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Texto de Patativa

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Segue o texto de Patativa do Assaré que estávamos discutindo. Bem que o pessoal estava falando que sua opnião era a melhor quanto à variedade e a
    Mensagem 1 de 1 , 24 de nov de 2005
      Segue o texto de Patativa do Assaré que estávamos discutindo. Bem que
      o pessoal estava falando que sua opnião era a melhor quanto à
      variedade e a profundidade dos textos de Patativa.

      Outro dia aqui no Grupo teve o maior "quebra pau" por exageros de uns
      (que já não fazem parte do Grupo) sobre o que seria ou não
      a "suposta" BOA LITERATURA ( Traduza o BOA como "bebedores oficiais
      de Antarctica - risos), ainda bem que uns amigos do Grupo entraram a
      socorrer-nos.

      "Literatura, quando nos agrada, puxa de dentro a alma ou nos coloca
      pelo avesso; é Literatura e pronto." (Bira)
      Quanto à Leitura que fazemos do texto depende muito do contexto em
      que o leitor esta inserido ou que se deixou inserir.

      Vamos ao texto do Patativa:

      Aos Poetas Clássicos
      Poetas niversitário,
      Poetas de Cademia,
      De rico vocabularo
      Cheio de mitologia;
      Se a gente canta o que pensa,
      Eu quero pedir licença,
      Pois mesmo sem português
      Neste livrinho apresento
      O prazê e o sofrimento
      De um poeta camponês.

      Eu nasci aqui no mato,
      Vivi sempre a trabaiá,
      Neste meu pobre recato,
      Eu não pude estudá.
      No verdô de minha idade,
      Só tive a felicidade
      De dá um pequeno insaio
      In dois livro do iscritô,
      O famoso professô
      Filisberto de Carvaio.

      No premêro livro havia
      Belas figuras na capa,
      E no começo se lia:
      A pá — O dedo do Papa,
      Papa, pia, dedo, dado,
      Pua, o pote de melado,
      Dá-me o dado, a fera é má
      E tantas coisa bonita,
      Qui o meu coração parpita
      Quando eu pego a rescordá.

      Foi os livro de valô
      Mais maió que vi no mundo,
      Apenas daquele autô
      Li o premêro e o segundo;
      Mas, porém, esta leitura,
      Me tirô da treva escura,
      Mostrando o caminho certo,
      Bastante me protegeu;
      Eu juro que Jesus deu
      Sarvação a Filisberto.

      Depois que os dois livro eu li,
      Fiquei me sintindo bem,
      E ôtras coisinha aprendi
      Sem tê lição de ninguém.
      Na minha pobre linguage,
      A minha lira servage
      Canto o que minha arma sente
      E o meu coração incerra,
      As coisa de minha terra
      E a vida de minha gente.

      Poeta niversitaro,
      Poeta de cademia,
      De rico vocabularo
      Cheio de mitologia,
      Tarvez este meu livrinho
      Não vá recebê carinho,
      Nem lugio e nem istima,
      Mas garanto sê fié
      E não istruí papé
      Com poesia sem rima.

      Cheio de rima e sintindo
      Quero iscrevê meu volume,
      Pra não ficá parecido
      Com a fulô sem perfume;
      A poesia sem rima,
      Bastante me disanima
      E alegria não me dá;
      Não tem sabô a leitura,
      Parece uma noite iscura
      Sem istrela e sem luá.

      Se um dotô me perguntá
      Se o verso sem rima presta,
      Calado eu não vou ficá,
      A minha resposta é esta:
      — Sem a rima, a poesia
      Perde arguma simpatia
      E uma parte do primô;
      Não merece munta parma,
      É como o corpo sem arma
      E o coração sem amô.

      Meu caro amigo poeta,
      Qui faz poesia branca,
      Não me chame de pateta
      Por esta opinião franca.
      Nasci entre a natureza,
      Sempre adorando as beleza
      Das obra do Criadô,
      Uvindo o vento na serva
      E vendo no campo a reva
      Pintadinha de fulô.

      Sou um caboco rocêro,
      Sem letra e sem istrução;
      O meu verso tem o chêro
      Da poêra do sertão;
      Vivo nesta solidade
      Bem destante da cidade
      Onde a ciença guverna.
      Tudo meu é naturá,
      Não sou capaz de gostá
      Da poesia moderna.

      Dêste jeito Deus me quis
      E assim eu me sinto bem;
      Me considero feliz
      Sem nunca invejá quem tem
      Profundo conhecimento.
      Ou ligêro como o vento
      Ou divagá como a lêsma,
      Tudo sofre a mesma prova,
      Vai batê na fria cova;
      Esta vida é sempre a mesma.



      Moderação Grupo Leitura & Literatura
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