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Para aqueles que desejam iniciar o estudo ou mesmo compreender o que é obessor,
segue Capitulo XXIII do Livro dos Mediuns de Alan Kardec que fala sobre o tema.

Abraços

Ricardo


CAPÍTULO XXIII

DA OBSESSÃO

Obsessão simples. - Fascinação. - Subjugação. - Causas de obsessão. – Meios de a
combater.

Entre os escolhos que apresenta a prática do Espiritismo, cumpre se coloque na
primeira linha a obsessão, isto é, o domínio que alguns Espíritos logram
adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos
inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento
infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem,
retiram-se. Os maus, ao contrário, se agarram àqueles de quem podem fazer suas
presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o
conduzem como se fora verdadeira criança.

A obsessão apresenta caracteres diversos, que é preciso distinguir e que
resultam do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que produz. A
palavra obsessão é, de certo modo, um termo genérico, pelo qual se designa esta
espécie de fenômeno, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a
fascinação e a subjugação.

Dá-se a obsessão simples, quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, se
imiscui, a seu mau grado, nas comunicações que ele recebe, o impede de se
comunicar com outros Espíritos e se apresenta em lugar dos que são evocados.

Ninguém está obsidiado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito
mentiroso. O melhor médium se acha exposto a isso, sobretudo, no começo, quando
ainda lhe falta a experiência necessária, do mesmo modo que, entre nós homens,
os mais honestos podem ser enganados por velhacos. Pode-se, pois, ser enganado,
sem estar obsidiado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito, do qual
não consegue desembaraçar-se a pessoa sobre quem ele atua.

Na obsessão simples, o médium sabe muito bem que se acha presa de um Espírito
mentiroso e este não se disfarça; de nenhuma forma dissimula suas más intenções
e o seu propósito de contrariar. O médium reconhece sem dificuldade a felonia e,
como se mantém em guarda, raramente é enganado. Este gênero de obsessão é,
portanto, apenas desagradável e não tem outro inconveniente, além do de opor
obstáculo às comunicações que se desejara receber de Espíritos sérios, ou dos
afeiçoados.

Podem incluir-se nesta categoria os casos de obsessão física, isto é, a que
consiste nas manifestações ruidosas e obstinadas de alguns Espíritos, que fazem
se ouçam, espontaneamente, pancadas ou outros ruídos. Pelo que concerne a este
fenômeno, consulte-se o capítulo Das manifestações físicas espontâneas. (N. 82.)

A fascinação tem conseqüências muito mais graves. E uma ilusão produzida pela
ação direta do Espírito sobre o pensamento do médium e que, de certa maneira,
lhe paralisa o raciocínio, relativamente às comunicações.

O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o Espírito tem a arte
de lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o
absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.
A ilusão pode mesmo ir até ao ponto de o fazer achar sublime a linguagem mais
ridícula.

Fora erro acreditar que a este gênero de obsessão só estão sujeitas as pessoas
simples, ignorantes e baldas de senso. Dela não se acham isentos nem os homens
de mais espírito, os mais instruídos e os mais inteligentes sob outros aspectos,
o que prova que tal aberração é efeito de uma causa estranha, cuja influência
eles sofrem.

Já dissemos que muito mais graves são as conseqüências da fascinação.

Efetivamente, graças à ilusão que dela decorre, o Espírito conduz o indivíduo de
quem ele chegou a apoderar-se, como faria com um cego, e pode levá-lo a aceitar
as doutrinas mais estranhas, as teorias mais falsas, como se fossem a única
expressão da verdade.

Ainda mais, pode levá-lo a situações ridículas, comprometedoras e até perigosas.
Compreende-se facilmente toda a diferença que existe entre a obsessão simples e
a fascinação; compreende-se também que os Espíritos que produzem esses dois
efeitos devem diferir de caráter. Na primeira, o Espírito que se agarra à pessoa
não passa de um importuno pela sua tenacidade e de quem aquela se impacienta por
desembaraçar-se. Na segunda, a coisa é muito diversa. Para chegar a tais fins,
preciso é que o Espírito seja destro, ardiloso e profundamente hipócrita,
porquanto não pode operar a mudança e fazer-se acolhido, senão por meio da
máscara que toma e de um falso aspecto de virtude. Os grandes termos - caridade,
humildade, amor de Deus - lhe servem como que de carta de crédito, porém,
através de tudo isso, deixa passar sinais de inferioridade, que só o fascinado é
incapaz de perceber. Por isso mesmo, o que o fascinador mais teme são as pessoas
que vêem claro. Daí o consistir a sua tática, quase
sempre, em inspirar ao seu intérprete o afastamento de quem quer que lhe possa
abrir os olhos.

Por esse meio, evitando toda contradição, fica certo de ter razão sempre. 240. A
subjugação é uma constrição que paralisa a vontade daquele que a sofre e o faz
agir a seu mau grado. Numa palavra: o paciente fica sob um verdadeiro jugo.

A subjugação pode ser moral ou corporal. No primeiro caso, o subjugado é
constrangido a tomar resoluções muitas vezes absurdas e comprometedoras que, por
uma espécie de ilusão, ele julga sensatas: é uma como fascinação. No segundo
caso, o Espírito atua sobre os órgãos materiais e provoca movimentos
involuntários. Traduz-se, no médium escrevente, por uma necessidade incessante
de escrever, ainda nos momentos menos oportunos. Vimos alguns que, à falta de
pena ou lápis, simulavam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem,
mesmo nas ruas, nas portas, nas paredes.

Vai, às vezes, mais longe a subjugação corporal; pode levar aos mais ridículos
atos. Conhecemos um homem, que não era jovem, nem belo e que, sob o império de
uma obsessão dessa natureza, se via constrangido, por uma força irresistível, a
pôr-se de joelhos diante de uma moça a cujo respeito nenhuma pretensão nutria e
pedi-la em casamento. Outras vezes, sentia nas costas e nos jarretes uma pressão
enérgica, que o forçava, não obstante a resistência que lhe opunha, a se
ajoelhar e beijar o chão nos lugares públicos e em presença da multidão. Esse
homem passava por louco entre as pessoas de suas relações; estamos, porém,
convencidos de que absolutamente não o era; porquanto tinha consciência plena do
ridículo do que fazia contra a sua vontade e com isso sofria horrivelmente.

Dava-se outrora o nome de possessão ao império exercido por maus Espíritos,
quando a influência deles ia até à aberração das faculdades da vítima. A
possessão seria, para nós, sinônimo da subjugação. Por dois motivos deixamos de
adotar esse termo: primeiro, porque implica a crença de seres criados para o mal
e perpetuamente votados ao mal, enquanto que não há senão seres mais ou menos
imperfeitos, os quais todos podem melhorar-se; segundo, porque implica
igualmente a idéia do apoderamento de um corpo por um Espírito estranho, de uma
espécie de coabitação, ao passo que o que há é apenas constrangimento. A palavra
subjugação exprime perfeitamente a idéia.

Assim, para nós, não há possessos, no sentido vulgar do termo, há somente
obsidiados, subjugados e fascinados.

A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade e também um
dos mais freqüentes. Por isso mesmo, não serão demais todos os esforços que se
empreguem para combatê-la, porquanto, além dos inconvenientes pessoais que
acarreta, é um obstáculo absoluto à bondade e à veracidade das comunicações. A
obsessão, de qualquer grau, sendo sempre efeito de um constrangimento e este não
podendo jamais ser exercido por um bom Espírito, segue-se que toda comunicação
dada por um médium obsidiado é de origem suspeita e nenhuma confiança merece. Se
nelas alguma coisa de bom se encontrar, guarde-se isso e rejeite-se tudo o que
for simplesmente duvidoso.

Reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:

1ª Persistência de um Espírito em se comunicar, bom ou mal grado, pela escrita,
pela audição, pela tiptologia, etc., opondo-se a que outros Espíritos o façam;

2ª Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a
falsidade e o ridículo das comunicações que recebe;

3ª Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se
comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem coisas falsas ou
absurdas;

4ª Confiança do médium nos elogios que lhe dispensam os Espíritos que por ele se
comunicam;

5ª Disposição para se afastar das pessoas que podem emitir opiniões
aproveitáveis;

6ª Tomar a mal a crítica das comunicações que recebe;

7ª Necessidade incessante e inoportuna de escrever;

8ª Constrangimento físico qualquer, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir
ou falar a seu mau grado;

9ª Rumores e desordens persistentes ao redor do médium, sendo ele de tudo a
causa, ou o objeto.

Diante do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é lastimável o serse
médium. Não é a faculdade mediúnica que a provoca? Numa palavra, não constitui
isso uma prova de inconveniência das comunicações espíritas? Fácil se nos
apresenta a resposta e pedimos que a meditem cuidadosamente.

Não foram os médiuns, nem os espíritas que criaram os Espíritos; ao contrário,
foram os Espíritos que fizeram haja espíritas e médiuns. Não sendo os Espíritos
mais do que as almas dos homens, é claro que há Espíritos desde quando há
homens; por conseguinte, desde todos os tempos eles exerceram influência salutar
ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica não lhes é mais que um
meio de se manifestarem. Em falta dessa faculdade, fazem-no por mil outras
maneiras, mais ou menos ocultas. Seria, pois, erro crer-se que só por meio das
comunicações escritas ou verbais exercem os Espíritos sua influência. Esta
influência é de todos os instantes e mesmo os que não se ocupam com os
Espíritos, ou até não crêem neles, estão expostos a sofrê-la, como os outros e
mesmo mais do que os outros, porque não têm com que a contrabalancem. A
mediunidade é, para o espírito, um meio de se fazer conhecido. Se ele é mau,
sempre se trai, por mais hipócrita que seja. Pode, pois, dizer-se que a
mediunidade permite se veja o inimigo face a face, se assim nos podemos
exprimir, e combate-lo com suas próprias armas. Sem essa faculdade, ele age na
sombra e, tendo a seu favor a invisibilidade, pode fazer e faz realmente muito
mal. A quantos atos não é o homem impelido, para desgraça sua, e que teria
evitado, se dispusesse de um meio de esclarecer-se! Os incrédulos não imaginam
enunciar uma verdade, quando dizem de um homem que se transvia obstinadamente:
"É o seu mau gênio que o impele à própria perda." Assim, o conhecimento do
Espiritismo, longe de facilitar o predomínio dos maus Espíritos, há de ter como
resultado, em tempo mais ou menos próximo, e quando se achar propagado, destruir
esse predomínio, dando a cada um os meios de se pôr em guarda contra as
sugestões deles. Aquele então que sucumbir só de si terá que se queixar.

Regra geral: quem quer que receba más comunicações espíritas, escritas ou
verbais, está sob má influência; essa influência se exerce sobre ele, quer
escreva, quer não, isto é, seja ou não seja médium, creia ou não creia. A
escrita faculta um meio de ser apreciada a natureza dos Espíritos que sobre ele
atuam e de serem combatidos, se forem maus, o que se consegue com mais êxito
quando se chega a conhecer os motivos da ação que desenvolvem. Se bastante cego
é ele para o não compreender, podem outros abrir-lhe os olhos.

Em resumo: o perigo não está no Espiritismo, em si mesmo, pois que este pode, ao
contrário, servir-nos de governo e preservar-nos do risco que corremos
incessantemente, à revelia nossa. O perigo está na orgulhosa propensão de certos
médiuns para, muito levianamente, se julgarem instrumentos exclusivos de
Espíritos superiores e nessa espécie de fascinação que lhes não permite
compreender as tolices de que são intérpretes. Mesmo os que não são médiuns
podem deixar-se apanhar. Façamos urna comparação. Um homem tem um inimigo
secreto, a quem não conhece e que contra ele espalha sub-repticiamente a calúnia
e tudo o que a mais negra maldade possa inventar. O infeliz vê a sua fortuna
perder-se, afastarem-se seus amigos, perturbada a sua ventura íntima. Não
podendo descobrir a mão que o fere, impossibilitado se acha de defender-se e
sucumbe. Mas, um belo dia, esse inimigo oculto lhe escreve e se trai, não
obstante todos os ardis de que se vale. Eis descoberto o perseguidor do pobre
homem,
que desde então pode confundi-lo e se reabilitar. Tal o papel dos maus
Espíritos, que o Espiritismo nos proporciona a possibilidade de conhecer e
desmascarar.

As causas da obsessão variam, de acordo com o caráter do Espírito. E, às vezes,
uma vingança que este toma de um indivíduo de quem guarda queixas da sua vida
presente ou do tempo de outra existência. Muitas vezes, também, não há mais do
que o desejo de fazer mal: o Espírito, como sofre, entende de fazer que os
outros sofram; encontra uma espécie de gozo em os atormentar, em os vexar, e a
impaciência que por isso a vítima demonstra mais o exacerba, porque esse é o
objetivo que colima, ao passo que a paciência o leva a cansar-se. Com o
irritar-se e mostrar-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que quer o seu
perseguidor. Esses Espíritos agem, não raro por ódio e inveja do bem; daí o
lançarem suas vistas malfazejas sobre as pessoas mais honestas. Um deles se
apegou como "tinha" a uma honrada família do nosso conhecimento, à qual, aliás,
não teve a satisfação de enganar. Interrogado acerca do motivo por que se
agarrara a pessoas distintas, em vez de o fazer a homens maus como ele,
respondeu: estes não me causam inveja. Outros são guiados por um sentimento de
covardia, que os induz a se aproveitarem da fraqueza moral de certos indivíduos,
que eles sabem incapazes de lhes resistirem. Um destes últimos, que subjulgava
um rapaz de inteligência muito apoucada, interrogado sobre os motivos dessa
escolha, respondeu: Tenho grandíssima necessidade de atormentar alguém; uma
pessoa criteriosa me repeliria; ligo-me a um idiota, que nenhuma força me opõe.

Há, Espíritos obsessores sem maldade, que alguma coisa mesmo denotam de bom, mas
dominados pelo orgulho do falso saber. Têm suas idéias, seus sistemas sobre as
ciências, a economia social, a moral, a religião, a filosofia, e querem fazer
que suas opiniões prevaleçam. Para esse efeito, procuram médiuns bastante
crédulos para os aceitar de olhos fechados e que eles fascinam, a fim de os
impedir de discernirem o verdadeiro do falso. São os mais perigosos, porque os
sofismas nada lhes custam e podem tornar cridas as mais ridículas utopias. Como
conhecem o prestígio dos grandes nomes, não escrupulizam em se adornarem com um
daqueles diante dos quais todos se inclinam, e não recuam sequer ante o
sacrilégio de se dizerem Jesus, a Virgem Maria, ou um santo venerado. Procuram
deslumbrar por meio de uma linguagem empolada, mais pretensiosa do que profunda,
eriçada de termos técnicos e recheada das retumbantes palavras caridade e moral.
Cuidadosamente evitarão dar um mau conselho, porque bem
sabem que seriam repelidos. Daí vem que os que são por eles enganados os
defendem, dizendo: Bem vedes que nada dizem de mau. A moral, porém, para esses
Espíritos é simples passaporte, é o que menos os preocupa. O que querem, acima
de tudo, é impor suas idéias por mais disparatadas que sejam.

Os Espíritos dados a sistemas são geralmente escrevinhadores, pelo que buscam os
médiuns que escrevem com facilidade e dos quais tratam de fazer instrumentos
dóceis e, sobretudo, entusiastas, fascinando-os. São quase sempre verbosos,
muito prolixos, procurando compensar a qualidade pela quantidade. Comprazem-se
em ditar, aos seus intérpretes, volumosos escritos indigestos e freqüentemente
pouco inteligíveis, que, felizmente, têm por antídoto a impossibilidade material
de serem lidos pelas massas. Os Espíritos verdadeiramente superiores são sóbrios
de palavras; dizem muita coisa em poucas frases. Segue-se que aquela fecundidade
prodigiosa deve sempre ser suspeita.

Nunca será demais toda a circunspecção, quando se trate de publicar semelhantes
escritos. As utopias e as excentricidades, que neles por vezes abundam e chocam
o bom-senso, produzem lamentável impressão nas pessoas ainda noviças na
Doutrina, dando-lhes uma idéia falsa do Espiritismo, sem mesmo se levar em conta
que são armas de que se servem seus inimigos, para ridiculizá-lo. Entre tais
publicações, algumas há que, sem serem más e sem provirem de um obsessão, podem
considerar-se imprudentes, intempestivas, ou desazadas.

Acontece muito freqüentemente que um médium só se pode comunicar com um único
Espírito, que a ele se liga e responde pelos que são chamados por seu
intermédio. Nem sempre há nisso uma obsessão, porquanto o fato pode derivar da
falta de maleabilidade do médium, de uma afinidade especial sua com tal ou tal
Espírito.

Somente há obsessão propriamente dita, quando o Espírito se impõe e afasta
intencionalmente os outros, o que jamais é obra de um Espírito bom. Geralmente,
o Espírito que se apodera do médium, tendo em vista dominá-lo, não suporta o
exame crítico das suas comunicações; quando vê que não são aceitas, que as
discutem, não se retira, mas inspira ao médium o pensamento de se insular,
chegando mesmo, não raro, a ordenar-lho. Todo médium, que se melindra com a
crítica das comunicações que obtém, faz-se eco do Espírito que o domina,
Espírito esse que não pode ser bom, desde que lhe inspira um pensamento ilógico,
qual o de se recusar ao exame. O insulamento do médium é sempre coisa deplorável
para ele, porque fica sem uma verificação das comunicações que recebe. Não
somente deve buscar a opinião de terceiros para esclarecer-se, como também
necessário lhe é estudar todos os gêneros de comunicações, a fim de as comparar.
Restringindo-se às que lhe são transmitidas, expõe-se a se iludir sobre o
valor destas, sem considerar que não lhe é dado tudo saber e que elas giram
quase sempre dentro do mesmo círculo. (N. 192 - Médiuns exclusivos.)

Os meios de se combater a obsessão variam, de acordo com o caráter que ela
reveste. Não existe realmente perigo para o médium que se ache bem convencido de
que está a haver-se com um Espírito mentiroso, como sucede na obsessão simples;
esta não passa então, para ele, de fato desagradável. Mas, precisamente porque
lhe é desagradável constitui uma razão de mais para que o Espírito se encarnice
em vexá-lo. Duas coisas essenciais se têm que fazer nesse caso: provar ao
Espírito que não está iludido por ele e que lhe é impossível enganar; depois,
cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente que ele.

Desde que se convença de que está a perder o tempo, retirar-se-á, como fazem os
importunos a quem não se dá ouvidos. Isto, porém, nem sempre basta e pode levar
muito tempo, porquanto Espíritos há tenazes, para os quais meses e anos nada
são. Além disso, portanto, deve o médium dirigir um apelo fervoroso ao seu anjo
bom, assim como aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, pedindo-lhes que o
assistam. Quanto ao Espírito obsessor, por mau que seja, deve tratá-lo com
severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelos bons processos, orando por
ele. Se for realmente perverso, a princípio zombará desses meios; porém,
moralizado com perseverança, acabará por emendar-se. E uma conversão a
empreender, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mesmo desagradável, mas cujo
mérito está na dificuldade que ofereça e que, se bem desempenhada, dá sempre a
satisfação de se ter cumprido um dever de caridade e, quase sempre, a de ter-se
reconduzido ao bom caminho uma alma perdida.

Convém igualmente se interrompa toda comunicação escrita, desde que se reconheça
que procede de um Espírito mau, que a nenhuma razão quer atender, a fim de se
lhe não dar o prazer de ser ouvido. Em certos casos, pode até convir que o
médium deixe de escrever por algum tempo, regulando-se então pelas
circunstâncias. Entretanto, se o médium escrevente pode evitar essas
confabulações, outro tanto já não se dá com o médium audiente, que o Espírito
obsessor persegue às vezes a todo instante com as suas

proposições grosseiras e obscenas e que nem sequer dispõe do recurso de tapar os
ouvidos. Aliás, cumpre se reconheça que algumas pessoas se divertem com a
linguagem trivial dessa espécie de Espíritos, que os animam e provocam com o
rirem de suas tolices, em vez de lhes imporem silêncio e de os moralizarem. Os
nossos conselhos não podem servir a esses, que desejam afogar-se.

Apenas aborrecimento há, pois, e não perigo, para todo médium que não se deixe
ludibriar, porque não poderá ser enganado. Muito diverso é o que se dá com a
fascinação, porque então não tem limites o domínio que o Espírito assume sobre o
encarnado de quem se apoderou. A única coisa a fazer-se com a vítima é
convencê-la de que está sendo ludibriada e reconduzir-lhe a obsessão ao caso da
obsessão simples. Isto, porém, nem sempre é fácil, dado que algumas vezes não
seja mesmo impossível. Pode ser tal o ascendente do Espírito, que torne o
fascinado surdo a toda sorte de raciocínio, podendo chegar até, quando o
Espírito comete alguma grossa heresia científica, a pô-lo em dúvida sobre se não
é a ciência que se acha em erro. Como já dissemos, o fascinado, geralmente,
acolhe mal os conselhos; a crítica o aborrece, irrita e o faz tomar quizila dos
que não partilham da sua admiração. Suspeitar do Espírito que o acompanha é
quase, aos seus olhos, uma profanação e outra coisa não quer o dito
Espírito, pois tudo o a que aspira é que todos se curvem diante da sua palavra.

Um deles exercia, sobre pessoa do nosso conhecimento, uma fascinação
extraordinária. Evocamo-lo e, depois de umas tantas fanfarrices, vendo que não
lograva mistificar-nos quanto à sua identidade, acabou por confessar que não era
quem se dizia.

Sendo-lhe perguntado por que ludibriava de tal modo aquela pessoa, respondeu com
estas palavras, que pintam claramente o caráter desse gênero de Espírito: Eu
procurava um homem que me fosse possível manejar; encontrei-o, não o largo. -
Mas se lhe mostrais as coisas como são, ele vos soltará isto: -É o que veremos!
Como não há cego pior do que aquele que não quer ver, reconhecida a inutilidade
de toda tentativa para abrir os olhos ao fascinado, o que se tem de melhor a
fazer é deixá-lo com as suas ilusões. Ninguém pode curar um doente que se
obstina em conservar o seu mal e nele se compraz.

A subjugação corporal tira muitas vezes ao obsidiado a energia necessária para
dominar o mau Espírito. Daí o tornar-se precisa a intervenção de um terceiro,
que atue, ou pelo magnetismo, ou pelo império da sua vontade. Em falta do
concurso do obsidiado, essa terceira pessoa deve tomar ascendente sobre o
Espírito; porém, como este ascendente só pode ser moral, só a um ser moralmente
superior ao Espírito é dado assumi-lo e seu poder será tanto maior, quanto maior
for a sua superioridade moral, porque, então, se impõe àquele, que se vê forçado
a inclinar-se diante dele. Por isso é que Jesus tinha tão grande poder para
expulsar o a que naquela época se chamava demônio, isto é, os maus Espíritos
obsessores.

Aqui, não podemos oferecer mais do que conselhos gerais, porquanto nenhum
processo material existe, como, sobretudo, nenhuma fórmula, nenhuma palavra
sacramental, com o poder de expelir os Espíritos obsessores. As vezes, o que
falta ao obsidiado é força fluídica suficiente; nesse caso, a ação magnética de
um bom magnetizador lhe pode ser de grande proveito. Contudo, é sempre
conveniente procurar, por um médium de confiança, os conselhos de um Espírito
superior, ou do anjo guardião.

As imperfeições morais do obsidiado constituem, freqüentemente, um obstáculo à
sua libertação. Aqui vai um exemplo notável, que pode servir para instrução de
todos.

Havia umas irmãs que se encontravam, desde alguns anos, vítimas de depredações
muito desagradáveis. Suas roupas eram incessantemente espalhadas por todos os
cantos da casa e até pelos telhados, cortadas, rasgadas e crivadas de buracos,
por mais cuidado que tivessem em guardá-las à chave. Essas senhoras, vivendo
numa pequena localidade de província, nunca tinham ouvido falar de Espiritismo.
A primeira idéia que lhes veio foi, naturalmente, a de que estavam às voltas com
brincalhões de mau gosto. Porém, a persistência e as precauções que tomavam lhes
tiraram essa idéia. Só muito tempo depois, por algumas indicações, acharam que
deviam procurar-nos, para saberem a causa de tais depredações e lhes darem
remédio, se fosse possível. Sobre a causa não havia dúvida; o remédio era mais
difícil. O Espírito que se manifestava por semelhantes atos era evidentemente
malfazejo. Evocado, mostrou-se de grande perversidade e inacessível a qualquer
sentimento bom. A prece, no entanto, pareceu exercer
sobre ele uma influência salutar. Mas, após algum tempo de interrupção,
recomeçaram as depredações. Eis o conselho que a propósito nos deu um Espírito
superior: "O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos Espíritos seus
protetores que não as abandonem. Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o
de dizer-lhes que desçam ao fundo de suas consciências, para se confessarem a si
mesmas e verificarem se sempre praticaram o amor do próximo e a caridade. Não
falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua;
pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de
piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito
de maldizer do próximo e o Espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto,
em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquisem na memória e logo
descobrirão quem ele é.

"Entretanto, se, conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiões se aproximarão e
a simples presença deles bastará para afastar o mau Espírito, que não se agarrou
a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar,
por efeito de atos repreensíveis, ou maus pensamentos. O que precisam é fazer
preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes
impostas por Deus a cada um, de acordo com a sua condição."

Como ponderássemos que essas palavras pareciam um tanto severas e que talvez
fosse conveniente adoçá-las, para serem transmitidas, o Espírito acrescentou:
"Devo dizer o que digo e como digo, porque as pessoas de quem se trata têm o
hábito de supor que nenhum mal fazem com a língua, quando o fazem muitíssimo.
Por isso, preciso é ferir-lhes o Espírito, de maneira que lhes sirva de
advertência séria.

Ressalta do que fica dito um ensinamento de grande alcance: que as imperfeições
morais dão azo à ação do Espíritos obsessores e que o mais seguro meio de a
pessoa se livrar deles é atrair os bons pela prática do bem. Sem dúvida, os bons
Espíritos têm mais poder do que os maus, e a vontade deles basta para afastar
estes últimos; eles, porém, só assistem os que os secundam pelos esforços que
fazem por melhorar-se, sem o que se afastam e deixam o campo livre aos maus, que
se tomam assim, em certos casos, instrumentos de punição, visto que os bons
permitem que ajam para esse fim.

Cumpre, todavia, se não atribuam à ação direta dos Espíritos todas as
contrariedades que se possam experimentar, as quais, não raro, decorrem da
incúria, ou da imprevidência. Um agricultor nos escreveu certo dia que, havia
doze anos, toda sorte de infelicidades lhe acontecia, relativamente ao seu gado;
ora eram as vacas que morriam, ou deixavam de dar leite, ora eram os cavalos, os
carneiros, ou os porcos que sucumbiam. Fez muitas novenas, que em nada
remediaram o mal, do mesmo modo que nada obteve com as missas que mandou
celebrar, nem com os exorcismos que mandou praticar. Persuadiu-se, então, de
acordo com o preconceito dos campos, de que lhe haviam enfeitiçado os animais.
Supondo-nos, sem dúvida, dotados de um poder esconjurador maior do que o do cura
da sua aldeia, pediu o nosso parecer. Foi a seguinte a resposta que obtivemos:
"A mortalidade ou as enfermidades do gado desse homem provêm de que seus currais
estão infetados e ele não os repara, porque custa dinheiro."

Terminaremos este capítulo inserindo as respostas que os Espíritos deram a
algumas perguntas e que vêm em apoio do que dissemos.

1ª Por que não podem certos médiuns desembaraçar-se de Espíritos maus que se
lhes ligam e como é que os bons Espíritos que eles chamam não se mostram
bastantes poderosos para afastar os outros e se comunicar diretamente?

"Não é que falte poder ao Espírito bom; é, as mais das vezes, que o médium não é
bastante forte para o secundar; é que sua natureza se presta melhor a outras
relações; é que seu fluido se identifica mais com o de um Espírito do que com o
de outro. Isso o que dá tão grande império aos que entendem de ludibriá-los."

2ª Parece-nos, entretanto, que há pessoas de muito mérito, de irrepreensível
moralidade e que, apesar de tudo, se vêem impedidas de comunicar com os bons
Espíritos.

"É uma provação. E quem te diz, ao demais, que elas não trazem o coração
manchado de um pouco de mal? que o orgulho não domina um pouco a aparência de
bondade? Essas provas, com o mostrarem ao obsidiado a sua fraqueza, devem
fazê-lo inclinar-se para a humildade.

"Haverá na Terra alguém que possa dizer-se perfeito? Ora, um, que tem todas as
aparências da virtude, pode ter ainda muitos defeitos ocultos, um velho fermento
de imperfeição. Assim, por exemplo, dizeis, daquele que nenhum mal pratica, que
é leal em suas relações sociais: é um bravo e digno homem. Mas, sabeis,
porventura, se as suas boas qualidades não são tisnadas pelo orgulho; se não há
nele um fundo de egoísmo; se não é avaro, ciumento, rancoroso, maldizente e mil
outras coisas que não percebeis, por que as vossas relações com ele não vos
deram lugar a descobri-las? O mais poderoso meio de combater a influência dos
maus Espíritos é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons."

3ª A obsessão, que impede um médium de receber as comunicações que deseje, é
sempre um sinal de indignidade da sua parte?

"Eu não disse que é um sinal de indignidade, mas que um obstáculo pode opor-se a
certas comunicações; em remover o obstáculo que está nele, é o a que deve
aplicarse; sem isso, suas preces, suas súplicas nada farão. Não basta que um
doente diga ao seu médico: dê-me saúde, quero passar bem. O médico nada pode, se
o doente não faz o que é preciso."

4ª Assim, a impossibilidade de comunicar com os bons Espíritos seria uma espécie
de punição?

"Em certos casos, pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de
comunicar com eles é uma recompensa que deveis esforçar-vos por merecer."
(Veja-se Perda e suspensão da mediunidade, n. 220.)

5ª Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos, moralizandoos?

"Sim, mas é o que não se faz e é o que não se deve descurar de fazer, porquanto,
muitas vezes, isso constitui uma tarefa que vos é dada e que deveis desempenhar
caridosa e religiosamente. Por meio de sábios conselhos, é possível induzi-los
ao arrependimento e apressar-lhes o progresso."

- Como pode um homem ter, a esse respeito, mais influência do que a têm os
próprios Espíritos?

"Os Espíritos perversos se aproximam antes dos homens que eles procuram
atormentar, do que dos Espíritos, dos quais se afastam o mais possível. Nessa
aproximação dos humanos, quando encontram algum que os moralize, a princípio não
o escutam e até se riem dele; depois, se aquele os sabe prender, acabam por se
deixarem tocar. Os Espíritos elevados só em nome de Deus lhes podem falar e isto
os apavora. O homem, indubitavelmente, não dispõe de mais poder do que os
Espíritos superiores, porém, sua linguagem se identifica melhor com a natureza
daqueles outros e, ao verem o ascendente que o homem pode exercer sobre os
Espíritos inferiores, melhor compreendem a solidariedade que existe entre o céu
e a terra.

"Demais, o ascendente que o homem pode exercer sobre os Espíritos está na razão
da sua superioridade moral. Ele não domina os Espíritos superiores, nem mesmo os
que, sem serem superiores, são bons e benevolentes, mas pode dominar os que lhe
são inferiores em moralidade."

6ª A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como conseqüência a
loucura?

"Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem
relação alguma com a loucura ordinária. Entre os que são tidos por loucos,
muitos há que apenas são subjugados; precisariam de um tratamento moral,
enquanto que com os tratamentos corporais os tornamos verdadeiros loucos. Quando
os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão
mais doentes do que com as duchas."

7ª Que se deve pensar dos que, vendo um perigo qualquer no Espiritismo, julgam
que o meio de preveni-lo seria proibir as comunicações espíritas?

"Se podem proibir a certas pessoas que se comuniquem com os Espíritos, não podem
impedir que manifestações espontâneas sejam feitas a essas mesmas pessoas,
porquanto não podem suprimir os Espíritos, nem lhes impedir que exerçam sua
influência oculta. Esses tais se assemelham às crianças que tapam os olhos e
ficam crentes de que ninguém as vê. Fora loucura querer suprimir uma coisa que
oferece grandes vantagens, só porque imprudentes podem abusar dela. O meio de se
lhe prevenirem os inconvenientes consiste, ao contrário, em torná-la conhecida a
fundo."
Livros dos Mediuns - Alan Kardec Cap XXIII





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Seg, 12 de Jul de 2004 2:09 pm

rscher9
Offline Offline
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Olá lista que eu amo tanto. Uma coisa tem me deixado incucado. É que segundo o Lázaro e o Wagner, obsessor não voa, pois é denso demais. ...
davisousabr
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9 de Jul de 2004
1:44 pm

... ~ Oi, Por gentileza, alguém dê uma luz na minha ignorância.. Pra que esse povo assediador quer pegar as pessoas boazinhas que voam lúcidas por aí? ...
Rodrigo Reis
rodrigorreis
Offline Enviar e-mail
9 de Jul de 2004
3:30 pm

Rodrigo Reis <rodrigorreis@...> wrote: ... Estranho, mas são todos objetos com representação fálica... Jung comenta algumas vezes sobre a...
Ednilson Izolino
ed_izolino
Offline Enviar e-mail
12 de Jul de 2004
11:18 am

Desculpe discordar, mas voam sim, e as vezes ate mais rapido q os "bonzinhos". Uma vez eles estando mais p/ a Terra, mesmo sendo baixo o seu nivel vibracional,...
|-|ëxxøR
hexxor2000
Offline Enviar e-mail
9 de Jul de 2004
5:53 pm

Que que é isso obsessor? oque que definem como sendo obsessor é por acaso a população livre do astraL? Acho que obsessor é outra coisa não é não? ...
Anderson
andersonfsantos
Offline Enviar e-mail
10 de Jul de 2004
6:52 am

Para aqueles que desejam iniciar o estudo ou mesmo compreender o que é obessor, segue Capitulo XXIII do Livro dos Mediuns de Alan Kardec que fala sobre o...
Ricardo Scher
rscher9
Offline Enviar e-mail
12 de Jul de 2004
4:52 pm

... Eu, Osiris: Isso é constante em sonhos de terror, mais conhecido como PESADELO. Nos pesadelos a tendência é instigar o medo a tal ponto que vc perca os...
Osiris
osirisgarofalo
Offline Enviar e-mail
12 de Jul de 2004
7:35 pm
Avançado

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