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35History The Chemical Brothers

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  • Daniel Loureiro Gouveia
    29 de jul de 2003
      Tudo começa com o som de Hal em 2001, Uma Odisséia no
      Espaço, misturado com experiências alucinógenas e
      muito P­Funk, conduzido como se Sly Stone regesse uma
      sinfonia com defuntos robotizados. Cada nuance musical
      se move constantemente, envolvendo e evoluindo,
      convidando a cairmos fora deste planeta em busca de
      uma viagem a um canto secreto da psicodelia espacial.
      Dito isso, talvez agora você esteja preparado para
      entender o quarto e mais recente disco do Chemical
      Brothers, Come With Us.
      Como eles chegaram até aqui? Por que eles estao nessa
      viagem? Vamos explicar...

      Tom Rowlands e Ed Simons se encontraram na
      Universidade de Manchester em 1989, onde ambos
      estudavam História Medieval. Ed nasceu em 1970 no sul
      de Londres e seu gosto musical o levou ao Mud Club aos
      14 anos, local onde ouviu muito hip hop e grooves
      raros tocados por DJs, ao mesmo tempo em que via shows
      de suas bandas favoritas ­ The Smiths e New Order. Tom
      nasceu em 1971, cresceu em Henley­Upon­Thames e,
      musicalmente, passou a década de 80 ouvindo as bandas
      da gravadora Two Tone, passando depois para os
      eletrônicos (Kraftwerk e Heaven 17) antes de
      desembocar em Jesus & Mary Chain, My Bloody Valentine
      e Public Enemy. Tom & Ed se mudaram para Manchester
      numa época em que a cidade era uma espécie de meca
      musical da Europa.
      No início dos anos 90, a dupla começou a discotecar
      sob a alcunha de The Dust Brothers, nome afanado da
      dupla de produtores americanos que havia acabado de
      produzir o segundo disco dos Beastie Boys, Paul's
      Boutique. O primeiro local em que trabalharam foi o
      Naked Under Leather, um clube noturno embaixo de um
      pub em Manchester. O som deles naquela época era
      original o bastante para levá­los ao estúdio (no
      quarto de Tom) para gravar alguns temas, nos quais os
      principais elementos eram uma batida de entortar a
      espinha e uma virtual orquestra de sirenes. Seu
      primeiro single, o independente Song To The Siren,
      saiu em 92 e foi prensado em cópias de vinil de 12",
      trazendo a dupla soando como se alienígenas
      resolvessem bombardear a cidade de Manchester.
      Depois de se mudarem para Londres, Tom & Ed se
      tornaram os DJs da casa do Sabresonic, tocando toda
      sexta­feira debaixo de uma ferrovia para 500 ou mais
      pessoas (clubbers). Pouco tempo depois, a dupla já
      começava a se apresentar nos EUA, um sonho para quem
      admirava a música daquele país.
      Quando lançaram um segundo single, o EP 14th Century
      Sky (em 94) ­ cuja faixa de destaque foi Chemical
      Beats ­, a dupla trouxe uma lufada de ar fresco na
      concepçao do que era dance music. Com a urgência do
      techno, a cristalinidade do acid house e o peso do
      punk rock, o disco subitamente levou Tom & Ed do
      anonimato ao estrelato dentro do universo dos DJs e da
      música eletrônica underground, com inúmeros convites
      para remixes. No espaço de seis meses, eles remixaram
      músicas do Primal Scream, Charlatans, Saint Etienne,
      Prodigy & Manic Street Preachers, construindo um
      currículo invejável de artistas que passaram por suas
      maos nos anos 90. Foi entao que gravaram seu primeiro
      álbum e passaram todo sábado à noite, durante 14
      semanas, discotecando num outro pub, desta vez no
      centro de Londres.
      Da primeira semana de agosto de 94 até o início de
      novembro, o Dust Brothers arrasou no Heavenly Sunday
      Social, tocando uma mistura de batidas de hip hop
      monolíticas e euro techno que levava as pessoas a
      erguerem suas maos para o alto e se emocionarem às
      lágrimas. Tom & Ed terminaram as gravaçoes de Exit
      Planet Dust com a ajuda de dois amigos, Beth Orton e
      Tim Burgess, mais o conhecimento adquirido ao longo
      dos anos de que um bom material deveria ser testado
      para uma platéia superior a 200 pessoas, num domingo à
      noite pra lá de hedonista. Depois de serem obrigados a
      mudar de nome para Chemical Brothers, tanto o álbum
      como o single Leave Home foram lançados. Resultado? O
      duo conseguiu seu primeiro hit na parada Top 20 da
      Inglaterra.
      Exit Planet Dust foi o ponto de colisao entre a
      cultura dance e o rock `n' roll. Ouvindo o disco hoje,
      dá para fazer uma comparaçao com a estréia do Oasis em
      Definitely Maybe: ambos foram referências no encontro
      entre a cultura do ecstasy com a energia dance,
      redefinida por garotos que tinham crescido ouvindo de
      Beatles a Sex Pistols, de Public Enemy a Hardfloor. Da
      abertura com Leave Home até os momentos finais da
      balada hiperespacial Alive: Alone (a primeira
      colaboraçao da dupla com Beth Orton), Exit...
      conseguiu agradar tanto a quem gostava de dançar
      quanto àquelas pessoas que adoravam ouvir música em
      fones de ouvido, definindo um gênero musical que seria
      mais tarde batizado como Big Beat. Em um ano, Tom & Ed
      redefiniram seu som e ampliaram suas próprias
      fronteiras até um ponto em que se tornou impossível
      rotulá­los. Ao mesmo tempo, eles passaram a se
      apresentar em grandes arenas ao ar livre, deixando os
      tempos em que abriam shows para o Underworld e o
      Prodigy, se tornando, enfim, headliners.
      No início de 1996, depois do lançamento de um EP ­
      Loops Of Fury (seu segundo single no Top 20), o
      Chemical Brothers começou a gravar seu segundo álbum.
      Noel Gallagher, entao onipresente, encontrou com Tom e
      Ed no festival de Glastonbury e reclamou do porquê Tim
      Burgess ter sido convidado para participar de Life Is
      Sweet e ele nao. A resposta veio com o convite para
      que Noel participasse de Setting Sun, gravada como um
      instrumental no qual o guitarrista do Oasis colocou
      alguns vocais em apenas um take antes de se mandar do
      estúdio, deixando a Tom & Ed a tarefa de mixar. O
      resultado, lançado em outubro de 96, deu ao duo o
      primeiro lugar na parada de singles, apresentando os
      vocais de Noel em cima de uma base que trouxe de volta
      o espírito de Tomorrow Never Knows, dos Beatles, uma
      fantástica viagem embalada por cítaras que pareciam
      ter sido esmagadas por elefantes.
      No início de 97, a dupla terminou as gravaçoes de seu
      segundo álbum, Dig Your Own Hole, precedido pelo
      imenso sucesso do single Block Rockin' Beats, tendo
      este novamente chegado ao primeiro lugar das paradas,
      em que uma linha de baixo inspirada pelo 23 Skidoo e
      um refrao tao simples quanto cativante grudaram nos
      ouvidos de todo mundo. O álbum também atingiu o 1º
      lugar da parada, saudado com entusiasmo em jornais,
      revistas de moda, clubes, etc. O sucesso de Dig Your
      Own Hole estabeleceu o Chemical Brothers como a grande
      banda da moderna cena eletrônica mundial e fez a dupla
      levar mais gente para o estúdio, como Noel, Beth Orton
      (retornando em Where Do I Begin) e o vocalista do
      Mercury Ver, Jonathan Donahue (que proporcionou a
      intensa parede sônica ouvida na faixa que fecha o
      álbum, The Private Psychedelic Reel). O disco também
      recebeu Platina na Inglaterra e, auxiliado por uma
      extensa turnê, vendeu um milhao de cópias nos EUA,
      chegando a ganhar um Grammy na categoria Melhor
      Instrumental de Rock por Block Rockin' Beats. No verao
      de 97, o Chemical Brothers acabou se tornando a grande
      atraçao do festival de Glastonbury, famoso por suas
      batalhas de lama.
      A dupla só reapareceu em 98 para lançar um disco de
      mixagens, Brothers Gonna Work It Out, que mostrou a
      intersecçao dos estilos musicais de Tom & Ed, indo do
      soul psicodélico a mixagens de suas próprias músicas
      por outros grupos (como foi o caso da versao do
      Micronauts para Block Rockin' Beats), passando pelos
      trabalhos com o Dubtribe e o Renegade Soundwave antes
      de encerrar com dois de seus remixes mais legais:
      Everything Must Go, do Manic Street Preachers, e I
      Think I'm In Love, do Spiritualized. Tom & Ed passaram
      o restante do ano trancados em estúdio.
      A dupla reapareceu em órbita novamente com Hey Boy,
      Hey Girl, um single lançado na primavera de 99. O
      álbum do qual foi extraída Surrender apresentou uma
      imensa lista de convidados, dos quais se destacaram
      Noel Gallagher, Jonathan Donahue, Hope Sandoval (Mazzy
      Star), Bernard Sumner (New Order) e Bobby Gillespie
      (Primal Scream). O resultado foi uma consistente e
      brilhante mistura de funk eletrônico, lamentos
      poéticos e techno pulsante. Cada convidado trouxe suas
      particularidades sonoras, transformando o disco numa
      experiência atemporal, uma bela peça psicodélica. O
      álbum fez com que o duo embarcasse numa nova turnê,
      começando pela América do Sul, culminando num show nos
      EUA ao lado de Fatboy Slim para 10 mil pessoas. Depois
      do single Let Forever Be/Out of Control, o ano
      terminou com o remixe que Tom & Ed fizeram para
      Swastika Eyes, do Primal Scream.
      O Chemical Brothers desapareceu de cena
      depois de sua apresentaçao como headliner no palco
      principal do festival de Glastonbury, perante uma das
      maiores platéias presentes na história do evento.
      Depois de 18 meses trancados num estúdio ao sul de
      Londres, os dois resolveram testar algumas novas
      faixas em clubes das redondezas, lançando na seqüência
      o single It Began in Afrika, que chegou facilmente ao
      Top 10 inglês. Embora antecedesse Come With Us, ele já
      dava uma pista do que viria pela frente...
      Lançado agora, Come With Us traz o duo envolto numa
      espécie de caleidoscópio psicodélico musical. O
      primeiro single, Star Guitar, mostra uma abordagem
      modernista, assim como Sueño Latino e Funky Guitar,
      esta com uma bela linha de guitarra em harmonia com
      uma pulsante batida. Pioneer Skies começa no século
      XXI, mas com um pé na britânica psicodelia sonora dos
      anos 60, misturando The Who com Jason Pierce. Denmark
      é uma furiosa disco music mutante, enquanto Hoops
      glorifica as harmonias ocidentais, escalas de
      guitarras e pulsantes electro beats. O clímax está em
      The Test, no qual Richard Ashcroft (ex­Verve) mostra
      um lado possesso ao vociferar suas letras.
      Come With Us é também folk psicodélico, mesmo sendo um
      dos discos mais futuristas já feitos. O Chemical
      Brothers apresenta seu trabalho mais pessoal, que
      amplia suas próprias fronteiras, programando os
      computadores de 2001 com a linguagem black de Sly
      Stone.


      amor, tecnologia & groove

      Vitor Van Orthon


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