O médico terreno, pensando no bem do seu paciente,
não hesita em submetê-lo à cirurgia necessária que,
mesmo lhe causando dor e desconforto, pode recuperar-
lhe a saúde, corrigindo ou estirpando a causa do mal.
Da mesma forma, no trabalho de orientação a
desencarnados ou desobsessão, os trabalhadores agem
como cirurgiões de almas e não podem hesitar em
causar alguma dor a essas consciências sofridas, para
recuperar-lhes a lucidez e a noção de si mesmas como
criaturas divinas.
É preciso compreender que a dor não é um mal, mas,
sim, um bisturi divino, que corta, profunda e
precisamente, todo o mal que há em cada coração.
A dor é a terapia divina a que todos estamos sujeitos
sempre que nos desviamos dos caminhos de luz e amor.
Ninguém se cura, realmente, do próprio mal, sem
passar pela dor, a dor de reconhecer-se o causador do
próprio sofrimento.
Tenham consciência de que a dor causada a cada uma
destas consciências é uma bênção que Deus permite que
seja concedida a estas mentes perturbadas, infelizes
e viciadas na escuridão e no ódio.
Pensem que grupos assim são como salas de cirurgia
divina, onde procedimentos avançados de cura
espiritual são desenvolvidos.
Encarem gritos e soluços como suspiros de libertação.
Vejam em cada coração dolorido o companheiro que se encaminha novamente para a luz.
E nunca, de modo algum, tenham pena destas criaturas,
pois elas nada recebem além daquilo que elas mesmas
atraíram para si e nada aquém daquilo que realmente
necessitam para se recuperar.
Conscientizem-se de que este trabalho é também um
serviço de saúde pública espiritual, levado a uma
imensa população de carentes e ignorantes
espirituais, encarnados e desencarnados.
Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano, em 23 de setembro de 2004, no encerramento da reunião da do GOD - Grupo de Orientação a Desencarnados - no IPPB)
Todo dia é a mesma coisa... Basta ligarmos a TV ou abrirmos o jornal para vermos notícias do tipo: criança assassinada, criança violentada, criança abandonada, criança morrendo de forme ou sede, crianças morrendo em guerras, crianças chacinadas em ataques de fúria ou loucura, criança sequestrada, roubada, explorada, crianças maltratadas pelos próprios pais desequilibrados, crianças espancadas, crianças sofrendo...
Manchetes como estas nos são “informadas”, todos os dias, e nós simplesmente não conseguimos entender porque seres, aparentemente puros e ingênuos, que, muitas vezes, nem tiveram a chance de viver, sofrem tanta violência. Sentimo-nos indignados, chocados e atônitos diante de algo tão inexplicável.
Onde está Deus que não vê tudo isso? Por que não evita todas estas injustiças? Por que não salva estes inocentes? Por que não pune os culpados? Por que não acaba com todas estas tragédias?
Parece não haver lógica nem sentido. E, em não havendo lógica ou sentido, até a nossa fé se abala e passamos a culpar também a Deus pelo que não entendemos. Com a fé abalada e sem poder entender, sentimo-nos fracos e impotentes, indignados e revoltados.
De fato, se limitamos nossa visão e análise ao aqui e agora, não encontramos explicações para coisas como estas, simplesmente porque a explicação não está no presente, não está no momento atual, não está na vida de hoje. Nossa lógica limitada não pode explicar, sozinha, fatos como estes, pois há agravatantes invisíveis, imperceptíveis, que interferem diretamente sobre o que vemos. E o que vemos é a apenas o resultado parcial da combinação de uma série de variáveis que não podemos detectar de imediato.
O que nos foge à visão e, portanto, à lógica, é que crianças são, antes de mais nada, espíritos. Espíritos que já viveram, milhares de vezes, nas mais diferentes circuntâncias, com as mais incríveis histórias para contar. Espíritos que, como nós mesmos, já erraram, já acertaram, já amaram e odiaram, já foram felizes e infelizes. Espíritos que renascem para a vida carnal para poder continuar sua caminhada evolutiva.
De infantil elas só têm o corpo, o cérebro, a matéria física, pois o espírito traz, em sua memória mais profunda, tudo o que já viveu através dos tempos, buscando a mesma evolução que persegue agora. A infantilidade está somente no corpo, que precisa crescer e amadurecer para poder manifestar, novamente, em plenitude, a índole mais íntima do espírito que o anima.
É preciso compreendermos que ninguém nasce inocente ou puro. Todos renascemos marcados por nossas próprias experiências passadas e são estas marcas que determinam parte de nossa história aqui na Terra. A outra parte é determinada por nossas próprias escolhas, pensamentos e sentimentos, os quais também são influenciados por nossas memórias, ainda que inconscientes.
Deus não erra, não comete injustiças. Como poderia permitir que crianças inocentes sofressem, injustamente, indefesas e frágeis? Não faz sentido, se acreditamos num Deus infinitamente sábio justo e bom. É aí que nossa lógica se confunde e precisa buscar outra explicação.
É preciso aprendermos a enxergar, em cada criança, o espírito que nela vive, muito mais antigo que o corpo que habita agora. Não há pureza, não há inocência, não há ingenuidade. Há apenas uma consciência, um ser divino tentando alinhar sua existência ao fluxo do Amor que a tudo mantém.
E esta consciência traz, em si mesma, os determinantes de sua história. A violência e o descaso que sofre é parte de sua terapia espiritual, é parte de seu programa de vida, cuidadosamente desenhado para propiciar-lhe o aprendizado e a renovação necessários.
Não há injustiça a não ser em nossas próprias mentes, que se recusam a enxergar mais adiante. Não há erro ou engano a não ser em nossa própria interpretação dos fatos, que considera apenas aquilo que pode ver e analisar por seus limitados critérios éticos.
Nada passa despercebido a Deus e não é necessário que nós, imperfeitos e limitados, nos indignemos com o sofrimento das crianças do mundo. Deus está no comando e permite que este sofrimento aconteça para que estes espíritos, em corpos de criança, possam dar mais um passo adiante em sua jornada espiritual, e para que nós, cegos e ignorantes, sejamos incomodados em nossa lógica e nos ponhamos a pensar de forma diferente, procurando ver aquilo que só pode ser visto com o coração.
Além disso, devemos nos lembrar de que nada é inútil na economia divina. Como tão bem percebeu, embora indiretamente, Lavoisier, “nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”.
Muitas dessas crianças são grandes espíritos que aceitam vir ao mundo em condições precárias e desumanas a fim de despertar o entendimento de médicos, cientistas, políticos, filósofos e tantos outros seres humanos com poder de influência sobre a grande massa humana.
Muitas dessas crianças nem sequer sofrem de verdade, pois sua compreensão está muito acima do bem e do mal que tanto insistimos em separar. Sua percepção da vida e do universo é tão elevada, que seu corpo não sofre tanto quanto imaginamos. Mesmo inconscientemente, elas vivem para uma outra realidade, ainda invisível para a maioria de nós.
Muitas dessas crianças sofrem voluntariamente, porque pediram esta condição antes de reencarnarem, na esperança de diminuírem o peso de erros cometidos no passado, que as impede de continuarem se iluminando como espíritos.
Muitas dessas crianças escolhem, conscientemente, o sofrimento, antes de renascerem, na intenção de aprender algo novo para o seu espírito, pretendendo enriquecer sua bagagem espiritual, para poderem aumentar a própria luz e, com isso, ascender mais um estágio no universo.
Muitas crianças aceitam, voluntária e conscientemente, situações desse tipo, para colaborar na programação de outros espíritos a quem ama, os quais reencarnam como seus parentes mais próximos e precisam passar pela experiência de ver sofrer os seus filhos, netos, sobrinhos, etc.
E muitas ainda escolhem sofrer para pôr à prova algo que tenham aprendido no mundo espiritual, esperando poder provar a si mesmas e a Deus o quanto caminharam espiritualmente, o quanto cresceram, o quanto se iluminaram e evoluíram como consciências.
Nada no universo é desperdiçado. Deus está atento a cada movimento, a cada pensamento ou sentimento, a cada necessidade. Nada lhe escapa. Tudo está sujeito ao seu comando amoroso, que visa apenas a felicidade de todos e de cada um.
Estamos todos sujeitos às suas leis justas e precisas, que nos colocam onde e como precisamos no mundo. E todas as crianças, que nós também já fomos e ainda seremos muitas vezes, não passam de estágios preparatórios de espíritos que buscam o seu próprio crescimento.
Em cada criança funciona um laboratório espiritual de aclimatação e preparo, trabalhando pela perfeita adaptação da consciência à sua nova etapa de aprendizado. E nenhum detalhe é esquecido, nada é negligenciado. As leis divinas em tudo trabalham, minuciosamente, para que tudo esteja perfeitamente integrado para a nova experiência.
A inteligência divina a tudo administra e precisamos confiar nisso. Não com o conformismo que a tudo aceita, sem questionar. Nem com o fatalismo que se entrega, sem lutar.
É preciso confiar, agindo. Onde houver uma criança sofrendo, devemos ver Deus nos perguntando o que pensamos a respeito da situação e o que estamos dispostos a fazer para transformá-la; o quanto confiamos nele e o que somos capazes de criar para aliviar este sofrimento; o quanto o amamos naquela criança, a ponto de receber a situação com o coração aberto e as mãos estendidas, prontas para agir.
Para que amanhã, quando os jornais nos trouxerem a notícia de mais crianças sofrendo, nós possamos vibrar por elas, não para que Deus as tire daquela situação ou para que os “culpados” paguem pelo seu “crime”, mas para que elas encontrem, em si mesmas, forças para suportar o que for necessário para o seu crescimento, alimentadas por energias de esperança e ânimo espiritual, que lhes possam confortar a mente e o coração com novas luzes.
Na reunião do GOD - Grupo de Orientação a Desencarnados, no IPPB, do dia 10/fev, recebemos um grupo de jovens, adolescentes e pré-adolescentes, tanto para atendimento, como para trabalhar como amparadores.
Foi um trabalho muito interessante, pois nenhum dos médiuns sabia o conteúdo dos atendimentos e mensagens recebidos pelos outros colegas, mas, no fim, quando paramos para um breve balanço da noite, todas as experiências pareciam ter o mesmo "tom", o mesmo "perfil", o mesmo "jeitão", como se tivessem acontecido com entidades muito parecidas ou todas pertecentes a um mesmo grupo.
Esse "tom" era muito bem humorado e de uma pureza e simplicidade que tocam o coração. No entanto, em meio a essa aparente "ingenuidade", as mensagens foram muito profundas e trouxeram toques muito legais que acho importante passarmos para as outras pessoas.
Abaixo vcs encontrarão a mensagem recebida por mim no fim do trabalho, após os atendimentos. Notem o bom humor e a firmeza da entidade.
Tem gente que não acredita em espírito... Fazer o quê? Cada um sabe de si e Deus sabe de todos.
É engraçado ver, daqui do nosso lado, tanta gente que diz não acreditar, andando, pra lá e pra cá, com espíritos, vários deles.
Todo dia é a mesma coisa, sabe? E a gente, aqui, só observa, quietinho...
Os espíritos não são seres de outro mundo, como dizem, mas os únicos seres deste mundo em que vivemos. Nem faz sentido ser de outro jeito... Mas tem gente que não acredita e ainda ri e faz pouco de quem acredita...
Tem gente que não quer nem ouvir falar em espíritos, mas anda de carro com eles todos os dias, briga com eles durante o banho, conversa com eles na hora de dormir e ainda sai pra passear com eles depois de pegar no sono. E aí, a gente, aqui, se pergunta: de que adianta não acreditar???
É realmente muito engraçado. É como se alguém que vive no Brasil mudasse de país e, depois, passasse a dizer que o Brasil não existe só porque não se lembra de nada do que existe lá.
Ou alguém que dissesse que não acredita no útero da própria mãe só porque não se lembra do tempo que passou lá dentro durante a gestação.
Algo não deixa de ser real só porque a gente não acredita ou porque a "ciência" não conseguiu provar. Isso é bobagem! Quantas vezes a ciência já não se contradisse ou negou as próprias teorias?
Será que ela estava errada? Não!!! Ela apenas ignorava, porque é feita e praticada por espíritos igualmente ignorantes. E assim ela é também imperfeita, incompleta, obscura... Como quase todos os homens...
Há tantas coisas que ainda não compreendemos bem e a vida espiritual é apenas uma delas...
Ninguém está pedindo que todo mundo, da noite para o dia, passe a acreditar e se comunicar fluentemente com os espíritos.
O que se pede é apenas que as pessoas se abram para a possibilidade e aceitem debruçar-se sobre o assunto, estudando o que já está disponível, procurando entender, sem preconceitos.
Ninguém aprende outro idioma de uma hora para outra. Por outro lado, ninguém chega a ser fluente se não acreditar que isso é possível e não estudar e praticar o idioma que pretende falar.
É... As analogias são muitas e até bem óbvias. Só não vê quem não quer... Quem insiste em continuar comodamente instalado em sua ignorância disfarçada de cultura...
Mas, por favor, não recebam isso como crítica e, sim, como alerta carinhoso de amigos que querem muito conviver com vocês, mas sem sustos e sem serem chamados de fantasmas ou assombrações....
(Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano durante a reunião do GOD - Grupo de Orientação a Desencarnados, do IPPB, no dia 10 de fevereiro de 2005).
Sou um, mas sou Deus, porque sou um com Ele. Sou um, mas sou tudo, porque Deus está em tudo. Sou um, mas sou todos, porque somos todos um em Deus. Sou um, mas não estou só, porque Deus está em mim. Sou um, mas sou forte, porque o poder de Deus está comigo. Estou aqui, mas vivo em toda parte, porque sou parte do cosmos. Conto horas e dias, mas sou sem tempo, porque sou eterno. Percebo-me pequeno, mas creio-me imenso, porque sou infinito. Manifesto-me com forma, mas entendo-me luz, porque sou espírito. Vivo várias vidas, e renasço a cada morte, porque nada morre. Tenho muitos nomes, mas não sou nenhum deles, porque sou único. Arrasto-me na terra, mas vôo com as estrelas, porque o universo é meu
lar. Sofro a ação dos anos, mas rejuvenesço a cada dia, porque o que sou
não conhece idade. Num corpo me manifesto, mas nada me limita, porque minha essência é
livre. Nesta vida, espero uma morte, mas, em cada morte, encontro a
verdadeira vida, porque o que sou não vive aqui. Meu cérebro apenas entende, mas minha mente transcende, porque vejo
e compreendo muito além de mim mesmo. Rio e choro com as emoções do mundo, mas meu peito abre-se para o céu, porque o que sou vive no Senhor de todos os mundos. Hoje penso que amo o que conheço, mas, em meu coração, sei que existo
eternamente para amar tudo o que existe comigo, porque o que sou
Tá espantado por quê??? É com você mesmo que estou falando...
Não se lembra de mim, não é? Eu sei... Mas eu ía muito à sua casa, ao seu trabalho, sabia? É... Conheço você muito bem....
Eu costumava observar com atenção o seu jeito, sabe?, e notei que você estava sempre meio distraído, desligado...
Não que eu seja de reparar nessas coisas, claro..., mas é que eu tinha um recado importante pra te dar e você parecia sempre tão avoado, que eu ficava muito preocupado...
Imagine que, num dia daqueles, eu estava lá conversando com você,
explicando umas coisas importantes e, de repente, você virou as costas e me largou ali falando sozinho... Aquilo me pegou tão de surpresa que eu até me senti triste... Depois pensei que poderia ser algo mais urgente, né? Aí, deixei pra lá...
Depois, num outro dia, tentando não atrapalhar tanto a sua vida,
achei que seria uma boa idéia falar com você na hora de dormir...
Foi só eu me descuidar um pouquinho e... pronto!... lá estava você
dormindo solto! Nem reparou como o que eu dizia era importante
pra você... Aí eu pensei que, provavelmente, você estava muito
cansado e resolvi esperar uma outra oportunidade...
Uns dias depois, aproveitando que você havia se levantado bem
disposto e tinha um tempinho enquanto tomava seu banho, eu
comecei a falar, outra vez, daquele recado sério que tinham me
mandado dar pra você. Só que, de repente, você começou a pensar
nas coisas que ainda tinha pra fazer durante o dia e nem percebeu
como eu já estava ficando aflito sem conseguir conversar com você.
Os dias foram passando, sabe?..., e eu com aquele recado pra dar
pra você... Como você estava sempre ocupado, correndo de um lado
para o outro, cheio de coisas pra pensar e resolver, sempre cansado
e agitado, resolvi mudar minha tática e usar um método mais
drástico...
Desculpe... eu sei que você não gostou, mas não tive outra opção.
Eu tive que colocar você naquela cama pra ver se conseguia dar
aquele recado importante enquanto você era obrigado a repousar...
Mas que nada!!!!! Você só sabia reclamar o tempo todo! Uma hora
era de dor, outra de tédio e outra de solidão. Puxa, você reclamava
tanto que não sobrava espaço pra eu falar o que precisava. Aí você
foi sarando e o recado foi ficando pra trás outra vez.
Houve uma vez que eu quis inovar. Fui atrás do seu filho e pedi pra
ele dar o recado a você. Sabe que o garoto é muito esperto???
Entendeu tudo certinho e passou o recado direitinho... Mas você
achou que era conversa de criança, excesso de imaginação infantil,
e não levou a sério.
É... você andava mesmo muito desligado... E eu sem conseguir dar
o recado que tinham mandado pra você...
O tempo foi passando e você continuava correndo. Correu tanto que
nem notou como o tempo passou... e bem em cima da sua vida,
mudando completamente a sua perspectiva.
O seu prazo esgotou e você ficou sem o recado. Olhe, não foi por
falta de querer, sabe? Eu bem que tentei, mas você não colaborava...
Mas não tem problema, não... Agora que você veio pra cá outra vez,
a gente vai ter tempo de sobra pra conversar e eu vou poder explicar
direitinho como é esse negócio de amar a Deus sobre todas as coisas
e ao próximo como a si mesmo.
Como é? Nunca ouviu falar disso? Claro que já ouviu!!... O problema
é que, em todas as vezes, você estava tão ocupado que não
registrava o recado. É nisso que dá... Agora não se lembra dele...
Pois é, esse era o recado que eu tinha pra dar pra você antes de você
voltar pra cá outra vez, mas como eu não podia atrapalhar sua vida... Mas não se preocupe... Qualquer hora dessas você consegue passar
por lá outra vez, quem sabe sem tantas coisas com que se distrair,
e aí eu talvez consiga fazer você se lembrar desse recado, não
é?
Você está chorando??? Não faz isso, não... Isso não resolve, sabe?...
Eu sei que você está cansado de repetir essa mesma lição, mas só
fazendo a prova lá e passando é que a gente pode esquecer esse
assunto de uma vez por todas...
Uma hora você entende... Enquanto isso, a gente fica aqui esperando
o próximo bonde da encarnação pra levar você de volta pra repetir
essa lição. Veja se na hora da prova, você pára e presta atenção no
recado, tá bom?
(texto recebido espiritualmente por Maísa Intelisano, em 19/nov/03, durante os trabalhos do GAE Paz e Luz do IPPB)
É, meu amigo... E pensar que tem gente que reclama da vida...
Tanta coisa bonita pra se dizer e, ainda assim, tem gente que reclama. Pra quê tanta queixa?
Quando a boca se lamenta, o coração se encolhe e chora. E coração que chora, adoece.
As palavras são como sínteses energéticas que, num passe de mágica, unem pensamento e emoção numa mesma vibração.
Pensar antes de falar é mais que regra prática de vida: é medicina profilática da alma.
É preciso sentir o que se pensa, pra não criar lixo nas idéias, e pensar no que se sente, pra não poluir o astral dos outros.
É, meu amigo... E pensar que tem gente que só abre a boca pra reclamar...
Assim que o coração solta a primeira lágrima, os olhos se apagam e, na alma, as trevas se instalam.
Não, não é conversa, não... É a mais pura verdade! Os olhos são as janelas da alma e janelas foram feitas pra deixar passar a luz e o ar. De janelas fechadas, a casa se escurece, não respira, mofa e morre.
É, meu amigo... E pensar que tem gente que só procura razões pra reclamar...
Andando às cegas, a alma se machuca e contamina ainda mais o pobre coração, um coração que ainda bate tentando rebater tanto pessimismo.
Alegria não é artigo supérfluo, de luxo, que a gente só tira do armário em dia de festa. Alegria é alimento da alma, é gênero de primeira necessidade para a sobrevivência espiritual! E gênero básico a gente precisa todo dia...
É, meu amigo... E pensar que tem gente que vive pra reclamar da vida...
Quando os lábios sorriem, a alma toda se ilumina e o corpo agradece, satisfeito.
Mas quando o coração sorri com os lábios, o universo inteiro se ilumina, porque é ele que vibra dentro de cada coração que pulsa.
Viver não é só carregar um corpo de um lado a outro. É fazer desse corpo um templo, pra que nele se louvem, todos os dias, o Criador, as criaturas e as criações.
É, meu amigo... E pensar que tem gente que prefere reclamar... Nem com muito esforço, dá pra entender...
Reclamar de quê, se está tudo nas mãos de Deus e ele sabe tudo desse negócio de viver?
Reclamar pra quê, se é muito mais divertido e saudável sorrir e amar, amar e sorrir, sorrir para o amor, amar o sorriso... e viver sorrindo e amando ampla, geral e irrestritamente?
É meu amigo... E pensar que tem gente que ainda vai reclamar de toda essa nossa conversa...
(recebido por Maísa Intelisano em 28/jan/04 durante reunião do
Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada
É uma pena que este poema, de repente, me pareça tão atual.
Na verdade, mais que uma pena, é vergonhoso...
Às vezes, tenho a impressão de que andamos em círculos. Parece que
sentimos prazer em repisar as mesmas pedras já tão lavadas no sangue
da ganância e do preconceito. Parece que, por mais que o nosso discurso
alerte para o quanto já erramos no passado, não conseguimos nos
desvencilhar da hipocrisia de nossa própria natureza humana. É como
se nossa mente andasse em "looping", indo e voltando no rastro de enganos
e ilusões tantas vezes repetidos.
Quantas vezes ainda teremos de chorar sobre os nossos próprios erros?
Quantas vezes ainda teremos de nos deparar com nossas próprias mazelas
exotericamente exibidas na tela da TV? Por quanto tempo ainda teremos
de lamentar nossas escolhas, nossas atitudes, nossas palavras e
pensamentos, expressos nos atos e decisões absurdos de líderes que
nada mais são que marionetes espirituais?
Ao que parece, ainda não tivemos o bastante de dor e sofrimento, não é?
A angústia do passado parece não ter sido suficiente para nos amolecer o
coração e abrandar os gestos. Nem toda vergonha e tristeza pelo que
causamos à nossa própria espécie consegue nos imunizar contra o
espectro frio e sanguinário que nos ronda a cada passo.
E pensar que já estivemos lá!!! Sim, é bom que não nos enganemos!!! As
pessoas que hoje tombam mortas, mutiladas e humilhadas, e todos os seus
familiares que sofrem a dor da expectativa pela vida ou pela morte dos
seus, são as mesmas que, no passado, ainda que em outras situações,
estiveram presentes, literal ou intelectualmente, massacrando, pisando,
humilhando, mutilando e matando em nome da honra, da força, da
resistência, da liberdade, da pátria, etc. E nós, que aqui assistimos a tudo
isso, não podemos nos furtar à sensação insidiosa de que, talvez, tenhamos
parte neste espetáculo sombrio e cruel com que, aparentemente, em
nada contribuímos.
Não há como negar. A cada vez que olhamos com desdém para uma outra
pessoa, investimos algo de nosso nessa violência. A cada vez que julgamos e
criticamos os atos alheios, colocamos nossa marca na farda e nas armas de
um soldado. A cada vez que mentimos em benefício ou interesse próprio,
abençoamos cada um desses ataques. A cada vez que defendemos a
injustiça e a corrupção, assinamos embaixo de cada decreto criminoso com
que justificam essas agressões. A cada vez que nos permitimos sentir raiva,
ódio ou desejo de vingança, nos colocamos lá, lado a lado, em cada
trincheira onde grassa a arrogância e a prepotência, o orgulho e a vaidade.
Do outro lado do mundo, participamos intelectualmente da ação de milhares
de homens friamente manipulados que lutam por crenças e ideais, que não
são seus, e tentam, a qualquer custo, defender a própria vida, justificando
seus assassinatos com as palavras de seus líderes entorpecidos como
viciados crônicos. No entanto, aqui mesmo, em nosso próprio ambiente,
participamos intelectualmente da briga diária de milhões de pessoas que
lutam, minuto a minuto, tentando sobreviver ao ataque do preconceito que,
com as mais variadas máscaras, embrenha-se em suas vidas, retirando-lhes
o emprego, a dignidade, a saúde, a felicidade, o esclarecimento, a
oportunidade.
Em cada gota de sangue derramada lá, encontra-se o eco sinistro das
lágrimas de crianças famintas de todas as partes do mundo. Em cada
membro mutilado lá, refletem-se as faces pisadas e descoloridas dos
doentes sem recurso e sem assistência nos países abandonados pelo
descaso e pela indiferença. Em cada gemido de medo e angústia que lá
se ouve, ressoa o suspiro desesperado dos pais de família sem emprego
e sem esperança em toda a face da Terra. Em cada prece erguida por
causa da guerra e da violência, ouvem-se os pedidos mudos de todos os
necessitados em todas as latitudes dessa nossa casa planetária.
E não é com súplicas sentidas pela paz no mundo que haveremos de nos
redimir de todos esses enganos e erros de cálculo perpetrados ao longo
de milênios de egoísmo. Não... A coisa é muito mais complexa e exigirá
de nós muito mais consciência e literal presença de espírito para que
possamos reverter o quadro obscuro que pintamos para o nosso próprio
deleite.
A hora é de discernimento, é de policiarmos nossa própria mente e nosso
coração, evitando que nossos pensamentos e sentimentos alimentem a
sanha descontrolada que percorre o mundo em ondas negras e espessas.
A hora é de luz: luz nas idéias, luz nas palavras, luz nos sorrisos, luz nos
gestos, luz nos desejos, luz nos objetivos, luz por dentro e por fora,
iluminando a tudo e a todos, mas, em primeiro lugar, a nós mesmos, para
que a treva se desfaça em nossas entranhas.
Luz nas mínimas coisas, luz nas grandes coisas, luz na saúde e na doença,
luz na riqueza e na pobreza, luz nos bons e nos maus momentos, para que
nem a morte nos separe.
Luz para que a vida nos una onde quer que estejamos, luz para que nossos
corpos se abracem, luz para que nossas mãos saibam abençoar a tudo e a
todos indistintamente, luz para que nossos olhos de ver possam enxergar
cada vez mais longe e profundo, encontrando, em cada olhar de fora, a
mesma luz.
O momento é de amar a luz e, por amá-la e amando-a, reparti-la com
todos, reavivando-a em nós mesmos a cada instante.
(Maísa Intelisano em 24 de março de 2003 em São Paulo, capital).
“O que me traz aqui? O que faz com que eu venha a este lugar semana após semana? O que venho buscar? O que quero? O que pretendo?”
Poucos se dão conta, mas, em matéria de trabalho espiritual, essas são, na verdade, perguntas muito importantes.
E quando respostas sinceras são dadas a essas poucas perguntas, percebe-se que tudo mais é mero acessório, é algo que se usa para justificar as escolhas sem que se precise admitir honestamente suas reais motivações.
A busca do bem estar íntimo e do crescimento pessoal é legítima e válida, mas não deveria ser o principal ou único objetivo do ser humano. Pouco adianta querer estar bem por dentro, se, ao lado, ombro a ombro, há alguém que não consegue alcançar o mesmo bem estar.
O crescimento espiritual é importante, mas é preciso sempre se perguntar por quê se quer crescer, para quê se quer esse crescimento, o que se pretende fazer com ele. Não há como crescer sem saber para onde se está indo ou para onde este crescimento conduz.
Cada faísca de luz espiritual absorvida por uma consciência é uma pequena cota de responsabilidade acrescentada à sua bagagem eterna. Não há como crescer e se iluminar sem iluminar e promover o crescimento de outros. Não é possível evoluir sozinho. Ninguém se torna melhor sem oferecer algo de sua própria melhora para a evolução dos que estão à sua volta, pois todo crescimento espiritual alcançado de forma individualista e isolada, por mais profundo que seja, será efêmero, disperso e pouco efetivo.
Por outro lado, uma consciência que cresce e se ilumina nunca está obrigada a carregar consigo, passivamente, outras consciências acomodadas em sua sombra, pois o verdadeiro crescimento espiritual só acontece quando cada consciência toma a iniciativa e cria as condições para a sua própria evolução.
O processo de despertamento espiritual é dinâmico e ninguém poderá iluminar-se, de fato, sem aplicar a luz conquistada em benefício daqueles que o acompanham, ou sem que, intimamente, busque se beneficiar e aprender com a luz de outros que também estão no processo de iluminação própria.
Que ninguém se engane: quando alguém recebe ou conquista um conhecimento e cresce com ele, contrai também uma dívida com o universo, que só poderá ser administrada na medida em que esse mesmo conhecimento for colocado à disposição de outras consciências, permitindo que a luz se multiplique à proporção em que é dividida.
O conhecimento alcançado por alguns está sempre à disposição de todos. A diferença está no esforço empreendido, no interesse demonstrado, na energia investida. Todos têm em si as mesmas capacidades e potenciais para crescer e se iluminar, porém poucos querem investir o tempo e a energia necessários para disparar o processo e mantê-lo ativo.
Nada no universo se cria, se mantém ou se transforma sem um grande investimento de energia e vontade. E todos os seres criados têm em si mesmos o dom de co-criar, para si e para os outros. Resta saber o que criar, já que a energia e a vontade para criar o bem são as mesmas que se despende para criar o mal. O que faz a diferença e determina a direção é o discernimento daquele que escolhe criar.
E o mais paradoxal é que, muitas vezes, o mesmo conhecimento que ilumina e promove crescimento, pode destruir, embotar e desviar consciências. Para administrar esse paradoxo, entra em cena, novamente, o discernimento pessoal, que filtra e determina o que é melhor para ser absorvido e depois repassado para aqueles que seguem o mesmo caminho.
Maísa Intelisano em 21 de fevereiro de 2003, durante palestra no IPPB em São Paulo.
Minha estrada sempre foi tortuosa e sombria, pois eu assim a tracei com meus próprios pés. De onde eu vinha, trazia só cicatrizes de cada espinho arrancado, de cada pedra pisada.
Tudo foi sempre muito escuro e triste no meu caminho, pois só a solidão parecia querer me acompanhar. Ainda assim eu caminhava. Passo a passo eu seguia a minha sina. A sina que a mim mesmo impus.
Caminhava cegamente até que um dia cansei-me. Cansei-me das dores, cansei-me da angústia, cansei-me de mim: inútil e miserável andarilha do nada. Cansei-me a tal ponto que desisti de caminhar e deixei-me ficar ali mesmo, sentada à beira da estrada, largada e indiferente. Indiferente ao tempo, indiferente ao espaço, indiferente à minha própria razão.
Minha consciência, porém, não me dava tréguas. Dizia-me a todo instante: “Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois.”
“Caminhar... Caminhar... Caminhar para quê? Caminhar para onde? De onde eu venho só trago farrapos do que restou de mim. Para onde eu vou nem mesmo eu sei!”, pensava de mim para comigo.
“Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois.”, repetia-me sempre aquela voz na consciência. E quanto mais eu ouvia, mais angustiada ficava e mais me questionava.
“Caminhar... Caminhar é só o que tenho feito desde sempre. E onde foi que cheguei? De que me valeu tanto sacrifício? O que foi que ganhei com tanta caminhada?”, questionava-me revoltada e incrédula.
Mau terminava eu a minha queixa quando, no mesmo instante, fez-se luz em meu caminho. Toda a minha estrada ficou à vista, tudo o que eu era e fizera estava então à mostra. Sem sombras, sem escoderijos, sem dúvidas...
Só então foi que pude perceber que em cada espinho onde eu me machucara antes havia nascido uma flor... Em cada pedra onde eu sangrara meus pés havia brotado uma fonte... Em cada pegada deixada para trás com tanto custo brilhava agora uma luz...
E bem ali onde eu estivera sentada questionando-me, estava Jesus, o Mestre Eterno, olhando-me com imensa doçura, esperando e repetindo pacientemente: “Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã e depois.” (Lc 13:33).
Um Espírito chamado Margot
(recebido espiritualmente por Maísa Intelisano em novembro de 1995, na Seara Bendita Instituição Espírita)
Conta a lenda que, certa vez, uma serpente começou a perseguir um vaga-lume. Este fugia rápido, com medo da predadora feroz, mas ela nem pensava em desistir. Fugiu um dia e ela não desistiu. Dois dias, e nada...
No terceiro dia, já sem forças, o vaga-lume parou e disse à serpente: - Posso fazer três perguntas? - Não costumo abrir esse precedente para ninguém, mas já que vou devorá-lo mesmo, pode perguntar... - Eu faço parte da sua cadeia alimentar ? - Não. - Fiz algum mal a você? - Não. - Então, por que quer tanto acabar comigo? - Porque não suporto vê-lo brilhar...
É uma pena que no Ocidente, graças à tradição judaico-cristã, a serpente seja sempre símbolo de traição, inveja e maldade. Ela não tem nada com isso. Ela apenas age de acordo com a sua natureza, que lhe foi dada por Deus, cumprindo a sua missão neste planeta. Se ela nos parece traiçoeira e malvada é porque nós a enxergamos assim, transferindo-lhe as qualidades que são nossas e que não somos capazes de admitir ou ver em nosso coração.
Apesar desse preconceito, a fábula vale pela reflexão. É bem triste constatar que ainda existam pessoas como a serpente desta estória... O ideal seria que soubéssemos ajudar os outros a brilhar para que, assim, o nosso próprio brilho pudesse aumentar e servir de farol para outros tantos que ainda precisam de uma "estrela guia" à frente para saber o caminho a seguir.
Somos tão cegos em nosso orgulho e egoísmo que não percebemos que, ao invejar o brilho do outro, tentando impedi-lo de emitir sua luz, embotamos nosso próprio brilho, escondendo a nossa luz sob as trevas de nosso próprio ego. Não percebemos que também brilhamos, que, em nós, há a mesma luz e que só depende de nós mesmos fazê-la brilhar mais e mais longe, e com mais intensidade, na medida em que colocamos o nosso brilho à disposição dos outros. Não entendemos que o nosso crescimento espiritual é diretamente proporcional ao crescimento espiritual dos que estão à nossa volta e que, para crescermos, é necessário que tudo o que está a nossa volta também cresça.
E o cúmulo da nossa ignorância é que não nos damos conta de que, por mais que a nossa luz seja abafada, por mais que nós a sabotemos com sentimentos pequenos, mesquinhos e egoístas, ela nunca deixa de brilhar. Deus não permite que ela se apague por completo, porque sabe que, mais cedo ou mais tarde, nós vamos despertar desse torpor doentio e vamos precisar dessa pequena faísca para saber por onde recomeçar.
Apesar de sermos nós os necessitados, é Deus que jamais perde a fé e a esperança em nós. Ele permanece sempre acreditando no nosso potencial, na nossa capacidade de vencer e no nosso discernimento para escolher o que é certo. Ele sabe que nada pode sobrepor-se à nossa natureza divina e espera, incansavelmente, pelo nosso despertar. Ele nunca nos abandona, muito embora nós mesmos, às vezes, façamos questão de virar-lhe as costas para reclamar e nos revoltar por pensar que Ele nunca está por perto quando precisamos.
Como crianças mimadas, não percebemos que Ele está sempre ali, no mesmo lugar, à mesma distância, bastando que nós mesmos nos viremos para nos aquecermos ao sol do seu amor infinito, evitando as sombras do nosso orgulho e o frio do nosso egoísmo.
O brilho de cada um é uma faísca do próprio brilho de Deus em suas criaturas. Cada vez que tentamos apagar o brilho de alguém, é contra o brilho de Deus que agimos. Cada vez que impedimos alguém de crescer, é contra a força de Deus em nós que agimos. Cada vez que sabotamos a felicidade de alguém, é a nossa própria felicidade que sabotamos, já que a fonte de toda a felicidade é uma só: o AMOR universal, DEUS.
Cada vez que deixamos a nossa serpente interna engolir o vaga-lume do próximo, é um farol a menos de que dispomos para iluminar a nossa estrada. Quando, na verdade,deveríamos sempre nos lembrar que, por menor que seja a luz do próximo, ela sempre poderá nos servir ao menos como a pequena chama bruxuleante que acende outra vela antes de se apagar.
"Aos ricos deste mundo, exorta-os que não sejam orgulhosos, nem coloquem
sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que nos provê tudo
com abundância para que nos alegremos." Paulo - I Timóteo 6: 17
No dia em que retornamos a este mundo, nada possuíamos de nosso, a
não ser o firme compromisso, assumido junto ao Pai, e a sincera esperança
de uma nova vida, cheia de paz e plena de harmonia.
Nosso corpinho, frágil e pequeno, de pouco necessitava, e nosso coração,
puro e ingênuo, sabia apenas amar.
Nossa alegria era o rosto alegre das pessoas que nos rodeavam, e o nosso
sorriso era sempre a resposta para outro sorriso. Como éramos felizes, então!...
Mas o tempo passou... O corpinho cresceu, o coração descobriu outros sentimentos e a razão passou a governar nossa vida.
Despertamos para uma outra realidade, onde quase tudo poderia ser
"adquirido" por algum preço, e todos já não tínhamos apenas
necessidades, mas desejos também.
E nós, como que levados por uma correnteza avassaladora, nos deixamos
conduzir, angustiar e sofrer por tudo aquilo que não conseguíamos obter
para atender às necessidades, que já não eram mais nossas, mas dos
nossos desejos. E, desse momento em diante, aprendemos, como que por
encanto, a reclamar, invejar, cobiçar, lamentar e ter piedade de nós
mesmos.
Diz o ditado que a necessidade é mãe da invenção, mas parece, isto
sim, que as invenções é que são as mães de milhares e milhares de
supostas necessidades. Mães tiranas e possessivas, que nos atormentam
com o desejo de satisfazer todos os seus filhos e filhas.
Onde queremos chegar com tudo isso? O que queremos alcançar?
Nem mesmo nós sabemos... E isso nos tortura, enchendo nossos dias
de uma tristeza surda, que aos poucos vai-nos invadindo, possuindo, até
o ponto de já não enxergarmos mais nada além de nós mesmos e do
nosso mundo...
Já não importa tudo o que já conseguimos, já não faz a menor diferença
se as pessoas que nos rodeiam não têm nem a metade do que possuímos,
não interessa se o que queremos obter não é uma necessidade e, sim,
um capricho. Tudo se torna uma sucessão de artimanhas e estratégias
para obter uma promoção profissional ainda não merecida, abocanhar
uma grande soma de dinheiro desnecessário, tornar-se famoso entre
os mais famosos ou adquirir poder suficiente para mandar e desmandar
onde quer que se vá ou sobre quem quer que seja.
Muitos de nós, infelizmente, não conseguem despertar desse pesadelo e recuperar sua visão mais pura da vida, deixando-se cair nas teias frias e escuras dos vícios, dos desregramentos, das doenças mentais e até do suicídio.
Alguns de nós, porém, ao sentir doer o coração dentro do peito, apertado
pela angústia e pela insatisfação interior, levantam seus olhos para o céu
e, num esforço maior de humildade e arrependimento, suplicam uma luz,
um caminho, que possa acabar com esse mal estar que toma conta de
todo o nosso ser. E é nessa hora que tudo desaba à nossa frente, como
se fosse um castelo de areia, provando aquilo que, no fundo, todos nós
já sabíamos: que tudo isso não passa de uma grande ilusão.
Ilusão de que a fama pode nos abrir mais caminhos... De que a riqueza
pode nos tirar de todas as dificuldades... De que a beleza e a elegância
podem nos tornar mais queridos... De que a nossa felicidade é
proporcional àquilo que temos e não ao que somos... Mas, afinal, o que
somos?... E, às vezes, nem a essa pergunta conseguimos responder...
No entanto, basta parar um pouco em meio a todo esse turbilhão de
sensações e recolher-se bem dentro de si mesmo para receber a
resposta. No início, bem de mansinho, como uma idéia à toa. Depois,
mais insistente, como um pensamento que ocupa nossa mente e nos
obriga a raciocinar sobre ele. Enfim, definitivamente, como um
sentimento de imensa alegria que preenche nossa vida e traz à tona
uma realidade pura e simples: somos todos filhos de Deus, tal e qual
tudo o que existe.
Então, talvez, nos restasse apenas perguntar: com um Pai desses, o
que mais poderíamos querer desse mundo? Que necessidade tão
grande poderíamos ter que fosse mais importante do que essa verdade,
e que Ele mesmo não pudesse atender, se fosse preciso? Que significado
há em todas as coisas, se nós não soubermos reconhecer que elas são
todas obra de Deus, da qual nós também fazemos parte?
Atender às nossas necessidades terrenas é uma obrigação que nos
cabe cumprir, como parte de nossa própria evolução, mas transformar
caprichos e desejos em necessidades é um engano triste e infantil, que
pode comprometer anos e anos de esforço e esperança de nossas vidas
e da vida daqueles que nos ajudam tão de perto e com tanto carinho.
A riqueza maior não está no dinheiro ou no poder que podemos obter
neste mundo, mas na maneira como conduzimos nossa vida, aplicando
a riqueza e o poder que o Pai nos dá para cumprirmos melhor a nossa
tarefa.
Costumamos transferir para o dinheiro, a fama, o poder e a beleza
qualidades que, na verdade, são nossas e não deles, em si mesmos.
Nenhum deles é bom ou mau, útil ou supérfluo, feliz ou infeliz. Quem
os possui é que tem, ou não, essas qualidades e faz com que elas se
reflitam nos dons que recebeu de Deus, espalhando alegria ou tristeza
por onde passa.
Por isso, trabalhemos, sim, pelo nosso bem-estar físico e pelo nosso
progresso material: é um direito nosso. Mas não façamos disso a razão
maior de nossa vida, pois há muito o que fazer de bom nesse mundo e
muitas pessoas nos esperam, com um sorriso de esperança, nos arredores
dessa vida, querendo ter o que já temos e desejando ser o que lhes
parecemos ser.
Vamos deixá-las esperando na ilusão? Vamos fingir que elas não fazem
parte do nosso mundo? Ou vamos mostrar-lhes quem realmente somos,
"O pão nosso de cada dia, dai-nos hoje." Jesus - Mateus 6:11
Quem de nós realmente tem tudo o que deseja? Felizmente ninguém!...
Deus conhece bem todas as nossas limitações, necessidades e desejos e, por essa razão, não nos atende todos os pedidos, deixando-nos, assim, a oportunidade de aprender e crescer por nós mesmos.
Muitas vezes, não compreendemos de imediato a razão de ser deste ou daquele acontecimento, mas, parando um pouco para pensar a respeito, vemos que, na realidade, só tiramos vantagens de tudo o que nos acontece.
A falta de dinheiro, freqüentemente, nos impede de "comprar" muitos erros e abusos e nos leva a reconhecer o verdadeiro valor das coisas materiais e o esforço que é preciso fazer para obtê-las honesta, digna e equilibradamente.
A falta de saúde, muitas vezes, nos obriga a prestar mais atenção às necessidades do nosso espírito, permitindo-nos ter mais tempo para os amigos e familiares, fazendo com que caminhemos mais devagar pela vida, valorizando cada momento, cada pequena parcela de vitalidade.
A falta de compreensão, no mais das vezes, nos leva a perceber o que precisa ser mudado em favor da caridade e da solidariedade em nosso comportamento, o que ainda está por ser melhorado em nós e o quanto trazemos de intolerância e incompreensão em nosso íntimo.
A falta de trabalho nos obriga a buscar recursos e habilidades, dentro e fora de nós, os quais não supúnhamos ter, para vencer as dificuldades e criar novas oportunidades.
A falta de amigos em nossa vida permite que nos voltemos para dentro de nós mesmos, fazendo descobertas incríveis a nosso respeito e sobre coisas que ainda desconhecíamos ou não conhecíamos completamente.
As carências todas, bem como as farturas, nos proporcionam o trabalho e o aprendizado necessários ao nosso crescimento e fortalecimento. Mas para conseguirmos realmente isso, é preciso que aceitemos de bom grado as lições e testes que a vida nos impõe, a fim de que não nos entreguemos ao desespero e à revolta, à culpa e ao desânimo.
Cabe somente a nós aceitar, de coração, as determinações do Pai a nosso respeito, pois, uma vez aceitas essas determinações, torna-se muito mais fácil trabalhá-las e conviver com elas, modificando-as para melhor.
Aceitação, no entanto, não implica em conformação ou acomodação, mas, sim, em serenidade para receber e disposição para transformar o que vem, sem vacilar na alegria e na fé consciente em Deus e em seus propósitos.
Aceitar não é esperar que aconteça, mas fazer acontecer valendo-se dos recursos que o Pai, através da vida, coloca ao nosso dispor.
Quem aceita com discernimento não se acomoda diante da insatisfação, do erro, do desânimo ou da ignorância, mas trabalha confiante, dia após dia, no intuito de alcançar coisas melhores, certo de que, por hora, está fazendo o melhor que pode.
Quem aceita com equilíbrio, realmente não tem tudo o que quer, mas sabe que recebe sempre tudo o que merece e necessita.
Segundo o Novo Aurélio – O Dicionário da Língua Portuguesa1, a palavra umbral foi tomada do espanhol e significa soleira, limiar, entrada, ou seja, a faixa mínima de piso que se acha entre as laterais de uma porta, portão ou passagem, e serve de limite entre um cômodo e outro numa construção.
Em 1943, André Luiz, o médico que se tornou conhecido psicografando livros pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, trouxe a público o significado dado à palavra na colônia espiritual “Nosso Lar”, onde passou a viver alguns anos depois de seu desencarne.
Em seu livro também chamado Nosso Lar2, ele conta como ouviu falar do Umbral pela primeira vez, quando o enfermeiro Lísias lhe dava as primeiras informações sobre a colônia e descreveu-o como região onde existe grande perturbação e sofrimento e para a qual a colônia dedicava atenção especial. Vejamos o que diz o enfermeiro:
“Quando os recém-chegados das zonas inferiores do Umbral se revelam aptos a receber cooperação fraterna, demoram no Ministério do Auxílio; ...”
E mais adiante, acrescenta:
“... A não ser em obediência a esse imperativo, o Governador vai semanalmente ao Ministério da Regeneração, que representa a zona de “Nosso Lar” onde há maior número de perturbações, dada a sintonia de muitos dos seus abrigados com os irmãos do Umbral. ...”
Não foi sem razão que André Luiz teve seu interesse despertado para essa região chamada Umbral. Sem entender bem do que se tratava, voltou a insistir com Lísias para saber mais detalhes e, no capítulo seguinte, narra novo diálogo com o enfermeiro, em que este lhe deu maiores detalhes desta região do astral, não sem antes perguntar como ele poderia não conhecer o Umbral se havia ficado lá por tantos anos. Vejamos o que diz Lísias:
“O Umbral – continuou ele, solícito – começa na crosta terrestre. É a zona obscura de quantos no mundo não se resolveram a atravessar as portas dos deveres sagrados, a fim de cumpri-los, demorando-se no vale da indecisão ou no pântano dos erros numerosos.”
Mais adiante, diz também:
“... O Umbral funciona, portanto, como região destinada a esgotamento de resíduos mentais; uma espécie de zona purgatorial, onde se queima, a prestações, o material deteriorado das ilusões que a criatura adquiriu por atacado, menosprezando o sublime ensejo de uma existência terrena.”
E em outro parágrafo, Lísias complementa:
“O Umbral é região de profundo interesse para quem esteja na Terra. Concentra-se aí tudo o que não tem finalidade para a vida superior. ... Representam fileiras de habitantes do Umbral, companheiros imediatos dos homens encarnados, separados deles apenas por leis vibratórias. (grifo nosso)... Lá vivem, agrupam-se, os revoltados de toda espécie. ... Pois o Umbral está repleto de desesperados. Por não encontrarem o Senhor à disposição dos seus caprichos,..., essas criaturas se revelam e demoram em mesquinhas edificações. “
Enfim, desde então, a palavra Umbral, escrita com letra maiúscula, como o fez André Luiz no livro Nosso Lar, tomou significado especial, principalmente entre os espíritas, designando a região espiritual imediata ao plano dos encarnados, para onde iriam e onde estariam todos os espíritos endividados, perturbados e desequilibrados depois da vida.
Com esta conotação, a palavra difundiu-se muito e transformou-se num quase sinônimo do Inferno e do Purgatório dos católicos, com localização geográfica, tamanho, etc., conceito este que o próprio Allan Kardec, codificador do Espiritismo, já havia desmitificado em suas obras, mais de 80 anos antes, especialmente em O Livro dos Espíritos3, nas seguintes perguntas:
“1011. Um lugar circunscrito no Universo está destinado às penas e aos gozos do Espíritos, segundo o seus méritos? “- Já respondemos a essa pergunta. As penas e os gozos são inerentes ao grau de perfeição do Espírito. Cada um traz em si mesmo o princípio de sua própria felicidade ou infelicidade. (grifo nosso). E como eles estão por toda a parte, nenhum lugar circunscrito ou fechado se destina a uns ou a outros. Quanto aos Espíritos encarnados, são mais ou menos felizes ou infelizes segundo o grau de evolução do mundo que habitam.
“1012. De acordo com isso, o Inferno e o Paraíso não existiriam como os homens representam? “- Não são mais do que figuras: os Espíritos felizes e infelizes estão por toda a parte. Entretanto, como já o dissemos também, os Espíritos da mesma ordem se reúnem por simpatia. (grifo nosso). Mas podem reunir-se onde quiserem, quando perfeitos.”
Como vemos pelas respostas dos espíritos a Kardec, o Inferno e o Paraíso não passam de estados de espírito, condição moral de sofrimento ou felicidade a que estão sujeitos os espíritos por suas próprias atitudes, pensamentos e sentimentos durante a vida encarnada e depois dela. E é bom lembrar que espíritos somos todos, encarnados e desencarnados, vivendo cada um o seu inferno e o seu paraíso particulares. O que nos diferencia dos espíritos desencarnados é apenas o fato de estarmos temporariamente presos a um corpo denso de carne. De resto, somos absolutamente iguais a eles, com desejos, opiniões, frustrações, alegrias, defeitos e qualidades.
Na verdade, a figura geográfica e espacial do Inferno dos católicos serviu de molde aos espíritas para que melhor visualizassem o que seria o Umbral. Assim como o Inferno da Igreja Católica foi tomado emprestado e adaptado do Inferno dos povos não cristãos (chamados pagãos), para compor os mitos de Inferno e Paraíso.
Pelo que dizem os espíritos a Kardec, podemos concluir que cada um de nós traz, em si mesmo, o inferno e o paraído que merece, de acordo com o que pensa, sente e faz durante sua vida espiritual, incluídos aí também os períodos em que nos encontramos encarnados. Se não existe Inferno ou Purgatório, por que haveria de existir o Umbral com localização, medidas, coordenadas, etc.?
Tudo o que existe no plano espiritual é criado pela mente dos espíritos encarnados e desencarnados. Sempre que pensamos, nossa mente dispara um processo pelo qual somos capazes de moldar as energias mais sutis do universo, criando formas que correspondem exatamente àquilo que somos intimamente.
Extremamente apegados ao mundo material, nada mais natural que, mesmo estando fora dele, queiramos tê-lo novamente quando desencarnados. É aí que nossa mente entra em ação, criando tudo o que desejamos ardentemente. E várias mentes, desejando a mesma coisa juntas, têm muito mais força para criar.
A grande diferença é que, no mundo físico, podemos embelezar artificialmente o nosso ambiente e a nossa aparência, enquanto que no plano astral isso não é possível, pois lá todos os nossos defeitos, mazelas, falhas, paixões, manias e vícios ficam expostos em nossa aura, exibindo claramente quem somos como consciências e, não, como personalidades encarnadas.
No Umbral, tudo o que está fora de nós é consequência do que está dentro. Tudo o que existe em nosso mundo pessoal e nos acontece é reflexo do que trazemos na consciência. Assim, o Umbral nada mais é que uma faixa de frequência vibratória a que se ligam os espíritos desequilibrados, cujos interesses, desejos, pensamentos e sentimentos se afinizam. É uma “região” energética onde os afins se encontram e vivem, onde podem dar vazão aos seus instintos, onde convivem com o que lhes é característico, para que um dia, cansados de tanto insistirem contra o fluxo de amor e luz do universo, entreguem-se aos espíritos em missão de resgate, que estão sempre por lá em trabalhos de assistência.
Alguns autores descrevem o Umbral como uma sequência de anéis que envolvem e interpenetram o planeta Terra, indo desde o seu núcleo de magma até várias camadas para fora de seus limites físicos.
O que acontece é que os espíritos se reúnem obedecendo, apenas e unicamente, à sintonia entre si e acabam formando anéis energéticos em torno do planeta, ou melhor, em torno da humanidade terrena, pois ela é parte da humanidade espiritual que o habita e é também o foco de atenção de todos os desencarnados ligados a ele.
As camadas descritas em alguns livros são mais um recurso didático para facilitar o entendimento e o estudo do mundo espiritual, pois não há limites precisos entre elas, assim como não há divisas exatas entre um bairro e outro de uma mesma cidade, ainda que eles sejam de classes sociais bem diferentes.
É exatamente o que nos diz Lancellin, em seu livro Iniciação - Viagem Astral4, pela psicografia de João Nunes Maia:
“As pessoas, como os espíritos desencarnados, se reúnem por simpatia, por atração daquilo que pensam e sentem, pois se sentem felizes por estarem com os seus iguais, tanto na Terra como no mundo espiritual.”
Esse mesmo mecanismo de sintonia é o que cria regiões “especializadas” no Umbral, como o Vale dos Suicidas, descrito por Camilo Castelo Branco, pela psicografia de Yvonne A. Pereira, em seu livro Memórias de um Suicida5. Espíritos com experiências de suicídio, vivendo os mesmos dramas, sofrimentos, dificuldades, agrupam-se por pura afinidade e formam regiões vibratórias específicas.
Assim também acontece com faixas energéticas ligadas às drogas, ao aborto, aos distúrbios psíquicos, às guerras, aos desequilíbrios sexuais, etc.
Em seu livro Driblando a Dor6, pela psicografia de Irene Pacheco Machado, o espírito Luiz Sérgio, jovem desencarnado em acidente de automóvel na década de 70, conta o trabalho de sua equipe junto a grupos de drogados e traficantes.
Em outro de seus livros, Deixe-me Viver7, pela psicografia da mesma médium, ele fala mais especificamente da situação dos espíritos abortados e aborteiros, vivendo lado a lado na faixa vibratória de seus atos.
No livro O Abismo8, de R. A. Ranieri, orientado por André Luiz, vamos encontrar uma descrição dramática dos espíritos que vivem ligados ao subsolo do planeta, em condições terríveis de degradação moral e perispiritual.
O Prof. Wagner Borges, pesquisador de projeção astral e fundador do IPPB – Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas, também nos traz diversos relatos e psicografias importantes sobre o assunto. Em seu livro Viagem Espiritual9, em duas mensagens orientadas pelo espírito Rama, ele descreve imagens do Umbral, vistas pelos olhos de um padre desencarnado dedicado a ajudar e resgatar espíritos que vivem ali.
No livro O Céu e o Inferno10, de Allan Kardec, encontramos também diversos relatos de espíritos desencarnados que se apresentam pela psicofonia e descrevem as condições em que se encontram no mundo espiritual. Ali, além do relato de vários espíritos perturbados, vamos também encontrar relatos de espíritos relativamente felizes, alguns apenas algumas horas após o seu desencarne, demonstrando que céu e inferno são condições espirituais íntimas, alcançadas por merecimento, que acompanham o espírito onde quer que ele esteja e se mantêm e intensificam pela sintonia com outros espíritos nas mesmas condições.
Apesar de toda perturbação e desequilíbrio dos espíritos que vivem no Umbral, não devemos nos iludir. Existe muita disciplina, organização e hierarquia nos ambientes umbralinos. É o que nos mostra, por exemplo, o espírito Ângelo Inácio, pela psicografia de Robson Pinheiro, em seu livro Tambores de Angola11, e o espírito Nora, pela psicografia de Emanuel Cristiano, em seu livro Aconteceu na Casa Espírita12.
Vemos ali o quanto esses espíritos podem ser inteligentes, organizados, determinados e displinados em suas práticas negativas, criando instituições, métodos, exércitos e até cidades inteiras para servir aos seus propósitos.
É preciso que compreendamos que todos nós já estamos vivemos numa dessas “camadas” de Umbral que envolvem a Terra e que todos nós criamos o nosso próprio Umbral particular sempre que contrariamos as leis divinas universais, as quais podem ser resumidas numa única expressão: amor incondicional.
Em seu segundo livro, Os Mensageiros13, André Luiz conta a história de vários moradores de “Nosso Lar” que passaram pelas “zonas inferiores”. Todos eles saíram da colônia cheios de esperanças, de amigos, de auxílio e orientação. Eram, portanto, espíritos relativamente esclarecidos, amparados, iluminados. Muitos deles passaram anos na colônia estudando antes de reencarnar com missões definidas na mediunidade. No entanto, mesmo assim, vários eles se deixaram levar por seu lado ainda imperfeito e falharam novamente.
Todos voltaram para “Nosso Lar” depois de desencarnados, mas não sem antes passar pelo Umbral, para drenar energias negativas acumuladas numa encarnação de descaso e irresponsabilidade com a própria consciência e a de outros.
Isso é necessário para o bem do próprio espírito, a fim de que ele possa se livrar de energias espirituais altamente tóxicas que desequilibram e bloqueiam sua mente para energias mais sutis e saudáveis, e também perturbariam os ambientes mais equilibrados, como o de colônias como “Nosso Lar”, caso fossem levados para lá nesse estado.
É importante notar que não se trata de punição ou banimento, mas de tratamento justo, necessário e amoroso. Sim, o Umbral é criação de amor e justiça divinos, onde espíritos desviados e profundamente desequilibrados encontram um meio onde conseguem viver e, ao mesmo tempo, aprender, enquanto se recuperam.
Muitos perguntam se não é pior o espírito ficar tanto tempo convivendo com tantas energias negativas semelhantes às suas próprias, agravando e intensificando seu próprio desequilíbrio. No entanto, não podemos nos esquecer que, muitas vezes, os espíritos desencarnam em tal estado de alheamento e perturbação, que não resta outro recurso a não ser deixar que a natureza siga seu curso e faça o trabalho necessário de depuração, colocando-os com seus semelhantes para que, juntos, filtrem, uns dos outros, as energias que os envenenam, e para que, observando as atitudes uns dos outros, possam compreender onde erraram e queiram reiniciar o processo de melhoria interior.
Mas o Umbral não é um mundo só de desencarnados. Muitos projetores conscientes (pessoas encarnadas que fazem projeções astrais conscientes), narram passagens por regiões escuras e densas, semelhantes às descrições de André Luiz em Nosso Lar.
Todos os encarnados desprendem-se do corpo físico durante o sono e circulam pelo mundo espiritual. Esse é um fenômeno absolutamente natural e inerente a todo espírito encarnado. Uma grande parte continua a dormir em espírito, logo acima de onde está descansando o corpo físico. Outros limitam-se a passear inconscientes pelo próprio quarto ou casa, repetindo, mecanicamente, o que fazem todos os dias durante a vigília. E há os que saem de casa e vão além.
Dentre estes, uma pequena parte procura manter uma conduta ética elevada, 24h por dia, tentando sempre melhorar-se como pessoa, buscando sempre ajudar e crescer, e, muitas vezes, é levada ao Umbral em missão de resgate ou assistência, trabalhando com espíritos mais preparados, doando suas energias pelo bem de outros espíritos, como também informa Wagner Borges, em seu livro Viagem Espiritual II14, dizendo:
“O sono dá ao espírito encarnado a oportunidade do desprendimento temporário do seu envoltório carnal. E nisto reside a sua grande chance de se sentir útil perante a vida, pois, fora do corpo, ele é levado por seus amigos espirituais às pessoas necessitadas, físicas e extrafísicas, onde a sua energia conciencial é de grande ajuda.
“Mediante processos específicos de transmissão de energia, os amparadores extrafísicos usam o projetor como doador de energia para a pessoa enferma (na maioria das vezes já desencarnada e sem se aperceber disso).”
Mas há um grande número dos que conseguem sair de seu próprio lar durante o sono e vão para o Umbral por afinidade, em busca daquilo que tinham em mente no momento em que adormeceram, ou obedecendo a instintos e desejos inferiores que, embora muitas vezes não estejam explícitos na vigília, estão bem vivos em sua mente e surgem com toda força quando projetados. Essas pessoas, muitas vezes, acabam sendo vítimas de espíritos profundamente perturbados ligados ao Umbral, que as vampirizam e manipulam, em alguns casos chegando até a interferir em sua vida física, criando problemas familiares, doenças, perturbações psicológicas, dificuldades profissionais e financeiras, etc.
Esse é o caso da jovem viciada Joana, narrado no livro O Transe15, também da dupla Ângelo Inácio e Robson Pinheiro. É também o que acontece com Erasmino, no livro Tambores de Angola.
Vemos, assim, que o Umbral, de que falam André Luiz e tantos outros autores encarnados e desencarnados, está mais próximo de nós, encarnados, do que muitos de nós imaginam. E, o que é mais importante, somos nós mesmos que ajudamos a manter esse mundo denso com nossos pensamentos e sentimentos menos elevados. Somos nós que damos aos espíritos perturbados, que se encontram ligados a essa faixa vibratória, grande parte da matéria-prima de que se valem para sutentar seu mundo de trevas e sofrimento.
O Umbral está em todo lugar e em lugar nenhum, pois está dentro de quem o cria para si mesmo e acompanha o seu criador para onde quer que ele vá.
Toda vez que nos deixamos levar por impulsos de raiva, agressividade, ganância, inveja, ciúmes, egoísmo, orgulho, arrogância, preguiça, estamos acessando uma faixa mais densa desse Umbral. Toda vez que julgamos, criticamos ou condenamos os outros, estamos nos revestindo energeticamente de emanações típicas do Umbral. Toda vez que desejamos o mal de alguém, que nos deprimimos, que nos revoltamos ou entristecemos, criamos um portal automático de comunicação com o Umbral. Toda vez que nos entregamos aos vícios, à exploração dos outros, aos desejos de vingança, aos preconceitos, criamos ligações com mentes que vibram na mesma faixa doentia e estão sintonizadas com o Umbral.
O Umbral só existe, porque nós mesmos o criamos, e só continuará existindo enquanto nós mesmos insistirmos em mantê-lo com nossos desequilíbrios.
É por essa razão que Jesus nos aconselha a vigiar e orar, indicando que, para termos paz de espírito e equilíbrio, é necessário estarmos sempre atentos aos próprios impulsos e ligados a mentes iluminadas que possam nos inspirar sentimentos e pensamentos elevados.
O Umbral é nosso também, faz parte do nosso mundo, e não podemos renegá-lo ou simplesmente ignorá-lo. Assim como não podemos também fingir que não temos nada a ver com ele. Lá estão também algumas de nossas próprias criações mentais, de nossos sentimentos inferiores, de nossos pensamentos mais densos. E lá vivem espíritos divinos como nós, temporariamente desviados do caminho de luz em que foram colocados por Deus.
Por isso é importante que não vejamos o Umbral como um lugar a ser evitado ou uma idéia a não ser comentada, mas como desequilíbrio espiritual temporário de espíritos como nós, que, muitas vezes, só precisam de um pouco de atenção e orientação para se recuperarem e voltarem ao curso sadio de suas vidas.
É comum encontrarmos médiuns e doutrinadores que têm medo ou aversão ao trabalho com espíritos do Umbral, evitando atendê-los, ignorando-os friamente, ou tratando-os como criminosos sem salvação, que não merecem qualquer compaixão ou respeito. Estas pessoas esquecem-se de um dos preceitos básicos da espiritualidade: a caridade.
É preciso estender a mão espiritual a estas entidades para que possam sair dessa sintonia e possam também colaborar com o trabalho gigantesco de resgate há ser feito nas regiões umbralinas. Além de retirar espíritos dessa sintonia, os trabalhos de desobsessão e orientação a desencarnados de grupos mediúnicos bem orientados, equilibrados, livres de preconceitos, prestam um grande serviço à própria humanidade terrena, na medida em que recuperam muitos obsessores e assediadores que lá vivem e se ocupam de perseguir espíritos encarnados.
Independentemente disso, todos nós podemos contribuir individualmente para a melhoria de toda a humanidade, encarnada e desencarnada, inclusive do Umbral, emitindo pensamentos de luz, amor, paz e harmonia por todo o planeta e tudo o que nele existe. Da mesma forma que contribuímos para a existência do Umbral, podemos contribuir para reduzir o sofrimento que existe nele, bem como a influência negativa que o mesmo exerce sobre os encarnados.
Os habitantes do Umbral não são nossos inimigos, mas espíritos que precisam de compreensão e ajuda. Não são irrecuperáveis, mas perderam o rumo do crescimento espiritual. Não estão abandonados por Deus, mas não sabem disso e desistem de procurar orientação. Não são diferentes de nós, mas tão semelhantes, que vivem lado a lado conosco, todos os dias, observando nossos atos, analisando nossos pensamentos, vigiando nossos sentimentos, prestando atenção às nossas atitudes.
E, se não queremos ir ao Umbral por afinidade, que nos ocupemos de nos tornarmos seres humanos melhores, mais dignos, mais éticos, 24h por dia. Desse modo, nossa passagem pelo Umbral será sempre na condição de quem leva ajuda sem medo, sem preconceito e sem sofrimento, e não de quem precisa de ajuda para superar seus próprios medos, preconceitos e dores.
(Maísa Intelisano em artigo para a edição no. 16, ano 2, da revista Espiritismo e Ciência, da Editora Mythos)
Bibliografia citada: 1. Novo Aurélio – O Dicionário Eletrônico da Língua Portuguesa – Lexikon Informática e Editora Nova Fronteira 2. Nosso Lar – Francisco Cândido Xavier (médium) e André Luiz (espírito) – FEB 3. O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – LAKE 4. Viagem Astral – Iniciação – João Nunes Maia (médium) e Lancellin (espírito) – Fonte Viva 5. Memórias de um Suicida – Yvonne A. Pereira (médium) e Camilo Castelo Branco (espírito) – FEB 6. Driblando a Dor – Irene Pacheco Machado (médium) e Luiz Sérgio (espírito) – Recanto 7. Deixe-me Viver – Irene Pacheco Machado (médium) e Luiz Sérgio (espírito) – Recanto 8. O Abismo – R. A. Ranieri (médium) – orientação de André Luiz (espírito) – Fraternidade 9. Viagem Espiritual – Wagner Borges (médium e projetor) – Yogananda, Rama, Ramatis e Aïvanhov (espíritos) – Universalista 10. O Céu e o Inferno – Allan Kardec – LAKE 11. Tambores de Angola – Robson Pinheiro (médium) e Ângelo Inácio (espírito) – Casa dos Espíritos 12. Aconteceu na Casa Espírita – Emanuel Cristiano (médium) e Nora (espírito) – CEAK 13. Os Mensageiros – Francisco Cândido Xavier (médium) e André Luiz (espírito) – FEB 14. Viagem Espiritual II – Wagner Borges (médium e projetor) e autores diversos (espíritos) – Universalista 15. O Transe - Robson Pinheiro (médium) e Ângelo Inácio (espírito) – Casa dos Espíritos
Bibliografia complementar sugerida: 1. Pérolas do Além – Francisco Cândido Xavier (médium) e Emmanuel (espírito) – FEB 2. Obreiros da Vida Eterna – Francisco Cândido Xavier (médium) e Emmanuel (espírito) – FEB 3. Mãos Estendidas – Irene Pachedo Machado (médium) e Luiz Sérgio (espírito) - Recanto 4. Além da Matéria – Robson Pinheiro (médium) e Joseph Gleber (espírito) – Casa dos Espíritos 5. O que Encontrei do Outro Lado da Vida – Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho (médium) – espíritos diversos – Petit 6. Diálogo com as Sombras – Hermínio C. Miranda – FEB 7. Histórias que os Espíritos Contaram – Hermínio C. Miranda – LEAL 8. O Guardião da Meia-Noite - Rubens Sarraceni (médium) e Pai Benedito de Aruanda (espírito) Madras
ESPELHO DE CRISTO
Quando de tua boca saem mensagens inexcedíveis de amor puro e
pleno que podem aplacar até a mais violenta das tempestades humanas...
Quando do teu rosto irradiam-se luzes claras de profunda e
abrangente compreensão, alcançando até a mais arredia das criaturas...
Quando de tuas mãos brotam flores de cor e perfume sublimes que
impregnam, amorosamente, até o mais insignificante ser da Criação...
Quando dos teus pés partem caminhos suaves de bem-aventurança e
alegria que servem de rota segura até para os mais desorientados viajantes
da vida...
Quando do teu coração fluem sinceros sentimentos de carinho e
esperança que derrubam até as mais grossas paredes de tristeza e amargura...
Quando do teu pensamento emanam brisas leves e benfazejas que
soerguem e renovam até o mais pesado e aflito dos semblantes...
Quando do teu olhar surgem estrelas que faíscam e bordam com
prata até o mais negro e tempestuoso dos céus...
Quando dos teus gestos nascem poemas de simplicidade e afeto que
preenchem até o vazio das almas mais solitárias e esquecidas...
Quando de tua voz elevam-se sentidas súplicas por misericórdia e
perdão que soam como harmoniosas notas de uma divina sinfonia...
Quando de tuas vibrações verte abençoada chuva de luz capaz de
tornar fértil até o mais árido e pedregoso dos solos humanos...
Quando de tuas palavras colhem-se fartas sementes de fé e
coragem que podem fecundar e frutificar até mesmo nas estações menos
propícias...
Nesse momento, em teu espírito transfigurado, refletem-se as
obras do meigo Rabi, que se vale de tua vontade de amar e servir para
distribuir maiores bênçãos de paz e alegria... É nesse momento que o teu
coração, como um espelho vivo do Cristo, transborda imensa doçura e acende
pequenas chamas em milhares de outros corações.
(Maísa Intelisano - junho/1998)
NÃO BASTA EXISTIR
Não basta existir, é preciso viver. E viver é muito mais que existir.
Viver implica aprender e, para ser aprendiz, é preciso humildade para
reconhecer a própria ignorância.
Viver implica educar-se para o amor, e, amando e amado, experimentar a
angústia de saber-se iluminado sem sentir-se luz, vivenciando as dores e as
venturas de sentir-se completo sem poder ser pleno.
Viver implica movimento. E não há movimento sem esforço e atrito.
A vida é dinâmica, jamais se estanca. Vibra serena e sem pressa, embora
nunca pare para esperar quem ignore seu ritmo.
Para existir, basta estar. Para viver, é preciso ser, por inteiro. E para
viver, ainda que existindo, é preciso ser estar e estar, num ser único.
Viver implica acreditar-se imortal e eterno, mesmo sabendo que nada é
permanente.
Viver implica progredir, ir adiante, avançar.
Viver é existir de todas as formas e em todas as dimensões, amando cada uma
delas.
Para viver, não basta ver, ouvir, pensar e falar, pois estas são
manifestações da existência. Para viver, é preciso sentir, mergulhar em si
mesmo e sair, novamente, para observar-se sem paixão.
Viver implica iluminar-se e, sob a luz da própria consciência, apontar os
próprios defeitos e limites.
Viver implica assumir a responsabilidade pelos próprios atos,
transformando-os todos em gestos de amor e compaixão.
Viver implica conhecer-se, profundamente, e, ciente de si, deixar de
enganar-se, trabalhando para mudar aquilo que não está bem.
Viver implica reconhecer, no universo, o próprio lar; nas humanidades
cósmicas, a própria família; na criação infinita, o próprio berço; e na
natureza a própria saúde e o único sustento.
Não há vida sem troca, não há troca sem perdas, não há perdas sem ganhos,
não há ganhos sem lutas, não há lutas sem dor, não dor sem razão; e não
razão fora da vida.
Viver é muito mais que existir, mas ninguém aprende a viver plenamente sem
existir, muitas vezes, de muitas maneiras.
Viver é transcender o que se pensa saber da vida, para assimilar-lhe a
verdadeira sabedoria.
Viver implica arriscar-se. E o maior risco é errar.
Mas viver também implica estar certo. E a maior certeza é a de que, a cada
erro, mais se pode aprender.
Para existir basta ter sangue nas veias e ar nos pulmões. Para viver, no
entanto, é preciso sangrar e sufocar-se de tanto amor.
Na existência, há apenas meias verdades e grandes mentiras, enquanto a vida
no conduz ao coração da única verdade absoluta.
Viver é manifestar-se sem tempo ou espaço; é ser fogo ardendo sempre, sem se
queimar; é verbo que não se conjuga, apenas se pratica; é palavra que não se
define, apenas se diz; é conceito que não se explica, apenas se vive.
Viver é estar no todo, sendo tudo, sem nunca esgotar-se.
Quem vive, canta por dentro, a despeito do silêncio exterior. Quem vive,
existe em todos os lugares, sem pertencer a nenhum. Quem vive, busca, em si
mesmo, o que deseja para o seu caminho e, quando encontra, volta a buscar.
Quem vive, não vê morte, apenas transformação; não morre, transmuta-se para
a vida; não nasce, apenas passa pela morte para viver.
Viver é ir mais, mudar sempre, virar-se e revirar-se, buscar o próprio
avesso, sem saber onde fica o direito.
Viver é enxergar a luz, mesmo nas sombras, e criar luz nas próprias trevas.
Viver é expandir a própria existência para além dos limites imaginados.
Viver é doar-se, sem pedir; é ceder, sem resistir; é entregar-se, sem
recear.
Quem vive, renasce um novo ser todos os dias.
Quem vive, tem a própria existência traçada a lápis e recria o próprio
destino, minuto a minuto, com a borracha da sabedoria e do perdão.
Quem vive, não sabe o caminho ou quando chegará, para sabe para onde está
indo.
Quem vive, continua na morte e recria-se ao nascer, sabendo que é preciso
morrer para nascer e é preciso existir para morrer.
Viver é ter na própria consciência uma única história, representada por
milhares de faces, nomes, episódios de milhares de existências.
Para viver, não basta existir, pois existir é pouco para um ser que nasceu
para ser Deus.
- Maísa Intelisano -
São Paulo, 02 de fevereiro de 2005.
"Seja feita a vossa vontade..." Jesus - Mateus 6:10
Quando a vida escolher-te para ser mais um dos que choram e se debatem diante das agruras do mundo, alegra-te e vai, pois somente os fortes e valorosos passam no difícil teste das adversidades.
Quando a incompreensão humana envolver-te o coração querendo embaçar-te os olhos, sorri e avança, pois só os mansos e corajosos superam o grande desafio da mágoa e da amargura.
Quando alguma enfermidade quiser te visitar, causando-te dor e preocupação, acalma-te e segue, pois só os serenos e confiantes suportam a pesada carga de um corpo enfraquecido.
Quando a escuridão da ignorância insistir em fazer-te tropeçar e cair, reergue-te e continua, pois só os perseverantes e determinados conseguem vislumbrar o caminho seguro com os olhos do espírito.
Quando o sol de tua existência esconder-se por detrás de grossas nuvens de incertezas, congratula-te e anda, pois só os que têm grande fé e vontade encontram respostas para todas as suas dúvidas.
Quando o frio vento da solidão invadir-te os dias, enregelando-te as noites, confia e persiste, pois só os que vigiam sempre com alegria podem vencer o desânimo e a tristeza.
Quando o mundo e os homens só te permitirem entrever o lado escuro e ruim das coisas, reanima-te e trabalha, pois só os que têm o coração repleto de luz e esperança sabem como enfrentar e mudar a dura realidade.
Quando a maledicência e a calúnia cruzarem o teu caminho trazendo-te angústia e sofrimento, acalma-te e espera, pois só as almas limpas de coração atravessam, ilesas, o mar das injustiças.
Quando o tempo implacável levar para longe teus entes queridos, tua juventude, tua ingenuidade, reflete e aceita, pois só os simples e humildes são capazes de reconhecer a sabedoria divina até mesmo nos momentos mais difíceis.
Quando a violência e a brutalidade dos fracos atingirem-te o corpo e a alma, dilacerando-te no mais íntimo, pára e pensa, pois só os que compreendem e perdoam recuperam-se dos golpes cruéis da ignorância.
Quando a decepção e o desengano frustrarem-te os sonhos e as oportunidades, deixando-te somente a perda e a desilusão, recompõe-te e age, pois só os que põem mãos à obra com otimismo e criatividade tiram tesouros até das mais negativas experiências.
Quando Deus convocar-te para o testemunho decisivo, chamando-te para servi-lO com amor e segui-lO com fé, carregando a cruz de tuas imperfeições, ora com devoção e agradece, pois só os espíritos verdadeiramente lúcidos resignam-se diante da vontade do PAI, compreendendo sua real condição, e aceitam e cumprem o seu dever, seguindo a vida sem desfalecer e amando sempre, sem desistir.
(Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano em março/1991).
Desvia teus olhos do chão poeirento onde descansas teus pés e ergue-os acima de teus ombros cansados e curvos. Tira tuas mãos da lama onde apoias teus joelhos e eleva-as acima do teu coração doído e desiludido. Arranca teu corpo do lodo escuro de que te vestes e oferece-o à luz que brilha acima de tua cabeça perturbada e confusa. Não é neste mundo pequeno e escuro que encontrarás a paz que procuras, mas é nele que juntarás provisões para as viagens que estão por vir.
Resgata teus pensamentos das sombras em que escondeste tua esperança e lança-os às ondas do Amor que vibra ao teu redor. Liberta a voz que calaste com medo das lembranças e solta-a de encontro ao vento que renova a Vida e os ideais. Deixa que fluam todos os teus sentimentos aprisionados na frieza do tempo e verte-os como seiva divina no solo dos corações alheios. És filho legítimo do Universo, mas, enquanto fores filho adotivo da Mãe Terra, é nela que alimentarás o espírito, dia após dia, preparando-te para o tempo que há de vir.
Tudo o que procuras está ao teu alcance. No entanto, não podes ver senão aquilo de que te podes valer para crescer. Deixa que a poesia de cada momento te faça ver o que é mais precioso ao teu espírito no minuto presente.
Não te deixes prender pelo passado e não faça dele a tua referência. Conserva dele apenas as grandes lições gravadas pelo coração. Elas te indicarão o melhor caminho a seguir em direção ao teu destino.
Não te deixes, tampouco, iludir pelo futuro. Busca nele apenas a certeza do amparo divino que te orienta e sustenta sempre. Ele te dará forças e discernimento para escolher o melhor aqui e agora.
Sentes-te fraco? Busca a luz que vivifica! Sentes-te só? Busca a companhia que está em toda parte! Sentes-te frio? Busca o calor que gera a Vida! Sentes-te desorientado? Busca a bússola que guia os átomos e as estrelas! Sentes-te desolado? Busca a alegria que vibra em tudo! Sentes-te morrer? Busca o alento daquele que vive sem ter nascido!
Nunca estarás perdido se te fizeres visível ao invisível, percebido pelo imperceptível, tangível para o intangível. Abstrai-te de ti mesmo para que te possas compreender plenamente e, compreendendo-te, sintas o Amor que permeia tudo.
Observa que em tua essência vibram átomos luminosos do Divino. Deixa que esses átomos assumam o controle e preencham o vazio que trazes n'alma. Em verdade, nada há de vazio que já não esteja pleno do Amor que É. Basta apenas que prestes atenção ao que está sendo proclamado em tuas entranhas: AMA!
E amando, sê luz! Luz para ti e para todos os que seguem cegos pelo mesmo chão poeirento em que descansas teus pés, em meio às mesmas sombras em que escondeste tua esperança...
Paz e Luz!
(recebido espiritualmente por Maísa Intelisano em 20 de janeiro de 2003 em São Paulo)
Só se pode falar daquilo que se conhece bem. Ninguém consegue identificar, descrever ou apontar aquilo que não conhece. Uma questão de lógica, de coerência.
Tudo o que identificamos e apontamos nos outros, é justamente o que está bem identificado e reconhecido dentro de nós. Não adianta nos enganarmos. Aquilo que ainda ignoramos nos passa em branco e não pode nos incomodar, pois não sabemos do que se trata. Já tudo o que conhecemos nos amedronta, justamente pelo medo que temos de sermos desmacarados.
Aquilo que nos incomoda nos outros, é justamente o que se remexe dentro de nós tentando se esconder.
Aquilo que nos revolta no mundo, é justamente aquilo que se debate no nosso peito, fugindo da nossa própria consciência.
Aquilo que nos enoja no ser humano, é justamente o que nos constrange a mente e faz encolher a alma diante do espelho.
Aquilo que condenamos nos outros, é justamente o que temos de mais o vergonhoso em nossa própria memória.
Aquilo que nos faz ferver o sangue de indignação, é justamente o que de mais indigno trazemos dentro de nós.
Condenamos o ladrão que se apropria dos bens alheios, mas não reconhecemos o ladrão que há em nós quando roubamos a paz e a alegria de outras pessoas.
Condenamos a prostituta que vende o corpo para sobreviver, mas nem sequer olhamos para a prosmicuidade da nossa própria alma, vendendo-se a quem oferecer mais elogios, mais agrados, mais vantagens.
Condenamos o viciado que se aliena envenenando o próprio corpo, mas não vemos a alienação voluntária a que nos entregamos ao buscarmos a embriaguês do supérfluo.
Condenamos a violência descontrolada dos que matam indiscriminadamente, mas não enxergamos violência na indiferença com que olhamos as pessoas na rua.
Condenamos a corrupção pública, mas ignoramos propositalmente a forma como corrompemos nossos próprios filhos ao premiá-los pelas notas, pelos diplomas, pelos sucessos.
Condenamos a maledicência alheia, mas não nos furtamos a disparar nós mesmos o boato quando dele podemos tirar vantagem.
Apressamo-nos em desmascarar a hipocrisia que anda à nossa volta, mas guardamos a sete chaves o falso moralismo com que nos defendemos das acusações da vida.
Todos temos o dedo torto e cheio de verrugas, como os dedos feios que inventamos para as bruxas dos contos infantis, e é com esse dedo que apontamos o dedo de bruxa dos outros. É com esse dedo defeituoso que pretendemos apontar o caminho reto para os outros. É com esse dedo deformado que queremos ressaltar o defeito nos dedos dos outros.
Mas um dia o corpo tomba e, com ele, cai também a máscara que insistimos em carregar pela vida afora. E quando isso acontecer, não será necessário que dedos alheios nos venham apontar as deformidades e os defeitos, pois, em oposição ao dedo que trazíamos sempre apontado para os outros, estarão três outros dedos nossos, completamente disformes e endurecidos, que sempre estiveram ali nos alertando, mas que nunca tivemos coragem de saber para onde apontavam.
(recebido espiritualmente por Maísa Intelisano - junho/2003)
"Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." Jesus - João 5:17
Quem deseja milagres espera sempre progredir através deles e, se os pede em orações e pensamentos, é porque deseja realmente alcançar alguma coisa melhor.
Na verdade, todos nós aprendemos, desde cedo, que progredir é uma necessidade, uma obrigação, e que milagres não acontecem.
No entanto, nós nunca nos interessamos em perguntar o por quê de progredir, a cada minuto, em toda as atividades a que nos dedicamos, com toda a energia, como se isso fosse um instinto, um chamamento...
Todos nós buscamos, ainda que inconscientemente, o progresso e, no fundo, o milagre também, em nosso caminho. Mas será que trabalhamos o suficiente para isso?
Será suficiente apenas a nossa esperança em dias melhores para trazer a felicidade e a harmonia ao nosso lar?
Será bastante unicamente a nossa fé sincera para conduzir- nos, em espírito, à luz e à paz?
Será eficiente somente a nossa prece sentida para curar e restabelecer o ente querido ferido ou adoentado?
Será possível conseguirmos que os outros acreditem em nossas boas intenções apenas por nossas palavras?
Será que o dinheiro cairia do céu se nos puséssemos a acreditar nisso fielmente e passássemos a pedi-lo e esperar por ele 24 horas por dia?
Sinceramente, acredito que não, pois os milagres vêm como resposta e reflexo do nosso esforço sincero e dedicado nas tarefas que nos são destinadas e às quais nos entregamos.
Só aprendemos se nos damos ao trabalho de estudar. Só nos curamos se nos damos ao trabalho de nos tratar. Só conquistamos a confiança de alguém se nos damos ao trabalho de agir corretamente com ele, demonstrando o quão confiáveis somos. Só crescemos se nos damos ao trabalho de nascer. E só renascemos porque almejamos, ardorosamente, o progresso de nós mesmos.
Eis o milagre! A vida é um constante trabalho de progresso e evolução, e isso, por si só, já é um milagre!
Somos todos nós milagres divinos e para que estes milagres não se tornem estáticos e percam sua beleza é preciso que todos nós busquemos a melhora interior, a reforma íntima, o crescimento espiritual...
Tudo e todos progridem a todo instante mesmo quando não querem e, para isso, tudo e todos trabalham continuamente, mesmo que não percebam.
Mas não seria melhor trabalharmos conscientemente no sentido de alcançarmos o que desejamos?
Os milagres podem acontecer a cada passo de nossa vida se nos propusermos a usar toda a nossa capacidade no serviço construtivo. Por isso, se quisermos progredir efetivamente, devemos sempre nos dar ao trabalho de viver intensamente, com todas as energias, sem medo, sem preguiça, com muita fé, alegria, esperança e amor pela vida e pelo trabalho que ela nos dá.
A você nos dirigimos para colocá-lo a par dos nossos últimos feitos. Não que exista algo que você não conheça, mas porque, assim agindo, colocamo-nos em dia conosco mesmo. Você sabe que já aprendemos a reconhecer sua vontade sábia e amorosa, no entanto, custa-nos ainda aceitá-la justa. Cremos nisto, mas nossos sentidos encontram-se ainda presos às sensações imediatas e a aparência acaba falando mais alto ao nosso espírito. Temos tentado estar em contato com você pelos mais variados meios e sempre que possível, mas parece que os nossos aparelhos íntimos de comunicação celestial encontram-se necessitados do reparo da prece. Nosso empenho é grande, como você bem sabe, mas o embotamento de que padece a nossa fé ainda nos atrapalha o intento. Entretanto, já conseguimos perceber você em muitos lugares, sob as mais diversas formas. Sua manifestação variada causa-nos deslumbramento, embora, às vezes, ainda não a saibamos apreciar à altura. Somos céleres em pedir e suplicar o seu concurso, isto somos. E quantas vezes não somos também precipitados nos pedidos que a dirigimos a você. Sentimos a sua sublime presença através dos incontáveis mensageiros que nos envia todos os dias e somos imensamente gratos a você pelo tanto que nos ampara. Por isso, nesta humilde carta, gostaríamos, sobretudo, de agradecer, mas, se possível, também fazer uma pequena solicitação. Recrute-nos para o seu serviço abençoado e, para ele, prepare-nos através da sua luz e da sua misericórdia, pois se ainda falhamos em tantos pontos da vida infinita, num já nos encontramos conscientes: o de querer sinceramente aprender para crescer. E assim, por sua atenção, a nossa gratidão, o nosso amor e o nosso respeito. Seus filhos
SERES HUMANOS
Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano, na Seara Bendita Instituição Espírita, em 24/02/97.
Ciência e religiosidade de modo algum são conceitos opostos. Ao contrário, eles podem e devem se complementar, engrandecendo e elevando a mente humana.
Já é tempo de se levar o Religião ao campo científico, a fim de que os preceitos de moral ali contidos possam orientar as pesquisas e experiências de modo saudável e condizente com a Lei Maior.
Assim também, é chegada a hora de levar a Ciência à Religião, de modo que a primeira, através do raciocínio lógico e claro, possa explicar muitos conceitos que ainda se encontram obscurecidos pelos dogmas e crenças insensatos desenvolvidos e transmitidos ao longo dos séculos.
Allan Kardec, não trouxe, de fato, nova doutrina ou religião, mas trouxe, sim, o ensinamento maior de que, com estudo e dedicação, tudo poderia ser aclarado com o tempo.
Tudo o que ocorre ao nosso redor é obra divina e, como tal, obedece à Lei Maior que rege o universo. E, quando dizemos tudo, incluímos aí também aquilo que, de alguma forma e por algum motivo, ainda não compreendemos.
A Lei é uma só, mas estamos longe de alcançá-la com a nossa compreensão. Daí, portanto, a necessidade de mantermos vivo, em nossa mente, o conceito de dinamismo e abertura que o próprio Kardec colocou como características da doutrina que ele codificou e que tão bem serve de referência a outras doutrinas.
Esse movimento progressivo de estudo e esclarecimento, no entanto, não deve jamais deixar de lado o preceito maior de todas as Religiões: o amor ao próximo! Amor que subentende respeito, aceitação, troca e instrução mútua para a evolução conjunta da humanidade.
É hora de abrirmos mente e coração para o futuro que já estamos vivendo. Mente aberta para as idéias que esclarecem e libertam da ignorância. Coração aberto para os sentimentos renovadores que irmanam e impulsionam os homens para Deus.
Sejamos todos espíritas e espiritualistas convictos, mas sejamos, antes de mais nada, praticantes!
(*) MIRAMEZ
Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano em 10/12/96.
NÃO BASTA TER FÉ
"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma."
Tiago 2:17
Olhando uma semente, ainda que pequena e inerte, o lavrador jamais
duvida que dentro dela está guardada a promessa de uma nova planta,
completa e perfeita. E, mesmo que não compreenda o que acontece
com ela, ele nunca deixa de colocá-la na terra com suas próprias
mãos, cuidando e regando todos os dias até que a promessa se
cumpra.
Quando o pescador vê o mar, mesmo que distante e quieto, jamais
se pergunta se continuam lá os mesmos peixes a nadar. E, mesmo
sem pensar no por quê, sai ele a conduzir seu barco, a jogar sua
rede, dia após dia, ano após ano, a fim de garantir seu sustento.
Mesmo no pedaço tosco de madeira, ainda sujo e desforme, o
carpinteiro já enxerga a bela peça em que ele pode se transformar.
E, tomando de suas ferramentas, sem vacilar um só segundo, serra,
bate, lixa, até tornar real aquilo que só ele visualizava.
Nenhum deles, na sua simplicidade, conhece exatamente a ciência de
seu trabalho, mas todos sabem, instintivamente, que, se não investirem
esforço próprio, jamais chegarão a ter aquilo que acreditam ser possível
e que tão bem sabem fazer. E a semente seria sempre semente, os
peixes nunca deixariam o mar e a madeira rústica jamais ganharia
forma e beleza.
O que eles sabem por impulso, nós, no entanto, sabemos por
conhecimento. Nenhuma idéia se realiza se nós não colocarmos a
vontade a serviço dela. E a vontade nasce e se alimenta de esperança,
de confiança e, principalmente, de fé. A fé que nós aprendemos a ter
no plano divino. A fé que nos faz acreditar que Deus está em tudo,
acreditar que o Amor é a única Verdade, acreditar que um novo tempo
está por vir, acreditar que é preciso acreditar. Mas será que isso é
suficiente?
O irmão faminto, mesmo sem ver o alimento, também acredita que
um prato de comida aliviaria a sua fome, no entanto, isso não basta
para que o alívio venha...
A criança abandonada, mesmo sem conhecer um lar, também acredita
que estaria muito melhor se tivesse uma família, mas isso não é
suficiente para que os pequenos deixem os orfanatos e as esquinas do
mundo...
O idoso esquecido, mesmo que só tenha ouvido falar em carinho,
também acredita que um pouco de atenção lhe traria muito conforto,
porém, só isso, não faz com que os asilos se encham de risos e
alegria...
A maioria dessas pessoas, infelizmente, não tem como colocar mãos
à obra, mas continua acreditando, apesar da dor.
Eles acreditam e nós sabemos... Eles apenas sofrem e nós sabemos
porque sofremos... Eles sobrevivem, enquanto nós vivemos... Eles
têm esperança, inconscientemente, e nós esperamos,
conscientemente...
Será que estamos todos nas mesmas condições? Não e, no entanto,
somos nós quem tem mais a ganhar, porque enquanto nós podemos
distribuir daquilo do que nos sobra, eles podem apenas nos retribuir
com aquilo que têm: gratidão e carinho, ensinando-nos que o que
valoriza a fé não é o que nós podemos pensar ou dizer dela, mas o
que ela pode nos levar a realizar de bom ao nosso redor.
A fé que guardamos no Amor Divino é essencial, mas as obras que
nascem da fé que guardamos no Criador são o que há de nos tornar
verdadeiros espíritos de luz.
Afinal, parafraseando o refrão tão popular: não basta ter fé. Tem
que participar!
(Maísa Intelisano - agosto de 1998)
PRECE DOS PAIS
Pai nosso que estás nos céus, vela com carinho pelos pais que se dedicam e
se esforçam, sofrem e pedem por seus filhos aqui na Terra...
Santificado seja o teu nome para que os filhos da carne possam agradecer a
dádiva de poder ter a figura de um pai, ainda que desconhecido, para
louvar...
Venha a nós o teu Reino, pois é dele que emana esse sentimento paternal,
essa afeição especial que une pais e filhos...
Seja feita a tua vontade, agora e sempre, assim na Terra, entre os pais e os
filhos que ainda desfrutam da oportunidade terrena, como no céu, onde os
pais e os filhos que tu chamaste para o outro plano choram a saudade da
distância momentânea em que se encontram...
O pão nosso, de cada dia, dá-nos hoje e permite que ele nunca falte onde
quer que haja um pai a buscar alimento para o corpo e o espírito de seus
filhos...
Perdoa as nossas dívidas e dá entendimento aos nossos filhos para que eles
também possam nos perdoar os erros de ontem e de hoje, assim como nós
perdoamos aos nossos devedores, especialmente os filhos queridos que tu, em
tua infinita sabedoria, puseste em nosso caminho...
E não nos deixes cair em tentação, pois grande é a nossa fraqueza diante do
ciúme e do egoísmo que o nosso sentimento de amor, ainda imperfeito, nos
inspira, mas livra-nos de todo o mal, para que sejamos os pais que os nossos
filhos esperam e necessitam para vencer as agruras desta vida e ganhar as
bênçãos da verdadeira vida que está por vir...
Pois teu é o Reino para onde devemos conduzir nossos filhos, o Poder no qual
devemos ensiná-los a ter fé e a Glória a que devemos, pais e filhos, louvar
e agradecer, para todo o sempre...
Que assim seja, Senhor, para que todos nós, os pais da Terra, lembremo-nos
sempre do compromisso assumido contigo e não abandonemos ao relento
espiritual os filhos que são teus, mas que achaste por bem confiar aos
nossos cuidados...
Graças a Ti!
(Recebido espiritualmente por Maísa Intelisano em agosto de 1993)
Como é lindo, Mãe, ver brotar flores espirituais das chagas humanas. Cada ferida aberta na carne é como um portal de saída para as impurezas do espírito. Cada dor que castiga a casca humana fortalece o ser espiritual em sua caminhada infinita.
É preciso compreender que a injustiça não existe, a não ser nos olhos de quem a vê. Cada dor, cada lágrima, cada ferida, experimentada na passagem carnal, acende uma luz no coração de quem a vive, iluminando-o por dentro e a muitos que estão em volta.
Os planos de Deus são perfeitos, ainda que a compreensão humana não os alcance em profundidade. E todos somos planos de Deus, projetos divinos fadados ao sucesso.
Como é lindo, Mãe, sentir no peito esta certeza, saber que Deus está em tudo e que, portanto, tudo está bem, tudo está certo, tudo está no lugar.
Como é lindo, Mãe, provar da tua doçura e poder dividi-la com quem só traz amargor em seu coração.
Como é lindo, Mãezinha, saber que estamos todos em teu coração e nas mãos de Deus... Seguros, protegidos, vivos...
Não há, no Universo, Mãe, sentimento mais sublime que este. Não há, para nós, Mãezinha, sensação mais inebriante que a de saber-se vivo, movido a luz e amor, na certeza de que nada pode apagar a chama viva que queima em nós, sem nos consumir, pois esta chama é amor puro partindo diretamente do Criador.
Como é doce, Mãezinha, enxergar a tua beleza serena, que embala milhares de consciências entregues à negação e à morte.
Como é linda, Mãe da Vida, a tua doçura terna banhando frontes cansadas, enchendo corações vazios, reaprumando vidas desorientadas.
À tua volta, Mãe de Luz, estão teus filhos. Cabeça baixa, mãos estendidas, esperam merecer de ti apenas uma gota da seiva divina que brota abundantemente de teu coração.
Mãe de Alegria, espalha pelo mundo esta ternura de que és feita para que os homens possam ver-te em espírito em cada olhar.
Mãe da Fortuna, Semeadora da União, faz brotar em cada mão as flores de tua paz infinita, para que cada afago seja uma bênção e cada abraço, um banquete espiritual.
Mãe de Plenitude, Senhora da Harmonia, que o teu amor possa resgatar cada consciência perdida, para que todos possamos ver nossa própria luz interior.
Seja a tua beleza o que vemos em nós mesmos, para que sejamos capazes de enxergar Deus em cada um.
Mãe de Compaixão, Mensageira da União, que a tua inspiração possa nos mostrar o caminho reto por entre a floresta de nossos erros.
Sabemos que não estamos sós, mas, muitas vezes, nos sentimos solitários, invadidos que somos por nossas próprias dúvidas e ilusões.
Que a firmeza doce e serena de tua presença possa sempre nos envolver, fazendo-nos fortes o bastante para enfrentar as dores da humanidade, reflexos de nós mesmos no mundo em que vivemos.
(recebido por Maísa Intelisano em 22/04/04, durante uma das reuniões do IPPB-GOD - Grupo de Orientação a Desencarnados).
Levando a teoria ao pé da letra, o estagiário tem razão... Prestem atenção nessa interessante pesquisa de um estagiário...
Um sinal de trânsito muda de estado em média a cada 30 segundos (30 segundos no vermelho e trinta no verde), então, a cada minuto um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$ 0,10. O que numa hora dará 60 x 0,10 = R$ 6,00. Se ele trabalhar 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá faturado 25 x 8 x 6 = R$ 1.200,00. Será que isso é uma conta maluca?
Bom, 6 reais por hora é uma conta bastante razoável para quem está no sinal, uma vez que, quem doa nunca dá somente 10 centavos e sim 20, 50 e às vezes até 1 real, mas tudo bem. Se ele faturar a metade, 3 reais por hora, terá R$ 600,00 no final do mês.
Que corresponde a um salário de um estagiário (bem remunerado) com carga de 35 horas semanais ou 7 horas por dia.
Ainda assim quando vc consegue uma moeda de R$1,00 (o que não é raro), você pode descansar tranqüilo debaixo de uma árvore por mais 9 viradas do sinal de trânsito, sem nenhum chefe pra encher por isso. Mas tudo isso é teoria, vamos
ao mundo real.
De posse destes dados fui entrevistar uma mulher que pede esmolas, a qual sempre vejo trocar seus rendimentos na Panetiere (padaria em frente ao CEFET).
Então lhe perguntei quanto ele faturava por dia. Imaginem o que ela respondeu? O que foi? Será? É isso mesmo, de 20 a 25 reais em média, e ela disse que não
mendiga 8 horas por dia.
Moral da História: É melhor ser mendigo do que estagiário. Estagiário é sinônimo de Mendigo. Se esforce como mendigo e ganhe mais do que um estagiário. Estude a vida toda e peça esmolas. É mais fácil e melhor que arrumar emprego.
Assinado,Estagiário Revoltado PS.: Você tem R$ 0,10 para me dar?
Uma pedra é sempre uma pedra. A essência é sempre a mesma, não importa a análise que façamos. E, embora às vezes nos esqueçamos, sua origem é também divina, tal como tudo e todos que nos rodeiam.
No entanto, vale a pena nos questionarmos...
Que idéia fazemos das pedras em nossa vida? Negativa ou positiva?
Que finalidade costumamos dar às pedras que a vida nos dá? Destrutiva ou construtiva?
Com o que comparamos as pedras que chegam às nossas mãos? Com armas ou ferramentas?
Em que momentos as pedras nos parecem mais presentes? Nas tristezas ou nas alegrias?
Como encaramos as pedras em nosso caminho? Com pessimismo ou otimismo?
Com que intenção buscamos pedras em nosso dia a dia? Para agredir ou trabalhar?
Como reagimos às pedras que nos oferecem? Com desconfiança ou satisfação?
As variações de cada pedra neste mundo estão em nós mesmos, pois a mesma pedra que para nós é um obstáculo, para o outro pode ser um instrumento de trabalho ou material de construção. O que muda, na verdade, entre uma circunstância e outra, entre a nossa visão e a do outro, é a própria disposição interior de cada um no momento em que se vê face a face com a pedra de cada dia.
Assim também, independentemente de estarmos bem conosco mesmo ou não, a vida e o mundo são o que são. Cabe a nós nos colocarmos de forma ativa ou passiva diante deles. Cabe somente a nós encararmos as pedras da evolução e amortecermos as pedradas da vida, recolhendo desespero ou esperança, malefícios ou benefícios, em qualquer ponto da nossa caminhada.
E, mais importante que tudo, procuremos refletir: que tipo de pedra trazemos dentro de nós? O cálculo doloroso ou a jóia lapidada?