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Uma Postura Interdisciplinar

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    Uma Postura Interdisciplinar Thereza Cristina Bordoni Mestre em Políticas Educacionais. Pesquisadora Educacional. Vice-Diretora do Colegio Marista de Patos de
    Mensagem 1 de 1 , 6 de dez de 2001
      Uma Postura Interdisciplinar
      Thereza Cristina Bordoni
      Mestre em Políticas Educacionais. Pesquisadora Educacional.
      Vice-Diretora do Colegio Marista de Patos de Minas. Consultora
      Educacional. (31-99717068)

      "O significado curricular de cada disciplina não pode resultar de
      uma apreciação isolada de seu conteúdo, mas sim do modo como se
      articulam as disciplinas em seu conjunto; tal articulação é sempre
      tributária de uma sistematização filosófica mais abrangente, cujos
      princípios norteadores é necessário reconhecer." (MACHADO, 1995, p.
      186)

      "...as necessidades do futuro não requerem especialização, mas
      versatilidade, harmonia entre uma formação especializada e um saber
      geral - o único capaz de assegurar a assimilação de novos
      conhecimentos e a capacidade de auto-apredizagem". ( Torres)

      INTERDISCIPLINARIDADE

      "Do ponto de vista epistemológico, consiste no método de pesquisa e
      de ensino voltado para a interação em uma disciplina, de duas ou
      mais disciplinas, num processo que pode ir da simples comunicação de
      idéias até a integração recíproca de finalidades, objetivos,
      conceitos, conteúdos, terminologia, metodologia, procedimentos,
      dados e formas de organiza-los e sistematiza-los no processo de
      elaboração do conhecimento." Dra. Francisca S. Gonçalves - USP

      TRANSDISCIPLINARIDADE

      "É a reunião das contribuições de todas as áreas do conhecimento num
      processo de elaboração do saber voltado para a compreensão da
      realidade, a descoberta de potencialidades e alternativas de se
      atuar sobre ela, tendo em vista transforma-la." Zemelman

      Refletindo sobre Interdisciplinaridade

      Interdisciplinaridade é um termo que não tem significado único,

      possuindo diferentes interpretações, mas em todas elas está implícita uma

      nova postura diante do conhecimento, uma mudança de atitude em busca da

      unidade do pensamento. Desta forma a interdisciplinaridade difere da

      concepção de pluri ou multidisciplinaridade, as quais apenas justapõe

      conteúdos.

      Nesse sentido, não estou me referindo à interdisciplinaridade como

      uma teoria geral e absoluta do conhecimento, nem a compreendo como uma

      ciência aplicada, mas sim como o estudo do desenvolvimento de um processo

      dinâmico, integrador e, sobretudo, dialógico. Concordo com Fazenda,1988

      ao caracterizar a interdisciplinaridade "pela intensidade das trocas

      entre os especialistas e pela integração das disciplinas num mesmo

      projeto de pesquisa.(...) Em termos de interdisciplinaridade ter-se-ia

      uma relação de reciprocidade, de mutualidade, ou, melhor dizendo, um

      regime de co-propriedade, de interação, que irá possibilitar o diálogo

      entre os interessados. A interdisciplinaridade depende então,

      basicamente, de uma mudança de atitude perante o problema do

      conhecimento, da substituição de uma concepção fragmentária pela unitária

      do ser humano" (Fazenda, 1993, p. 31).

      O ponto de partida e de chegada de uma prática interdisciplinar

      está na ação. Desta forma, através do diálogo que se estabelece entre as

      disciplinas e entre os sujeitos das ações, a interdisciplinaridade

      "devolve a identidade às disciplinas, fortalecendo-as" e evidenciando uma

      mudança de postura na prática pedagógica. Tal atitude embasa-se no

      reconhecimento da 'provisoriedade do conhecimento', no questionamento

      constante das próprias posições assumidas e dos procedimentos adotados,

      no respeito à individualidade e na abertura à investigação em busca da

      totalidade do conhecimento. Não se trata de propor a eliminação de

      disciplinas, mas sim da criação de movimentos que propiciem o

      estabelecimento de relações entre as mesmas, tendo como ponto de

      convergência a ação que se desenvolve num trabalho cooperativo e

      reflexivo. Assim, alunos e professores - sujeitos de sua própria ação -

      se engajam num processo de investigação, re-descoberta e construção

      coletiva de conhecimento, que ignora a divisão do conhecimento em

      disciplinas. Ao compartilhar idéias, ações e reflexões, cada participante

      é ao mesmo tempo "ator" e "autor" do processo.

      A partir de todos esses referenciais, é importante que os conteúdos

      das disciplinas sejam vistos como instrumentos culturais, necessários

      para que os alunos avancem na formação global e não como fim de si mesmo.


      A interdisciplinaridade favorecerá que as ações se traduzam na

      intenção educativa de ampliar a capacidade do aluno de:

      · expressar-se através de múltiplas linguagens e novas tecnologia;
      · posicionar-se diante da informação;
      · interagir, de forma crítica e ativa, com o meio físico e social;
      Temos então o desafio de assegurar a abordagem global da realidade,

      através de uma perspectiva holística, transdisciplinar. Onde a

      valorização é centrada, não no que é transmitido, e sim no que é

      construído. Assim a prática interdisciplinar nos envolve no processo de

      aprender a aprender.



      A postura interdisciplinar incita o pensamento em direção ao

      enfrentamento de tensões que se criam durante o seu processo de

      elucidação, o que possibilita a superação de dicotomias tradicionais da

      visão de mundo mecanicista, tais como: homem-mundo: o homem se revela ao

      mundo através da linguagem, quer seja ela natural, quer seja artificial,

      como é o caso da linguagem computacional. Ao formalizar o seu pensamento

      para outrem, o homem apropria-se da palavra, atribuindo-lhe um

      significado segundo sua própria experiência, re-elaborando-a e

      revelando-se ao outro. A manifestação do ser através da linguagem traz

      subjacente os valores intrínsecos a um contexto. Ao mesmo tempo que se

      expressa o homem toma consciência de si mesmo como um ser singular no

      mundo, com potencialidades e limitações próprias. A "palavra própria" de

      cada ser manifesta o sentido que ele dá a si mesmo e ao mundo. Assim, a

      palavra "está sempre em ato" constituindo "a essência do mundo e a

      essência do homem.(...)" Todo encontro com o outro supõe um confronto de

      idéias onde cada qual trás seu testemunho e busca o testemunho do outro.

      Cada ser é responsável pela introdução de um ponto de descontinuidade,

      cujas contradições devem ser discutidas e compartilhadas com os demais

      membros do grupo, buscando um equilíbrio em um novo patamar.

      Temos então a interdisciplinaridade como um campo aberto para que

      de uma prática fragmentada por especialidades possamos estabelecer novas

      competências e habilidades através de um postura pautada em uma visão

      holistica do conhecimento e uma porta aberta para os processos

      transdisciplinares.


      "Este ser do mundo e no mundo tem a capacidade de interferir e
      modificar o seu próprio mundo... "A disjunção sujeito-objeto é um
      dos aspectos essenciais de um paradigma mais geral de
      disjunção-redução, pelo qual o pensamento científico ou disjunta
      realidades inseparáveis sem poder encarar a sua relação, ou
      identifica-as por redução da realidade mais complexa à realidade
      menos complexa" (Morin, 1982, pag. 219). Porém, a atitude
      interdisciplinar permite o desenvolvimento do sujeito como um todo,
      de acordo com suas condições, possibilidades e entendimento".
      (Gusdorf, 1970, pag. 34-35).


      ______________________________________

      Referências Bibliográficas

      FAZENDA, Ivani C. (1993). Interdisciplinaridade: Um projeto em
      parceria.São Paulo: Loyola.
      ________________. (1994). Interdisciplinaridade: História, teoria e
      pesquisa. Campinas, São Paulo: Papirus.

      FREIRE, Paulo. (1979). Educação e Mudança. 14ª ed., Rio de Janeiro: Paz e
      Terra.

      GUSDORF, Georges. (1967). La Vertu de Force. 3ª ed., Paris: Press
      Universitaires de France. SUP.

      _________________. (1970). A Fala. Porto, Portugal: Despertar.
      MORIN, Edgar. (1982). Ciência com Consciência. Portugal: Publicações
      Europa-América Ltda.

      PIAGET, Jean. (1972). A Epistemologia Genética. Petrópolis/RJ: Ed. Vozes.

      WERTSCH, J. V. (1985). Vygotsky and the Social Formation of Mind. USA:
      Harvard University Press.
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