O amigo é realmente muito gentil, mas digo-lhe que a informação não é
tão surpreendente. Hoje, os leitores de telas são muito poderosos. Há
como operar Word, Excel, Internet Explorer, Winamp, Outlook, Nero,
Sound Forge, antivírus, compiladores, interpretadores etc. A questão
é que o país é injusto e a porção majoritária dos cegos está alijada
de todos estes recursos. Hoje, é possível formatar um documento e
saber quantos centímetros faltam para que se complete a página. É
possível saber se a borda de uma célula do Excel é grossa ou fina. É
possível jogar audiojogos para cegos no computador. É possível
compilar scripts de automação para o leitor de telas. É possível ler
em inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, finlandês, búlgaro,
croata, russo, esperanto etc. É possível receber um documento em sua
mesa no trabalho e, após digitalizá-lo por meio de um scanner, lê-lo
no computador com o leitor de telas. Já há leitores de telas para
Linux e também para celulares. É possível conectar o micro a uma
linha Braille e tatear complexas estruturas gráficas. Há ainda
diversos outros recursos, mas que são ainda caros e por isso com eles
não tive contato. Felizmente, meu amigo, a vida para os cegos deve
melhorar muito, realmente muito nos próximos anos e disso tomam parte
todos os desenvolvedores que lutam pela acessibilidade e que
desenvolvem ferramentas especializadas. Minha gratidão com esta
classe de profissionais é realmente imensa.
Quando tive o meu primeiro contato com o Python, imaginei que não
conseguiria, afinal, há o uso de recuos de margem. Então, descobri
mais um recurso do leitor de telas. Associei um beep à tabulação e
assim, sei a distância da margem pelo número de beeps.
Em relação à minha questão, estou em dúvida se fico com o Python 2.5
e com o Sqlite e tento resolver o problema da compilação; se volto
para o 2.3 sem Sqlite e com boa compilação e tento achar o Sqlite ou
se tento descobrir como os módulos PYC e Pyd do programa que
mencionei puderam conviver com executáveis e DLLs. Na pior das
hipóteses, fico com Pascal ou C para compilar o TK e o Python para
tudo que rode em segundo plano. Também há a possibilidade do PHP.
Montar a interface em HTML é simples, mas há recursos que não se
podem ter acesso com aplicações web. Se, por falar em tantas
linguagens, julga-me programador, engana-se. Produzi realmente muito
pouco. O que sou é muito curioso e tenho desejo de melhorar.
--- Em python-brasil@..., Raphael <raphox.araujo@...>
escreveu
>
> Cara! não vou tomar muito seu tempo, e me desculpe por não pode lhe
ajudar,
> mas estou de boca aberta aqui.
> Programador, lê gmail, desenvolve interface gráfica, participa de
um grupo
> de discussão e é cego.
> Cara Deus te abençoe muito na sua vida, com pessoas assim eu
descubro que a
> vida vale a pena, parabéns.
>
> 2008/10/29 luchyanus <luchyanus@...>
>
> > Caros,
> > Iniciei-me em Python. A linguagem possui elegância e seus recursos
> > são poderosos. Efetivamente, digo-lhes que apreciei muitíssimo
> > programar em Python. Agora, vejo-me às voltas com a biblioteca
> > Tkinter. Criei botões, caixas de texto e de lista. Tudo muito
> > amigável. Porém, tive um problema. Sou cego e valho-me de leitor
de
> > telas para programar.
> > Leitores de telas possuem hoje grande quantidade de recursos,
> > especialmente se falamos do ambiente Windows. Mover-se por
janelas e
> > botões é questão muito trivial. Entretanto, estranhamente a
interface
> > gráfica gerada por Tkinter possui acessibilidade precaríssima.
Era o
> > fim do meu entusiasmo. Mas insisti. Baixei o Py2exe. Quando
> > compilados, meus scripts tornaram-se inteiramente acessíveis. Sem
a
> > mudança de uma única linha de código, quando compilados, os
scripts
> > apresentavam controles convencionais que podiam facilmente ser
> > identificados pelo leitor de telas.
> > Esta experiência bem sucedida foi feita com Python 2.3 e Windows
XP.
> > Entretanto, desejava também utilizar o Sqlite3 e, por isso,
atualizei
> > para o Python 2.5. atualizei também o Py2exe, porém, desta vez ele
> > não funcionou. Fiquei, portanto, com o Sqlite, mas sem o Py2exe.
> > Disso concluí que a linguagem interpretada gera códigos que não
podem
> > ser lidos adequadamente por meu leitor de telas. Pensei em
abandonar
> > o Python, mas isto, faria com muita pena, visto que apreciei
> > muitíssimo os seus recursos.
> > Acharia muito natural que os amigos perguntassem porque faço tanta
> > questão de interface gráfica se sou cego. Por que não programo em
> > modo texto? O motivo é que, com os leitores de tela, inteiramente
> > voltados para o Windows, embora o modo gráfico seja inteiramente
> > acessível, o conforto que se tem com janelas e botões é
> > consideravelmente maior.
> > Então, deparei-me com o NVDA, leitor de telas desenvolvido em
Python.
> > Em sua pasta de instalação, encontrei executáveis e DLLs. "Bem, o
> > programa é compilado!". Entretanto, verifiquei ainda que havia uma
> > grande quantidade de módulos em pyc e pyd. "O programa é
> > interpretado?" Como será possível se o interpretador não estava
> > instalado? Há como compilar algumas rotinas, em especial aquelas
que
> > dizem respeito ao TK, e interpretar o resto? Há outra alternativa
ao
> > Py2exe que gere compilados menores? Alguém tem alguma hipótese do
> > porquê o leitor de telas não lê a janela interpretada e, sem
qualquer
> > problema, fá-lo com a janela compilada? Alguém sugere qualquer
outra
> > coisa?
> > Luciano de souza
> >
> >
> >
>
>
>
> --
> Raphael Almeida Araújo
> Homepage: http://sites.google.com/site/raphoxaraujo
>
>
> [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
>