Uma flor, quando desabrocha, jogando suas pétalas para além de si mesma, emana luz e perfume em todas as direções.
Neste exercício de expansão, ela cumpre sua tarefa, levando cor e alegria a muitas criaturas, enfeitando o mundo e convidando todos ao agradecimento a Deus, o criador de toda essa beleza. Porém, em toda sua pureza, ela também se expõe, com toda sua fragilidade, a toda as intempéries do universo, a todas as agressões da própria natureza, seu berço e sua morada, sua origem e seu destino.
Ainda assim, sem medo, ela se ergue em busca de luz e calor, e se deixa sacudir pelo ar que se move à sua volta, ou queimar pelo sol que arde no topo do céu, ou surrar pela chuva que despenca pesada das nuvens.
Sem hesitar, ela se doa, completa e irrestritamente, ao mundo e aos seres, cumprindo a missão para a qual foi criada. E, nessa jornada, ela acaba também por murchar, secar e morrer, apagando seu brilho no mundo das formas, para espalhar sua essência no mundo mais sutil, consciente de que, cumprida a missão, ela mais nada tem a fazer aqui.
Sua existência, neste plano, é efêmera e transitória, mas ela não se importa e se entrega, de corpo e alma, ao seu destino, na certeza instintiva de que continuará vivendo e existindo em outras instâncias, mais puras, mais sutis.
Ela sabe que sua presença nesse plano não é eterna e, talvez, por isso mesmo, ela aproveita ao máximo este momento, explodindo em vitalidade, consumindo-se em sua própria alegria de viver e existir no universo de Deus, entregando-se completamente àquilo que justifica sua existência e que, ao mesmo tempo, a destruirá, mas a fará eternamente feliz.
Todo serviço que se presta ao outro é como uma flor de luz no jardim espiritual da humanidade. E exatamente como uma flor, cresce, abre-se, expande-se e projeta-se para além de si mesmo, levando luz e perfume espiritual, como consolo, esclarecimento, esperança e amor a muitas consciências que gravitam inconscientes em torno do ilusório mundo das formas, sem se dar conta da real finalidade de sua própria existência.
Mas, também como uma flor, ao cumprir seu objetivo, ele também se expõe às agressões do meio em que está plantado, às intempéries emocionais e energéticas geradas pelas mentes desequilibradas que se sentem atraídas por sua luz ou por aquelas que se julgam lesadas por ela, sofrendo com esta ação.
Como a flor, ele também se desgasta, murcha e morre para o meio em que nasceu. Sua existência também é efêmera e transitória. Ele também não é eterno. Nada é para sempre.
Por isso, é importante que, como a flor bela e delicada, todo aquele que presta um serviço de ajuda ao próximo tenha consciência da transitoriedade de seu trabalho, de sua fragilidade, de sua sensibilidade ao meio em que existe e no qual atua.
É preciso que saiba que, por mais tempo que resista, sua existência é limitada e representa apenas uma faísca em todo o contexto da criação. Uma faísca importante naquele momento, mas apenas uma faísca.
É preciso que esteja consciente dessa transitoriedade e não se prenda ao seu funcionamento ou à sua existência, pois ele existe para mudar as pessoas e, quando as pessoas mudarem, ele não mais será necessário e deixará de existir para dar lugar a outras formas de serviço, a outros tipo de trabalho.
É necessário que esteja alerta para o momento que, mesmo fugaz, tem sua beleza e seu valor para o universo, e ficará registrado indelevelmente na mente do universo, mas não no coração dos seres humanos.
A humanidade precisa e vai mudar. Este é o seu destino. E com ela, mudarão os serviços que se devem prestar a ela. Que aqueles que prestam estes serviços não se entristeçam quando seu trabalho não for mais necessário, pois este será um motivo de alegria, não de tristeza.
A cada degrau galgado, novas necessidades surgirão e novas fronteiras deverão ser traçadas, novos limites deverão ser ultrapassados, novas propostas deverão ser feitas, para que outros degraus sejam galgados e todos possamos continuar a caminhar.
A cada flor que morre, um fruto nasce e, dentro dele, novas sementes, promessas de vida, surgem, trazendo a renovação, justamente o cumprimento da promessa de que a flor continuará existindo, ainda que não em sua forma original.
A flor se desintegra, as energias que dão forma à sua estrutura física se desagregam para se reorganizar em outras formas de vida, para que a sua própria espécie continue. E nesse processo, ela não hesita um segundo, ela não vacila, ela não pensa, ela não deixa de se entregar em um átomo sequer, instintivamente.
A cada serviço ao próximo que se deixa para trás, outro surge mais adiante, mostrando que a renovação continua, que estamos todos caminhando, que não estamos parados e que continuamos todos precisando uns dos outros, uns dos serviços dos outros, uns das mãos dos outros.
Um desaparecimento nunca é o fim de algo que existe, mas o começo de algo que deve existir logo a seguir. É só uma questão de deixar de olhar para trás e passar a olhar para frente, fixando o caminho a ser percorrido.
Nada, na verdade, desaparece ou se desfaz, apenas se desintegra, reorganiza e recicla para ressurgir, mais adiante, em algo novo, a serviço das necessidades do momento que se vive.
Histórica, geográfica e geneticamente Jesus era judeu. Disso ninguém tem dúvida. Judeu, porque nasceu entre o povo judeu, de pais judeus, e foi educado nas tradições e cultura judaicas. Mental e espiritualmente, no entanto, a história é outra.
Jesus foi um homem e, como homem, viveu tudo o que um homem vive, e sentiu fome, frio, sono, dor, medo, tristeza, decepção, dúvida... Provavelmente chorou, sorriu, gritou e cantou...
Mas Jesus era, antes de mais nada, um espírito, um espírito de muita luz, com certeza, sábio, preparado para viver algo muito especial, preparado para ser um mensageiro de algo muito maior, mensageiro do Cristo.
Cristo, é uma palavra grega que significa "o escolhido". Quem é então o escolhido?
O Cristo é aquela consciência pura ligada diretamente ao Criador, encarregada de orientar, proteger e educar as consciências primitivas colocadas neste planeta em processo de evolução espiritual.
Não se trata de uma única consciência, de uma única individualidade, mas, para nós, meros espíritos ainda tão limitados pelos sentidos físicos tridimensionais, é A Consciência Crística, aquela consciência suprema do planeta, que o rege, que o sustenta, em nome do Amor Universal.
Cristo é a consciência maior, o mentor, o amparador, o guia espiritual, a consciência extrafísica que acompanhou Jesus desde a sua preparação no astral para o que ele deveria viver aqui na Terra durante a sua encarnação.
Se Jesus era o médium, Cristo era o mentor. Se Jesus era o homem, Cristo era a luz. Se Jesus era tela, Cristo era o pintor. Se Jesus era o canal, Cristo era a fonte.
Jesus, como médium dessa Consciência, dessa hierarquia de luz e amor, era, ele mesmo, um espírito de muito conhecimento, preparado especialmente para esta tarefa. Mas ele não foi o único, pois o Cristo acompanha a humanidade há milênios e, provavelmente, serviu, com outros nomes, de guia espiritual também a muitos outros avatares como Buda, Krishna e tantos mais, em outras épocas, também preparados para trazer a esta humanidade a mensagem cósmica universal de paz e amor enviada pelo próprio Criador.
Jesus não era, portanto, cristão, e, mesmo tendo nascido entre os judeus, não era também judeu. Mesmo tendo sido chamado o Cristo, não era cristão e jamais fundou qualquer doutrina ou igreja, jamais fundou o cristianismo.
Jesus nasceu e morreu judeu para os homens de seu tempo, embora ele mesmo não se atribuísse qualquer linha, doutrina, religião ou filosofia. Jesus era reconhecido como judeu e, como judeu, foi crucificado. Como judeu foi julgado e condenado à morte na cruz, a pena reservada aos criminosos comuns pelos romanos, o povo reinante na época.
O Jesus que se cultua, portanto, não tinha religião e foi considerado apenas um judeu subversivo em sua época e entre os seus. A religião que se criou a partir de seus ensinamentos é, portanto, posterior e alheia a ele, pois ele mesmo jamais disse que seria preciso ser cristão para segui-lo.
Seu legado está em seus exemplos, muito mais que em suas palavras, precariamente registradas por seus discípulos e depois maldosa ou precariamente copiadas, traduzidas e interpretadas séculos após séculos por mentes desejosas de poder, influência ou, simplesmente, explicações para as suas dúvidas.
Para entendê-lo, portanto, é preciso ir além das letras e das interpretações, é preciso ir além do que se lê na Bíblia ou nos livros, do que se ouve nas pregações e palestras, do que se vê nas telas de cinema ou nos palcos de teatro. Para alcançá-lo, é preciso ir além das aparências, das intenções, dos rituais. Para segui-lo é preciso sair da estrada, é preciso tomar atalhos desconhecidos de todos, é preciso penetrar o próprio coração.
Jesus não está no cristianismo. E o Cristo não é o cristianismo. Eles são muito mais do que isso e sua mensagem transcende qualquer interpretação humana jamais tentada. Querer apreendê-los pelo que se tornou o cristianismo em suas várias vertentes e dissidências é reduzi-los a meros fragmentos de vaidade e egoísmo.
Cristo e todos os seus avatares estão em todos os lugares, comigo e com você, se entendemos que onde houver dois ou mais que compreendem a sua mensagem com o coração, ali eles também estarão.
Maísa Intelisano - São Paulo, 3 de fevereiro de 2006.
(Ouvindo o álbum Celtic Circle I - volumes I e II)
Deus, ou a força superior criadora, criou tudo o que existe: o universo, a natureza, a humanidade. Deus, ou a causa primária de todas as coisas, que é a perfeição e o amor absolutos, não criaria nada imperfeito ou para o mal. Então, tudo o que Deus criou foi criado para o bem, inclusive o ser humano.
Isso significa que o ser humano, de natureza divina, foi criado potencialmente bom, virtuoso, ou seja, todos os seres humanos têm latentes em si todas as virtudes necessárias ao seu progresso espiritual, à sua verdadeira felicidade.
Portanto, desenvolver as virtudes é, na verdade, o mesmo que desenvolver a sua própria natureza, evoluir espiritualmente, para alcançar a felicidade que o ser humano tanto deseja. Ou seja, o desenvolvimento das virtudes é uma necessidade instintiva natural de todo ser humano. Mesmo inconscientemente o ser humano deseja ser virtuoso, busca o cultivo das virtudes, instintivamente.
Mas se é assim tão natural, por que parece sempre tão difícil cultivar, desenvolver, exercitar as virtudes? Será que somos defeituosos? Somos fracos? Estamos sem a proteção de Deus? Somos incapazes?
Não! Como vimos, Deus nada criou para a imperfeição, portanto temos todos tudo o que precisamos para sermos perfeitos. Acontece que, durante muito tempo, por uma questão de sobrevivência, o homem foi obrigado a se preocupar apenas com o mundo material e as necessidades físicas.
Assim, sua atenção estava completamente voltada para a busca de alimento, abrigo, defesa, moradia, etc. Com isso, não sobrava tempo e espaço para que ele se preocupasse com as coisas espirituais, pois as coisas materiais tomavam todo o seu tempo e as suas energias.
Mesmo as suas práticas religiosas estavam voltadas para as suas necessidades materiais básicas: obter uma boa colheita, proteção contra as doenças, ter vantagens contra os inimigos, agradecer boas colheitas ou batalhas ganhas, etc.
Isso foi necessário durante algum tempo para o seu aprendizado no planeta. Era necessário que ele percebesse as coisas antes do ponto de vista material, concreto, mais próximo de sua realidade palpável, para que depois ele pudesse abstrair-se para entendê-los pela perspectiva espiritual. Era apenas mais um estágio a ser vencido em sua caminhada evolutiva.
Nessa imensa luta pela sobrevivência, as virtudes acabaram por ser confundidas com qualidades mais práticas do mundo material, como força física, coragem para a luta corporal, capacidade para estratégias de guerra, destemor para a caça, etc.
Assim, com as virtudes distorcidas pela visão exclusivamente material, o ser humano acabou criando um mundo de disputas, competição e, conseqüentemente, de traição, desconfiança e vingança, onde a lei maior era a lei do mais forte, do olho por olho, do jogo do poder, das posses materiais, etc.
Com o tempo, entretanto, o homem começa a ter maior entendimento e alcança uma percepção instintiva das coisas espirituais. É a sua natureza latente para o bem chamando mais forte. E o homem passa a não se satisfazer mais só com as coisas materiais.
Essa insatisfação começa a gerar culpa, arrependimento, desconforto, constrangimento consciencial, incômodo moral, pois o homem começa a perceber que desenvolveu defeitos, defeitos que o tornam imperfeito demais perante Deus.
Começa, então, a luta interior do homem contra si mesmo, a luta moral, o conflito consciencial do homem velho contra o homem novo. Essa é a batalha mais árdua de todo ser humano, pois é sem tréguas, 24h por dia, sem disfarces, sem possibilidade de fuga, pois, mais cedo ou mais tarde, somos todos forçados a nos encarar frente a frente.
É então que surgem a Religião e a Filosofia, como tentativas de encontrar alívio para o mal-estar interior do homem e para o conflito que se instalou em sua consciência.
Em todas as Religiões vamos encontrar referências às virtudes. Todas reconhecem o valor e a necessidade de se cultivarem as virtudes, como qualidades das pessoas de bem, como qualidades a serem cultivadas por aqueles que desejam se tornar pessoas de bem.
Acontece que as religiões, manifestações humanas que são, nunca foram perfeitas e, influenciadas pelas culturas e a época em que surgiram, acabaram por dar às virtudes definições e conceituações distorcidas, exarcerbando suas características, tornando-as inacessíveis, difíceis de serem vivenciadas pelas pessoas comuns, transformando-as em coisas para santos, anjos, iluminados, avatares, missionários, iniciados, etc.
Assim, as Religiões falham e não conseguem explicar e dar um fim ao conflito vivido pelo homem, aliviando o desconforto espiritual em que vive. O homem perde o interesse pelas virtudes e por tudo o que é espiritual, e volta ao seu passado materialista.
As igrejas, por sua vez, criadas e habitadas por homens também em conflito, tanto quanto o próprio povo que tentam orientar, receosas de perder o controle sobre seus fiéis, criam mecanismos e leis que só fazem aumentar a culpa, o medo e o constrangimento da consciência humana. Apontam defeitos, sem ensinar como cultivar virtudes. Acusam fiéis, sem lhes dar o verdadeiro perdão, o perdão que vem de suas próprias consciências.
Desse modo, as virtudes, além de não serem compreendidas, ainda são desvalorizadas, ridicularizadas e praticamente esquecidas, sendo consideradas utopias, coisas de gente ingênua, crédula e ignorante.
O homem, cansado de ir e vir, continua lutando consigo mesmo, percebendo que existe algo errado, mas sem saber como corrigir. É nesse estágio em que se encontra hoje a humanidade.
O homem moderno, pelo excesso de materialismo, perdeu a referência divina de sua própria criação e, ao mesmo tempo, não se contenta mais apenas com a referência violenta e animalizada de seu passado. Ele não quer voltar a ser o que foi e ainda não conseguiu enxergar ou entender o que deve vir a ser, ou que está destinado a ser.
Com a falta de compreensão de sua natureza divina e as distorções criadas com o passar dos séculos, o homem continua a agir de forma equivocada, manifestando defeitos que não são dele e que se tornam cada mais evidentes para ele.
Mas e o que são, então, os defeitos? Nada mais que manifestações da ignorância humana em relação à natureza divina do homem, agressões a essa natureza virtuosa latente com que foi criado desde o princípio, agressões à sua própria consciência.
Uma vez quem entende que as virtudes são parte de sua natureza, aspectos naturais de seu caráter, potenciais divinos em todos nós para o nosso sucesso e plenitude espirituais, o homem entende que o único caminho natural para a sua felicidade é a prática constante e consciente dessas virtudes, pois com a sua prática, cessa o conflito, o desconforto, a insatisfação.
E o que são as virtudes? Virtudes são atributos divinos colocados em estado latente em todo ser humano, no momento de sua criação, para fortalecê-lo em sua caminhada rumo ao progresso espiritual, reconduzindo-o à posse de sua natureza divina, libertando-o de seu passado de ilusões, distorções e enganos.
A nossa atitude natural, portanto, deve ser cultivar virtudes e não combater defeitos. Cultivando virtudes, os defeitos naturalmente deixarão de existir, de forma gradativa, pois eles não são partes de nós. São apenas manifestações de nossa ignorância em relação à nossa natureza, à nossa origem divina, são reflexos da nossa agressão às nossas características naturais latentes: as virtudes. Essas, sim, partes da nossa essência original.
Mas é importante que essa prática não se transforme em obsessão, pois poderia levar a um dos defeitos mais graves: o fanatismo. A busca das virtudes deve ser natural, gradativa, sem sofrimento, sem sacrifícios, sem exigências. O que não quer dizer que não implique algum desapego, algum esforço. Para realmente assumirmos a nossa natureza virtuosa será necessário abrirmos mão de alguns interesses pessoais, alguns apegos, algumas crenças arraigadas, alguns preconceitos, mas tudo de forma natural, sem que nada seja forçado ou imposto. Sem que nos tornemos fanáticos obsecados por nossa própria transformação.
Também não podemos, na ânsia de assumir o comando de nossas virtudes, virar as costas aos defeitos que existem, dentro ou fora de nós. A melhor forma de evitar um obstáculo ou perigo real é conhecê-lo, saber onde está, como é, como se comporta, quando se manifesta, como age, etc. Devemos, portanto, conhecer os nossos defeitos, reais e potenciais, para melhor saber que virtudes cultivar no sentido de superá-los e não simplesmente evitá-los a cada vez que eles ameaçarem se manifestar.
Aceitar os próprios defeitos com naturalidade, sem se decepcionar ou desanimar. Eis aí uma forma serena e realista de lidar com o nosso lado sombrio. Precisamos entender que os nossos defeitos são características naturais do estágio em que nos encontramos agora. Precisamos deles, precisamos manifestá-los para que possamos nos compreender e conhecer melhor, saber quais são nossas maiores necessidades. Foi por meio de nossos defeitos, percebidos consciente ou inconscientemente, que chegamos até aqui e iniciamos todo um trabalho em busca de algo melhor, de paz de espírito, de esclarecimento, de algo mais. Vamos, portanto, agradecê-los, pois eles é que têm sido, na verdade, os nossos maiores guias nesta imensa e linda jornada chamada vida.
Maísa Intelisano - São Paulo, 12 de fevereiro de 2006.
A REENCARNAÇÃO NO OCIDENTE - UM POUCO DE HISTÓRIA
Até meados do século VI, todo o Cristianismo aceitava a doutrina da
reencarnação que a cultura religiosa oriental já proclamava, milênios antes
da era cristã, como fato inquestionável, prova inconstestável da justiça
divina, que sempre dá oportunidade ao homem de rever seus atos e retomar
aquilo que achar necessário em nova existência.
Acontece, porém, que o II Concílio de Constantinopla, atual Istambul, na
Turquia, em decisão política, para atender exigências do Império Bizantino,
resolveu abolir tal convicção, justificada pela lógica, substituindo-a pela
doutrina da ressurreição, que contraria todos os princípios da ciência, pois
admite a volta do ser, por ocasião de um suposto juízo final, no mesmo corpo
já desintegrado em todos os seus elementos constitutivos.
A Igreja teve alguns concílios tumultuados, mas parece que o II Concílio de
Constantinopla, ocorrido em 553, bateu o recorde em matéria de desordem e
mesmo de desrespeito aos bispos e ao próprio Papa da época, Virgílio.
A imperatriz Teodora, esposa do imperador Justiniano, também teólogo, havia
sido uma cortesã e se imiscuía nos assuntos de governo e teologia do marido.
Segundo alguns autores, ela era motivo de orgulho entre suas ex-colegas
prostitutas por ter conseguido chegar ao "posto" de imperatriz. Ela, no
entanto, sentia vergonha de seu passado e revoltava-se com o fato de suas
ex-colegas vangloriarem-se dessa honra. Para acabar com os comentários,
mandou eliminar ou sumir, não se sabe ao certo, com todas as prostitutas da
região - cerca de quinhentas.
Como o povo naquela época era reencarnacionista, apesar de ser, em sua
maioria, cristão, passou a chamá-la de assassina e a dizer que deveria ser
castigada quinhentas vezes em suas vidas futuras, como carma por ter traído
suas ex-colegas prostitutas. O certo é que Teodora passou a odiar a doutrina
da reencarnação e, como tinha muita influência no meio político e religioso
da época, partiu para uma perseguição sem tréguas contra essa doutrina e
contra o seu maior e mais antigo defensor entre os cristãos, Orígenes,
filósofo grego que viveu em Alexandria, cuja fama de sábio era motivo de
orgulho dos seguidores do cristianismo, apesar de ele ter vivido quase três
séculos antes, entre 185 e 254.
Como a doutrina da reencarnação pressupõe a preexistência do espírito,
Justiniano e Teodora decidiram, primeiro, abalar a doutrina da
preexistência, com o que estariam, automaticamente, desestruturando a da
reencarnação.
Assim, em 543, Justiniano publicou um edital, em que expunha e condenava as
principais idéias de Orígenes, sendo uma delas a da preexistência do
espírito. Em seguida à publicação do edital, Justiniano determinou ao
patriarca Menas de Constantinopla que convocasse um sínodo (reunião de
bispos de todo o mundo), para que os bispos votassem em seu edital,
aprovando dez anátemas (condenações) dele constantes contra Orígenes.
O principal anátema que nos interessa é o que trata da preexistência do
espírito e que, em sua íntegra, diz o seguinte: "Se alguém diz ou sustenta
que as almas humanas preexistiram na condição de inteligências e de santos
poderes; que, tendo-se enojado da contemplação divina, tendo-se corrompido
e, através disso, tendo-se arrefecido no amor a Deus, elas foram, por essa
razão, chamadas de almas e, para seu castigo, mergulhadas em corpos, que ele
seja anatematizado!" [O Mistério do Eterno Retorno, pág. 127-127, Jean
Prieur, Editora Best Seller, São Paulo, 1996].
Condenando a doutrina da preexistência do espírito, estava automaticamente
condenada também a doutrina da reencarnação, sem que com isso fosse, sequer,
necessário lançar um edital especial contra ela ou mesmo citá-la a qualquer
momento. Como o maior desenvolvimento em poder e crescimento do cristianismo
foi no Ocidente, a condenação da preexistência do espírito e da reencarnação
se espalharam com ele e é por isso que entre nós hoje parece estranho
acreditar nessas duas doutrinas.
No entanto, em suas origens, o próprio cristianismo era reencarnacionista
pois, além de Jesus mesmo, ao que parece, ter feito alusão à reencarnação em
suas pregações, a reencarnação já era uma crença estabelecida, muito mais
antiga que ele e já era plenamente aceita, pois nem fazia sentido para os
homens que fosse de outra maneira, já que não fazia sentido que Deus pudesse
agir de outra forma, pois seria injusto.
Para começar, vamos separar algumas coisas. Larvas astrais, vibriões psíquicos e aparelhos astrais são todos formas-pensamento. Já ovóides não são formas-pensamento, mas consciências que tomaram a forma ovoidal, por motivos que vamos explicar numa outra mensagem. Qual a diferença e por que fazer essa diferenciação? Porque explicando formas-pensamento já teremos facilitado bastante as coisas e já teremos andado metade do caminho.
Formas-pensamento são criações mentais modeladas em matéria fluídica ou matéria astral. Podem ser criadas por encarnados e desencarnados, com características boas ou ruins, positivas ou negativas. Como o próprio nome diz, são resultados da ação da mente sobre as energias mais sutis que estão à nossa volta, criando formas correspondentes ao pensamento externado.
As energias que nos rodeiam são altamente plásticas e sensíveis à ação das ondas mentais. Quando pensamos, as vibrações que emitimos atuam sobre estas energias, condensando ou dispersando-as, dando-lhes formas, cores e brilhos que correspondem à natureza e à essência do que pensamos. Se o pensamento é passageiro, muitas vezes nem chega a criar nada, ou, se cria, a forma não se mantém, pois não é realimentada. Se, no entanto, o pensamento é persistente, revivido continuamente por imagens mentais, a forma criada se estabelece, ficando cada vez mais forte.
Se se trata de forma-pensamento positiva, sadia, elevada, ela se alimentará dos pensamentos e sentimentos positivos do seu criador, ao mesmo tempo em que o abastecerá de bons fluidos agregados, por sintonia, de outras mentes e formas-pensamento de mesmo teor. Se, no entanto, se trata de uma forma-pensamento negativa, densa, doentia, ela também se alimentará dos pensamentos do seu criador, levando-o a intensificar, cada vez mais, a mesma idéia e projetando sobre ele todos os fluidos com que tenha sintonia, até que o emissor não consiga mais se desvencilhar de sua própria criação. Sua mente passa, então, a ser preenchida apenas por aquela idéia, num círculo vicioso.
É assim que muitos processos de obsessão começam com formas-pensamento criadas e mantidas pela própria pessoa, já que muitos obsessores se aproveitam dessas criações, manipulando-as para assustar, atormentar e drenar as energias das pessoas que são os seus alvos. É importante observar também que formas-pensamento podem ser "incorporadas" por médiuns, como se fossem espíritos. A diferença é que, como não são consciências e não têm mente, ou seja, não são individualidades, não são capazes de se comunicar de forma lógica, mas podem ser acopladas aos médiuns, à sua aura e ao seu perispírito, para drenagem de energias e conseqüente desintegração da forma,desligando-a de outras consciências encarnadas e desencarnadas.
Estas são muitas das manifestações que acontecem nos grupos de desobsessão em que não há diálogo, mas se nota um enfraquecimento gradativo do fenômeno, como se a "entidade" estivesse, literalmente, derretendo, desmanchando-se, para logo deixar o corpo do médium.
Para entender melhor o assunto formas-pensamento, leia o livro "Formas de Pensamento" de Annie Besant e Charles W. Leadbeater.
Larvas Astrais e Vibriões Psíquicos
Segundo o dicionário Houaiss, vibrião é a designação comum às bactérias móveis em forma de bastonetes. E larva vem do latim 'larvae' que significa máscara, boneco, espantalho, demônio, espectro que se apodera das pessoas. Entre os antigos romanos, a palavra larva designava o espectro ou fantasma de pessoa que teve morte violenta ou de criminoso, que se supunha vagar entre os vivos para atormentá-los.
Já em zoologia, passou a designar o estágio imaturo, pós-embrionário, de um animal, quando este difere sensivelmente do adulto, como os insetos, por exemplo, porque, neste estágio, o animal estaria "mascarado", disfarçado. Como vemos, portanto, também chamadas vibriões astrais, larvas mentais, larvas espirituais, larvas fluídicas, larvas energéticas, vermes astrais, vibriões mentais, bacilos psíquicos, larvas psíquicas, etc.
Como vemos, portanto, larvas astrais ou vibriões psíquicos são formas-pensamento semelhantes a micróbios físicos, criados pela viciação mental e/ou emocional da consciência, em atitudes, pensamentos e sentimentos desequilibrados. Vejamos algumas descrições de André Luiz no capítulo 3 do livro 'Missionários da Luz', ao examinar, mais de perto, alguns candidatos ao desenvolvimento mediúnico:
"Fiquei estupefato. As glândulas geradoras emitiam fraquíssima luminosidade, que parecia abafada por aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam a movimentação sob a bexiga urinária e vibraram ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compactas nas vesículas seminais, na próstata, nas massas moncosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais,aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras microscópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. ... Seriam expressões mal conhecidas da sífilis?"
Ao que o instrutor Alexandre responde: "- Não, André. Não temos sob os olhos o espiroqueta de Schaudinn, nem qualquer nova forma suscetível de análise material por bacteriologistas humanos. São bacilos psíquicos da tortura sexual, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores. O dicionário médico do mundo não os conhece e, na ausência de terminologia adequada aos seus conhecimentos, chamemos-lhes larvas, simplesmente.
"Têm sido cultivados por este companheiro, não só pela incontinência no domínio das emoções próprias,através de experiências sexuais variadas, senão também pelo contato com entidades grosseiras, que se afinam com as predileções dele, entidades que o visitam com freqüência, à maneira de imperceptíveis vampiros.
Observando outro candidato habituado a ingerir álcool em excesso, André Luiz nos dá a seguinte descrição: "Espantava-me o fígado enorme. Pequeninas figuras horripilantes postavam-se, vorazes, ao longo da veia porta, lutando desesperadamente com os elementos sangüíneos mais novos. Toda a estrutura do órgão se mantinha alterada."
Ainda no mesmo capítulo, ele examina também uma mulher com distúrbios alimentares e diz: "Em grande zona do ventre superlotado de alimentação, viam-se muitos parasites conhecido, mas, além deles, divisava outros corpúsculos semelhantes a lesmas voracíssimas, que se agrupavam em grandes colônias, desde os músculos e as fibras do estômago até a válvula ileocecal. Semelhante parasite atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição."
Para entender como surgem as larvas astrais, vamos continuar com o que diz o instrutor Alexandre a André Luiz, no capítulo 4 do livro Missionários da Luz: "Você não ignora que, no círculo das enfermidades terrestres, cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido. ... Acredita você que semelhantes formações microscópicas se circunscrevem à carne transitória? Não sabe que o macrocosmo está repleto de surpresas em suas formas variadas? No campo infinitesimal, as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. André,meu amigo, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis. A patogênese da alma está dividida em quadros dolorosos. A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima. Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça. A organização fisiológica, segundo conhecemos no campo das cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro, dentro do molde preexistente do corpo espiritual. Atingido o molde em sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores, o vaso refletirá imediatamente."
Ainda no mesmo capítulo, Alexandre continua: "Primeiramente a semeadura, depois a colheita; ... Não tenha dúvida. Nas moléstias da alma, como nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e conseqüências de infinitas expressões. E, em virtude de cada Espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas coerentes da vida. A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleça ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível. ... Cada viciação particular da personalidade produz as formas sombrias que lhe são conseqüentes, e estas, como as plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas, onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa."
Como vemos, as larvas astrais surgem dos excessos e desequilíbrios físicos, emocionais e espirituais de toda sorte, pela repetição contínua de uma mesma conduta, física e/ ou mental, o que causa o acúmulo de energias mais densas em determinadas regiões do organismo, as quais se organizam na forma de colônias de microorganismos astrais.
As conseqüências são as mais variadas, podendo ir desde problemas físicos,graves ou não, até perturbações espirituais, que, se não combatidas a tempo,podem se transformar em sérios distúrbios psíquicos, acarretando sérias complicações para o encarnado, nesta vida e nas próximas. Larvas astrais são bastante "aderentes" e se multiplicam com muita facilidade, bastando, para isso, que se lhes ofereçam as mínimas condições mentais e energéticas.
Dependendo da extensão do problema, serão necessárias muitas aplicações energéticas para limpeza, desinfecção e rearmonização da região afetada, o que pode exigir a atuação de vários aplicadores, em várias sessões, para que estas colônias sejam enfraquecidas e não possam mais se expandir, vindo a desaparecer. Mas, como em qualquer tratamento físico, a colaboração do "paciente" é imprescindível, uma vez que estas larvas são criadas e alimentadas pelas energias geradas pelos seus próprios pensamentos e sentimentos. Assim, além das aplicações energéticas, é necessário que se oriente e conscientize a pessoa sobre como e por quê mudar os seus hábitos mentais e as suas atitudes, garantindo que ela mesma não mais oferecerá condições para que estas larvas se instalem e espalhem.
Se larvas astrais são criações mentais, geradas a partir de pensamentos e sentimentos desequilibrados, a prevenção se faz, também aqui, pelo equilíbrio e o controle do que pensamos e sentimos. Não há outro meio. Como já dito muitas vezes, sintonia é a "alma" do universo. Tudo funciona segundo as suas leis e só viveremos com aquilo que nós mesmos criarmos ou atrairmos a partir do que geramos dentro de nós.
Parasitas ovóides são, como diz o Dr. Ricardo Di Bernardi, "espíritos humanos que, pela manutenção de uma idéia fixa e doentia (monoideísmo), acabam estabelecendo uma vibração de baixa freqüência e comprimento de onda longo que, com o passar do tempo, produz uma deformação progressvia no seu CORPO ESPIRITUAL."
Ovóides são, portanto, espíritos em estado de perturbação tão profundo que perderam a consciência de sua natureza humana, perdendo também a forma humana de seu PERISPÍRITO.
Portanto, não perdem o perispírito, não se manifestam apenas em corpo mental, mas estão com o perispírito ou corpo espiritual ou psicossoma tão deformado que este não tem mais a forma humana, apenas uma forma ovalada.
Di Bernardi diz ainda que "trata-se de um monoideísmo auto-hipnotizante. Ele vibra de forma contínua e constante, de maneira desequilibrada, gerando uma energia que gira sempre de maneira igual e repetida pelo mesmo pensamento desequilibrado. Ao vibrar repetidamente na mesma freqüência e em desequilíbrio com a Lei Cósmica Universal, gera este circuito arredondado que o vai deformando e tornando-o ovóide."
Assim, a insistência do espírito em, por auto-hipnose, reviver pensamentos e sentimentos negativos, geralmente de apego, remorso e vingança, faz com que perca a noção de tempo e espaço, fazendo com que se deforme, aos poucos, atrofiando, por falta de função, os órgãos do psicossoma, assumindo a forma do círculo vicioso em que vive mentalmente.
Quando uma pessoa entra em estado vegetativo com o seu corpo físico, não tem mais a capacidade de se manifestar com ele, mas não o perde, o corpo continua vivo, embora inerte.
No caso do ovóide e do psicossoma é a mesma coisa. Por isso, não podemos falar em segunda morte, como querem alguns, assim como o estado vegetativo do corpo físico ainda não é a primeira morte, embora possa estar em vias de ser.
Ou seja, o perispírito entre numa espécie de estado vegetativo, mas não se desintegra ou desaparece. O ovóide não o perde. É justamente o perispírito, aliás, que fica ovalado.
Ainda segundo Di Bernardi, este processo de ovoidização ocorre porque o "psicossoma também é composto de moléculas, tal como o corpo físico. Por analogia, imaginemos as moléculas do corpo astral como as moléculas dos gases: elas são maleáveis e se modificam ao sabor da pressão, da temperatura e até do recipiente que as contém. As moléculas do perispírito são moldáveis pelo pensamento e pelo sentimento, tomam formas, de acordo com a vibração do espírito. Assim, se tornam brilhantes, opacas, densas ou leves."
Quando esses ovóides se ligam a uma consciência, encarnada ou desencarnada, em especial, fica caracterizado, então, o processo obsessivo por parasita ovóide.
Neste caso, a massa fluídica em que se transformou o perispírito do desencarnado, envolve, sutilmente, o seu alvo e, depois, liga-se ou cola-se ao seu corpo, físico ou astral, distorcendo-lhe idéias, pensamentos, opiniões e atitudes.
O ovóide só é incapaz de manipular energias, locomover-se e interagir CONSCIENTEMENTE, de livre e espontânea vontade, mas pode fazê-lo no automático, pelo instinto, atraído pela sintonia. E para isso, precisa do psicossoma, ainda que em estado precário, assim como mantemos funções básicas automáticas como respirar, urinar e defecar, mesmo em estado vegetativo do corpo físico....
O ovóide pode chegar à aura de alguém somente pela atração que essa pessoa exerce sobre ele. Nada mais é necessário como ponte. Basta a sintonia entre os dois. Como ímãs.
Além da influência psicológica, os parasitas ovóides agem também drenando energias do obsidiado, podendo levá-lo até ao desencarne, caso seja encarnado.
É importante notar, no entanto, que, como em qualquer processo obsessivo, a ligação do parasita ovóide com a sua "vítima" nunca acontece sem a anuência ou permissão da própria vítima, ainda que inconsciente, pelo hábito de cultivar pensamentos de remorso, ódio, egoísmo, desejo de vinganá, apego excessivo a coisas e pessoas, etc.
Os ovóides também podem ser hipnotizados por outras consciências e não só auto-hipnotizados, infelizmente. Existem espíritos que têm profundos conhecimentos de hipnose e usam esse conhecimento para manipular a mente de outros desencarnados, transformando-os em ovóides e alojando-os na aura ou no perispírito de encarnados que querem prejudicar. Isso, infelizmente, é mais comum do que se pensa.
As citações do Dr. Di Bernardi podem ser encontradas no site www.ajornada.hpg.ig.com.br e mais sobre ovóides pode ser lido nos seguintes livros de André Luiz:
- Nosso Lar - capítulo 31 - Evolução em Dois Mundos - Parte I - capítulo 14
Quanto aos ovóides que alguns chamam de benéficos, creio que não poderíamos chamar de "ovóides", pois não são espíritos que estejam sofrendo de monoideísmo, mas, aí sim, provavelmente, espíritos num grau tal de evolução e luz que se manifestam, sem o perispírito, exclusivamente com seu corpo mental, o qual não tem forma humana e se apresenta para nós, que estamos limitados pela percepção tridimensional, como bolas de luz, dando a impressão de que seriam ovóides luminosos.
Nesse caso, eles não estão confinados a um círculo vicioso por terem se auto-hipnotizado numa única idéia. É justamente o contrário. Eles expandiram tanto os seus horizontes espirituais, que prescindem da forma humana e do perispírito para se manifestarem e se apresentam apenas em seu corpo mental.
Nunca tenha receio de deixar que caiam as suas paredes internas, pois é só assim que a gente cresce e amadurece.
Nada do que construímos é definitivo, nem mesmo a nossa personalidade. Tudo está o tempo todo se transformando, tudo é impermanente.
Não se apegue a nada em demasia, para que a transição para algo diferente não seja tão dolorosa.
O progresso e a evolução só se dão na medida em que mudamos interiormente. E quanto mais nos recusamos a mudar, mais sofrido é o aprendizado e o progresso.
Na verdade, nós nunca paramos de crescer espiritualmente. Só que, na maioria das vezes, fazemos isso de forma inconsciente.
Quando, no entanto, tornamo-nos mais conscientes desse processo, é que percebemos o quanto poderíamos ter evitado dos sofrimentos e dissabores anteriormente vividos.
Busque crescer sem se apegar demais ao que já construiu ou ao que já aprendeu. Permita-se conhecer o novo, o diferente, o inusitado. Permita-se conhecer-se de um novo ponto de vista. Permita-se reconhecer que quer mudar e que o que conquistou até aqui já não lhe basta.
Com isso, você irá descobrindo novos aspectos a respeito dos outros, da vida e de si mesmo. E isso lhe dará imenso prazer, pode acreditar, pois lhe dará novas perpectivas, novas possibilidades e novos cenários.
Mais cedo ou mais tarde, todos descobrimos, em nós mesmos, características que nos desagradam. É natural. Cabe a nós mudar isso, sem nos sentirmos culpados ou inferiores, por este ou aquele aspecto que nos desagrada.
Tudo o que somos é parte de nós, do nosso aprendizado, e precisa estar exatamente onde está, para que possamos transcendê-lo. Somente ao percebermos e aceitarmos as nossas sombras, e tentarmos TRANSFORMÁ-LAS, é que, de fato, começamos a superá-las.
Veja que eu disse TRANSFORMÁ-LAS, e não ELIMINÁ-LAS, porque elas são parte da nossa consciência e não podem ser retiradas, apenas mudadas, trabalhadas, superadas e transformadas em algo melhor. _________________________________________________________________
Preconceitos, rótulos, julgamentos. Este é o mundo em que vivemos. Sempre foi assim e tão cedo não há de mudar. Que ninguém se iluda, pois não há campanha, não há ONG, não há movimento capaz de mudar uma humanidade inteira de uma hora para outra.
Preconceitos sempre existiram na base da sociedade, das culturas, dos relacionamentos.Quer gostemos deles ou não, quer os aceitemos ou não, sempre foram eles que orientaram grande parte das nossas escolhas, desde as mais remotas eras.
E se pararmos para pensar, a própria seleção natural é uma espécie de preconceito inconsciente da natureza, quando visto da nossa perspectiva: só os mais fortes, mais bonitos, mais férteis e mais hábeis sobrevivem, os outros perecem, sem cerimônia.
E não me venham dizer que isso é coisa de animal irracional, porque a natureza também é sagrada e sábia, a seu modo, criação bela e perfeita de Deus.
É interessante pensar que só os animais racionais é que têm preconceitos... os outros, animais considerados irracionais, aqueles que não pensam e não têm sentimentos, só emoções e instintos, esses não têm preconceitos... Não parece um tanto estranho?...
Preconceitos nada mais são que reflexos da ignorância humana. Sim, reflexo daquilo que o ser humano desconhece, pois tudo aquilo que desconhecemos nos assusta, nos incomoda, nos perturba e dá medo. Por isso rejeitamos. E isso acontece com qualquer um de nós, nas mais diferentes situações, nos mais diferentes graus e intensidades, consciente e inconscientemente.
Preconceitos são reflexo também do comodismo em que nos colocamos em relação ao novo e ao diferente. Dá sempre mais trabalho conhecer algo novo e diferente do que permanecer com o que já se conhece. Há um ditado popular que diz que "mais vale um demônio conhecido do que um anjo desconhecido". E assim, muita gente prefere continuar alimentando seus demônios conhecidos a arriscar-se numa aventura por um anjo desconhecido e diferente de tudo aquilo que já viu.
Preconceitos são ainda uma profunda e intensa necessidade de ser aceito. E o que os outros vão pensar, como os outros vão reagir se eu pensar diferentemente da maioria? Serei excluído e serei eu mesmo o alvo do preconceito...
Mas, como dizíamos, o mundo sempre foi assim, eivado de preconceitos. De raça, de religião, de idade, de estética, de condição social, de sexo, de profissão, de nacionalidade... E, ainda assim, quando eles nos tocam de perto, sentimo-nos profundamente agredidos, perturbados, atacados em nossa honra...
Mudam os tipos, mas não muda o mundo em que vivemos, eivado de preconceitos. Mudam as vítimas e os preconceituosos, mas não muda o mundo em que eles surgem, sempre eivado de preconceitos. Mudam as regras e as convenções que se criam, mas não muda o mundo em que elas se estabelecem, eivado de preconceitos
O que nos resta fazer então? Reclamar sempre que notamos um preconceito? Espernear, gritar, esbravejar? Apontar, acusar, condenar?
Isso não basta... É preciso muito mais... Os preconceitos estão dentro de nós, por isso nos incomodam tanto. São criações nossas, de uma forma ou de outra, quer queiramos ou não... E nós somos todos um pouco filhos deles, de uma forma ou de outra, quer gostemos ou não. Por isso não adianta esbravejar, espernear, apontar ou acusar... isso não resolve...
Para acabar com os preconceitos é preciso que nos vigiemos e destruamos os preconceitos que ainda vivem dentro de nós mesmos. É preciso que impeçamos que até o menor deles se expresse, ainda que inadvertidamente. É preciso que calemos até a mais inofensiva e ingênua frase de ironia divertida... É preciso que omitamos até a idéia mais boba, o comentário mais desprentensioso, o olhar mais perdido. Em tudo, é preciso que eliminemos o interesse próprio e coloquemos o alheio sempre em primeiro lugar...
Só assim estaremos, verdadeiramente, acabando com todos os preconceitos, mas, enquanto esse tempo não vem, é preciso que nos convençamos que, se quisermos vencer nesta vida, é necessário que abramos os olhos e aceitemos o fato de que este é o mundo em que vivemos, eivado de preconceitos, e é com eles que temos que lutar todos os dias para sobreviver e realizar todos os nossos sonhos, concretizar todos os nossos projetos, acreditando em nós mesmos, nas nossas capacidades.
Preconceitos não dão a mínima para gritaria e nós não devemos ter medo da cara feia dos preconceitos. Vamos, então, encarar de frente os preconceitos que insistem em atravessar o nosso caminho e mostrar quem manda de verdade nessa história toda! Vamos mostrar aos preconceitos que eles nada podem contra quem assume as rédeas da própria vida e decide que é hora de vencer!!!!
Cada um que passa em nossa vida, passa só, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra. Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa só. Leva um pouco de nós, deixa um pouco de si. Há os que levam muito, mas não há os que não deixam nada. Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova de que duas almas não se encontram por acaso.Antoine de Saint-Exupéry
A palavra gêmeo vem do latim geminus e significa duplo, dobrado, duplicado, semelhante. Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, gêmeo é cada um dos filhos que nasce do mesmo parto e, por derivação de sentido ou extensão, tudo o que é igual ou muito semelhante, que tem grande afinidade; adjetivo usado para designar coisas idênticas, pares que compõem um conjunto. Por analogia, almas gêmeas seriam espíritos que teriam surgido do mesmo ato de criação e são idênticos ou muito semelhantes em suas características, tendo também grande afinidade.
Embora o conceito seja muito antigo e esteja presente em várias culturas, não se sabe exatamente de onde veio a expressão alma gêmea, mas o mito parece ter surgido com Platão, em sua obra O Banquete. No texto, o filósofo grego, que viveu de 427 a 347 a.C., em Atenas, conta, pela narrativa de Aristófanes, a história dos andróginos, seres primordiais de um terceiro gênero, que existiu antes do masculino e do feminino que conhecemos.
A palavra andrógino vem da união de dois vocábulos gregos: andros, que significa homem, e gyno, que significa mulher, mas não designa o corpo onde habitam dois seres de gêneros diferentes, e, sim, um único e mesmo ser em que coexistem os dois gêneros, um ser com o poder dos dois gêneros, masculino e feminino, em si mesmo. Os andróginos eram, portanto, seres quase perfeitos e muito poderosos, pois tinham, em si mesmos, todas as oposições, bastando-se, completos e fecundos, podendo dar à luz de si próprios.
Eram redondos e as costas e os quadris formavam um círculo. Tinham quatro mãos, quatro pernas e uma cabeça com duas faces exatamente iguais. Eram capazes de andar eretos em todas as direções e podiam também rolar sobre os quatro braços e pernas, como se virassem estrelas, cobrindo grandes distâncias, velozes como raios. Sua forma devia-se ao fato de terem a porção masculina vinda do Sol e a porção feminina ser vinda da Terra.
Com tanta força e poder, tornaram-se ambiciosos e ousaram desafiar os deuses, escalando o Monte Olimpo, a morada dos imortais. O que fazer com eles, então?, discutiam os deuses reunidos no conselho celeste. Aniquilá-los? Mas e os sacrifícios, as homenagens, os templos e a adoração que vinham da Terra? Por outro lado, uma insolência dessas não poderia ser tolerada e precisava ser punida!
Depois de muito refletir, Zeus, o senhor supremo do Olimpo, descobre um meio de deixá-los mais fracos e ainda torná-los mais numerosos, sem destruí-los. Decide, assim, parti-los ao meio! E a cada um que partia, dava a Apolo, seu filho, deus da beleza, as duas partes para que as curasse, virando-lhes o rosto para o lado do corte, repuchando-lhes e amarrando-lhes a pele no que hoje chamamos de umbigo, para que, contemplando a própria mutilação, se lembrassem da lição.
E, desse modo, segundo a narrativa, desde que foram mutilados os andróginos, cada metade procura a sua outra metade para a ela se unir e, envolvendo-a e enlaçando-a, com ela se confundir e fundir, a ponto de nada mais poderem fazer uma sem a outra, na mais completa inércia.
Mas então as criaturas começaram a morrer, de fome e de desespero. Abraçavam-se e deixavam-se ficar. E diz Aristófanes que “sempre que morria uma das metades, a que ficava procurava outra e com ela se enlaçava, quer se encontrasse com a metade do todo que era mulher, quer com a de um homem...”
Com isso, a raça humana começou a se extinguir, pois os órgãos sexuais não haviam sido voltados para o mesmo lado do rosto, ficando para trás, fazendo com que as criaturas não copulassem entre si, mas no solo, como insetos, e, portanto, não se reproduzissem.
Zeus, então, penalizado, resolveu mexer novamente no seu lay-out e colocou seus órgãos reprodutores voltados para o lado que havia se tornado a sua parte da frente, para que, quando se abraçassem, as metades copulassem e, com isso, pudessem se reproduzir, dando continuidade à espécie e à vida da humanidade. Assim, com o tempo, eles esqueceriam o ocorrido e perceberiam apenas seu desejo. Um desejo que jamais seria saciado no ato sexual, porque, mesmo fundindo-se um ao outro por um instante, a alma saberia, ainda que não pudesse explicar, que não havia alcançado a verdadeira união e a saudade da união plena renasceria, nem bem a comunhão física tivesse se consumado.
Muito tempo se passou desde que Platão escreveu O Banquete e, ao longo desse tempo, algumas distorções parecem ter surgido no mito que se tornou conhecido como alma gêmea.
Deus, ou o que quer que chamemos de força criadora do universo, causa primária de todas as coisas, só é Deus se for perfeito, justo e amor incondicional. E se for tudo isso não pode criar nada pela metade, incompleto, faltando um pedaço. Todos nós, portanto, como criaturas divinas, somos seres inteiros, completos e perfeitos, no sentido de que nada nos falta e de que não precisamos encontrar uma outra metade ou pedaço para sermos felizes, inteiros e perfeitos.
Não somos incompletos, apenas não somos capazes de olhar para nós mesmos, temos medo de ficar sozinhos, não gostamos da nossa própria companhia e, assim, criamos uma sociedade que não aceita a idéia da solidão voluntária ou natural, uma sociedade que considera a solidão uma doença ou aberração. Com isso, também nos tornamos dependentes da idéia de que somos obrigados a encontrar uma pessoa com quem viver, a pessoa perfeita, ideal, que vai nos fazer felizes para sempre, a nossa alma gêmea.
Ser gêmeo de alguém, como vimos, é ser igual ou muito semelhante, ter muita afinidade, ser a duplicata. Só isso. Então, vejamos. Se eu gostar de espaguete, a minha alma gêmea também gostará e em nossa dispensa dificilmente haverá lasanha ou ravioli, porque nós dois gostamos de espaguete. E se eu gostar de blues, minha alma gêmea também gostará e em nossa coleção musical dificilmente haverá outros gêneros musicais, porque nós dois curtimos blues. E se eu for muito ciumenta? Ora, se minha alma gêmea for gêmea de verdade, também será muito ciumenta e nossa vida será um verdadeiro inferno. Acho que já deu para perceber onde quero chegar, não é? O que é que um está acrescentando ao outro? O que é que os dois estão trocando?
Para crescer como pessoas e espíritos temos de trocar. E troca só existe onde há diferença, pois onde tudo é igual, onde o que um oferece é exatamente igual ao que o outro oferece, o que há para trocar? E nessa situação, o que ambos estão ganhando? Talvez por isso, no mito de Platão, as criaturas inicialmente se abraçavam e morriam, já que não tinham nada para trocar. Até que Zeus melhorou o seu lay-out, permitindo que trocassem algo no ato sexual, ainda que isso não as satisfizesse espiritualmente.
Ser gêmeo é apenas ser muito parecido. E ser parecido não quer dizer ser bom um para o outro. Todos podemos ser parecidos em coisas boas ou ruins. Portanto, nossas almas gêmeas podem ser um tormento ou uma bênção para nós. Tudo vai depender de em quê somos parecidos. Mas será que só somos parecidos com quem temos um relacionamento amoroso? Será que é só nesta situação que encontramos as nossas almas gêmeas? Isto não seria extremamente pobre, pequeno, limitado, mesquinho?
Se almas gêmeas são apenas almas que se parecem umas com as outras, parece-me perfeitamente natural que possamos encontrá-las em todas as situações de nossa vida: na família, no trabalho, na escola, no clube, entre os amigos. E também nestas situações, elas tanto podem ser uma bênção, como uma praga em nossa vida.
Sabe aquela melhor amiga? Ou aquele amigo do peito? Aquela pessoa que nunca nos deixa na mão? Pois é, essa é uma alma gêmea. E aquele colega de trabalho com quem nos damos tão bem, com quem é fácil de trabalhar, porque pensamos de maneira parecida e tudo flui bem? É uma alma gêmea também. E aquela pessoa que nem conhecemos muito bem, mas que desenvolve um trabalho parecido com o nosso, que tem ideais semelhantes? Então, é mais uma alma gêmea. E aquela pessoa invejosa, que sempre compra as mesmas coisas que a gente, ou implica com tudo o que fazemos, achando defeito em tudo? É alma gêmea também, pois só quem conhece muito bem os nossos defeitos pode apontá-los com tanta precisão. E nós nem reparamos, de tão preocupados que estamos em encontrar aquela alma gêmea de que tanto se fala no sites românticos, nas revistas femininas, nos textos pseudoesotéricos da moda.
Almas gêmeas são almas afins. E quanto mais afins forem, mais gêmeas serão, mais parecidas, maior a simpatia entre elas, a sintonia entre o que pensam e sentem, a semelhança de gostos, atitudes, idéias e opiniões. Até aí, é perfeitamente factível, mas isso não quer dizer que tem que ser o homem, ou a mulher da nossa vida, perfeito(a) em tudo, que nunca vai nos desagradar ou decepcionar.
Almas gêmeas, em grande parte das vezes, são apenas espíritos que tiveram experiências encarnatórias muito parecidas e que, portanto, trazem uma bagagem espiritual muito semelhante, estando também num nível vibracional muito próximo. Só isso: sintonia.
Almas gêmeas nem precisam, na verdade, terem-se conhecido em outras vidas. Elas podem se encontrar pela primeira vez nesta vida mesmo e não precisa ser, obrigatoriamente, para viver um relaciomento amoroso. Elas podem se encontrar para concretizar um projeto ou um ideal social ou coletivo, para viver uma grande amizade ou experimentar qualquer outro tipo de relacionamento humano.
E podem também se encontrar para ser o carma negativo uma da outra. Seja como programação anterior à encarnação de ambas, de comum acordo, porque desejam vencer uma etapa complicada de seu aprendizado espiritual; seja por simples sintonia, por afinidade de sentimentos negativos, pensamentos ruins e ideais mesquinhos: elas não se conhecem, não programaram nada juntas, mas se merecem, pela energia e vibração semelhante que emanam e, por isso, se estão razoavelmente próximas uma da outra, atraem-se mutuamente de forma quase irresistível. E o resultado acho que todos já sabemos, não é?
E, repito: não estou falando exclusivamente de relacionamentos amorosos, românticos, sexuais e congêneres! Estou falando de toda a multifacetada gama de relacionamentos humanos: entre parceiros, irmãos, pais e filhos, amigos, sogros e genros ou noras, chefes e subordinados, professores e alunos, vizinhos, colegas, médicos e pacientes, avós e netos, padrastos(madrastas) e enteados, pais e filhos adotivos.
É necessário que compreendamos que, como filhos do mesmo Deus, como seres vindos do mesmo amor universal, criador de todas as coisas, todos somos almas gêmeas uns dos outros, em algum nível, em algum aspecto, em algum ponto. Somos irmãos espirituais, embora não gostemos de reconhecer isso.
É claro e natural que, ao longo de milhares de encarnações, tendo experiências de vida diversas, acabemos por ter maior ou menor afinidade com alguns espíritos, mas isso não quer dizer que existam espíritos especialmente criados só para nós, esperando para nos encontrar em algum momento, e que só quando os encontrarmos é que seremos verdadeiramente felizes e completos.
Sempre encontraremos espíritos afins ao longo de nossas encarnações e isso é que representa a grande felicidade: o fato de sabermos que em nenhum ponto de nossa caminhada evolutiva estaremos solitários, por mais sozinhos que estejamos. Sempre teremos alguém parecido conosco para trocar idéias, gostos, opiniões, projetos, atividades, sorrisos e conversas, ao mesmo tempo em que batalhamos para nos afinizarmos com aqueles que têm pensamentos e sentimentos completamente opostos aos nossos e que representam o nosso verdadeiro aprendizado, o aspecto em que realmente temos que crescer e melhorar, aquilo que viemos acrescentar à nossa bagagem.
"A gente só conhece bem as coisas que cativou. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."Antoine de Saint-Exupéry
A grande felicidade não está em encontrar "a" alma gêmea, mas em nos reconhecermos gêmeos de todos e dessa forma agirmos com cada um que encontramos em nossa caminhada espiritual, respeitando e aprendendo com as diferenças, curtindo as semelhanças e, acima de tudo, divertindo-nos sadiamente com tudo, pois a vida é uma grande, sonora e gostosa gargalhada divina.
E, para terminar, permito-me tomar emprestado o belo poema de Maurício Santini, colega colunista do site do IPPB:
EU, MINH’ALMA GÊMEA!
São todas almas gêmeas, As que nascem do útero da Mãe, As que imigram da célula do Pai. As luzes que espargem estrelas no céu, E as sombras que cobrem a aura do Sol.
São almas gêmeas, O amor impossível, e o ódio mais que fugaz. A guerra no seio da terra, e a onda possível da paz. O mar que bate nas pedras, e as pedras que explodem no ar!
São almas gêmeas, Aqueles que jogam sua ira nas Torres Gêmeas Com aqueles que oram em devoção nas cavernas. Os que invadem casas alheias, e os que respeitam outras idéias.
Exu e Iemanjá, Lúcifer e Jeová, O aqui e o acolá.
Samael e o arcanjo Miguel, A luz solar, E as nuvens negras esparsas no céu.
O Verso e o Universo. O Todo que está em Tudo. A voz e o surdo-mudo.
O gato voraz e o cão feroz. O terno manso e o eterno algoz. O mártir e o covarde. O ar que resfria e a chama que arde. O prazer e a dor. O fazer e o bolor.
O Lao Tsé e o Mao Tsé, Satanael e o doce Jesus, A escuridão e a Luz.
Que a busca está para dentro de si, Que tudo está completo em ti. Que aquele que procura fora, Está por fora e não se acha dentro!
Que aquele que só está feliz em mãos alheias, Fica na mão e de mãos vazias, e Sua alma nunca está cheia!
Maurício Santini - São Paulo, 26/nov/02
Nota: artigo originalmente escrito para a revista Espiritismo & Ciência, Edição Especial no. 8, Almas Gêmeas, de abril de 2006.
Por mais amor que sintamos por todos os seres humanos, nunca poderemos ajudá-los efetivamente se antes não ajudarmos a nós mesmos, equilibrando-nos, fortalecendo-nos, colocando-nos sobre os próprios pés, acreditando em nós mesmos, em nossa força, em nosso poder e em nossa capacidade de autocontrole. Todos somos seres humanos completos e perfeitos, e podemos ser felizes, plenos e saudáveis.
De nada adianta amarmos as pessoas e querermos ajudá-las se não formos capazes de nos mantermos lúcidos e firmes quando vemos, ouvimos ou percebemos os seus problemas. O que aconteceria se os médicos não usassem máscaras, aventais e luvas para atender os pacientes com doenças contagiosas, e ainda desmaiassem a cada corte ou mancha de sangue que vissem? Também ficariam doentes e, em vez de ajudar a tratar os doentes, diminuindo o seu número, seriam mais doentes a precisar de tratamento. Dá para imaginar a confusão?
Com a mediunidade é a mesma coisa. De nada adianta um médium que percebe tudo, capta tudo e sente tudo, se ele não souber manter uma boa sintonia, se ele não fizer a sua autoproteção, se ele não se mantiver sempre alerta e equilibrado, coberto de luz, de bons pensamentos, de bons sentimentos, livre de preconceitos, cheio de confiança, de boa auto-estima, de firmeza, de fé em si mesmo e nos seus protetores espirituais, apoiado no seu conhecimento e nos seus estudos, sempre atualizados e constantes. E esse é um trabalho que ninguém pode fazer pelo médium; só ele mesmo pode fazer por si.
Assim como ninguém pode ir à faculdade, ao estágio, à residência pelo médico iniciante, ninguém pode estudar, treinar e se preparar para o trabalho mediúnico pelo próprio médium. Há uma parte muito importante de todo o processo que depende só dele. E essa parte demanda esforço, coragem, força, iniciativa, interesse, vontade, determinação, firmeza, maturidade, equilíbrio, disposição e seriedade, que todos nós temos ou somos plenamente capazes de alcançar!!
Entendendo que todo o processo mediúnico passa pela nossa parte psíquica, vemos o quanto é importante também mantermos uma saúde mental e psicológica em dia. Ou seja, alegria de viver, interesse pela vida, otimismo, autoconfiança, interesse em crescer e aprender coisas novas, conhecer pessoas novas, estudar, trabalhar, namorar, etc. Levar, enfim, uma vida normal e saudável.
Divertimento e lazer também fazem parte da nossa saúde mental. Todos precisamos de momentos de lazer, em que possamos relaxar e fazer aquilo de que gostamos. Por isso, devemos procurar ouvir músicas de que gostamos, participar de atividades que nos dão prazer, ler também livros que apreciamos, só por prazer. Tudo isso faz parte do processo.
E, ao mesmo tempo, continuarmos com tudo aquilo que possa colaborar com o nosso equilíbrio e bem estar, físico, emocional e espiritual. Mas, com firmeza, participando conscientemente do processo de equilíbrio, para que ele possa ser mais rápido e efetivo.
Maria Aparecida Martins, em seu livro Conexão - uma nova visão da mediunidade, pela Editora Vida & Consciência, diz algumas coisas de que gosto muito e que os meus alunos me ouvem repetir muito ao longo de meu curso. Ela diz:
"Não existe desajuste de mediunidade. O que existe é uma personalidade desajustada. Quando você tem uma manifestação mediúnica em desequilíbrio, saiba que é a personalidade que está desajustada. Cuide do desajuste da personalidade e a mediunidade se ajusta por conseqüência."
"Não basta só cuidar da mediunidade, conhecer temas, promover palestras, dar cursos, freqüentar o grupo, trabalhar na campanha de Natal, freqüentar a escola de médiuns. Não basta cuidar da mediunidade, é preciso cuidar do médium, da pessoa, do seu reequilíbrio, e não podemos ignorar que é no kit pensamento/emoção que se assenta a mediunidade."
"Somos médiuns uns dos outros; compramos, muitas vezes, o mau humor do pai, o vitimismo da mãe, o desânimo do marido."
É interessante notar que, em todas as afirmativas, ela colocou o holofote no médium, não nos espíritos, ou na mediunidade, ou na família, ou na sociedade, ou no corpo, mas no médium, nas suas emoções e pensamentos, e na forma como ele lida com esses seus aspectos internos.
É sempre o próprio médium que tem que dar o primeiro passo em busca do seu próprio equilíbrio, mas é um passo interno, ou seja, ele tem que se dispor interiormente a mudar e trabalhar, para que, externamente, possa sentir a transformação. É ele que tem que reconhecer que está fazendo algo que não está sendo bom para si mesmo e se dispor a modificar isso.
Assim, não são os espíritos que têm que entender que o médium não está apto a ajudá-los, mas o próprio médium que tem que entender que precisa se capacitar para ajudar os espíritos que o procuram. Basta querer!
É verdade, somos, sim, todos aprendizes, mas ninguém é apenas aprendiz, pois todos sempre temos também algo a ensinar, ainda que a nossa ignorância nos faça sentir pequenos e insignificantes diante do universo.
Não importa quantas vezes já tenhamos vindo a este lado da vida ou quantas vezes ainda tenhamos que vir. Importa que em todas as nossas passagens éramos e sempre seremos aprendizes e, portanto, em todas aprendemos e continuaremos aprendendo. E se em todas aprendemos algo, nesta e nas próximas já temos também condições de ensinar, enquanto continuamos aprendendo, incansáveis e curiosos por aquilo que ainda não sabemos.
A busca nunca cessa, porque cada novo aprendizado leva sempre a uma nova dúvida, a um novo questionamento, a uma nova curiosidade, a milhões de outras possibilidades.
Aprendemos mesmo quando erramos e ainda quando cremos que nada aprendemos, porque relaxar e silenciar é também um aprendizado. É, talvez, o aprendizado mais difícil, porque nos põe em contato direto conosco mesmo, com a nossa intimidade, com a nossa estrutura interna, que nunca se perde, embora esteja sempre se transformando, conforme aprendemos.
Tudo o que nos chega, chega para compor, para complementar, ainda que não nos pareça fazer sentido num primeiro olhar. Todo conhecimento que penetra a nossa consciência nos modifica, de alguma forma, e, depois dele, já não somos mais os mesmos, já mudamos, já aprendemos algo novo, sobre a vida e sobre nós mesmos. E se aprendemos, estamos prontos a ensinar e somos chamados a esta responsabilidade pela vida, mesmo que a ela não nos queiramos entregar.
Ler, estudar, pesquisar, buscar, questionar, perguntar, observar são muito mais que ações: são atitudes da alma, daquela alma que quer apreender para aprender, e aprender para crescer. Mas não aquele crescimento mesquinho, que fala somente de si mesmo, para dominar, controlar e submeter. E, sim, o crescimento maior e mais sublime, que liberta e fala da humanidade como um todo, um organismo vivo, composto por milhões de seres humanos todos aprendendo no mesmo processo, todos vivenciando o mesmo aprendizado dinâmico visceral, que não deixa idéia sobre idéia, conceito sobre conceito, convenção sobre convenção. O crescimento que se sente, mas não se vê. O crescimento que se intui, mas não se mede e nem se registra.
Aprender é, sim, um processo profundo e complexo, onde dor e êxtase se misturam. Um processo de troca e transformação, de destruição e reconstrução, de morte e renascimento, em que se dá e se recebe, porque se baseia em estímulos e informações, práticas e teorias, em sentimentos e pensamentos. Para aprender é preciso, sim, estar pronto a receber, mas é também preciso estar disposto a dar. É preciso estar aberto à lição nova, que chega trazendo novas reflexões, e aberto também para que a lição antiga possa sair, levando suas notícias a quem ainda não as ouviu.
Aprender e ensinar são parte do mesmo processo. Aquele que, verdadeiramente, ensina, sabe que também aprende enquanto fala do que conhece. Não importa quantas vezes repita a mesma lição, ela nunca será a mesma, nunca será igual. Ela sempre se renovará com base no conteúdo daquele que aprende, porque quem aprende ensina com o seu modo de aprender. E aquele que ensina, sabendo disso, mantém-se humilde diante daquele a quem ensina, pois sabe que ele também, inconscientemente, também está ali para ensinar.
E aquele que está em busca do verdadeiro aprendizado, o aprendizado da alma, embora se transforme o tempo todo no processo, o faz de forma consciente, acompanhando cada etapa, cada mudança, procurando compreender cada novo despertar de sua alma. E não se entrega inerte, não entrega seu coração, nem sua alma, não se permite deslumbar ou fantasiar sobre o que está aprendendo. Ele se mantém alerta, presente, lúcido e o faz na certeza de que é isso que se espera dele. Aquele que está aprendendo sabe que é responsável pelo que aprende, tanto quanto aquele que ensina o que é pelo que passa adiante.
Somos todos aprendizes de nós mesmos. E, ao mesmo tempo, somos todos mestres de nós mesmos. Aprendemos com aquilo que vivenciamos em nossas entranhas, com aquilo que dói e se retorce, e nos força a ir adiante em busca de mais. E ensinamos a nós mesmos os caminhos e descaminhos de nossas próprias buscas, de nossos próprios erros, de nossas próprias conquistas e derrotas. Somente nós sabemos o quanto nos custou cada passo, cada questionamento, cada conflito. E só nós sabemos o quanto nos vale cada resposta alcançada com cada um deles.
A busca não termina, pois a busca é a própria vida. Na busca está o nosso próprio objetivo, pois somos todos aprendizes. E mestres. Mestres de eternos de aprendizes de si mesmos.
__________________________ Nota: Este texto é dedicado a Elza Fraga, companheira de do grupo virtual Amigos de Ramatis, que me instigou e inspirou a escrevê-lo com os seus comentários.
O HOMEM, A CENTELHA DIVINA ESQUECIDA DE SI MESMA por Maísa Intelisano - alfamintelis@...
É triste ver como as pessoas desperdiçam oportunidades preciosas de crescimento. Alienadas de sua essência, caminham inconscientes pelo mundo, achando que são senhoras de seu destino. Vagueiam aleatoriamente pensando que escolhem seu rumo, seu fim.
Comparando essências, até o verme* que se arrasta pela terra é um ser mais consciente do que o homem. Sem noção de individualidade cumpre seu papel cósmico obedecendo naturalmente os comandos divinos. Sem deixar de ser o que é funde-se ao todo ao cumprir sua função, para a qual Deus o criou, permitindo sua existência.
O homem, entretanto, com toda consciência de si mesmo, bem maior do que os outros seres, faz questão de ignorar sua origem divina, sua essência cósmica e quer tornar-se senhor em um mundo onde não sabe a diferença entre realidade e ilusão, onde não é capaz de dominar nem os próprios pensamentos. Ri dos outros sem perceber que, na verdade, ri de si mesmo. Atribui suas lágrimas aos outros sem se dar conta que chora por sua própria causa. Agride os outros sem pensar que primeiro agride a si mesmo. Nega-se a amar sem refletir que está negando para si mesmo o amor. Recusa-se a estender a mão sem se lembrar que recusa a si próprio a mão estendida.
Pobre homem, ilhado em seu orgulho e cego em seu egoísmo, rejeita o próximo sem atinar que o que rejeita no próximo está em sua própria essência. No entanto, o universo se manifesta num ir e vir eterno e infinito. E quem se recusa a entrar no ritmo desse movimento sofre o atrito das ondas cósmicas que o jogam de um lado a outro na fileira das reencarnações até que aprenda a dar e receber espontaneamente, no fluxo natural da Criação, sem que para isso seja preciso fazer qualquer esforço ou sacrifício.
Maísa Intelisano São Paulo, 30 de julho de 2002.
*Nota de Wagner Borges: "Peço licença a Maísa para enriquecer o seu texto com os escritos que seguem logo abaixo."
"TUDO É UM!
Olhem para o "oceano" e não para a "onda"; não vejam diferença entre a formiga e o anjo. Cada verme é irmão do Nazareno. Como dizer que um é maior e o outro é menor?
Cada qual é grande no seu próprio lugar. Nós estamos no sol e nas estrelas, tanto quanto aqui. O espírito está além do espaço e do tempo - está em todas as partes. Cada boca que chama por Deus é a minha boca, cada olho que vê é meu olho.
Não estamos confinados a nenhuma parte; não somos corpo, o universo é nosso corpo. Somos magos que agitamos uma vara mágica e criamos cenas segundo a nossa vontade. Somos a aranha, em sua enorme teia, que pode ir para onde quiser, caminhando por qualquer dos seus múltiplos fios. A aranha só está consciente do ponto onde se encontra, porém, com o tempo, tomará conhecimento de toda a teia.
Agora, somos conscientes somente do lugar onde o corpo está, somente podemos usar nosso cérebro; porém, quando adquirirmos a ultra-consciência conheceremos tudo, poderemos usar todos os cérebros. Neste mesmo instante podemos dar um empurrão na consciência e ela irá além, atuando no supra consciente.
Estamos nos esforçando por ser e nada mais; assim, nada resta do Eu, como cristal puro que tudo reflete, porém que é sempre o mesmo. Quando se alcançou este estado já não resta nada a fazer; o corpo se torna um simples mecanismo, puro, sem necessidade de cuidados, já que não pode tornar-se impuro. Saibam que são o Infinito e o temor desaparecerá.
Filho, permite-me, hoje, ser apenas humano. Não um herói ou um super-homem, mas apenas humano, com defeitos e limitações. Não um gigante, mas alguém que, como você, tem um limite para cada passo. Espero que isso não o surpreenda.
Filho, permite-me, hoje, dizer-te que sinto dores e aflições, medos e dúvidas e, por isso, choro. Choro como você, lágrimas sentidas, lágrimas amargas, lágrimas tristes. Tão tristes que me queimam. Espero que acredites.
Filho, permite-me, hoje, olhar-te com olhos de gente. Não com olhos de raio X, adivinhando-te cada pensamento, cada sentimento, para corresponder-te às expectativas, mas com olhos de quem espera também ser visto em detalhes. Espero que não seja pedir-te muito.
Filho, permite-me, hoje, caminhar ao teu lado. Não quero segurar-te a mão, nem indicar-te o caminho. Quero apenas ter-te ao meu lado, quero que me faças companhia, que caminhes comigo alguns passos. Espero que estejas disponível.
Filho, permite-me, hoje, reconhecer que também cometo erros, tantos quanto você, e que, se o faço, não é porque quero, mas porque sou tão imperfeito quanto qualquer outro ser humano. Espero que não te decepciones.
Filho, permite-me, hoje, calar. O silêncio, às vezes, fala muito mais do que muitas palavras e chega mais depressa ao coração. Espero que compreendas.
Filho, permite-me, hoje, mostrar-te minhas feridas. Sim, tenho feridas e cicatrizes. São minhas, é verdade, mas quero que as conheças, para que vejas que sou humano como tu. Espero que não te envergonhes delas.
Filho, permite-me, hoje, contar-te minhas alegrias, meus sonhos e minhas crenças. Eles falam muito de mim e mostram um lado meu que poucos conhecem. Espero que possam sensibilizar-te.
Filho, permite-me, hoje, trazer-te minhas memórias. Algumas são alegres, outras são tristes, mas são as minhas memórias. São elas que me fazem o que sou. E são um pouco tuas também. Espero que possas aceitá-las.
Filho, permite-me, hoje, abraçar-te sem receio. Talvez eu nunca tenha feito isso, mas é porque eu nunca soube mesmo como fazer. Espero que possas me ensinar.
Filho, permite-me, hoje, sorrir-te novamente. Nunca fui muito dado a sorrisos, mas foi assim que aprendi que um pai deve ser. Espero que sejas capaz de entender.
Filho, permite-me, hoje, abrir-te meu coração. Ele não é de pedra, como, muitas vezes, dei a entender. Ele bate como o teu e quero que o sintas com as tuas mãos. Espero que estejas receptivo.
Filho, permite-me, hoje, voltar a ser teu pai. Estive ausente, é verdade. Errei muito, reconheço. Mas nunca deixei de ser teu pai. E é assim que me sinto agora. Espero que possas me reconhecer e aceitar.
MEDIUNIDADE, SEXO, VIDA SOCIAL, PROFISSIONAL e FAMILIAR
Sexo é energia, é vida, é saúde. Faz parte do nosso estágio evolutivo e deve ser encarado com naturalidade. Como tudo na vida, deve ser pensado, usado, praticado e apreciado com equilíbrio e bom senso.
O sexo sadio, feito com amor e prazer, com alguém de quem se gosta, por quem se tem respeito e afinidade e com quem se tem uma relação estável e sadia, é extremamente benéfico e ajuda no equilíbrio psíquico e energético do médium.
Se feito em demasia, poderá desgastar a pessoa física, mental e energeticamente, pelo esforço de todo complexo energético envolvido na busca do orgasmo.
Se praticado menos do que o necessário, seja por que razão for, também poderá sobrecarregar a pessoa, pelo acúmulo de energias muito vivas e ativas no corpo físico e no complexo espiritual, podendo gerar bloqueios e desequilíbrios que também vão atingir a pessoa como um todo.
No ato sexual, as duas pessoas envolvidas entram em profunda ligação energética e comunhão espiritual e trocam, não só fluídos corporais, como também fluídos espirituais, indispensáveis para o bem estar psicológico, emocional e físico de qualquer ser humano.
A abstenção de sexo na véspera do trabalho mediúnico só terá sentido se o médium se sentir realmente bem com isso, sem se sentir contrariado por um eventual “sacrifício”. De nada adianta o médium abster-se do sexo na véspera ou mesmo no dia do trabalho e chegar para a reunião completamente desequilibrado por um acúmulo de energias sexuais, que vão tirar a sua concentração e interferir na sua sensibilidade mediúnica e energética. Melhor seria ele praticar o sexo com equilíbrio e ir para a reunião satisfeito, feliz e equilibrado.
Assim, que o próprio médium aprenda a encarar sua sexualidade com naturalidade e equilíbrio, dosando sua necessidade de sexo e buscando praticá-lo de forma equilibrada, saudável e elevada, eliminando preconceitos e tabus que em nada contribuem.
Devemos lembrar que sexo também é criação de Deus e, portanto, também é sagrado, elevado, necessário, positivo, desde que, como em tudo, possa ser visto com bom senso e discernimento.
Vida social, profissional e familiar
Ramatis, no livro Mediunismo, também psicografado por Hercílio Maes, nos diz que “considerando que a faculdade mediúnica de prova ou de obrigação é sempre o acréscimo que o Alto concede ao espírito endividado para conseguir a sua reabilitação espiritual, sob hipótese nenhuma deve ela ser negociada ou vilipendiada. É o serviço de confiança que o médium exerce em favor alheio sem deixar de cumprir todas as suas obrigações para com a família, a sociedade e os poderes públicos. Os mentores siderais não lhe exigem o sacrifício econômico da família, a negligência educativa da prole, o descuido com as necessidades justas da parentela, para só atender indiscriminadamente ao exercício de sua faculdade.
"Cada médium, como espírito em evolução, conduz o seu próprio fardo cármico, gerado no pretérito delituoso, o que também lhe determina as obrigações em comum no lar, onde vítimas e algozes, amigos e adversários de ontem empreendem o curso de aproximação espiritual definitiva. Assim é que, em última hipótese, deve prevalecer sobre o serviço mediúnico o cumprimento exato das determinações cármicas que lhe deram origem à existência na matéria."
Ramatis deixa bem claro, portanto, que a nossa missão aqui é crescer e melhorar ESPIRITUALMENTE e que, por isso, nosso compromisso mais importante é com o que nos levou a buscar esta encarnação, mais do que com a mediunidade, dando a entender que a mediunidade só nos é dada DEPOIS que já decidimos reencarnar e já temos prontos os planos para a reencarnação. Ela é realmente um ACRÉSCIMO de serviços, algo que é ACRESCENTADO ao nosso projeto original de vida, para “APROVEITAR a viagem”. Sendo assim, não deve nunca estar acima dos nossos compromissos como encarnados, sejam eles pessoais, familiares, sociais ou profissionais, os quais são importantes para o cumprimento satisfatório de tudo o que nos comprometemos a realizar espiritualmente, para nós mesmos, durante a encarnação.
Também não devem estar abaixo de qualquer compromisso material. A mediunidade deve sempre ser considerada UMA das partes, UMA das atividades do médium na sua vida como encarnado. É preciso lembrar que, antes de ser médium, ele é um espírito e que, para ser médium na Terra, ele precisou reencarnar, ou seja, tomar um corpo material com todas as suas implicações.
A mediunidade deve estar lado a lado nas atividades materiais sadias e justas do médium, para que o próprio médium não venha a se desequilibrar física ou psiquicamente, perdendo o contato com a realidade material de sua condição de encarnado.
Infelizmente, a mediunidade não vem equipada com botão “liga-desliga” e SER médium é muito diferente de apenas ESTAR médium. O que isso quer dizer?
Quer dizer que mediunidade não é uma capacidade que podemos escolher quando ativar ou desativar. É exatamente como qualquer sentido físico: não podemos escolher quando enxergar ou ouvir. Do mesmo modo, não podemos escolher quando ser médiuns e quando não ser médiuns. Somos médiuns 24hs por dia, sete dias por semana, durante toda a nossa vida.
E isso tem implicações muito importantes para o médium responsável e consciente do seu trabalho pois, como diz Maria Aparecida Martins no livro já citado, “somos médiuns uns dos outros, compramos, muitas vezes, o mau humor do pai, a vitimização da mãe, o desânimo do marido.”
Além disso, é importante lembrar que o trabalho mediúnico não se restringe à atuação do médium no grupo que freqüenta, nem se limita ao dia em que este grupo se reúne para trabalhar. Ele vai além, ocupando toda a vida do médium e está presente em todas as atividades que desempenha. O bate-papo com o colega de trabalho pode não ser um simples bate-papo. Uma visita a alguém internado pode não ser um simples gesto de atenção. O comparecimento ao velório ou aos funerais de alguém, pode não ser simples obrigação social.
Em todas estas situações e em muitas outras, o médium deve estar sempre preparado para funcionar como intermediário entre o plano astral e o plano físico, seja transmitindo mensagens de incentivo, consolo ou orientação para as pessoas que estão à sua volta, seja servindo de canal para a transmissão de energias necessárias ao reequilíbrio físico ou emocional de alguém.
É exatamente isso o que nos mostra Lancellin, no livro Iniciação – Viagem astral, pela psicografia de João Nunes Maia, quando narra episódio vivido em tarefa de aprendizado:
“Chegamos a um quarto onde se via um casal, aparentando a idade de cerca de 50 anos, estando as duas pessoas enfaixadas, o que nos sugeria terem sido vítimas de grave acidente. Começamos a trabalhar tornando o ambiente mais sereno, quando entrou no quarto uma enfermeira, sucedendo à que estava em serviço: mulher de uns 28 anos, forma física encantadora, olhos grandes e fascinantes; agradou-nos a todos, pelas vibrações elevadas que trazia consigo.
"Abeirou-se de um dos pacientes com todo carinho, deixando transparecer toda a tranquilidade e o amor que uma pessoa nobre dedica ao seu trabalho. Passou as mãos delicadamente na testa do senhor inconsciente e víamos sair dela energias vivificantes que penetravam o corpo do enfermo.
"Acompanhávamos, com a ajuda de Miramez, a viagem das energias da moça pelo corpo do doente e notávamos que elas buscavam, não sei por qual força inteligente, o plexo solar daquele senhor. Rodopiando no sistema digestivo e acelerando a digestão que se demorava no organismo, penetrou com um impulso fabuloso no baço, onde ativou determinadas energias fazendo-as circular em todas as glândulas endócrinas, que começaram a reagir, num impulso natural, para a fabricação de hormônios variados, enriquecendo o sangue de poderes especiais que o coração recebia, por sua vez, saturando-se de nova vitalidade capaz de dar condições para que o espírito daquele irmão voltasse ao corpo.”
Com isso, não estamos dizendo que o médium deva permanecer constantemente em transe, mas que esteja sempre consciente de que é uma ponte entre o mundo espiritual e o mundo físico e deve estar sempre a serviço das pessoas, podendo ser acionado automaticamente a qualquer momento, em qualquer situação, em qualquer lugar.
Por isso, é importante que o médium tenha sempre boa sintonia, mantenha pensamentos e sentimentos saudáveis, esteja sempre alegre e equilibrado, seja sereno e confiante, para que possa ser sempre um canal de coisas elevadas e saudáveis para todos com quem encontra.
Mediunidade no sono e na vigília
Se mediunidade é capacidade ativa 24h por dia, sete dias por semana, durante toda a vida, está presente também durante as horas de sono. Sim, mesmo dormindo, podemos funcionar como intermediários entre planos ou dimensões diferentes.
Quando nosso corpo físico adormece, nosso espírito se projeta para fora dele e passa a viver, por algum tempo, no plano espiritual. Para se manifestar nesse plano, ele se utiliza do psicossoma, um corpo muito mais sutil que o físico, mas também um corpo material. Pois bem, também este corpo pode ser usado por entidades superiores para se manifestarem nos planos mais densos da espiritualidade.
O plano espiritual dispõe de vários “níveis”, várias “camadas”, as quais são caracterizadas por diferentes graus de densidade de energias e freqüências vibratórias. Quanto mais elevado o nível, mais sutis as suas energias. E quanto mais sutis as suas energias, mais alta a sua freqüência vibratória.
As entidades que vivem nesses níveis mais elevados não podem se comunicar facilmente com os níveis mais densos do plano espiritual pois, para isso, seria necessário que adensassem muito seu psicossoma, reduzindo muito sua freqüência de vibração.
Em vez disso, atuam mediunicamente em espíritos, encarnados ou desencarnados, que ainda vivem nesses planos mais densos e, portanto, possuem um psicossoma também mais denso, e transmitem mensagens, levam socorro, dão lições, etc., através do que poderíamos chamar de “mediunidade astral” ou “paramediunidade”.
Penetração e Influência dos Espíritos em nossos Pensamentos e Ações
Ao contrário do que muitos pensam, o mundo espiritual não é um mundo
à parte, totalmente separado do mundo físico em que vivemos. Na
verdade, ele é um mundo sobreposto, um mundo que se apresenta em
outras dimensões e com o qual temos uma relação constante, próxima e
intensa. Um mundo que interpenetra o mundo físico, interage com ele,
influencia-o, ao mesmo tempo em que recebe suas influências.
Tudo o que existe no mundo espiritual está numa densidade diferente
do mundo físico material dos encarnados, vibra numa freqüência
diferente e, por isso mesmo, é impossível de ser detectado pelos
nossos sentidos físicos, mas não está em outro mundo ou não constitui
um outro mundo ou universo. O universo é um só e todos nós,
encarnados e desencarnados, habitamos esse mesmo universo, ocupamos o
mesmo "espaço", vivemos o mesmo momento, estamos sujeitos às mesmas
leis, etc. O que nos diferencia é o padrão vibratório de nossas
energias que varia de acordo com o estado espiritual em que estamos.
Encarnados, temos vibração mais pesada, mais densa, mais lenta.
Desencarnados, temos uma vibração mais sutil, mais leve e mais
rápida, que se torna mais e mais sutil, suave e vibrátil à medida em
que evoluímos espiritualmente.
O mundo espiritual nos rodeia e se mistura a nós, e, embora não possa
interferir de forma material mais direta no mundo físico, a não ser
em casos especiais, pode interferir, e muito, de forma energética.
Sendo o pensamento energia posta em movimento e numa direção,
qualquer criatura que pense estará movimentando energias, ainda que
inconscientemente, esteja ela encarnada ou desencarnada.
Se todos nós, encarnados e desencarnados, ocupamos o mesmo "lugar" no
universo, estando separados apenas por diferenças vibratórias, e
somos capazes de movimentar energias com o pensamento, fica claro que
estamos todos sujeitos às influências mentais uns dos outros.
A energia movimentada pelo pensamento pode alcançar e penetrar quase
tudo o que existe no universo, desde que esteja na mesma freqüência
vibratória, e pode penetrar facilmente o mundo dos encarnados. Assim,
todos nós encarnados estamos, o tempo todo, interagindo com os
pensamentos dos espíritos desencarnados que nos rodeiam. Eles podem
ver nossos pensamentos, conhecer o que sentimos, saber de nossas
intenções mais íntimas e secretas, perceber nossos desejos, defeitos,
qualidades, etc. E nós percebemos, ainda que de forma indireta e
imprecisa, os pensamentos e sentimentos dos desencarnados que nos
rodeiam.
Assim, por mais sós que imaginemos estar ou possamos nos sentir, na
verdade, nunca estamos realmente sós. Estamos sempre rodeados de
espíritos e energias que esses espíritos movimentam com o seu
pensamento, as quais interagem com as nossas próprias energias
mentais.
Mas os espíritos só verão aquilo que lhes interessa e com o que se
afinizam ou têm alguma sintonia vibratória. Assim, desencarnados
pessimistas, negativos e tristes terão, ao seu redor, espíritos que
se afinizam, pensam e se sentem como eles. Encarnados alegres,
otimistas e positivos, terão, ao seu redor, espíritos que vibram o
mesmo teor e padrão de energias.
Espíritos menos esclarecidos e desorientados só conseguem ver aquilo
que lhes interessa e que tem a ver com a sua realidade. Nada mais
lhes chama a atenção e nada mais eles podem penetrar, pois o seu
padrão vibratório é baixo e lento demais, muito próximo ao dos
encarnados, para conseguir alcançar outros níveis energéticos mais
elevados.
Espíritos esclarecidos, porém, podem chegar mais longe, penetrando
com mais profundidade as mentes humanas encarnadas, desde que tenham
autorização.
Com tamanha interação constante, óbvio que estamos o tempo todo
recebendo e aceitando sugestões de espíritos desencarnados. Resta
saber que tipo de sugestões estamos acatando. Como saber que tipo de
sugestões temos atraído para nós?
Basta que prestemos atenção ao tipo de pensamento e sentimento que
costumamos ter. Se somos pessoas pessimistas e tristes, atrairemos
esse tipo de companhia para a nossa vida e, conseqüentemente, esse
tipo de sugestão para a nossa mente. Se somos pessoas otimistas e
alegres, atrairemos as companhias que combinam com esse tipo de
conduta mental e, conseqüentemente, também atrairemos seus
pensamentos e sugestões mentais.
Não podemos esquecer que, como já enfatizamos anteriormente, somos
espíritos encarnados, mas sempre espíritos. Somos espíritos que
pensam tanto quanto qualquer outro espírito desencarnado e, portanto,
nossos pensamentos também povoam o universo espiritual que nos
rodeia, podendo ser reconhecido por aqueles, encarnados e
desencarnados, que se afinizam com eles.
Como, então, diferenciar os nossos pensamentos daqueles que nos são
sugeridos? Os nossos pensamentos são os que nos surgem primeiro,
quase por impulso, sem que seja necessário raciocinar ou pensar mais
logicamente para que eles surjam. Os pensamentos que nos são
sugeridos surgem de forma mais elaborada, como se estivéssemos
conversando mentalmente conosco mesmo, como se estivéssemos
levantando pontos de contraposição ao nosso pensamento original, como
se tivéssemos uma segunda voz falando em nossa mente.
É importante que notemos que estamos rodeados tanto de espíritos bons
como de espíritos ruins, que todos pensam e movimentam suas energias,
que todos interagem com o mundo corpóreo, que todos podem influenciar
os encarnados mais ou menos diretamente. No entanto, não podemos
esquecer que o que determina que espíritos atraímos para perto de nós
é a qualidade dos nossos próprios pensamentos. Se nossos pensamentos
forem para o bem, mesmo que erremos, estaremos atraindo espíritos de
bem que tentarão nos ajudar a errar menos, porque a nossa intenção é
a melhor possível.
Se, no entanto, tivermos intenções ruins, ainda que por fora
demonstremos bondade, nosso íntimo estará exposto ao plano espiritual
e nossas intenções serão conhecidas dos desencarnados, sendo que
atrairemos para nós aqueles que pensam como nós, que têm sentimentos
e pensamentos íntimos idênticos aos nossos, ainda que o nosso
exterior seja completamente diferente deles.
Assim, vemos que podemos, teoricamente, nos esconder dos encarnados,
mas jamais podemos nos esconder completamente dos desencarnados.
Nossas energias nos denunciam a cada pensamento que emitimos, a cada
sentimento que geramos. Nossas energias são a nossa identificação
espiritual e nada pode camuflá-las.
Os espíritos inferiores nos tentam induzir ao mal por vários motivos
como inveja, ciúmes, ignorância, maldade, ódio, vingança, despeito,
leviandade, etc. E Deus permite que eles façam isso para que nós
possamos praticar a nossa força de vontade e a nossa capacidade de
discernimento, aprendendo a escolher o que é certo e melhor.
Em nenhum momento, no entanto, estamos completamente à mercê só de
espíritos inferiores. Deus também coloca ao nosso lado espíritos de
luz para que também possamos receber as influências do bem. Sob ambas
as influências, no entanto, caberá somente a nós escolher a que
queremos seguir. A partir dessa escolha é que estaremos
intensificando a atuação desses espíritos à nossa volta, e também
abandonando, nos afastando da influência oposta.
Quando nos colocamos voluntariamente ao lado dos espíritos de luz,
escolhemos vibrar no bem e, automaticamente, saímos da freqüência
daqueles que nos tentam fazer vibrar no mal, escolher o erro. Saindo
de sua freqüênci, vai ficando cada vez mais difícil para eles nos
alcançarem e conseguirem nos influenciar até que, com o tempo e a
frustração, eles se cansam e desistem de nos tentar fazer errar.
Nesse caso, duas coisas são possíveis. Ou eles simplesmente se
afastam, procurando um outro alvo mais fácil, vulnerável e obediente
à sua influência negativa, ou eles também se modificam aos poucos,
mudando sua maneira de pensar, seus interesses, seus objetivos, etc.,
passando de inimigos ou antagonistas para amigos e colaboradores.
No segundo caso, caberá a nós, além do mérito pela vitória contra o
mal que havia em nós, o mérito por ter conseguido ajudar alguém mais
a crescer, se esclarecer e evoluir. Com certeza, mais um amigo que
teremos trazido para o nosso lado e com quem poderemos sempre contar
nos momentos em que precisamos de ajuda.
Possessos
A possessão propriamente dita não existe, já que não é possível a um
espírito desencarnado tomar ou entrar no corpo de um espírito
encarnado. O corpo pertence ao espírito que nele se encarnou, do qual
só se desligará no momento de sua morte.
No entanto, quando a influência espiritual é muito intensa e
profunda, temos o que os meios religiosos convencionaram chamar de
possessão, ou seja, a pessoa encarnada perde a capacidade de comandar
seu próprio corpo, ficando à mercê das sugestões mentais do espírito
que a persegue.
Muitas vezes essa influência é tão profunda que se torna dificil
separar uma consciência da outra, tamanha é a interrelação entre as
duas. É como se a mente subjugada ficasse totalmente dependente da
mente externa que a subjuga, sendo incapaz de pensar por si mesma.
No entanto, um processo desses nunca é desencadeado sem que
a "vítima" esteja conivente de alguma forma, sem que tenha dado
alguma oportunidade para que o processo se iniciasse e se
aprofundasse.
Desse modo, o processo só poderá ser desfeito na medida em que a
própria "vítima" mude-se interiormente, modificando suas atitudes
mentais e seus sentimentos, de modo que o perseguidor não encontre
mais onde se apegar para continuar seu trabalho de possesão e
desestruturação emocional da "vítima".
Maísa Intelisano
http://www.stum.com.br/maisaintelisano
Por mais amor que sintamos por todos os seres humanos, nunca poderemos ajudá-los efetivamente se antes não ajudarmos a nós mesmos, equilibrando-nos, fortalecendo-nos, colocando-nos sobre os próprios pés, acreditando em nós mesmos, em nossa força, em nosso poder e em nossa capacidade de autocontrole. Todos somos seres humanos completos e perfeitos, e podemos ser felizes, plenos e saudáveis.
De nada adianta amarmos as pessoas e querermos ajudá-las se não formos capazes de nos mantermos lúcidos e firmes quando vemos, ouvimos ou percebemos os seus problemas. O que aconteceria se os médicos não usassem máscaras, aventais e luvas para atender os pacientes com doenças contagiosas, e ainda desmaiassem a cada corte ou mancha de sangue que vissem? Também ficariam doentes e, em vez de ajudar a tratar os doentes, diminuindo o seu número, seriam mais doentes a precisar de tratamento. Dá para imaginar a confusão?
Com a mediunidade é a mesma coisa. De nada adianta um médium que percebe tudo, capta tudo e sente tudo, se ele não souber manter uma boa sintonia, se ele não fizer a sua autoproteção, se ele não se mantiver sempre alerta e equilibrado, coberto de luz, de bons pensamentos, de bons sentimentos, livre de preconceitos, cheio de confiança, de boa auto-estima, de firmeza, de fé em si mesmo e nos seus protetores espirituais, apoiado no seu conhecimento e nos seus estudos, sempre atualizados e constantes. E esse é um trabalho que ninguém pode fazer pelo médium; só ele mesmo pode fazer por si.
Assim como ninguém pode ir à faculdade, ao estágio, à residência pelo médico iniciante, ninguém pode estudar, treinar e se preparar para o trabalho mediúnico pelo próprio médium. Há uma parte muito importante de todo o processo que depende só dele. E essa parte demanda esforço, coragem, força, iniciativa, interesse, vontade, determinação, firmeza, maturidade, equilíbrio, disposição e seriedade, que todos nós temos ou somos plenamente capazes de alcançar!!
Entendendo que todo o processo mediúnico passa pela nossa parte psíquica, vemos o quanto é importante também mantermos uma saúde mental e psicológica em dia. Ou seja, alegria de viver, interesse pela vida, otimismo, autoconfiança, interesse em crescer e aprender coisas novas, conhecer pessoas novas, estudar, trabalhar, namorar, etc. Levar, enfim, uma vida normal e saudável.
Divertimento e lazer também fazem parte da nossa saúde mental. Todos precisamos de momentos de lazer, em que possamos relaxar e fazer aquilo de que gostamos. Por isso, devemos procurar ouvir músicas de que gostamos, participar de atividades que nos dão prazer, ler também livros que apreciamos, só por prazer. Tudo isso faz parte do processo.
E, ao mesmo tempo, continuarmos com tudo aquilo que possa colaborar com o nosso equilíbrio e bem estar, físico, emocional e espiritual. Mas, com firmeza, participando conscientemente do processo de equilíbrio, para que ele possa ser mais rápido e efetivo.
Maria Aparecida Martins, em seu livro Conexão - uma nova visão da mediunidade, pela Editora Vida & Consciência, diz algumas coisas de que gosto muito e que os meus alunos me ouvem repetir muito ao longo de meu curso. Ela diz:
"Não existe desajuste de mediunidade. O que existe é uma personalidade desajustada. Quando você tem uma manifestação mediúnica em desequilíbrio, saiba que é a personalidade que está desajustada. Cuide do desajuste da personalidade e a mediunidade se ajusta por conseqüência."
"Não basta só cuidar da mediunidade, conhecer temas, promover palestras, dar cursos, freqüentar o grupo, trabalhar na campanha de Natal, freqüentar a escola de médiuns. Não basta cuidar da mediunidade, é preciso cuidar do médium, da pessoa, do seu reequilíbrio, e não podemos ignorar que é no kit pensamento/emoção que se assenta a mediunidade."
"Somos médiuns uns dos outros; compramos, muitas vezes, o mau humor do pai, o vitimismo da mãe, o desânimo do marido."
É interessante notar que, em todas as afirmativas, ela colocou o holofote no médium, não nos espíritos, ou na mediunidade, ou na família, ou na sociedade, ou no corpo, mas no médium, nas suas emoções e pensamentos, e na forma como ele lida com esses seus aspectos internos.
É sempre o próprio médium que tem que dar o primeiro passo em busca do seu próprio equilíbrio, mas é um passo interno, ou seja, ele tem que se dispor interiormente a mudar e trabalhar, para que, externamente, possa sentir a transformação. É ele que tem que reconhecer que está fazendo algo que não está sendo bom para si mesmo e se dispor a modificar isso.
Assim, não são os espíritos que têm que entender que o médium não está apto a ajudá-los, mas o próprio médium que tem que entender que precisa se capacitar para ajudar os espíritos que o procuram. Basta querer!
Todo médium é um ser encarnado e, como tal, tem um corpo físico e uma vida material para cuidar, além da espiritual.
O corpo físico é apenas uma máquina, é um empréstimo, é temporário, mas é uma extensão do espírito e deve durar o tempo suficiente para o cumprimento da tarefa a que ele se dispôs aqui na Terra, inclusive a mediúnica. Dessa forma, exige dele certos cuidados práticos que não podem ser negligenciados, a fim de que não se comprometa o seu plano de encarnação, nem a sua tarefa como médium.
Sendo assim, a vida material é intrínseca à encarnação e implica certos cuidados “mundanos”
que não podem ser deixados de lado, para que não venha causar preocupações e desgastes desnecessários, comprometendo tanto o seu plano encarnatório, como sua tarefa médiúnica.
Para cumprir essa tarefa, ele precisa estar bem como ser encarnado, do contrário não poderá atender satisfatoriamente às exigências e condições do trabalho com os espíritos.
É preciso que o médium se lembre de que sua vida física é parte integrante e importante de sua vida espiritual e não pode ser separada, isolada, anulada, negligenciada ou ignorada, para que o seu próprio espírito não se prejudique com isso.
É como diz Wagner Borges, em seu livro Falando de Espiritualidade:
“Não fuja da vida humana normal. Deus está em tudo e o plano extrafísico interpenetra a dimensão humana. Logo, a energia divina também está na vida natural de todos.
Sexo também é
energia!
Alimente-se adequadamente.
Passeie num parque. Veja a criançada brincando alegremente e a grama verdinha. Às vezes, há mais espiritualidade e energia em um ambiente desses do que em muitos grupos espiritualistas.
Tenha um relacionamento saudável com as pessoas.
O corpo é o templo da alma, mas é o espírito que dá brilho e movimento a esse templo. Portanto, brilhe espiritualmente nesse “templo-corpo”.
Viva de maneira normal e encha todos de Luz!”
Alimentação
Bastante discutidos, os alimentos interferem diretamente sobre a qualidade das energias que trazemos em nosso duplo e em nossa aura, afetando, conseqüentemente, também o nosso psicossoma.
Sendo a mediunidade uma hipersensibilização energética provocada em nosso perispírito antes da nossa encarnação, e sendo esta hipersensibilização transferida para o corpo físico no momento do reencarne, é natural que o
organismo do médium seja ainda mais sensível às energias dos alimentos do que a média das outras pessoas. Considerando ainda que o perispírito, o duplo e a aura são os principais elementos de contato do espírito comunicante com o médium, como se fossem “órgãos do sentido mediúnico”, natural que qualquer coisa que interfira na sua vibração, tornando-a mais lenta e mais densa e que deixe suas energias mais “pegajosas” ou “oleosas”, interferirá diretamente também no seu grau de sensibilidade, dificultando a percepção e a sintonia do médium com as entidades desencarnadas, especialmente as mais elevadas, cujo padrão vibratório é mais intenso e sutil.
É por este motivo que o médium deve ter atenção especial à sua alimentação, evitando tudo aquilo que exija esforço exagerado do organismo para ser digerido e também aquilo que, com o tempo, ele perceba que não lhe faz bem ou prejudica o seu trabalho de intercâmbio, amortecendo sua sensibilidade mediúnica e energética,
especialmente no dia de trabalho ou de reunião.
Por se tratar de algo individualizado, não há regras ou receitas prontas e cada um deve estabelecer o que melhor lhe convém em termos de alimentos, procurando observar suas próprias reações físicas, psíquicas e espirituais a cada um deles, lembrando sempre que estas reações podem mudar, e muito, com o tempo, à medida que sua sensibilidade for aumentando ou mudando.
De qualquer forma, existem, como já dito inúmeras vezes, alguns alimentos que a experiência de vários médiuns e trabalhadores espiritualistas indica como prejudiciais à sensibilidade mediúnica, por terem características energéticas mais densas ou excitantes. Esses alimentos são as carnes vermelhas, os grãos mais gordurosos (amendoim, amêndoas, nozes, etc.), café, chocolate e alguns chás (por serem estimulantes ou excitantes); e os doces (em excesso) que devem ser evitados, pelo menos nas 24hs que antecedem o trabalho mediúnico ou energético. Isto, sem
falar, é claro, do álcool e do tabaco, em geral.
Além disso, o médium deve ter sempre a preocupação de manter uma alimentação o mais equilibrada possível, variando bastante os alimentos, para garantir também uma variedade suficiente de nutrientes físicos e energéticos que possam atender a todas as suas necessidades, garantindo também a sua saúde física e energética.
Todo esse cuidado, porém, não deve impedir que o médium leve uma vida normal, usufruindo, equilibradamente, de tudo o que a vida material oferece. Os prazeres materiais, quando experimentados com equilíbrio, podem até ajudar o médium a manter-se mais centrado, não permitindo que perca o contato com o mundo físico, que também é o seu mundo, ou que é, no momento, o mundo que lhe toca mais de perto.
E entre esses prazeres materiais, está, inclusive, o consumo de tudo aquilo que citamos acima, de forma equilibrada, consciente e sensata, sem exageros, sem culpas e sem medo, já que um médium
nunca será melhor apenas porque aboliu completamente o álcool ou a carne vermelha de sua alimentação, por exemplo, mas pelos sentimentos que tem por estas coisas e por tudo o que a vida, como um todo, lhe proporciona e oferece.
Todo trabalho mediúnico e energético depende, também, do corpo físico, das energias do corpo físico e, portanto, depende diretamente do estado de saúde do médium, o qual depende e, ao mesmo tempo, interfere no seu estado mental e emocional.
Toda doença física é a materialização de um desequilíbrio psíquico e/ou energético prévio. E quando este desequilíbrio se materializa no corpo físico, é porque já estava “encubado” nos outros corpos energéticos há mais tempo.
O transe mediúnico, seja de que tipo for - tratamentos de cura, práticas energéticas, em geral - exige um esforço também físico por parte do
médium, o qual consome uma porção de suas energias para se realizar. Se ele já estiver energeticamente debilitado por uma doença física, se não estiver com as suas energias equilibradas, pode ficar desvitalizado e, conseqüentemente, piorar ainda mais o seu estado físico, já que a captação e a rearmonização das energias, depois de um trabalho, também exigem boas condições mentais e emocionais para acontecerem, o que o médium não terá se não estiver se sentindo bem. E, sem fazer essa captação de forma eficiente, poderá sair do trabalho em pior estado do que quando entrou. Por isso é que se recomenda que o médium não trabalhe quando estiver doente, preservando-o de um desgaste ainda maior.
Além disso, como a condição física interage intimamente com as condições mentais, emocionais e espirituais do médium, evitando que ele trabalhe quando está doente, evitamos também que alguma energia desequilibrada passe para as pessoas ou entidades a serem atendidas, o que poderia
causar mais perturbação do que benefícios e evitamos, também, que o médium, em vez de doar, “roube”, inconscientemente, energias do assistidos, encarnados ou desencarnados.
Ramatis, no livro Mediunidade de Cura, pela psicografia de Hercílio Maes, diz que “desde que o médium se encontra enfermo, a sua tarefa mediúnica se torna contraproducente, uma vez que ele projetará algo de suas próprias condições enfermiças sobre os pacientes que se sintonizarem passivamente à sua faixa vibratória “psicofísica”.
"Entre o médium enfermo e o paciente mais vitalizado, a lei dos vasos comunicantes do mundo “eteroastral” transforma o primeiro num vampirizador das forças magnéticas que, porventura, sobram no segundo, ou seja, inverte-se o fenômeno. Em vez de o médium transmitir fluídos terapêuticos ou vitalizantes, ele termina haurindo as energias alheias, em benefício do seu equilíbrio vital.”
Nestes casos, o médium deve ser capaz de reconhecer que não tem
condições de trabalhar e o dirigente responsável pelo trabalho deve ter o bom senso de não exigir desse médium o sacrifício, pedindo que trabalhe mesmo assim. Ramatis aconselha que “o médium, quando enfermo, contente-se em ser o intérprete fiel dos conselhos e intuições superiores para transmiti-las aos seus companheiros menos esclarecidos, orientando-os nos atalhos difíceis da estrada da vida humana.”
Isso não significa que qualquer dor de cabeça ou unha encravada possa ser usada como desculpa para não se trabalhar. Estamos falando de problemas de saúde que realmente estejam debilitando e limitando o médium em sua capacidade de concentração, atenção e doação e em seu vigor físico, e não de qualquer indisposição leve, a que todos estamos sujeitos no dia a dia muitas vezes agitado que levamos.
Medicamentos
Assim como os alimentos, os medicamentos também têm energias próprias, que interagem diretamente com as energias físicas e extrafísicas de
quem os consome.
Há medicamentos que, por sua ação mais intensa sobre o sistema nervoso, interferem diretamente sobre as energias do duplo e da aura, interferindo também na sensibilidade mediúnica.
Anestésicos, calmantes, excitantes, ansiolíticos, antidepressivos, etc. são substâncias que têm ação direta sobre o sistema nervoso e interferem não só nas energias físicas e espirituais, como também na consciência e na lucidez, afetando muito a capacidade de concentração e a atenção do médium.
No entanto, o médium que esteja fazendo tratamento com alguma dessas substâncias não precisa ser afastado do trabalho, até para que o afastamento não venha a complicar ainda mais as condições que o levaram a precisar desse tipo de medicamento.
O mais indicado é que o médium seja “remanejado”, ou seja, que ele não atue mediunicamente ou nos passes, pelo menos por um tempo, mas compareça às reuniões e desempenhe outras funções durante o período em que estiver
utilizando estas substâncias de forma mais intensa.
Maria Aparecida Martins, em seu livro Conexão – Uma Nova Visão da Mediunidade, diz que “não basta só cuidar da mediunidade, conhecer temas, promover palestras, dar cursos, freqüentar o grupo, trabalhar na campanha de Natal, freqüentar a escola de médiuns. Não basta cuidar da mediunidade, é preciso cuidar do médium, da pessoa, do seu reequilíbrio, e não podemos ignorar que é no kit pensamento/emoção que se assenta a mediunidade.”
É importante ter em mente que o médium é um ser encarnado como qualquer um de nós, e não um super-homem. Por isso, está sujeito aos mesmos problemas e perturbações que as outras pessoas e o fato de adoecer ou precisar de ajuda profissional ou medicamentos não é demérito para ele, nem como pessoa, nem como médium.
É preciso tratarmos os médiuns como seres humanos, imperfeitos também, sujeitos a altos e baixos, mas tentando acertar, tentando crescer e melhorar, COMO TODO
MUNDO. É importante não pensarmos que médiuns não erram, não se enganam, não falham, não fracassam, não fraquejam. Não se deve exigir deles mais do que exigimos de nós mesmos, pois eles não são criaturas especiais, dotadas de poderes e forças sobrehumanas. São apenas seres humanos.
A higiene é parte importante na manutenção da saúde de qualquer ser encarnado e deve ser preocupação do médium também.
A higiene física, caracterizada pelos bons hábitos básicos que aprendemos desde crianças, não deve ser esquecida, pois além de proporcionar maior bem estar ao médium, é também uma atitude de respeito para com os colegas de trabalho e os assistidos, que não precisam ficar sujeitos aos efeitos naturais que a falta de higiene costuma produzir, tais como mau hálito, odor de
suor, odores dos pés, etc.
Vejamos o que diz Ramatis, no mesmo livro citado no item anterior:
“Não é bastante os médiuns fluidificarem a água, ministrarem passes mediúnicos ou extraírem receitas para com isso alcançar resultados positivos. Eles precisam alcançar sua saúde física e sanar os seus desequilíbrios morais. (...) exige-se também, do médium, o fiel cumprimento das leis de higiene física e espiritual, a fim de elevar o padrão qualitativo das suas irradiações vitais.
"Embora as forças do espírito sejam autônomas e se manifestem independentemente das condições físicas ou da saúde corporal, o êxito mediúnico de passes e fluidificação de água é afetado quando os médiuns ou passistas negligenciam a sua higiene física e mental.
"(...) a higiene corporal e o asseio das vestes dos médiuns durante suas tarefas mediúnicas terapêuticas nada tem a ver com rituais, práticas ortodoxas ou quaisquer cerimônias de exaltação da fé humana. O uso do sabão e
da água para a limpeza do corpo físico é necessidade essencial com o fito de eliminar-lhes a sujidade, o mau odor e os germens contagiosos que podem afetar os pacientes.
"(...)(os médiuns) ainda são espíritos em prova sacrificial no mundo terreno, empreendendo sua redenção espiritual mediante intensa luta contra as suas mazelas e culpas de existências pregressas. Ante a falta de credenciais de alta espiritualidade, eles não devem olvidar os recursos profiláticos do mundo físico, a fim de obterem o máximo sucesso na terapia mediúnica, em benefício do próximo.
"Entre os pacientes submetidos aos passes mediúnicos serão poucos os que se sentem atraídos e confiantes no médium que, arfando qual fole vivo, sopra-lhes no rosto o seu mau hálito e respinga-os de saliva, enquanto ainda os impregna com a exalação fétida do corpo ou dos pés mal-asseados. Outros médiuns ainda acrescentam a tais negligências o odor morno e sufocante do corpo suado, da brilhantina inferior
no cabelo e da roupa empoeirada. Malgrado nossas considerações parecerem, talvez, exageradas, repetimos, mais uma vez: o êxito da terapia mediúnica depende fundamentalmente do estado de receptividade psíquica dos enfermos. Em consequência, todos os motivos ou aspectos desagradáveis no serviço mediúnico, mesmo os de ordem material, reduzem, consideravelmente, o sucesso desejado.
"Se o médium se desinteressar dos preceitos mais comuns de higiene e apresentação pessoal, certamente dará motivo a uma certa antipatia entre os seus consulentes.”
Na higiene física não estão apenas os bons hábitos básicos diários, mas também a prevenção médica e dentária regular, bem como o cuidado com a aparência física, sem exageros, de modo que o médium sinta-se bem com a própria imagem, bem como com suas condições físicas. A autoestima sadia é fator de muita importância no equilíbrio do médium, já que a falta de autoestima costuma ser uma das principais causas de depressão,
revolta, agressividade, etc.
A higiene mental também é importante. O hábito de só cuidar do que trate de mediunidade e espíritos é, na verdade, um desequilíbrio, um vício que deve ser evitado por qualquer pessoa que lide com a espiritualidade. Como já dissemos, como encarnado, o médium deve também procurar, com equilíbrio, com bom senso, os prazeres materiais, o bom humor, as distrações, o lazer, os passeios, os divertimentos, as coisas boas deste mundo onde vive, como forma de se manter equilibrado e saudável, satisfeito e bem disposto.
E vale lembrar o que diz Wagner Borges, no livro Falando de Espiritualidade, quando afirma que “rir é um santo remédio, pois dissolve as tristezas, renova as esperanças e descongestiona as energias.” Portanto, contar piadas, rir de si mesmo, brincar e curtir a vida também são formas saudáveis de louvarmos a criação e o Criador, sem que com isso estejamos sendo irresponsáveis ou inconseqüentes.
Interessante
também vermos o que diz Miramez, em seu livro Plenitude Mediúnica, pela psicografia de João Nunes Maia:
“O homem de bem sempre mostra traços de alegria que conforta os que com ele travam conversações. Esse tipo de companheiro podemos chamá-lo de médium da alegria, por transmitir, com facilidade, o aprazimento a todos que dele se aproximam. Essas criaturas devem cultivar mais esse dom extraordinário, por servir de qualidade que leva a esperança para os sofredores.
"Observemos o quanto a natureza é alegre! Se passarmos a observá-la, além de contentamento, encontraremos outros princípios elevados das leis naturais, de onde podemos extrair modelo para o nosso dia a dia.
"Se por ventura vai conversar com alguém em qualquer parte, não esqueça da alegria, pois ela ajuda e faz crescer a esperança nos que o ouvem. Se vai começar algum trabalho, lembre-se primeiro da alegria, que faz o ambiente melhorar para acertar com mais eficiência as suas obrigações.
Se está lendo, esforce-se para manter uma postura alegre que, nesse estado, o entendimento surgirá com mais facilidade e terá maior compreensão da página lida. Se está enfermo, não se entregue ao desânimo, pois ele multiplica a doença; arregimente forças para o contentamento que servirá de canal para o restabelecimento e, nessa condição, um copo de água fresca lhe restabelecerá as forças.”
Peço licença para divulgar o grupo virtual Voadores, onde a espiritualidade humana é levada às últimas conseqüências, com seriedade, comprometimento, estudo e muito bom humor.
Faço parte dele há algum tempo e posso dizer que vale muito a pena pelo grande volume de informação e orientação que, diariamente, passa pelas suas mensagens, desmistificando e desmitificando a espiritualidade.
"Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana." Pierre Teilhard de Chardin
Com esse conceito em mente torna-se mais fácil compreender tudo o que a maioria das tradições espiritualistas explica a respeito do sono e dos sonhos.
Mesmo estando ligado a um corpo físico denso e pesado, o espírito jamais perde sua característica principal: é sempre um espírito. A condição de encarnado é apenas passageira e muda várias vezes durante a sua evolução espiritual. A condição verdadeira, definitiva e permanente
é só a espiritual. A física ou humana é apenas temporária e circunstancial. Assim, mesmo quando encarnado, o espírito mantém suas capacidades espirituais, ainda que limitadas e parcialmente adormecidas em função da ligação com um corpo físico.
O sono nada mais é do que um retorno temporário e parcial ao mundo espiritual. Quando o corpo físico adormece e a sua atividade metabólica diminui bastante por causa do sono, o espírito é quase que automaticamente jogado para fora do corpo físico, podendo se movimentar livremente sem o peso desse corpo. Como se trata de um espírito encarnado, há um elo que o mantém ligado ao seu corpo, elo esse conhecido como cordão de prata pelas tradições espiritualistas orientais.
Durante o sono, a atividade cerebral diminui bastante, fazendo com o que o indivíduo entre em estados alterados de consciência, os quais propiciam a soltura do espírito do corpo físico. Durante esse desligamento temporário do espírito,
também conhecido como projeção da consciência ou viagem astral, ele pode se movimentar com relativa facilidade no mundo astral recuperando, inclusive, grande parte de suas capacidades psíquicas como a clarividência, a clariaudiência, a precognição, etc.
Como o espírito não se encontra limitado pelo peso e densidade do corpo físico, ele amplia seus sentidos, podendo entender e perceber melhor tudo o que se passa à sua volta. Desse modo, não só as coisas materiais ganham nova perspectiva para ele, como também as próprias dimensões espaço-tempo deixam de existir, permitindo-lhe ver cenas do passado e/ou outros lugares do mundo ou do univeso, como também pressentir, com alguma exatidão, acontecimentos futuros.
Durante esses passeios espirituais, o espírito pode desenvolver várias atividades que refletem em gênero e qualidade as características morais, intelectuais e espirituais do indivíduo.
Assim, durante o sono do corpo físico um
espírito pode encontrar outros espíritos, desencarnados ou encarnados, também em horário de sono e desprendidos de seu corpo físico; pode participar de cursos, palestras, trabalhos e eventos no plano astral; pode atuar em assistências, socorros e orientações de todos os tipos, etc. Mas ele pode, também, de acordo com suas próprias preferências, ser vítima de orgias, sessões de consumo de drogas, assaltos energéticos, brigas, discussões, ataques, etc. Tudo dependerá apenas da lei das afinidades que garante que atraímos situações, pessoas e fatos que têm afinidade com as nossas próprias criações interiores.
Vemos, assim, que muitos dos nossos sonhos e pesadelos são, na verdade, uma lembrança fragmentada e distorcida de eventos vividos no mundo espiritual durante o desprendimento natural do sono comum de todos os dias. Muito embora essas lembranças pareçam desconexas e absurdas, muitas delas são bastante verdadeiras e, se não entendidas conscientemente, podem ser
compreendidas inconscientemente, vindo a trazer benefícios ou malefícios para o espírito em sua vida material, dependendo de seu conteúdo e da carga emocional e energética que proporcionaram.
No entanto, nem todas as lembranças que trazemos do nosso sono estão relacionadas às nossas experiências de emancipação espiritual. Há também o que se chama de sonho fisiológico, que se caracteriza pela criação mental de situações e imagens relacionadas a preocupações ou assuntos cotidianos, profundamente enraizados na mente do encarnado durante o seu estado de vigília. Nesses casos o cérebro encontra-se tão sobrecarregado com os próprios pensamentos e preocupações que cria todo um contexto onde esses mesmos assuntos possam continuar a ser vividos.
Esse tipo de sonho nada tem a ver com os passeios espirituais. Na verdade, nesses casos, o espírito, na maioria das vezes, nem sai nem de perto de seu corpo. Ele adormece também e flutua ligeiramente acima de onde o
corpo físico está descansando, permanecendo assim durante longo tempo.
O espírito, em verdade, não precisa do descanso do sono. Quem precisa se revigorar e recuperar as energias é o corpo físico, por isso sentimos sono e necessidade de dormir em períodos regulares. No entanto, o sono físico é aproveitado pelo espírito para dar uma pausa à mente, relaxando ao mesmo tempo das tensões que a vida material lhe impõe. Assim, como a própria psicologia já conseguiu determinar, o sono seria uma válvula de escape emocional para que a nossa mente tenha condição de se reorganizar para enfrentar os problemas do dia-a-dia.
O que a psicologia ainda não percebeu, ou admitiu, é que a mente descansa porque o espírito retorna temporariamente ao seu mundo de origem, revendo amigos, recebendo orientação de consciências de luz, sendo tratado de problemas energéticos que podem ou não já ter se manifestado no físico, recebendo
esclarecimentos para suas dúvidas e problemas, recebendo conforto nos momentos difíceis de sua vida, acessando conteúdos espirituais inconscientes, fazendo trocas energéticas mais sutis, alcançando maior clareza mental, etc.
Daí a importância de mantermos pensamentos saudáveis e elevados no momento de adormecer, de modo que nosso espírito possa ser conduzido por esses pensamentos a lugares, pessoas e situações que possam nos trazer experiências boas e positivas.
Nessas viagens muitas coisas acontecem, mas só uma parte delas pode ser registrada e arquivada pelo cérebro. É por essa razão que as imagens dos nossos sonhos são freqüentemente confusas e desconexas.
Como tudo o que acontece no mundo astral é bastante incoerente do ponto de vista material, o cérebro se recusa a aceitar a informação recebida e tenta conformá-la ao que já está condicionado a aceitar como real e verdadeiro. Com essa mistura de imagens e sons, o próprio cérebro boicota nossas
lembranças e dificulta o resgate delas para uso quando em vigília.
Além disso, muito do que acontece no plano espiritual durante o sono diz respeito somente à nossa vida como espíritos, não sendo necessária a lembrança no mundo físico. Eis porque até mesmo nossos amigos espirituais acabam patrocinando o esquecimento de grande parte do que é visto, falado, ouvido e sentido durante o sono.
No caso do sonambulismo, temos o corpo reagindo ao que o espírito está vivendo no mundo espiritual. Por isso, em geral, o que um sonâmbulo diz ou faz nada tem a ver com sua realidade física atual. Como o que ele está fazendo no mundo astral exigiria a participação mais direta do corpo físico, ele tenta usá-lo à distância, provocando os movimentos reflexos e a fala relativa ao que está fazendo. No entanto, não é o seu cérebro físico que está comandando os movimentos, mas a sua mente, cuja sede está no espírito que está à distância, em situação completamente diversa da que seu
corpo físico vivencia no mesmo momento. Em geral, pessoas que apresentam sonambulismo muito acentuado acabam manifestando mediunidade ostensiva em algum ponto de sua vida, justamente pela facilidade que têm de permitir que seu corpo seja comandado à distância.
Importante observar que não só o sono como todas as condições físicas que impliquem em diminuição da atividade metabólica como um todo ou do sistema nervoso central podem propiciar o desprendimento do espírito de seu corpo físico. Assim, doenças graves de longa duração, abatimento físico ou emocional muito profundo, uso de drogas, álcool, anestesias, hipnose, magnetização, choques ou traumas emocionais violentos, coma, etc. Em todos esses casos é possível uma diminuição acentuada do metabolismo físico e cerebral, o que pode provocar a liberação momentânea do espírito. O que varia, no entanto, é a qualidade da experiência, já que alguns desses fatores não podem ser considerados naturais e outros provocam
condições não tão saudáveis.
Em alguns casos podemos ter também estados de letargia ou catalepsia, que se caracterizam pela interrupção parcial ou total da sensibilidade e capacidade motora do corpo. Nesses casos o espírito permanece consciente, mas impossibilitado de se comunicar, já que o corpo encontra-se travado por não estar ainda totalmente religado ao espírito. No entanto, como está consciente, o espírito percebe tudo o que ocorre ao seu redor e pode, ao retornar, relatar tudo o que viu, ouviu e sentiu.
Seja como for, a emancipação espiritual é uma capacidade natural de todo ser humano encarnado e deve ser encarada de forma tranqüila, sem misticismo, medo ou superstição.
TEMPO: REALIDADE OU ILUSÃO?
por Maísa Intelisano - alfamintelis@...
O futuro, na verdade, não existe senão apenas em nossas próprias
telas mentais, como projeção que fazemos das regularidades da
Criação, pois, no exato momento em que o alcançamos, ele deixa de ser
futuro para ser presente e, logo em seguida, passado.
Assim sendo, o futuro ainda não é, mas está para ser de acordo com
aquilo que acreditamos que será e com o que trabalhamos para que
seja. Daí dizermos que o nosso futuro é o reflexo puro e simples do
que realizamos no presente. Daí, também, fazer mais sentido dizermos
que o alcançamos e, não, que ele chega até nós, pois somos nós que
agimos no sentido de encontrá-lo, e não ele que caminha em nossa
direção.
Ora, o presente nós vivemos agora, no mesmo instante em que agimos,
pensamos ou falamos conscientemente, mas dura apenas um átimo. O
presente, portanto, é algo que podemos constatar, mas que não podemos
aprisionar ou congelar.
Qualquer fato presente, repetido no futuro, ainda que no segundo
seguinte, é um novo fato, cujas determinantes diferem bastante das
que provocaram o fato original.
E qualquer experiência do presente, congelada, torna-se, não uma, mas
várias experiências muito similares - porém nunca iguais - seguidas
umas das outras, superpostas ou colocadas lado a lado.
Vemos assim que, na verdade, a única coisa que existe para a nossa
realidade concreta é o passado, pois só ele, sob a forma de registros
dos mais variados tipos, criados por nós, pode ser devidamente
arquivado. Ou seja, até o mais recente periódico que chega às nossas
mãos já se tornou passado no momento em que se tornou realidade.
Desse modo, seria interessante constatarmos que quando falamos de
futuro, falamos de algo que ainda não existe, que ainda não está e
que ainda não é, pois o que é e está é aquilo que a nossa consciência
é capaz de registrar no instante da ação. Por isso é correta a
afirmação segundo a qual cada um "faz o seu futuro". Mas como seria
fazer o próprio futuro?
Fazer o futuro é torná-lo realidade do presente, pois de nada adianta
visualizarmos um determinado fato futuro se não formos capazes de
concretizá-lo no nosso presente. Idealizações futuras, que não se
tornam realidade, transformam-se em ficções, das quais está
abarrotada a nossa literatura. E para que servem as ficções senão
para divertir e apenas despertar o interesse por algum assunto?
É claro que é muito difícil para uma criatura terrena, considerando-
se o atual estágio evolutivo da Terra, abstrair-se de suas
necessidades, crenças e angústias presentes para lançar-se
abertamente na corrente contínua da Criação.
Mas o difícil não é impossível, pois existem aqueles poucos
visionários que, num esforço extremo de sua vontade, atiram-se de
encontro a esse fluxo ininterrupto de energia criadora e criativa, e
visualizam seus próprios potenciais e possibilidades universais,
felicitando-se pela descoberta de fatos e realidades que lhes
escapavam aos sentidos mais limitados.
O homem terreno está mais acostumado a criar passado ou fazer
história, inconscientemente, do que a criar futuro ou trabalhar
conscientemente no presente.
No entanto, esta mentalidade vem se modificando com o advento do
chamado terceiro milênio, pois o homem vem sendo obrigado a
questionar o seu presente na tentativa de modificar aquilo que lhe
parece um trágico futuro: o final de tempos, cheio de catástrofes
climáticas, violência, guerras, etc.
Com este exercício, o homem tem podido perceber que atualidade e
presente são conceitos bem diferentes, bem como contemporaneidade e
modernidade.
Como exemplo podemos tomar a mensagem de Jesus que reconhecemos ser
atual, moderna e atemporal, embora saibamos não ser contemporânea
nossa.
Há, porém, um pormenor ainda a considerar. O fato de ser atual,
moderna e atemporal não significa que não se possa ampliá-la e
explicá-la melhor no presente, como, aliás, o fez Kardec, por
exemplo, em seu tempo, por meio da Codificação. Muito pelo contrário,
o fato de uma idéia, conceito ou mensagem ser considerada atual e
moderna deve fazer com que busquemos, ainda mais, aprofundá-la e
ampliá-la para que um número maior de pessoas possa compreendê-la e
fazer uso dela.
Eis, portanto, o mecanismo pelo qual podemos todos nos tornar
senhores da eternidade. Saindo de nós mesmos e colocando-nos à
distância de nosso tempo e espaço atuais, podemos projetar a nossa
consciência no tempo e espaço infinitos, indivisíveis, pressentindo
as possibilidades do futuro e as lições do passado nos acontecimentos
do presente que podemos constatar.
Temos sido, somos e sempre seremos o que fazemos de nós mesmos. Por
que, então, não nos questionarmos sobre o que temos feito de nós? A
cada instante de nossa existência eterna encontramos o futuro
embutido nas oportunidades diárias de renovação, transformação,
reformulação e crescimento, querendo tornar-se parte de nossa
realidade presente. Cabe-nos averiguar como o temos recebido: abrindo-
lhe as portas ou, quem sabe, num receio infundado, negando-lhe todas
as chances de se manifestar?
Dito isto, poderíamos, então, começar a pensar, ou talvez repensar,
como classificaríamos os grandes visionários da humanidade, tais como
Albert Einstein, Júlio Verne, Leonardo da Vinci, Galileu Galilei,
Sócrates e o próprio Jesus: ficcionistas ou criadores de futuro?
E, assim pensando, restaria fazermo-nos apenas uma pergunta. No que
temos transformado a nossa consciência presente: em repositório de
relíquias do passado ou em instrumento de futuro?
MIRAMEZ
Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano em maio de 1997.
(este e outros textos estão também disponíveis em minha página no
Clube STUM em http://www.stum.com.br/maisaintelisano)
Mediunidade é a capacidade de entrar em contato com outras consciências ou espíritos, encarnados e desencarnados, e transmitir-lhes o pensamento, os sentimentos, as idéias e as sensações, sob as mais variadas formas. E médium é todo aquele que tem esta capacidade, em maior ou menor grau. Embora haja outras variações para estas definições, muitas válidas, estas são as mais conhecidas e as mais relevantes para o assunto que pretendo tratar.
Captando e transmitindo pensamentos e sentimentos que vêm de fora de si mesmo, o médium trabalha, o tempo todo, com o que não é seu, com o que não lhe pertence e nem nasce dentro dele. Ele trabalha, principalmente, com os conteúdos de outras mentes que, aproveitando-se de sua capacidade, tentam se comunicar.
Uma das questões mais presentes nas pessoas que me procuram para o curso de mediunidade é como distinguir o que é seu do que é dos espíritos que se comunicam, como saber se o que está sendo transmitido não é conteúdo do próprio médium, e não das consciências ou entidades que se comunicam por intermédio dele, especialmente porque se sabe que mais de 70% dos médiuns hoje permanecem totalmente conscientes durante o fenômeno.
As entidades que se comunicam por um médium podem mudar e variar muito de um trabalho para o outro, sendo quase impossível prever com exatidão quem irá se comunicar a cada oportunidade ou que tipo de conteúdos surgirão a cada trabalho. E esta questão se complica ainda mais quando pensamos na sintonia, pois nenhum fenômeno mediúnico ocorre sem que haja uma boa dose de similaridade, de afinidade entre os conteúdos do médium e da entidade comunicante, para que as idéias transmitidas sejam melhor compreendidas e repassadas pelo médium.
Como saber, então, com segurança, o que é do próprio médium e o que vem da entidade? Como distinguir entre coisas, às vezes, muito parecidas, passando pelo mesmo canal? Além disso, como manter-se isento e imparcial nas comunicações, quando, muitas vezes, o que chega mobiliza o médium profundamente, tocando seus sentimentos e emoções de maneira mais intensa?
Só podemos distinguir coisas quando as conhecemos bem, quando as reconhecemos, quando as identificamos com certa facilidade. Não é possível, portanto, ao médium, distinguir os seus conteúdos dos conteúdos das entidades comunicantes se ele não conhecer algo desses conteúdos, para poder identificá-los, compará-los e separá-los adequadamente.
Não podendo controlar os conteúdos que lhe chegam, ao médium não resta outra opção a não ser trabalhar naquilo que está mais próximo dele, sobre o que ele tem muito mais controle e com o que está em contato 24 horas por dias, 7 dias por semana: ele mesmo, seus conteúdos, suas questões, seus padrões, sua luz e sua sombra.
Um bom médium, portanto, além de dominar o fenômeno e as técnicas, precisa conhecer a si mesmo em profundidade, precisa trabalhar constante e cuidadosamente o autoconhecimento. Um bom médium, antes de se entregar aos fenômenos, precisa saber quais são as suas próprias dúvidas e questões, as suas dificuldades e limitações, as suas qualidades e necessidades, para, só então, poder transmitir, com segurança, aquilo que lhe chega de outras mentes, por intermédio de sua própria capacidade de comunicação psíquica, sem o receio de estar misturando o que é seu com o que é de quem se comunica ou de estar interferindo na comunicação.
Por isso, sempre friso muito nos meus cursos que estudar e praticar mediunidade é, antes de tudo, um trabalho de autoconhecimento, um estudo interno profundo, que deve nos colocar cara a cara com tudo o que somos, com tudo o que sabemos e, principalmente, ainda não sabemos de nós mesmos.
Não entendo que seja possível ser um médium consciente, responsável e equilibrado se não houver autocontrole sadio das próprias emoções, se o médium não for capaz de olhar para si mesmo com autocrítica saudável, se não houver disposição sincera para reconhecer as próprias características, trabalhando aquelas em que se percebe desequilibrado ou confuso, limitado ou incômodo.
Num transe mediúnico, o médium entra em contato profundo com muito do que as entidades sentem e pensam, e precisa estar seguro do que ele próprio pensa e sente, para não se deixar confundir ou mesmo enganar nos trabalhos que irá fazer.
Não se trata apenas de vigilância, ou de apenas observar, mas de reconhecer o que se pensa e sente, porque isso acontece, o que isso nos causa, em que circunstâncias acontece, etc.
Também não se trata de moralismo, de acomodar atitudes ao que outros determinaram ser a melhor conduta, de seguir preceitos morais religiosos, mas de consultar a própria consciência em busca da verdade sobre si mesmo, em busca da essência do ser, em busca daquilo que realmente identifica cada um de nós, independentemente de rótulos, crenças, conceitos filosóficos, etc.
Quando um médium se conhece, ele não teme o contato com outras mentes, pois está seguro do que está dentro dele e não será facilmente desviado, desequilibrado ou enganado. Quando ele não se conhece, no entanto, fica perdido em meio ao fluxo de sentimentos, emoções e pensamentos que lhe chegam e pode ver-se perturbado tentando separar o que percebe, ou questionando-se sobre o que está acontecendo com ele.
O estudo e o exercício da mediunidade, portanto, exigem autoconsciência, auto-análise, autocrítica, observação constante de si mesmo, não como juiz ou carrasco, mas como testemunha lúcida e fiel do que se passa interiormente, pronta para atuar naquilo que for necessário para melhorar-se, quando solicitada.
Mediunidade é meio de comunicação. E toda comunicação fica muito prejudicada quando há ruído, quando o sinal não é forte, quando o meio que a transmite não consegue ser fiel, imparcial e ético na sua função. O médium que cuida de manter isolados, embora não escondidos ou anulados, seus conteúdos, mantém limpos e calibrados os seus canais de comunicação, garantindo recepções e transmissões de qualidade, tanto para ele quanto para quem se comunica através dele.
Mediunidade é intercâmbio de idéias, sentimentos, pensamentos, emoções e sensações e, quando está ciente disso e de seus próprios conteúdos, o médium consegue não só receber informações e orientações importantes para si mesmo e os que o acompanham, como também pode colaborar com os seus próprios conteúdos, conhecimentos e experiências, ajudando àqueles que o buscam para a comunicação, fazendo da mediunidade uma troca rica e construtiva.
Mediunidade é serviço de integração de dois mundos - ou, quem sabe, mais até - que funcionam de forma diferenciada, em diferentes freqüências, com diferentes características e peculiariedades. E o médium que sabe disso e procura conhecer bem essas diferenças, bem como as semelhanças que existem, consegue acompanhar todo fenômeno de forma lúcida e com grande discernimento, sem se deixar afetar negativamente por aquilo que lhe chega.
Mediunidade é oportunidade de trabalhar pelos outros, mas, antes de tudo, por si mesmo, estudando-se e aplicando aquilo que aprende nas comunicações em sua própria vida.
As palavras médium e mediunidade foram criadas por Allan Kardec, no fim do século XIX, e vêm do latim médium, que significa intermediário, que, por sua vez, de acordo com o dicionário, é aquele que está no meio, aquele que serve de mediador, de “intérprete”.
Mediunidade, portanto, no contexto espírita, é a capacidade que uma pessoa tem de entrar em contato com o mundo espiritual e transmitir o pensamento, os sentimentos, as idéias e as sensações de outras consciências que lá vivem, sob as mais variadas formas, bem como de narrar fatos que ocorrem naquele mundo. E médium é todo aquele que tem esta capacidade, em maior ou menor grau, e serve de intérprete ou canal para esse intercâmbio.
Embora o conceito seja relativamente recente, o contato com o mundo dos espíritos e o contato entre as consciências encarnadas e desencarnadas sempre estiveram presentes na história da humanidade e podemos encontrar registros de fenômenos desse tipo em diversas escrituras e tradições antigas de vários povos e culturas, como Egito, Pérsia, China, Índia, Grécia, celtas, hebreus, xamãs de várias origens, etc.
O contato com o mundo espiritual esteve sempre muito presente entre os homens, principalmente nos meios religiosos, embora tivesse outros nomes e objetivos. Nas tribos humanas primitivas, as manifestações “mágicas” quase sempre denotavam a presença de espíritos ("almas" ou "sombras" dos mortos). Nas atividades religiosas das civilizações antigas, a consulta e a comunicação com "deuses" e "forças espirituais" eram comuns, ainda que não se falasse exatamente em médiuns e mediunidade. Nessa época, a faculdade de se comunicar com espíritos ou forças correspondentes era exclusividade de sacerdotes, magos, feiticeiros, pajés, santos, profetas, oráculos, pitonisas, etc., o que não impedia, no entanto, que a capacidade de comunicação espiritual estivesse presente, ainda que só potencialmente, em todas as pessoas.
Em todas as épocas da humanidade, portanto, houve médiuns e fenômenos mediúnicos, muito embora eles só tenham passado a ser sistematicamente estudados e analisados, e melhor compreendidos, com a codificação do Espiritismo por Allan Kardec, no final do século XIX.
Disso, depreende-se, portanto, que a mediunidade não é patrimônio do Espiritismo ou de qualquer religião, mas de toda a humanidade, pois esteve presente em todas as culturas e épocas, nas mais variadas formas. E, como patrimônio da humanidade, a mediunidade não deve estar afeita ou sujeita a qualquer religião ou filosofia, mas ser um campo aberto de estudos, pesquisas e orientação, acessível a todas as pessoas que por ela se interessem ou que por ela se sintam afetadas.
Conclui-se também que a finalidade maior da mediunidade não é difundir uma religião ou doutrina, não é fazer doutrinação ou pregação, mas propiciar autoconhecimento e desenvolvimento espiritual ao ser humano, por meio do contato e do conhecimento da realidade espiritual e suas leis, e as implicações disso para a sua vida prática.
Para ser médium, não é necessário professar uma religião, nem mesmo acreditar na faculdade, em Deus ou em qualquer santo, avatar ou mentor, pois, como nos explica Kardec na sua codificação, a mediunidade é capacidade orgânica, que depende apenas de um corpo físico adequadamente constituído e sensível para se manifestar. E não da religião, da crença ou da fé que professe o médium.
O Dr. Sergio Felipe de Oliveira, médico psiquiatra e mestre em ciências da USP, vem desenvolvendo estudos que parecem apontar justamente para esta característica orgânica da mediunidade. Inspirado pelas obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, em que o autor espiritual cita a glândula pineal como “órgão” da mediunidade, o Dr. Sergio Felipe vem observando que quanto mais esta glândula apresenta cristais de apatita em sua constituição, mais intensamente esta pessoa apresentará capacidades mediúnicas, ou capacidade de entrar em contato mental e energético com outras consciências. E os cristais de apatita não estão presentes apenas na glândula pineal de pessoas espíritas ou umbandistas, ou de qualquer outra religião.
No entanto, o que temos visto nesses pouco mais de 100 anos de Espiritismo no Brasil é o estudo e a prática mediúnicos quase que exclusivamente restritos aos centros e casas espíritas. E, nesse contexto, uma pessoa que se veja objeto de fenômenos mediúnicos é praticamente obrigada a se engajar no Espiritismo, convertendo-se e associando-se a uma casa espírita, a fim de poder estudar e entender melhor o que se passa com ela, não sem antes passar por todo um período de estudo obrigatório da doutrina, que pode levar até anos, antes que ela possa, de fato, estudar e praticar a mediunidade que esteja apresentando, tornando-se mais segura, serena e equilibrada consigo mesma.
Não se pode negar o grande trabalho de Kardec e de seus sucessores no que tange o estudo e, portanto, o conhecimento da mediunidade. No Brasil, especialmente, onde o Espiritismo se desenvolveu muito, podemos encontrar trabalhos espíritas excelentes, como o de Edgard Armond e o de Hermínio C. Miranda, por exemplo, esclarecendo e orientando médiuns sobre as suas faculdades e como usá-las, o que tem ajudado muitas pessoas e também norteado, de certa forma, a continuidade desses estudos. Esses trabalhos e a codificação de Kardec são, sem dúvida, base importantíssima e indispensável para qualquer pessoa que deseje conhecer os fenômenos mediúnicos, estudando-os ou praticando-os.
No entanto, isso não basta para atender a demanda cada vez maior de pessoas que apresentam fenômenos mediúnicos ou parapsíquicos nas mais variadas situações de seu dia-a-dia, sem entender o que são, e não se identificam com o Espiritismo ou a Umbanda, as duas religiões que mais praticam a mediunidade no Brasil. E é preciso atendê-las também, orientando-as, independentemente de sua opção religiosa ou doutrinária.
A mediunidade não deve ser considerada sacra, no sentido religioso da palavra, uma vez que, como vimos acima, independe de religião ou crença para se manifestar. Mas pode e deve ser considerada sagrada como patrimônio humano, como bem inalienável do homem, assim como o seu direito à saúde ou à alimentação.
E para que a mediunidade realmente seja tratada como de domínio público, patrimônio da consciência humana, e que o seu conhecimento esteja acessível a todos, indistintamente, é preciso que ela deixe os salões doutrinários e/ou religiosos e ganhe os grupos de estudos independentes e universalistas, de modo a ser analisada, praticada, estudada, pesquisada e utilizada livre de qualquer cunho místico, religioso ou filosófico, apenas pelo que é: uma capacidade psíquica humana, como pensar, lembrar ou imaginar, destinada ao desenvolvimento da consciência e do autoconhecimento.
É preciso também que ela chegue, de fato, aos laboratórios e universidades, como objeto de pesquisa independente de misticismo, e não apenas como recurso para se comprovar a crença ou a fé de algumas pessoas.
E quem melhor para promover esse avanço no estudo e prática da mediunidade do que os próprios espíritas, por seu conhecimento, sua experiência e sua consciência dos mecanismos do fenômeno?
Nesse sentido, são pouquíssimos os grupos de estudos mediúnicos existentes em atividade autônoma, sem vínculo com qualquer instituição religiosa ou doutrinária. Quase não existem opções de estudo e prática da mediunidade sem o cunho místico de alguma casa espírita ou umbandista, sem a ligação com alguma doutrina, religião ou filosofia. E isso, nos parece, compromete não só a orientação a muitas pessoas que já estão vivendo os fenômenos mediúnicos e não se afinizam com as doutrinas que as praticam e as exigências inerentes a elas, como também compromete o estudo mais científico da mediunidade, por impedir que se façam experimentos livres de qualquer caráter místico.
Além disso, ao tratarmos a mediunidade como algo religioso, comprometemos também a visão que muitos podem vir a ter da própria espiritualidade, imaginando-a necessariamente um subproduto das religiões, quando o correto é exatamente o contrário: as religiões é que foram criadas pelos homens para atender suas necessidades de expressar e vivenciar a espiritualidade que sempre trouxeram latente em si. Sem poder explicá-la ou compreendê-la plenamente, as pessoas foram desenvolvendo, então, sistemas de crenças, rituais e dogmas para torná-la mais palpável e acessível. E também supostamente tangível e controlável.
Não foram as religiões que descobriram ou inventaram a espiritualidade, mas a espiritualidade que levou à criação das várias religiões. E a mediunidade é apenas um dos aspectos da espiritualidade humana, apenas uma de suas manifestações, presente entre os homens muito antes de eles criarem as religiões. Não fruto ou bem das religiões que a estudam e praticam.
A mediunidade, como capacidade psíquica de comunicação entre mentes, está presente em todos nós 24h por dia, sete dias por semana. E não apenas quando nos apresentamos para uma sessão ou reunião mediúnica. A mediunidade permeia a vida de todos nós, o tempo todo, pois estamos todos, 24h por dia, sujeitos às influências dos espíritos desencarnados e das mentes dos encarnados com quem convivemos.
Claro que essa capacidade em algumas pessoas aparece mais desenvolvida do que em outras. Existem mesmo vários graus de mediunidade ou sensibilidade psíquica e bioenergética, bem como vários tipos de mediunidade, classificados, para fins didáticos, pelos efeitos que produzem. Mas, independentemente do grau e do tipo, a faculdade mediúnica não se torna inativa ou inexistente quando estamos fora de um grupo mediúnico ou longe de uma sessão ou reunião mediúnica. Como costumo dizer sempre aos meus alunos, mediunidade não vem equipada com botão liga-desliga!
Pelo contrário, a capacidade de comunicação com outras mentes está presente o tempo todo em nossa vida, inclusive quando dormimos, e pode nos colocar em contato tanto com os pensamentos e sentimentos de desencarnados, como de encarnados, de todas as origens e situações.
E sendo uma capacidade humana natural, uma função orgânica, inclusive, presente, em algum grau, em todos os seres humanos, a mediunidade também não depende de desenvolvimento ético, moral ou consciencial para se apresentar. Qualquer pessoa, independentemente de sua conduta, sua postura, seu caráter ou personalidade, pode apresentar faculdades mediúnicas e tomar contato com o mundo espiritual ou com a mente de outros encarnados. O que irá variar conforme o seu desenvolvimento ético e moral será o tipo de comunicação de que estará participando, pois, também na mediunidade, os semelhantes se atraem.
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Curso com duração de um ano, voltado ao estudo teórico-prático da mediunidade, dos estados ampliados de consciência e dos fenômenos extra-sensoriais humanos e suas implicações físicas, mentais, psicológicas e espirituais.
TÓPICOS A SEREM ABORDADOS
- mediunidade: histórico; mitos e fatos; melhores práticas;
- animismo e mistificação;
- bioenergias: duplo, perispírito, aura e chacras;
- obsessão e desobsessão;
- formas-pensamento;
- projeção da consciência (viagem astral);
- ectoplasma e materializações;
- sintomas, bioenergéticos, sintomas mediúnicos e fenomenologia orgânica da mediunidade;
- fenômenos mediúnicos, fenômenos anímicos e estados ampliados de consciência;
- o fenômeno mediúnico em várias correntes espiritualistas, como Umbanda e Candomblé, por exemplo;
- o fenômeno mediúnico e suas implicações psicológicas;
- práticas bioenergéticas comparadas, como cromoterapia, passe, reiki e cura prânica, entre outros;
- estudo do mecanismo de vários fenômenos mediúnicos e psicoespirituais;
- a mediunidade no Brasil e no mundo;
- estudo, desenvolvimento e prática do Método das 5 Fases de Edgard Armond.
MÉTODO
Aulas expositivas fartamente ilustradas com slides, além de palestras, debates e discussões. Serão conduzidas práticas para sensibilização energética e ampliação da percepção, bem como práticas mediúnicas.
Pesquisadora, palestrante, dirigente e instrutora de cursos teóricos e práticos na área de parapsiquismo, mediunidade, percepção extra-sensorial, bioenergias e autoconhecimento, com mais de 30 anos de experiência pessoal com a paranormalidade.
Dirigente e facilitadora de cursos e trabalhos bioenergéticos e de orientação espiritual há mais de 10 anos. Reikiana nível II e estudiosa de tradições orientais e ocidentais, tem formação em Abordagem Transpessoal, Florais de Bach e Terapia Regressiva e Bioeletrografia, com atendimentos em São Paulo.
Pesquisador, palestrante e instrutor de grupos teóricos e práticos de mediunidade, espiritualidade, parapsiquismo, percepção extra-sensorial, bioenergias e autoconhecimento.
Dirigente e facilitador de cursos e trabalhos bioenergéticos e de orientação espiritual há mais de 5 anos. Médium, Yogue, Tarólogo e Reikiano nível 2, com experiência em atendimento e aconselhamento espiritual.
Cursando pós graduação em psicologia transpessoal.
OUTRAS INFORMAÇÕES
Início: 27 de fevereiro de 2010
Término: 11 de dezembro de 2010
Horário: aulas sempre aos sábados das 9h às 12h30
Local: Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas - IPPB
Endereço: Rua Gomes Nogueira, 168 - Ipiranga - São Paulo - SP - fones (11) 2063-5381 ou 2915-7351
Curso com duração de um ano, voltado ao estudo teórico-prático da mediunidade, dos estados ampliados de consciência e dos fenômenos extra-sensoriais humanos e suas implicações físicas, mentais, psicológicas e espirituais.
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- animismo e mistificação;
- bioenergias: duplo, perispírito, aura e chacras;
- obsessão e desobsessão;
- formas-pensamento;
- projeção da consciência (viagem astral);
- ectoplasma e materializações;
- sintomas, bioenergéticos, sintomas mediúnicos e fenomenologia orgânica da mediunidade;
- fenômenos mediúnicos, fenômenos anímicos e estados ampliados de consciência;
- o fenômeno mediúnico em várias correntes espiritualistas, como Umbanda e Candomblé, por exemplo;
- o fenômeno mediúnico e suas implicações psicológicas;
- práticas bioenergéticas comparadas, como cromoterapia, passe, reiki e cura prânica, entre outros;
- estudo do mecanismo de vários fenômenos mediúnicos e psicoespirituais;
- a mediunidade no Brasil e no mundo;
- estudo, desenvolvimento e prática do Método das 5 Fases de Edgard Armond.
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