--- Em ter, 24/11/09, Felipe Kana <felipebeltrao@...> escreveu:
De: Felipe Kana <felipebeltrao@...> Assunto: RE: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica Para: "Uma Nova Cultura" <umanovacultura@...> Data: Terça-feira, 24 de Novembro de 2009, 15:18
Nossa, não conhecia não!
muito bacana!
Valeu!
Kana
To: umanovacultura@ yahoogrupos. com.br From: lillicaoliveira@ yahoo.com. br Date: Tue, 24 Nov 2009 05:17:37 -0800 Subject: RE: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica
Hey Kana !
Valeu pela dica vou ler com certeza, é muito triste ver o que esta acontecendo e não fazer nada, as pessoas estão tão alienadas que se satisfazem com o Jornal Nacional, veja e essas merdas que existem por ai...ou ficam na punhetagem acadêmica.
Me cobro sobre o que fazer e como, não quero passar pela terra e passar em branco.
--- Em ter, 24/11/09, Felipe Kana <felipebeltrao@ hotmail.com> escreveu:
De: Felipe Kana <felipebeltrao@ hotmail.com> Assunto: RE: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica Para: "Uma Nova Cultura" <umanovacultura@ yahoogrupos. com.br> Data: Terça-feira, 24 de Novembro de 2009, 10:54
Ola Lilli.
Sobre isso, vi mais alguns outros links interessantes:
Aqui a posição oficial do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) sobre o recente apagão. Bem interessante para se ter uma noção de como está a situação da matriz energética do país. http://www.mabnacio nal.org.br/ noticias/ 161109_apagao. html
Aqui sobre a carta indígena onde líderes indigenas prometem ações guerreiras caso seja iniciada a obra da hidroelétrica de Belo Monte. http://www1. folha.uol. com.br/folha/ brasil/ult96u647 250.shtml
A situação parece estar ficando tensa. (detalhe: o estranhíssimo apagão veio logo após o envio da carta indígena)
Abraços Kana
To: umanovacultura@ yahoogrupos. com.br From: lillicaoliveira@ yahoo.com. br Date: Mon, 23 Nov 2009 15:34:21 -0800 Subject: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica
Olá !
Se alguém tiver interesse em ler a matéria, achei interessante o cantor Sting fala em ouvir os índios do Amazonas antes de construir hidrelétrica no coração da floresta amazônica.
O site do O Globo não autoriza o control c control v.
To: umanovacultura@... From: lillicaoliveira@... Date: Tue, 24 Nov 2009 05:17:37 -0800 Subject: RE: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica
Hey Kana !
Valeu pela dica vou ler com certeza, é muito triste ver o que esta acontecendo e não fazer nada, as pessoas estão tão alienadas que se satisfazem com o Jornal Nacional, veja e essas merdas que existem por ai...ou ficam na punhetagem acadêmica.
Me cobro sobre o que fazer e como, não quero passar pela terra e passar em branco.
--- Em ter, 24/11/09, Felipe Kana <felipebeltrao@...> escreveu:
De: Felipe Kana <felipebeltrao@...> Assunto: RE: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica Para: "Uma Nova Cultura" <umanovacultura@...> Data: Terça-feira, 24 de Novembro de 2009, 10:54
Ola Lilli.
Sobre isso, vi mais alguns outros links interessantes:
Aqui a posição oficial do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) sobre o recente apagão. Bem interessante para se ter uma noção de como está a situação da matriz energética do país. http://www.mabnacio nal.org.br/ noticias/ 161109_apagao. html
Aqui sobre a carta indígena onde líderes indigenas prometem ações guerreiras caso seja iniciada a obra da hidroelétrica de Belo Monte. http://www1. folha.uol. com.br/folha/ brasil/ult96u647 250.shtml
A situação parece estar ficando tensa. (detalhe: o estranhíssimo apagão veio logo após o envio da carta indígena)
Abraços Kana
To: umanovacultura@ yahoogrupos. com.br From: lillicaoliveira@ yahoo.com. br Date: Mon, 23 Nov 2009 15:34:21 -0800 Subject: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica
Olá !
Se alguém tiver interesse em ler a matéria, achei interessante o cantor Sting fala em ouvir os índios do Amazonas antes de construir hidrelétrica no coração da floresta amazônica.
O site do O Globo não autoriza o control c control v.
Valeu pela dica vou ler com certeza, é muito triste ver o que esta acontecendo e não fazer nada, as pessoas estão tão alienadas que se satisfazem com o Jornal Nacional, veja e essas merdas que existem por ai...ou ficam na punhetagem acadêmica.
Me cobro sobre o que fazer e como, não quero passar pela terra e passar em branco.
--- Em ter, 24/11/09, Felipe Kana <felipebeltrao@...> escreveu:
De: Felipe Kana <felipebeltrao@...> Assunto: RE: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica Para: "Uma Nova Cultura" <umanovacultura@...> Data: Terça-feira, 24 de Novembro de 2009, 10:54
Ola Lilli.
Sobre isso, vi mais alguns outros links interessantes:
Aqui a posição oficial do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) sobre o recente apagão. Bem interessante para se ter uma noção de como está a situação da matriz energética do país. http://www.mabnacio nal.org.br/ noticias/ 161109_apagao. html
Aqui sobre a carta indígena onde líderes indigenas prometem ações guerreiras caso seja iniciada a obra da hidroelétrica de Belo Monte. http://www1. folha.uol. com.br/folha/ brasil/ult96u647 250.shtml
A situação parece estar ficando tensa. (detalhe: o estranhíssimo apagão veio logo após o envio da carta indígena)
Abraços Kana
To: umanovacultura@ yahoogrupos. com.br From: lillicaoliveira@ yahoo.com. br Date: Mon, 23 Nov 2009 15:34:21 -0800 Subject: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica
Olá !
Se alguém tiver interesse em ler a matéria, achei interessante o cantor Sting fala em ouvir os índios do Amazonas antes de construir hidrelétrica no coração da floresta amazônica.
O site do O Globo não autoriza o control c control v.
Sobre isso, vi mais alguns outros links interessantes:
Aqui a posição oficial do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) sobre o recente apagão. Bem interessante para se ter uma noção de como está a situação da matriz energética do país. http://www.mabnacional.org.br/noticias/161109_apagao.html
Aqui sobre a carta indígena onde líderes indigenas prometem ações guerreiras caso seja iniciada a obra da hidroelétrica de Belo Monte. http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u647250.shtml
A situação parece estar ficando tensa. (detalhe: o estranhíssimo apagão veio logo após o envio da carta indígena)
Abraços Kana
To: umanovacultura@... From: lillicaoliveira@... Date: Mon, 23 Nov 2009 15:34:21 -0800 Subject: [umanovacultura] Hidrelétrica Amazônica
Olá !
Se alguém tiver interesse em ler a matéria, achei interessante o cantor Sting fala em ouvir os índios do Amazonas antes de construir hidrelétrica no coração da floresta amazônica.
O site do O Globo não autoriza o control c control v.
Se alguém tiver interesse em ler a matéria, achei interessante o cantor Sting fala em ouvir os índios do Amazonas antes de construir hidrelétrica no coração da floresta amazônica.
O site do O Globo não autoriza o control c control v.
De: João Westin <joaowestinjr@...> Assunto: [enex] Flaskô: Fabrica Ocupada no canal Multishow
Para: "Juventude Revolução" <contato@...> Data: Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009, 13:41
Como sabem, a Flaskô (fábrica ocupada pelos trabalhadores em Sumaré, região de Campinas) segue a luta e realizará um Seminário no próximo dia 28/11. Para mais informações sobre isso, podem entrar em contato respondendo este email ou direto no site da Flaskô www.defenderaflasko .blogspot. com
Mas amanhã, 20/11 (Sexta-Feira feriado), no canal Multishow (TV a cabo), às 23:00 será exibido um programa (Conexões Urbanas) sobre a Flaskô.
Como já devem imaginar, as lutas autênticas dos trabalhadores não têm espaço na mídia controlada pelo grande capital. Portanto, quando conseguimos cavar um espaço, por menor que seja - e mesmo sendo num horário difícil e em canal fechado - devemos buscar utilizar ao máximo.
Por isso pedimos não só que assistam, mas que divulguem para suas listas de e-mail, orkut, twitter, etc., para que possamos ampliar o alcance da voz dos trabalhadores da Flaskô.
2009/11/20 leonardo freitas borges de souza <drplanck@...>
Fiz meu cadastro lá. Não vejo problema em propaganda. E acho legal encontros do grupo. E sobre isso tem um ponto importante. Não há a necessidade de Janos participar de todos os encontros. O pessoal de SP, por exemplo, pode se reunir e levantar questões. Depois esses assuntos podem ser discutidos no grupo para que os demais membros possam participar.
De: Janos Biro <janosbirozero@...> Assunto: [umanovacultura] Migração para o grupo "Civilização?" Para: umanovacultura@...
Data: Sábado, 1 de Agosto de 2009, 17:28
Olá
Faz um tempo, desde 2008 ou 2007, eu criei
um grupo de discussão no googlegroups, chamado "Civilização?", para saber se a estrutura de lá era melhor que a do yahoogroups.
Eu não me lembro se eu comentei isso aqui, mas acho que realmente
poderíamos migrar para lá, se não tivesse problema para vocês. O principal motivo é que lá tem realmente uma estrutura melhor, especialmente para novos membros, e opções a mais, visualização melhor, etc...
Se isto ficar decido, então teremos um tempo de transição e aí nos mudaremos em definitivo para lá. Alguns membros daqui já estão inscritos lá. O link é http://groups.google.com.br/group/civilizacao
Acessem o blog Contra-Informação: http://vsimoes.wordpress.com
--- Em sex, 20/11/09, João Westin <joaowestinjr@...> escreveu:
De: João Westin <joaowestinjr@...> Assunto: [enex] Flaskô: Fabrica Ocupada no canal Multishow Para: "Juventude Revolução" <contato@...> Data: Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009, 13:41
Como sabem, a Flaskô (fábrica ocupada pelos trabalhadores em Sumaré, região de Campinas) segue a luta e realizará um Seminário no próximo dia 28/11. Para mais informações sobre isso, podem entrar em contato respondendo este email ou direto no site da Flaskô www.defenderaflasko .blogspot. com
Mas amanhã, 20/11 (Sexta-Feira feriado), no canal Multishow (TV a cabo), às 23:00 será exibido um programa (Conexões Urbanas) sobre a Flaskô.
Como já devem imaginar, as lutas autênticas dos trabalhadores não têm espaço na mídia controlada pelo grande capital. Portanto, quando conseguimos cavar um espaço, por menor que seja - e mesmo sendo num horário difícil e em canal fechado - devemos buscar utilizar ao máximo.
Por isso pedimos não só que assistam, mas que divulguem para suas listas de e-mail, orkut, twitter, etc., para que possamos ampliar o alcance da voz dos trabalhadores da Flaskô.
Fiz meu cadastro lá. Não vejo problema em propaganda. E acho legal encontros do grupo. E sobre isso tem um ponto importante. Não há a necessidade de Janos participar de todos os encontros. O pessoal de SP, por exemplo, pode se reunir e levantar questões. Depois esses assuntos podem ser discutidos no grupo para que os demais membros possam participar.
(Y)
--- Em sáb, 1/8/09, Janos Biro <janosbirozero@...> escreveu:
De: Janos Biro <janosbirozero@...> Assunto: [umanovacultura] Migração para o grupo "Civilização?" Para: umanovacultura@... Data: Sábado, 1 de Agosto de 2009, 17:28
Olá
Faz um tempo, desde 2008 ou 2007, eu criei
um grupo de discussão no googlegroups, chamado "Civilização?", para saber se a estrutura de lá era melhor que a do yahoogroups.
Eu não me lembro se eu comentei isso aqui, mas acho que realmente poderíamos migrar para lá, se não tivesse problema para vocês. O principal motivo é que lá tem realmente uma estrutura melhor, especialmente para novos membros, e opções a mais, visualização melhor, etc...
Se isto ficar decido, então teremos um tempo de transição e aí nos mudaremos em definitivo para lá. Alguns membros daqui já estão inscritos lá. O link é http://groups.google.com.br/group/civilizacao
ARG (Alternative Reality Game), ou jogo de realidade alternativa, é
um tipo de jogo que usa os meios de comunicação do mundo real para
contar uma história fictícia interativa. Os jogadores são pessoas
comuns, que descobrem uma história intrigante num blog, site ou vídeo
da internet, por exemplo, às vezes sem saber que aquilo é fictício e
faz parte de uma brincadeira. O jogador inicia uma investigação,
descobrindo pistas que o conduzem para eventos, mesmo que não saiba
que está participando de um jogo. Segundo os criadores do ARG, o
objetivo é quebrar limites entre ficção e realidade. O ARG é
reconhecido como uma promissora ferramenta de publicidade, e está se
tornando popular entre defensores da Web 2.0, que chegam a falar de
Mundo 2.0, numa alusão ao fato de que a realidade concreta está sendo
reconstruída através da democratização das mídias eletrônicas. Por
exemplo, o ARG “Zona incerta”, do Guaraná Antártica, criou um vídeo de
uma empresa fictícia que estaria querendo comprar a Amazônia. O
discurso da empresa fictícia enganou agências de notícia e até mesmo
um senador brasileiro, que se fez um discurso em defesa da Amazônia no
senado. Depois de saber que se passava de uma brincadeira, ele
declarou que “poderia ser verdade”.
Proponho uma análise do ARG sob a perspectiva de uma crítica à
sociedade do espetáculo, com base nas idéias de Debord. No capítulo IX
de A sociedade do espetáculo, Debord expõe sua tese sobre a
materialização da ideologia capitalista, que representa a
transformação, por meio do espetáculo, de algo abstrato, a ideologia
capitalista, em realidade material. Ou seja, quando a vida se torna
espetáculo, o que ocorre não é uma superação dialética da oposição
entre idealismo e materialismo, como defendido por Marx, mas sim a
conservação de uma ideologia que é convenientemente tanto idealista
quanto materialista, pois idealiza a matéria e materializa a ideologia
sob as condições de beneficiar o capitalismo. A sociedade do
espetáculo realiza assim essa quebra entre real e ficcional para
tornar o capitalismo na única realidade aceitável.
“Ao contrário do projeto resumido nas Teses sobre Feuerbach (a
realização da filosofia na práxis que supera a oposição ente o
idealismo e o materialismo), o espetáculo conserva ao mesmo tempo, e
impõe no pseudo-concreto do seu universo, os caracteres ideológicos do
materialismo e do idealismo. O aspecto contemplativo do velho
materialismo, que concebe o mundo como representação e não como
atividade, e que finalmente idealiza a matéria, está realizado no
espetáculo, onde as coisas concretas são automaticamente senhoras da
vida social. Reciprocamente, a atividade sonhada do idealismo
realiza-se igualmente no espetáculo pela mediação técnica de signos e
de sinais, que finalmente materializam um ideal abstrato” – Guy
Debord. A sociedade do espetáculo. Capítulo IX - A ideologia
materializada. Parágrafo 216.
O ARG pode ser visto como um produto da sociedade do espetáculo. Em
forma de brincadeira, ele realiza o discurso da sociedade do
espetáculo, usando as ferramentas do capitalismo. Pois o ARG joga com
o fato de que podemos manipular nossa realidade por meio das mídias.
Ele demonstra que a única coisa que separa a realidade da ficção é a
seriedade que damos às informações que recebemos.
Os jogadores e organizadores de ARG poderão dizer que, embora o ARG
brinque com a fronteira entre real e fictício, não há confusão por
parte dos participantes entre uma coisa e outra. Eles sabem que se
trata de uma brincadeira. A participação de empresas patrocinando um
ARG se justifica como forma de manter a participação livre e gratuita,
sendo que a publicidade do produto paga pelos custos operacionais do
ARG. Não se trata de contestar essas afirmações, mas analisar a
ideologia implicada por trás disso, e os efeitos subjetivos dessa
prática social. O sucesso do ARG como estratégia publicitária pode ser
explicado pelo sucesso de uma ideologia que media a realidade não
apenas por meio de imagens, mas por meio de imagens criadas por
técnicas especializadas de “criação da realidade”. Estas técnicas são
produtos de uma indústria com certos interesses políticos e
econômicos, e, enquanto produtos culturais, são meios de afetar a
subjetividade das pessoas.
Poderíamos abordar isso de um ponto de vista ético, questionando o
ato de divulgar informações falsas que podem ser confundidas com
informações verdadeiras em meios de comunicação de massas. Mas creio
que hoje em dia não há condições para falar seriamente sobre ética na
indústria do entretenimento. A discussão ética se forma de maneira
lenta demais para acompanhar a rapidez do desenvolvimento de produtos
culturais deste tipo. O máximo que se diz hoje é que certas
brincadeiras são “de mau gosto”, mas ainda não há propriamente uma
regulamentação ética para este tipo de prática. Atualmente, o incômodo
com certos jogos é gerado por meio de uma campanha midiática, com
argumentos que não se baseiam num programa de ética, mas num
sentimento que possa gerar polêmica. Logo, o que se tem no fundo
também são interesses econômicos, e não éticos.
Debord traça uma crítica a uma sociedade que realizou o capitalismo
apagando os limites entre abstrato e concreto, e instituindo a regra
de que “assim é se lhe parece”. Em Debord, podemos relacionar a
realização de um projeto que já estava descrito no materialismo de
Schopenhauer, como uma conseqüência do avanço do capitalismo sobre as
subjetividades. O espetáculo é uma continuação do processo de
transformação do ser em ter, como descrito por Erich Fromm, que leva à
transformação a do ter em parecer. Pois o ter só tem sentido se ele
gera uma aparência de ter, que possa ser conferida por outros, e assim
a imagem de algo adquire um valor igual ou maior ainda do que a coisa
em si.
“A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social levou,
na definição de toda a realização humana, a uma evidente degradação do
ser em ter. A fase presente da ocupação total da vida social pelos
resultados acumulados da economia conduz a um deslizar generalizado do
ter em parecer, de que todo o ‘ter’ efetivo deve tirar o seu prestígio
imediato e sua função última. Ao mesmo tempo, toda a realidade
individual se tornou social, diretamente dependente do poderio social,
por ele moldada. Somente nisto em que ela não é lhe é permitido
aparecer” – Guy Debord. A sociedade do espetáculo. Capítulo I - A
separação acabada. Parágrafo 17.
Dessa forma, o ARG é uma das maneiras encontradas para ocupar a vida
social com um discurso e uma prática econômica. No caso, é a área do
entretenimento que perde sua barreira com a da publicidade e
propaganda. Ao jogar um ARG, não é mais possível perceber quando se
está participando de uma campanha publicitária, e quando se está
participando de um jogo. Assim, cada jogador, pelo ato de jogar, está
também movimentando a economia, sendo um agente econômico do
capitalismo. É exatamente isso que atrai as empresas a investir neste
tipo de publicidade.
Além de brincar com nossa definição de realidade, o ARG também pode
transformar algo bastante sério numa brincadeira, e assim fazer escoar
o que ainda resta de realidade para o ralo da irrelevância. Como eu
descrevi no artigo Como vender anarquia, uma das estratégias para
afastar uma idéia é apresentá-la enquanto fictícia, portanto algo que
não deve ser levado a sério. O filme V de vingança realizou o trabalho
de fazer cada espectador se sentir um participante de um ataque contra
um governo fictício, mas que era metáfora para a realidade, provendo
assim a catarse de sentimentos inconscientes trazidos à tona, e
possibilitando que se saia do cinema com a sensação de já ter feito
justiça o bastante.
De maneira semelhante, o ARG faz seus participantes se dedicarem à
investigação de um fato fictício, transformando em ficção o próprio
ato de investigar um fato ou de participar de um evento histórico
importante, enquanto a vida real permanece imutável, sendo um espaço
onde nada de realmente importante pode ser feito. É uma forma de
saciar o desejo de mudar o mundo criando um mundo fictício que pode
ser mudado à vontade, pois nele as ações dos jogadores não afetam
aqueles que estão no poder, mas ao inverso, isso os beneficia. Devemos
analisar o ARG como uma estratégia de alienação em potencial, que está
fora de controle das pessoas, e pode ser facilmente usada segundo os
interesses uma ideologia dominante.
Referências bibliográficas:
DEBORD, Guy. Sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
Janos Biro
Bacharel em Filosofia
janosbirozero@...
Links para este texto:
http://gamereporter.ning.com/profiles/blogs/arg-e-sociedade-do-espetaculohttp://infoblarg.blogspot.com/2009/10/arg-e-sociedade-do-espetaculo.html
Para mais informações sobre ARG:
http://www.argbrasil.net
--
http://antizero.rg3.net
Podemos ver nessa vontade de conhecer e lembrar tudo a vontade de controle que carregamos como civilizados. Característica que a civlização criou e que ao mesmo tempo é o que a mantém em pé e sua essência, poderiamos dizer.
Vêmos isto na nossa relação com o conhecimento, nas nossas relações pessoais, em como lidamos com as possibilidades ambientais ao nosso redor, nas relações com outros animais, do "meu" bichinho de estimação aos animais expostos no zoologico.
Característica mais difícil de ser atacada e largada por nós, pois parece ser o que nos faz humanos. Como explicar que não precisamos saber tudo, que não precisamos controlar tudo, que não somos os senhores do mundo...
Algo interessante para pensar é que essa característica esta entrenhada, ramificada, indireta,
em tudo. Sendo assim a mudança mental deve ser estimulada da mesma forma, em diversas frentes, praticas, de forma indireta, estimulando uma maneira de pensar que prima pelas ideias de que não somos capazes de conhcer tudo, de que é necessário conhecer e respeitar limites, estimular um contato diferenciado com os outros seres, onde eles não simples objetos, e por ai vai. Fomentando uma mentalidade.
Abraços.
--- Em seg, 16/11/09, leonardo freitas borges de souza <drplanck@...> escreveu:
De: leonardo freitas borges de souza <drplanck@...> Assunto: Re: [umanovacultura] O Conhecimento e A Memória Para: "cafil" <cafil@...>, umanovacultura@... Data: Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009, 13:53
Esse é o principal motivo ou a principal desculpa para eu continuar na civilização. Acabo me vendendo pela informação fácil e abundante. É uma situação muito parecida com as fotos do post "Comei e bebei". Você já tinha me falado que conhecimento é diferente de sabedoria. Me sinto como um viciado que sabe que o cigarro faz mal, mas não consigo parar de fumar.
--- Em qua, 16/9/09, Janos Biro <janosbirozero@ gmail.com> escreveu:
De: Janos Biro <janosbirozero@ gmail.com> Assunto: [umanovacultura] O Conhecimento e A Memória Para:
"cafil" <cafil@listas. ufg.br>, umanovacultura@ yahoogrupos. com.br Data: Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009, 9:08
O Conhecimento e
A Memória
Por Frederick Montero
Data de Publicação: 10 de Outubro de 2006
Se eu pudesse votar em um padroeiro para a internet, minha escolha seria Jorge Luís Borges. Ainda que quando ele morreu a internet apenas engatinhava, este escritor argentino escreveu um conto profético intitulado "O Aleph". Não é à toa que Aleph era o nome de um provedor de internet na cidade onde eu moro.
Neste conto, Borges escreve a respeito de um ponto, o Aleph, escondido no porão de um conhecido e que permitia a visão de todo o conhecimento do universo de uma única vez. Ignorando os exageros do conto, sempre que ouço alguém comparar a internet a uma versão contemporânea da Biblioteca de Alexandria, eu penso que o Aleph é uma imagem muito mais próxima do que ela nos representa. Nos meus tempos de faculdade, eu gostava de me perder entre os inúmeros corredores de livros da biblioteca, ler
aleatoriamente os seus nomes e pegar um ao acaso. O conhecimento chegava a mim não pelo que eu lia nos livros, mas pelas conexões que fazia entre um dos caminhos que escolhi para percorrer e os outros que eu já havia percorrido. Um professor uma vez me contou a história de uma citação que lera em um livro. Foi procurar mais informações sobre o autor daquela citação. Leu todos os seus livros e nunca encontrou aquela citação específica. Por acaso, um dia descobriu que o verdadeiro autor daquela citação era outro: "Ao menos eu li toda a obra de alguém que nunca leria se a primeira informação estivesse certa".
No conto de Borges, o amigo do escritor passava diversas horas por dia, mergulhado no fascínio que todo o conhecimento do universo lhe proporcionava. E quando não estava diante do Aleph, ele contava os minutos para voltar à sua presença. Ou seja, o conhecimento pleno anulava a sua
existência.
Em outro conto, Borges narra a história de Fines, um homem que depois de um acidente adquiriu a capacidade de se lembrar de absolutamente tudo. A sua memória era tão prodigiosa que ele conseguia se lembrar de cada momento, cada segundo da sua vida. Então cada um desses segundos passou a ser uma lembrança independente da outra. A lembrança de um cachorro em um determinado segundo era diferente da lembrança desse mesmo cachorro no segundo anterior ou no segundo seguinte. E as diferenças entre essas várias lembranças do mesmo cachorro eram tantas que Fines se negava a aceitar que elas partiam de um único ser vivo. Para Fines cada lembrança representava um cachorro diferente, tantas eram as particularidades, as diferenças que ele via entre as diversas memórias do mesmo cachorro. A vida de Fines se tornou um tormento, porque ele não conseguia abstrair nenhuma informação relevante
do mundo que o cercava.
Estes dois contos tem uma conexão intrínsica que nos faz pensar até onde a internet pode ser a nossa Biblioteca de Alexandria. A rede mundial de computadores nos fornece um acesso direto nunca visto antes a uma montanha de informações. Não nego que o acesso fácil a toda essa informação é útil para qualquer indivíduo. O contrário disso é um obscurantismo canhestro. Mas é de se pensar até que ponto este conhecimento infinito não nos transforma em um Fines ou em simples contempladores do Aleph.
Por um lado, nós nos deixamos perder numa multidão de informações que nos leva a adiar qualquer ação na busca de novas informações que corroborem algumas das anteriores. Mas sempre haverá novas informações que não sabíamos ou as informações velhas se desdobrarão em mais informações indefinidamente. Como no caso do aeroporto na Finlândia que levou vinte
anos para ser construído. Sempre havia novas informações que levavam o projeto para um lado da cidade, para o outro, para modificações no projeto, alterações nas normas de segurança, etc e tal (caso você deseje se certificar da história, vá em frente, pelo menos irá conhecer um pouco mais sobre a Finlândia).
Por outro lado, o fascínio que o acúmulo de informações cria sobre nós pode resultar em um estado vegetativo no qual a visão de todo o conhecimento da humanidade pode anular a nossa capacidade de agir e transformar o mundo.
Por vezes é necessário esquecer ou ignorar determinados caminhos para que possamos construir nossos próprios e novos caminhos. Caminhos que outros poderão percorrer ou apenas criticar e reclamar da falta de sinalizações. E isso vale não apenas para a internet, mas para a construção de todo um ambiente computacional, desde os códigos de um programa até
o ambiente gráfico de um sistema operacional. Porque, em determinados momentos, adiamos o lançamento de um programa à espera de mais informações sobre aquela função que você planeja um dia utilizar. Ou o superlotamos de funções que confundirão qualquer um que venha a utilizá-lo.
Em algumas ocasiões, é necessário construírmos as paredes de um labirinto em nossa volta do que caminharmos em uma floresta de opções. Conforme o caminho é percorrido, podemos baixar algumas paredes ou abrir novas portas. Mas apenas quando o caminho de ida e volta já nos é bem familiar. Pois é fácil perder-se quando se tem todos os caminhos do mundo a sua disposição. Do contrário, desejaremos isolar-nos em um quarto escuro, como fez Fines.
Esse é o principal motivo ou a principal desculpa para eu continuar na civilização. Acabo me vendendo pela informação fácil e abundante. É uma situação muito parecida com as fotos do post "Comei e bebei". Você já tinha me falado que conhecimento é diferente de sabedoria. Me sinto como um viciado que sabe que o cigarro faz mal, mas não consigo parar de fumar.
--- Em qua, 16/9/09, Janos Biro <janosbirozero@...> escreveu:
De: Janos Biro <janosbirozero@...> Assunto: [umanovacultura] O Conhecimento e A Memória Para: "cafil" <cafil@...>, umanovacultura@... Data: Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009, 9:08
O Conhecimento e
A Memória
Por Frederick Montero
Data de Publicação: 10 de Outubro de 2006
Se eu pudesse votar em um padroeiro para a internet, minha escolha seria Jorge Luís Borges. Ainda que quando ele morreu a internet apenas engatinhava, este escritor argentino escreveu um conto profético intitulado "O Aleph". Não é à toa que Aleph era o nome de um provedor de internet na cidade onde eu moro.
Neste conto, Borges escreve a respeito de um ponto, o Aleph, escondido no porão de um conhecido e que permitia a visão de todo o conhecimento do universo de uma única vez. Ignorando os exageros do conto, sempre que ouço alguém comparar a internet a uma versão contemporânea da Biblioteca de Alexandria, eu penso que o Aleph é uma imagem muito mais próxima do que ela nos representa. Nos meus tempos de faculdade, eu gostava de me perder entre os inúmeros corredores de livros da biblioteca, ler
aleatoriamente os seus nomes e pegar um ao acaso. O conhecimento chegava a mim não pelo que eu lia nos livros, mas pelas conexões que fazia entre um dos caminhos que escolhi para percorrer e os outros que eu já havia percorrido. Um professor uma vez me contou a história de uma citação que lera em um livro. Foi procurar mais informações sobre o autor daquela citação. Leu todos os seus livros e nunca encontrou aquela citação específica. Por acaso, um dia descobriu que o verdadeiro autor daquela citação era outro: "Ao menos eu li toda a obra de alguém que nunca leria se a primeira informação estivesse certa".
No conto de Borges, o amigo do escritor passava diversas horas por dia, mergulhado no fascínio que todo o conhecimento do universo lhe proporcionava. E quando não estava diante do Aleph, ele contava os minutos para voltar à sua presença. Ou seja, o conhecimento pleno anulava a sua
existência.
Em outro conto, Borges narra a história de Fines, um homem que depois de um acidente adquiriu a capacidade de se lembrar de absolutamente tudo. A sua memória era tão prodigiosa que ele conseguia se lembrar de cada momento, cada segundo da sua vida. Então cada um desses segundos passou a ser uma lembrança independente da outra. A lembrança de um cachorro em um determinado segundo era diferente da lembrança desse mesmo cachorro no segundo anterior ou no segundo seguinte. E as diferenças entre essas várias lembranças do mesmo cachorro eram tantas que Fines se negava a aceitar que elas partiam de um único ser vivo. Para Fines cada lembrança representava um cachorro diferente, tantas eram as particularidades, as diferenças que ele via entre as diversas memórias do mesmo cachorro. A vida de Fines se tornou um tormento, porque ele não conseguia abstrair nenhuma informação relevante
do mundo que o cercava.
Estes dois contos tem uma conexão intrínsica que nos faz pensar até onde a internet pode ser a nossa Biblioteca de Alexandria. A rede mundial de computadores nos fornece um acesso direto nunca visto antes a uma montanha de informações. Não nego que o acesso fácil a toda essa informação é útil para qualquer indivíduo. O contrário disso é um obscurantismo canhestro. Mas é de se pensar até que ponto este conhecimento infinito não nos transforma em um Fines ou em simples contempladores do Aleph.
Por um lado, nós nos deixamos perder numa multidão de informações que nos leva a adiar qualquer ação na busca de novas informações que corroborem algumas das anteriores. Mas sempre haverá novas informações que não sabíamos ou as informações velhas se desdobrarão em mais informações indefinidamente. Como no caso do aeroporto na Finlândia que levou vinte
anos para ser construído. Sempre havia novas informações que levavam o projeto para um lado da cidade, para o outro, para modificações no projeto, alterações nas normas de segurança, etc e tal (caso você deseje se certificar da história, vá em frente, pelo menos irá conhecer um pouco mais sobre a Finlândia).
Por outro lado, o fascínio que o acúmulo de informações cria sobre nós pode resultar em um estado vegetativo no qual a visão de todo o conhecimento da humanidade pode anular a nossa capacidade de agir e transformar o mundo.
Por vezes é necessário esquecer ou ignorar determinados caminhos para que possamos construir nossos próprios e novos caminhos. Caminhos que outros poderão percorrer ou apenas criticar e reclamar da falta de sinalizações. E isso vale não apenas para a internet, mas para a construção de todo um ambiente computacional, desde os códigos de um programa até
o ambiente gráfico de um sistema operacional. Porque, em determinados momentos, adiamos o lançamento de um programa à espera de mais informações sobre aquela função que você planeja um dia utilizar. Ou o superlotamos de funções que confundirão qualquer um que venha a utilizá-lo.
Em algumas ocasiões, é necessário construírmos as paredes de um labirinto em nossa volta do que caminharmos em uma floresta de opções. Conforme o caminho é percorrido, podemos baixar algumas paredes ou abrir novas portas. Mas apenas quando o caminho de ida e volta já nos é bem familiar. Pois é fácil perder-se quando se tem todos os caminhos do mundo a sua disposição. Do contrário, desejaremos isolar-nos em um quarto escuro, como fez Fines.
ELIANE POTIGUARA Fellow da Ashoka Observatório da Mulher Indígena INBRAPI/Inst.Indíg.Bras.Propriedade Intelectual Membro Fundadora del Enlace Continental de Mujeres Indígenas Associação Mulheres pela Paz Comitê Intertribal
PARA NÃO RECEBER MAIS NOSSAS INFORMAÇÕES, ENVIE UM E-MAIL P/: no_want_mensage@... "Estar em estado de liberdade é estar em estado de existência na paz, mas só se consegue esse estágio quando a luz interna está acesa, límpida e conectada com a verdade, sabedoria, compromisso, tolerância e respeito ao próximo. Não adianta apregoar uma causa se não há respeito ao próximo. Intenções e palavras desperdiçadas voam e se perdem" Eliane Potiguara
Terminei de traduzir o excerto do terceiro capítulo do mais novo livro de Richard Dawkins, O Maior Espetáculo da Terra.
Nesse artigo ele ataca os argumentos relativos à suposta falta de elos
perdidos, ou formas de transição, e, portanto, os intervalos relativos
aos registros fósseis. Claro, sempre na linguagem acessível e culta que
lhe é característica. Segue abaixo um trecho do artigo:
Os
criacionistas estão profundamente enamorados pelos registros fósseis,
por que eles foram ensinados (uns pelos outros) a repetir,
incansavelmente, o mantra de que o mesmo está cheio de "brechas":
"Mostre-me os intermediários!". Eles ingenuamente (muito ingenuamente)
acreditam que essas "brechas" constituem um embaraço para os
evolucionistas. Na verdade, e nós temos sorte de possuirmos registros
fósseis, deixe de lado o número massivo deles que hoje possuímos para
documentar a história da evolução - grande número os quais, por
quaisquer padrões, constituem belos "intermediários". Nós não
precisamos de fósseis para demonstrar que a evolução é um fato. A
evidência da evolução seria completamente segura, mesmo se nenhum
cadáver tivesse sido fossilizado. É um bônus que nós realmente tenhamos
ricos veios de fósseis para minerar, e que mais deles sejam descobertos
a cada dia. As evidências fósseis da evolução para a maioria dos grupos
de animais é maravilhosamente forte. Entretanto, é claro, eles também
possuem brechas, que os criacionistas amam obsessivamente.
Vamos usar a analogia de um detetive que chega à cena de um crime onde
não houve testemunhas oculares. A baronesa foi morta a tiros.
Impressões digitais, pegadas, DNA de uma mancha de suor na pistola, e
um motivo forte, todos apontam para o mordomo. Tem todos os elementos
de um caso simples de resolver, e o júri assim como toda a platéia do
júri está convencida de que o mordomo realmente é o autor do crime. Mas
uma evidência de última hora é encontrada, no curto intervalo de tempo
antes do júri se retirar para refletir sobre o que parecia ser o seu
inevitável veredicto de culpado; alguém se lembrou que a baronesa
instalou câmeras de segurança contra ladrões. Com o fôlego suspenso, o
júri assiste aos filmes. Uma cena mostra o mordomo abrindo a gaveta da
despensa, tirando uma pistola, carregando-a, e caminhando furtivamente
para fora da sala com um brilho sinistro nos olhos. Você poderia pensar
que essa cena fortaleceria ainda mais a acusação contra o mordomo.
Acompanhe o desfecho, entretanto. O advogado de defesa do mordomo
astutamente observa que não havia câmeras de segurança na biblioteca
aonde o assassinato foi cometido e de que também não havia câmeras de
segurança no corredor que levava à despensa. "Há uma brecha[1]
nas gravações! Nós não podemos afirmar o que aconteceu depois que o
mordomo deixou a despensa. Claramente não existem evidências
suficientes para incriminar o meu cliente!".
Para ler o artigo completo basta acessar http://307.to/cZd
Eu estou traduzindo artigos escritos pelo próprio
Dawkins para anunciar o lançamento do seu mais novo livro, "O Maior
Espetáculo da Terra". O livro acabou de ser lançado na Inglaterra e já tem
previsão de ser lançado em Novembro aqui no Brasil. O primeiro artigo
intitula-se "Criacionistas: Cuidado, eles agora estão vindo pegar suas crianças".
Segue abaixo um trecho do artigo:
Voltando
aos iluminados bispos e teólogos, seria interessante se eles também se
esforçassem um pouco para combater todas as afirmações nonsense e
pseudo-científicas que eles mesmos reprovam. Todos os bons religiosos, ao mesmo
tempo em que concordam que a teoria da evolução é verdadeira e que Adão e Eva
na verdade nunca existiram, alegremente vão aos seus púlpitos realizar alguma
exposição moral ou intelectual a respeito das histórias de Adão e Eva em seus
sermões mas se esquecem de mencionar, vejam vocês, que Adão e Eva na verdade
nunca existiram! Quando são desafiados, eles irão protestar dizendo que a passagem
possui uma conotação puramente "simbólica", talvez relativa a um "pecado
original", ou relativa às "virtudes da inocência". Eles poderiam timidamente
acrescentar que, obviamente, nenhuma pessoa seria tão tola a ponto de
interpretar literalmente suas palavras. Mas será que suas congregações sabem
disso?
Como pode a pessoa do banco da igreja, ou do tapete de orações saber quais
partes das escrituras ela deve interpretar literalmente e quais deve
interpretar metaforicamente? Será que é realmente fácil para um fiel adivinhar
isso? Em muitos casos a resposta é simplesmente não, e qualquer pessoa pode ser
perdoada por se sentir confusa quanto a isso.
Você conhece o Ativismo ABC? Somos um coletivo de ativistas desde
2001, voltado para a autogestão, a ajuda mútua, a amizade, a ação
direta, buscando alternativas de vida que valorizam as diferenças,
contra a exploração, a opressão e o preconceito. Não temos vínculos
partidários, nossa política é libertária, solidária e ecológica.
A Casa da Lagartixa Preta “Malagueña Salerosa” é gerida por nós
desde 2004 e lá mantemos horta e biblioteca comunitárias, intercâmbios
gratuitos, grupos de estudo e prática de agroecologia, bioconstrução,
tecnologias autônomas, capoeira, artes, pedagogia libertária e o que
tiver a ver com nossos princípios. Estamos abertos a colaborações!
Você é convidado a participar! No dia 24/10/2009 a casa será
aberta a partir das 9h para visitação e às 16h teremos uma reunião
aberta para apresentar o coletivo a novos interessados em juntar-se a
ele ou apenas conhecer!
R. Alcides de Queirós, 161 – Bairro Casa Branca, Santo André.
Um tema interessante, porém Dawkins parece estar considerando que para
haver domesticação é preciso haver seleção ativa por parte do homem, e
não apenas influencia indireta do meio que o homem modificou na sua
própria auto-domesticação. Isto que está sendo hoje chamado de "gene
da domesticação", ao meu ver, é como a falácia do "gene da obesidade".
Quer dizer, em outras palavras, que essas coisas só são verdade no
contexto da civilização (auto-domesticação do homem). Muito
provavelmente, isso se dá porque falta a Dawkins uma compreensão da
civilização como auto-domesticação humana. Essa relação entre seleção
natural e artificial me pareceu bastante forçada, e tem implicações
perigosas, como uma possível naturalização do processo civilizatório.
Janos
Acabei de traduzir mais um artigo, dessa vez retirado do segundo capítulo do livro O Maior Espetáculo da Terra. Espero que vocês tenham tanto prazer em ler quanto tive em traduzir. O mesmo trata de temas tão variados quanto a paixão de Darwin pela criação de cães, seleção natural e seleção artificial, assim como do desenvolvimento científico na União Soviética sob o domínio de Stálin.
Segue abaixo um trecho do artigo:
Richard Dawkins: A verdade que os cães revelam
acerca da evolução
A forma como os lobos se adaptaram ao ambiente para se transformarem em
cães lança uma nova luz sobre a evolução
Nós podemos nos voltar ao exemplo
dos cães para algumas importantes lições acerca da seleção natural. Todas as
raças de cães advêm de lobos domesticados: não de chacais, não de coiotes nem
de raposas. Mas eu preciso qualificar isso sob a luz de uma fascinante teoria
da evolução dos cães, que foi mais claramente formulada pelo zoólogo americano
Raymond Coppinger. A idéia é que a evolução dos cães não se trata apenas de um
caso de seleção artificial. Que ela foi um tanto um caso de lobos se adaptando
aos caminhos do homem através da seleção natural. Que muito da domesticação
inicial foi na verdade autodomesticação, mediada pela seleção natural, e não
artificial. Muito antes de colocarmos nossas mãos no cinzel da caixa de
ferramentas da seleção artificial, a seleção natural já havia esculpido os
lobos no formato de "cães de vila[1]"
autodomesticados sem qualquer intervenção humana.
Apenas mais tarde os humanos
adotaram esses cães de vila e os transformaram, separada e compreensivelmente,
no amplo espectro de raças que hoje em dia nos brindam (se brindar é a palavra)
com um cortejo suntuoso de realização e beleza canina (se beleza é a palavra
certa).
Coppinger chama a atenção para o
fato de que quando os animais domésticos se libertam e se tornam selvagens por
muitas gerações, eles geralmente retrocedem a um estado próximo ao do seu
ancestral. Nós deveríamos esperar que os cães domésticos que se criaram no meio
selvagem[2],
entretanto, se tornassem semelhantes aos lobos. Mas isso na verdade não
acontece. Ao contrário, cães domésticos criados em meio selvagem parecem se
tornar os onipresentes "cães de vila" - cães vira-lata[3] - que
rodeiam as instalações humanas em todo o Terceiro Mundo. Isso encoraja a crença
de Coppinger de que os cães a partir do qual os criadores passaram a trabalhar
não se tratavam mais de lobos. Eles já tinham se transformado em cães: cães de
vila, vira-latas, talvez dingos.
--------------------------------------------
Para ler o artigo completo acessem http://vsimoes.wordpress.com
Gostaria de convidar todos para o 8º Expressões Anarquistas. O Expressões é um evento que tem acontecido anualmente, sendo que os últimos têm sido em Campinas. O objetivo é a troca de experiências e de idéias entre diversos coletivos libertários do estado de São Paulo. Este ano será aqui em Piracicaba-SP, nos dias 17 e 18 de Outubro (sábado e domingo).
Também ressalto que o Expressões seria uma boa oportunidade para nos encontrarmos e nos conhecermos pessoalmente, e discutirmos e trocarmos idéias sem a mediação da internet e emails. Esse nosso "grupo de discussões" têm aprofundado muitos assuntos juntos e já diversas vezes levantamos a idéia de nos encontrarmos. Acredito que seria muito enriquecedor finalmente "sairmos das telas" e nos tornarmos mais vida real. Talvez até mais amadurecimento para nos pensarmos enquanto grupo, e enquanto idéias e práticas visando uma nova cultura não civilizada/não civilizadora.
Segue o cartaz com a programação (em breve divulgaremos as alterações e o local exato).
(A tempo: O filme "Aonde Fomos Parar? A Vida no Fim do Império", no domingo de manhã, é o filme já comentado nas nossas listas: "What a Way To Go: Life at the End of The Empire", com as novas legendas).
Vai fazer uns 50 anos que os teólogos embarcaram na famosa "busca pelo Jesus histórico", e Dawkins ainda está nessa de distinguir metáfora e "realidade" no antigo testamento... Será que uma lida em Mito e realidade, de Mircea Eliade, não resolveria a questão? Acho que se o Dawkins continuar por onde está indo, ele irá se surpreender... Ele está concordando com os teólogos iluminados, mas perece que não examinou ainda a crítica ao iluminismo.
Acabei de traduzir um artigo escrito pelo
próprio Dawkins para tratar do lançamento do seu mais novo livro, "O
Maior Espetáculo da Terra". Como o livro acabou de ser lançado na
Inglaterra então não deve haver previsão para lançamento no Brasil.
Quem tiver maiores informações, por gentileza, compartilhe conosco.
Segue abaixo um trecho do artigo:
Voltando
aos iluminados bispos e teólogos, seria interessante se eles também se
esforçassem um pouco para combater todas as afirmações nonsense e
pseudo-científicas que eles mesmos reprovam. Todos os bons religiosos,
ao mesmo tempo em que concordam que a teoria da evolução é verdadeira e
que Adão e Eva na verdade nunca existiram, alegremente vão aos seus
púlpitos realizar alguma exposição moral ou intelectual a respeito das
histórias de Adão e Eva em seus sermões mas se esquecem de mencionar,
vejam vocês, que Adão e Eva na verdade nunca existiram! Quando são
desafiados, eles irão protestar dizendo que a passagem possui uma
conotação puramente “simbólica”, talvez relativa a um “pecado
original”, ou relativa às “virtudes da inocência”. Eles poderiam
timidamente acrescentar que, obviamente, nenhuma pessoa seria tão tola
a ponto de interpretar literalmente suas palavras. Mas será que suas
congregações sabem disso? Como pode a pessoa do banco da igreja, ou do
tapete de orações saber quais partes das escrituras ela deve
interpretar literalmente e quais deve interpretar metaforicamente? Será
que é realmente fácil para um fiel adivinhar isso? Em muitos casos a
resposta é simplesmente não, e qualquer pessoa pode ser perdoada por se
sentir confusa quanto a isso.
Acabei de traduzir um artigo escrito pelo
próprio Dawkins para tratar do lançamento do seu mais novo livro, "O
Maior Espetáculo da Terra". Como o livro acabou de ser lançado na
Inglaterra então não deve haver previsão para lançamento no Brasil.
Quem tiver maiores informações, por gentileza, compartilhe conosco.
Segue abaixo um trecho do artigo:
Voltando
aos iluminados bispos e teólogos, seria interessante se eles também se
esforçassem um pouco para combater todas as afirmações nonsense e
pseudo-científicas que eles mesmos reprovam. Todos os bons religiosos,
ao mesmo tempo em que concordam que a teoria da evolução é verdadeira e
que Adão e Eva na verdade nunca existiram, alegremente vão aos seus
púlpitos realizar alguma exposição moral ou intelectual a respeito das
histórias de Adão e Eva em seus sermões mas se esquecem de mencionar,
vejam vocês, que Adão e Eva na verdade nunca existiram! Quando são
desafiados, eles irão protestar dizendo que a passagem possui uma
conotação puramente "simbólica", talvez relativa a um "pecado
original", ou relativa às "virtudes da inocência". Eles poderiam
timidamente acrescentar que, obviamente, nenhuma pessoa seria tão tola
a ponto de interpretar literalmente suas palavras. Mas será que suas
congregações sabem disso? Como pode a pessoa do banco da igreja, ou do
tapete de orações saber quais partes das escrituras ela deve
interpretar literalmente e quais deve interpretar metaforicamente? Será
que é realmente fácil para um fiel adivinhar isso? Em muitos casos a
resposta é simplesmente não, e qualquer pessoa pode ser perdoada por se
sentir confusa quanto a isso.
Achei legal a quebra de script fodeu a pauta do programa.
--- Em sáb, 19/9/09, Claiton Santos <claitonjs2004@...> escreveu:
De: Claiton Santos <claitonjs2004@...> Assunto: Re: [umanovacultura] FW: CONVIDARAM O CARA ERRADO... !!! Para: umanovacultura@... Data: Sábado, 19 de Setembro de 2009, 0:29
Vocês acham que, considerando esse jeito dele de dizer que tuuudo está errado e não funciona no Brasil, alguém levou a sério o que ele disse? Deixando de considerar se o que ele disse é ou não verdade, a forma com que apresentamos uma idéia pode fazer toda a diferença na sua aceitação... foi até chato ver a entrevista dele... mas eu amo o Brasil mesmo com os problemas gritantes que enfrentamos todos os dias.
Vocês acham que, considerando esse jeito dele de dizer que tuuudo está errado e não funciona no Brasil, alguém levou a sério o que ele disse? Deixando de considerar se o que ele disse é ou não verdade, a forma com que apresentamos uma idéia pode fazer toda a diferença na sua aceitação... foi até chato ver a entrevista dele... mas eu amo o Brasil mesmo com os problemas gritantes que enfrentamos todos os dias.
Date: Fri, 18 Sep 2009 09:16:53 -0700 From: olgabeltrao@... Subject: Fwd: CONVIDARAM O CARA ERRADO... !!! To: annapiselli@...
Esse sim tem coragem!!!!!!!!!
CONVIDARAM O PROFESSOR LÚCIO CASTELO BRANCO, DO DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA DA UNB PARA FALAR AO VIVO NA RADIOBRAS SOBRE AS COMEMORAÇÕES DE 7 DE SETEMBRO. VEJAM O QUE ELE DECLAROU: AS EMISSORAS DO GOVERNO CERTAMENTE NUNCA MAIS O CONVIDARÃO PARA NADA...
Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes Você sabia que pode utilizar o Messenger de qualquer tipo de celular? Saiba mais.
Acho que podemos aproveitá-lo para as propostas de fazer materiais infanto-juvenis que rolaram na outra lista ("Civilização?"). Resumir uns pontos, mexer um pouco, e tranformar em (sugestão) história em quadrinho...
---
Eu só não entendi uma referência que o autor fez ao livre-mercado já mais para o final do texto (uma frase). Entendi mal ou ele sugeriu que o livre mercado pode propor soluções para os problemas escolares por ele apontados??? Mas é justamente o livre-mercado não tem se beneficiado da situação!
Abraços Kana
To: centrosacademicos_ccs@... From: vinisimoes80@... Date: Tue, 15 Sep 2009 17:52:22 -0700 Subject: [umanovacultura] John Taylor Gatto - O Currículo das Seis Lições
Olá Pessoal
Eu acabei de traduzir um artigo muito interessante
chamado "O Professor das Seis Lições" escrito por John Taylor Gatto que
é um intelectual que trata sobre o tema da educação escolar. Escrito de
forma irônica o artigo além de interessante faz uma crítica sobre o
sistema escolar norte americano que, em muitos casos, tem bastante a
ver com os problemas da educação no Brasil, vistos de forma geral.
Apenas para vocês terem uma idéia, segue abaixo um excerto do artigo:
Boas pessoas esperam que um
professor lhes diga o que fazer. Essa é a lição mais importante de todas, a de
que nós devemos esperar que outras pessoas, melhor qualificadas do que nós, nos
ditem o sentido de nossas existências. Não é exagero nenhum dizer que toda a
nossa economia depende do aprendizado dessa lição. Pense no prejuízo que
adviria do fato das crianças não serem devidamente treinadas a respeito da
lição de dependência: A indústria do serviço social dificilmente conseguiria
sobreviver, incluindo a crescente indústria do aconselhamento; a indústria de
todos os tipos de entretenimento, incluindo a televisão, iriam sucumbir caso as
pessoas se lembrassem sobre como se divertir por conta própria, o serviços de
alimentação, os restaurantes e os armazéns de comida instantânea iriam encolher
se as pessoas readquirissem o hábito de preparar as próprias refeições ao invés
de depender de que estranhos cozinhem para eles. Boa parte do Direito, Medicina
e Engenharia modernas também iriam sucumbir – assim como a indústria da
confecção – a não ser que todos os anos pingue das escolas um suprimento
garantido de casos perdidos. Nós construímos um modo de vida que depende de
pessoas que esperam que os outros lhes digam o que fazer por que elas não
saberiam agir de outra forma. Pelo amor de Deus, não vamos virar essa canoa!
O Conhecimento e A Memória
Por Frederick Montero
Data de Publicação: 10 de Outubro de 2006
Se eu pudesse votar em um padroeiro para a internet, minha escolha
seria Jorge Luís Borges. Ainda que quando ele morreu a internet apenas
engatinhava, este escritor argentino escreveu um conto profético
intitulado "O Aleph". Não é à toa que Aleph era o nome de um provedor
de internet na cidade onde eu moro.
Neste conto, Borges escreve a respeito de um ponto, o Aleph, escondido
no porão de um conhecido e que permitia a visão de todo o conhecimento
do universo de uma única vez. Ignorando os exageros do conto, sempre
que ouço alguém comparar a internet a uma versão contemporânea da
Biblioteca de Alexandria, eu penso que o Aleph é uma imagem muito mais
próxima do que ela nos representa. Nos meus tempos de faculdade, eu
gostava de me perder entre os inúmeros corredores de livros da
biblioteca, ler aleatoriamente os seus nomes e pegar um ao acaso. O
conhecimento chegava a mim não pelo que eu lia nos livros, mas pelas
conexões que fazia entre um dos caminhos que escolhi para percorrer e
os outros que eu já havia percorrido. Um professor uma vez me contou a
história de uma citação que lera em um livro. Foi procurar mais
informações sobre o autor daquela citação. Leu todos os seus livros e
nunca encontrou aquela citação específica. Por acaso, um dia descobriu
que o verdadeiro autor daquela citação era outro: "Ao menos eu li toda
a obra de alguém que nunca leria se a primeira informação estivesse
certa".
No conto de Borges, o amigo do escritor passava diversas horas por
dia, mergulhado no fascínio que todo o conhecimento do universo lhe
proporcionava. E quando não estava diante do Aleph, ele contava os
minutos para voltar à sua presença. Ou seja, o conhecimento pleno
anulava a sua existência.
Em outro conto, Borges narra a história de Fines, um homem que depois
de um acidente adquiriu a capacidade de se lembrar de absolutamente
tudo. A sua memória era tão prodigiosa que ele conseguia se lembrar de
cada momento, cada segundo da sua vida. Então cada um desses segundos
passou a ser uma lembrança independente da outra. A lembrança de um
cachorro em um determinado segundo era diferente da lembrança desse
mesmo cachorro no segundo anterior ou no segundo seguinte. E as
diferenças entre essas várias lembranças do mesmo cachorro eram tantas
que Fines se negava a aceitar que elas partiam de um único ser vivo.
Para Fines cada lembrança representava um cachorro diferente, tantas
eram as particularidades, as diferenças que ele via entre as diversas
memórias do mesmo cachorro. A vida de Fines se tornou um tormento,
porque ele não conseguia abstrair nenhuma informação relevante do
mundo que o cercava.
Estes dois contos tem uma conexão intrínsica que nos faz pensar até
onde a internet pode ser a nossa Biblioteca de Alexandria. A rede
mundial de computadores nos fornece um acesso direto nunca visto antes
a uma montanha de informações. Não nego que o acesso fácil a toda essa
informação é útil para qualquer indivíduo. O contrário disso é um
obscurantismo canhestro. Mas é de se pensar até que ponto este
conhecimento infinito não nos transforma em um Fines ou em simples
contempladores do Aleph.
Por um lado, nós nos deixamos perder numa multidão de informações que
nos leva a adiar qualquer ação na busca de novas informações que
corroborem algumas das anteriores. Mas sempre haverá novas informações
que não sabíamos ou as informações velhas se desdobrarão em mais
informações indefinidamente. Como no caso do aeroporto na Finlândia
que levou vinte anos para ser construído. Sempre havia novas
informações que levavam o projeto para um lado da cidade, para o
outro, para modificações no projeto, alterações nas normas de
segurança, etc e tal (caso você deseje se certificar da história, vá
em frente, pelo menos irá conhecer um pouco mais sobre a Finlândia).
Por outro lado, o fascínio que o acúmulo de informações cria sobre nós
pode resultar em um estado vegetativo no qual a visão de todo o
conhecimento da humanidade pode anular a nossa capacidade de agir e
transformar o mundo.
Por vezes é necessário esquecer ou ignorar determinados caminhos para
que possamos construir nossos próprios e novos caminhos. Caminhos que
outros poderão percorrer ou apenas criticar e reclamar da falta de
sinalizações. E isso vale não apenas para a internet, mas para a
construção de todo um ambiente computacional, desde os códigos de um
programa até o ambiente gráfico de um sistema operacional. Porque, em
determinados momentos, adiamos o lançamento de um programa à espera de
mais informações sobre aquela função que você planeja um dia utilizar.
Ou o superlotamos de funções que confundirão qualquer um que venha a
utilizá-lo.
Em algumas ocasiões, é necessário construírmos as paredes de um
labirinto em nossa volta do que caminharmos em uma floresta de opções.
Conforme o caminho é percorrido, podemos baixar algumas paredes ou
abrir novas portas. Mas apenas quando o caminho de ida e volta já nos
é bem familiar. Pois é fácil perder-se quando se tem todos os caminhos
do mundo a sua disposição. Do contrário, desejaremos isolar-nos em um
quarto escuro, como fez Fines.
--
http://antizero.rg3.net
Eu já li um pouco desse autor e sua crítica à escola, e achei interessante. No entanto, no caso específico, do texto que você citou, creio que o argumento, apesar de correto, flerta com algo perigoso. Há uma diferença entre depender que outro te diga tudo que você vai fazer, de dite inclusive o sentido da sua existência, e a simples dependência que todos os seres humanos tem de algum tipo de autoridade. Nesse caso, se o que se critica é a dependência da autoridade, se critica algo que vai muito além daquilo que mantém esta sociedade, mas também algo que existe antes dela, a confiança na palavra de outra pessoa que é realmente capaz de instruir outra pessoa sobre algo. Nunca houve sociedade onde todas as coisas são feitas "por conta própria". Mas creio que o texto é bom e vou comentar mais sobre ele depois.
Eu acabei de traduzir um artigo muito interessante
chamado "O Professor das Seis Lições" escrito por John Taylor Gatto que
é um intelectual que trata sobre o tema da educação escolar. Escrito de
forma irônica o artigo além de interessante faz uma crítica sobre o
sistema escolar norte americano que, em muitos casos, tem bastante a
ver com os problemas da educação no Brasil, vistos de forma geral.
Apenas para vocês terem uma idéia, segue abaixo um excerto do artigo:
Boas pessoas esperam que um
professor lhes diga o que fazer. Essa é a lição mais importante de todas, a de
que nós devemos esperar que outras pessoas, melhor qualificadas do que nós, nos
ditem o sentido de nossas existências. Não é exagero nenhum dizer que toda a
nossa economia depende do aprendizado dessa lição. Pense no prejuízo que
adviria do fato das crianças não serem devidamente treinadas a respeito da
lição de dependência: A indústria do serviço social dificilmente conseguiria
sobreviver, incluindo a crescente indústria do aconselhamento; a indústria de
todos os tipos de entretenimento, incluindo a televisão, iriam sucumbir caso as
pessoas se lembrassem sobre como se divertir por conta própria, o serviços de
alimentação, os restaurantes e os armazéns de comida instantânea iriam encolher
se as pessoas readquirissem o hábito de preparar as próprias refeições ao invés
de depender de que estranhos cozinhem para eles. Boa parte do Direito, Medicina
e Engenharia modernas também iriam sucumbir - assim como a indústria da
confecção - a não ser que todos os anos pingue das escolas um suprimento
garantido de casos perdidos. Nós construímos um modo de vida que depende de
pessoas que esperam que os outros lhes digam o que fazer por que elas não
saberiam agir de outra forma. Pelo amor de Deus, não vamos virar essa canoa!