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Perturbação - Thomas Bernhard

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Eu ainda sou um provocador, a cada vez que respiro, a cada linha que escrevo , afirmou o autor em suas memórias. Perturbação, seu segundo romance,
    Mensagem 1 de 1 , 13 de dez de 2005
      "Eu ainda sou um provocador, a cada vez que respiro, a cada linha que
      escrevo", afirmou o autor em suas memórias. Perturbação, seu segundo
      romance, publicado originalmente em 1967, já reúne os principais
      temas que viriam a se tornar uma obsessão para este autor
      profundamente original: a autodestruição, a onipresença da morte e a
      miséria inexorável da condição humana.

      Numa região rural da Áustria, um médico se faz acompanhar pelo filho
      estudante em sua ronda entre os pacientes. Estes — do embrutecido
      dono de uma taverna ao rico aristocrata — formam uma galeria de
      personagens torturados. Ao longo de um único dia, o médico faz
      desfilar, aos olhos do narrador (e do leitor), pessoas que, sob uma
      tênue camada de "normalidade", são assombradas por impulsos que têm
      algo de homicida, incestuoso, desequilibrado, doentio ou cruel. Neste
      romance profundamente pessimista, mas não menos fascinante, sente-se
      a onipresença da morte. Na agonia de uma anciã, nas alusões ao
      suicídio, no assassinato brutal de uma mulher ou nos pássaros raros,
      estrangulados um a um pelas mãos ásperas dos trabalhadores de um
      moinho.

      As revelações que se sucedem à medida que a dupla prossegue em suas
      visitas atingem seu clímax no monólogo compulsivo do príncipe Saurau,
      que constitui a maior parte do livro. Do alto de seu castelo na
      montanha, este nobre — um elitista e misantropo confesso — destila
      seu ódio por "essa humanidade infame". Imprensado entre um filho que
      o despreza e o pai que meteu uma bala na cabeça depois de devorar,
      mastigar mesmo, algumas páginas do filósofo Schopenhauer, Saurau vive
      prisioneiro dentro de um sofrimento "só seu", incapaz de se comunicar
      mesmo com os que lhe são mais próximos. "Os mortos são mais
      interessantes do que aqueles que ainda não alcançaram esse estágio",
      pondera o príncipe em certo momento.

      O prefácio, assinado por Bernardo Ajzenberg, alerta: "Não espere o
      leitor um livro puramente cerebral. Pelo contrário. A esta narrativa
      não faltam uma ironia bem temperada, um sarcasmo, a utilização de um
      humor cuja sutileza faria inveja a qualquer comediante britânico."
      Esta é uma bela obra que, a exemplo de outros trabalhos de Bernhard,
      examina as emoções humanas, no que elas têm de mais perturbadoras.


      Fonte : http://www.rocco.com.br
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