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O primeiro tema de sábado para Nancy e para quem falto u...

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  • Osvaldo
    Pronto! Tenho a impressão de que aquilo a atingiu. Ela me dá as costas, tira a outra botinha vermelha do bebê, senta-o e começa a desa­botoar a parte de
    Mensagem 1 de 2 , 28 de nov de 2005

      Pronto! Tenho a impressão de que aquilo a atingiu. Ela me dá as

      costas, tira a outra botinha vermelha do bebê, senta-o e começa a desa­botoar a parte de trás da roupa dele. Fico imaginando se aquela coisi­nha redonda e macia alguma coisa, sente alguma coisa... Agora ela o deita em seu joelho e, com esta luz, mexendo os braços e as pernas, ele parece muito um caranguejinho. Uma coisa estranha é que não consigo associá-lo com minha esposa e comigo; nunca o aceitei como nosso. Toda vez que entro no vestfbulo e vejo o carrinho me pego pensando: "Hum, alguém trouxe um bebê!". Ou quando seu choro me acorda à noite, tenho vontade de culpar minha esposa por ter trazido o menino para o quarto. A verdade é que, embora se possa desconfiar que ela pos­sui fortes instintos maternais, minha mulher não parece do tipo que carrega filhos dentro de si. Existe uma enorme diferença! Onde está aquela... naturalidade animal e a vivacidade, os beijinhos e mimos que dizem que se deve esperar de uma jovem mãe? Ela não tem uma gota disso. Acho que quando ela amarra a touca do bebê sente/se tia e não mãe. Mas é claro que posso estar errado; talvez ela seja apaixonada­mente dedicada... Acho que não. De qualquer modo, não é um tanto in­decente abrigar tal sentimento em relação à própria esposa? Indecente ou não, é o que se sente. E mais uma coisa. Como posso em sã consciên­cia esperar que minha esposa, uma mulher de coração partido, possa pas­sar seu tempo dedicando-se ao bebê? Mas isso é irrelevante. Ela nem sequer se dispôs a tais cuidados quando seu coração estava inteiro.

      E agora ela levou o bebê para o berço. Ouço seus passos suaves e decididos entre a sala de jantar e a cozinha, indo e voltando, ao som dos pratos empilhados. E agora reina o silêncio. O que está acontecendo? Oh, eu sei perfeitamente sem precisar ir até lá - ela está no meio da cozinha, olhando a chuva na janela. Sua cabeça está inclinada e com um dedo ela desenha alguma coisa - nada - na mesa. Está frio na cozinha; o bico de gás oscila; a torneira pinga; é um cenário desolado. E ninguém chegará por trás dela, para abraçá-la, beijar seus cabelos macios, levá-la para per­to da lareira, e ninguém esfregará suas mãos, para aquecê-Ias de novo. Ninguém irá chamá-la ou se perguntará o que ela está fazendo ali. E ela sabe. E, no entanto, sendo mulher, bem no fundo de si mesma, ela espe­ra verdadeiramente que o milagre aconteça; ela realmente poderia acei­tar essa ilusão sombria, obscura, em vez de viver - assim.

    • Osvaldo
      Pessoal me desculpem, errei, esse texto não é para o Laboratório, me perdoem, sim? Osvaldo Pronto! Tenho a impressão de que aquilo a atingiu. Ela me dá as
      Mensagem 2 de 2 , 28 de nov de 2005
        Pessoal me desculpem, errei, esse texto não é para o Laboratório, me perdoem, sim?
         
        Osvaldo
         

        Pronto! Tenho a impressão de que aquilo a atingiu. Ela me dá as

        costas, tira a outra botinha vermelha do bebê, senta-o e começa a desa­botoar a parte de trás da roupa dele. Fico imaginando se aquela coisi­nha redonda e macia alguma coisa, sente alguma coisa... Agora ela o deita em seu joelho e, com esta luz, mexendo os braços e as

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