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Canto do Livro

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  • Sulinha - Cidad3
    Quem dera!Posted: 15 Mar 2015 04:26 AM PDT  Parabéns, livreiroPosted: 14 Mar 2015 04:19 AM PDT Dia 14 - Dia do Livreiro e da Livraria Entre os mais humildes
    Mensagem 1 de 152 , 16 de mar de 2015
      Posted: 15 Mar 2015 04:26 AM PDT
       

      Posted: 14 Mar 2015 04:19 AM PDT

      Dia 14 - Dia do Livreiro e da Livraria

      Entre os mais humildes comércios do mundo está o do livreiro. Embora sua mercadoria seja á base da civilização, pois que é nela que se fixa a experiência humana, o livro não interessa ao nosso estômago nem a nossa vaidade. Não é portanto compulsoriamente adquirido. – O pão diz ao homem: ou me compras ou morres de fome; – O batom diz á mulher: ou me compras ou te acharão feia. E ambos são ouvidos. Mas se o livro alega que sem ele a ignorância se perpetua, os ignorantes dão de ombros, porque é próprio da ignorância sentir-se feliz em si mesma, como o porco com a lama. E, pois o livreiro vende o artigo mais difícil de vender-se.
      Qualquer outro lhe daria maiores lucros; ele o sabe e heroicamente permanece livreiro. E é graças a esta generosa abnegação que a árvore da cultura vai aos poucos aprofundando as suas raízes e dilatando a sua fronde. Suprimam-se o livreiro e estará morto o livro – e com a morte do livro retrocederemos á idade da pedra, transfeitos em tapuias comedores de bichos de pau podre. A civilização vê no livreiro o abnegado zelador da lâmpada em que arde, perpetua, a trêmula chamazinha da cultura. ”
      (O livreiro, Monteiro Lobato)

      Posted: 13 Mar 2015 04:24 AM PDT
      Instantâneo de Gabriel García Márquez lendo
      O principal dever político de um escritor é escrever bem
      Gabo

      Posted: 12 Mar 2015 03:12 AM PDT

      Posted: 10 Mar 2015 03:40 AM PDT

      Posted: 08 Mar 2015 04:40 AM PDT
      Foto: Adolfo Kaminsky (Paris)



      Posted: 07 Mar 2015 03:54 AM PST
      Posted: 06 Mar 2015 02:54 AM PST
      Vi um livro no lixo e arrepiei-me pensando que há livros que nascem mortos. Pode-se viver sem ler ? Quem não lê não entra no rio da história e quem lê é como o mar onde desaguam muitos rios. Comprar um livro é sempre como a primeira vez, como quem marca um encontro para receber uma confidência. Uma casa sem livros está desabitada, é uma pensão... Os livros são janelas. Hoje vou abrir uma delas
      Vasco Pinto de Magalhães





       
    • centroculturalresistencia
      Pronta para o fim de semana http://feedproxy.google.com/~r/CantoDoLivro/~3/zz7vq4ervvY/pronta-para-o-fim-de-semana.html?utm_source=feedburner&utm_medium=email
      Mensagem 152 de 152 , 5 de jun
        Posted: 03 Jun 2017 07:04 AM PDT
        Todo preparado para un fin de semana lector ( ilustración de Chassam)
        Chassam
        Posted: 03 Jun 2017 07:02 AM PDT
        Saudade dos meus sonhos e devaneios. Gostava de viajar de bonde carregando livros.
        Imagem relacionada 
        Ora lia, ora fingia ler para impressionar aos demais passageiros. Não tendo concluído meus estudos, simples caixeiro, andava sempre às voltas com livros; recuperava assim a minha personalidade na sua pueril pretensão de oferecer-me um aspecto exterior de letrado
        Augusto Frederico Schmidt
        Posted: 03 Jun 2017 06:39 AM PDT
        Book exchange point in Goslar, Germany / via Petr Olly:
        Posto de troca de livros em Goslar (Alemanha)
        Posted: 03 Jun 2017 06:34 AM PDT
        Conto uma verdade de Rungo Alberto, meu completo amigo, perdido em escura noite na ilha da Inhaca. Ele nasceu junto do mar, em lugar onde terra e água se fronteiriçam. Dizia: “minha água-natal”. Rungo já não se abastecia de ilusão: tudo é areia sem castelo. O que ele queria era ver chegar a Paz. Nisso se duvidava. Afinal, a única maneira de a guerra terminar é ela nunca ter começado. Lá tinha suas razões. Porque ele era um fugido da guerra. Magro: descurava um esterno muito externo. Cabelo branco mas por indevida idade.

        Me chamava assim: Mio Conto, Mira Cuito, Miraconcho. Me desapelidava? Não, aquilo era simples inclinação do peito. Uma amizade funda lhe fazia inventar aqueles todos nomes. Um só não serviria. Eu ria: há tanto que precisava aquela falha de identidade. Há tanto eu carecia de certidão de inabilitações. Mas eu naquele amigo punha também as muitas visões. Rungos, tantos ele era. Qual deles o verdadeiro? Pois, meu suposto Rungo Alberto, uma certa manhã anunciou:

        - “Vou construir um barco!”

        Duvidei. Rungo Alberto era uma pessoa muito instantânea mas aquele caroço me parecia maior que a garganta. Não sendo engenheiro marinho, nem tendo artes de carpintaria, onde iria ele buscar qualificação? Rungo virou costas entoando sua única canção. Uma vez mais me inquiririu:

        - “Não conhece esta canção? É um hino quase nacional”.

        Resultado de imagem para barquinho de papel

        Na manhã seguinte, o homem deitou mãos à manobra. Sua oficina foi instalada numa clareira da floresta, perto da Estação de Biologia. Para ali ele passou a se deslocar muito diariamente, em competição com a madrugada. Se escutavam os martelos, fazendo calar a piadeira da passarada. Manhã à noite, Rungo Alberto instrumentava nos enormes troncos. Convertera-se em mercenário marceneiro? Na oficina do improvisado construtor de navios, se viam intermináveis troncos transitando de madeira para tábua.

        Eu queria espreitar, ele recusava. A construção não podia ser olhável. Assim se protegia de invejas e feitiços. Ele engenhava o barco como o mar fabrica os corais, petrificando o rendilhado de suas espumas. Os ilhéus passavam por ali, gozavam com a proclamação de Rungo. Podia um semi-urbano se aventurar a embarcadeiro?

        Uma madrugada, Rungo me alvoroçou a janela. Coração aos tropeços, ele me conduziu pelos atalhos secretos que desaguavam em sua oficina:

        - “Você se arregale, mano”.

        Apontava uma enorme embarcação. Me espantei. Aquilo era um barco, autêntico, da proa à ré. Superava a dezena de metros, lindo de pintado: azul, branco, castanho. O mastro, vaidoso, ascendia a copa da floresta. Rungo Alberto, porventuroso e circunsperto, me afrontava. Não encolhi uma dúvida:
        - “Agora, caro Rungo, eu lhe pergunto: como vai levar o barco até ao mar?”

        Tudo ele tinha antepensado. “Os estudantes”, me respondeu sorrindo.

        - “Os estudantes?

        - “Sim, os seus alunos podem tchovar o barco. Peço: fale com eles”.

        Não houve estudante que se furtasse. Todos juntaram braços e alegrias. Quatro horas depois o barco entrava nas ondas do Índico. Rungo abriu vinho português, despejou as primeiras gotas sobre o barco, outras sobre o mar. Só depois a garrafa circulou por todos. Abençoado, o barco parecia se afeiçoar melhor ao bate-onda. No baptismo a criança é que abençoa o mundo?

        Os estudantes voltaram às camaratas, algazarrentos. Na praia fiquei eu e ele contemplando o barco no embalo de seu destino.

        - “E agora que vai fazer com ele?

        - “Com o barco?”

        Não sabia, nem queria ideia. Fizera o barco, provara. A viagem era outro assunto. Insonhável.
         
        “Minha viagem foi esta, eu termino aqui”. Mas, então qual o beneficio da obra?

        - “Não é no deserto que ganhamos miragem?”

        Durante dias ele sentou na praia contemplando o barco. Parecia ancorado à sua própria vitória. Rungo perdera a noção, divaguava? A mulher zangava-se: em casa, Rungo não dava atendimento. E ela me pediu em choro: eu que acudisse à réstia do senso dele...

        - “Eu, mulher, não tenho voto na madeira. Esse homem é casburro”.

        E ela se calou. Rungo era tão bom que ninguém aguentava ser inimigo dele. Aquilo era maldição, serviço encomendado dos aléns. Ela sabia, ali se vivia muito oralmente. E, nessa tarde, ela foi ao feiticeiro. O depois não se esperou.

        Nessa mesma noite rebentou uma tempestade de escangalhar o oceano. O barquinho se soltou do mundo, desnavegou pela escuridão. Rungo, dizem, foi no encalço da sua criação.

        Dias depois, o país via chegar a Paz. Ainda hoje, de regresso à ilha, eu me sento junto ao mar. Quem sabe da estória de Rungo, seu barco vogando na outra margem? Com suas águas sempre moventes, o mar não nos deixa ver o tempo. Quem me encara, espreitando o poente, acredita que eu me consagro a saudades. A tristeza é uma janela que se abre nas traseiras do mundo. Através dela eu vislumbro Rungo Alberto, meu velho amigo. Depois, um deserto me engole a alma. Estrangeiro é o lugar onde não se espera ninguém.

        Mia Couto
         Canto do Livro


        Posted: 29 May 2017 08:35 AM PDT
         :
        Posted: 29 May 2017 08:36 AM PDT
        Meses antes de terminar Cem Anos de Solidão, Gabriel García Márquez amargava sérias dúvidas sobre a qualidade de um romance que se tornaria um clássico da literatura. "Quando li o que tinha escrito", confessou por carta a um amigo, "tive a desmoralizante impressão de estar metido numa aventura que tanto podia ser afortunada quanto catastrófica". Algo pouco conhecido é que García Márquez publicou sete capítulos de Cem Anos de Solidão para aplacar essas dúvidas. E fez isso antes de acabar o livro (o que aconteceu em agosto de 1966) e de assinar o contrato com a Editorial Sudamericana, que firmou em 10 de setembro do mesmo ano. A obra foi lançada em 30 de maio de 1967. Na próxima terça-feira fará 50 anos.

        Os sete capítulos foram publicados em jornais e revistas que circulavam em mais de 20 países. Representam mais de um terço do livro, que ao todo tem 20 capítulos. Nem sequer há cópias deles no arquivo pessoal de García Márquez no Harry Ransom Center, no Texas, que abriga seu legado. Para encontrar seu rastro é preciso percorrer bibliotecas na França, Estados Unidos, Colômbia e Espanha.

        Os capítulos caíram no esquecimento porque se acreditava que eram idênticos aos publicados na primeira edição, de 1967, do livro. Só que a comparação das versões revela outra realidade. Desde a primeira página há mudanças na linguagem, na estrutura e na descrição dos personagens. Isso dá aos capítulos esquecidos grande valor literário para entender como a obra foi escrita. García Márquez afirmou que tinha queimado as notas e os manuscritos preparatórios depois de receber a primeira cópia do livro.


        O primeiro capítulo saiu em 1º de maio de 1966 no El Espectador, de Bogotá, quando ainda faltavam três meses para finalizar a obra. Entre essa versão e a edição final de 1967 há 42 alterações significativas, que aparecem desde a primeira página. As casas de Macondo, por exemplo, não eram "de barro e taquara" como na edição final, e sim simplesmente de "adobe". O escritor buscava uma linguagem mais precisa.

        Também há modificações importantes na estrutura geral do livro. Por exemplo, na edição de 1967, a ação destruidora dos cupins, que anuncia o declínio da casa da família Buendía, é descrita mais para o final da obra. Mas na versão de El Espectador, "o cupim minava os alicerces da casa" desde o primeiro capítulo. Referências tão no começo aos insetos davam dramaticidade à futura decadência da casa.

        Na edição definitiva, Macondo é um povoado isolado da civilização, com localização exata desconhecida. Ao contrário, no capítulo de El Espectador, Macondo é localizada com facilidade, pois fazia fronteira "a Oeste com as dunas do rio La Magdalena", na Colômbia. García Márquez suprimiu esse e outros detalhes sobre a localização precisa da cidadezinha para criar no leitor a impressão de que poderia ser um lugarejo típico de qualquer país latino-americano.

        Outra mudança surpreendente tem a ver com o nascimento do coronel Aureliano Buendía. Na edição final, o coronel "tinha chorado no ventre de sua mãe e nasceu com os olhos abertos", enquanto no capítulo de El Espectador o herói recebia tratamento pouco heroico e até prosaico: a parteira lhe dá "três palmadas enérgicas" para fazê-lo chorar.

        O capítulo seguinte que García Márquez testou com os leitores saiu na revista Mundo Nuevo em agosto de 1966. Publicada em Paris, essa revista se tornou a principal vitrine da literatura do boom latino-americano. Seus 6.000 exemplares mensais eram vendidos em 22 países, incluindo Estados Unidos, Holanda, Espanha, Portugal e quase toda a América Latina. Nesse capítulo encontrei 51 diferenças em relação à edição final. Por exemplo, José Arcadio, cuja mãe, Úrsula, temia que nascesse com rabo de porco, veio ao mundo como "um filho saudável", ao passo que na edição final o autor aumenta a dramaticidade ao escrever: "Deu à luz um filho com todas as suas partes humanas".

        A alquimia, tão importante nos capítulos iniciais, era mencionada em Mundo Nuevo usando o termo especializado "a Opera Magna". O escritor simplificou a leitura e optou somente por alquimia.

        Após a publicação do segundo capítulo, passaram-se cinco meses até a saída do seguinte. García Márquez deve ter empregado esse intervalo para revisar a obra, porque o novo capítulo era o mais arriscado: a ascensão ao céu de Remedios, a bela. O escritor escolheu para sua divulgação Amaru, uma revista peruana dedicada à literatura de vanguarda internacional. Seus leitores eram exigentes escritores e críticos literários. García Márquez não só comprovou a solidez literária desse capítulo com eles, como também o leu em voz alta a seu círculo de amizade em sua casa na Cidade do México. "Convoquei aqui as pessoas mais exigentes, competentes e francas", escreveu em carta endereçada a seu amigo Mendoza no verão de 1966. "O resultado foi formidável, especialmente porque o capítulo lido era o mais perigoso: a subida ao céu, em corpo e alma, de Remedios Buendía."

        Na revista literária colombiana Eco surgiu outro capítulo "perigoso": a morte de Úrsula, depois de viver entre 115 e 122 anos. Entre as alterações mais notáveis se destaca a eliminação de uma frase, ausente na edição de 1967, de Fernanda del Carpio, após a viagem de Amaranta Úrsula à Europa: "Meu Deus —murmurou Fernanda—, esqueci de lhe dizer para olhar para os dois lados antes de atravessar a rua".

        Em março de 1967, saiu na revista Mundo Nuevo o capítulo da peste da insônia, que flagelou Macondo. Como García Márquez explicou em várias entrevistas, seu intento era que a linguagem de Cem Anos de Solidão fosse mais antiquada na primeira parte (por exemplo, usou termos arcaicos para "instrumentos musicais" e "grande alvoroço"). Depois, afirmou o escritor, a linguagem se modernizaria conforme o romance chegasse ao final.
        Último tiro

        García Márquez disparou seu último tiro em abril de 1967, quando a revista mexicana Diálogos imprimiu o capítulo da chuva que cai sobre Macondo durante quatro anos. Entre as mudanças importantes figura uma que revela não apenas como o autor suprimia frases ou trocava palavras como também sua técnica para acrescentar conteúdo. Quando Fernanda del Carpio termina de repreender severamente seu marido, Aureliano Segundo, depois de um monólogo que ocupa várias páginas, na versão da Diálogos ela conclui que seu marido estava "acostumado a viver das mulheres". Mas na edição de 1967, Fernanda culmina sua bronca monumental com uma frase pletórica, carregada de força mitológica e religiosa. Afirma que seu marido estava "acostumado a viver das mulheres, e convencido de que tinha se casado com a esposa de Jonas, que ficou tão calma com a história da baleia".

        Por último, na semana anterior ao lançamento do livro, a revista argentina Primera Plana publicou um fragmento do capítulo sobre as 32 guerras do coronel Aureliano Buendía. Primera Plana era voltada ao grande público, e seus 60.000 exemplares semanais circulavam dentro e fora da Argentina. Embora já não tivesse tempo de fazer mudanças, García Márquez enviou um capítulo que deveria cativar o público de um continente que continuava marcado pelas guerrilhas insurgentes contra o poder, como a guerrilha do próprio coronel Aureliano Buendía.

        Como revela a correspondência de García Márquez, ao publicar os capítulos mais inventivos e "perigosos", o escritor anotou bem as sugestões feitas por amigos e leitores. A história por trás desses capítulos esquecidos de Cem Anos de Solidão revela o árduo trabalho de edição feito por García Márquez, em especial para aplacar aquela "desmoralizante impressão" que teve ao ler o que havia escrito de uma obra que a partir de 30 de maio de 1967 mudaria o rumo da literatura.

        Álvaro Santana-Acuña 
         Canto do Livro



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