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Árvores Abatidas - Thomas Bernhard

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Árvores Abatidas é um passaporte perfeito para o denso universo de Thomas Bernhard. O ponto de partida para a narrativa, na verdade uma longa dissertação
    Mensagem 1 de 1 , 13 de dez de 2005
      "Árvores Abatidas" é um passaporte perfeito para o denso universo de
      Thomas Bernhard. O ponto de partida para a narrativa, na verdade uma
      longa dissertação de um personagem ferino e arredio como o próprio
      escritor, é o convite feito pelo casal Auesberger, para um assim
      chamado "jantar artístico".

      "É no instante mágico da primeira palavra, no seu poder de fascinação
      e de petrificação, que gira, obstinadamente, a ficção de Thomas
      Bernhard", analisa a biógrafa Chantal Thomas, para quem "a Áustria do
      pós-guerra é benhardiana, tanto quanto a França do século XIX era
      balzaquiana".

      A partir das repetições de palavras, do ritmo sôfrego, por vezes
      angustiado, por vezes sublime, que flui a narrativa de um mestre da
      literatura do nosso tempo, autor de uma das obras mais coerentes da
      língua alem㠗 veemente e encantatória. Lido o primeiro parágrafo, o
      leitor se rende, masoquista, ao poder violento do narrador, que passa
      em revista a vida dos convidados, da suicida Joana, dos talentos
      medíocres que pululam em Viena, como de resto em qualquer lugar do
      mundo.

      "Florestas, bosques, matas, árvores abatidas", grita, à dada altura,
      o ator homenageado, contratado do Buegtheater, onde interpreta O pato
      selvagem, de Ibsen. Com esse grito, ele tenta se libertar das teias
      de questionamento à sua volta. Da mesma forma como a obra de
      Bernhard, aparentemente delirante e furiosa, passional, libertária,
      em confronto com as páginas de qualquer jornal, acaba sendo mera
      avaliação criteriosa do real.

      Ao morrer, em 1989, aos 58 anos, o escritor austríaco Thomas Bernhard
      não poderia esperar que, um ano depois, sua obra fosse reconhecida
      como uma das mais marcantes do século XX. Na França, o lançamento de
      Extinção, seu último e mais alentado romance, chegou a figurar nas
      listas de mais vendidos. Um feito para uma obra que foi, acima de
      tudo, personalista. Nos EUA, o conceituado The New York Review of
      Books, dedicou nada menos que nove páginas de uma edição para
      esmiuçar os livros e peças do autor, profetizando que, num futuro bem
      próximo, não haverá universidade americana que não disponha de pelo
      menos uma tese sobre Bernhard.

      Fonte: http://www.rocco.com.br em 13/12/2005
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