O Sexo depois da Lesão Medular
Ao pesquisar a sexualidade dos pacientes, o que eles faziam e quais
os principais problemas que dificultavam um novo relacionamento,
chegou-se à conclusão que 60% das mulheres e 50% dos homens, não
tinham vida sexual após a lesão. O motivo deste distanciamento ou
mesmo desinteresse é a própria condição física de estar numa cadeira
de rodas, o aspecto da perna fina, o corpo sem alguns dos movimentos
comprometendo a auto-estima, ingredientes que comprometem a
aproximação, além disso, um fator fundamental: o descontrole
esfincteriano.
A possibilidade de perder urina ou evacuar durante uma relação, esse
medo, que é real em função da lesão, faz com que esse paciente fuja
do relacionamento sexual. A orientação sexual após o exame é
fundamental e passa por duas fases:
1. A troca de experiências entre portadores de deficiência: é muito
importante que o recém-lesado, conheça as vivências de outros
portadores, dentre elas a sexualidade, assim as informações e
referências vêm de quem já viveu os problemas.
2. E num segundo instante, depois de terem essa primeira visão do
que é sexualidade para o lesado medular, eles são encaminhados para
a Urologia, especialidade do Dr. Milton, para uma consulta mais do
ponto de vista médico, encarando os reais desafios e as
possibilidades terapêuticas.
São duas fases importantes, atesta Dr. Milton: "eu acho que essa
parte inicial de troca de experiências, de um contato com pessoas
que convivem com o mesmo problema, é até mais interessante e traz
bons frutos, porque a gente conversa com o paciente com maior
facilidade depois. Antes de tratar da sexualidade, a minha
preocupação sempre é se este paciente se encontra no momento
adequado para tentar o relacionamento, então eu vejo que ponto da
reabilitação ele está, eu tento estabelecer padrões para que ele não
perca urina, oriento algumas medidas, que ele pode tomar para que
isso não aconteça".
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