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Re: [psicopedagogiabrasil] EAD e alfabetização "A distância"   Lista de mensagens  
Responder | Encaminhar Mensagem #2825 de 3300 |
Oi Nivea..
 
Bem, como vivemos numa democracia, devemos ouvir a opinião de todo mundo.
Sobre o questionamento que você enviou anteriormente sobre as supervisões, provavelmente foi em período letivo, onde a maioria de todos nós estávamos envolvidos até o pescoço com nossas atribuições escolares.
Duas perguntas suas chamaram bastante a minha atenção. "Onde está o desenvolvimento da reflexão, da consciência crítica? Onde está a produção,  a autoria? "
Primeiro, durante um certo tempo, ganhei minha vida fazendo trabalhos de curso, monografias até para pós. E 100% dos alunos eram de cursos presenciais, inclusive de instituições conceituadíssimas como a PUC, USP, UNESP, UNIFEI, UNIFAL, UFLA, UNICAMP. Teve até dois casos que tive me que dirigir até Assis, para dar assessoria a uma jovem que havia comprado de mim sua monografia. Lembro que sou totalmente contra isso, mas na época, em virtude de desemprego, foi a única forma que consegui para não passar fome.  Estas duas perguntas que você fez não devem ser direcionadas somente a Ead não, mas para nossa educação em geral. O Brasil virou uma fábrica de curso superior, e hoje qualquer cidade com mais de 15 mil habitantes tem sua faculdade. Educação virou comércio, não prioridade. O resultado disso está na grande reprovação de cursos por parte do Mec hoje em dia. Acredito, que o aluno que se forma pela Ead tem vantagens no sentido de desenvolver sua reflexão critica e principalmente, na questão autoria. Temos que nos virar, pois não temos professor em sala de aula, embora os tutores à distância e presenciais nos ajudam muito.
Eu já tenho curso superior(direito), e hoje faço gradução em pedagogia. Fiz Direito(e exerço a advocacia) na PUC. Minha gradução em pedagogia é totalmente à distância pela UFJF, somente com provas presenciais. A universidade traz até a gente oficinas presenciais, mas não são de presença obrigatória. O nível de assistência da minha faculdade à distância em relação à presencial que fiz foi muito maior, mesmo não existindo a relação presencial professor x aluno. Inclusive, até na minha profissão, a Ead tem auxiliado no meu poder argumentativo e na forma de pesquisar/estudar.
Finalizando, continuo defendendo a Ead, embora existam algumas instituições particulares que entraram neste negócio de ocasião.
O mal aluno, vai ser ruim tanto na faculdade presencial quanto na faculdade à distância.
 
 
 
 
----- Original Message -----
Sent: Sunday, July 12, 2009 11:23 PM
Subject: Re: [psicopedagogiabrasil] EAD e alfabetização "A distância"

Olá a todos ! Sou Nívea e venho me manifestar aqui sobre a polêmica a respeito das opiniões sobre EAD. Eu concordo fortemente com Paulo. E vou fazer a opção de ser provocativa agora (sem compromisso com regras de ortografia na web, ok?) pois acredito que bons profissionais e bons seres humanos precisam olhar pra si mesmos com menos condescendência.

Chama minha atenção fortemente neste grupo a falta de discussões críticas tanto teóricas quanto metodológicas, até a enrtada de Paulo ( cujo trabalho acompanho há algum tempo, inclusive em outro grupo de discussão e sempre se coloca aberto ao debate teórico, científico, como deve àqueles que se proponhem algo além de mera reprodução). Olho com preocupação a solicitação de troca de materiais sem nenhuma solicitação de embasamento terórico, que é corriqueira aqui neste grupo. Recordo aqui, inclusive, colegas que enviaram mensagens, ditos psicopedagogos, fazendo questionamentos básicos sobre o que é a EOCA, sobre alguns instrumentos de diagnóstico, ou emsmo perguntando sobre como fazer o diagnóstico, etc. Teve até gente perguntando o que era o WISC e pedindo que mandassem por email!

Gente, numa boa, sinto muito se doer, mas quem fez um curso superior decente e uma especialização decente não fazem esse tipo de solicitação tão elementar e equivocada. E me assusta ainda mais que as solicitações são geralmente sobre instrumentos, sem nenhuma discussão sobre a base teórica que fundamenta aquele instrumento.  Uma vez eu até joguei um questionamento aqui no grupo, sobre como estavam as supervisõs profissionais nas cidades de vocês e NINGUÉM me respondeu. Dadas as solicitações anteriores e o silêncio como resposta, deduzi que os psicopedagogos aqui não fazem supervisão ( pelo menos em sua significativa maioria) , que é um dos requisitos da Associação de Psicopedagogia para o reconhecimento do profissional. Fiz esse questionamento por que se houvesse a supervisão a troca seria em outro nível, e não na base das solicitações de instrumentos.  FIco chocada com ese tipo de postura, que me parece de optar pela facilidade, pelo pronto, pelo consumo imediato. Teve gente até que pediu slides prontos para uma aula que iria dar! Eu acho isso alarmante, quando falamos de um grupo profissional. Onde está o desenvolvimento da reflexão, da consciência crítica? Onde está a produção,  a autoria? Onde está a construção metodológica e teórica tão necessária ao campo da psicopedagogia, ainda tão frágil na sua indetidade como área do conhecimento ?

Aí quando eu vejo os textos enviados por Paulo causando tamanho alvoroço e um monte de gente respondendo que discorda por que é aluno ( ou foi) de EAD, eu me pergunto se a resposta ao alvoroço já não está aí:
1- se o grupo, em geral, tem uma relação com a construção teórica fraca, superficial, como apresentado acima e pode ser comprovado ao se acompanhar as mensagens ;
2- Se esses mesmos sujeitos identificam-se como formados por EAD e não conseguem apresentar  argumentos consistentes em defesa da mesma que não seja sua própria opinião, eu concluo que...
3- É isso mesmo que a EAD faz: forma profissionais com fraca relação crítica com a construção do conhecimento e, pior ainda, com baixa auto-crítica profissional.

Gente, vivemos num pais onde ninguém se responsabiliza por suas ações. Ninguém tem culpa, ninguém agiu errado, todos são mal compreendidos - a começar pelos governantes que NUNCA vão á público se desculpar pelas barbaridades que fazem, ao contrário de países como Estados Unidos e da Europa. Como educadores não podemos continuar reproduzindo isso não. Vamos acordar!

Um abraço e boa semana

Nívea


2009/7/10 Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>


Vejam o que dá tudo feito em EAD, a alfabetização sai assim, com a pessoa usando crase: "ensino à distância". Voltem para a escola tradicional, com os professores conceituados mesmo, efetivos, pois desse modo aí, a coisa não tá indo bem não!
Paulo Ghiraldelli Jr.

2009/7/10 Márcia Pires <marciapires_pedagoga@...>


Oi, Meninas........faço coro aos que acreditam na EAD.  Sou pedagoga e psicopedagoga e faço muitos cursos à distância nas áreas de interessse da Psicopedagogia.  Tenho encontrado excelentes cursos ministrados por professores conceituados e, com certeza se não tivesse a possibilidade de fazê-los à distância não teria como aprofundar meus conhecimentos pois a maioria é fora da cidade onde moro.  Para quem trabalha o dia todo e às vezes até à noite, fazer seus próprios horários de estudos é tudo de bom!!!! Penso que o empenho do aluno é até maior  que em cursos presenciais porque vc estabelece o tempo dedicado ao conteúdo e aprofundamento dos estudos. Quanto ao grupo de alunos tenho encontrado muita interação, respeito, responsabilidade e trocas riquíssimas.  E muitas amizades ficaram após a conclusão, na verdade hj correspondo-me mais com esses colegas do que com os que fiz em cursos presenciais.   Aliás, da minha turma de Psp (presencial) só eu atuo.  Conheço pessoalmente alguns colegas, trocamos telefones, material de trabalho, dúvidas e etc...
 
Os custos são menores: não gasto com passagem, lanches, xerox (muitas vezes de material sem  revelância), TEMPO gasto no translado trabalho x escola x casa e o que é melhor..........estou em casa próxima à minha família.  Posso ver meus filhos e marido chegarem do trabalho/faculdade, tenho tempo de corujar todos, dar beijos e abraços, jantarmos juntos (bem tarde, é verdade) , conversarmos ......tudo que não pude fazer quando tinha que ir à instituçao escolar para estudar!!!!!!
 
Para mim a EAD possibilitou uma melhor qualidade de vida e isso.........não tem preço.
 
Bjs
 
Márcia Pires



De: denise croque <denisecroque@...>
Enviadas: Quinta-feira, 9 de Julho de 2009 13:01:25

Assunto: Re: [psicopedagogiabrasil] EAD e política educacional

Parabéns Haleticia,
 
Concordo com você, pois o que faz o aluno não é a escola e sim a dedicação!
Sou Psicopedagoga e faço muitos cursos EAD. O progresso é sempre difícil de ser aceito.
 
 
Abraços,
 
Denise Roque
Psicopedagoga


--- Em qui, 9/7/09, Haleticia <adrel-shaday@ superig.com. br> escreveu:

De: Haleticia <adrel-shaday@ superig.com. br>
Assunto: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional
Para: psicopedagogiabrasi l@yahoogrupos. com.br

Data: Quinta-feira, 9 de Julho de 2009, 3:18

Também não concordo.
 
O que diferencia a EAD do presencial é a dedicação do aluno, no EAD não tem jeito ou você se dedica ou não aprende, já no presencial tenho conhecimento de alunas que só entram na sala de aula para dormir. A maioria dos alunos EAD são pessoas mais velhas que sabem o que querem, se o trabalho é em grupo e um membro não faz a sua parte os outros cobram e etc, são pessoas em busca de um objetivo e não filhinhos de papai sendo bancados para estudar, aliás ter um diploma.
No EAD as matérias são as mesmas do presencial, e o corpo docente é capacitado, muitas vezes é o mesmo professor que dá aula no presencial basta entrar nos sites e conferir a diferença está nas cobranças que por sinal no EAD são bem maiores porque o aluno aprende uma matéria por semana, sendo assim deve se aprofundar mais.
Falo com conhecimento de causa, pois sou aluna EAD de Pedagogia e meus professores são muito bem preparado e capacitados todos Mestres, Doutores inclusive um professor que fez doutorado na França.
Tenho uma amiga que faz administração em uma outra instituição onde as aulas são ministradas em horário diferenciado e todas as matérias tem um complemento EAD e todos professores lecionam em outros locais inclusive onde o currículo é todo presencial e eles comentam em sala que os alunos com EAD tem maior aproveitamento.
 
Minha filha ainda é pequena, mas não terei problema nenhum se ela optar por um curso a distância, claro se ainda for a mesma qualidade.
 
Se temos hoje alunos que não respeitam seus professores é porque seus pais fazem parte do início da geração onde professor estava em sala de aula para descontar tudo que sofreu enquanto aluno, professor era um ser superior intocável e o aluno simplesmente um objeto.
Devemos sim lutar por uma educação de base melhor, não adianta nada política de cotas, se os professores não estão preparados, e quanto a preparação podemos afirmar que a maioria dos professores foram formados em curso 100% presencial, pois o EAD é coisa nova, ou seja o problema da educação no Brasil não está no EAD e sim no tradicionalismo onde o importante é ter diploma e não o aprender para ensinar a igualdade, os valores com qualidade e respeito.
 
Haleticia
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, July 08, 2009 8:12 PM
Subject: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional

caro Paulo,
 
Nao concordo com a sua colocação.
Sou aluno de pedagogia, a distancia. Na universidade aonde estudo, nos é repassado os mesmos textos, a mesma grande do curso presencial. E as notas da Ead são melhores do que o curso presencial. E tudo isso, dentro de uma universidade publica, super conceituada. Em paises de primeiro mundo, a educação a distancia é mais valorizada do que a presencial.
Devemos sim, quebrar alguns paradigmas em relação a Ead. Eu matricularia meu filho sim, em uma escola de ensino a distancia
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, July 07, 2009 9:43 AM
Subject: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional


EAD sim, mas para os filhos dos outros

EAD é uma excelente coisa. Alguns, como eu, falam de tal prática com conhecimento de causa, outros, que nunca a usaram para valer, grasnam aqui e ali.

Quando você começar a defender o ensino a distância para graduações plenas, no Brasil atual, pare e se pergunte sinceramente: eu daria isso ao meu filho ou gostaria que ele fizesse um curso regular, presencial?

Os que têm alguma vida intelectual, que são professores universitários ou ocupam cargos que demandaram formação intelectual mais sofisticada, caso sejam honestos consigo mesmos, jamais darão a resposta, em público, optando pelo ensino não presencial. Os educados entre os anos 40 e 60 fizeram escola pública. Alguns mais ricos fizeram os colégios particulares de alta elite (e não os que se passam por tal, mas são de classe média – os apostilados) . No meu caso, toda a minha trajetória principal é em escola pública. O ministro da Educação atual, Fernando Haddad, mais novo que eu, usou a escola particular, nunca pisou na escola pública, ao menos não antes de ser ministro. Ele sempre foi rico. Eu não deixaria meus filhos não prestar vestibular para a universidade estatal. Caso fossem para a uma particular, por alguma razão, empurraria para uma PUC ou Mackenzie.

Nossas elites fazem o ensino a distância, atualmente, ser exatamente aquilo que foi o ensino profissional. Há a “escola para os nossos filhos” e a “nossa escola para os filhos dos outros” – esta é a verdadeira política educacional de nossas elites. Adorávamos falar bem do ensino profissionalizante, técnico, mas, para os nossos filhos, queríamos o ensino propedêutico – o caminho para a universidade. Mutatis mutandis, aplicamos hoje a mesma coisa ao ensino a distância, pois falamos bem do ensino a distância quando estamos em público, mas não a quatro paredes, não para os nossos filhos. Não queremos que o Gilberto Dimenstein, o garoto propaganda do PSDB (e talvez até do PT, agora que o PT mensaleiro se igualou ao PSDB “social democrata”), tenha xiliques conosco. Todavia, uma vez em casa, aconselhamos um filho nosso a fazer a universidade presencial, de preferência estatal.

Quando pressionados, dizemos assim, hipocritamente: “ah, mas o ensino a distância também é bom, e conhecemos lugares onde o presencial é ruim, e o ensino a distância é para democratizar a universidade – nem todos podem ir para onde existe universidade” . Na condição de pessoas da elite, deveríamos dizer outra coisa, caso fôssemos honestos mesmo: “vamos melhorar o ensino básico, vamos ampliar as vagas das universidades estatais, vamos pagar bons salários para todo professor no ensino estatal em todos os níveis etc”. Já fizemos algo assim no passado. Podemos fazer de novo. Não temos que voltar ao que foi moda nos Estados Unidos nos anos 70, a “pedagogia compensatória” . Não foi ela que melhorou o nível intelectual do americano. Aliás, os que propunham isso nos Estados Unidos, diziam propor para eles mesmos, mas, na verdade, queriam só que os latinos usassem aquilo, dentro do país, e também vendiam aquilo como solução para a educação no Terceiro Mundo.

Deveríamos usar o EAD como apoio, um grande apoio por sinal. Deveríamos usar o EAD como canal para alguns tipos de ensino técnico. Deveríamos usar o EAD para programas de treinamento. Mas não podemos usar o EAD para a graduação, para a formação básica do profissional, especialmente em relação aos saberes que demandam vivência universitária. O último curso que eu colocaria em EAD é o curso de pedagogia ou qualquer outra licenciatura. Não falo isso como algo que tenha valor em lugar e em todos os tempos. Falo isso para o Brasil atual. Temos condições de fazer coisa melhor do que tentar preservar uma parte da universidade estatal para nossos filhos, e oferece-la em moldes de EAD para os filhos dos outros. Seria mais digno e muito possível oferecermos aos outros o que damos de melhor aos nossos. E isso, nós sabemos bem, é possivel. Caso quiséssemos, faríamos um programa de diminuição da distância social e econômica entre nós, e ampliaríamos para valer a boa universidade e também a chance de um bom número de pessoas gastarem 4 anos para ter vivência universitária – isso é fundamental.

O que desejamos para nossos filhos é o que deveríamos desejar para os filhos dos outros. O resto é demagogia, hipocrisia e conversa fiada, e isso quando não é coisa pior, bem pior. EAD é boa coisa, mas não deveria servir como está servindo, para não fazermos, antes, o que deveria ser feito em termos de uma política educacional de gente séria.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo – http://ghiraldelli. ning.com



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Paulo Ghiraldelli Jr.
O Filósofo da Cidade de São Paulo
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