Leiam as declarações do governador do Distrito federal, José Roberto Arruda, acerca da questão indígena envolvida no planejado Setor Noroeste, um projeto imobiliário da Terracap/GDF, abençoado pelo vice-governador e empresário do setor, Paulo Otávio, em área de recarga de aquífero localizada no entorno do Parque Nacional de Brasília.
No local - utilizado por diversas etnias de povos indígenas para a celebração de cultos e rituais, residência de famílias e abrigo certo para crianças, mulheres e homens índios que vêm à capital do país - está construído o Santuário dos Pajés, uma construção humilde, erguida com técnicas alternativas de bioconstrução, onde mais de vinte anos de uso indígena ajudou a preservar o que resta de áreas de preservação permanente de mananciais de água, e uma ainda exuberante amostra de plantas
e animais e da avifauna do bioma Cerrado. O Santuário é uma última fronteira de resistência ao núcleo urbano, a menos de 3 km de uma unidade de conservação de proteção integral, e tem sua consideração prevista no direito constitucional brasileiro.
Pelo viés de suas declarações, o governador do DF merece o troféu racismo, injustiça e intolerância ambiental. Eis trecho de sua entrevista, concedida dia 17 de abril e publicada dia 18, véspera do Dia dos Índios:
Jornal da Comunidade: Sobre o Noroeste, algum avanço em relação à questão dos índios que ocupam o lugar?
Governador Arruda: Olha aqui: se os índios tivessem chegado naquela área antes do descobrimento do Brasil ou pelo menos antes da inauguração de Brasília, seria razoável discutir. Os índios estão lá há pouco mais de dez anos, porque um determinado dia foram dormir em Brasília, mas não tinha vaga nas pousadas, fizeram acampamento ali e botaram umas barraquinhas. Essa discussão é ridícula.
Jornal da Comunidade: Mas tem dado algum trabalho ao GDF?
Jornal da Comunidade: Mas tem dado algum trabalho ao GDF?
Governador Arruda: Nenhum. É uma bobagem. Tem que se respeitar direito de terra de índio antes do descobrimento do Brasil ou, no caso de Brasília, antes da inauguração da cidade. Não havia ocupação indígena aqui. Depois que se faz a
cidade, ocupa-se um pedaço e diz: é meu. Isso é uma discussão bisonha.
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| Política 18.04.2008 | Atualizado 20:06hs | |||||||
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| "Eu quero a cidade organizada" | |||||||
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| Ricardo Callado rcallado@jornaldaco munidade. com.br Walberto Maciel wmaciel@jornaldacom unidade.com. br Fernando Brito fbrito@jornalcoleti vo.com.br | |||||||
| Na última quinta-feira (17), o governador José Roberto Arruda (DEM) recebeu a equipe de reportagem do Jornal da Comunidade para uma entrevista exclusiva. O encontro atrasou quase meia hora. Na sala de espera, sinais da moderna
política brasileira. Em um canto, fotos com líderes democratas: o deputado federal Rodrigo Maia (RJ), presidente do partido, e o ex-senador Jorge Bornhausen. Do outro lado, pose amigável e sorridente com o presidente Lula, outrora adversário. Na mesa de centro, uma edição especial do clássico Grande sertão: Veredas, de Guimarães Rosa, em capa branca e letreiro bordado com linha vermelha. "Já havia lido livro antes, mas ganhei de presente essa linda edição recentemente" , Arruda comentaria mais tarde. |
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