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11212Entrevista com Luis Eurico Klotz

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  • Igor UOL
    7 de abr de 2005
      O cara é criticado até na pqp, mas vale a pena ler a entrevista....

      http://www.rraurl.com/cena/entrevista.php?rr_entrevista_id=1377

      O pontapé inicial de Luis Eurico Klotz na noite paulistana foi o BASE, em 96, clube que impulsionou a música eletrônica nacional. E foi por essa antiga sauna dos anos 50 que passaram nomes como Paul Van Dyk, Kevin Saunderson, Mr. C e Bushwacka!, na época sua primeira aparição por essas terras. Em 99, saiu de lá para montar a U-Turn, outro forte clube da música eletrônica brasileira.

      Até o ano passado, era dele a assinatura do line up mais polêmico de todo o ano: o Skol Beats, projeto onde hoje atua de forma indireta. Mas não pára aí. Quando assunto é Parada, seu nome também dá pano pra manga. Em um primeiro momento, Klotz não queria dar essa entrevista ao rraurl. Conheça agora esse e outros porquês do empresário.


      » O BASE foi um "divisor de águas"?
      Foi o primeiro clube com um projeto específico para trazer DJs internacionais, o Camel Connection. Foi um projeto que foi negociado no final de 97 e que ficou em curso durante 98. Antes do clube BASE, a música eletrônica era restrita aos clubes underground, nichos.

      » E você se considera um dos responsáveis por tirar a música eletrônica desse reduto?
      Não saberia te responder... André, eu faço minha parte. Não sei se sou um dos responsáveis. Tô aqui trabalhando e pagando as contas (risos).

      » Seus projetos sempre contam com patrocínio de grandes marcas? A U-Turn também era assim?
      Sim. A U-Turn era uma casa patrocinada pelo Free, os cigarros da Souza Cruz. A empresa licenciava o Camel Connection. E essa parceria, ninguém sabe, mas ela foi a origem do Skol Beats. O Camel foi o primeiro projeto de uma multinacional que apostou em trazer DJs para um clube brasileiro. E no final de 98, a então agente de marketing da Camel queria tornar o projeto maior, sair do clube. Em 99, a gente levou a proposta de fazer um festival mesmo. Só que a marca Camel tinha sido vendida na época e os investimentos cessaram no Brasil. E a gente parou com isso. E o Pedro Cruz, que era gerente de marketing da Skol, e já tinha uma conversa para patrocinar a U-Turn, entrou na parada. E por isso o "Camel" é o embrião do "Skol", porque o projeto foi pensado para essa primeira marca e acabou indo pra Skol.

      » Quando você viu que era viável vincular essas marcas aos eventos de música eletrônica?
      A gente já fazia e ia em festas, raves. E a gente sabia das dificuldades que se tinha de se ter um grande patrocinador com festas informais. E era claro pra mim, minha formação é Marketing. A festa informal, e até hoje é assim, as raves não têm uma estrutural legal, formal. Algumas poucas hoje são, mas naquela época nenhuma era. Elas não tinham questões de segurança, capacidade de produção e até mesmo "entrega" que uma empresa como aquela espera.

      » "Entrega"?
      Entrega em todos os sentidos. No sentido de merchandising, ações promocionais, tudo o que uma empresa que coloca dinheiro e quer investir em um evento espera de retorno. Ela não quer só dar dinheiro, ela quer ver sua marca bem exposta.

      » E para viabilizar o Skol Beats, como foi? Vocês criaram uma empresa?
      Em 2000, eu me associei a uma produtora para realizar o Skol Beats. Sempre com a parte artística. E deixei a sociedade da U-Turn porque não haveria tempo de fazer as duas coisas. Aí, depois do primeiro Skol, eu vi que era um mercado que queria abraçar e montei esse escritório. A Sponge surgiu assim.

      » Evento de música eletrônica é sinônimo de espaço para coisas novas?
      Até como parte do trabalho aqui (Sponge), a gente tem obrigação de ouvir o que é novo, tendência. Mas nem todo evento precisa ser tendência. Isso é um ponto a ser levantado. Alguns são só para levar o que acontece.

      » Skol Beats?
      Por exemplo. Ele leva um pouco de tendência, do que tá acontecendo lá fora. Mas é muito difícil você experimentar, mostrar tendência para 20 mil pessoas. Eu já vi isso e sei o que acontece quando você mostra tendência para essa quantidade de público.

      » O que acontece?
      As pessoas vão embora. Porque a tendência é sempre para quem tá antenado. E o Skol Beats virou um evento massificado. Isso é ótimo. Todo underground quer virar mainstream de alguma maneira. São poucas as pessoas que têm uma mentalidade de "eu quero ficar no underground". Pode até ser da boca pra fora. Eu acho que um festival desse tamanho pode ter momentos específicos de levantar tendências. Mas esse não é o principal objetivo.

      » Como é o trabalho de seleção do diretor artístico do SB?
      Eu recebo muito promo, CD mixado, tanto daqui como de fora. Procuro sair bastante e viajar 3, 4 vezes por ano pra fora pra ter contato com tudo que acontece. A pesquisa é incessante.

      » E você viaja muito aqui no Brasil?
      Eu viajo praticamente todo final de semana. Tô sempre em algum lugar vendo gente diferente tocar, indo em festa da qual participo ou sou convidado. Fora o material que eu recebo. Essa é uma maneira de eu ficar ligado no que tá acontecendo.

      » Eu pergunto isso porque o line up do SB é sempre questionado.
      Sempre vai ser. No começo, eu ficava até ficava chateado. Agora, não tô nem aí. No Brasil é assim: todo mundo era médico ou técnico de futebol. E agora todo mundo virou grande entendedor de música eletrônica. Então eu imagino que tenham outros "n" melhores que eu. No próprio site em que você escreve, todos os caras que entram no fórum são melhores que eu. Os 550 mil...

      » Ah, então você passa por lá?
      Não, seu site eu não visito.Não visito porque até pouco tempo atrás ele não era um site que privilegiava as coisas boas. Ele era um site que falava mal das coisas. Ele mudou o perfil há pouco tempo. Passou a ser realmente um site de notícia, e não um site de comentários. Eu não preciso ouvir comentário dos outros. Eu gosto de perder meu tempo para ler novidades, notícias, não o que um cara pensa sobre alguma coisa. Se eu quero saber o que alguém pensa de alguma coisa, eu pego o telefone e ligo pra ele. Ele mudou o perfil há pouco tempo e mesmo assim tem uma tendência a ser Folha de São Paulo...

      » A Folha também bate?
      Todo jornalista tem essa... essa... predisposição a comentar o fato. Acho normal. Mas enfim, essa polêmica do line up nunca vai acabar. Agora, quem tá aqui, ou quem poderia estar, vai ter que lidar com uma preocupação de verba. Ninguém sabe, nem nunca foi dito o tamanho da verba que se gasta. Outra: todos os acordos foram feitos para que esse line up tenha um estilo musical. E eu escolhi dessa maneira. Pode ser que tenha outro cara que na minha cadeira tivesse dito "não. Vamos tocar psicodélico, hard techno e breakbeat". Agora, se dá certo, "se ganha a copa", vão 50 mil pessoas, puxa vida... O line up poderia ter sido feito de outras 150 maneiras. Mas até o Ronaldo é criticado, né?

      » Você já errou no line up? Teve alguma vez que você achou que poderia ser sido melhor?
      Todo ano. Todo ano a gente tem gratas surpresas e grandes decepções. Normal.

      » Algum exemplo?
      Rolando, do Underground Resistance. Nem lembro que ano foi, mas foi uma baita decepção. Quem mais... Richie Hawtin no final do ano passado não "entregou". E para mim, é um dos melhores. E eu achei que o set dele não foi o que eu achava que poderia ter sido.

      » E o horário que ele tocou? Não prejudicou?
      Não é horário. É o que ele "entregou", independente do horário. Eu já vi ele tocar em vários horários e fazer loucuras com a pista. Quem mais... LTJ Bukem. E eu ainda acho o Bukem um DJ e produtor fantástico. Só que ele tocou num horário em que as pessoas queriam algo mais forte, não tão sofisticado. E aí a tenda ficou vazia. Então eu acho que Bukem poderia ter tocado em um horário diferente. Todo ano a gente aprende.

      » E você falou da Folha de São Paulo, acho que foi lá que saiu uma foto com o Hawtin exibindo seu dedo médio para um técnico de som. Aquilo te incomodou? Era pertinente? [N.E.: Luis Eurico é diretor artístico do Skol Beats e não tem responsabilidade direta sobre problemas de som]
      Não. Ele tava reclamando de alguma coisa que provavelmente era pertinente.

      » O som?
      É... Ele chegou depois e queria... Se eu não me engano, tinham 12 caixas de retorno ali. Eu não lembro como a ligação foi feita, enfim, demorou para a coisa técnica engrenar. Como teve problema também de um segurança subir no palco para parar o set.

      » Isso foi bem esquisito...
      É... Foi esquisito, tem um monte de coisa esquisita. O esquisito tá na nossa vida o tempo todo. Agora, eu não vou me pegar por isso. Vou focar no que foi bom.

      » Você falou que costura acordos para fazer o SB. Como são esses acordos?
      Os acordos são vários. Todo mundo pensa "ah, vamos colocar o Erick Morillo para tocar". Vai lá "bookar" o Erick Morillo. Vê quantas propostas para tocar aqui ele tem, os seus preços. E demora um ano para dizer o horário que ele vai tocar para não conflitar com o Pete Tong, que é um rival dele, e os dois vão querer o mesmo horário... Essas "costuras" são conversas e muita paciência.

      » Nesses acordos, tem alguma coisa envolvendo agência?
      Não tem acordo, tem relacionamentos. Logicamente, quanto mais você "booka" DJs de uma agência você tem mais intimidade, afinidade. Mas o agente é muito claro: qual o evento? Qual a proposta - financeira e artística? E é isso. Se a grana não for boa, meu amigo, o cara pode ser seu irmão, mas ele vai aceitar a proposta do Japão que é três vezes maior e vai tocar lá no mesmo final de semana. Qual que ele vai escolher? "n" fatores: grana, momento, se tem ou não álbum, se vai estar na América do Sul, se o promotor é correto. Enfim, "n" fatores. Não é só mandar um e-mail. Por isso que as pessoas quando criticam falando assim "por que fulano não tá tocando?". Para ter aquele line up, imagina quantos não disseram "não". Que a gente queria trazer e não dá.

      » Esse ano tem algum assim?
      Ah, "n". Não pode, não quer, a grana não foi suficiente, tá em estúdio, não interessa... Eu acho engraçado esse "faltou fulano, faltou aquele", como se não fosse pensado. Por isso que eu digo: todo mundo entende bastante de música eletrônica.

      » Minha pergunta (sobre os acordos) é conseqüência de uma certa predominância de nomes da Hypno no casting. Estou errado?
      Sempre vai haver. Como é que você faz um evento sem Noise, Cohen, Marky, Patife e Xerxes? Me explica. Quem é o maior nome do house progressivo no Brasil? Tem vários, mas quem tem 25 datas por ano? Leozinho. Quem é o nome do Techno que quando toca na Argentina atrai legiões, e que tá começando a tocar lá fora? Fabrício Peçanha. Da onde ele
      é? Da Hypno. A seleção já jogou tendo como base o time do São Paulo. Lembra quando a base da seleção era o São Paulo? Então...

      » E no caso você é "são paulino"?
      Sou. Eu tenho a consciência tranqüila. Se eu tô pegando DJ da Hypno, da Smartbiz, da Re-existência, da Eletronika é porque a pessoa merece estar, não porque eu tenho preferência. Eu continuo ganhando a mesma coisa.

      » A Ambev opina sobre o line up? Eles interferem?
      Eles sempre questionam. Aí gente explica o porquê. Nunca houve um "eu não quero esse, quero esse". Opinam no processo porque querem entender.

      » Esse ano você está oficialmente afastado do SB?
      Esse ano nosso escritório está fazendo, é o Edo (Van Duyn) que tá atendendo. Eu sou diretor de uma outra agência de marketing promocional, a 360°, que é concorrente da B/Ferraz. Então, por uma razão política, eu não apareço.

      » E sobre sua atuação na Parada da Paz. Como era?
      Eu participava até 2003, com o Beto Lago. Era sócio da Parada da Paz, ainda sou. Embora não tenha acontecido em 2003 e 2004 - em 2003 houve uma parada feita pela Ame e em 2004 não teve - eu participei em 2002. A Parada da Paz nunca morreu. O que houve foi um amordaçamento político da nossa iniciativa.

      » Em que sentido?
      Em que sentido? Em 2003, houve uma preferência da prefeitura para que a Ame organizasse a Parada, e não nós. Tanto que houve a Parada da Ame e a gente ficou impossibilitado de exercer o que vinha fazendo há 7 anos. E em 2004 não houve porque para nós não havia interesse nenhum. Primeiro porque a gente não ia conseguir, as pessoas responsáveis pela liberação de ofícios ainda eram as mesmas. E também a gente não teve nenhuma iniciativa de fazer, tava esperando o tempo passar. Mas temos o interesse em continuar fazendo o que a gente sempre fez.

      » Não existe a possibilidade de fazer um acordo e realizar uma parada só?
      Nunca haverá. (pausa) André, você tem um negócio próprio?

      » Não.
      Seu pai tem?

      » Tem, uma gráfica. E?
      Pois bem. Como chama seu pai?

      » Seu Carlos. E?
      "Seu Carlos, a gente pode ser sócio da sua gráfica? Por quê? Porque a gente quer se dono agora". Então, durante 7 anos você faz um negócio e de repente vem outro grupo e quer fazer uma outra Parada. Tudo bem, todo mundo tem direito, mas querer entrar na nossa ou querer que a gente participe... Não entendo o por quê.

      » E durante o ano não há como fazer as duas?
      Eu não sei quanto aos outros órgãos, ou organismos, ou entidades, ou qualquer outro nome que você queira dar. Eu só digo que a Parada da Paz, do jeito que ela foi feita, e do jeito que é nosso grupo, ela só vai ser feita com o nosso grupo. Não tem razão incluir outras pessoas para organizar e administrar uma Parada porque ela já existe. Pelo nosso ponto de vista, se ela conseguir as liberações, ela vai continuar existindo. E se outras pessoas quiserem fazer outras Paradas, por favor. Mas conosco, não. Ponto.

      André dos Santos


      [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]