> Lázaro disse:
> > Portanto:
> > DEUS NÃO AMA
> > DEUS NÃO TE CONHECE
> > DEUS NÃO É BOM
> > DEUS NÃO É LUZ
> > DEUS NÃO TEM IRA
> > DEUS NÃO SE REGOJIZA
> > DEUS NÃO PERDOA
> Renato Borba:
> Dizer o que Deus NÃO é, não seria no fim das contas uma forma de
> definição? Bem como a criação de excludentes dentro das
> caractericticas de Deus não seria também tirar partes do Todo
> (que alias é mais uma definação de Deus!)?
Sim, essa foi uma das saídas da filosofia do medievo. Não podemos dizer o que
Deus "é", nem definí-lo pelos conceitos humanos aplicáveis ao transcendente. Mas
pode-se, filosoficamente, fazer o exercício contrário, uma aporia negativa.
Vide:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teologia_negativa
Interessante, não?
Mais interessante ainda é perceber que (quase) todas as nossas "grandes"
questões, sacadas e discernimentos já foram tratados, em algum momento, pelos
2600 anos de produção cultural filosófica da humanidade ocidental. E que,
desprezando pontos de partida valiosos, tentamos reinventar a roda, como se o
mundo, o pensamento, o questionamento e a espiritualidade tivessem começado no
maravilhoso momento da entrada de nossa grandiosa geração no planeta azul.
Temos uma visão - iluminista - equivocada sobre a produção cultural e filosófica
(riquíssima) do perído medieval. Dizemos, arrogantes, que como vivemos em um
tempo da "luz da razão", um período em que Deus e o Subjetivo eram o tema
principal só poderia ser uma "Idade Das Trevas". É um preconceito, e dos mais
equivocados. Quando se trata de investigação do divino, do livre arbítrio, do
discernimento espiritual, das provas não religiosas e não dogmáticas da
existência de Deus, das manifestações do Uno, da filosofia da religião, da
trindade e da construção ética do que veio a ser a moral ocidental e seus
valores, aí sim que é fundamental compreender um pouco mais aquele período
significativo da humanidade. Imaginar que em 1300 anos não se produziu nada de
bom, justamente quando todo o nosso mundo atual era gestado, é no mínimo
ingenuidade.
Para quem se interessar sobre o tema, recomendo as obras de Etienne Gilson, que
são "a" referência para o período:
http://www.planetanews.com/autor/ETIENNE%20GILSON
Ou o didático e mais acessível volume 2 "Patrística & Escolástica" da obra
"História da Filosofia" do Miguel Reale.
Làz