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7341E. de Minas de hoje (continuação)

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  • Flávio
    26 de set de 2003
      Eles querem que a gente tenha calma...:

      Fora do gueto
      “Existe uma valorização exagerada no mercado da música
      eletrônica”

      Na semana passada, uma matéria publicada aqui no
      ESTADO DE MINAS dominou as conversas entre as pessoas
      ligadas à música eletrônica. Na terça, dia 16, o
      jornalista Mário Sérgio, profissional tarimbado e
      respeitado na imprensa mineira, dono de uma escrita
      precisa, teve a infelicidade de, por ossos do ofício,
      resenhar três discos lançados no Brasil pela Sum
      Records: a coletânea Essential Vol. 1 e álbuns dos DJs
      Kevin Saunderson e Chris Liberator. O resultado foi
      avassalador. Mário Sérgio não deixou pedra sobre
      pedra: detonou as bolachinhas.

      Pronto. Estava armado o barraco. Fãs revoltados
      ligaram para a redação do jornal. Outros – ou os
      mesmos, nunca se sabe – entupiram a caixa postal do
      jornalista com e-mails desaforados. Para alguns
      leitores, era inadmissível que um jornal como o ESTADO
      DE MINAS publicasse um texto como aquele. Em uma lista
      de discussão na internet sobre música eletrônica
      sugeriram até que o jornal deveria publicamente se
      retratar. Detalhe: através desta coluna! Calma aí,
      pessoal.

      O que eu tenho a dizer sobre o texto escrito pelo
      colega Mário Sérgio talvez desaponte alguns dos
      leitores. Apesar de não concordar com a forma como foi
      colocado em sua resenha, compactuo com algumas de suas
      idéias. Existe, sim, uma valorização exagerada no
      mercado da música eletrônica. Para o Mário Sérgio, “DJ
      é apenas um misturador de sons, um animador de pistas
      de dança”. Ele está errado? Em parte, não. No fundo,
      DJ é isso mesmo, um animador de festas. DJ não é Deus
      (Eric Clapton também não, mas isso é outra história),
      mas quando Fatboy Slim coloca 150 mil pessoas pra
      dançar em uma praia inglesa ou o nosso Anderson Noise
      faz chacoalhar o esqueleto de boa parte das 45 mil
      pessoas presentes ao Skol Beats deste ano tem-se a
      impressão que ali existe algo mais. Chame de
      habilidade musical, sensibilidade ou qualquer outra
      coisa.

      A grande bola fora do texto do Mário foi confundir DJ
      com produtor musical e achar que toda música
      eletrônica é baticum. É bom esclarecer que DJ, ao
      contrário do que se possa pensar, quase nunca trabalha
      com computadores, samplers ou seqüenciadores. Seu
      instrumento de trabalho são dois toca-discos de vinil
      e um mixer, o tal misturador. DJ não compõe, mas
      alguns se arriscam na empreitada. O produtor musical,
      esse sim, é o sujeito que lida com as máquinas. E
      confundir música eletrônica com bate-estaca é o mesmo
      que achar que o rock se resume ao heavy metal,
      esquecendo-se (ou desconhecendo-se) ou folk, o blues,
      o pop e outras vertentes. A eletrônica é um gênero
      vasto, e assim como em outros é preciso saber separar
      o joio do trigo.

      Mário Sérgio finaliza seu texto com uma frase que eu
      não ouvia desde o século passado: chama a eletrônica
      de “o futuro da música”. A eletrônica era o futuro há
      10, 15 anos. Hoje ela é o presente. Goste ou não, ela
      faz parte da vida de todos nós, seja através das
      batidas de Saunderson e Liberator, seja através de
      outros artistas, mais orgânicos, menos artificiais.

      Em matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, dia
      18, o jornalista Guilherme Werneck entrevistou DJs,
      produtores, promotores de eventos e o crítico inglês
      Simon Reynolds, autor dos livros Generation Ecstasy e
      Energy Flash e chegou a conclusão que “o preço pago
      pela massificação dos diferentes gêneros eletrônicos
      foi acompanhado por um processo de diluição e de
      repetição de fórmulas”.

      Afinal, a música eletrônica está em crise? No site
      Trabalho Sujo (http://gardenal.org/trabalhosujo/) o
      jornalista Alexandre Matias matou a charada: não é o
      gênero, e sim o modo com a indústria lida com lida com
      ele que está em crise. A eletrônica saiu do gueto.
      Popularizou-se. Até que enfim.
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