Entregar valor continuamente em pequenos períodos de 1 a 4 semanas é muito doloroso, especialmente no início. O começo da adoção de um processo iterativo é um período complicado. Como todos os problemas da organização emergem e aparecem na frente de todos é muito comum as pessoas diminuirem a intensidade de uso da iteratividade e agilidade e voltar para a maneira antiga de fazer as coisas. Mudança de paradigma é algo muito difícil e é exatamente por isso que o processo de mudança muitas vezes falha.
Adicionando os pontos que citei ao que o Rodolfo comentou (ter sido a primeira forte experiência de desenvolvimento iterativo empacotado como um produto, templates, milhares de páginas de documentação nomenclatura dúbia, falta de enfase nos princípios do RUP e não nas práticas e templates) e temos o motivo para o RUP ainda ser utilizado de forma completamente equivocada no mercado.
Abraços!
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José Papo, MSc
Blog: http://josepaulopapo.blogspot.com
Twitter: http://twitter.com/josepapo
Oi André,
Trabalho na Rational desde 2002 e com RUP desde 98. Minha *opinião* é bastante simples: falta de conhecimento e maturidade.
Na época, falar em desenvolvimento Iterativo era como falar de universos paralelos e supercordas. Simplesmente ninguém entendia. Para complicar ainda mais as coisas, o pessoal que criou o RUP teve a infelicidade de dar nomes que na minha opinião induzem as pessoas a "cascatear". Imagine você com 20 anos de experiência cascateira nas costas pegar um livro sobre a "nova metodologia" e ler, no primeiro capítulo, que as fases são: iniciação, elaboração, *construção* e transição. Pronto! Pensaram: "mudaram os nomes mas o processo permaneceu o mesmo". E para "ajudar" (a piorar) ainda mais, o Doutor jacobson teve a infelicidade de incluir os famosos "templates de documentos" no RUP 99.
Aí tudo foi por água abaixo: as pessoas pegavam a documentação do processo, baixavam os templates e seguiam as "fases" preenchendo os documentos, sem nenhuma ênfase em executar o processo.
Houve muita ênfase na documentação do processo e não na execução do processo. Atenção, aqui me refiro a documentação não no sentido de gerar documentos, mas sim no de apresentar o processo: enquanto o SCRUM tem dezenas de páginas de documentação, o RUP era composto por um website com milhares de páginas HTML. Lembrei de mais um agravante: cada disciplina era apresentada com um diagrama de atividades descrevendo o fluxo de trabalho da iteração, que deveria ser repetido N vezes ao longo do projeto. Juntando isso à falta de maturidade na época, levava as pessoas a executarem os fluxos de cabo a rabo, como se fosse uma receita de bolo.
E lembrem-se de mais uma coisa: o RUP nasceu e cresceu numa era pré blogs, wikis e internet liberada nas empresas. Portanto, o meio principal de transmissão de conhecimento eram livros.
A minha opinião é que o RUP foi o boi de piranha: tanto pelo lado de quem definiu (que errou ao enfatizar o documentação do processo em excesso) e do mercado que simplesmente não "sacava" o lance das iterações.
A GRANDE sacada do movimento ágil, IMHO, é enfatizar obsecivamente a entrega em iterações. E isso é bom pra todo mundo.
Um desabafo aqui: vejo muito "agileiro" (não agilista, mas sim no sentido de "micreiro", "fução") tacando pedra no RUP, enquanto, deveria agradecer por ele ter existido e pago o preço do exagero na documentação do processo e da falta de maturidade do mercado. Isso preparou o terreno para o movimento ágil romper de vez com o Status Quo: processo documentado de maneira simples e foco no que realmente interessa: colaboração e iterações.
A IBM entendeu o recado: doou a parte do RUP que realmente interessa para o consórcio Eclipse que criou o OpenUP, fortemente influenciado por SCRUM e XP.
Abraço a todos!
Rodolpho2010/3/8 andre nascimento <nascimento_andre@...>Oi Guilherme,
Por isso eu gosto dessa lista, eheheh. Pessoal com sangue de pesquisa nas veias, isso é muito bom \o/
Bom também que sua pesquisa validou meu comentário, rs.
Eu acho que não vamos achar mesmo alguém que recomendou o modelo de engenharia convencional (ou cascata) para software. Não sei se já ouvi isso do Yoshima ou de outra pessoa que não existem mesmo referências para tal. Porque não faz o menor sentido.
O grande problema do mercado, foi pegar o RUP e transforma-lo em cascata. Ele não foi criado para ser cascata, foi transformado. Conheço umas 2 ou 3 pessoas no Brasil que podem falar de RUP com propriedade devida (eu não sou uma delas), acho que o Yoshima é...
Agora, porque o mercado acabou fazendo isso eu realmente não sei. Creio que tenha alguma coisa a ver com a "sindrome da gestão covarde". Alguém aí consegue colaborar com o porque (de fato) tivemos RUP transformado em cascata?To: scrum-brasil@...From: guilhermesg@...
Date: Sun, 7 Mar 2010 23:31:10 -0300
Subject: Re: [scrum-brasil] Scrum x Mps.BR
Curiozidade..André, sobre o comentário "Nem a SEI e nem a Softex dizem que seu modelo precisa ser cascata para ser certificado"Andei buscando na literatura anao passado quem foi o cara que defendia o uso do modelo em cascata para desenvolvimento de software...O artigo mais antigo que encontrei foi:ROYCE, Winston. Managing Development of Large Software Systems. In: IEEE WESCON. Proceedings… New York: IEEE CS Press, 1970.Se você ler vai perceber que o ROYCE em 1970 fala como se desenvolvem sistemas e depois fala no que deve ser feito para melhorar isso.Nem ele achava que deveria ser assim! Olhem que legal....Fiquei bastante surpreso, pois não encontrei nenhum autor que recomendam o modelo em cascata para SW.abs
Guilherme Souza Gomes
(32) 8844-9816
2010/3/2 João Alberto Giaccomassi <joao@...>

Desde que produza todos os resultados esperados, sim. O desafio é fazê-lo sem burocratizar o processo.João.Sent: Monday, March 01, 2010 11:23 PMSubject: Re: [scrum-brasil] Scrum x Mps.BR2010/2/25 andre nascimento <nascimento_andre@...>
> (..)
A rigor, a rigor... os modelos de maturidade só o que precisa
ser feito; mas não falam nada sobre *como* fazer. Ou seja,
em teoria, qualquer processo de software deve ser capaz de
atender ao CMMi ou MPS BR.
Atts.
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MARCELO F ANDRADE
Belem, Amazonia, Brazil
"I took the red pill"
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