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Duas perguntas a dois escritores (Dica da Moderação)

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Silviano Santiago ... Duas perguntas a dois escritores 1. Por que a literatura? 2. Qual é a melhor posição: crítico ou autor? POR SILVIANO SANTIAGO 1. Foi
    Mensagem 1 de 1 , 30 de jun de 2006
      Silviano Santiago


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      Duas perguntas a dois escritores







      1. Por que a literatura?

      2. Qual é a melhor posição: crítico ou autor?


      POR SILVIANO SANTIAGO

      1. Foi a literatura que me surpreendeu nos anos 1950, quando
      cavalgava o corcel da crítica de cinema. Abandonei a "Revista de
      Cinema" e entrei para o grupo Complemento, de que fazia parte Ivan
      Ângelo. Obsessivo, fui cursar letras na Universidade Federal de Minas
      Gerais. Dei um tempo ao cinema e à arqueológica fase de criação
      literária para ir a Paris escrever a tese de doutorado e, logo
      depois, fui para os EUA, onde me profissionalizei como professor e
      crítico literário. Grande silêncio de dez anos, à imitação de Paul
      Valéry. Quando submergi em 1970, trazia um livro de contos, "O
      Banquete". Ganhei ânimo e fui adiante com os ensaios de "Uma
      Literatura nos Trópicos" (1978) e "Em Liberdade" (1981). [ambos pela
      Rocco]

      2. Defino-me como um produtor de textos. À imitação de Mário de
      Andrade, Clarice Lispector, Ezra Pound, julgo que as categorias
      canônicas da historiografia literária foram para o brejo. Só são
      indispensáveis em termos mercadológicos. O crítico ou o ficcionista?
      Os dois e mais alguma coisa: o poeta, o professor, o orientador de
      teses etc. Todas as posições são boas, desde que reconhecida a
      competência. Tomo duas colheres de semancol por dia, pela manhã e à
      noite. Em caso de má digestão, abandono o que estiver fazendo por ser
      mera veleidade literária.


      POR DAVI ARRIGUCCI JR.

      1. É uma pergunta complicada, mexe com a personalidade da pessoa...
      Comecei como menino a escrever contos, narrativas curtas. Interrompi
      por muitos anos. "O Rocambole" eu escrevi quando tinha 16, 17 anos,
      mas os originais se perderam. Comecei para ser escritor. Interrompi
      para estudar línguas, me dedicar à formação filológica. A literatura
      era por um motivo lateral. Me descobri como crítico, como ensaísta.
      Mas meu ensaio é muito narrativo. Também comecei a sentir vontade de
      voltar à pura narração. Achei que era hora e pretendo continuar.

      2. As coisas não se colocam assim. Me identifiquei com os autores
      sobre quem escrevi. Procurei uma identidade de olhar, esse movimento
      de identificação é muito importante. Tive grande prazer em escrever
      meu livro e espero que os leitores também gostem. O ensaio é lento,
      depende de uma longa caminhada. Parei de escrever na minha juventude
      porque achei que faltava "tinta". E fiz bem. Na verdade é muito
      simples. Não vejo muita diferença entre os dois trabalhos. Quando
      encontrei Julio Cortázar [1914-1984] para meu trabalho, ele me
      perguntou por que eu não estava escrevendo. Outras pessoas do metiê
      fizeram a mesma pergunta.



      Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br/silvianosantiago1.html


      urs.Bira
      Modração Literatura & leitura
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