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10754Rose Bom Bom

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  • Igor Lopes
    19 de jan de 2005
      Fonte: Folha de São Paulo

      Ícone dos anos 80, Rose Bom Bom volta à ativa para unir tribos
      DA REPORTAGEM LOCAL

      O Brasil não tinha eleições diretas para presidente; os meninos
      brincavam com um boneco barbudo e hipermásculo, o Falcon; na TV, o
      palhaço Bozo era a sensação; o paralamas Herbert Vianna tinha cabelos
      crespinhos e usava óculos. A modelo Monique Evans, ainda não
      convertida a uma seita neopentecostal, era a versão parede de
      borracharia da outra modelo, Luiza Brunet.
      Foi nesse Brasil paleolítico de 21 anos atrás que surgiu a danceteria
      Rose Bom Bom. É um pouco desse país que se tentará ressuscitar amanhã,
      quando o novo Rose reabrir as portas fechadas durante 15 anos.
      O local escolhido pelo empresário Angelo Leuzzi para a reestréia é a
      cobertura da galeria Ouro Fino (rua Augusta, 2.690, Jardins). O
      endereço, que abriga 110 lojas, é referência para o pessoal que adora
      moda. Nesse mundo, "retrô" ou "usado" recebe o nome de "vintage" e
      vira chique -ótimo para quem quer trazer de volta, sem parecer
      nostálgico, o som de Devo, B-52's, Clash ou Police (em vinil, que era
      o que tocava havia 20 anos; o CD só explodiria bem depois).
      Como da primeira vez, Leuzzi será o DJ da casa. Ele espera repetir a
      química que fez do primeiro Rose um ponto de encontro de gente tão
      diferente quanto o herdeiro e playboy Chiquinho Scarpa, João Gordo
      quando era apenas o vocalista da banda punk Ratos de Porão, Monique
      Evans ou Renato Russo. "O Rose tinha isso: o punk moicano comendo ao
      lado do casal de black-tie", lembra Leuzzi.
      Há 20 anos, o Rose intercalava o som das picapes com apresentações ao
      vivo de bandas como Titãs, Ultrage a Rigor, Plebe Rude, Engenheiros do
      Hawaii. No pequeno palco de apenas três metros de largura por dois de
      comprimento, os oito integrantes da formação original dos Titãs se
      acotovelavam para tocar "Sonífera Ilha", o primeiro hit. Eram duas ou
      três entradas de meia hora por noite, sempre encerradas com o
      providencial café da manhã servido para os últimos combatentes, pouco
      antes de a danceteria fechar.
      Pulava-se do Gallery e do Victoria Pub (mais caros) para os modernos
      Radar Tan Tan, Madame Satã, Rose Bom Bom ou Napalm. Esses últimos eram
      destino de universitários depois das reuniões em que planejavam
      derrubar o regime.
      Hoje, a noite tem programas cada vez mais segmentados, para ouvir
      música e dançar, incluindo alguns concorrentes diretos do novo Rose,
      já que especializados nos anos 80, como Autobahn (na Vila Madalena) e
      Trash 80's (na região central).
      "Nos dias de hoje, talvez seja uma utopia reunir várias tribos de
      novo, mas a gente vai tentar", diz Leuzzi. Quando fechou as portas, há
      15 anos, o Rose recebeu do publicitário José Zaragoza o epitáfio: "O
      Rose foi Bom." Ressurrecto, o Rose tem de provar que, no presente,
      segue bom. (LAURA CAPRIGLIONE)