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O Sobrinhode Wittgenstein - Thomas Bernhard

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Paul Wittgenstein, sobrinho do filósofo Ludwig Wittgenstein, trabalhou durante toda a sua vida num único livro: Deus é igual a 13 – considerações
    Mensagem 1 de 1 , 13 de dez de 2005
      Paul Wittgenstein, sobrinho do filósofo Ludwig Wittgenstein,
      trabalhou durante toda a sua vida num único livro: "Deus é igual a
      13 – considerações conflitantes sobre Einstein, Freud, Jesus de
      Nazaré e Buda". Cedo, aos 35 anos, os psiquiatras detectaram em Paul
      sua doença mental.

      "Durante um século, os Wittgenstein produziram armas e máquinas", diz
      Thomas Bernhard, "depois, para coroar, eles terminaram produzindo
      Ludwig e Paul, o famoso filósofo de importância histórica, e o louco
      não menos famoso (...) ambos foram, cada um ao seu modo, os grandes
      pensadores sempre estimulantes, originais e subversivos dos quais
      qualquer época, e não apenas a deles, pode se orgulhar."

      Num monólogo contínuo, sem pausa para olhares contemplativos, Thomas
      Bernhard narra seu encontro com Paul Wittgenstein numa clínica –
      Thomas recuperando-se de uma operação pulmonar e Paul, na ala
      psiquiátrica.

      A narrativa desse encontro entre amigos, ambos vivendo sob o signo da
      doença, evoca de maneira inversa o mundo criado por Thomas Mann, no
      livro A montanha mágica. Mas onde Hans Castrop, personagem de Mann,
      saboreia o tempo da doença, sua imensidão, a imobilidade e o
      distanciamento do mundo que a internação proporciona, Thomas Bernhard
      não vê nada além da tortura da carne, ampliada pela tortura moral de
      não poder escapar de um tipo mais grave de doença: a vida em
      comunidade, restrita ao espaço do hospital.

      Crítico demolidor, Bernhard vai além de um exasperado questionamento
      sobre vitalidade, decadência, morte e loucura. Ao compor esse elogio
      póstumo a Paul Wittgenstein, "alguém dotado de um sentido de
      observação tão agudo, de tão grande riqueza intelectual", Bernhard
      disseca a angustiante condição de homens talentosos, mas incapazes de
      realizar uma obra. "Paul jogava continuamente pela janela os tesouros
      de seu espírito."

      Conduzindo o texto com a mesma velocidade e direção do declínio dessa
      mente especialmente dotada, o autor nos propõe um passeio – nada
      inocente – pelos cafés vienenses, com sua vida musical, literária e a
      fatuidade das honrarias obtidas daí. Numa alusão clara ao livro de
      Diderot, O sobrinho de Rameau, no qual é recriada a atmosfera dos
      jardins do Palais-Royal e dos cafés parisienses de 1770, O sobrinho
      de Wittgenstein recria o momento de uma Viena de possibilidades quase
      inesgotáveis.

      Fonte: http://www.rocco.com.br
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