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Amar Verbo Intransitivo - Mário de Andrade

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  • Ubiratan Rocha da Silva
    Amar Verbo Intransitivo - Mário de Andrade Este romance é definido pelo autor como Idílio (s. m. Pequena composição poética, campestre ou pastoril; amor
    Mensagem 1 de 1 , 1 de mar de 2006
      Amar Verbo Intransitivo - Mário de Andrade

      Este romance é definido pelo autor como Idílio (s. m. Pequena
      composição poética, campestre ou pastoril; amor simples e terno;
      sonho; devaneio.) e abusa das técnicas modernas, usando uma linguagem
      coloquial, perto do falar brasileiro (por exemplo, começando frases
      por pronomes oblíquos), sem capítulos definidos, prosa telegráfica,
      expressionismo, construído através de flashs, resgatando o passado ou
      fixando o presente.
      Publicado em 1927, o Idílio causou impacto. Desafiou preconceitos,
      inovou na técnica narrativa.
      Sem nenhum prêambulo, Souza Costa e Elza surgem no livro. Souza Costa
      é o pai de uma típica família burguesa paulista do início do século.
      Elza, uma alemã que tinha por profissão iniciar sexualmente os
      jovens. Professora de amor.
      Souza Costa contrata os "serviços" de Elza (que por todo o livro é
      tratada por Fräulein - senhora em alemão) com o intuito de que seu
      filho inicie sua vida sexual de forma limpa, asséptica, sem
      se "sujar" com prostitutas e aproveitadoras. Ela afirma naturalmente
      que é uma profissional, séria, e que não gostaria de ser tomada como
      aventureira. Oficialmente, Fräulein seria a professora de alemão e
      piano da família Souza Costa.
      Carlos aparece brincando com as irmã, ainda muito "menino". Fräulein
      se ressente por não prender a atenção de Carlos no início, ele era
      muito disperso, mas gradualmente vai envolvendo-o na sua sedução.
      Eles tinham todas as tardes aulas de alemão e cada vez mais Carlos se
      esforçava para aprender (o alemão?!) e aguardava ansioso as aulas.
      Fräulein, em momentos de devaneios, criticava os modos dos latinos,
      se sentia uma raça superior, admirava e lia incessantemente os
      clássicos alemães, Goethe, Schiller e Wagner. Compreendia o
      expressionismo mas voltava à Goethe e Schiller. A esposa de Souza
      Costa, vendo as intimidades do filho para com ela, resolve falar com
      Elza e pedir para que deixem a família. Fräulein esclarece seu
      propósito de forma incrivelmente natural, e após uma conversa com o
      marido, a mãe decide que é melhor para seu filho que ela continuasse
      com suas lições.
      O livro é permeado de digressões. Mário de Andrade freqüentemente
      justifica alguns pontos (antes que o critiquem), analisa fatos, alude
      à psicologia, à música e até mesmo à Castro Alves e Gonçalves Dias.
      Mário compara a vida dos extrangeiros nos trópicos, entre Fräulein e
      um copeiro japonês. Mostra a dicotomia de pensamento de Fräulein
      entre o homem-da-vida (prático, interessado no dinheiro do serviço)
      simbolizado por Bismarck - responsável pela unificação da Alemanha em
      1870 à ferro e fogo e Wagner, retratando o homem-do-sonho. O homem-do-
      sonho representa seus desejos, suas vontades, voltar a terra natal,
      casar e levar uma vida normal. Mas quem vence em Fräulein é o homem-
      da-vida, que permite que ela continue o serviço sem se questionar.
      Carlos após ter tido "a"aula mestra, começa a viciar-se em "estudar".
      Certamente a didática de Fräulein era muito boa. Era tempo para
      Fräulein se despedir, tendo este trabalho concluído. Ela sabia que os
      afastamentos eram sempre seguidos de muitos protestos e gritos. Souza
      Costa surpreende Carlos com Fräulein (tudo já armado) e utiliza-se
      deste pretexto para separá-los. Carlos reage defende Fräulein, mas
      mesmo ele fica aturdido diante do argumento do pai: e se ele tivesse
      um filho? Ainda relutante, ele deixa-a ir.
      Depois algumas semanas apático, Carlos volta a viver normal. O livro
      acaba mas continua. Escreve Mário de Andrade - "E o idílio de
      Fräulein realmente acaba aqui. O idílio dos dois. O livro está
      acabado. Fim. (...) O idílio acabou. Porém se quiserem seguir Carlos
      mais um poucadinho, voltemos para a avenida Higienópolis. Eu volto."
      Após se recupear, Carlos avista acidentalmente Fräulein, já em um
      novo trabalho, e apenas saudou-a com a cabeça. A vida continua para
      Carlos. Fräulein ainda iria seguir com 2 ou mais trabalhos para
      voltar à sua terra.


      Fonte:http://vestibular.setanet.com.br/resumos/amarverbo.htm

      urs.Bira
      Moderação Literatura & Leitura
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