1 - Pesquisa da SBOT obre hábitos dos jovens após a Lei Seca mostra bons resultados
2 - Presidencia veta projeto de lei que estabelecia jornada de trabalho para motoristas profissionais
3 - Ministro da Saude volta a pedir retrição na propaganda de bebidas
4 - Senado libera a atividade de mototaxi
Fernando
O Globo Online – 09/07/09
Lei Seca: Pesquisa: 50% dos jovens no Rio e em São Paulo não
dirigem após beber
RIO - Uma pesquisa
inédita, encomendada pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia
(Sbot), mostra que o comportamento dos jovens do Rio e de São Paulo mudou após
a entrada
Outra informação
importante levantada pela pesquisa diz respeito à aprovação da Lei Seca. No
Rio, 83,3% dos entrevistados disseram que estão de acordo com o regime de
tolerância zero para os motoristas que bebem. Em São Paulo, o percentual sobe
para 87%.
Em números absolutos,
considerando os entrevistados nas duas cidades: entre os homens, 488 são a
favor e 125 contra; entre as mulheres, são
Operação Lei Seca passa a contar com o dobro de fiscais nas
ruas
RIO - Ao completar um ano
exato de criação, a Lei Seca, de 19 de junho de 2008, aperta o cerco aos
motoristas imprudentes no Rio. O atual efetivo de 120 pessoas envolvidas nas
operações de fiscalização dobrou. A partir de agora, 240 profissionais vão atuar
nas blitzes, que continuarão a acontecer sem trégua na Região Metropolitana e
na capital, garante a Secretaria estadual de Governo, que desde 19 de março
deste ano coordena as ações de repressão. Desde então, 22.468 veículos foram
abordados, 888 motoristas flagrados com índice de alcoolemia acima do permitido
pela legislação e 2.660 carteiras de habilitação suspensas. A vigilância sem
descanso já surte efeito: a secretaria comemora a redução de 36,2% no número de
acidentes em maio , em relação ao mesmo mês de 2008.
Mesmo com o reforço de
pessoal, o número de equipes permanecerá o mesmo: seis, com 20 pessoas cada
uma. A diferença é que agora o dobro de profissionais envolvidos permitirá
revezamento contínuo entre as equipes, já que as blitzes começam à noite e se
estendem pela madrugada e há sempre parte da equipe de folga. Assim, as equipes
não ficarão mais desfalcadas nem precisarão ser intercaladas em área alguma. Um
total de 35 bafômetros fica à disposição das equipes.
- Que os motoristas
saibam que não se trata de uma campanha temporária de trânsito, mas sim de um
trabalho permanente de fiscalização, que se estenderá até o último dia de
governo - diz o subsecretário de Governo,
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O Dia
Online – 09/07/09
Metade dos jovens do Rio já obedece à Lei Seca
Mudança de
atitude foi detectada por pesquisadores apenas após a aplicação das punições
Rio - Principais vítimas
da mistura álcool-direção, os jovens começaram a mudar seu comportamento no
trânsito: em dois anos, subiu de 36% para 50% o número de universitários que
saem para a noitada de carro e não bebem.
Pesquisa feita pela
Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) com mais de mil
estudantes de 13 faculdades de São
A pesquisa, com
estatísticas de
Segundo a pesquisa, os
motivos que levam o carioca e o paulista a obedecer à lei são diferentes. No
Rio, o medo de multas e a possibilidade de ser preso são a causa para 35%. E
38% dizem cumprir a legislação por conhecer os riscos de beber e dirigir. É
essa a razão que motiva 52% dos paulistas que não misturam bebida e volante.
Rodrigo crê que os dois
motivos andem juntos: “Quando você vê blitz pela cidade toda, sabe que a
lei é levada a sério, e isso colabora para que se tenha medo de cometer
crime”.
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A Crítica /AM - 09/07/2009
Estados esquecem bafômetros
Duzentos e cinco
bafômetros comprados pela União para serem distribuídos a oito Estados estão
desde junho nos armazéns do Ministério da Justiça, aguardando a retirada. Os
aparelhos, usados nas operações para identificar motoristas que dirigem depois
de ingerir bebidas alcoólicas, fazem parte de uma compra de 10 mil unidades
encomendada pelo ministério, logo depois da entrada em vigor da lei seca.
“Gostaríamos não só que os Estados buscassem os aparelhos, mas que os
colocassem em uso”, afirmou o secretário executivo da pasta, Luiz
A compra de bafômetros
foi feita diante da constatação de que havia uma quantidade muito reduzida do
aparelho no País. “São Paulo, por exemplo, tinha três”, contou
Barreto, durante audiência na Câmara dos Deputados para discutir os efeitos da
nova lei.
Cada bafômetro foi
comprado, por meio de licitação internacional, por R$ 7.500. Os Estados recebem
o aparelho gratuitamente, mas precisam desembolsar o valor do frete. O
Ministério da Justiça informou que deram as justificativas mais variadas para o
atraso na retirada dos kits. Alguns alegam a falta de recursos para
providenciar o frete; outros nem responderam ao pedido.
Os Estados que não
providenciaram a retirada dos aparelhos são Acre , Amazonas, Ceará, Espírito
Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Norte e Sergipe. Procurada pela
reportagem, a direção do Detran-AM, por meio da assessoria de comunicação, não
se manifestou até o fechamento desta edição.
Espírito Santo O
subsecretário de Integração Institucional da Secretaria de Segurança Pública do
Espírito Santo, André Garcia, afirmou que na próxima semana dois carros e
seguranças deverão ir a Brasília para fazer a retirada dos bafômetros.
“Não fizemos antes porque havia dúvidas sobre a melhor forma de fazer a
operação. A idéia inicial era fazer o transporte por via aérea, mas ficaria
muito caro”. Barreto usou o exemplo dos bafômetros para mostrar que a
fiscalização de motoristas que dirigem sob efeito de álcool ainda tem um longo
caminho a percorrer.
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Agência Câmara – 09/07/09
Presidência veta projeto sobre jornada de motoristas
A Presidência da
República vetou o Projeto de Lei 2660/96, do Poder Executivo, que proíbe ao
motorista de ônibus ou caminhão dirigir em rodovia por mais de quatro horas sem
intervalo. A proposta havia sido aprovada na Câmara no mês passado.
O texto original, de
autoria do Poder Executivo, previa uma jornada ininterrupta ao volante de
quatro horas, no máximo. O motorista só poderia retomar a direção após uma hora
de descanso. A cada 24 horas, o condutor teria que repousar por 12 horas
ininterruptas. Além disso, os veículos deveriam ser equipados com tacógrafo.
O texto aprovado pelos
deputados reduziu o intervalo de uma hora para meia hora e suprimiu o intervalo
a ser observado a cada 24 horas. Além disso, não determinou a instalação de
tacógrafos em ônibus e caminhões.
A Presidência da
República vetou o texto com base
Uso de anfetaminas
A sanção do Projeto de
Lei 2660/09 foi apontada na audiência pública de hoje como solução para o uso
de anfetaminas nas estradas. "Mais de 90% dos problemas seriam resolvidos
se o presidente sancionasse essa lei", avaliou o diretor-geral do
Departamento de Polícia Rodoviária Federal, Hélio Cardoso Derenne.
O problema da anfetamina,
conhecida como rebite, foi levantado pelo deputado Camilo Cola (PMDB-ES),
controlador da empresa de transportes Itapemirim. O rebite é uma substância
utilizada como estimulante, principalmente por caminhoneiros. A droga tem, como
efeito colateral, a redução da capacidade de reflexo do motorista.
Veto à jornada de caminhoneiro representa grave risco, diz
relator
Para Asdrubal Bentes, os
deputados devem apresentar um outro projeto aperfeiçoado.
O deputado Asdrubal
Bentes (PMDB-PA), relator do projeto que limitava em quatro horas o tempo
máximo que o motorista de ônibus ou caminhão pode permanecer ao volante
(Projeto de Lei 2660/96), lamentou o veto à proposta.
O texto original, de
autoria do Poder Executivo, previa uma sequência máxima ao volante de quatro
horas. O motorista só poderia retomar a direção após uma hora de descanso. A
cada 24 horas, o condutor teria que repousar por 12 horas ininterruptas. Além
disso, os veículos deveriam ser equipados com tacógrafo.
O texto aprovado pelos
deputados reduziu o intervalo de uma hora para meia hora e suprimiu o intervalo
a ser observado a cada 24 horas. Além disso, não determinou a instalação de
tacógrafos em ônibus e caminhões.
Entrevista
Agência Câmara - A Presidência da República
criticou a redação aprovada na Câmara. Segundo o governo, da maneira como
ficou, a transformação do projeto em lei iria contrariar o interesse público.
Ainda assim, o senhor acredita que os deputados aperfeiçoaram a proposição?
Asdrubal Bentes -
Acredito que sim, porque a lei não pode ser tão detalhista assim. O regulamento
é que iria cuidar das especificidades. Lamento muito porque seria um
instrumento para maior segurança aos usuários das rodovias. Inclusive, um dos
motivos do veto foi o uso da palavra rodovia [que, segundo a justificativa do
Executivo na mensagem de veto, não é conveniente por não abranger estradas não
pavimentadas]. Rodovia é exatamente aquele estrada por onde transitam veículos
rodoviários. Agora, é uma prerrogativa do presidente da República vetar. Nós
aqui do Congresso temos uma parcela de culpa [pelo vácuo normativo] porque esse
projeto se arrasta aqui desde 1996. Eu estava no meu segundo mandato. Hoje
estou no quinto. Somente agora essa lei pôde ser ultimada. Infelizmente, foi
vetada. Vejo um grave prejuízo para a segurança nas rodovias não apenas para os
motoristas, como também para os demais usuários.
Agência Câmara - O governo alega que a não
previsão de um descanso diário de pelo menos 12 horas seguidas inviabilizou o
projeto.
Asdrubal Bentes - Imagine
um país continental como o nosso. De Belém a Brasília, são
Agência Câmara - E quanto à supressão da
exigência de tacógrafos em todos os caminhões e ônibus, que também foi citada
pelo Executivo como mudança negativa operada pelo Congresso, porque
impossibilitaria a fiscalização?
Asdrubal Bentes - Como
todo texto aprovado, é consequência de um amplo acordo aqui no Congresso. Não
me cabia, como relator, nada além de transportar para o texto da lei o acordo
celebrado entre as lideranças partidárias. Esse é um regime democrático, e nós
temos que obedecer a vontade da maioria, expressada pelas lideranças.
Agência Câmara - Essa mudança não foi
invocada como motivadora do veto, mas por que o senhor reduziu de uma hora para
meia hora o intervalo mínimo após quatro horas ininterruptas ao volante?
Asdrubal Bentes - Imagine
quanto tempo será necessário para percorrer o trecho Belém-Brasília se o
motorista tiver que parar uma hora a cada quatro horas que dirigir. As empresas
seriam obrigadas a ter dois motoristas
Agência Câmara - Como o Congresso vai
reagir ao veto?
Asdrubal Bentes - Vamos
ter que reunir as lideranças. Eu vou me reunir com a liderança do meu partido,
para decidirmos se vamos apresentar um outro projeto de lei ou se vamos
analisar o veto. Não me parece de bom alvitre nós partirmos para o revide na
análise do veto. Talvez seja melhor apresentar um outro projeto aperfeiçoado.
Agência Câmara - Nos Estados Unidos, a lei
determina um descanso mínimo de 10 horas entre duas jornadas diárias. Dentro da
janela diária de 14 horas, em que o motorista pode trabalhar, ele deve observar
o limite máximo de 11 horas ao volante.
Asdrubal Bentes - Basta
você comparar as rodovias norte-americanas com as brasileiras. Via de regra as
nossas estão esburacadas. Há obstáculos de toda natureza, aumentando o perigo
para os que trafegam nas rodovias. Lá, as rodovias são um tapete. O motorista
brasileiro é muito mais competente.
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Agência Câmara – 09/07/09
Temporão volta a pedir restrição à propaganda de bebidas
Em audiência pública para
debater o balanço de um ano de vigência da Lei Seca (Lei 11.705/08), o ministro
da Saúde,
"É importante educar
o jovem, as crianças em relação ao perigo de misturar álcool e direção; e a
propaganda de cerveja, pela maneira como ela trabalha o tema, continua sendo um
fator de estímulo ao consumo abusivo", afirmou.
O assunto é tema do
Projeto de Lei 2733/08, do Poder Executivo, que aguarda votação na Câmara. A
proposta, encaminhada ao Congresso junto com a Medida Provisória 415/08, da
qual se originou a Lei Seca, chegou a ir a Plenário no ano passado. O
presidente da República, porém, retirou a urgência na tramitação da proposta em
maio de 2008 e, desde então, ela não avançou. "Todos sabemos que há
interesses econômicos expressivos [contrários à proposta]", disse
Temporão.
O deputado Nazareno Fonteles
(PT-PI) também quer barrar o marketing das cervejarias. "Enquanto não se
atingir a propaganda da cerveja, estaremos brincando. A cerveja é o
problema", afirmou. O diretor do Departamento de Análise de Situação de
Saúde da Secretaria de Vigilância
Dúvidas sobre a eficácia
O presidente da Frente
Parlamentar do Trânsito Seguro, Beto Albuquerque (PSB-RS), questionou a
efetividade da simples proibição da propaganda de bebidas. "Mesmo que ela
saia do ar, vão continuar morrendo cem pessoas por dia", afirmou.
"Querer combater a propaganda da bebida sem que nós tenhamos uma contrapropaganda
da bebida não dá".
O deputado disse que as
únicas campanhas contra o consumo de álcool pelos motoristas são patrocinadas
pela própria indústria de bebidas, por meio da inserção da expressão "se
beber não dirija", ao final dos anúncios. "Depois que tivermos a
contrapropaganda no ar todos os dias, aí vamos discutir a mídia das
cervejas", afirmou.
O secretário-executivo do
Ministério da Justiça, Luiz
A audiência pública foi
organizada pelas comissões de Viação e Transportes; de Segurança Pública e
Combate ao Crime Organizado; e de Seguridade Social e Família.
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FOLHA DE S.PAULO - SP 09/07/2009
Senado libera transporte por mototáxi
Projeto
aprovado ontem pelo plenário segue agora para a sanção do presidente Lula;
tendência é que não seja vetado. Texto também regulamenta as atividades de
motoboys e motofretistas; especialistas temem que ocorra um aumento de
acidentes
O plenário do Senado
aprovou ontem projeto que regulamenta a profissão dos mototaxistas e que deve
incentivar a expansão da atividade no país.
A medida preocupa a maior
parte dos especialistas em segurança viária, que temem pelo aumento de
acidentes devido ao uso da motocicleta no transporte público de passageiros.
O mototáxi já existe em
mais da metade dos municípios do país, mas enfrenta um obstáculo jurídico para
a sua proliferação: parte do Judiciário considerava a atividade ilegal pela
ausência de normas nacionais.
O texto aprovado no
Senado -e que também regulamenta a profissão dos motoboys, que fazem entrega de
mercadorias- seguirá agora para sanção do presidente Lula (PT). A tendência é
que não seja vetado.
Mesmo se for sancionado,
caberá a cada Câmara ou prefeitura do país definir os lugares que poderão ter
mototáxi.
A Fenamoto (Federação dos
Mototaxistas e Motoboys do Brasil) prevê que a oficialização da profissão
deverá dobrar, dentro de um ano e meio, a quantidade de 500 mil mototaxistas e
de 10 milhões de usuários desse transporte por dia.
Técnicos avaliam que ela
deve se expandir até na periferia de metrópoles como São Paulo.
A expansão das
motocicletas é uma das principais preocupações da segurança viária no país: em
dez anos, a frota desses veículos quadruplicou, e as mortes de motociclistas
aumentaram mais de 800%, atingindo 19 por dia em 2006.
Regras claras
Os defensores do projeto
do mototáxi alegam que a regulamentação ajuda a fixar regras claras até para
permitir uma fiscalização dessa atividade -bem como para os motoboys e para os
motofretistas.
O projeto aprovado no
Senado prevê que a profissão só poderá ser exercida por maiores de 21 anos que
tenham carteira de habilitação por, pelo menos, dois anos na categoria.
O relator do projeto e
principal articulador da aprovação, senador Expedito Filho (PR-RO), disse que a
idade de 21 anos é para evitar que pessoas sem experiência de direção exerçam a
profissão. Parte da base eleitoral dele em Rondônia é de mototaxistas.
Também será exigido do
profissional aprovação em curso especializado, nos termos da regulamentação do
Contran (Conselho Nacional de Trânsito), e colete de segurança com dispositivos
retrorrefletivos.
A votação no plenário foi
acompanhada por motoboys. O Ministério do Trabalho afirma que há hoje no país
2,5 milhões de profissionais que trabalham na informalidade com motos pela
falta de regulamentação.
O Ministério da Saúde se
posicionou contra a aprovação do projeto. Um dos motivos é a utilização
coletiva do capacete nos mototáxis. Para os senadores, porém, uma touca
descartável pode se tornar obrigatória por decisão do Contran.
O projeto também
regulamenta os motovigias (motociclistas contratados por grupos de moradores
para circular pelas ruas à noite), criando a exigência de identificação do
profissional, bem como a comprovação de residência e as certidões negativas das
varas criminais "para dar tranquilidade aos moradores assistidos".
Essas cautelas, segundo a
justificativa do projeto, visam evitar que as pessoas se sintam constrangidas a
remunerar esses motociclistas pelo temor de sofrer represálias.
Os taxistas que trabalham
com transporte remunerado de mercadoria (motofrete) terão que instalar na
motocicleta protetor de motor mata-cachorro, fixado no chassi do veículo,
destinado a proteger a motocicleta e a perna em caso de tombamento.
O projeto define que o
motofrete carrega mercadorias, como galão de água, e o motoboy, documentos. O
mototáxi não pode ser usado no transporte escolar. Uma emenda chegou a ser
apresentada ao projeto neste sentido, mas não foi acatada pelo relator.
Importamos o que existe de pior, diz técnico em trânsito
Engenheiro e sociólogo
diz que modelo brasileiro de políticas para motocicletas copia o que existe na
África e na Ásia pobre. Para Eduardo Vasconcellos, regulamentação do mototáxi
sinaliza domínio do discurso de que moto liberta os mais pobres
Há cinco anos, a OMS
(Organização Mundial da Saúde) fez um alerta mundial para os riscos do avanço
das motos nos países em desenvolvimento. O engenheiro e sociólogo Eduardo
Alcântara Vasconcellos, 56, que participou como representante brasileiro no
relatório da entidade, avalia que as recomendações tiveram um efeito
"zero" -e que um dos exemplos da situação no Brasil é a
regulamentação nacional da atividade do mototáxi.
"O discurso de que a
moto gera emprego e liberta o pobre, essa demagogia é mais forte", diz.
"Importamos o pior do que já existe na África e na Ásia pobre, de uma
maneira populista e irresponsável", afirma ele, que tem pós-doutorado na
Universidade de Cornell (EUA) e é assessor da ANTP (associação de transportes
públicos):
FOLHA - Quais serão os impactos da
regulamentação do mototáxi?
EDUARDO ALCÂNTARA
VASCONCELLOS - É inegável que a moto é um veículo muito perigoso. De cada dez
acidentes com moto, sete têm vítimas. De cada dez com carro, um tem vítima. Se
acrescentar a isso a possibilidade de alguém na garupa, aumenta o problema
porque a condução de uma motocicleta é influenciada pelo peso e pelo
comportamento do passageiro. Dado o apoio amplo e irrestrito do governo federal
à indústria da motocicleta, haverá um incentivo muito forte para a proliferação
do mototáxi.
FOLHA - Que apoio é esse?
VASCONCELLOS - O governo
facilitou a ida da indústria para a zona franca de Manaus. Tem um subsídio
muito alto. Agora, com a crise, o governo também reduziu o IPI da motocicleta.
Além disso, a moto que entrou no Brasil é altamente poluente. O governo não
exigiu que a indústria adaptasse os motores. É uma licença para poluir com um
custo social enorme. Nós importamos o pior do que já existe na África e na Ásia
pobre, de uma maneira populista e irresponsável.
FOLHA - Por que populista?
VASCONCELLOS - Porque a
moto disfarça, esconde os impactos verdadeiros e trabalha habilmente com a
ideia de progresso. O discurso é por ser geradora de empregos. O mais irônico e
trágico é que ela fala que é a libertação dos mais pobres.
FOLHA - A regulamentação do mototáxi, ao
fixar regras claras, não é melhor do que deixar como está?
VASCONCELLOS - É um falso
argumento. As pessoas de mototáxi, mesmo com a regulamentação, estarão expostas
a riscos muito altos. As características inerentes da motocicleta são um
problema. Independe do capacete, por exemplo.
FOLHA - O mototáxi chegará com força às
grandes metrópoles?
VASCONCELLOS - Nas
grandes metrópoles vai haver uma resistência maior, porque o transporte público
é mais farto. Mas nas áreas periféricas delas vai surgir com certeza. Existem
deficiências estruturais na oferta do sistema de ônibus, na qualidade, a tarifa
é muito alta
FOLHA - O que mudou desde 2004, quando a OMS apontou a
preocupação mundial com as motos?
VASCONCELLOS - Nada. Não
teve nenhuma repercussão. Zero. O discurso de que a moto gera emprego e liberta
o pobre, essa demagogia é mais forte.
Esses processos de
entrada de tecnologia sem nenhum cuidado se assemelham a processos de seleção
natural. Infelizmente. Os mais fracos, os mais ignorantes dos riscos, vão pagar
um preço altíssimo na ilusão de que é uma coisa boa.
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