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umanovacultura · Uma nova cultura

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#1118 De: "Jorge" <kidzero33@...>
Data: Dom, 2 de Jul de 2006 8:27 pm
Assunto: novas imagens
kidzero33
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#1119 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Ter, 4 de Jul de 2006 3:28 pm
Assunto: Não coloque uma interrogação onde Deus colocou um ponto final?
janosbiro
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Como uma superstição se torna religião
1. As pessoas que foram atropeladas enquanto atravessavam a rua não estavam segurando o nariz. Logo, quem não segura o nariz na hora de atravessar a rua é atropelado.
2. Quem não segura o nariz na hora de atravessar a rua nem sempre é atropelado, mas não vale a pena arriscar.
3. Quem não segura o nariz na hora de atravessar a rua pode não ser atropelado nunca, mas ainda vai sofrer muito do outro lado da rua.
4. Quem segura o nariz na hora de atravessar a rua ainda pode ser atropelado misteriosamente, mesmo tomando muito cuidado, porque não segurou o nariz com convicção, segurou por segurar.
5. Quem não segura apropriadamente o nariz na hora de atravessar a rua pode achar que está seguro e feliz, mas não está. Por dentro ela sente um vazio: é falta de segurar o nariz apropriadamente na hora de atravessar a rua.
6. Quem segura apropriadamente o nariz na hora de atravessar a rua não só não será atropelado como encontrará tudo que queria do outro lado, por isso essas pessoas são mais felizes e mais confiáveis.
7. Algumas pessoas perdidas dirão que não é necessário segurar o nariz na hora de atravessar a rua, mas apenas tomar cuidado. Elas não sabem o que estão dizendo, tenha pena delas e segure seu nariz por elas na hora de atravessar a rua.
8. Se você for atropelado enquanto atravessa a rua segurando seu nariz apropriadamente, isso aconteceu por um bem maior, e de qualquer forma você vai ser mais feliz assim. O que é realmente importante é que você segure o nariz apropriadamente na hora de atravessar a rua, porque é a mínimo que podemos fazer em respeito a todos que não seguraram o nariz e morreram. Se você morrer enquanto segura o nariz apropriadamente, você ainda vai ser mais feliz numa outra vida, que de qualquer forma é melhor que essa, então não se preocupe, não discuta e não pense demais sobre isso, apenas faça!
9. (Especial para o cristianismo) Uma força superior enviou seu único filho para morrer apenas para nos ensinar a segurar o nariz apropriadamente na hora de atravessar a rua, por isso devemos respeito e submissão completa.
10. (Especial para a igreja universal) Dar seu dinheiro para nós é uma forma de mostrar que você realmente está comprometido em segurar o nariz apropriadamente ao atravessar a rua, tanto que você nem precisa segurar mesmo, o importante é que você vai ser recompensado ficando rico como nós!
11. (Especial para o espiritismo) O universo tem um único propósito: Fazer os seres evoluírem para formas capazes de segurar o nariz na hora de atravessar a rua com cada vez mais perfeição.
www.antizero.cjb.net
 


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#1120 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Dom, 9 de Jul de 2006 2:58 pm
Assunto: EMPRESAS QUE FAZEM TESTES COM ANIMAIS
janosbiro
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EMPRESAS QUE FAZEM TESTES COM ANIMAIS
*Empresas que não testavam e foram compradas por empresas que testam
 
Marcas de Rações que São Testadas
Nestlé: Purina
 
-Bic* (canetas, lápis, isqueiros e lâminas de barbear)
Marcas: Bic
 
-Calvin Klein (jeans, roupa íntima e perfumes)
Marcas: Calvin Klein, CK Be, CK One
 
-Chesebrough-Ponds (cométicos)
Marcas: Fabergé, Ponds, Vaseline
 
-Church & Dwight (produtos de limpeza, higiene e para animais)
Marcas: Advance White, Arm & Hammer, Brillo Cameo, Delicare, Dental Care, Fresh 'n Soft, Lambert Kay Pet, Parsoins, Peroxicare, Rain Drops, Scrub, Snobol
 

-Clorox  (produtos de limpeza, filtros de água, fósforos, produtos alimentícios)

Marcas: Areia de Gatos Scoop Away, Armorall, Brita, Formula 409, Fresh Step, Glad, Kings Ford, Liquid Plumber, Match Light, Molhos Hidden Valley, Pine-Sol, STP, Soft Scrub, S.O.S, Sun of a Gun, Tilex
 
-Colgate-Palmolive (produtos de higiene, limpeza e nutrição animal)
Marcas: Colgate (Ajax, Fab, Hills Pet Nutrition, Mennen, Palmolive, Pinho Sol, Plax, Protex, Ração Science Diet, SoftSoap Enterprises, Sorriso, Speed Stick, Suavitel) Duraphat, Fabuloso, Feno de Portugal, Festa, Fluorgard, Kolynos, Ola, Periogard, Peroxyl, Platinum, Pom Pom, Prevent, Ração Canine, Ração Prescription Diet, Soflan, Super Pop, Tandy
 
-Coty (cosméticos)
Marcas: Adidas, Coty, Davidoff, Glow, Joop, Jovan, Kenneth Cole, Lancaster, Marc Jacob, Rimmel, Stetson
 
-Del Laboratories (cosméticos e produtos farmacêuticos)
Marcas: Arthricare, Corn Silk, LaCross, Naturistics, New York Color, Orajel, Pronto, Propa, Sally Hansen, Tanac
 
-Dial Corporation (produtos de limpeza e alimentícios)
Marcas: Aroma Sense, Coast, Dial, Pure & Natural, Purex, Renuzit, Tone, Zout
 
-Erno Laszlo (cosméticos)
Marcas: Erno Laszo
 
-Gessy Lever / Unilever (produtos alimentícios, de beleza, higiene e limpeza)
Marcas: Ades, Ala, Arisco, Becel, Bertolli, Brilhante, Brut, Campeiro, Cica, Cif, Claybon, Close Up, Comfort, Denim, Dimension, Domestos, Doriana, Elida Gibbs, Fofo, Frisko, Gallo, Gessy, Gradina, Hellmann's, House of Cerruti, House of Valentino, Impulse, Kibon, Knor, Linic, Lipton Ice Tea, Liptont, Lux, Maizena, Melhoradores, Mentadent, Minerva, Omo, Organics, Pepsodent, Pond´s, Rexona, Seda, Signal, Skip, Suave, Sun, Sunsilk, Timotei, Tok, Unilever [Axe, Calvin Klein, Dove, Helene Curtis (Finesse, Salon Selectives, Termasilk), Lever Bros, Suave] Pinho, Vaseline, Vasenol, Vim, Vinólia
 
Henkel (cosméticos, produtos de limpeza e escritório)
Marcas: Diadermine, Duck, Fa, Glatt, Henkel, Ignora, Loctite, Neutrex, Patexx, Persil, Power Trape, Pritt, Schwarzkopf, Silhouette, Sonasol, Super Bonder, Tenaz, Theramed
 
-Johnson & Johnson (produtos de beleza, higiene e farmácia)
Marcas: Acuvue, Aveeno, Band-Aid, Banho a Banho, Bem Estar, Brilho & Vida, Carefree, Clean & Clear, Cotonetes, Cross Hatch, Elubiol, Enidrial, Johnson & Tek, First Aid, Fluordent, Johnson & Johnson´s Reach, Johnson´s, Johnson´s Baby, Johnson´s Bio, Jontex, KY, Massê, Minesol, Modess, Neutrogena, OB, Perfex, Protient Lift, Rembrandt, Roc, Sabiá, Safe Cel, Sempre Livre, Serena, Stayfree, Sundown, Surevue, Tek, Triatop
 
-Kimberly-Clark (lenços, fraldas e papéis higiênicos)
Marcas: Cotonelle, Depend, Huggies, Kleenex, Kotex Little Swimmers, Pull-Ups, Scott Paper, Viva
 
-L'Oréal (cosméticos)
Marcas: Biotherm, Cacharel Perfumes (Amor Amor, Anais Anais, Eden, Lou Lou, Noa, Gloria), Garnier, Giorgio Armani, Helena Rubinstein, Kérastase, Kiehl´s, Lancôme (Oui, Ô de Lancôme, Miracle, Tresoi, Poeme, Magie Noire), La Roche Posay, Matrix Essentials, Maybelline, Ombrelle, Plenitude, Ralph Lauren Perfurmes (Polo, Romance, Glamorous), Redken, Soft Sheen, Studio Line, Vichy
 
Masterfoods: (rações para cães, gatos, roedores e pássaros)
Marcas: Bounce, Cesar, Chappie, Frolic, James Wellbeloved, Katkins, Kitekat, Pal, Pedigree (Biscrok), Royal Canin, Sheba, Techni-cal (US & Canada), Whiskas
 
-Mead (produtos para escola e escritório)
Marcas: Mead
 
-Melaleuca (produtos de limpeza, farmacêuticos e cosméticos)
Marcas: Mameluca
 
-Neoteric (cosméticos)
Marcas: Alpha Hydrox, Diabetic Skin Care, Face Food, Model Secrets, Montagne Jeunesse, RubOut, Scott’s Liquid Gold, Touch of Scent Air Fresheners
 
Nestlé (higiene pessoal e rações para animais)
Marcas: AlconLabs (Clens100, Opti-Clean, Opti-Free, Opti-Soak, Opti-Tears, Supranettes, Unique PH), Purina (Alpo; Beneful; Bonzo; Cat Chow; Dog Chow; Doguitos; Duocrok; Friskies; Gatsy; Kanina; Nutricrok; Pro Plan e Snacks Deli)
 
-New Dana (perfumes)
Marcas: Ambush, California, Canoe, Chantilly, Classic Gardenia, Dreams, English Leather, French Vanilla, Heaven Sent, Lutece, NaVyRaffinee, Tabu
 
 
-Pfizer (produtos farmacêuticos e saúde animal)
Marcas: BenGaby, Desitin, Listerine, Lubriderm, Plax, Visine
 
-Playtex Products (cosméticos)
Marcas: Baby Magic, Banana Boat, Bínaca, Feminine Care, Gloves, Mr.Bubble, Ogilvie
 
-Procter & Gamble Co. (produtos alimentícios, higiene, limpeza e ração para animais)
Marcas: A Touch of Sun, Ace, Actonel, Alldays, Always, Ariel, Asacol, Balsam Color, BeautifulCollection, Bold, Camay, Charmin, Cheer, Clairol (Aussie, Daily Defense, Herbal Essences, Infusium 23), Cover Girl (CG), Crest, Dryel, Fairy, Febreze, Fixodent, Gillette*(Comprada pela P&G em 2005 - Braun, Duracell, Oral B, Venus), Giorgio Beverly Hills, Glide, Head & Shoulders, Hugo Boss, lEla, La' Neoblanc, Max Factor (MF), Millstone, Mr. Clean, Noxell, Olay Co/Oil of Olay, Old Spice,  Pampers, Pantene, Pepto Bismol, Pert, Pert Plus, Physique, Pop., Pringles, Puffs, Pur, Ração EUKANUBA, Ração IAMS, Richardson Vicks, Safeguard, Secret, Seiva de Alfazema, Sunny Delight, Tampax, Tide, Wella* (Comprada pela P&G em 1993)
 
-Reckitt Benckiser (produtos de limpeza)
Marcas: Airwick, Bom Ar, Boyle Midway, Calgon, Colgonit, Coty, Dettol, Dettox, Disprin, Easy Mop, Easy Off, Electrasol, Finish, Flor, Frenchs Foods, Fresh´s, Gaviscon, Glassex, Harpic, Jet Dry, Jovan, Lancaster, Lemsip, Lysol, Mop & Glo, Mortein, Old English, Poliflor, Quanto, Red Hot, Resolve, Sagrotan, Spray Wash, Veet (cera depilatória), Veja, Wick, Woolite
 
-Schering-Plough (cosméticos e produtos farmacêuticos)
Marcas: Afrin, Bain de Soleil, Banamine, Coppertone, Dr. Scholl´s, Vitamina C
 
-S.C. Johnson Wax (Ceras Johnson) (produtos de limpeza e inseticidas)
Marcas: Drano, Edge, Fantastik, Glade, Grand Pix, Off!, Pledge, Raid, Saran, Scrubbing Bubbles, Shout, Skintimate, Tempo, Vanish, Windex, Ziploc
 
Esta é uma lista parcial.

EMPRESAS QUE NÃO FAZEM TESTES EM ANIMAIS
·       Almay ( Revlon )
·       Amway
·       Amitée Cosmetics, Inc.
·       Aramis, Inc. ( Estée Lauder )
·       Avon
·       Carlson Laboratories
·       Chanel, Inc.
·       Christian Dior
·       Clarins of Paris
·       Clinique Labs.
·       Donna Karan Beauty Co. (Estée Lauder)
·       Garnier ( L'Oreal )
·       Gucci Parfums ( Wella )
·       Lancôme
·       L'Oreal (Cosmair,Maybelline*,Lancôme )
·       Nivea ( Beiersdorf )
·       Norelco
·       Ralph Lauren Fragances
·       Revlon
·       Victoria Secrets
 * indica que esta empresa deu uma parada com testes em animais, mas ainda está sob investigação.
Empresas nacionais que fazem testes com animais:
 
Aloés (absorventes e fraudas) NEW!
Marcas: Baby Looney Tunes, Confiance, Dignity, Les Enfants, Seja Livre, Turminha Feliz
 
Anaconda (cosméticos) NEW!
Marcas: Anaconda
 
Assolan (produtos de limpeza)
Marcas: Assolan, Assin
 
Baruel (cosméticos para crianças e produtos de limpeza)
Marcas: Baruel, Bluar, Baruel Kids, Baruel Baby, Polvilh, Sanix, Snoopy, Tennis Pé, Xuxinha
 
Bionatus (medicamentos e alimentos)
Marcas: Bionatus
 
Bombril (produtos de limpeza) NEW!
Marcas: Atak, Bombril, Kalipto, Limpol, Mágica, Mon Bijou, No ar, Pinho Bril, Pratice, Radium
 
Collie (produtos para cães)
Marcas: Collie
 
Dr. Tozzi (cosméticos)
Marcas: Dr. Tozzi
 
Marcas: Extrato da Amazônia
 
Friboi (produtos de limpeza, higiene pessoal, alimentos)
Marcas: Albany, Minuano, Anglo, Sola
 
Galderma (cosméticos e cuidados pessoais) NEW!
Marcas: Aveno, Avicis, Benzac, Cetaphil, Clob-X, Dermax, Dermotivin, Differin, Eryacnen, Galderma, Ionax Scrub, Lactrex , Loceryl, Nutraderm, Nutraplus, Proderm, Proderm, Rosex, Salisoap, Silkis, Soapex, Tetralysal, Tri-Luma
 
Natura (cosméticos)
Marcas: Natura
 
Rosatex (produtos de limpeza)
Marcas: Urca e Texorin
 
Sabão Mauá (produtos de limpeza) NEW!
Marcas: Carícia, Fúria, Landa, Liptol, Mazal
 
Sanol (produtos de limpeza)
Marcas: Sanol, Tot, Plush, Daclor, Sanol Dog, Carrefour, CompreBem, Champion, Dia, Extra, Sendas
 
Santher (papel higiênico, absorventes e lenços)
Marcas: Kiss, Gala, Personal, Santepel, Snob, Syn


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#1121 De: "Junia" <catubodva@...>
Data: Ter, 11 de Jul de 2006 2:30 pm
Assunto: Re: Aquecedor Solar com Recicláveis.
catubodva
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Uma invenção que vem bem a calhar!

Espero ter um espaço até o fim do ano para colocá-la em prática!
Daí eu conto, como pediste!


--- Em umanovacultura@..., Márcio Lopes de Faria
<saopaulobrasileira@y...> escreveu
>
> Taí uma ótima serventia para o sub-produto da Civilização, o Lixo
Pós-Consumo.
>
>   Quem tiver tempo de construir, depois me conta:
>
>   http://josealcinoalano.vilabol.uol.com.br/manual.htm
>
>   Até!
>
>  __________________________________________________
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> http://br.messenger.yahoo.com/
>

#1122 De: "Junia" <catubodva@...>
Data: Ter, 11 de Jul de 2006 2:26 pm
Assunto: Re: quando as "mudas" romperam o silencio
catubodva
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi, Jacques!
Eu sou de Porto Alegre para morar e de Porto em Portugal como
descendência, heheheh...
mas para os devidos fins o que vale é a primeira questão, né?


--- Em umanovacultura@..., Jacques Salvador
<jacques_salvador@y...> escreveu
>
> Porto ? Alegre, ou de Portugal ?
>
>
> Junia <catubodva@y...> escreveu:
>   Gibão!
> Tem um pessoal de teatro aqui em Porto que está montando uma peça
> sobre o protesto das muitas mulheres da Via Campesina na Aracruz.
> Acabei de passar teu transbordamento para eles, acho que vai lhes
> acrescentar em algumas inspirações! Depois conto o que acharam!
>
> Eu achei muito tocante.
>
> --- Em umanovacultura@..., Gibão
> <gilbertoedgar2005@y...> escreveu
> >
> > As mudas romperam o silêncio
> > (Manifesto de homens e mulheres em solidariedade às camponesas da
> Via Campesina)
> >
> > Havia um silêncio, sepulcral
> > sobre dezoito mil hectares roubados
> > dos povos tupi-guarani
> > sobre dez mil famílias quilombolas
> > expulsas de seus territórios
> > sobre milhões de litros de herbicidas
> > derramados nas plantações
> >
> > Havia um silêncio promíscuo
> > sobre o cloro utilizado
> > no branqueamento do papel
> > a produzir toxinas cancerígenas que agridem
> > plantas, bichos e gentes
> > sobre o desaparecimento
> > de mais de quatrocentas espécies de aves
> > e quarenta de mamíferos
> > do norte do Espírito Santo
> >
> > Havia um silêncio   intransponível
> > sobre a natureza de uma planta
> > que consome trinta  litros de água-dia
> > e não dá flores nem sementes
> > sobre uma plantação que produzia bilhões
> > e mais bilhões de dólares
> > para apenas meia dúzia de senhores
> >
> > Havia um silêncio espesso
> > sobre milhares de hectares acumulados
> > no Espírito Santo, Minas, Bahia
> > e Rio Grande do Sul
> >
> > Havia um silêncio cúmplice
> > sobre a destruição da Mata Atlântica e dos pampas
> > pelo cultivo homogêneo de uma só árvore:
> > o eucalipto.
> >
> > Havia um silêncio comprado
> > sobre a volúpia do lucro
> > Sim, havia um silêncio global
> > sobre os capitais suecos
> > sobre as empresas norueguesas
> > sobre a grande banca nacional
> >
> > Por fim
> > havia um imenso deserto verde
> > em concerto com o silêncio.
> >
> > De repente
> > milhares de mulheres se juntaram
> > e destruíram  mudas
> > a opressão e a mentira
> > As mudas gritaram
> > de repente
> > e não mais que de repente
> > o riso da burguesia fez-se   espanto
> > tornou-se esgar, desconcerto.
> >
> > A ordem levantou-se incrédula
> > clamando progresso e ciência
> > imprecando em termos chulos
> > obscenidades e calão
> > Jornais, rádios, revistas,
> > a internet e a TV,
> > as empresas anunciantes
> > executivos bem-falantes
> > assessores rastejantes
> > técnicos bem-pensantes
> > os governos vacilantes
> > a direita vociferante
> > e todos os extremistas de centro
> > fizeram coro, eco,
> > comício e declarações
> > defendendo o capital:
> >
> > "Elas não podem romper o silêncio!"
> > E clamaram por degola!
> > De repente não mais que de repente
> > milhares de mulheres destruíram o  silêncio
> > Naquele dia nas terras ditas da Aracruz
> > as mulheres da Via Campesina
> > foram o nosso gesto foram a nossa fala.
> >  __________________________________________________
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>
>
>
>
>
>
>
> Jacques Salvador - Porto Alegre / RS
>
>
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#1123 De: "Junia" <catubodva@...>
Data: Ter, 11 de Jul de 2006 2:28 pm
Assunto: Re: Novamente : Ser humano X A Nossa Cultura - Palestras para "Golias aspirantes
catubodva
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Valeu!
Agorinha não poderei ler, mas assim que fizer isso vou comenter!


--- Em umanovacultura@..., Márcio Lopes de Faria
<saopaulobrasileira@y...> escreveu
>
>   Carxs Amigxs!
>
>   Segue um texto interessantíssimo do Biólogo Fernando Fernandez sobre
>   Colapso de Civilizações e Conservação da Natureza X
Desenvolvimento Sustentável.
>
>   De quebra ele também defende a tese da Extinção da MegaFauna do
final do Pleistoceno que se espalha até o ultimo milênio na Nova
Zelândia tendo como
>   protagonistas os Maioris.  Só uma palhinha: Segundo ele a Nova
Zelândia teria
>   sido um dos ultimos pedaços de chão atingidos pelos humanos que
causaram
>   devastação biológica.
>
>   Esta é a compilação de uma palestra dada ao Intituto Ethos, daí a
analogia ao
>   Capítulo do Livro de Quinn, Golias com novas cabeças, neste caso
"aspirantes"!
>
>   O LINK, CONFORME A JUNIA PEDIU, DESCULPE É QUE NÃO COLOQUEI
>   ANTES:
>
>   http://www.spvs.org.br/salaimprensa/ler_noticia.php?i=802
>
>
>
>
>
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#1124 De: "Junia" <catubodva@...>
Data: Ter, 11 de Jul de 2006 3:00 pm
Assunto: Re: Ibama obriga Aracruz a parar desmatamento em linhares-ES
catubodva
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Depois da falência das instituições, sobra aos civis a
responsabilidade pela ordem. Mesmo que para isso precisemos nos valer
do caos.
É o que percebo estar acontecendo. Pessoas humildes, que não foram tão
influenciadas pela educação massiva, encontram saídas criativas e
contundentes, eles são muito corajosos mesmo! As pessoas criticam os
pequenos movimentos, pois estes possuem uma lógica toda própria a si
mesmos (e imprópria para quem represa e dilapida os recursos
naturais), mas creio que o temor da população economicamente ativa
advenha da ignorância que trabalhar preso provoca, alienando as
pessoas do contato com a natureza. Este contato está entrando na moda,
mas a natureza não deveria ser tratada como um spa, né? Acho que um
efetivo retorno a natureza não deve custar mais caro que viver de
cimento e asfalto, ao contrário! Sabemos que o retorno é verdadeiro
quando nos desobriga paulatinamente de lastros monetários.

Mulheres grávidas lutando pela saúde do planeta! Para termos, nós
enquanto contingente humano(e brasileiro, no caso), chegado a esse
ponto é de se admitir: a sociedade não só está doente como é a própria
doença (como numa animação do youtube que recebi pelo Janos).
Acho que os grupos de 'Pequenos...', de 'Sem...', são pessoas simples,
que convivem com a natureza e aprendem a sobreviver dela, com ela e
apesar dela (pois o mundo selvagem não é nenhuma doçura). Eles
compreendem instintivamente o que significa 'sangue', e dão seus
sangue por uma causa. Acho isso muito belo e poderoso, pois de
qualquer forma, para a humanidade desinchar, muito rio rubro ainda há
de correr. Uma educação que reprime os instintos de raiva e ataque
pode ter-nos feito achar estes assuntos de derramanmento de sangue
torpes, mas antes da tecnologia nos proporcionar tanto conforto, nas
comunidades e/ou sociedades do mundo havia uma parcela de orientação
para o combate, inclusive dentro de casa. Na nossa forma
organizacional presente, este aspecto ficou exclusivo ao exército;
entretanto, é de todos, por direito natural (ao meu ver). Não se
debruçar sobre questões assim nos deixa reféns das leis e dos
executores das leis, independente destes serem os legais (os Poderes
Legislativo, Executivo, Judiciário e o Escandaloso) ou os ilegais
(traficantes, PCC, por exemplo).
Esta é a opinião de uma dona-de-casa que nãqo faz pesquisas
científicas para coletar dados que sustentem suas colocações. Tais
colocações são um mero ponto de vista, e falho. Então, se houve
preconceitos ou estupidezes nas minhas palavras, é favor me esclarecer
e perdoar o fato.

Afeto,
Junia


--- Em umanovacultura@..., Márcio Lopes de Faria
<saopaulobrasileira@y...> escreveu
>
>
>
>   Ibama obriga Aracruz a parar
> desmatamento em Linhares
> ---------------------------------
>      Imprimir Matéria |  Enviar para um amigo
>
>   Ubervalter Coimbra
>
>
>
> A Aracruz Celulose está impedida de continuar a desmatar no Córrego
Jacutinga, em Linhares. O embargo foi determinado na manhã desta
segunda-feira (19) pela fiscalização do Instituto Brasileiro de Meio
Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Espírito Santo. No
local, a empresa destruiu a mata atlântica em Área de Proteção
Permanente (APP).
>
> Também nesta segunda-feira, ao meio dia, a comunidade da região fez
um ato público de protesto na área desmatada. A Visel, milícia armada
da Aracruz Celulose, mantém na região duas viaturas com sete
vigilantes. O objetivo, afirmam as lideranças, é intimidar os moradores.
>
> O embargo a Aracruz Celulose foi determinado pelo chefe da Reserva
Biológica de Sooretama, Éliton de Almeida Lima, a autoridade do Ibama
mais próxima da área devastada e que foi mobilizado pela Gerência para
a vistoria na área. Ele confirmou no final da manhã que a área
desmatada é de APP. A área pertencia à Floresta Rio Doce, da CVRD, e
foi vendida à Aracruz Celulose.
>
> Confirmou o funcionário do Ibama que na região havia eucalipto
plantado há mais de duas décadas e que houve crescimento de mata
atlântica no meio da plantação. Informou Éliton Lima que recolheu
documentos do Ibama, datado de 2001, que autorizava o desmatamento.
Não informou quem emitiu o documento. O documento, além de medidas
feitas com GPS, serão entregues à Gerência do Ibama nesta terça-feira
(20). Deverão balizar outras providências do órgão.
>
> Segundo relato da liderança dos moradores, efetivos da Polícia
Ambiental estiveram na região no sábado (17). "Não registraram o crime
ambiental e nem ocorrência fizeram. Informaram que iriam usar o
registro dos policiais militares que estiveram no local no dia
anterior para dar segurança à empresa", informou Elias Alves, um dos
coordenadores do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
>
> A destruição da mata atlântica no córrego Jacutinga, na região do
Córrego Farias, em Linhares, foi contida por moradores da região,
entre os quais crianças, mulheres - uma delas grávida de nove meses -
e seus maridos, ligados ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
A empresa mobilizou 27 tratores de esteira, dos quais sete entraram em
operação.
>
> Segundo relatou Elias Alves nesta segunda-feira, a área destruída
compreende trechos que variam de 30 a 80 metros de largura, numa
extensão aproximada de três quilômetros, às margens do córrego
Jacutinga. O terreno é de alta declividade, um outro impedimento para
o desmatamento.
>
> Os sete tratadores que destruíram a vegetação foram posicionados no
espaço que chegou a ser desmatado. Passaram por cima de tudo,
inclusive do córrego. Relatou Elias Alves que foram destruídas várias
árvores de espécies raríssimas, como a braúna e sapucaia, além de
guaribú e gibatão, entre outras.
>
> O coordenador do MPA confirmou que a empresa retirou seus tratores
da região, e que a milícia a serviço da empresa continua na área
permanentemente. No córrego Jacutinga moram cerca de 30 famílias de
agricultores e na região do Córrego do Farias, cerca de 300 famílias
resistem em meio aos plantios de eucalipto, pasto e cana-de-açúcar.
>
> Os agricultores prometem resistir e não deixar a Aracruz Celulose
desmatar a região.
>
>
>
>
> Eucalipto secou o córrego
>
> As famílias que ocupam o córrego Jacutinga têm uma história de
terror para contar: após o desmate da vegetação nativa e o plantio de
eucalipto pela Floresta Rio Doce CVRD nos anos seguintes, o córrego
que garantia água passou a secar nos períodos de estiagem. Relata
Elias Alves que o córrego era fundo o suficiente para permitir às
pessoas tomar banho.
>
> Como a empresa deixou o plantio ao abandono, durante pelo menos duas
décadas, após o eucalipto concluir seu crescimento, e sem o emprego de
herbicidas, a vegetação nativa voltou a crescer. Hoje algumas das
árvores nativas já atingem seis metros de comprimento.
>
> Com a volta da vegetação nativa o córrego de Jacutinga voltou a ter
água o ano todo, inclusive na estiagem. A alegria dos agricultores da
região foi tão grande que eles passaram a reflorestar o outro lado do
córrego, que ocupam, com vegetação nativa: estão plantados mais de
três hectares de nativas. Têm esperança, relata Elias Alves, de que o
nível da água do córrego volte ao normal.
>
> A explicação para a volta da água no córrego Jacutinga pode estar no
fato de que as árvores não foram cortadas após atingirem a maturidade.
Desta forma, seu consumo de água passou a ser menor. Diferentemente do
que faz a Aracruz Celulose, que faz o corte do eucalipto sete anos
após o plantio. No período de crescimento, o eucalipto é voraz
consumidor de água, muito superior às espécies da mata atlântica.
>
> A Aracruz Celulose destruiu 50 mil hectares de mata atlântica no
Espírito Santo. E continua a desmatar: a empresa foi multada em 2006
pelo Ibama na Bahia em R$ 606 mil, por plantio de eucalipto de 202,92
hectares de eucalipto na Fazenda Santa Maria, próxima à área do
entorno do Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado,
extremo sul do Estado.
>
> Em dezembro do ano passado, a Veracel (onde a Aracruz Celulose detém
50% das ações e localizada no sul da Bahia) foi multada em R$ R$
360.900,00 por dificultar a regeneração natural de florestas de mata
atlântica em 1.203 hectares. A Veracel foi multada pelo Ibama por não
cumprimento da determinação da Lei 9.985/2002, que instituiu o Sistema
Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Pelo SNUC, e pela
determinação 013/90 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama),
não podem ser realizados plantios de espécies exóticas em dez
quilômetros de raio da zona de amortecimento dos parques nacionais.
>
> A transnacional Aracruz Celulose teve lucro líquido de R$ 3,17
bilhões nos últimos três anos. O lucro da empresa é favorecido pelos
governos federal e estadual desde sua implantação.
> Também lucra com a apropriação indébita e exploração intensiva de
territórios quilombolas, índios e de pequenos proprietários rurais.
Ocupou e mantêm em seu poder terras devolutas, que são públicas.
>
> O controle acionário da Aracruz é exercido pelos grupos Lorentzen -
ligado à Coroa norueguesa - Safra, Votorantim (28% do capital votante
cada) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social -
BNDES -, com 12,5% do capital). O presidente da Aracruz Celulose é
Carlos Augusto Lira Aguiar, engenheiro químico, nascido em 1945, em
Sobral, no Ceará.
>
>
>
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> ---------------------------------
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>

#1125 De: eduardo luiz <eduardomorari@...>
Data: Qua, 12 de Jul de 2006 7:11 pm
Assunto: Informativo quebrapedra - coletivo ervadaninha
eduardomorari
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Olá pra todos!

Nós do coletivo Erva Daninha - iniciativa anarquista-verde, estamos montando um informativo, e quem quiser receber,
 envie-nos um e-mail com o endereço postal para recebe-lo gratuitamente!

Nosso e-mail é ervadaninha@...


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#1126 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Sex, 14 de Jul de 2006 12:09 am
Assunto: Terráqueos - filme
janosbiro
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Terráqueos


Muito bom, assistam


Antizero
"Não entre em pânico!"

MSN: janosbirozero@...

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#1127 De: "rafasidarta2" <rafasidarta2@...>
Data: Sex, 14 de Jul de 2006 11:48 am
Assunto: Sobre o artigo do Fernando Fernandes que fala de desenvolvimento sustentavel
rafasidarta2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá a todos,
  Bem, o artigo sobre desenvolvimento sustentável do Fernando
Fernandes é bastante interessante, principalmente ao criticar a
idéia de desenvolvimento ligada a um constante crescimento, algo
obviamente insustentável. Mas gostaria de discutir algumas idéias
contidas no texto.
  O autor fala de conservação da natureza em sua totalidade, e em
perda da natureza. Junto com isto nos relata a atuação de
grupamentos humanos no holoceno-pleistoceno, ou seja, a cerca de
50.000 anos, quando extinguimos espécies com nossa caça. Acredito
que o autor foi longe demais, não podemos considera a natureza e o
meio-ambiente como radicalmente separados de nós, também somos parte
da natureza. Ora, 50.000 anos atrás estes grupos humanos caçadores
não haviam desenvolvido civilização, nem mesmo agricultura, e já
estávamos errados? Deste jeito já estamos amaldiçoados e não há que
fazer. Esta extinção causada por estes grupos humanos é muito
diferente da que causamos hoje, ou da causada por civilizações
antigas. A natureza e a vida não são compostas de uma harmonia
simples, esta é uma imagem idealizada por nós, a vida é composta de
interações complexas entre as diferentes espécies com equilíbrio e
desequilíbrios em constante movimento, com desaparecimento de
espécies e aparecimento de novas espécies. Isto não justifica de
modo algum o que fazemos hoje, mas também não podemos dar o mesmo
julgamento a este dois momentos separados por milhares de anos.
  A extinção de animeis pela caça dos homens não pode ser considerada
não-natural. Neste caso estamos falando de espécies em interação em
um ecossistema, e extinções ocorrem mesmo. É muito diferente do caso
de uma floresta inteira destruída para se construir templos. Como o
titulo do grupo sugere, nosso problema e uma cultura que permite um
consumo desordenado que vai muito além da necessidade de manutenção
de um grupo, e o que precisamos é construir uma nova cultura,
possível hoje, devido às reflexões possíveis hoje, e não uma
anulação (impossível) de toda relação com o ecossistema ou negação
de toda cultura (no sentido amplo do termo).
  Assim o texto trás uma discussão interessante, como dimensionar o
conflito conservação X isolamento? Acredito que não dá para ter
certeza do caminho a tomar, mas estas duas dimensões devem ser
integradas. Pois como equacionar tamanho da população e recursos
disponíveis, levando em consideração a disputa com outras espécies?
Não somos tão oniscientes e onipotentes a este ponto, e não estamos,
repito, não estamos fora da natureza, para agir nela com tanta
objetividade.
  Na critica ao desenvolvimento sustentável podemos perceber que a
nossa busca deve ser por uma existência sustentável, mas como pular
de um paradigma para outro assim? Acho que a única resposta é "ir
levando". Atuando em duas frentes que o autor nos apresenta, a
atuação pessoal e cotidiana e a tentativa de modificar estruturas
que nos levam a destruir em vez de conservar, Mas devemos lembrar
que nossa relação com outras espécies, e com o ecossistema,
comportará sempre algo se destruição, a busca de um ideal extremo de
conservação é insana.
  O caminho é a modificação de nossa cultura, de paradigmas que
norteiam a nossa vida. Estes estão presentes em coisas simples e
cotidianas sobre as quais geralmente não refletimos. Precisamos
deixar de querer crescer sempre, ter sempre mais, ganhar cada vez
mais, viver cada vez melhor (no sentido monetário e consumista).
Precisamos desenvolver uma preocupação mais ampla sobre a vida, e
buscar um estilo de vida alternativo. E isto é meio difícil pra
caramba.
  Bem, acredito que estamos sempre diante de escolhas, a reflexão
sobre o que grupos humanos já fizeram no passado não dever ser
justificativa para nossos atos, mas possibilidades de reflexão para
fazermos nossas escolhas. O que escrevi aqui hoje não anulas as
idéias do autor, principalmente suas propostas, mas acredito que
devemos refletir sempre e questionar sempre, para buscar maior
clareza possível do que queremos.
  Então falou pessoal, até.

#1128 De: Márcio Lopes de Faria <saopaulobrasileira@...>
Data: Sex, 14 de Jul de 2006 1:07 pm
Assunto: Re: Sobre o artigo do Fernando Fernandes que fala de desenvolvimento sustentavel
saopaulobras...
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Era isso mesmo que eu queria provocar, um posicionamento das pessoas
alguma movimentação na lista.
 
Acho o texto importante para desmistificar o Bom Selvagem.
Há uma diversidade de culturas, todas produtos históricos de relações que
os homens foram construindo ao longo do tempo nos mais diversos locais,
umas mais sustentáveis outras menos, no entanto todas conviviam bem
com as outras espécies, com Gaia, não estavam desconectados. Não havia
a tentativa de suprimir, controlar e explorar totalmente a Natureza.
 
Hoje paradoxalmente acumulamos não apenas destruíção mas conhecimento
sobre como é possível destruir e como é possível conservar, é necessário
criarmos saídas que permitam chegarmos à um número crítico que
potencialize a mudança para um Novo Paradigma.


rafasidarta2 <rafasidarta2@...> escreveu:
Olá a todos,
Bem, o artigo sobre desenvolvimento sustentável do Fernando
Fernandes é bastante interessante, principalmente ao criticar a
idéia de desenvolvimento ligada a um constante crescimento, algo
obviamente insustentável. Mas gostaria de discutir algumas idéias
contidas no texto.
O autor fala de conservação da natureza em sua totalidade, e em
perda da natureza. Junto com isto nos relata a atuação de
grupamentos humanos no holoceno-pleistoceno, ou seja, a cerca de
50.000 anos, quando extinguimos espécies com nossa caça. Acredito
que o autor foi longe demais, não podemos considera a natureza e o
meio-ambiente como radicalmente separados de nós, também somos parte
da natureza. Ora, 50.000 anos atrás estes grupos humanos caçadores
não haviam desenvolvido civilização, nem mesmo agricultura, e já
estávamos errados? Deste jeito já estamos amaldiçoados e não há que
fazer. Esta extinção causada por estes grupos humanos é muito
diferente da que causamos hoje, ou da causada por civilizações
antigas. A natureza e a vida não são compostas de uma harmonia
simples, esta é uma imagem idealizada por nós, a vida é composta de
interações complexas entre as diferentes espécies com equilíbrio e
desequilíbrios em constante movimento, com desaparecimento de
espécies e aparecimento de novas espécies. Isto não justifica de
modo algum o que fazemos hoje, mas também não podemos dar o mesmo
julgamento a este dois momentos separados por milhares de anos.
A extinção de animeis pela caça dos homens não pode ser considerada
não-natural. Neste caso estamos falando de espécies em interação em
um ecossistema, e extinções ocorrem mesmo. É muito diferente do caso
de uma floresta inteira destruída para se construir templos. Como o
titulo do grupo sugere, nosso problema e uma cultura que permite um
consumo desordenado que vai muito além da necessidade de manutenção
de um grupo, e o que precisamos é construir uma nova cultura,
possível hoje, devido às reflexões possíveis hoje, e não uma
anulação (impossível) de toda relação com o ecossistema ou negação
de toda cultura (no sentido amplo do termo).
Assim o texto trás uma discussão interessante, como dimensionar o
conflito conservação X isolamento? Acredito que não dá para ter
certeza do caminho a tomar, mas estas duas dimensões devem ser
integradas. Pois como equacionar tamanho da população e recursos
disponíveis, levando em consideração a disputa com outras espécies?
Não somos tão oniscientes e onipotentes a este ponto, e não estamos,
repito, não estamos fora da natureza, para agir nela com tanta
objetividade.
Na critica ao desenvolvimento sustentável podemos perceber que a
nossa busca deve ser por uma existência sustentável, mas como pular
de um paradigma para outro assim? Acho que a única resposta é "ir
levando". Atuando em duas frentes que o autor nos apresenta, a
atuação pessoal e cotidiana e a tentativa de modificar estruturas
que nos levam a destruir em vez de conservar, Mas devemos lembrar
que nossa relação com outras espécies, e com o ecossistema,
comportará sempre algo se destruição, a busca de um ideal extremo de
conservação é insana.
O caminho é a modificação de nossa cultura, de paradigmas que
norteiam a nossa vida. Estes estão presentes em coisas simples e
cotidianas sobre as quais geralmente não refletimos. Precisamos
deixar de querer crescer sempre, ter sempre mais, ganhar cada vez
mais, viver cada vez melhor (no sentido monetário e consumista).
Precisamos desenvolver uma preocupação mais ampla sobre a vida, e
buscar um estilo de vida alternativo. E isto é meio difícil pra
caramba.
Bem, acredito que estamos sempre diante de escolhas, a reflexão
sobre o que grupos humanos já fizeram no passado não dever ser
justificativa para nossos atos, mas possibilidades de reflexão para
fazermos nossas escolhas. O que escrevi aqui hoje não anulas as
idéias do autor, principalmente suas propostas, mas acredito que
devemos refletir sempre e questionar sempre, para buscar maior
clareza possível do que queremos.
Então falou pessoal, até.







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#1129 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Sex, 14 de Jul de 2006 5:38 pm
Assunto: Re: Sobre o artigo do Fernando Fernandes que fala de desenvolvimento sustentavel
janosbiro
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Muito boa essa discussão. É trsite que até hoje, quando ouvem falar de crítica à civilização, as pessoas só se lembram de Rousseau, e no máximo para dizer: ah, isso é mito do bom selvagem, descartando imediatamente. As culturas estavam conectadas com a natureza, nós nos desconectamos porque queríamos usurpar seu poder, governá-la (algum paralelo com Lúcifer?). A questão é: nós aumentamos ou diminuimos nosso conhecimento sobre a natureza nos últimos 10 mil anos? Conhecer é aumentar sua capacidade de fazer o mal, como na história do fruto proibido do conhecimento do bem e do mal, ou isso é pseudo-conhecimento, e conhecimento real é saber manter-se no equilíbrio, e não aumentar sua extensão para ambos os lados, como alguns filósofos antigos pensavam? Podemos aí dizer que isso seria sabedoria, não conhecimento, e que adquirimos conhecimento, mas perdemos a sabedoria?

Janos.

Márcio Lopes de Faria <saopaulobrasileira@...> escreveu:
Era isso mesmo que eu queria provocar, um posicionamento das pessoas
alguma movimentação na lista.
 
Acho o texto importante para desmistificar o Bom Selvagem.
Há uma diversidade de culturas, todas produtos históricos de relações que
os homens foram construindo ao longo do tempo nos mais diversos locais,
umas mais sustentáveis outras menos, no entanto todas conviviam bem
com as outras espécies, com Gaia, não estavam desconectados. Não havia
a tentativa de suprimir, controlar e explorar totalmente a Natureza.
 
Hoje paradoxalmente acumulamos não apenas destruíção mas conhecimento
sobre como é possível destruir e como é possível conservar, é necessário
criarmos saídas que permitam chegarmos à um número crítico que
potencialize a mudança para um Novo Paradigma.


rafasidarta2 <rafasidarta2@...> escreveu:
Olá a todos,
Bem, o artigo sobre desenvolvimento sustentável do Fernando
Fernandes é bastante interessante, principalmente ao criticar a
idéia de desenvolvimento ligada a um constante crescimento, algo
obviamente insustentável. Mas gostaria de discutir algumas idéias
contidas no texto.
O autor fala de conservação da natureza em sua totalidade, e em
perda da natureza. Junto com isto nos relata a atuação de
grupamentos humanos no holoceno-pleistoceno, ou seja, a cerca de
50.000 anos, quando extinguimos espécies com nossa caça. Acredito
que o autor foi longe demais, não podemos considera a natureza e o
meio-ambiente como radicalmente separados de nós, também somos parte
da natureza. Ora, 50.000 anos atrás estes grupos humanos caçadores
não haviam desenvolvido civilização, nem mesmo agricultura, e já
estávamos errados? Deste jeito já estamos amaldiçoados e não há que
fazer. Esta extinção causada por estes grupos humanos é muito
diferente da que causamos hoje, ou da causada por civilizações
antigas. A natureza e a vida não são compostas de uma harmonia
simples, esta é uma imagem idealizada por nós, a vida é composta de
interações complexas entre as diferentes espécies com equilíbrio e
desequilíbrios em constante movimento, com desaparecimento de
espécies e aparecimento de novas espécies. Isto não justifica de
modo algum o que fazemos hoje, mas também não podemos dar o mesmo
julgamento a este dois momentos separados por milhares de anos.
A extinção de animeis pela caça dos homens não pode ser considerada
não-natural. Neste caso estamos falando de espécies em interação em
um ecossistema, e extinções ocorrem mesmo. É muito diferente do caso
de uma floresta inteira destruída para se construir templos. Como o
titulo do grupo sugere, nosso problema e uma cultura que permite um
consumo desordenado que vai muito além da necessidade de manutenção
de um grupo, e o que precisamos é construir uma nova cultura,
possível hoje, devido às reflexões possíveis hoje, e não uma
anulação (impossível) de toda relação com o ecossistema ou negação
de toda cultura (no sentido amplo do termo).
Assim o texto trás uma discussão interessante, como dimensionar o
conflito conservação X isolamento? Acredito que não dá para ter
certeza do caminho a tomar, mas estas duas dimensões devem ser
integradas. Pois como equacionar tamanho da população e recursos
disponíveis, levando em consideração a disputa com outras espécies?
Não somos tão oniscientes e onipotentes a este ponto, e não estamos,
repito, não estamos fora da natureza, para agir nela com tanta
objetividade.
Na critica ao desenvolvimento sustentável podemos perceber que a
nossa busca deve ser por uma existência sustentável, mas como pular
de um paradigma para outro assim? Acho que a única resposta é "ir
levando". Atuando em duas frentes que o autor nos apresenta, a
atuação pessoal e cotidiana e a tentativa de modificar estruturas
que nos levam a destruir em vez de conservar, Mas devemos lembrar
que nossa relação com outras espécies, e com o ecossistema,
comportará sempre algo se destruição, a busca de um ideal extremo de
conservação é insana.
O caminho é a modificação de nossa cultura, de paradigmas que
norteiam a nossa vida. Estes estão presentes em coisas simples e
cotidianas sobre as quais geralmente não refletimos. Precisamos
deixar de querer crescer sempre, ter sempre mais, ganhar cada vez
mais, viver cada vez melhor (no sentido monetário e consumista).
Precisamos desenvolver uma preocupação mais ampla sobre a vida, e
buscar um estilo de vida alternativo. E isto é meio difícil pra
caramba.
Bem, acredito que estamos sempre diante de escolhas, a reflexão
sobre o que grupos humanos já fizeram no passado não dever ser
justificativa para nossos atos, mas possibilidades de reflexão para
fazermos nossas escolhas. O que escrevi aqui hoje não anulas as
idéias do autor, principalmente suas propostas, mas acredito que
devemos refletir sempre e questionar sempre, para buscar maior
clareza possível do que queremos.
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#1130 De: eduardo luiz <eduardomorari@...>
Data: Dom, 16 de Jul de 2006 2:05 am
Assunto: futuro Primitivo - John Zerzan
eduardomorari
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FUTURO PRIMITIVO
John Zerzan
A divisão do trabalho, que tanto contribuiu para nos submergir na crise global de nosso tempo, atua cotidianamente para impedir-nos de compreender a origem do horror atual. Mary Lecron Foster (1990) e outros acadêmicos afirmam, com muito eufemismo, que, hoje em dia, a antropologia está "ameaçada por uma fragmentação grave e destrutiva". A voz de Shanks e Tilley (1987) faz eco de um problema similar "o objetivo da arqueologia não é somente interpretar o passado, senão transformar a maneira em como é interpretado em benefício da reconstrução social atual". Evidentemente, as ciências sociais, por si mesmas, limitam a perspectiva e a profundidade da visão necessária que permitiriam uma reconstrução como esta. Em termos das origens e do desenvolvimento da humanidade, o leque de disciplinas e sub-disciplinas cada dia mais ramificado -antropologia, arqueologia, paleontologia, etnologia, paleobotânica, etno-antropologia, etc., etc. - refletem a restrição, o efeito mutilador que a civilização personificou desde o seu começo.
A literatura especializada pode, apesar de tudo, proporcionar uma idéia altamente apreciável, com a condição de abordá-la com método e consciência apropriada, com a condição de deter a decisão de ultrapassar seus limites. De fato as deficiências no pensamento ortodoxo correspondem às exigências de uma sociedade cada vez mais frustrante. A insatisfação com a vida contemporânea se transforma em desconfiança frente às mentiras oficiais que servem para justificar estas condições de existência: esta desconfiança permite assim mesmo esboçar um quadro mais fiel do desenvolvimento da humanidade. Explicou-se exaustivamente a renúncia e a submissão que caracterizam a vida moderna pela "natureza humana". Assim mesmo, o limite de nossa existência pré-civilizada, feita de privações, de brutalidade e de ignorância acaba por fazer aparecer a autoridade como um benefício que nos salva da selvageria. Ainda se invoca ao "homem das cavernas" e "Neanderthal" para nos lembrar onde estaríamos sem a religião, o Estado e os trabalhos forçados.
Porém, esta visão ideológica de nosso passado foi radicalmente modificada no curso das últimas décadas graças ao trabalho de universitários como Richard Lee e Marshall Sahlins. Têm-se assistido a uma mudança quase completa na ortodoxia antropológica de importantes conseqüências. Admite-se a partir de agora que antes da domesticação, antes da invenção da agricultura, a existência humana passava essencialmente no ócio, que descansava na intimidade com a natureza, sobre uma sabedoria sensual, fonte de igualdade entre sexos e de boa saúde corporal. Isso foi nossa natureza humana, por durante aproximadamente dois milhões de anos, antes de nossa submissão aos sacerdotes, reis e patrões.
Recentemente se fez outra revelação surpreendente, ligada à primeira e dando-lhe outra amplitude, que mostra quem fomos e o que nós poderíamos ser. O principal motivo de rejeição às novas descrições da vida dos caçadores-recolhedores consiste, em considerar este modo de vida com condescência, como o máximo a que podia chegar a espécie nos primeiros estágios de sua evolução. Assim, os que ainda propagam esta visão consideram que teria um longo período de graça e de existência pacífica, mas dizem que os humanos simplesmente não tinham a capacidade mental para mudar sua simplicidade por complexidade social e realização tecnológica.
Em um golpe fundamental à civilização, agora aprendemos que não só foi a vida das pessoas uma vez, e para tão muito tempo, um estado que não sabia a alienação ou a dominação, mas como as investigações desde os anos 80 por arqueólogos John Fowlett, Thomas Wynn, e os outros mostraram, aqueles seres humanos possuíram uma inteligência pelo menos igual a nossa própria. A antiga tese da "ignorância" foi apagada de uma vez, e nós contemplamos nossas origens com uma luz nova.
Com a finalidade de colocar a questão de nossa capacidade mental em seu contexto, é útil rever as diversas interpretações (com freqüência carregadas de ideologia) das origens e do desenvolvimento da humanidade. Robert Ardrey (1961,1976) pinta um quadro patriarcal e sanguinário da pré-história, como fizeram num grau ligeiramente menor, Desmond Morris e Lionel Tiger. Na mesma direção, Sigmund Freud e Konrad Lorenz descreveram a depravação inata da espécie, contribuindo assim com uma pedra no edifício da aceitação da hierarquia e do poder no presente.
Felizmente, um panorama muito mais plausível acabou por emergir, correspondendo a um conhecimento geral da vida paleolítica. O compartilhar e repartir os alimentos foram finalmente considerados como um aspecto importante na vida das primeiras sociedades humanas (i.e. Washburn and DeVore, 1961). Jane Goodall (1971) e Richard Leakey (1978), entre outros, chegaram à conclusão que isso foi um dos elementos chave no acesso ao estágio de Homo ao menos há dois milhões de anos. Esta teoria avançada nos inícios dos anos 70 por Linton, Zihiman, Tanner e Isaac, da tese de cooperação, acabou por ser a dominante. Um dos elementos convincentes a favor da tese da cooperação, contra a da violência generalizada e da dominação dos machos, é a da diminuição, já nos primeiros estágios da evolução, da diferença de tamanho e peso entre machos e fêmeas. O dimorfismo sexual era inicialmente muito pronunciado, incluindo tais características como caninos proeminentes ou "dentes de combate" entre os machos e caninos muito menores entre as fêmeas. O desaparecimento dos grandes caninos entre os machos aponta a tese segundo a qual a fêmea da espécie operou uma seleção a favor dos machos sociáveis, que compartilhavam mais. A maior parte dos símios atuais, na ausência da capacidade da fêmea de escolha, têm os caninos significantemente mais longos e grossos entre os machos que entre as fêmeas. (Zihiman 1981, Tanner 1981).
A divisão sexual do trabalho é outra questão fundamental nos princípios da humanidade, é aceita quase sem discussão e inclusive expressada pela ordem mesmo da expressão caçadores recolhedores. Atualmente se admite que a coleta de alimentos vegetais, que durante muito tempo se considerou um domínio exclusivo das mulheres e de importância secundária frente à caça, supervalorizada como atividade masculina, constituía a principal fonte de alimentos (Johansen e Shreeave 1989). Sendo assim, as mulheres não dependiam, de maneira significativa dos homens para se alimentar (Hamilton 1984), parece provável que, ao invés de toda divisão do trabalho, a flexibilidade e a partilha era a regra (Bender 1989). Como mostra Zihiman (1981), uma flexibilidade geral de comportamento teria sido a característica principal dos primeiros tempos da espécie humana. Joan Gero (1991) demonstrou que os utensílios de pedra podiam ter sido feitos tanto por homens como por mulheres, e Poirier (1987) nos lembra que "nenhuma prova arqueológica apóia a teoria segundo a qual os primeiros humanos praticaram a divisão sexual do trabalho". Não parece que a procura de alimento tenha obedecido a uma divisão do trabalho sistemática (Slocum 1975), e é muito provável que a especialização por sexo se fizesse muito tarde no curso da evolução humana (Zihiman 1981, Crader e Isaac 1981).
Assim, se a primeira adaptação de nossa espécie se centrou na coleta, quando apareceu a caça? Binford (1984) sustenta que nenhum sinal de práticas carnívoras indica o uso de produtos animais (i.e. evidência de práticas de sacrifício) até a aparição, relativamente recentes, de humanos anatomicamente modernos. O exame ao microscópio eletrônico de fósseis de dentes encontrados na África Oriental (1984) indicam uma dieta essencialmente composta por frutos, igualmente o exame similar de utensílios de pedra provenientes de Koobi Fora, Quênia, de 1,5 milhões de anos, (Keeley and Toth 1981) mostram que eles usavam para cortar os vegetais. O pouco de carne na dieta no início do Paleolítico era mais provavelmente encontrada do que particularmente caçada (Ehrenberg 1989b).
A condição "natural" da espécie é evidentemente a de uma dieta formada em grande parte por alimentos vegetais ricos em fibra, ao contrário da alimentação moderna de alto conteúdo em matérias gordurosas e proteínas animais com sua seqüela de desordens crônicas (Mendeloff 1977). Nossos primeiros antepassados utilizavam "seu conhecimento detalhado do meio, numa espécie de cartografia cognitiva" (Zihiman 1981) na atividade de coletar as plantas que serviam a sua subsistência, as evidências arqueológicas da existência de caça não aparecem senão muito lentamente ao longo do tempo (Hodder 1991).
Entretanto, muitos elementos vêm contradizer a tese de que a caça estava muito estendida durante os tempos pré-históricos. Por exemplo, as pilhas de ossadas nas quais antes se via uma prova de matanças em massa de mamíferos, ao examiná-las resultaram em vestígios de inundações ou de refúgio de animais. Em "Were There Elephant Hunters at Tooralba?", Lewis Binford’s (1989) duvida que as primeiras caçadas significativas teriam aparecido antes de 200.000 anos, ou mais cedo. Adrienne Zihiman (1981), chegou à conclusão de que "a caçada apareceu relativamente tarde na evolução", e "não existia antes dos últimos 100.000 anos". E há muitos (e.i Strauss 1986, Trinkhaus 1986) pesquisadores que não vêem evidências de caçadas consideráveis de grandes mamíferos antes de uma data ainda mais próxima, ao final do Paleolítico superior, justo antes da aparição da agricultura.
Os artefatos conhecidos mais antigos são as ferramentas de pedra talhada de Hadar, na África Oriental. Graças aos métodos de datação precisos, utilizados hoje em dia, estima-se que poderia ter 3,1 milhões de anos (Klein 1989). Talvez o principal motivo para atribuir estes objetos à mão do homem é que se trata de ferramentas fabricadas utilizando outra ferramenta, característica encontrada só em humanos até onde nós sabemos. O Homo habilis, ou "homem pratico" designa o que se considera a primeira espécie humana conhecida, este nome foi associado às primeiras ferramentas de pedra (Coppens 1989). Instrumentos básicos de madeira e de osso, embora perecível e assim escassamente representado no registro arqueológico, também foram usados por Homo habilis como a parte "de uma adaptação notavelmente simples e eficaz" na África e a Ásia (Fagan 1990).
Neste estágio nossos antepassados tinham um cérebro e um corpo menor que o nosso, mas Poitier faz notar que "sua anatomia pós-craniana era muito parecida à dos humanos modernos", e Holloway afirma que os estudos das marcas endocranianas deste período indicam uma organização cerebral fundamentalmente moderna. Igualmente, certas ferramentas de mais de dois milhões de anos provam o predomínio dos destros, pelo jeito que estão talhadas às pedras. A tendência a utilizar prioritariamente uma mão, traduz-se, entre os modernos, em caracteres tipicamente humanos, estas são a lateralização pronunciada do cérebro e a separação marcada dos dois hemisférios cerebrais. Klein (1989) conclui que "as capacidades cognitivas e de comunicação humanas básicas são quase certamente contidas".
Segundo a ciência oficial, o Homo erectus é outro grande antecessor do Homo sapiens; teria aparecido por volta 1,75 milhões de anos no momento em que os humanos saíam dos bosques para espalhar-se pelas savanas africanas, mais secas e mais abertas. Apesar de que o volume do cérebro não corresponde com a capacidade intelectual, o volume craniano do Homo erectus é neste ponto similar ao dos homens modernos do mesmo gênero, e "deve ter sido capaz de muitos dos mesmos comportamentos" (Ciochon, Olsen e Tames 1990).
Como diz Johanson e Edey: "se for comparar Homo erectus dotado de um cérebro maior que o de Homo sapiens - sem considerar suas outras particularidades - os seus nomes de espécie teriam de ser invertidos". O Homo Neanderthalus, que nos teria precedido diretamente, possuía um cérebro ligeiramente maior que o nosso (Delson 1985, Holloway 1985, Donald 1991). Em contrapartida o Neanderthal é muito difamado como uma criatura primitiva, bestial - de acordo com a prevalência ideologia de Hobbesiana (1) - apesar da inteligência manifesta bem como enorme força física (Shreeve 1991).
Contudo, recentemente, a mesma classificação como espécie constitui uma hipótese duvidosa (Day 1987, Rightmire 1990). A atenção foi chamada pelo fato de que amostras de fósseis provenientes de diversas espécies de Homo "apresentam traços morfológicos intermediários", coisa que contradiz, por obsoleta, a divisão arbitrária da humanidade em categorias sucessivas e separadas (Gingerich 1979, Tobias 1982). Fagan (1989), por exemplo, ensina-nos que "é muito difícil traçar uma fronteira taxonômica clara entre Homo erectus e Homo sapiens arcaico de um lado e Homo sapiens arcaico e anatomicamente moderno de outro". Igualmente, Foley (1989) faz notar que "as distinções anatômicas entre Homo erectus e Homo sapiens não são grandes". Jelinek (1978) de modo plano declara que "não ha razão, anatômica ou cultural" para separar erectus e sapiens em duas espécies, e conclui (1980a) que so’ os humanos desde o paleolítico médio, pelo menos, "podem considerar-se como Homo sapiens". O formidável retrocesso no passado na datação da aparição da inteligência, da qual falaremos mais adiante, tem-se de ver desde a confusão atual sobre o tema das espécies, à medida que o modelo evolucionista praticamente dominante chega a seus limites.
Mas a controvérsia sobre a classificação das espécies não nos interessa mais do que em relação com o conhecimento da maneira de viver de nossos antepassados. Apesar do caráter mínimo que se pode esperar encontrar depois de milhares de anos, podemos vislumbrar um pouco a textura daquela vida e dos aspectos, com freqüência elegantes, que precederam à divisão do trabalho. O "kit de ferramentas" da região da Garganta de Olduvaï, famoso feito dos Leakeys, contém "ao menos seis tipos de instrumentos claramente identificáveis que se remontam a 1,7 milhões de anos aproximadamente" (M. Leakey, 1978). É ali onde aparece o machado acheliano (2) com sua grande beleza simétrica, que foi utilizado durante um milhão de anos. Com sua forma de lagrima, e possuído de um equilíbrio notável, exala graça e facilidade de uso, de uma era anterior a simbolização. Isaac (1986) observou que "as necessidades de ferramentas afiadas podem ser satisfeitas pelas diversas formas geradas a partir do modelo "Oldowan" de pedra talhada", e se pergunta como se pôde pensar que "quanto mais complexo mais adaptado". Nesta época longínqua, segundo sinais de corte sobre ossadas, os homens se serviam dos tendões e peles arrancadas dos cadáveres de animais para confeccionar cordas, sacos e tapetes (Gowlett 1984). Outros elementos fazem pensar que as peles serviam para cobrir as paredes das cavernas e de assentos na gruta, e camas de alga marinha (Butzer 1970).
O uso do fogo se origina a quase dois milhões de anos (Kempe 1988) e, poderia ter aparecido antes, se não fosse pelas condições tropicais reinantes na África nos inícios da humanidade, como Poirier (1987) indicou. O domínio do fogo permitia incendiar as grutas para eliminar os insetos e esquentar o solo (Perles 1975, Lumley 1976), elementos de conforto que aparecem cedo no Paleolítico.
Assim como John Gowlet (1986) notou, alguns arqueólogos consideram que todos os humanos anteriores ao Homo sapiens - os quais a aparição oficial se remonta ao menos há 300.000 anos - são consideravelmente mais primitivos do que nós, "homens completos". Mas a par das provas citadas anteriormente, da existência de um cérebro anatomicamente "moderno" entre os primeiros humanos, esta inferioridade se vê de novo contradita por trabalhos recentes, que demonstram a presença de uma inteligência humana completa quase desde o nascimento da espécie humana. Thomas Wynn (1985) estima que a fabricação do machado acheliano exige "um grau de inteligência, característico de adultos completamente modernos". Gowlett, assim como Wynn, examina o "pensamento operacional" necessário no uso do martelo, da partilha de força ao escolher o ângulo de batimento apropriado, segundo uma seqüência ordenada e com a flexibilidade necessária para modificar o processo. Ele afirma que eram necessárias capacidades de manipulação, de concentração, de visualização da forma em três dimensões, e de planejamento, e que estas exigências "eram comuns entre os primeiros humanos, a pelo menos dois milhões de anos, e isto", ele acrescenta, "é uma certeza, não uma hipótese".
Durante o vasto período do Paleolítico, houve notavelmente poucas modificações na tecnologia (Rolland 1990). Segundo Gerhard Kraus (1990), a inovação, "ao longo de dois milhões de anos e meio, medida pela evolução do instrumento de pedra é praticamente nula". Visto à luz do que agora sabemos da inteligência pré-histórica, esta ‘estagnação’ é especialmente desanimadora para muitos especialistas das ciências sociais. Para Wymer (1989), "É difícil compreender um desenvolvimento de uma tal lentidão". Ao invés, a mim, parece muito plausível, que a inteligência, a consciência da riqueza que proporciona a existência do caçador-coletor (3), seja a razão da marcada ausência de "progresso". Parece evidente que a espécie tem, deliberadamente, recusado a divisão do trabalho, a domesticação e a cultura simbólica até uma data recente.
O pensamento contemporâneo, em sua encarnação pós-moderna, gostaria de excluir a realidade numa divisão entre natureza e cultura; entretanto, dada a capacidade de juízo dos seres humanos antes da chegada da civilização, talvez seja mais exato dizer que, basicamente, durante um tempo muito longo escolheu-se a natureza em detrimento da cultura. É igualmente popular ver todo gesto ou objeto humano como simbólico (por exemplo, Botscharow 1989), uma posição que é, em geral, a parte negativa de uma natureza contra a distinção de cultura. Mas é da cultura como a manipulação de formas simbólicas básicas de que tratamos aqui. Parece-me igualmente claro que nem o tempo reificado, nem a linguagem escrita, com certeza, nem provavelmente a linguagem falada (ao menos durante boa parte do período), nem nenhuma outra forma de contabilidade ou arte tinham tido um lugar na vida humana pré-histórica - apesar de uma inteligência capaz de inventá-los.
Eu gostaria de manifestar, de passagem, meu acordo com Goldschmidt (1990) quando escreve que "a dimensão oculta da construção do mundo simbólico é o tempo". E como afirma Norman O. Brown, "a vida não reprimida não se situa num tempo histórico", a qual considero um lembrete ao fato de que o tempo como materialidade não é inerente à realidade, mas uma imposição cultural, talvez o primeiro fato cultural imposto à realidade. É à medida que evolui esta dimensão elementar de progressos de cultura simbólica que se estabelece, aos mesmos passos, a alienação do natural.
Cohen (1974) discutiu que os símbolos são "indispensáveis para o desenvolvimento e a manutenção da ordem social". Isto implica - como indicam mais precisamente ainda muitas provas tangíveis - que antes do surgimento dos símbolos, não havia condição de desordem exigindo-os. Em linha similar, Leví-Strauss (1953) marcou que o "pensamento mítico progride sempre a partir da consciência de oposições para sua resolução". Então, de onde vem esta ausência de ordem, dos conflitos ou das "oposições"? A literatura sobre o Paleolítico não contém quase nada que lida com esta pergunta essencial, entre milhares de monografias em características específicas. Uma hipótese razoável, na minha opinião, é que a divisão do trabalho, despercebido por causa do seu passo glacialmente lento, e não suficientemente entendido por causa da sua novidade, começou a causar pequenas fissuras na comunidade humana e práticas insalubres com relação à natureza. No final do paleolítico superior, "faz 15.000 anos, começa a se observar no Oriente Médio uma coleta especializada de plantas, e uma caça também mais especializada", observou Gowlett (1984). A aparição repentina de atividades simbólicas (por exemplo, rituais e artes) no Paleolítico superior é inegável, para os arqueólogos uma das "grandes surpresas" (Binford 1972b) da pré-história, dada sua ausência no Paleolítico médio. Mas os efeitos da divisão do trabalho e a especialização fizeram sentir sua presença enquanto ruptura da totalidade da ordem natural - uma ruptura que é necessária explicar. O que é surpreendente é que essa transição para a civilização possa ainda ser vista como benigna. Foster (1990) parece fazer-lhe apologia quando conclui que "o mundo simbólico se revelou como extraordinariamente adaptativo. Senão, como Homo sapiens pôde chegar a ser materialmente o senhor do mundo?". Ele está exatamente correto, como se podem ver em "a manipulação dos símbolos, a essência da cultura", mas ele parece esquecer que esta adaptação conseguiu iniciar a separação do homem e a natureza, bem como a destruição progressiva desta, até a terrível amplitude atual destes dois fenômenos.
Parece razoável afirmar que o mundo simbólico nasceu com a formulação da linguagem, a qual pareceu de uma maneira ou outra a partir da "matriz de comunicação não verbal estendida" (Tanner and Zihiman 1976) e do contato cara-a-cara. Não há consenso sobre o período de aparição da linguagem, mas não existe nenhuma prova de sua existência antes da ‘explosão’ cultural no final do Paleolítico superior (Dibble 1984, 1989). A linguagem parece ter operado como um "agente inibidor", como meio de submeter a vida a um "controle maior" (Mumford 1972), de pôr entraves às ondas de sensações às que o indivíduo pré-moderno era receptivo. Visto assim, se teria produzido verossimilmente um afastamento a partir desta época, da vida de abertura e de comunicação com a natureza, em direção a uma vida orientada para a dominação e a domesticação que seguiram à inauguração da cultura simbólica. Não existe por outra parte, nenhuma prova definitiva (Allport 1983) que permita crer que o pensamento humano é, pelo fato de pensar com palavras, o mais evoluído - por pouco que se tenha a honestidade de apreciar o grau de conclusão de um pensamento. Existem numerosos casos (Lecours e Joanette 1980, Levine et al. 1982), de enfermos que tendo perdido, depois de um acidente ou de outra degradação do cérebro, a fala, incluindo a capacidade de falar silenciosamente com si próprio, são de fato capazes de pensamentos coerentes de todas as maneiras. Estes dados nos sugerem de que a "aptidão intelectual humana é de um empuxo extraordinário, inclusive em ausência de linguagem" (Donald 1991).
Em termos de simbolização na ação, Goldschmidt (1990) parece estar certo quando estima que "a invenção do ritual no Paleolítico superior poderia ser o elemento estrutural que deu um maior impulso à expansão da cultura". O ritual desempenhou um papel central no que Hodder (1990) denominou "o desdobramento implacável de estruturas simbólicas e sociais" que acompanharam a chegada da mediação cultural. Foi como um meio de consolidar a coesão social que o ritual foi essencial (Johnson 1982, Conkey 1985); os rituais totêmicos, por exemplo, reforçam a unidade do clã.
Começa-se a analisar o papel da domesticação, ou a domesticação da natureza, na ordenação cultural da selvageria através do ritual. Evidentemente a mulher como categoria cultural, vista como um ser selvagem ou perigoso, data deste período. As porcelanas rituais de "Vênus" datam 25.000 anos, e parecem ser um exemplo das primeiras aproximações simbólicas da mulher com finalidades de representação e de dominação (Hodder 1990). Mais concretamente ainda, a submissão da natureza selvagem se manifesta nesta época nas primeiras caças sistemáticas dos grandes mamíferos; atividade da que o ritual é parte integrante (Hammond 1974, Frison 1986). Rituais, como a prática do ritual xamânico, podem ser considerados como uma regressão em relação com o estádio no qual todos compartilhavam uma consciência que hoje classificaríamos como extra-sensorial (Leonard 1972). Quando só os especialistas pretendem poder acessar a uma percepção superior, que antes era de desfrute comum, acentuam-se e facilitam novas renuncias em favor da divisão do trabalho. A volta à felicidade pelo ritual é um tema mítico quase universal com a promessa da dissolução do tempo mensurável na eternidade, entre outras maravilhas. Este tema do ritual aponta para um vazio que é exigido falsamente para senti-lo (o dedo na chaga que pretende curar), como faz a cultura simbólica em geral.
O ritual como meio de organizar as emoções, um método de orientação e de construção cultural governa a arte, faceta da expressão ritual (Bender 1989). Para Grans (1985) "não há dúvidas que as diversas formas da arte secular derivam do ritual". Nós podemos detectar o começo de um mal-estar, o sentimento de que uma antiga autenticidade direta está a ponto de desaparecer. La Barre (1972), acredito, está correto ao considerar que "a arte, como a religião, nasce do desejo insatisfeito". Ao princípio mais abstrato como a linguagem, depois de uma maneira mais orientada como ritual e a arte, a cultura entra em cena para responder artificialmente às angústias espirituais ou sociais.
O ritual e a magia dominaram, provavelmente, as origens da arte (no Paleolítico superior) e sem dúvida assumiram um papel essencial, enquanto a divisão do trabalho se impunha progressivamente, na coordenação e a conduta da comunidade (Wymer 1981). Similarmente, Pfeiffer (1982) viu nas célebres pinturas rupestres européias do Paleolítico Superior o primeiro método de iniciar os jovens nos sistemas sociais, agora, complexos; a educação foi então necessária para a manutenção da disciplina e da ordem (ver também Gamble 1982, Jochim 1983). E a arte poderia ter contribuído no controle da natureza, por exemplo, facilitando o desenvolvimento de uma noção primitiva de território (Strauss 1990).
A aparição da cultura simbólica, transformada por sua necessidade de manipular e de dominar, abriu o caminho à domesticação da natureza. Depois de dois milhões de anos de vida humana, respeitando a natureza, em equilíbrio com outras espécies, a agricultura modificou toda nossa existência e nossa maneira de adaptar-nos, de uma maneira desconhecida até o momento. Nunca antes uma espécie tinha conhecido uma mudança radical tão profunda e rápida (Pfeiffer 1977). A auto-domesticação pela linguagem, pelo ritual e pela arte inspirou a dominação de animais e plantas que lhe seguem. Aparecida apenas há 10.000 anos, a agricultura triunfou rapidamente; pois a dominação, por si mesma, gera e exige continuamente, seu reforço. Uma vez difundida, a vontade de produzir foi tanto mais produtiva quanto mais se exercia eficazmente, e de fato tanto mais predominante e adaptativa.
A agricultura possibilita o nascimento desmedido da divisão do trabalho, cria os fundamentos materiais da hierarquia social e inicia a destruição ambiental. Os sacerdotes, os reis e o trabalho obrigatório, a desigualdade sexual, as guerras são algumas das conseqüências específicas imediatas (Ehrenberg 1986b, Wymer 1981, Festinger 1983). Enquanto os humanos do Paleolítico tinham um regime alimentício extraordinariamente variado, alimentavam-se de milhares de plantas diferentes, com a agricultura reduziu notavelmente essas suas fontes de alimentação variada (White 1959, Gouldie 1986).
Dada a inteligência e o vasto saber prático da humanidade durante a Idade de Pedra, pode-se fazer a pergunta "porquê a agricultura não apareceu, por exemplo, um milhão de anos antes, ao invés de só 8.000 anos A.C.?". Forneci uma breve resposta ao formular a hipótese de uma lenta e insidiosa progressão da alienação, fundamentada sobre a divisão do trabalho e a simbolização, mas ao considerar suas desastrosas conseqüências, ainda é um fenômeno desconcertante. Assim, como diz Binford (1968): "a questão não é argumentar porquê a agricultura se desenvolveu em todos os lugares, senão porquê se desenvolveu em absoluto?". O fim do modo de vida dos caçadores-coletores implicou um declínio do tamanho, da estatura e da robustez do esqueleto (Cohen e Armelagos 1981, Harris e Ross 1981), e a introdução da cárie dental, as carências alimentarias e as doenças infecciosas (Larsen 1982, Bujkstra 1976ª, Cohen 1981). "Em conjunto... uma diminuição da qualidade -e seguramente da duração - da vida humana", concluem Cohen e Aremelagos (1981).
Outra conseqüência foi a invenção do número, inútil antes da existência da propriedade de colheitas, dos animais, e da terra, que é uma das características da agricultura. O desenvolvimento da numeração fez crescer a necessidade de tratar à natureza como uma coisa a dominar. A escritura era também necessária para a domesticação, para as primeiras formas de transação comercial e de administração política (Larsen 1989). Levi-Strauss demonstrou de uma maneira convincente que a função primeira da comunicação escrita foi facilitar a exploração e a subjugação (1955); as cidades e os impérios, por exemplo, seriam impossíveis sem ela. Vê-se aqui claramente a junção da lógica da simbolização ao crescimento de capital.
Conformismo, repetição e regularidade são as claves da civilização triunfante, substituindo a espontaneidade, o encantamento e a descoberta característicos da sociedade humana pré-agrícola que sobreviveu desta maneira durante muito tempo. Clark (1979) fala da "amplitude do tempo de lazer" dos caçadores-coletores, e conclui que "foi isso e o modo de vida agradável que o acompanhava, e não as penúrias e o longo trabalho cotidiano, o que explica porquê a vida social foi tão estática". Um dos mitos mais vivos e mais antigos é a existência de uma Idade de Ouro, caracterizada pela paz e a inocência, antes que, alguma coisa, destruísse aquele mundo idílico e nos reduzisse à miséria e o sofrimento. O Éden, ou qualquer que seja o nome que se lhe dê, era o mundo dos nossos antepassados primevos, e estes mitos expressam a nostalgia daqueles que trabalham sem respirar, na servidão, ante uma vida livre e relativamente muito mais fácil, mas já perdida.
O rico ambiente habitado pelos humanos antes da domesticação e da agricultura, hoje em dia praticamente desapareceu. Para os raros caçadores-coletores sobreviventes, ficam somente as terras marginais, os lugares isolados e não reivindicados pela agricultura e englobados pela conurbação. Apesar disto, os escassos recolhedores-caçadores que conseguem ainda escapar à pressão enorme da civilização, estão na mira para transformarem-se em escravos (isto é, camponeses, sujeitos políticos, assalariados), estão todos eles influenciados pelo contato de povos estrangeiros (Lee 1976, Mithen 1990).
Duffy (1984) nota, que os caçadores-coletores que estudou, os Pigmeus Mbuti de África Central (4), foram aculturados pelos agricultores e cidadãos dos arredores durante centenas de anos e, em menor medida por gerações de contato com a administração colonial e os missionários. E parece que um impulso em direção a vida autêntica que vem do fundo dos séculos persiste entre eles: "tente imaginar", pede-nos Duffy, "um modo de vida onde a terra, o alojamento e a alimentação são gratuitos, e onde não há dirigentes, nem patronos, nem políticos, nem crime organizado, nem impostos, nem leis. Acrescente a isto os benefícios de pertencer a uma sociedade onde tudo se reparte, onde não há ricos nem pobres e onde o bem-estar não significa a acumulação de bens materiais". Os Mbuti nunca domesticaram animais nem cultivaram vegetais.
Entre os membros das bandas não-agrícolas existe uma combinação altamente sã de pouco trabalho e abundância material. Bodley (1976) descobriu que os San (conhecidos com o nome de Bosquímanos[5] ) do deserto árido de Kalahari, no Sul da África, trabalham menos horas do que seus vizinhos agricultores. De fato, em períodos de seca, é aos San a quem se dirigem os agricultores para sobreviver (Lee 1968). Eles passam "surpreendentemente pouco tempo trabalhando e muito tempo em paz e lazer", segundo Tanaka (1980), enquanto outros estudiosos (Marshall 1976, Guenther 1976) comentaram a vitalidade e liberdade dos San comparada com agricultores sedentários, a sua vida relativamente segura e calma.
Flood (1983) notou que os aborígines da Austrália consideram que "o trabalho requerido para lavrar e plantar não é compensado pelas possíveis vantagens". Num plano geral, Tanaka (1976) revelou a abundância e equilíbrio dos alimentos vegetais em todas as primeiras sociedades humanas, bem como em todas as sociedades caçadoras-coletoras modernas. Da mesma maneira, Festinger (1983) fala do acesso entre os humanos do Paleolítico "a consideráveis quantidades de comida sem grande esforço", acrescentando que "os grupos contemporâneos de caçadores-coletores fazem muito bem, mesmo quando foram encurralados para habitat marginais". Como Hole e Flannery (1963) resumiram: "nenhum grupo sobre a terra dispõe de mais lazer do que os caçadores e coletores, que consagram o melhor do tempo ao jogo, à conversa e descontração". Eles dispõem de mais tempo livre, acrescenta Binford (1986), "que os operários industriais ou agrícolas modernos, ou inclusive mais do que os professores de arqueologia".
Como disse Vaneigem (1975), os não-domesticados sabem que só o presente pode ser total. Isto significa que vivem a vida com uma imediação, uma densidade e uma paixão incomparavelmente maior do que nós vivemos. Diz-se que dias revolucionários valem séculos; até lá "olhemos antes e depois", como Shelley escreveu, "E suspiremos para o que não é...".
Os Mbuti acreditam (Turnbull 1976) que "por um cumprimento correto do presente, o passado e o futuro se cuidarão por si sós". Os povos primitivos não têm necessidade de recordações e não dão, geralmente, nenhuma importância aos aniversários nem à contagem da idade (Cipriani 1966). Quanto ao futuro, eles têm tão pouco desejo de dominar o que ainda não existe como de dominar a natureza. Sua consciência de uma sucessão de instantes misturando-se no fluxo e o refluxo do mundo natural, não impede a noção das estações, mas não constitui uma consciência alienada do tempo que os despoja do presente.
Embora os caçadores-coletores contemporâneos comam mais carne do que seus antepassados pré-históricos, os alimentos vegetais constituem ainda o essencial de seu menu nas regiões tropicais e subtropicais (Lee 1968ª, Yellen e Lee 1976). Tanto os San do Kalahari como os Hazda da África Oriental, onde a caça é mais abundante do que no Kalahari, dependem da coleta em 80% de sua alimentação (Tanaka 1980). O ramo ¡Kung dos San (6) coleta mais de uma centena de vegetais diferentes (Thomas 1968) e não apresentam nenhuma carência alimentícia (Truswell e Hansen 1976). Isto se assemelha a dieta saudável e variada dos coletores australianos (Fisher 1982, Flood 1983). A dieta geral dos caçadores coletores é melhor do que dos agricultores, a desnutrição é muito rara e seu estado geral de saúde é geralmente superior, com menos doenças crônicas (Lee and Devore, Ackerman 1990).
Laure Van der Post (1958) se maravilhava ante a exuberância do riso dos San, uma gargalhada que sai "do centro do ventre, um riso que não se ouve nunca entre civilizados". Ele julga que é um sinal de grande vigor e de uma clareza de sentidos que se resiste ainda aos assaltos da civilização. Truswell e Hansen (1976) poderiam dizer a mesma coisa de outra pessoa dos San, que tinha sobrevivido a um combate, desarmado, contra um leopardo; ainda que ferido, ele tinha conseguido ferir também ao animal com as mãos nuas.
Os habitantes das ilhas Andaman (7), ao oeste de Tailândia, não se submetem a nenhum líder, ignoram toda representação simbólica e não criam nenhum tipo de animal doméstico. Observou-se igualmente entre eles a ausência de agressividade, a violência, e a doença; suas feridas curam com uma rapidez surpreendente, e a sua vista e a audição são particularmente agudas. Diz-se que declinaram desde a invasão dos europeus em meados do século XIX, mas apresentam ainda traços físicos extraordinários, como uma imunidade natural à malária, uma pele elástica o suficiente para excluir marcas de estiramento pós-parto e a rugosidade que associamos com o envelhecimento, e uma força 'incrível' de dentes: Cipriani (1966) relata ter visto garotos de 10 a 15 anos dobrando pregos entre as mandíbulas. Ele também testemunhou a prática Andamese de coletar o mel sem nenhuma roupa protetora: "não lhes picam nunca, vendo-lhes tinha a impressão de estar frente a algum mistério antigo, perdido pelo mundo civilizado". DeVries (1952) citou uma larga variedade de contrastes pelos quais a saúde superior de caçadores-coletores pode ser estabelecida, inclusive uma ausência de doenças degenerativas e inabilidades mentais, e parto sem dificuldade ou dor. Ele também indica que isto começa a se perder no momento do contato com a civilização.
Na mesma ordem de idéias, dispõe-se de grande número de provas não somente do vigor psíquico e emocional dos primitivos senão também de sua excelente capacidade sensorial. Darwin descreveu os habitantes do extremo sul de América que viviam quase nus em condições de frio extremas, igualmente Peasley (1983) observou aborígines australianos que passavam a noite no deserto em temperaturas muito baixas "sem nenhum tipo de vestimenta". Levi-Straus (1979) explicou sua surpresa ao saber que uma determinada tribo de América do Sul podia ver o planeta Vênus a plena luz do dia, proeza comparável à dos Dogon do Norte da África, que consideram Sírius B como a estrela mais importante, uma estrela visível só com potentes telescópios. Na mesma via, Boyden (1970) descreveu a capacidade dos Bosquímanos para ver, a olho nu, quatro das luas de Júpiter.
No livro The Harmless People (1959), E. Marshall explicou como um Bosquímano se tinha dirigido com precisão para um ponto situado numa vasta planície, "sem moitas ou árvores para marcar o lugar", e tinha assinalado com o dedo uma fibra de erva com um filamento de liana, quase invisível, que tinha marcado meses antes, na estação das chuvas, quando era verde. O tempo se tinha tornado caloroso e ao voltar a passar por aquele lugar, obteve uma suculenta raiz com a qual matou sua sede. Também no deserto do Kalahari, Van der Post (1958) refletia sobre a comunicação entre os San/Bosquímanos com a natureza, falando de um nível de experiência que "se poderia inclusive chamar mística. Por exemplo, eles parecem saber o que se experimenta quando se é um elefante, um leão, um antílope, um lagarto, um rato, um louva-a-deus, a árvore de baobá, uma cobra de capelo listrada ou a Amarílis sonhadora, para citar só alguns dos seres entre os quais eles se moveram". Parece quase banal comentar que com freqüência se fica um surpreso ante a habilidade dos caçadores-coletores para seguir uma pista desafiando toda explicação racional (Lee 1979).
Rohrlich-Leavitt (1976) notou que "os dados dos que dispomos mostram que geralmente os caçadores-coletores não procuram delimitar um território próprio e bilocal [8]; rejeitam agressão coletiva e recusam a competição; repartem livremente os recursos; apreciam o igualitarismo e a autonomia pessoal no quadro da cooperação de grupo e são indulgentes e carinhosos com as crianças". Dezenas de estudos fazem da partilha e do igualitarismo o caráter distintivo destes grupos (Marshall 1961 and 1976, Sahlins 1968, Pilbeam 1972, Damas 1972, Diamond 1974, Lafitau 1974, Tanaka 1976 and 1980, Wiessner 1977, Morris 1982, Riches 1982, Smith 1988, Mithen 1990). Lee (1982) tem falado "da universalidade da distribuição entre os caçadores-coletores", igualmente, no trabalho de Marshall de 1961, vê-se uma "ética de generosidade e de humanidade" demonstrando uma "forte tendência igualitária" entre os caçadores-coletores. Tanaka fornece um exemplo típico: "a característica do caráter mais apreciado é a generosidade, e o mais desprezado é o egoísmo e mesquinhez".
Baer enumerou que "o igualitarismo e o sentido democrático, a autonomia pessoal e a individualização, o sentido protetor" como as virtudes principais dos não civilizados; e Lee fala "de uma aversão absoluta pelas distinções hierárquicas entre os povos caçadores-coletores do mundo inteiro". Leacock e Lee (1982) frisam que "toda presunção de autoridade" no seio do grupo "provoca brigas e raiva entre os Kung!, como foi observado também entre os Mbuti (Turnbull 1962), os Hazda (Woodburn 1980) e os montanheses de Montagnais-Naskapi (Thwaites 1906), entre outros. "Até o pai de uma família espalhada não pode dizer a seus filhos e filhas o que tem de fazer. A maioria dos indivíduos parecem atuar sobre suas próprias regras internas", escreve Lee (1972) sobre os Kung! de Botswana. Ingold (1987) julga que "a maior parte das sociedades de caçadores-coletores, dão um valor supremo ao principio de autonomia individual", equivalente a descoberta de Wilson (1988) de uma "ética de independência" que é comum nas "sociedades abertas em questão".
O estimado antropólogo de campo Radin (1953) vai a ponto de dizer que "na sociedade primitiva se deixa campo livre a todas as formas concebíveis de expressão da personalidade. Não se emite nenhum juízo moral sobre nenhum aspecto da personalidade humana como tal". Observando a estrutura social dos Mbuti, Turnbull (1976) se surpreende ao encontrar "um vazio aparente, uma ausência de se sistema interno quase anárquico". Segundo Duffy, "os Mbuti são naturalmente acéfalos, sem chefes - não tem nem lideres nem soberanos, e as decisões que dizem respeito ao grupo são tomadas por consenso". Neste tema, como em muitos outros, encontra-se uma diferença enorme entre caçadores-coletores e os campesinos. As tribos de agricultores Bantu (9) (p. ex. os Saga) que rodeiam os San, estão organizados na aristocracia, hierarquia e trabalho, enquanto que os San não conhecem coisa diferente do igualitarismo. A domesticação é o princípio que explica esta distinção drástica.
A dominação no seio de uma sociedade não é possível sem a dominação da natureza. Pelo contrario, nas sociedades de caçadores-coletores não existe nenhuma hierarquia entre a espécie humana e as outras espécies animais (Noske 1989), da mesma forma, as relações que unem os caçadores-coletores entre si não são hierárquicas. Os não-domesticados tipicamente consideram os animais que caçam como iguais, e esse tipo de relação fundamentalmente igualitária durou até a chegada da domesticação.
Quando a alienação progressiva da natureza se converteu em domesticação social patente (agricultura) não mudaram somente os comportamentos sociais. Os relatos dos marinheiros e exploradores que chegaram às terras "recém-descobertas" asseguram que nem os pássaros, nem os mamíferos selvagens tinham medo dos invasores humanos (Brock 1981). Alguns grupos de caçadores-coletores não caçavam antes de ter contato com o exterior, por exemplo, os Tasadai das Filipinas; mas enquanto a maior parte praticavam a caça "não se tratava de um ato agressivo" (Rohrlich-Leavitt 1976). Turnbull (1965) observou os Mbuti que caçam sem qualquer espírito agressivo, e até é executado com uma espécie de desgosto. Hewitt (1986) notou laços de simpatia que unem caçador e caça entre os Bosquímanos Xan que contatou no século XIX.
A respeito da violência entre os caçadores-coletores, Lee (1988) descobriu que "os Kung! odeiam lutar e acham estúpido quem luta". Segundo a narração de Duffy (1984), os Mbuti "consideram toda violência entre indivíduos com muito horror e desgosto e não as representam nunca em suas danças e jogos teatrais". O homicídio e o suicídio, conclui Bodley (1976), são "realmente excepcionais" entre os tranqüilos caçadores-coletores. A natureza guerreira dos povos indígenas nativos da América foi freqüentemente fabricada para adicionar legitimidade nas conquistas européias (Kroeber 1961); os caçadores-coletores Comanches conservaram suas maneiras não violentas durante séculos antes da invasão européia, e só foram violentos com o contato com uma civilização dedicada ao roubo (Fried 1973).
O desenvolvimento da cultura simbólica, que culminou rapidamente na agricultura, esta ligada através de rituais a vida social alienada entre os grupos de caçadores-coletores existentes. Bloch (1977) descobriu uma correlação entre os níveis de rituais e hierarquia. Posto negativamente, Woodbum (1968) estabeleceu uma conexão entre a falta de rituais e a ausência de papeis especializados e hierarquia entre os Hazda da Tanzânia. O estudo de Turner (1957) sobre os Ndembu do oeste Africano revela uma profusão de estruturas ritualísticas e de cerimônias destinadas a equilibrar os conflitos gerados numa ruptura de uma sociedade anterior mais unida. Estas cerimônias e estas estruturas têm uma função política de integração. O ritual é uma atividade repetitiva para a qual as conseqüências e resultados que engendra tem o efeito de um contrato social; ele transmite a mensagem que a prática simbólica, através da participação do grupo e das regras sociais, fornece o controle (Cohen 1985). O ritual nutre a aceitação da dominação, e, como se demonstra, conduz a criação de papeis de comando (Hitchcock 1982) e de estruturas políticas centralizadas (Lourandos 1985). O monopólio das instituições cerimoniais prolonga lentamente a noção de autoridade e pode ser, inclusive, a forma original da autoridade.
Entre as tribos de agrícolas da Nova Guiné, a autoridade e a desigualdade implícita, esta fundada sobre a hierarquia na participação de rituais de iniciação ou sobre a mediação espiritual de um xamã (Kelly 1977, Modjeska 1982). Vemos no papel do xamã uma pratica concreta da contribuição dos rituais para a dominação na sociedade humana.
Radin (1937) descreve "a mesma tendência característica", entre os povos Asiáticos e Norte Americano, de xamãs ou homens da medicina em "organizar e desenvolver a teoria segundo a qual somente eles estão em comunicação com o sobrenatural". Este acesso exclusivo parece dar-lhes um poder a custa dos outros. Lommel (1967) constata "um aumento da potencia psíquica do xamã...contrabalançado com um enfraquecimento da potencia dos outros membros do grupo". Esta pratica tem implicações muito evidentes sobre as relações de poder em outros domínios da vida, e contrasta com períodos anteriores em que as autoridades religiosas estavam ausentes.
O Batuque do Brasil tem no comando xamãs que afirmam dominar certos espíritos e tratam de vender seus serviços sobrenaturais a clientes, como padres de seitas competidoras (10) (S. Leacock 1988).
Segundo Muller (1961), os especialistas neste tipo de "controle mágico da natureza... acabam naturalmente por controlar também os homens". De fato, o xamã é freqüentemente o individuo mais influente das sociedades pré-agrícolas (p. ex. Sheehan 1985); e está em posição de institucionalizar mudanças. Johannessen (1987) propõe a tese de que a resistência à inovação da agricultura foi vencida pela influencia dos xamãs, entre os Índios do sudeste americano. Igualmente, Maquardt (1985) sugere que as estruturas de autoridade dos rituais tiveram um importante papel no encadeamento e organização da produção agrícola na América do Norte. Outro especialista em grupos americanos (Ingold, 1987) vê uma ligação importante entre os papeis dos xamãs na dominação da natureza e o surgimento da subordinação da mulher.
Berndt (1974) demonstra a importância entre os aborígines australianos dos rituais de divisão sexual do trabalho no desenvolvimento de papeis sexuais negativos, enquanto Randolph (1988), direto, declara: "a atividade ritual é necessária para criar adequadamente tanto homens como mulheres". Não existe na natureza nenhuma razão para a divisão de gênero, explica Bendre (1989). "Tem que ser criados pela proibição e tabu tem que ser ‘naturalizados’ pela ideologia e ritual".
Mas a sociedade de caçadores-coletores, por sua própria natureza, negam os rituais em sua potencialidade de domesticar as mulheres. A estrutura (ausência de estrutura?) dos grupos igualitários, inclusive aqueles mais concentrados na caça, comportam, com efeito, a garantia da autonomia dos dois sexos. Esta garantia é pelo fato de os produtos de subsistência estarem disponíveis igualmente para as mulheres e para os homens e, ainda mais, o sucesso do grupo depende da cooperação fundamentada sobre a autonomia (Leacock 1978, Friedl 1975).
As esferas de cada sexo estão freqüentemente separadas de uma maneira ou outra, mas na medida que a contribuição das mulheres é ao menos igual a dos homens, a igualdade social entre os sexos é uma "chave das sociedades caçadoras-coletoras" (Ehrenberg 1989b). Alias, numerosos antropólogos constataram que nos grupos de caçadores-coletores o status das mulheres é superior que qualquer outro tipo de sociedade (e.g. Fluer- Lobban 1979, Rohrlich-Leavitt, Sykes and Weatherford 1975, Leacock 1978).
Para todas as grande decisões, observa Turnbull (1970) entre os Mbuti, "os homens e as mulheres tem igual voz, a caça e a coleta são igualmente importantes". Ele deixa claro (1981) que existe uma diferenciação sexual - provavelmente mais forte que nos seus antepassados - "mas sem nenhuma idéia de superioridade ou de subordinação". Os homens realmente trabalham mais horas que as mulheres entre os Kung!, segundo Post e Taylor (1984).
Deve-se acrescentar, a respeito da divisão do trabalho, comum entre os caçadores-coletores contemporâneos, que esta diferenciação de papeis não é de nenhum modo universal. Não foi universal quando o historiador romano Tácitus escreveu a propósito dos Fenni da região Báltica, que "as mulheres sustentam a si próprias caçando, exatamente como os homens... e contam seu lote (11) mais feliz do que aqueles outros que gemem sobre o trabalho no campo". Ou quando Procopius encontrou, no século VI a.C., que os Serithifinni da região onde atualmente fica a Finlândia, "não trabalham nunca no campo, nem fazem suas mulheres cultivarem, sendo que suas mulheres se juntam aos homens para caçar".
As mulheres Tiwi da Ilha Melville (12) caçam normalmente(Martin e Voorhies 1975), como as mulheres Agta das Filipinas (13) (Estioko - Griffen e 1981 Griffen). Na sociedade Mbuti, "há pouca especialização segundo sexo. Mesmo a caça é um esforço conjunto", nota Turnbull (1962); e Cotlow (1971), certifica que "os esquimós tradicionais, são (ou eram) uma empresa cooperativa administrada por todo o grupo familiar".
Darwin (1871) descobriu outro aspecto da igualdade sexual; "entre as tribos totalmente bárbaras, as mulheres tem mais poder para escolher, negar e seduzir seus amantes, ou, em conseqüência, mudar de marido, do que se poderia crer". Os Bosquímanos Kung! e os Mbuti são bons exemplos desta autonomia feminina, como nota Marshall (1959) e Thomas (1965). "Aparentemente as mulheres trocam de marido cada vez que estão insatisfeitas com a relação", conclui Begler (1978). Marshall descobriu também que a violação é extraordinariamente rara, quase desconhecida, entre os Kung!.
Um curioso fenômeno intrigante às mulheres caçadoras-coletoras é sua capacidade de impedir a gravidez com a ausência de qualquer tipo de contraceptivos (Silberbauer 1981). Diversas hipóteses têm sido formuladas e rechaçadas, por exemplo, que a fertilidade está ligada a quantidade de gordura no corpo (Frisch 1974, Leibowitz 1986). A explicação que parece plausível se apóia no fato de que os humanos não domesticados estão mais em harmonia com seu ser físico do que nós. Os sentidos e os processos físicos não lhes são alienados ou se fazem através do entorpecimento; o domínio sobre a gravidez é sem dúvida menos misterioso para aqueles que os corpos não são objetos estrangeiros sobre o que se atua.
Os pigmeus do Zaire celebram as primeiras menstruações das meninas com uma grande festa de gratidão e alegria (Turnbull 1962). A mulher jovem experimenta o orgulho e o prazer, e todo o grupo demonstra sua felicidade. Pelo contrário, entre os aldeãos agricultores, uma mulher que menstrua é considerada impura e perigosa, e a colocam em quarentena por um tabu (Duffy 1984). Dramper (1971, 1972, 1975) se impressionou pelas relações livres e igualitárias entre San homens e mulheres, com sua suavidade e respeito mútuo, tipo de relação que perdura, enquanto os San continuam sendo caçadores-coletores e nada mais.
Duffy (1984) descobriu que cada criança de um acampamento Mbuti chama todos os homens de pai e todas mulheres de mãe. As crianças dos caçadores coletores se beneficiam da mais atenção, cuidados e tempo de dedicação que das famílias nucleares isoladas pela civilização. Post e Taylor (1984) descreveram o "um contato quase permanente" com suas mães e com outros adultos de que se beneficiam as crianças bosquímanas. Os bebes Kung! estudados por Ainsworth (1967) apresentam uma precocidade marcada do desenvolvimento das habilidades cognitivas e motoras. Isso foi atribuído tanto à estimulação favorecida por uma liberdade de movimentos sem restrições, como ao nível de calor e proximidade física entre os pais e as crianças (veja Konner 1976).
Draper (1976) pode observar que a "competição nos jogos é praticamente ausente entre os Kung!," assim como Shostack (1976) observa que "os meninos e meninas !Kung jogam de uma maneira conjunta e compartilham a maior parte dos jogos". Ela também descobriu que não se proíbe às crianças os jogos sexuais experimentais, esta situação é similar à liberdade dos jovens Mbuti durante a puberdade de "satisfazerem com deleite e alegria a atividade sexual pré-conjugal" (Turnbull 1981). Os Zuni (14) "não possuem nenhuma noção de pecado", como disse Ruth Benedict (1946) na mesma linha de idéias. "A castidade como estilo de vida é mal considerada… As relações agradáveis entre os sexos são apenas um aspecto das relações cordiais entre os humanos... Sexo é um incidente em uma vida feliz".
Coontz e Henderson (1986) apontam um crescente corpo de evidencias à proposição de que as relações entre sexos são extremamente igualitárias nas sociedades dos caçadores coletores mais rudimentares. As mulheres exercem um papel essencial na agricultura tradicional, mas não se beneficiam com o status correspondente de sua contribuição, ao contrário do que se passava nas sociedades de caçadores coletores (Chevillard e Leconte, 1986, Whyte 1978). Com a chegada da agricultura, as mulheres, assim como as plantas e os animais, também foram domesticadas. A cultura que se estabeleceu pela instauração da nova ordem exigia a submissão autoritária dos instintos, da liberdade e a sexualidade. Toda desordem tem que ser banida, o que é mais elementar e espontâneo precisa estar controlado firmemente na palma da mão. A criatividade das mulheres e o seu ser como pessoas sexuais são pressionadas para dar lugar ao papel, expressado em todas as religiões camponesas, da Grande mãe, isto é, a reprodutora fértil de homens e de alimentos.
Os homens da tribo dos Munduruku (15), agricultores da América do Sul, referem-se às plantas e sexo na mesma frase sobre a submissão das mulheres: "Nós domesticamo-los com a banana" (Murphy e Murphy 1985).
Simone de Beauvoir (1949) reconheceu na equação do arado e do falo um símbolo da autoridade masculina sobre a mulher. Entre os jíbaros (16) da Amazônia, outro grupo de agricultores, as mulheres são as burras de carga e a propriedade privada dos homens (Harner 1972); a "captura de mulheres adultas constitui o motivo de muitas guerras" para estas tribos das planícies da América do Sul (Ferguson 1988). O tratamento brutal e o isolamento das mulheres parecem ser funções das sociedades agrícolas (Gregor 1988), nestes grupos, as mulheres continuam hoje em dia executando a maior parte do trabalho (Morgan 1985).
A caça de cabeças é praticada pelos grupos mencionados acima, como parte da guerra endêmica que envolve a possessão das terras de agricultura (Lathrap 1970); a caça de cabeças e o estado de guerra quase permanente existem também entre as tribos de agricultores das Regiões Montanhosas da Escócia a Nova Guiné (Watson 1970). Lenski em suas pesquisas chegou à conclusão de que a guerra é muito rara entre os caçadores-coletores, mas se torna extremamente freqüente nas sociedades agrícolas. Como expressa sucintamente Wilson (1988): "a vingança, a discórdia, a matança, a batalha e a guerra parece emergir, e é característico, entre os povos domesticados".
Os conflitos tribais, afirma Godelier (1977), são "explicáveis principalmente pela dominação colonial" e não pode ser considerado que sua origem reside "no funcionamento das estruturas pré-coloniais". É certo que o contato com a civilização pode ter tido um efeito degenerativo, mas pode supor-se que o marxismo de Godelier (a saber, de sua má vontade na questão da relação entre domesticação e produção) é, sob suspeita, relevante para tal juízo. Assim, pode-se dizer que os esquimós Cooper (17), que possuem uma taxa significativa de homicídios em seu grupo (Damas 1972), devem essa violência ao impacto das influências exteriores, mas a sua confiança em cães domesticados também deve ser observada.
Arens (1979) afirmou, paralelamente com Godelier ate certo ponto, que o canibalismo como um fenômeno cultural é uma ficção, inventada e promovida pelos agentes conquistadores externos. Mas existem documentos dessa prática (Poole 1983, Tuzin 1976), mais uma vez, entre os povos envolvidos pela domesticação. Os estudos de Hogg (1966), por exemplo, revelam sua presença entre determinadas tribos africanas fundadas sobre a agricultura e modeladas pelo ritual. O canibalismo é geralmente uma forma cultural de controle do caos, no qual as vítimas representam a animalidade, ou tudo aquilo que deve ser domesticado (Sanday 1986). É significativo que um dos grandes mitos dos habitantes das ilhas Fidji, "Como os fidjianos tornaram-se canibais", é literalmente um conto sobre a plantação (Sahlins 1983). Igualmente os astecas, fortemente domesticados e conscientes sobre o tempo praticavam o sacrifício humano como um rito destinado a acalmar as forças rebeldes e manter o equilíbrio de uma sociedade muito alienada. Como Norbeck (1961) apontou, as sociedades não-domesticadas, "culturalmente empobrecidas", são desprovidas de canibalismo e sacrifício humano.
Quanto a um dos elementos subjacentes fundamentais da violência nas sociedades mais complexas, Barnes (1970), descobriu que "na literatura etnográfica, os testemunhos de lutas territoriais" entre caçadores-coletores são "extremamente raras". As fronteiras Kung! são vagas e nunca vigiadas (Lee 1979); Os territórios dos Pandaram se sobrepõe, e os indivíduos vão aonde eles querem (Morris 1982); os Hazda se deslocam livremente de uma região à outra (Woodburn 1968); as noções de fronteira e violação de fronteira possuem pouco significado ou nenhum entre os Mbuti (Turnbull 1966); e os aborígines australianos rechaçam qualquer demarcação territorial ou social (Gumpert 1981, Hamilton 1982). Uma ética de generosidade e hospitalidade toma o lugar da exclusividade (Steward 1968, Hiatt 1968).
Os povos caçadores-coletores não desenvolveram "nenhuma concepção de propriedade privada", na perspectiva de Kitwood (1984). Como notado na referência acima para compartilhar, e com a caracterização de Sansom (1980) aos aborígines como "pessoas sem propriedade", os grupos de caçadores-coletores não compartilham da obsessão da civilização com estrangeiros.
"O meu e o teu, semeiam toda a discórdia, não possuem lugar entre eles", escreveu Pietro (1511) a propósito dos indígenas Norte-Americanos que encontrou na segunda viagem de Colombo. Segundo Post (1958), os bosquímanos não possuem "nenhum sentido de possessão", e Lee (1972) os observa "com nenhuma dicotomia marcada entre os recursos do ambiente natural e a riqueza social". Existe uma linha entre natureza e cultura, e os não-civilizados escolheram a primeira.
Existem muitos caçadores-coletores que poderiam transportar tudo o que eles necessitam usando uma mão, que morrem com praticamente tudo o que eles tinham ao vir ao mundo. Houve um tempo em que a humanidade compartilhou tudo; com a agricultura, a propriedade se transformou essencial, e uma espécie pretendeu possuir o mundo. Nos encontramos ante uma distorção que a imaginação dificilmente poderia ter concebido.
Sahlins (1972) falou disso de uma maneira eloqüente: "Os povos primitivos do mundo possuem poucas possessões, mas não são pobres. A pobreza não é uma determinada quantidade pequena de bens, não é uma relação entre meios e fins; acima de tudo, é uma relação entre as pessoas. A pobreza é um status social. Assim como é uma invenção da civilização".
A "tendência habitual" dos caçadores-coletores "de rejeitar a agricultura até que lhes foi imposto de modo absoluto" (Bodley 1976) expressa uma divisão entre natureza e cultura, bem presente nas idéias dos Mbuti em que qualquer um que se torne um aldeão deixa de ser Mbuti (Turnbull 1976). Eles sabem que o grupo de caçadores-coletores e as vilas de agricultores são sociedades opostas com valores antagônicos.
Chega assim, entretanto, um momento em que o fator crucial da domesticação se perde de vista. "As populações de caçadores-coletores da Costa Oeste da América do Norte, são considerados como anômalos em relação aos outros caçadores-coletores", declarou Cohen (1981); como disse Kelly (1991), "as tribos da Costa Nordeste rompem todos os estereótipos sobre os caçadores-coletores". Estes caçadores-coletores, que tinham seu principal meio de subsistência na pesca, exibiam características alienadas, como chefes, hierarquia, guerra e a escravidão. Mas quase sempre foi ignorado que eles cultivavam tabaco e criavam cachorros. Assim, até mesmo esta célebre anomalia contém caracteres que a relacionam com a domesticação. A sua prática, do ritual à produção, com várias formas de dominação que acompanham, parece ancorar e promover as facetas do declínio de um estado anterior de harmonia.
Thomas (1981) proporciona outros exemplos da América do Norte, os Shoshones do Gran Valle (18) e as três sociedades que a compõe, os Shoshones das montanhas Kawich, os Shoshones do rio Reese e os Shoshones do vale de Owens. Os três grupos apresentaram diferentes níveis de agricultura, marcados por um sentido crescente de territorialidade ou de propriedade e da hierarquia e estritamente correspondente aos diferentes graus de domesticação.
"Definir" um mundo desalienado seria impossível, inclusive indesejável, mas podemos e devemos tentar desmascarar o não-mundo de hoje em dia e como chegamos a ele. Temos tomado um caminho monstruosamente errado com a cultura simbólica e a divisão do trabalho, de um lugar de entendimento, encanto, compreensão e totalidade para a ausência que nos encontramos, no coração da doutrina do progresso. Vazia e cada vez mais vazia, a lógica da domesticação, com suas exigências de total dominação, nos mostram a ruína de uma civilização que arruína todo o resto. Presumir a inferioridade da natureza favorece a dominação de sistemas culturais que logo tornarão a Terra um lugar inabitável.
O pós-modernismo nos diz que uma sociedade sem relações de poder não pode ser mais que uma abstração (Foucault, 1982). Isso é uma mentira, a menos que aceitemos a morte da natureza e de tudo aquilo que foi e poderia ser de novo.
Turnbull fala da intimidade dos Mbuti e a floresta, e da sua maneira de dançar como se fizessem amor com a floresta. Numa vida onde os seres são iguais, que não é uma abstração e que se esforça para existir, eles "DANÇAM COM A FLORESTA, DANÇAM COM A LUA".
 
 
 
Tradução: Quati - quati@...
 
 
Notas:
(1) Provavelmente uma referencia a teoria de Thomas Hobbes (1588-1679), que postulava que o homem era bestial por natureza. Sua frase mais famosa - "o homem e o lobo do homem" - exprime o que Hobbes acreditava ser a natureza humana - uma guerra de todos contra todos. Na obra O Leviata, Hobbes argumenta que, para viver em paz, os homens tem de fazer um pacto social, abandonando a liberdade natural e delegando todo o poder ao Estado Absolutista - o Leviata. (N.T.)
(2) A Tradição Acheulean é um Velho Mundo Mais Baixo da cultura Paleolítica, datada de há 1.4 milhões de anos a há 100,000 anos. Caracterizado por uma assembléia de instrumentos de pedra dominados por machados, a tradição Acheulean originou-se na África, assim como na Garganta de Olduvai.
(3) Um modo de vida comum a toda a humanidade até há cerca de 10.000 anos, no tempo em que os seres humanos ainda não domesticavam os animais nem semeavam cereais. Uma época em que dependíamos diretamente da natureza para sobreviver.
(4) A palavra ‘pigmeu’ é de origem grega e significa ‘três côvados’, ou seja, 1,35m, referindo-se à altura dos mesmos. Nos grupos menos miscigenados, a altura média das mulheres é exatamente 1,35m enquanto dos homens 1,45m. São conhecidos tradicionalmente como "hospitaleiros" e "alegres". A primeira menção histórica dos Pigmeus, se encontra em documentos egípcios da IV Dinastia, época do Faraó Neferkara, cerca de 2.500 anos antes de Cristo, quando uma expedição de egípcios fez contados com Pigmeus Mbuti, descrevendo-os como "habitantes da selva" e "dançarinos de Deus".
(5) Hoje cerca de 85.000 bosquímanos vivem à beira da extinção cultural. A maior parte reside nas regiões mais distantes do deserto do Kalahari, no Botswana, na Namíbia, na África do Sul, em Angola e na Zâmbia. São um dos povos aborígines mais intensamente estudados do planeta. Este interesse é reforçado pela idéia de que o bosquímano é um dos últimos elos que nos une à antiga existência de caçadores-coletores. Desde há algum tempo que os bosquímanos deixaram de viver como caçadores-coletores, em total isolamento. Uma das vantagens principais dos bosquímanos em relação a outras sociedades humanas era a sua capacidade para sobreviverem sem água de superfície.
(6) A população Kung! fica localizada em áreas isoladas da Botswana, a Angola, e a Namíbia. Eles tratam-se como o Zhun/twasi, "a verdadeira gente". Os Kung! são caçadores coletores adaptados ao seu ambiente semi-árido. Reúnem raízes, bagas, frutos e sementes que eles encontram do deserto. Tanto as mulheres como os homens possuem um conhecimento notável de diversos tipos de comida comestível disponível, e das propriedades medicinais e tóxicas de diferentes espécies.
(7) Os habitantes das Ilhas Andaman são conhecidos como Negritos. O termo para este povo em língua malaia é "orang asli", que significa "povo original".
(8) Bilocal no original. (N.T)
(9) Os Bantu ou Bantos são um conjunto de cerca de 400 grupos étnicos diferentes existentes na África.
(10) Provavelmente uma ironia com as religiões atuais. (N.T.)
(11) count their lot... no original. (N.T.)
(12) A Ilha Melville está na costa da Arnhem Land, Território do Norte, Austrália. Com 5,786 km ² é somente uma das 100 maiores ilhas no mundo, e a segunda ilha maior da Austrália, depois da Tasmânia. Também é conhecida na língua Tiwi como Yermalner. Em conjunto, a Ilha Melville e a Ilha Bathurst são conhecidos como as Ilhas Tiwi. A ilha foi encontrada pelo navegador holandês, Abel Tasman, que fez o mapa do seu litoral em 1644. Os Tiwi ainda chamam este lugar de Pularumpi (ou Pirlangimpi), que significa "árvores de tamarindo", que forneciam as sementes que trariam com eles para comida.
Embora o povo Tiwi de Bathurst e Melville tenha sido influenciado pela Igreja Católica desde a chegada dos missionários em 1911, eles guardaram muitos aspectos da sua cultura tradicional, especialmente a sua arte e danças de clã e ofícios.
(13) Hoje as Filipinas passa por uma crise. Acusada de fraude eleitoral a presidenta Gloria Macapagal Arroyo, católica declarada, se uniu a "guerra contra o terrorismo" dos EUA e desde então as Filipinas se converteu num estado de guerra não declarada que esta sendo direcionada aos agricultores, sindicalistas, dissidentes políticos progressistas, ativistas, feministas etc. Desde 2001 centenas de assassinatos e desaparecimentos aconteceram no país. Entre as vitimas se incluem membros da associação nacional de agricultores, Kilusang Magbubukid ng Pilipinas (KMP), assim como líderes campesinos pertencentes às minorias indígenas Igorot, Agta e Moro que lutam em defesa de suas terras. (http://www.amauta.inf.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1238&Itemid=30 leia mais)
(14) O Zuni ou Ashiwi são uma tribo americana indígena, um dos povos Pueblo, no Rio Zuni, um tributário do Pequeno Rio de Colorado, no Novo México ocidental. O Zuni tem uma população de aproximadamente 12,000, com mais de 80 % que são Americanos Indígenas, com 43.0 % da população abaixo da linha de pobreza como definido pelos padrões de rendimento de Estados Unidos. Contudo, muitas das pessoas não consideram o seu rendimento baixo e o estilo de vida dos Zuni como pobreza.
(15) Os Munduruku são um povo, mais precisamente, originário do Brasil, estão situados em regiões e territórios diferentes nos estados do Pará (sudoeste, calha e afluentes do rio Tapajós, nos municípios de Santarém, Itaituba, Jacareacanga), Amazonas (leste, rio Canumã, município de Nova Olinda; e próximo a Transamazônica, município de Borba), Mato Grosso (Norte, região do rio dos Peixes, município e Juara).
(16) Os jívaros fazem parte de um pequeno grupo de culturas linguisticamente isoladas. Vivem da caça, da pesca e da agricultura. A unidade básica é a família, no seu sentido mais amplo: vivem agrupados numa casa grande, dividida em duas partes; uma para os homens e a outra para as mulheres. Os jívaros são também guerreiros e a sua sociedade igualitária funciona com um chefe só em tempo de guerra. Mas estas são numerosas: a etnia tem como inimigo hereditário os achuras, uma tribo vizinha. No entanto, os achuras não são suficientes para saciar os instintos sanguinários dos jívaros e, quando o inimigo escasseia no exterior, matam-se às vezes entre si pelos mais variados pretextos, só pelo prestígio guerreiro. Este caráter guerreiro e do medo que sentem pelos seus inimigos, fizeram dos jívaros uma das poucas tribos que sobreviveram à invasão da América do Sul pelos europeus. Foram popularizados pela literatura "comercial" e de aventura, pela sua técnica de caça redução de cabeças, os jívaros são até hoje um dos povos mais isolados da América Latina.
(17) Os primeiros exploradores trataram esses como esquimós como esquimós "de Cobre" (Cooper) porque as reservas de cobre nativas estiveram presentes no território que eles ocuparam. Os nativos usaram o cobre para instrumentos e comércio. Além de habitar a Ilha de Victoria, os esquimós Cooper também vivem na região de Golfo Coronation.
(18) Os Shoshones são um grupo americano indígena composto de várias bandas. Os Shoshone viveram em uma larga área em volta da Grande Bacia e Grandes áreas de Planícies em um número de bandas encabeçadas por chefes com deslocamento coletivo. Os Shoshone adotaram uma cultura de cavalos mas tiveram a problemas competitivos com tribos ao seu Leste que tiveram maior acesso ao comércio europeu e as armas de fogo.


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#1131 De: kid zero <kidzero33@...>
Data: Dom, 16 de Jul de 2006 7:59 am
Assunto: sera mais um oportunismo do estado? repasando...
kidzero33
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O Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, por meio da
Diretoria de Educação Ambiental do MMA (DEA/MMA), lança a *CHAMADA
PÚBLICA 01/2006/MMA* para o *MAPEAMENTO DE COLETIVOS EDUCADORES PARA
TERRIT**ÓRIOS SUSTENTÁVEIS*, com o intuito de promover a articulação de
Coletivos Educadores em todos os territórios do país, a serem inseridos
no Cadastro Nacional de Coletivos Educadores.

*O que é um Coletivo Educador?*
O Coletivo Educador é um conjunto de instituições que atuam em
processos
de mobilização social e formação de educadores ambientais populares que
atuam em todos os espaços do território na criação e no fortalecimento
de  Comunidades
de Aprendizagem e Qualidade de Vida, as COM-VIDAS.

*Como o Coletivo Educador atua e quem participa?*
A ação do Coletivo Educador propicia e aproveita espaços e foros de
participação, estruturas
educadoras e educomunicação socioambiental num programa articulado e
permanente de Educação Ambiental. Um Coletivos Educador promove
sinergia de
recursos e de diferentes competências pessoais e institucionais,
construídas
socialmente e localizadas em instituições como ongs, sindicatos,
movimentos
sociais, redes, universidades, prefeituras, pastorais, regionais de
ensino,
organizações populares, órgãos de assistência técnica e extensão rural,
empresas,
entre outras.

Os educandos envolvidos pelos Coletivos Educadores são lideranças
comunitárias, professoras(es), agentes de saúde, técnicas(os)
municipais, estudantes, sindicalistas, militantes de movimentos
sociais,
ONGs, etc.
Esses atores sociais formam, com as intervenções educacionais, uma
arquitetura de  capilaridade, capaz de abranger a totalidade do
território, valorizando a diversidade  e a estrutura
social. A arquitetura de capilaridade se dá pela articulação de Pessoas
que Aprendem Participando, através da metodologia Pesquisa Ação
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Além disso, o Órgão Gestor buscará a publicação de editais
específicos do FNDE e FNMA para Coletivos Educadores inseridos no
Cadastro Nacional de Coletivos Educadores.

Conheça melhor o Programa de Formação de Educadoras(es) Ambientais
no Catálogo de Publicações do Órgão Gestor da Política Nacional de
Educação Ambiental disponível em
*http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/index.htm*

*Panorama dos Coletivos Educadores no Brasil*
Até o momento vêm sendo articulados 65 Coletivos Educadores em quatorze
unidades federativas. Desses, 14 possuem financiamento do Fundo
Nacional
do Meio Ambiente, e todos possuem comunicação com a DEA/MMA, cuja meta
é
promover a formação de 300 Coletivos Educadores para Territórios
Sustentáveis.


*FIQUE DE OLHO NOS PRAZOS!*

Data Limite para Envio de Projetos

*09 de setembro de 2006*
Data Provável de Divulgação das Instituições Habilitadas

*21 de setembro de 2006*
Data Provável da Publicação do Resultado no Diário Oficial da União

*25 de setembro de 2006*


*Consulte o texto na íntegra da CHAMADA PÚBLICA para conhecer os itens
obrigat**órios a serem apresentados pela instituição proponente assim
como os resultados e produtos esperados.*

*www.mma.gov.br/ea*


Jacqueline Martins Gomes
Bióloga - Técnica

Diretoria de Educação Ambiental
Ministério do Meio Ambiente
Esplanada dos Ministérios, Bloco B, sala 553
Brasília ? DF ? Brasil
CEP 70.068-900
Tel.. (61) 4009-1207
Fax (61) 4009-1757
------------------------------------------------------------------------
Você quer Educação Ambiental no Rádio e na TV?
Participe das Chamadas Educação Ambiental no Ar 2006.
Informações e inscrições: _http://www.mma.gov.br/ea_


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#1132 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Dom, 16 de Jul de 2006 3:34 pm
Assunto: Re: sera mais um oportunismo do estado? repasando...
janosbiro
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Sei lá, o que vocêas acham disso?

kid zero <kidzero33@...> escreveu:
Para divulgação aos interessados.

O Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, por meio da
Diretoria de Educação Ambiental do MMA (DEA/MMA), lança a *CHAMADA
PÚBLICA 01/2006/MMA* para o *MAPEAMENTO DE COLETIVOS EDUCADORES PARA
TERRIT**ÓRIOS SUSTENTÁVEIS*, com o intuito de promover a articulação de
Coletivos Educadores em todos os territórios do país, a serem inseridos
no Cadastro Nacional de Coletivos Educadores.

*O que é um Coletivo Educador?*
O Coletivo Educador é um conjunto de instituições que atuam em
processos
de mobilização social e formação de educadores ambientais populares que
atuam em todos os espaços do território na criação e no fortalecimento
de  Comunidades
de Aprendizagem e Qualidade de Vida, as COM-VIDAS.

*Como o Coletivo Educador atua e quem participa?*
A ação do Coletivo Educador propicia e aproveita espaços e foros de
participação, estruturas
educadoras e educomunicação socioambiental num programa articulado e
permanente de Educação Ambiental. Um Coletivos Educador promove
sinergia de
recursos e de diferentes competências pessoais e institucionais,
construídas
socialmente e localizadas em instituições como ongs, sindicatos,
movimentos
sociais, redes, universidades, prefeituras, pastorais, regionais de
ensino,
organizações populares, órgãos de assistência técnica e extensão rural,
empresas,
entre outras.

Os educandos envolvidos pelos Coletivos Educadores são lideranças
comunitárias, professoras(es), agentes de saúde, técnicas(os)
municipais, estudantes, sindicalistas, militantes de movimentos
sociais,
ONGs, etc.
Esses atores sociais formam, com as intervenções educacionais, uma
arquitetura de  capilaridade, capaz de abranger a totalidade do
território, valorizando a diversidade  e a estrutura
social. A arquitetura de capilaridade se dá pela articulação de Pessoas
que Aprendem Participando, através da metodologia Pesquisa Ação
Participante- PAP.

*O que o Órgão Gestor da PNEA oferece?*
O apoio oferecido de forma permanente pelo Órgão Gestor aos Coletivos
Educadores será por meio de:

- assessorias periódicas "ad Hoc" e à distância de um técnico do Órgão
Gestor da PNEA;
- assessorias "ad Hoc" à distância de um educador ambiental "sênior";
- visibilidade institucional e divulgação do trabalho;
- espaço em Boletim Eletrônico de Circulação Nacional;
- "assinatura" permanente das publicações do Órgão Gestor.

Além disso, o Órgão Gestor buscará a publicação de editais
específicos do FNDE e FNMA para Coletivos Educadores inseridos no
Cadastro Nacional de Coletivos Educadores.

Conheça melhor o Programa de Formação de Educadoras(es) Ambientais
no Catálogo de Publicações do Órgão Gestor da Política Nacional de
Educação Ambiental disponível em
*http://www.mma.gov.br/port/sdi/ea/og/pog/index.htm*

*Panorama dos Coletivos Educadores no Brasil*
Até o momento vêm sendo articulados 65 Coletivos Educadores em quatorze
unidades federativas. Desses, 14 possuem financiamento do Fundo
Nacional
do Meio Ambiente, e todos possuem comunicação com a DEA/MMA, cuja meta
é
promover a formação de 300 Coletivos Educadores para Territórios
Sustentáveis.


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Data Limite para Envio de Projetos

*09 de setembro de 2006*
Data Provável de Divulgação das Instituições Habilitadas

*21 de setembro de 2006*
Data Provável da Publicação do Resultado no Diário Oficial da União

*25 de setembro de 2006*


*Consulte o texto na íntegra da CHAMADA PÚBLICA para conhecer os itens
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#1133 De: rafael lima <rafasidarta2@...>
Data: Seg, 17 de Jul de 2006 2:04 pm
Assunto: Re: Sobre o artigo do Fernando Fernandes que fala de desenvolvimento sustentavel
rafasidarta2
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
 Olá a todos,
 É mesmo, a lista andava um pouco "parada", eu mesmo não escrevia nada a algum tempo.
 Bem, confesso que não me preocupo com estas questões (metafísicas?) de conhecimento e saber. Estes são conceitos e formas de lidar com o que podemos chamar de real, que pode ser ilusório ou não, não interessa, mas lidamos com ele o tempo todo, é isso que fazemos. Conhecimento e sabedoria são coisas diferentes para cada cultura, cada sociedade, cada tempo, cada indivíduo. pensr sobre estes conceitos ajuda bastante, mas eles não vão possuir nunca uma noção útima, ou umã noção que seja a mais correta. Eu prefiro pensar em temos de escolhas, e estas são ao mesmo tempo: intividuais, culturais, sociais, históricas, subjetivas, estruturadas, estruturantes, e outras coisas. Podemos ser mais ou menos conscientes das escolhas que fazemos, e as fazemos o tempo todo, mas esta noção de ser consciente também deve ser pensada. Ou seja o negócio é complexo (do raiz que significa tecido junto). O que pensamos, conhecemos, sabemos não nos dizem o que fazer e nem dão justificativas, mas podem influenciar o nosso escolher, e estas escolhas devem ser justificadas e defendidas enquanto escolhas.
 Pensar a relação do homem com o ecossistema é complicado, as reflexões devem ser acompanhadas de uma preocupação contextualizadora, levando em conta a época, o grupamento humano e o ecossistema em questão. Nem mesmo a ideia de afastamento expica tudo, apesar de ser uma caracterísitica muito marcante em nossa época. Um afastamento da natureza, permite uma ação destruidora mais inconseqüênte, pis não me sinto ligado aquilo que estou destruindo, um exempli interessante é o tratamento que certos grupamentos humanos indigenas dado às caças, há um respeito pelo animal abatido e em algunsa casos exista a idéia de um equilíbrio que permite um controle de quantos animais podem ser caçados. Mas em outros casos a destruição ocorre mesmo não havendo uma afastamento da natureza, como os caçadores de 50.000 ano atrás provavelmente, ou devastações causadas pela fim dos suprimentos naturais utilizados na adoração de deuses (construção de templos) muitas vezes representantes da natureza.
 Bem, o quiz trazer a tona é que nossa relação com a natureza, ou mais especificamente com nosso ecossitema não premite considerações simples sobre conservação e destruição, estas duas noções são antagônicas e ao mesmo tempo complementares. Ao mesmo tempo considero importante a noção de escolha, pois efetivamente escolhemos como viver, isto não quer dizer total liberdade, já que muitas coisas nos influenciam e nos pressionam.
 Bem, é isto, será que fugi um pouco do assunto?

Janos Biro <janosbiro@...> escreveu:
Muito boa essa discussão. É trsite que até hoje, quando ouvem falar de crítica à civilização, as pessoas só se lembram de Rousseau, e no máximo para dizer: ah, isso é mito do bom selvagem, descartando imediatamente. As culturas estavam conectadas com a natureza, nós nos desconectamos porque queríamos usurpar seu poder, governá-la (algum paralelo com Lúcifer?). A questão é: nós aumentamos ou diminuimos nosso conhecimento sobre a natureza nos últimos 10 mil anos? Conhecer é aumentar sua capacidade de fazer o mal, como na história do fruto proibido do conhecimento do bem e do mal, ou isso é pseudo-conhecimento, e conhecimento real é saber manter-se no equilíbrio, e não aumentar sua extensão para ambos os lados, como alguns filósofos antigos pensavam? Podemos aí dizer que isso seria sabedoria, não conhecimento, e que adquirimos conhecimento, mas perdemos a sabedoria?

Janos.

Márcio Lopes de Faria <saopaulobrasileira@...> escreveu:
Era isso mesmo que eu queria provocar, um posicionamento das pessoas
alguma movimentação na lista.
 
Acho o texto importante para desmistificar o Bom Selvagem.
Há uma diversidade de culturas, todas produtos históricos de relações que
os homens foram construindo ao longo do tempo nos mais diversos locais,
umas mais sustentáveis outras menos, no entanto todas conviviam bem
com as outras espécies, com Gaia, não estavam desconectados. Não havia
a tentativa de suprimir, controlar e explorar totalmente a Natureza.
 
Hoje paradoxalmente acumulamos não apenas destruíção mas conhecimento
sobre como é possível destruir e como é possível conservar, é necessário
criarmos saídas que permitam chegarmos à um número crítico que
potencialize a mudança para um Novo Paradigma.


rafasidarta2 <rafasidarta2@...> escreveu:
Olá a todos,
Bem, o artigo sobre desenvolvimento sustentável do Fernando
Fernandes é bastante interessante, principalmente ao criticar a
idéia de desenvolvimento ligada a um constante crescimento, algo
obviamente insustentável. Mas gostaria de discutir algumas idéias
contidas no texto.
O autor fala de conservação da natureza em sua totalidade, e em
perda da natureza. Junto com isto nos relata a atuação de
grupamentos humanos no holoceno-pleistoceno, ou seja, a cerca de
50.000 anos, quando extinguimos espécies com nossa caça. Acredito
que o autor foi longe demais, não podemos considera a natureza e o
meio-ambiente como radicalmente separados de nós, também somos parte
da natureza. Ora, 50.000 anos atrás estes grupos humanos caçadores
não haviam desenvolvido civilização, nem mesmo agricultura, e já
estávamos errados? Deste jeito já estamos amaldiçoados e não há que
fazer. Esta extinção causada por estes grupos humanos é muito
diferente da que causamos hoje, ou da causada por civilizações
antigas. A natureza e a vida não são compostas de uma harmonia
simples, esta é uma imagem idealizada por nós, a vida é composta de
interações complexas entre as diferentes espécies com equilíbrio e
desequilíbrios em constante movimento, com desaparecimento de
espécies e aparecimento de novas espécies. Isto não justifica de
modo algum o que fazemos hoje, mas também não podemos dar o mesmo
julgamento a este dois momentos separados por milhares de anos.
A extinção de animeis pela caça dos homens não pode ser considerada
não-natural. Neste caso estamos falando de espécies em interação em
um ecossistema, e extinções ocorrem mesmo. É muito diferente do caso
de uma floresta inteira destruída para se construir templos. Como o
titulo do grupo sugere, nosso problema e uma cultura que permite um
consumo desordenado que vai muito além da necessidade de manutenção
de um grupo, e o que precisamos é construir uma nova cultura,
possível hoje, devido às reflexões possíveis hoje, e não uma
anulação (impossível) de toda relação com o ecossistema ou negação
de toda cultura (no sentido amplo do termo).
Assim o texto trás uma discussão interessante, como dimensionar o
conflito conservação X isolamento? Acredito que não dá para ter
certeza do caminho a tomar, mas estas duas dimensões devem ser
integradas. Pois como equacionar tamanho da população e recursos
disponíveis, levando em consideração a disputa com outras espécies?
Não somos tão oniscientes e onipotentes a este ponto, e não estamos,
repito, não estamos fora da natureza, para agir nela com tanta
objetividade.
Na critica ao desenvolvimento sustentável podemos perceber que a
nossa busca deve ser por uma existência sustentável, mas como pular
de um paradigma para outro assim? Acho que a única resposta é "ir
levando". Atuando em duas frentes que o autor nos apresenta, a
atuação pessoal e cotidiana e a tentativa de modificar estruturas
que nos levam a destruir em vez de conservar, Mas devemos lembrar
que nossa relação com outras espécies, e com o ecossistema,
comportará sempre algo se destruição, a busca de um ideal extremo de
conservação é insana.
O caminho é a modificação de nossa cultura, de paradigmas que
norteiam a nossa vida. Estes estão presentes em coisas simples e
cotidianas sobre as quais geralmente não refletimos. Precisamos
deixar de querer crescer sempre, ter sempre mais, ganhar cada vez
mais, viver cada vez melhor (no sentido monetário e consumista).
Precisamos desenvolver uma preocupação mais ampla sobre a vida, e
buscar um estilo de vida alternativo. E isto é meio difícil pra
caramba.
Bem, acredito que estamos sempre diante de escolhas, a reflexão
sobre o que grupos humanos já fizeram no passado não dever ser
justificativa para nossos atos, mas possibilidades de reflexão para
fazermos nossas escolhas. O que escrevi aqui hoje não anulas as
idéias do autor, principalmente suas propostas, mas acredito que
devemos refletir sempre e questionar sempre, para buscar maior
clareza possível do que queremos.
Então falou pessoal, até.







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#1134 De: kid zero <kidzero33@...>
Data: Seg, 17 de Jul de 2006 4:16 pm
Assunto: Re: sera mais um oportunismo do estado? repasando...
kidzero33
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Essas "iniciativas" governamentais nao deixam de ser um forma de centralizar e controlar ainda mais algums movimentos e grupos socias, numa breve analise da frase "abranger a totalidade do território, valorizando a  diversidade  e a estrutura
social.” dao uma visão do discurso contraditorio quando pretende espandir ideologias ditas sustentaveis e ecologicas, mas se choca com a diversidades locais, muitas veses ja estaveis nos reconditos cantos do pais, como e o caso dos indios, agora... os outros tramites insanos é a tamanha burocracia dos orgaos da maquina estatal... cabeça ,troncos, membros, dentros...


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#1135 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Ter, 18 de Jul de 2006 4:06 am
Assunto: Re: Re: sera mais um oportunismo do estado? repasando...
janosbiro
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Eu penso o mesmo. Será que as pessoas perceberão a tempo?

kid zero <kidzero33@...> escreveu:
Essas "iniciativas" governamentais nao deixam de ser um forma de centralizar e controlar ainda mais algums movimentos e grupos socias, numa breve analise da frase "abranger a totalidade do território, valorizando a  diversidade  e a estrutura
social.” dao uma visão do discurso contraditorio quando pretende espandir ideologias ditas sustentaveis e ecologicas, mas se choca com a diversidades locais, muitas veses ja estaveis nos reconditos cantos do pais, como e o caso dos indios, agora... os outros tramites insanos é a tamanha burocracia dos orgaos da maquina estatal... cabeça ,troncos, membros, dentros...

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#1136 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Ter, 18 de Jul de 2006 4:07 am
Assunto: Re: Sobre o artigo do Fernando Fernandes que fala de desenvolvimento sustentavel
janosbiro
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Não fugiu não, acho que é isso mesmo. Porque é tão difícil para nós revisar nossas escolhas e admitir que podemos ter errado nos nossos fundamentos civilizatórios?

rafael lima <rafasidarta2@...> escreveu:
 Olá a todos,
 É mesmo, a lista andava um pouco "parada", eu mesmo não escrevia nada a algum tempo.
 Bem, confesso que não me preocupo com estas questões (metafísicas?) de conhecimento e saber. Estes são conceitos e formas de lidar com o que podemos chamar de real, que pode ser ilusório ou não, não interessa, mas lidamos com ele o tempo todo, é isso que fazemos. Conhecimento e sabedoria são coisas diferentes para cada cultura, cada sociedade, cada tempo, cada indivíduo. pensr sobre estes conceitos ajuda bastante, mas eles não vão possuir nunca uma noção útima, ou umã noção que seja a mais correta. Eu prefiro pensar em temos de escolhas, e estas são ao mesmo tempo: intividuais, culturais, sociais, históricas, subjetivas, estruturadas, estruturantes, e outras coisas. Podemos ser mais ou menos conscientes das escolhas que fazemos, e as fazemos o tempo todo, mas esta noção de ser consciente também deve ser pensada. Ou seja o negócio é complexo (do raiz que significa tecido junto). O que pensamos, conhecemos, sabemos não nos dizem o que fazer e nem dão justificativas, mas podem influenciar o nosso escolher, e estas escolhas devem ser justificadas e defendidas enquanto escolhas.
 Pensar a relação do homem com o ecossistema é complicado, as reflexões devem ser acompanhadas de uma preocupação contextualizadora, levando em conta a época, o grupamento humano e o ecossistema em questão. Nem mesmo a ideia de afastamento expica tudo, apesar de ser uma caracterísitica muito marcante em nossa época. Um afastamento da natureza, permite uma ação destruidora mais inconseqüênte, pis não me sinto ligado aquilo que estou destruindo, um exempli interessante é o tratamento que certos grupamentos humanos indigenas dado às caças, há um respeito pelo animal abatido e em algunsa casos exista a idéia de um equilíbrio que permite um controle de quantos animais podem ser caçados. Mas em outros casos a destruição ocorre mesmo não havendo uma afastamento da natureza, como os caçadores de 50.000 ano atrás provavelmente, ou devastações causadas pela fim dos suprimentos naturais utilizados na adoração de deuses (construção de templos) muitas vezes representantes da natureza.
 Bem, o quiz trazer a tona é que nossa relação com a natureza, ou mais especificamente com nosso ecossitema não premite considerações simples sobre conservação e destruição, estas duas noções são antagônicas e ao mesmo tempo complementares. Ao mesmo tempo considero importante a noção de escolha, pois efetivamente escolhemos como viver, isto não quer dizer total liberdade, já que muitas coisas nos influenciam e nos pressionam.
 Bem, é isto, será que fugi um pouco do assunto?

Janos Biro <janosbiro@...> escreveu:
Muito boa essa discussão. É trsite que até hoje, quando ouvem falar de crítica à civilização, as pessoas só se lembram de Rousseau, e no máximo para dizer: ah, isso é mito do bom selvagem, descartando imediatamente. As culturas estavam conectadas com a natureza, nós nos desconectamos porque queríamos usurpar seu poder, governá-la (algum paralelo com Lúcifer?). A questão é: nós aumentamos ou diminuimos nosso conhecimento sobre a natureza nos últimos 10 mil anos? Conhecer é aumentar sua capacidade de fazer o mal, como na história do fruto proibido do conhecimento do bem e do mal, ou isso é pseudo-conhecimento, e conhecimento real é saber manter-se no equilíbrio, e não aumentar sua extensão para ambos os lados, como alguns filósofos antigos pensavam? Podemos aí dizer que isso seria sabedoria, não conhecimento, e que adquirimos conhecimento, mas perdemos a sabedoria?

Janos.

Márcio Lopes de Faria <saopaulobrasileira@...> escreveu:
Era isso mesmo que eu queria provocar, um posicionamento das pessoas
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Acho o texto importante para desmistificar o Bom Selvagem.
Há uma diversidade de culturas, todas produtos históricos de relações que
os homens foram construindo ao longo do tempo nos mais diversos locais,
umas mais sustentáveis outras menos, no entanto todas conviviam bem
com as outras espécies, com Gaia, não estavam desconectados. Não havia
a tentativa de suprimir, controlar e explorar totalmente a Natureza.
 
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Olá a todos,
Bem, o artigo sobre desenvolvimento sustentável do Fernando
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obviamente insustentável. Mas gostaria de discutir algumas idéias
contidas no texto.
O autor fala de conservação da natureza em sua totalidade, e em
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grupamentos humanos no holoceno-pleistoceno, ou seja, a cerca de
50.000 anos, quando extinguimos espécies com nossa caça. Acredito
que o autor foi longe demais, não podemos considera a natureza e o
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da natureza. Ora, 50.000 anos atrás estes grupos humanos caçadores
não haviam desenvolvido civilização, nem mesmo agricultura, e já
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fazer. Esta extinção causada por estes grupos humanos é muito
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Não somos tão oniscientes e onipotentes a este ponto, e não estamos,
repito, não estamos fora da natureza, para agir nela com tanta
objetividade.
Na critica ao desenvolvimento sustentável podemos perceber que a
nossa busca deve ser por uma existência sustentável, mas como pular
de um paradigma para outro assim? Acho que a única resposta é "ir
levando". Atuando em duas frentes que o autor nos apresenta, a
atuação pessoal e cotidiana e a tentativa de modificar estruturas
que nos levam a destruir em vez de conservar, Mas devemos lembrar
que nossa relação com outras espécies, e com o ecossistema,
comportará sempre algo se destruição, a busca de um ideal extremo de
conservação é insana.
O caminho é a modificação de nossa cultura, de paradigmas que
norteiam a nossa vida. Estes estão presentes em coisas simples e
cotidianas sobre as quais geralmente não refletimos. Precisamos
deixar de querer crescer sempre, ter sempre mais, ganhar cada vez
mais, viver cada vez melhor (no sentido monetário e consumista).
Precisamos desenvolver uma preocupação mais ampla sobre a vida, e
buscar um estilo de vida alternativo. E isto é meio difícil pra
caramba.
Bem, acredito que estamos sempre diante de escolhas, a reflexão
sobre o que grupos humanos já fizeram no passado não dever ser
justificativa para nossos atos, mas possibilidades de reflexão para
fazermos nossas escolhas. O que escrevi aqui hoje não anulas as
idéias do autor, principalmente suas propostas, mas acredito que
devemos refletir sempre e questionar sempre, para buscar maior
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#1137 De: eduardo luiz <eduardomorari@...>
Data: Sex, 21 de Jul de 2006 1:10 pm
Assunto: Destruir a civilização?
eduardomorari
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Destruir a civilização?
 
Acredito que todos os anarquistas concordariam que nós queremos acabar com cada instituição, estrutura e sistema de dominação e exploração. A rejeição dessas coisas é, no final, o significado básico do anarquismo. Muitos também concordariam que entre essas instituições, estruturas e sistemas estão o Estado, a propriedade privada, a religião, a lei, a família patriarcal, a divisão de classes, etc.
Nos últimos anos, alguns anarquistas começaram a falar no que parece ser termos amplos sobre a necessidade de destruir a civilização. Isso tem levado, logicamente, a uma reação de defesa da civilização. Infelizmente, esse debate tem criado atritos, consistindo em ofensas, más representações mútuas e disputas "territoriais" sobre a posse do rótulo "anarquista", ao invés de ocorrer uma argumentação verdadeira. Um dos problemas (embora provavelmente não o mais significante deles) atrás dessa incapacidade de realmente se debater a questão é que poucas pessoas de cada lado desse debate têm tentado explicar exatamente o que querem dizer por "civilização". Ao invés disso, ela permanece como um termo nebuloso que representa tudo que é ruim para um lado e tudo que é bom para o outro.
Para desenvolver uma definição mais precisa da civilização, é melhor analisar onde e quando se diz que a civilização surgiu e que diferenças realmente existem entre as sociedades atualmente definidas como civilizadas e as que não são. Tal análise mostra que a existência da domesticação de animais, a agricultura, um estilo de vida sedentário, o refinamento das artes, artesanatos e técnicas ou até mesmo as simples formas de fundição de metais não são suficientes para definir uma sociedade como civilizada (embora forneçam o material básico necessário sobre o surgimento da civilização). Antes do que surgiu a dez mil anos atrás no "nascimento da civilização" e do que é partilhado por todas as sociedades civilizadas mas ausente naquelas que são definidas como "não civilizadas", existe uma rede de instituições, estruturas e sistemas que impôem relações sociais de dominação e exploração. Em outras palavras, uma sociedade civilizada é uma comprometida ao estado, à propriedade, à religião (ou em sociedades modernas, a ideologia), às leis, à família patriarcal, à troca de mercadorias, à divisão de classes - tudo aquilo que nós, como anarquitas, nos opomos.
Para dizer de outra maneira, o que todas as sociedades civilizadas têm em comum é a expropriação sistemática das vidas daqueles que vivem nela. A crítica sobre a domesticação (com qualquer suporte moral removido OU sem qualquer suporte) fornece uma ferramenta útil para entender tudo isso. O que é a domesticação senão a expropriação da vida de um ser por outro que então explora aquela vida para seus próprios interesses? A civilização é então a domesticação sistemática e institucionalizada da vasta maioria das pessoas em uma sociedade pelos poucos que são servidos pela rede de dominação.
O processo revolucionário de reapropriar nossas vidas é um processo de de-civilizar a nós mesmos, de nos livrarmos da nossa domesticação. Isso não significa nos tornamos escravos passivos de nossos instintos (se é que eles existem) ou nos dissolvermos na "alegada unidade" da Natureza. Significa nos tornarmos indivíduos incontroláveis, capazes de fazer as decisões que afetam nossas vidas em uma livre associação com os outros.
Até então já deve parecer óbvio que eu rejeito qualquer modelo de um mundo ideal (e desconfio de qualquer visão que seja perfeita demais - suspeito que aí o indivíduo tenha desaparecido). Uma vez que a essência de uma luta revolucionária se enquadrando com ideais anarquistas é a reapropriação da vida pelos indivíduos que foram explorados, despossuídos e dominados, seria no processo dessa luta que as pessoas decidiriam como elas deveriam criar suas vidas, o que neste mundo elas sentem que podem apropriar para aumentar a sua liberdade, abrir possibilidades e adicioná-las ao seu prazer, e o que seria apenas um fardo sendo roubado da alegria da vida e das possibilidades existentes de expandir nossa liberdade. Eu não vejo como tal processo poderia criar um modelo único, universal e social.É preferivel, inúmeros experimentos variando drasticamente de um lugar ao outro e se modificando com o decorrer do tempo, poderiam refletir as necessidades, desejos, sonhos e aspirações de cada e todos indivíduos.
Então, vamos sim destruir a civilização, essa rede de dominação, mas não no nome de algum modelo qualquer, de uma moralidade asceta de sacrifício ou de uma desintegração mística para uma suposta harmonia não alienada com a Natureza, mas antes, pela reapropriação de nossas vidas, a re-criação coletiva de nós mesmos como indivíduos únicos e não controlados, esta é a destruição da civilização - dessa rede de dominação de dez mil anos, que se espalhou pelo mundo - e a iniciação a essa maravilhosa e assustadora jornada ao desconhecido que é a nossa liberdade.
 
 Willful Disobedience (desobediência persistente) Vol. 3 N° 3
 
Tradução: Ervadaninha - iniciativa anarquista anti-civilização
ervadaninha@...
http:/ervadaninha.blogger.com.br



#1138 De: "Walter Antonio Pereira" <wpereira1951@...>
Data: Sáb, 22 de Jul de 2006 5:13 pm
Assunto: Ismael
wpereira1951
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Quem quiser o livro do Daniel (grátis!) é só mandar
um e-mail para:
w.pereira1951@...
Um abraço
Walter
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#1139 De: Janos Biro <janosbiro@...>
Data: Ter, 25 de Jul de 2006 6:29 pm
Assunto: Re: Ismael
janosbiro
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Como você conseguiu isso?

Walter Antonio Pereira <wpereira1951@...> escreveu:
Quem quiser o livro do Daniel (grátis!) é só mandar
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Um abraço
Walter
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#1140 De: Walter Antonio Pereira <wpereira1951@...>
Data: Qua, 26 de Jul de 2006 1:26 am
Assunto: Re: Ismael
wpereira1951
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Eu recebi de uma amiga, que recebeu de um amigo, que recebeu de uma amiga.

Janos Biro <janosbiro@...> escreveu:
Como você conseguiu isso?

Walter Antonio Pereira <wpereira1951@...> escreveu:
Quem quiser o livro do Daniel (grátis!) é só mandar
um e-mail para:
w.pereira1951@...
Um abraço
Walter
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"A civilização sempre dependeu da ÁGUA, AGORA
a recíproca é verdadeira."


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#1141 De: Posithink <disordem@...>
Data: Qua, 26 de Jul de 2006 4:09 am
Assunto: Re: Ismael
xrumperex
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EU QUERO!
 
endereço eletronico ou correio?
 
se for eletronico
 

#1142 De: "Junia" <catubodva@...>
Data: Qua, 26 de Jul de 2006 2:52 pm
Assunto: Re: Ismael
catubodva
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Já mandei! eu não vi que o tópico é o nome do livro, então
desconsidera a pergunta sobre o título que te fiz, certo?

Um abraço a todos!

Junia


--- Em umanovacultura@..., Posithink <disordem@g...>
escreveu
>
> EU QUERO!
>
> endereço eletronico ou correio?
>
> se for eletronico
> disordem@g...
>

#1143 De: Walter Antonio Pereira <wpereira1951@...>
Data: Qua, 26 de Jul de 2006 4:00 pm
Assunto: Re: Re: Ismael
wpereira1951
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Junia, desculpe mas não entendi.
Mando ou não o livro?
Grato
Walter

Junia <catubodva@...> escreveu:
Já mandei! eu não vi que o tópico é o nome do livro, então
desconsidera a pergunta sobre o título que te fiz, certo?

Um abraço a todos!

Junia


--- Em umanovacultura@..., Posithink <disordem@g...>
escreveu
>
> EU QUERO!
>
> endereço eletronico ou correio?
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#1144 De: Gibão <gilbertoedgar2005@...>
Data: Qua, 26 de Jul de 2006 10:58 pm
Assunto: nova editora livros bons e baratos - Editora Deriva
gilbertoedgar2005@...
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Vejam só a nova editora que está surgindo inspirada na iniciativa do coletivo sabotagem e projeto periferia.
 
Eu apoio essa ideia distribuindo-a e fazendo revisao de textos.
 
abraços
 
Giba
 
Eis o link


O Yahoo! está de cara nova. Venha conferir!

#1145 De: Gibão <gilbertoedgar2005@...>
Data: Qua, 26 de Jul de 2006 11:02 pm
Assunto: musica inspiradora
gilbertoedgar2005@...
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Forças da Natureza

Joao Nogueira

Quando o sol
Se derramar em toda a sua essência
Desafiando o poder da ciência
Pra combater o mal
E o mar
Com suas águas bravias
Levar consigo o pó dos nossos dias
Vai ser um bom sinal
Os palácios vão desabar
Sob a força de um temporal
E os ventos vão sufocar
O barulho infernal
Os homens vão se rebelar
Dessa farsa descomunal
Vai voltar tudo ao seu lugar
Afinal
Vai resplandecer
Uma chuva de prata do céu vai descer
O esplendor da mata vai renascer
E o ar de novo vai ser natural
Vai florir
Cada grande cidade o mato vai cobrir, ô, ô
Das ruínas um novo povo vai surgir
E vai cantar afinal
As pragas e as 'ervas daninhas'
As armas e os homens de mal
Vão desaparecer nas cinzas de um carnaval
 
 
 
( vou tentar baixar na net)


O Yahoo! está de cara nova. Venha conferir!

#1146 De: Fabio Oliveira <fabioxoliveira@...>
Data: Qui, 27 de Jul de 2006 7:32 pm
Assunto: Digam que é mentira , meu Deus !
fabioxoliveira
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ATENÇÃO !
ACABEI DE RECEBER ... SERÁ VERDADE, MEU DEUS ?
 
Os decadentes e medíocres senadores brasileiros enlouqueceram, se confirmada a notícia !
 
Senado aprova lei que aluga Amazônia às empresas privadas
Lei de Gestão de Florestas Públicas entrega áreas da maior floresta do mundo ao capital internacional

 
Ambientalista protesta no senado contra Lei de gestão de Florestas Públicas
Ambientalista protesta no senado contra Lei
de gestão de Florestas Públicas
 
A chamada Lei de Gestão de Florestas Públicas foi aprovada pelo senado na noite do dia 1 de fevereiro. Cerca de 39 senadores votaram a favor do projeto que entrega florestas da Amazônia à exploração privada, contra apenas 14 parlamentares que se posicionaram contrário ao projeto. Um senador se absteve.

A lei 62/05 prevê concessão de florestas para a exploração privada por até 40 anos. Só nos primeiros dez anos de vigência, o Ministério do Meio Ambiente prevê a concessão de uma área de 13 milhões de hectares de florestas públicas às empresas.

O projeto foi enviado ao Congresso em 2005 pela Presidência da República. Aprovado pela Câmara, ele recebeu algumas pequenas emendas no senado e volta agora para os deputados. Caso seja aprovado pela Câmara com essas alterações, o Projeto de Lei vai para a sanção do presidente Lula. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a ministra Marina Silva em pessoa contatou o ex-presidente Fernando Henrique durante a votação para conseguir o apoio da bancada do PSDB ao projeto.

Protesto – A única voz dissonante durante a votação no senado veio do plenário. Com uma faixa escrita “Não à privatização”, o geólogo e ambientalista Múcio Nobre protestava contra o projeto. “Vocês, senadores não têm o direito de aprovar isso sem debater com a sociedade brasileira”, afirmava o geólogo enquanto era detido e retirado da sessão.

Para Múcio Nobre, o projeto do governo representa um verdadeiro perigo à Amazônia. Além de conceder concessão das chamadas “Florestas Nacionais”, unidade de conservação devidamente demarcada e controlada pelo governo, põe para alugar também terras públicas sem qualquer tipo de controle ou fiscalização. “Terras públicas envolvem muita coisa além de florestas nacionais”, afirma Nobre ao Jornal do Sindsef-SP.

O geólogo também denuncia o artigo 29 do Projeto de Lei Complementar, que cria a figura da “hipoteca da floresta”. Isso permitira que uma empresa vencedora de uma concessão de exploração de florestas públicas, ao requerer um empréstimo ou financiamento em um banco, dê como garantia a própria concessão.

Além disso, as terras que serão disponibilizadas para concessão muitas vezes coincidem com áreas indígenas, como as terras indígenas yanomami em Roraima e no Amazonas. “São terras em que vivem comunidades indígenas e que são florestas nacionais”, denuncia Nobre.

Por favor alguém diga que é mentira !
Eu não posso não quero acreditar !
 
J Ricardo
 
Desnacionalização – Apesar do projeto exigir que apenas empresas sediadas no país possam explorar as florestas, nada impede que tais empresas sejam controladas pelo capital internacional. “Serão imensas áreas colocadas nas mãos dos cartéis multinacionais de madeireiras e fármacos, pois não haverá fiscalização com a estrutura atual”, denuncia o geólogo. Com o texto do atual projeto, as empresas de capital estrangeiro poderão explorar livremente as florestas públicas.

Propaganda Enganosa – Apesar de não existir qualquer estudo ou planejamento sobre como serão realizadas as concessões, o governo anuncia que a nova lei vai gerar, nos primeiros dez anos, cerca de 140 mil empregos e R$ 1,9 bilhões em impostos para a União. Para Múcio Nobre, isso não passa de propaganda enganosa para empurrar o projeto às populações regionais que sofrerão suas conseqüências.

Por fim, o ambientalista ressalta que não são apenas as madeireiras que ameaçam a Amazônia. “Desmatamento não é provocado apenas pelas madeireiras, mas também pelo avanço das plantações agrícolas, como a soja e a expansão da pecuária que o governo federal não controla de forma integrada com seus respectivos ministérios”, afirma


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#1147 De: Fabio Oliveira <fabioxoliveira@...>
Data: Qui, 27 de Jul de 2006 7:32 pm
Assunto: Digam que é mentira , meu Deus !
fabioxoliveira
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Os decadentes e medíocres senadores brasileiros enlouqueceram, se confirmada a notícia !
 
Senado aprova lei que aluga Amazônia às empresas privadas
Lei de Gestão de Florestas Públicas entrega áreas da maior floresta do mundo ao capital internacional

 
Ambientalista protesta no senado contra Lei de gestão de Florestas Públicas
Ambientalista protesta no senado contra Lei
de gestão de Florestas Públicas
 
A chamada Lei de Gestão de Florestas Públicas foi aprovada pelo senado na noite do dia 1 de fevereiro. Cerca de 39 senadores votaram a favor do projeto que entrega florestas da Amazônia à exploração privada, contra apenas 14 parlamentares que se posicionaram contrário ao projeto. Um senador se absteve.

A lei 62/05 prevê concessão de florestas para a exploração privada por até 40 anos. Só nos primeiros dez anos de vigência, o Ministério do Meio Ambiente prevê a concessão de uma área de 13 milhões de hectares de florestas públicas às empresas.

O projeto foi enviado ao Congresso em 2005 pela Presidência da República. Aprovado pela Câmara, ele recebeu algumas pequenas emendas no senado e volta agora para os deputados. Caso seja aprovado pela Câmara com essas alterações, o Projeto de Lei vai para a sanção do presidente Lula. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a ministra Marina Silva em pessoa contatou o ex-presidente Fernando Henrique durante a votação para conseguir o apoio da bancada do PSDB ao projeto.

Protesto – A única voz dissonante durante a votação no senado veio do plenário. Com uma faixa escrita “Não à privatização”, o geólogo e ambientalista Múcio Nobre protestava contra o projeto. “Vocês, senadores não têm o direito de aprovar isso sem debater com a sociedade brasileira”, afirmava o geólogo enquanto era detido e retirado da sessão.

Para Múcio Nobre, o projeto do governo representa um verdadeiro perigo à Amazônia. Além de conceder concessão das chamadas “Florestas Nacionais”, unidade de conservação devidamente demarcada e controlada pelo governo, põe para alugar também terras públicas sem qualquer tipo de controle ou fiscalização. “Terras públicas envolvem muita coisa além de florestas nacionais”, afirma Nobre ao Jornal do Sindsef-SP.

O geólogo também denuncia o artigo 29 do Projeto de Lei Complementar, que cria a figura da “hipoteca da floresta”. Isso permitira que uma empresa vencedora de uma concessão de exploração de florestas públicas, ao requerer um empréstimo ou financiamento em um banco, dê como garantia a própria concessão.

Além disso, as terras que serão disponibilizadas para concessão muitas vezes coincidem com áreas indígenas, como as terras indígenas yanomami em Roraima e no Amazonas. “São terras em que vivem comunidades indígenas e que são florestas nacionais”, denuncia Nobre.

Por favor alguém diga que é mentira !
Eu não posso não quero acreditar !
 
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Desnacionalização – Apesar do projeto exigir que apenas empresas sediadas no país possam explorar as florestas, nada impede que tais empresas sejam controladas pelo capital internacional. “Serão imensas áreas colocadas nas mãos dos cartéis multinacionais de madeireiras e fármacos, pois não haverá fiscalização com a estrutura atual”, denuncia o geólogo. Com o texto do atual projeto, as empresas de capital estrangeiro poderão explorar livremente as florestas públicas.

Propaganda Enganosa – Apesar de não existir qualquer estudo ou planejamento sobre como serão realizadas as concessões, o governo anuncia que a nova lei vai gerar, nos primeiros dez anos, cerca de 140 mil empregos e R$ 1,9 bilhões em impostos para a União. Para Múcio Nobre, isso não passa de propaganda enganosa para empurrar o projeto às populações regionais que sofrerão suas conseqüências.

Por fim, o ambientalista ressalta que não são apenas as madeireiras que ameaçam a Amazônia. “Desmatamento não é provocado apenas pelas madeireiras, mas também pelo avanço das plantações agrícolas, como a soja e a expansão da pecuária que o governo federal não controla de forma integrada com seus respectivos ministérios”, afirma

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