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661Haroldo Maranhão, Brasil

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  • sonia regina
    31 de jul de 2006

          

      O pássaro é denso mas crispado e tem angústias, medos. Aprendeu a sabedoria de pôr-se a jusante das alamedas e do turvo chão, testemunha das planuras, pouquidões humanas.

      Há pássaros óbvios. Outros habitam o peito dos mares e aí parecem-se a peixes e a algas que erram. Os pássaros não deixam tocar-se porque são nus e anunciadores. Raro desfazerem-se das sedas de que são articulados: ponto a ponto. Os pássaros são orgíacos, substantivos, a despeito de seu desarvoramento.

      Pássaros são feitos de gritos monossilábicos e pulsam pautados: cascos partindo-se no ar. São o silêncio das claras de ovo, o modo de ser da marcha resolvida dos alados.

      Os pássaros expõem-se denodados mas de perfil. Irrompem nas desferidas asas ou as colam ao corpo - depositário das deliberações que exacerbam os arcos, que se dão sempre e quebram-se.

       

      Texto de Haroldo Maranhão, especial para Maria Elisa (Meg) Guimaraes, em 1993

      extraído do SubRosa - post de 15.7.06, homenagem no segundo aniversário de sua morte - com autorização da Meg - Maria Elisa Guimarães, a quem agradeço comovida e dedico esta edição.

      sonia regina  [soreg]
       

       
       
       
       

      sonia regina,  osvaldo pastorelli,  jean-pierre barakat  e  alexandra*    editores


      poemas daqui e de acolá - edição 31.7.06

      formatação em html, seleção do texto, imagem e som: sonia regina

      imagem: Alin  Neamtu

      som fundo: fernando sor - estudo 5