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11282Re: first modern dj

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  • Ivo Michalick
    23 de abr de 2005
      Andre e colegas,

      Coincidência ou não, o texto que você divulgou tem o mesmo título de
      uma das seções do excelente livro "Last Night a DJ Saved My Life", de
      Bill Brewster e Frank Broughton. Li e comentei este livro em 2002, no
      Informativo da saudosa (para mim!) Pororoka Music em Manaus. Aqui vai
      um trecho onde falei sobre o Francis Grasso:

      "Last Night a DJ Saved My Life" - parte 2.

      Continuo lendo, e achando simplesmente excepcional. Estou na parte 2,
      que busca mostrar como o DJ mudou a música. Existem capítulos sobre
      várias cenas distintas, e a que fala do Reggae confirmou várias das
      minhas suspeitas sobre a importância dos jamaicanos para a formação
      da cultura da e-music atual. Mas legal mesmo até aqui é o capítulo
      sobre o início da Disco Music, quando esta ainda era uma cena
      underground de New York que servia de refúgio a duas importantes
      minorias: negros e homossexuais ( quem conhece a estória da House de
      Chicago e do Techno de Detroit deve ter reparado na coincidência).
      Destaque todo especial para um DJ chamado Francis Grasso, que
      praticamente inventou sozinho a técnica de "beat mixing" antes do
      surgimento do mixer, e é considerado o primeiro DJ moderno, isto é,
      cujo trabalho mais se assemelha ao que fazem os DJs de hoje. De mero
      trocador de discos ( que até então pertenciam ao clube onde o DJ se
      apresentava), Grasso virou figura central dos clubes onde tocava,
      todos na cena underground de New York, como Salvation Too ( onde
      estreou, em maio de 1968, substituindo o residente Tery Noel, que se
      atrasou por causa de uma viagem de LSD e foi demitido ao chegar), The
      Sanctuary ( considerada a primeira Discoteca gay dos Estados Unidos)
      e The Haven. Grasso comprava seus próprios discos, e para isto
      pesquisava bastante em lojas como a extinta Colony Records, em Times
      Square.
      Traduzindo trecho da página 129:

      "Francis Grasso foi o primeiro DJ a apresentar uma performance
      verdadeiramente criativa. Ele foi o primeiro a mostrar que uma noite
      cheia de discos poderia ser uma coisa única: uma viagem, uma
      narrativa, um set.

      Antes dele o DJ poderia achar que alguns discos tinham o poder de
      afetar o humor e a energia de um público; somente depois dele o DJ
      descobriu que este pertencia a si mesmo e não aos discos. Ele residia
      na maneira como o DJ usava sua técnica para manipular o público na
      pista, na maneira como ele intercalava ou programava as músicas nos
      discos, e somente num grau muitíssimo menor nos próprios discos."

      Grasso viveu como um verdadeiro astro enquanto atuou como DJ: nunca se
      casou, mas chegou a noivar 3 vezes ( uma delas com uma coelhinha da
      Playboy), transou com centenas de mulheres diferentes, gastava mais
      com drogas do que com seu aluguel, e quando saiu de um clube
      controlado pela máfia para abrir um clube próprio levou uma surra que
      o deixou no hospital por 3 meses fazendo plásticas no rosto e, quando
      saiu, descobriu que seu vizinho havia se mudado e roubado todos os
      seus discos. Mesmo assim trabalhou como DJ até 1981, e hoje trabalha
      com construção e se mantém afastado da cena, alegando que hoje os
      discos facilitam tudo, enquanto que na sua época ele precisava tocar
      por 10 horas seguidas e mudar discos a cada 2 minutos...

      *** O texto completo falando sobre o livro na época foi divulgado em
      3 partes (essa aí de cima saiu no Informativo #004, em out/02. A
      Claudia Assef me disse uma vez que este livro foi uma das suas
      principais inspirações para escrever "Todo DJ Já Sambou".

      Aproveitando a oportunidade (e ilustrando um pouco do que o livro tem
      de bom), publico abaixo outro texto meu inspirado no livro (publicado
      no Informativo #018, em julho de 03):

      #4. A Origem do Single de 12"

      Fonte: "Last Night a DJ Saved My Life", páginas 178 e 179, por Bill
      Brewster & Frank Broughton:

      Tom Moulton foi um dos primeiros caras a fazer remixes ( e que por
      sinal era modelo, e não DJ). Ele gerava fitas cassete com o que
      estritamente eram ainda reedições, e não remixes: ele cortava e
      recortava a faixa usando gravador de rolo, e depois gravava o
      resultado em fita cassete e às vezes mandava prensar no formato
      compacto de vinil da época ( 1974-1975), que tinha 7 polegadas.

      Um dia Moulton procurou Jose Rodriguez, que prensava em compacto suas
      recriações, e este engenheiro de masterização estava sem compactos de
      7 ", propondo então gravar em um vinil de 12". Resposta inicial de
      Tom: "Eeugh, that's ridiculous". Rodriguez replicou: "então vamos
      espalhar os sulcos ("grooves" em inglês - entendeu agora de onde vem
      a expressão?) e fazê-lo mais alto". E quando Moulton ouviu quase
      teve um troço, espantado com a qualidade do som ! A música era "So
      Much For Love", por Moment of Truth, e o single só foi distribuído
      para alguns amigos de Moulton, tendo sido lançado comercialmente
      apenas em compacto. A coisa demorou um pouco a pegar, e o livro
      cita "Dance Dance Dance", de Calhoun como tendo sido o primeiro
      single de 12" lançado comercialmente, na primavera de 1975.

      O livro cita o single de 12" como sendo o único formato de música
      gravada imposto por pressão do público ( no caso sob a liderança dos
      DJs) e não como iniciativa de marketing das gravadoras ( se bem que
      hoje temos a "briga" do MP3).

      Acho que tudo isto ajuda a entender um pouco melhor o apego que os
      DJs que tocam vinil têm por esta mídia, afinal o formato vingou
      graças a eles, e veio na época lhes facilitar muito a vida, dada a
      melhor qualidade da reprodução do som e à capacidade mesmo do 12",
      evitando que o DJ tivesse duas cópias do mesmo single para não
      precisar mudar de lado no meio da música...
      ***

      Ah, por último: o livro conta com maiores detalhes (no início do
      capítulo "Night Train") a estória do Jimmy Savile, de Otley,
      Inglaterra, realmente o primeiro DJ de que se tem notícia...

      []'s

      Ivo


      --- Em bh-vibe@..., andre wakko <andrewakko@y...>
      escreveu
      > A historia do primeiro dj "moderno"...o cara acertava
      > o BPM sem controle de pich, fissurinha....
      >
      >
      > outra da Naomi...
      >
      >
      >
      >
      > Written by Naomi Niles
      > FRANCISCO GRASSO
      > THE FIRST MODERN DJ
      >
      >
      > Picture http://ped111251.tripod.com/
      > John England
      >
      >
      >
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