Pois é, Márcia. Concordo plenamente com as suas colocações. Existem sim muitos alunos que compram monografias, trabalhos, etc. E essa qualidade está diretamente ligada aos profissionais que fazem a educação. Eu já tive casos de alunos que, por conhecê-los, quando eu lia os seus trabalhos na faculdade percebia que o material não tinha sido escrito por eles próprios devido a linguagem usada. Na EAD isso é muito difícil de acontecer, senão impossível. Como saber se quem está do outro lado, mesmo com as câmeras, realmente é o aluno que iremos atestar capacidade profissional? Claro que nos cursos presenciais "atestamos" diplomas que não são merecidos, mas é menos provável que isso seja possível do que nos cursos presenciais. Mas a discussão vai além disso. Vai para a qualidade também dos que frequentam os cursos. Não precisamos apenas
de conteúdos para nos fazermos profissionais. E as interações humanas? E a construção na troca com o outro? Como aprender a lecionar sem fazer uma apresentação para um determinado público, nem que sejam os colegas? Eu valorizo muito os seminários, as apresentações, que acontecem nas faculdades de pedagogia. Elas ensinam além do conteúdo a se expressar, expor idéias, falar em público, etc. Vamos continuar o diálogo.
Liliane
--- Em seg, 13/7/09, Márcia Pires <marciapires_pedagoga@...> escreveu:
De: Márcia Pires <marciapires_pedagoga@...> Assunto: Res: [psicopedagogiabrasil] Novamente a crase Para: psicopedagogiabrasil@... Data: Segunda-feira, 13 de Julho de 2009, 16:35
VALEU O PUXÃO DE ORELHA por ter usado crase em: à alunos.
Depois dessa “chamada†aprendi.
Msn , emails e tel ao mesmo tempo ????? Nunca mais!!!!!!!!
Abçs Márcia Pires
De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@gmail. com> Para: psicopedagogiabrasi l@yahoogrupos. com.br Enviadas: Sexta-feira, 10 de Julho de 2009 9:15:43 Assunto: [psicopedagogiabras il] Novamente a crase
Meu Deus, agora vem a crase na frente de "alunos", masculino! Putz! E a pessoa ainda fala em Pérolas de Enem. Vamos adiante Brasil! Tudo em EAD!
2009/7/10 Márcia Pires <marciapires_ pedagoga@ yahoo.com. br>
Oi,
Concordo quando vc pontua sobre as dificuldades que vc percebe nos alunos de Pedagogia que diga-se de passagem.... são comuns à alunos de qq graduação. Penso que e a falha não está nas "acelerações" e sim na organização da educação básica: grade curricular, avaliações, aprovação automática, é só prestar atenção nos alunos que estão saindo das escolas (principalmente da rede pública), lembra das pérolas do ENEM?
Quanto à qualidade dos cursos de graduação oferecidos, há muito o que se discutir tanto na rede particular quanto na pública. Concordo com a necessidade de encontros presenciais nos cursos graduação/pós-graduaçã o e em alguns de extensão. Entendo que os estágios "supervisionados" são necessários, mas tb cabe a discussão da qualidade desses estágios e da "supervisão". É tão fácil conseguir alguém para assinar, pagar para fazer os trabalhos, inclusive monografias. .......tenho certeza que vc sabe disso e já viu casos.
Essa discussão está muito boa, não é?
Um grande abraço.
Márcia Pires
De: Liliane Regis <lilianeregis@ yahoo.com. br> Enviadas: Quinta-feira, 9 de Julho de 2009 22:17:30 Assunto: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional
Eu concordo com o Paulo. O EAD é possível e útil mas em alguns casos, como ele coloca, como apoio, e não como formação. Concordo com a colega que diz que o ensino depende MUITO da dedicação do aluno, porém, principalmente para a formação de Pedagogia, é imprescindível o contato com o outro e, principalmente, com o potencial aluno (através dos estágios). Eu jamais aceitaria fazer uma cirurgia com um médico que fez graduação a distância. Alguém aqui aceitaria? Temos nos cursos de Pedagogia graves problemas. Eu sou professora universitária de cursos de Pedagogia e a minha experiência mostra situações alarmantes. Conheço muitos professores que não sabem escrever, apresentam sérios erros ortográficos, de concordância, etc. Tem dificuldade em criatividade, em produção e interpretação de texto, e, inclusive, não domina as operações fundamentais da matemática. Quando vamos para a história
desses professores encontramos as "acelerações": supletivos, pró-formação, faculdades particulares em Pedagogia de curto prazo de duração. Esses professores também apresentam muita dificuldade em relacionar-se com o outro, principalmente com os alunos. São professores de curso presencial, vocês diriam. Mas, vejo de forma muito mais grave se esses professores que já estão com um desenvolvimento tão baixo ainda fizerem uma especialização à distância. Como o professor vai acompanhar esse aluno, conhecê-lo a ponto de, inclusive, ter certeza que o material produzido por ele e enviado pela net foi feito por ele mesmo? E no final esse aluno receberá um diploma de pós-graduado. Como especialização ainda penso que a EAD é possível, mas intercalada com encontros presenciais. Como graduação não. Como cursos de aperfeiçoamento sim. Como o Paulo falou, EAD são para exceções e não para a regra.
Liliane Reis
Psicopedagoga --- Em qui, 9/7/09, Eliana Silva Cruz <eliana_silvacruz@ yahoo.com. br> escreveu:
De: Eliana Silva Cruz <eliana_silvacruz@ yahoo.com. br>
Assunto: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional Para: psicopedagogiabrasi l@yahoogrupos. com.brData: Quinta-feira, 9 de Julho de 2009, 20:52
Concordo com vocês e acho que tudo isso é um preconceito cultural e uma falta de conhecimento do que realmente seja a EAD.
Abraços. Eliana
--- Em qui, 9/7/09, denise croque <denisecroque@ yahoo.com. br> escreveu:
De: denise croque <denisecroque@ yahoo.com. br> Assunto: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional Para: psicopedagogiabrasi l@yahoogrupos. com.br Data: Quinta-feira, 9 de Julho de 2009, 13:01
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Parabéns Haleticia,
Concordo com você, pois o que faz o aluno não é a escola e sim a dedicação!
Sou Psicopedagoga e faço muitos cursos EAD. O progresso é sempre difícil de ser aceito.
Abraços,
Denise Roque
Psicopedagoga
--- Em qui, 9/7/09, Haleticia <adrel-shaday@ superig.com. br> escreveu:
De: Haleticia <adrel-shaday@ superig.com. br> Assunto: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional Para: psicopedagogiabrasi l@yahoogrupos. com.br Data: Quinta-feira, 9 de Julho de 2009, 3:18
Também não concordo.
O que diferencia a EAD do presencial é a dedicação do aluno, no EAD não tem jeito ou você se dedica ou não aprende, já no presencial tenho conhecimento de alunas que só entram na sala de aula para dormir. A maioria dos alunos EAD são pessoas mais velhas que sabem o que querem, se o trabalho é em grupo e um membro não faz a sua parte os outros cobram e etc, são pessoas em busca de um objetivo e não filhinhos de papai sendo bancados para estudar, aliás ter um diploma.
No EAD as matérias são as mesmas do presencial, e o corpo docente é capacitado, muitas vezes é o mesmo professor que dá aula no presencial basta entrar nos sites e conferir a diferença está nas cobranças que por sinal no EAD são bem maiores porque o aluno aprende uma matéria por semana, sendo assim deve se aprofundar mais.
Falo com conhecimento de causa, pois sou aluna EAD de Pedagogia e meus professores são muito bem preparado e capacitados todos Mestres, Doutores inclusive um professo r que fez doutorado na França.
Tenho uma amiga que faz administração em uma outra instituição onde as aulas são ministradas em horário diferenciado e todas as matérias tem um complemento EAD e todos professores lecionam em outros locais inclusive onde o currículo é todo presencial e eles comentam em sala que os alunos com EAD tem maior aproveitamento.
Minha filha ainda é pequena, mas não terei problema nenhum se ela optar por um curso a distância, claro se ainda for a mesma qualidade.
Se temos hoje alunos que não respeitam seus professores é porque seus pais fazem parte do início da geração onde professor estava em sala de aula para descontar tudo que sofreu enquanto aluno, professor era um ser superior intocável e o aluno simplesmente um objeto.
Devemos sim lutar por uma educação de base melhor, não adianta nada política de cotas, se os professores nã o estão preparados, e quanto a preparação podemos afirmar que a maioria dos professores foram formados em curso 100% presencial, pois o EAD é coisa nova, ou seja o problema da educação no Brasil não está no EAD e sim no tradicionalismo onde o importante é ter diploma e não o aprender para ensinar a igualdade, os valores com qualidade e respeito.
Haleticia
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, July 08, 2009 8:12 PM
Subject: Re: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional
caro Paulo,
Nao concordo com a sua colocação.
Sou aluno de pedagogia, a distancia. Na universidade aonde estudo, nos é repassado os mesmos textos, a mesma grande do curso presencial. E as notas da Ead são melhores do que o curso presencial. E tudo isso, dentro de uma universidade publica, super conceituada. Em paises de primeiro mundo, a educação a distancia é mais valorizada do que a presencial.
Devemos sim, quebrar alguns paradigmas em relação a Ead. Eu matricularia meu filho sim, em uma escola de ensino a distancia
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, July 07, 2009 9:43 AM
Subject: [psicopedagogiabras il] EAD e política educacional
EAD sim, mas para os filhos dos outros
EAD é uma excelente coisa. Alguns, como eu, falam de tal prática com conhecimento de causa, outros, que nunca a usaram para valer, grasnam aqui e ali. Quando você começar a defender o ensino a distância para graduações plenas, no Brasil atual, pare e se pergunte sinceramente: eu daria isso ao meu filho ou gostaria que ele fizesse um curso regular, presencial?
Os que têm alguma vida intelectual, que são professores universitários ou ocupam cargos que demandaram formação intelectual mais sofisticada, caso sejam honestos consigo mesmos, jamais darão a resposta, em público, optando pelo ensino não presencial. Os educados entre os anos 40 e 60 fizeram escola pública. Alguns mais ricos fizeram os colégios particulares de alta elite (e não os que se passam por tal, mas são de classe média – os apostilados) . No meu caso, toda a minha trajetória principal é em escola pública. O ministro da Educação atual, Fernando Haddad, mais novo que eu, usou a escola particular, nunca pisou na escola pública, ao menos não antes de ser ministro. Ele sempre foi rico. Eu não deixaria meus filhos não prestar vestibular para a universidade estatal. Caso fossem para a uma particular, por alguma razão, empurraria para uma PUC ou Mackenzie.
Nossas elites fazem o ensino a distância, atualmente, ser exatamente aquilo que foi o ensino profissional. Há a “escola para os nossos filhos†e a “nossa escola para os filhos dos outros†– esta é a verdadeira política educacional de nossas elites. Adorávamos falar bem do ensino profissionalizante, técnico, mas, para os nossos filhos, queríamos o ensino propedêutico – o caminho para a universidade. Mutatis mutandis, aplicamos hoje a mesma coisa ao ensino a distância, pois falamos bem do ensino a distância quando estamos em público, mas não a quatro paredes, não para os nossos filhos. Não queremos que o Gilberto Dimenstein, o garoto propaganda do PSDB (e talvez até do PT, agora que o PT mensaleiro se igualou ao PSDB “social democrataâ€), tenha xiliques conosco. Todavia, uma vez em casa, aconselhamos um filho nosso a fazer a universidade presencial, de preferência estatal.
Quando pressionados, dizemos assim, hipocritamente: “ah, mas o ensino a distância também é bom, e conhecemos lugares onde o presencial é ruim, e o ensino a distância é para democratizar a universidade – nem todos podem ir para onde existe universidade†. Na condição de pessoas da elite, deveríamos dizer outra coisa, caso fôssemos honestos mesmo: “vamos melhorar o ensino básico, vamos ampliar as vagas das universidades estatais, vamos pagar bons salários para todo professor no ensino estatal em todos os níveis etcâ€. Já fizemos algo assim no passado. Podemos fazer de novo. Não temos que voltar ao que foi moda nos Estados Unidos nos anos 70, a “pedagogia compensatória†. Não foi ela que melhorou o nível intelectual do americano. Aliás, os que propunham isso nos Estados Unidos, diziam propor para eles mesmos, mas, na verdade, queriam só que os latinos usassem aquilo, dentro do país, e também
vendiam aquilo como solução para a educação no Terceiro Mundo.
Deveríamos usar o EAD como apoio, um grande apoio por sinal. Deveríamos usar o EAD como canal para alguns tipos de ensino técnico. Deveríamos usar o EAD para programas de treinamento. Mas não podemos usar o EAD para a graduação, para a formação básica do profissional, especialmente em relação aos saberes que demandam vivência universitária. O último curso que eu colocaria em EAD é o curso de pedagogia ou qualquer outra licenciatura. Não falo isso como algo que tenha valor em lugar e em todos os tempos. Falo isso para o Brasil atual. Temos condições de fazer coisa melhor do que tentar preservar uma parte da universidade estatal para nossos filhos, e oferece-la em moldes de EAD para os filhos dos outros. Seria mais digno e muito possível oferecermos aos outros o que damos de melhor aos nossos. E isso, nós sabemos bem, é possivel. Caso quiséssemos, faríamos um programa de diminuição da distância
social e econômica entre nós, e ampliaríamos para valer a boa universidade e também a chance de um bom número de pessoas gastarem 4 anos para ter vivência universitária – isso é fundamental.
O que desejamos para nossos filhos é o que deveríamos desejar para os filhos dos outros. O resto é demagogia, hipocrisia e conversa fiada, e isso quando não é coisa pior, bem pior. EAD é boa coisa, mas não deveria servir como está servindo, para não fazermos, antes, o que deveria ser feito em termos de uma política educacional de gente séria.
Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo – http://ghiraldelli. ning.com
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