados passados, de tal modo que tudo o que resta é o eu
      presente.

      Moderação Grupo Leitura & Literatura


      --- Em literatura_e_leitura@..., "Edmilson Gmail"
      <edmilsonescritor@g...> escreveu
      >
      >
      > Patativa do Assaré
      > Recado pra Acadêmicos das letras
      >
      > Aos Poetas Clássicos
      > Poetas niversitário,
      > Poetas de Cademia,
      > De rico vocabularo
      > Cheio de mitologia;
      > Se a gente canta o que pensa,
      > Eu quero pedir licença,
      > Pois mesmo sem português
      > Neste livrinho apresento
      > O prazê e o sofrimento
      > De um poeta camponês.
      >
      > Eu nasci aqui no mato,
      > Vivi sempre a trabaiá,
      > Neste meu pobre recato,
      > Eu não pude estudá.
      > No verdô de minha idade,
      > Só tive a felicidade
      > De dá um pequeno insaio
      > In dois livro do iscritô,
      > O famoso professô
      > Filisberto de Carvaio.
      >
      > No premêro livro havia
      > Belas figuras na capa,
      > E no começo se lia:
      > A pá - O dedo do Papa,
      > Papa, pia, dedo, dado,
      > Pua, o pote de melado,
      > Dá-me o dado, a fera é má
      > E tantas coisa bonita,
      > Qui o meu coração parpita
      > Quando eu pego a rescordá.
      >
      > Foi os livro de valô
      > Mais maió que vi no mundo,
      > Apenas daquele autô
      > Li o premêro e o segundo;
      > Mas, porém, esta leitura,
      > Me tirô da treva escura,
      > Mostrando o caminho certo,
      > Bastante me protegeu;
      > Eu juro que Jesus deu
      > Sarvação a Filisberto.
      >
      > Depois que os dois livro eu li,
      > Fiquei me sintindo bem,
      > E ôtras coisinha aprendi
      > Sem tê lição de ninguém.
      > Na minha pobre linguage,
      > A minha lira servage
      > Canto o que minha arma sente
      > E o meu coração incerra,
      > As coisa de minha terra
      > E a vida de minha gente.
      >
      > Poeta niversitaro,
      > Poeta de cademia,
      > De rico vocabularo
      > Cheio de mitologia,
      > Tarvez este meu livrinho
      > Não vá recebê carinho,
      > Nem lugio e nem istima,
      > Mas garanto sê fié
      > E não istruí papé
      > Com poesia sem rima.
      >
      > Cheio de rima e sintindo
      > Quero iscrevê meu volume,
      > Pra não ficá parecido
      > Com a fulô sem perfume;
      > A poesia sem rima,
      > Bastante me disanima
      > E alegria não me dá;
      > Não tem sabô a leitura,
      > Parece uma noite iscura
      > Sem istrela e sem luá.
      >
      > Se um dotô me perguntá
      > Se o verso sem rima presta,
      > Calado eu não vou ficá,
      > A minha resposta é esta:
      > - Sem a rima, a poesia
      > Perde arguma simpatia
      > E uma parte do primô;
      > Não merece munta parma,
      > É como o corpo sem arma
      > E o coração sem amô.
      >
      > Meu caro amigo poeta,
      > Qui faz poesia branca,
      > Não me chame de pateta
      > Por esta opinião franca.
      > Nasci entre a natureza,
      > Sempre adorando as beleza
      > Das obra do Criadô,
      > Uvindo o vento na serva
      > E vendo no campo a reva
      > Pintadinha de fulô.
      >
      > Sou um caboco rocêro,
      > Sem letra e sem istrução;
      > O meu verso tem o chêro
      > Da poêra do sertão;
      > Vivo nesta solidade
      > Bem destante da cidade
      > Onde a ciença guverna.
      > Tudo meu é naturá,
      > Não sou capaz de gostá
      > Da poesia moderna.
      >
      > Dêste jeito Deus me quis
      > E assim eu me sinto bem;
      > Me considero feliz
      > Sem nunca invejá quem tem
      > Profundo conhecimento.
      > Ou ligêro como o vento
      > Ou divagá como a lêsma,
      > Tudo sofre a mesma prova,
      > Vai batê na fria cova;
      >
      > Esta vida é sempre a mesma.
      >
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