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7347Re: [bh-vibe] E. de Minas de hoje (continua ção)

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  • Kowalsky
    26 de set de 2003
      Condordo com o texto do cara aí embaixo.
      Só tenho uma observação a fazer.
      O texto fala em separar o joio do trigo, ok, correto - cada tem sua forma de
      separar joio do trigo.
      Mas eu ainda acho que, mesmo nesse texto, rola uma coisa que eu acho fruto
      de uma falta de informação que se estende pelo mundo todo. Ainda é um texto
      que trata de forma meio obtusa o assunto, embora pareça ter sido escrito por
      alguém que tenha mais contato com a realidade.
      ...
      Quando um cara, jornalista ou resenhista ou comentarista do senso comum
      escreve sobre música eletrônica, quase sempre escreve deixando entender que
      música eletrônica é coisa somente de pista, e que existe só aquele batida
      4x4 sincopada. E me parece, muitas vezes, que quem lê, concordando ou não
      com o que foi escrito, também acha que música eletrônica se resume a pista
      de dança e que o retrato da música eletrônica é batida 4x4 sincopada.
      Acho que deve haver muito mais critério por parte de quem escreve, mas deve
      haver também maior capacidade de interpretação e espírito crítico por parte
      de quem lê.

      Kowalsky



      On 26/09/2003 08:52, "Flávio" <flaviopp@...> wrote:

      > Eles querem que a gente tenha calma...:
      >
      > Fora do gueto
      > “Existe uma valorização exagerada no mercado da música
      > eletrônica”
      >
      > Na semana passada, uma matéria publicada aqui no
      > ESTADO DE MINAS dominou as conversas entre as pessoas
      > ligadas à música eletrônica. Na terça, dia 16, o
      > jornalista Mário Sérgio, profissional tarimbado e
      > respeitado na imprensa mineira, dono de uma escrita
      > precisa, teve a infelicidade de, por ossos do ofício,
      > resenhar três discos lançados no Brasil pela Sum
      > Records: a coletânea Essential Vol. 1 e álbuns dos DJs
      > Kevin Saunderson e Chris Liberator. O resultado foi
      > avassalador. Mário Sérgio não deixou pedra sobre
      > pedra: detonou as bolachinhas.
      >
      > Pronto. Estava armado o barraco. Fãs revoltados
      > ligaram para a redação do jornal. Outros – ou os
      > mesmos, nunca se sabe – entupiram a caixa postal do
      > jornalista com e-mails desaforados. Para alguns
      > leitores, era inadmissível que um jornal como o ESTADO
      > DE MINAS publicasse um texto como aquele. Em uma lista
      > de discussão na internet sobre música eletrônica
      > sugeriram até que o jornal deveria publicamente se
      > retratar. Detalhe: através desta coluna! Calma aí,
      > pessoal.
      >
      > O que eu tenho a dizer sobre o texto escrito pelo
      > colega Mário Sérgio talvez desaponte alguns dos
      > leitores. Apesar de não concordar com a forma como foi
      > colocado em sua resenha, compactuo com algumas de suas
      > idéias. Existe, sim, uma valorização exagerada no
      > mercado da música eletrônica. Para o Mário Sérgio, “DJ
      > é apenas um misturador de sons, um animador de pistas
      > de dança”. Ele está errado? Em parte, não. No fundo,
      > DJ é isso mesmo, um animador de festas. DJ não é Deus
      > (Eric Clapton também não, mas isso é outra história),
      > mas quando Fatboy Slim coloca 150 mil pessoas pra
      > dançar em uma praia inglesa ou o nosso Anderson Noise
      > faz chacoalhar o esqueleto de boa parte das 45 mil
      > pessoas presentes ao Skol Beats deste ano tem-se a
      > impressão que ali existe algo mais. Chame de
      > habilidade musical, sensibilidade ou qualquer outra
      > coisa.
      >
      > A grande bola fora do texto do Mário foi confundir DJ
      > com produtor musical e achar que toda música
      > eletrônica é baticum. É bom esclarecer que DJ, ao
      > contrário do que se possa pensar, quase nunca trabalha
      > com computadores, samplers ou seqüenciadores. Seu
      > instrumento de trabalho são dois toca-discos de vinil
      > e um mixer, o tal misturador. DJ não compõe, mas
      > alguns se arriscam na empreitada. O produtor musical,
      > esse sim, é o sujeito que lida com as máquinas. E
      > confundir música eletrônica com bate-estaca é o mesmo
      > que achar que o rock se resume ao heavy metal,
      > esquecendo-se (ou desconhecendo-se) ou folk, o blues,
      > o pop e outras vertentes. A eletrônica é um gênero
      > vasto, e assim como em outros é preciso saber separar
      > o joio do trigo.
      >
      > Mário Sérgio finaliza seu texto com uma frase que eu
      > não ouvia desde o século passado: chama a eletrônica
      > de “o futuro da música”. A eletrônica era o futuro há
      > 10, 15 anos. Hoje ela é o presente. Goste ou não, ela
      > faz parte da vida de todos nós, seja através das
      > batidas de Saunderson e Liberator, seja através de
      > outros artistas, mais orgânicos, menos artificiais.
      >
      > Em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, dia
      > 18, o jornalista Guilherme Werneck entrevistou DJs,
      > produtores, promotores de eventos e o crítico inglês
      > Simon Reynolds, autor dos livros Generation Ecstasy e
      > Energy Flash e chegou a conclusão que “o preço pago
      > pela massificação dos diferentes gêneros eletrônicos
      > foi acompanhado por um processo de diluição e de
      > repetição de fórmulas”.
      >
      > Afinal, a música eletrônica está em crise? No site
      > Trabalho Sujo (http://gardenal.org/trabalhosujo/) o
      > jornalista Alexandre Matias matou a charada: não é o
      > gênero, e sim o modo com a indústria lida com lida com
      > ele que está em crise. A eletrônica saiu do gueto.
      > Popularizou-se. Até que enfim.
      >
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