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#30 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qua, 19 de Mar de 2003 1:39 pm
Assunto: Re (17): criacionismo, evolucionismo e política
pastorgui
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Ei jr!

Você mandou este texto para destacar a influência da
filosofia na formação das idéias científicas? Se foi,
achei um bom exemplo.

Quanto à luta de Gould contra o determinismo
biológico, vou dar uns pitecos. ;~)

Acho que isso pode ser um exemplo do problema que
Dooyeweerd acusou na cultura ocidental: a luta entre o
ideal de ciência (o naturalismo filosófico)  e o ideal
de personalidade (o humanismo clássico) que afeta o
pensamento desde a renascença. Em termos simples, a
tentativa de trazer liberdade plena ao homem,
autonomia total (ideal humanista) construindo uma
ciência totalmente naturalística e supostamente
antidogmática (ideal cientificista). O problema é que
essa estrutura contém uma contradição interna: como
afirmar a liberdade e a dignidade do homem em relação
à natureza se ele é redutível à natureza?
Eu realmente não conheço nada de Gould, mas conheço um
pouco do Marxismo, e sei que esse tipo de dilema é
parte integrante dos ideais socialistas. Se de fato a
interpretação não determinista de Gould foi
influenciada pelo Marxismo (os biólogos aqui poderiam
dar uma olhada nisso!), talvez suas idéias estejam
infectadas pela inconsistência estrutural do Marxismo:
sua afirmação humanística da liberdade do indivíduo e
sua afirmação de que a cultura é um produto das
condições materiais (redução economicista).
Em outras palavras: quem sabe a luta do Gould contra
os deterministas não  mais uma expressão de uma crise
interna da mente ocidental?

Agora vou em defesa dos criacionistas (se não contra
Gould, que não conheço, pelo menos contra o autor do
artigo). Em primeiro lugar, os evolucionistas não
gostam de falar na falha principal que vem sendo
acusada pelos criacionistas, que é a coerência interna
do naturalismo filosófico. Dentro do pouco que sei, o
debate de Gould com os deterministas (isso é até
comentado pelo articulista) foi usado pelos
criacionistas para apontar a incoerência. Nesse ponto,
acho até justo perguntar se a tentativa do Gould de
isolar preconceitos raciais, ideológicos, males
sociais e coisas semelhantes da teoria da evolução é
mesmo racional ou é meramente uma expressão de
correção política ou sentimentalismo humanístico. Prá
mim o Rei está nu.

Em segundo lugar, a crítica ao criacionismo científico
como um programa político ideológico de direita não
resolve nada. Afinal de contas, o programa do Gould
também não é político? Devemos nos lembrar que há
flósofos importantes da ciência como Karl Popper que
consideravam o Marxismo a bancarrota espiritual e
intelectual da humanidade.
Quanto ao criacionismo científico, não acho mesmo que
ele seja científico! Mas não acho isso por causa de
seu ponto de partida religioso (visão bíblica da
criação), e sim por causa de sua ingenuidade
científica e de sua concepção fundamentalista sobre a
relação fé-conhecimento.
Por outro lado, como poderá haver uma "ciência da
criação" (se é que isto é possível), sem que haja
liberdade política e programas de pesquisa? Como
teorias alternativas em relação ao evolucionismo
poderão surgir se todos os esforços de pesquisa e
financiamento ou pressupõe o evolucionismo, ou buscam
sanar suas contradições e lacunas levantando mais
dados e propondo teorias subsidiárias? Quantas grandes
mentes estão estudando as falhas do evolucionismo? O
que você acha (eu acho sociologicamente impossível)?

Não penso que exista hoje uma ciência da criação. Mas
acho perfeitamente justo que a igreja cristã lute por
liberdade política e social, para ter o direito de
educar novas mentes e criar novas possiblidades. Como
o texto do articulista denuncia, a luta do
evolucionismo não é só científica, é também parte de
uma visão do homem, da política, da sociedade. A
igreja não pode se retirar para um "revelim", como
disse Kuyper, e ver suas melhores mentes sendo
capturadas pelo naturalismo sem fazer nada. Eu admiro
a igreja norte americana, não por sua maturidade
intelectual, mas por dar um basta na "inquisição" da
ciência naturalística.

Tem um assunto interessante no artigo para discutir: o
princípio da separação de igreja e estado. Alguém sabe
de onde veio isso?

até+!

pastorgui



=====
"Cor et res coram Deo"

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#29 De: junior@...
Data: Seg, 17 de Mar de 2003 7:16 pm
Assunto: evolucao e gould
junior@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Pessoal, recebi essa, nao tem a ver com o assunto em discussao no momento, mas
tem a ver com o que o Gui2 falou no fim de semana na ibbs (evolucao, conflitos
de pontos de vista entre evolucionistas, etc).
Um abraco,
Junior

OBS: este eh um artigo falando sobre a vida e obra do Gould, longo, mas que
vale muito a pena ler, principalmente para os que gostam de epistemologia ou
historia da ciencia, alem das discussoes "ciencia X crencas".

*********************************
O Biólogo Dialético Stephen Jay Gould (1941-2002)

PHIL GASPER
Professor de Filosofia (EUA)

       A morte prematura de Stephen Jay Gould em maio deste ano nos privou de um
dos maiores "popularizadores"* da ciência no mundo. A coluna mensal de Gould,
This view of life foi publicada em 300 números sucessivos da revista Natural
History, de janeiro de 1974 a janeiro de 2001. Citavam exemplos que iam da
arquitetura de igrejas ao beisebol (a outra paixão de Gould, além da biologia)
para explicar as complexidades do mundo natural. A habilidade de Gould em
transmitir idéias científicas complexas sem simplificá-las demais, sua imensa
erudição e seu estilo literário brilhante conquistaram um grande número de
leitores. Nove coleções de suas teses e vários outros livros populares de Gould
se tornaram best-sellers. I Have Landed, publicado semanas antes da morte de
Gould de câncer aos 60 anos, provavelmente o será também. Nos anos noventa,
Gould era um nome muito conhecido, familiar. Em 1997 ele apareceu como
convidado, em forma de desenho, em Os Simpsons e no ano passado a Biblioteca do
Congresso o nomeou uma das 83 "lendas vivas" dos Estados Unidos.


       Gould era uma raridade - um cientista praticante, no topo da carreira,
capaz de se comunicar com um público variado. Ele foi professor de Harvard de
1967 até sua morte, um expert mundialmente conhecido na evolução dos caracóis
das Bahamas e um dos teóricos da evolução mais influentes de sua geração.Com o
colega paleontólogo Niles Eldredge, Gould propôs a teoria do "equilíbrio
pontuado", afirmando que o desenvolvimento evolutivo não é gradual, como supôs
Charles Darwin, mas se dá em explosões concentradas, seguidas por longos
períodos de stasis (1). Contra os reducionistas, como o biólogo de Oxford
Richard Dawkins, defensor da tese de que tudo o que é importante acontece ao
nível do gene, Gould argumentou que a seleção natural pode trabalhar em grupos
e espécies, como também em genes e organismos individuais. Gould e seu colega
de Harvard Richard Lewontin rejeitaram a idéia "ultra-darwiniana" de que a
seleção natural é o único mecanismo importante na evolução. Opinam que muitas
características de organismos são o resultado de forças estruturais e não de
vantagens da adaptação (2). Em The Structure of Evolutionary Theory (3), um
volume de quase 1500 páginas, publicado em março deste ano e a culminação do
trabalho de toda sua vida, Gould defendeu com ênfase o pluralismo evolutivo.


       Todos os principais jornais publicaram o obituário de Gould enaltecendo
suas realizações científicas. Mas a maioria deles não mencionou outro aspecto
importante da vida de Gould - seu radicalismo político. Gould era "vermelho"
**. Seus avós maternos eram imigrantes judeus que trabalharam em lojas de
roupas em Manhattan nos primeiros anos do século passado, a apenas algumas
quadras de onde ocorreu o terrível incêndio do Shirtwaist Triangle que matou
146 trabalhadores em 1911. "Eu cresci numa família de imigrantes judeus que
trabalhavam no setor de vestuário", escreveu Gould, "e este holocausto (no
sentido literal do sacrifício pelo fogo)...orientou seus pontos de vista e
definiu seu futuro" (4). Os pais de Gould eram da esquerda novaiorquina e
provavelmente eram do Partido Comunista ou tinham simpatia por ele nos anos 30,
e disse uma vez que aprendeu o marxismo "literalmente no colo do papai" (5)


       Os ensaios de Gould com freqüência revelavam seu interesse por Marx e o
marxismo (6), embora também deixasse claro que sua posição política era "muito
diferente" da posição de seu pai. Embora não tenha elaborado, Gould estava
sugerindo com este comentário sua própria rejeição ao stalinismo (7).
Independente do que ele realmente quis dizer, Gould permaneceu politicamente
ativo e à esquerda durante toda sua vida. Quando estudante universitário, em
visita à Universidade de Leeds, na Inglaterra, no começo dos anos 60, por
exemplo, ele organizou manifestações semanais do lado de fora de um salão de
dança, perto de Bradford, que se recusava a admitir negros. As manifestações
seguiram até que essa medida racista foi revogada, deixando uma impressão
duradoura nos estudantes simpatizantes de Gould (8).


       De volta aos Estados Unidos, ele foi um pioneiro na oposição à Guerra do
Vietnã. Completou seu PhD na Universidade de Columbia, em 1967, mas para evitar
seu recrutamento, precisou permanecer como estudante. Muitos anos depois, disse
em uma entrevista na rádio que, "naquele momento, eles estavam recrutando os
mais velhos primeiro e, portanto, eu teria sido recrutado imediatamente. Eu já
tinha emprego em Harvard e isso significa, em síntese, que eu teria de
continuar estudando até os 26 anos. Mas eu já havia terminado tudo, então
acabei fazendo um curso de latim; vejam, eu aprendi latim para não ir ao
Vietnã" (9).


       Ao contrário de muitos outros, Gould não abandonou seu radicalismo
político depois de tornar-se acadêmico. Quando os estudantes de Harvard
fecharam o campus em 1969 para protestar contra o envolvimento da universidade
na guerra, Gould - ainda monitor - os apoiou. "Por um motivo ou outro, relembra
o escritor Michael Ryan, estudante universitário em Harvard naquele tempo, "ele
estava ao lado dos estudantes que se opuseram à Guerra do Vietnã, enquanto o
corpo docente estava interessado em outras coisas" (10).


       Com freqüência, Gould era visto em piquetes e manifestações. Quando os
moradores negros de uma zona operária do leste de Cambridge se rebelaram contra
a brutalidade policial em 1971, Gould participou de uma marcha dos "Estudantes
por uma Sociedade Democrática" para apoiar essa luta (11). Mais ou menos ao
mesmo tempo, ele entrou para "Ciência para o Povo", a mais importante
organização de ciência radical que emergiu do movimento anti-guerra (12).


       A atividade política de Gould continuou nos anos 80 e 90. Ele foi
conselheiro do jornal acadêmico Rethinking Marxism e do Forum Brecht realizado
em Manhattan. Posteriormente, foi patrocinador da Escola Marxista de Nova York -
  dedicada a usar as "valiosas contribuições de Marx para estudar as condições
atuais e as possibilidades de transcender o capitalismo e construir uma
sociedade emancipada" (13) - onde Gould algumas vezes discursou. Ele também
discursava na Conferência de Estudiosos Socialistas e no Forum pelo Futuro da
Esquerda para comemorar o 150º aniversário do Manifesto Comunista, em 1998
(14). Naquele mesmo ano, entrou para o conselho consultivo do recentemente
formado Comitê pela Libertação de Lori Berenson, um ativista político americano
preso no Peru. Assim, não é de se surpreender que a Encyclopedia of the
American Left destaque Gould como um dos "poucos cientistas que emergiram como
aliados públicos da esquerda" e "talvez o exemplo mais formidável de uma
presença encorajadora nos eventos da esquerda e por causas da esquerda" (15).


       A atuação política era um aspecto importante na vida de Gould, e, além
disso, teve uma influência importante no seu trabalho científico. Isto explica
sua decisão de dedicar uma parte considerável do seu tempo para combater o
racismo científico, o determinismo biológico e outras tentativas de abusar da
biologia para justificar a desigualdade social e o status quo. O argumento de
que as sociedades hierárquicas existentes são o resultado inevitável de fatos
biológicos originou-se no século XIX, reaparecendo com novo disfarce sempre que
é necessário sustentar a idéia de que a mudança social progressiva é impossível
(16). Assim, não é nenhuma surpresa que o determinismo biológico emergiu nos
Estados Unidos como uma resposta aos movimentos sociais dos anos sessenta. Em
1969, Arthur Jensen, professor de Educação em Stanford, argumentou que as
diferenças de QI entre brancos e negros são geneticamente baseadas e
inalteráveis (17). Dois anos depois, o psicólogo de Harvard Richard Herrnstein
afirmou que o status sócio-econômico é uma função direta da inteligência
herdada e que a "tendência ao desemprego" entraria logo nas famílias como
a "tendência a ter dentes ruins" (18). Então, em 1975, para a felicidade da
mídia, o proeminente colega de Gould em Harvard Edward Wilson publicou seu
livro Sociobiology (19), no qual argumentava que características como a
agressão e a xenofobia são geneticamente baseadas. Em um artigo publicado na
mesma época na New York Times Magazine, Wilson afirmou que "o preconceito
genético é intenso o bastante para causar uma divisão significativa do trabalho
até mesmo nas mais livres e igualitárias sociedades futuras. Assim, até com uma
educação idêntica e acesso igual a todas as profissões, é provável que os
homens representem um papel desproporcional na vida política, negócios e
ciência". Se tentarmos criar uma sociedade mais igualitária, colocaremos
algumas liberdades pessoais em jogo", afirma Wilson (20).


       Logo, a sociobiologia provocava furor. A revista Time lançou um artigo de
capa intitulado "Por que você faz o que você faz". De acordo com o artigo, "a
teoria pode explicar lealdade a igreja, corporação e nação" (21). A revista
Business Week lançou um artigo intitulado "Uma defesa genética do livre
comércio". Afirmou que "interesse pessoal é a força motriz na economia porque
está inserido nos genes de cada indivíduo. Sociobiologia significa que
indivíduos não podem ser moldados para se ajustar em sociedades socialistas sem
uma tremenda perda de eficiência. Bioeconomistas dizem que programas de governo
que forçam os indivíduos a serem menos competitivos e egoístas do que eles são
geneticamente programados estão fadados ao fracasso" (22). Até a Playboy entrou
no assunto: "Os homens precisam trair suas companheiras? Uma nova ciência diz
que sim" (23).


       Gould e outros membros da Ciência para o Povo responderam rejeitando
estas idéias como simplesmente a mais recente versão de um determinismo
biológico cientificamente falido. "A razão para a sobrevivência destas
decorrentes teorias de deterministas", escreveram em uma carta à New York
Review of Books," é que elas tendem a dar, constantemente, uma justificativa
genética para o status quo e a existência de privilégios de certos grupos de
acordo com classe, raça ou sexo" (24). Gould mostrou que não havia nenhuma
evidência científica para quaisquer destas afirmações e que mudanças na
sociedade humana ocorrem muito rapidamente para serem explicadas em termos
biológicos.


       Em oposição ao determinismo, Gould enfatizou a enorme flexibilidade do
comportamento humano:


       "A característica central de nossa singularidade biológica também provê a
principal razão para duvidar que nossos comportamentos são codificados
diretamente por de genes específicos. Esta característica é, com certeza, nosso
grande cérebro.... [M]arkedly aumentou o tamanho do cérebro na evolução
humana... somou conexões neurais suficientes para converter um inflexível e
bastante rígido dispositivo programado em um órgão de labile, dotou-o de lógica
suficiente e memória para substituir o aprendizado não-programado por
especificação direta como a base do comportamento social. Flexibilidade pode
ser a mais importante característica da consciência humana....


       Violência, sexismo e crueldades em geral são biológicas desde que
representem um subconjunto de um possível leque de comportamentos. Mas paz,
igualdade e generosidade são tão biológicas quanto - e nós podemos ver sua
influência aumentar se pudermos criar estruturas sociais que permitam seu
afloramento (25).


       Gould continuou a crítica ao determinismo biológico no seu premiado livro
de 1981, The Mismeasure of Man (26), um dos melhores argumentos contra o
racismo científico e a idéia de que a inteligência é geneticamente fixa. Quinze
anos mais tarde, depois que Herrnstein e Charles Murray tentaram reavivar estas
idéias em The Bell Curve (27), para dar apoio pseudo-científico aos cortes em
gastos sociais e o fim das políticas afirmativas, Gould retomou seus
argumentos. Lançou uma edição revisada e ampliada de seu livro, com material
novo mostrando como Herrnstein e Murray omitiram fatos e usaram erroneamente
métodos estatísticos para chegar às suas conclusões racistas (28).


       Expondo as raízes sociais das idéias científicas, Gould seguiu os passos
de um de seus heróis intelectuais, o colaborador íntimo de Karl Marx, Friedrich
Engels. Gould louvou o panfleto de Engels de 1876, O Papel do Trabalho na
Transformação do Macaco em Homem (The Part Played by Labor in the Transition
from Ape to Man). Nele, Engels rejeitou corretamente a afirmação de que "nossa
evolução foi impulsionada por um cérebro em crescimento" (o crescimento do
cérebro só começou depois que a postura vertical deixou as mãos livres para o
trabalho manual) e ofereceu uma "análise perspectiva do papel político da
ciência e dos preconceitos sociais que afetam todos os pensamentos" (29). Em
sociedades de classes, Engels argumentou, o trabalho físico tem baixo status
enquanto a mente é vista como dominante e nobre. Este preconceito profundamente
arraigado explica porque, apesar da falta de evidência, a maioria dos biólogos,
até a década de 20, erroneamente assumiram a idéia de que o desenvolvimento
cerebral deve ter vindo primeiro. Mas colocando a ciência em seu contexto
social, Gould (como Engels) foi cuidadoso ao rejeitar as afirmações dos
relativistas, que abandonaram a idéia de verdade objetiva completamente. "Eu
compartilho da crença de meus colegas", escreveu. "Eu creio que uma realidade
efetiva existe e que a ciência, apesar de se apresentar freqüentemente de uma
maneira obtusa e irregular, pode aprender com isso" (30).


       Gould também compartilhou do entusiasmo de Engels por entender o mundo
natural dialeticamente, em outras palavras, vê-lo como processos interativos
complexos e dinâmicos. "O pensamento dialético deveria ser levado mais a sério
pelos estudiosos ocidentais, não ser descartado porque algumas nações do
segundo mundo [a ex-URSS] construíram uma versão rascunho como uma doutrina
política oficial", escreveu Gould. "Os problemas daí advindos são, de outra
forma, as perguntas cruciais do reducionismo versus o holismo, agora tão
discutidos pela biologia (onde as contas reducionistas alcançaram seus limites
e o progresso futuro exige novas aproximações para processar dados existentes,
não só para uma acumulação de mais informação)."


       Quando apresentadas como diretrizes para uma filosofia de mudança, não
tão cheia de preceitos dogmáticos que retificam através de ordem, as três leis
clássicas da dialética [formuladas por Engels] envolvem uma visão holística que
vê a mudança como interação entre componentes de sistemas completos e vê os
componentes por si mesmos. ambos como produto desta e introdução ao sistema.
Assim, a lei de "opostos interpenetrantes" relembra a inextricável
interdependência dos componentes: a "transformação de quantidade em qualidade"
defende uma visão de mudança baseada no sistema que transmite aperfeiçoamento
para as alterações do estado; e a "negação da negação" descreve a direção dada
a história porque sistemas complexos não podem reverter exatamente para estados
pré-existentes (31).


       Gould admitiu abertamente que ficou atraído pela idéia de equilíbrio
pontual por causa de seu conhecimento das teorias dialéticas de Hegel e
Marx. "As leis da dialética são explicitamente pontuais. Elas falam, por
exemplo, da 'transformação de quantidade em qualidade.' Isso sugere que
mudanças acontecem em grandes saltos seguidos de uma acumulação lenta de
tensões que um sistema resiste até que chegue a seu limite. Esquentando a água
ela eventualmente ferve. Oprima os trabalhadores cada vez mais e traga à tona a
revolução" (32).


       Mas, enquanto seu passado político o abriu para uma idéia que ele poderia
não ter considerado, Gould enfatizou que aceitava a teoria por causa da
evidência, não porque combinava com qualquer pré-concepção política. Ele e
Eldredge foram os primeiros a propor a idéia de explicar o fato de que há
pequena evidência direta no registro fóssil para a transformação gradual de uma
espécie em outra (33). A maioria das espécies parece permanecer a mesma por
milhões de anos, então, abruptamente desaparecem para serem substituídas por
novas. Se a mudança evolutiva acontece em explosões relativamente pequenas
comparadas ao tempo de vida comum de uma espécie (milhares de anos comparados a
milhões), isto é exatamente o que nós esperaríamos, já que as chances de formas
intermediárias preservadas como fósseis seriam bem pequenas. O equilíbrio
pontual permanece como uma idéia controversa, mas a evidência para ele parece
estar se formando. De acordo com David Jablonski, biólogo da Universidade de
Chicago, há agora "um impressionante arranjo de exemplos no registro fóssil, de
caracóis a cavalos" que parecem comprovar isto. "De todas as contribuições de
Gould, em minha mente nada é mais importante que o estabelecimento da "stasis"
como um fenômeno real", diz o paleontólogo Carlton Brett. "Esta noção
de "stasis" é algo que as pessoas realmente não pensaram em priorizar em 1972"
(34).


       Os críticos de Gould às vezes reivindicaram que os debates biológicos que
ele provocou deram estímulo aos religiosos que se opõem à evolução. No início
dos anos 80, por exemplo, criacionistas tinham discordado sobre o equilíbrio
pontual para reivindicar que a evolução por si tinha sido cientificamente
desacreditada, e para exigir tempo igual em aulas de biologia no segundo grau
pela idéia de que a vida é resultado de design sobrenatural. Mas Gould também
era um dos mais proeminentes críticos públicos da assim chamada "ciência da
criação". Ele mostrou que a evolução é um fato bem estabelecido - e que "[f]
atos não vão embora enquanto os cientistas debatem teorias rivais para explicá-
las" (35). Qualquer que seja o mecanismo exato de mudança evolutiva, a
evidência de que todas a espécies que agora existem têm antepassados em comum e
assim pertencem juntas a uma única árvore da vida é absolutamente dominante
(36). O que os biólogos debatem não é se mas como a evolução aconteceu.


       Em 1981, depois que o Arkansas aprovou uma legislação exigindo tempo
igual para o criacionismo em escolas, Gould foi uma das principais testemunhas
em um julgamento federal altamente divulgado que finalmente acabou por declarar
a lei inconstitucional por violar a separação da Igreja do Estado. Em seu
testemunho, Gould destacou a evidência fóssil da evolução (37). Por outro lado,
porém, Gould também deixou claro que o criacionismo não era simplesmente um
erro intelectual, mas uma ideologia com raízes sociais profundas. "O
crescimento do criacionismo, disse, é política, pura e simples; representa um
assunto (e sem dúvida a preocupação principal) do direito evangélico
ressurgente" (38). O criacionismo é, de fato, "um mero cavalo de batalha ou um
assunto subsidiário em um programa político para banir o aborto, abolir as
conquistas políticas e sociais das mulheres pela redução do conceito vital de
família a um paternalismo antiquado, e reinstaurar todo o chauvinismo e
desconfiança de aprendizagem que prepara uma nação para a demagogia" (39).


       O anti-reducionismo de Gould e seu pluralismo sobre o mecanismo da
evolução eram também claramente influenciados por sua afinidade pela
dialética. "Venho tentando descrever uma alternativa hierárquica à tradição
darwiniana, que reduz todo o fenômeno de ampla escala evolucionária a
resultados extrapolados da seleção natural, ao trabalhando no nível de
organismos individuais dentro de populações", explicou Gould. "Modelos
hierárquicos de contraste reconhecem os genes, organismos e espécies como
entidades legítimas em uma sucessão de níveis com princípios explicativos
únicos que emergem a cada patamar mais elevado" (40). Ou seja, Gould
argumentava que a quantidade poderia se transformar em qualidade e atrair novos
princípios explicativos. Materialistas acreditam que os seres humanos são nada
mais que sistemas físicos complexos, mas não se deve pensar que podemos
explicar o comportamento humano usando apenas as leis da física. O mesmo erro
reducionista é o erro fundamental da sociobiologia (e sua mais recente
sucessora, a psicologia evolutiva), que assume erroneamente que já que os
humanos são criaturas biológicas, a biologia sozinha pode explicar nosso
comportamento. "Como é tranqüilo fugir da responsabilidade por uma guerra e
pela violência depositando-a em nossos antepassados carnívoros", diz
Gould. "Como é conveniente culpar o pobre e o faminto por suas próprias
condições, para não ter de culpar nosso sistema econômico ou nosso governo por
seu terrível fracasso em assegurar uma vida decente para todas as pessoas"
(41).


       Em uma entrevista logo antes de morrer, Gould expressou o desejo de
escrever mais dois grandes livros, "se tiver tempo suficiente" (42). Um seria
chamado "Direção da Vida" e traria padrões no desenvolvimento evolutivo. Gould
era um crítico freqüente de um erro de concepção comum de que a evolução é um
processo progressivo, com organismos mais complexos com o resultado inevitável.
Ele gostava de mostrar que em matéria de capacidade de adaptação, a bactéria e
o besouro têm um melhor desempenho que os humanos, e provavelmente irão
sobreviver a nós. Não obstante, há padrões na evolução, e Gould quis questionar
como nós deveríamos caracterizá-los e medi-los. O segundo livro era para ser
uma história da paleonto-logia dos séculos XVI ao XVIII. Gould, que lia latim,
francês e alemão, teria sido a pessoa ideal para trabalhar em tal projeto.


       Infelizmente, nunca veremos esses livros. Mas Gould nos deixou um legado
maravilhoso de centenas de artigos e mais de vinte livros. Suas contribuições
para biologia evolutiva se manterão vivas. E seu compromisso com a visão de que
ciência pode ser uma ferramenta para a libertação e não para a opressão,
deveria inspirar todo aquele que quer não somente entender o mundo, mas mudá-lo
para o melhor.



       NOTAS


       * NdoT : "popularizers" são pessoas que traduzem o conhecimento da
ciência em linguagem comum, através de vários meios. No caso, o eminente
paleontólogo Gould, que escrevia livros brilhantes extremamente acessíveis ao
público.


       ** NdoT: a expressão utilizada foi "a red diaper baby", para dar a noção
que ele foi comunista desde cedo.



       1 Stephen Jay Gould e Niles Eldredge, "Punctuated equilibria: An
alternative to Phyletic gradualism," in Thomas J. M. Schopf, ed. Models in
Paleobiology (San Francisco: Freeman, 1972). De acordo com Kevin Padian, um
professor de paleontologia na Universidade UC Berkeley, esse artigo é "talvez o
mais influente e mais freqüentemente citado na paleontologia nesse século."
Veja também "The episodic nature of evolutionary change" in The Panda's Thumb:
More Reflections in Natural History (New York: Norton, 1980), "Ten thousand
acts of kindness" in Eight Little Piggies: Reflections in Natural History (New
York: Norton, 1993), e "Cordelia's dilemma" e "Lucy on the earth in stasis" in
Dinosaur in a Haystack: Reflections in Natural History (New York: Harmony
Books, 1995).


       2 Stephen Jay Gould e Richard C. Lewontin, "The spandrels of San Marco
and the Panglossian Paradigm: A critique of the adaptationist programme,"
Procedimentos da Sociedade Real , Londres B205 (1979), pp. 581-98.


       3 Stephen Jay Gould, The Structure of Evolutionary Theory (Cambridge, MA:
Harvard University Press). Uma parte deste está online em:
www.hup.harvard.edu/catalog/GOUSTR.html.


       4 "A tale of two work sites," in The Lying Stones of Marrakech:
Penultimate Reflections in Natural History (New York: Three Rivers Press,
2000), p. 253. Esse ensaio descreve o incêndio em detalhes e explica como a
ideologia do "darwinismo social", que distorce a teoria da evolução para
justificar a igualdade social, ajudou a manter os regulamentos de segurança
fracos, contribuindo com o desastre. Quando Gould tornou-se professor na
Universidade de Nova York em 1996, descobriu que seu escritório estava
localizado no prédio onde o incêndio começou. A tese-título da última coleção
de Gould I Have Landed: The End of a Beginning in Natural History (New York:
Harmony Books, 2002) é um ensaio biográfico sobre seus pais.


       5 Stephen Jay Gould e Niles Eldredge, "Punctuated equilibria: The tempo
and mode of evolution reconsidered," Paleobiology 3 (1977), p. 146.


       6 Ver "Darwin's delay" in Ever Since Darwin: Reflections in Natural
History (New York: Norton, 1977), "Darwin's middle road" in The Panda's
Thumb, "Nurturing nature" in An Urchin in the Storm: Essays about Books and
Ideas (New York: Norton, 1987), "The Horn of Triton" in Bully for Brontosaurus
(New York: Norton, 1991), e"The Darwinian gentleman at Marx's funeral:
Resolving evolution's oddest coupling" in I Have Landed.


       7 Ver I Have Landed, pp. 127-8.


       8 Carta a Alan Andrews, The Guardian (UK), 25 de maio de 2002.


       9 "Roots writ large," in Lewis Wolpert e Alison Richards, eds. A Passion
for Science (New York: Oxford University Press, 1988), p. 142. Transcrição
editada da entrevista que foi ao ar pela Rádio 3.


       10 "A personal remembrance: Stephen Jay Gould," online em
www.tompaine.com/feature.cfm/ID/5678. Ryan continua: "Gould foi um dos
professores que me ensinou a ser cético, a questionar. Conhecer alguém que
desafia a autoridade - na ciência, na cultura, na política e no governo - é o
melhor presente que um estudante pode receber".


       11 Quem me contou essa história foi o filósofo de Cornell e estudioso de
Marx Richard W. Miller, então um estudante de Harvard que foi apresentado a
Gould durante a manifestação. De acordo com Miller, "as atividades de Gould
eram mais à esquerda que o respeitável movimento anti-guerra."


       12 Para mais informações sobre o movimento radical da ciência ver Rita
Arditti et al., eds. Science and Liberation (Boston: South End Press, 1980),
and Jon Beckwith, "The radical ccience movement in the United States," Monthly
Review, July-August 1986.


       13 Em www.brechtforum.org/htm/about.html.


       14 Os outros palestrantes eram Maria Helena Moreira Alves, Barbara
Fields, Richard Levins, Daniel Singer, Cornel West and Ellen Meiksins Wood. Ver
a transcrição online em www.sdonline.org/hl/hl_25_1.htm.


       15 Paul Buhle, "Science," in Mari Jo Buhle et al., eds. Encyclopedia of
the American Left (New York: Oxford University Press, 1998), p. 723.


       16 Ver Allan Chase, The Legacy of Malthus: The Social Costs of Scientific
Racism (New York: Knopf, 1977). Por um breve resumo da história veja Phil
Gasper, "Good breeding," Socialist Review 178, October 1994 online em
http://website.lineone.net/~socrev3text/pubs/sr178/gasper.htm.


       17 "How much can we boost IQ and scholastic achievement?" Harvard
Educational Review 39, pp. 1-123. Jensen's começa reivindicando que "A educação
compensatória está desgastada, aparentemente faliu."


       Ver "Racist arguments and IQ" in Ever Since Darwin, a resposta elegante
de Gould..


       18 "IQ," Atlantic Monthly, September 1971, pp. 43-64.


       19 Edward Wilson, Sociobiology (Cambridge, MA: Harvard University Press).


       20 The New York Times Magazine, 12 de outubro de 1975.


       21 Time- 1 de agosto de 1977. O artigo também responde a uma afirmação do
biólogo Robert Trivers que diz que o feminismo iria decair pois as feministas
não iriam ter filhos e, por isso, não iriam repassar seus genes feministas!


       22 Business Week, 10 de abril de 1978.


       23 Playboy, agosto de 1978. O artigo diz que "Os homens são... levados
por seus genes a reproduzir. Eles tendem a ser mais promíscuos pois essa era a
forma que no passado reproduzia melhor a prole. Se você for pego "galinhando",
não diga que foi o diabo que o atiçou. Diga que está em seu DNA..." Em um
artigo de 1981, Playboy foi ainda mais longe, dizendo que o estupro
era "geneticamente embasado.. uma estratégia geneticamente disponível a machos
de baixo-domínio, que aumenta suas chances de reproduzir fazendo mais fêmeas
estarem disponíveis a eles do que eles adquiririam caso contrário."


       24 Reprinted in Arthur L. Caplan, ed. The Sociobiology Debate (New York:
Harper & Row, 1978), p. 260.


       25 "Biological potentiality vs. biological determinism," in Ever Since
Darwin, p. 257.


       26 Stephen Jay Gould, The Mismeasure of Man (New York: Norton, 1981).


       27 Charles Murray and Richard Herrnstein, The Bell Curve (New York: The
Free Press, 1994).


       28 Stephen Jay Gould, The Mismeasure of Man, Revised and Expanded (New
York: Norton, 1996).


       29 "Posture maketh the man," in Ever Since Darwin, pp. 207-13. Also
see "Genes on the brain," in An Urchin in the Storm, pp. 111-12.


       30 The Mismeasure of Man, p. 22 (Revised and Expanded edition, p. 54).


       31 "Nurturing nature," pp. 153-54.


       32 "The episodic nature of evolutionary change," pp. 184-185.


       33 Porém, há inúmeros exemplos de formas transitivas entre grupos
maiores, como archaeopteryx, o primeiro pássaro que tem marcantes
características répteis.


       34 "Theory still rocks scientists' equilibrium," San Francisco Chronicle,
May 27, 2002.


       35 "Evolution as fact and theory," in Hen's Teeth and Horse's Toes:
Further Reflections in Natural History (New York: Norton, 1983), p. 254.


       36 Veja o capítulo 2 de Robert T. Pennock, 9ower of Babel: The Evidence
against the New Creationism (Cambridge, MA: MIT Press, 1999).


       37 Para uma descrição do julgamento e do texto da decisão do Juiz, ver
Michael Ruse, ed. Sut Is It Science? The Philosophical Question in the
Creation/Evolution Controversy (Buffalo, NY: Prometheus Books, 1988).


       38 "Evolution as fact and theory," p. 253.


       39 "A visit to Dayton," in Hen's Teeth and Horse's Toes, p. 275.


       40 "Utopia, limited" in An Urchin in the Storm, pp. 217-18.


       41 "The nonscience of human nature" in Ever Since Darwin, p. 239.


       42 Quoted in the New York Times, June 2, 2002.

#28 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Sex, 14 de Mar de 2003 7:36 pm
Assunto: Filosofia e Ciência 3
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Oi Gui2,
Oi gente!


I) SOBRE O CONCEITO DE CIÊNCIA

Você disse:
>           "O Pastor Gui confere a todas areas do
> conhecimento
> humano o grau de ciencia, pois ele escreve:
> >  Mas o que é "ciência"? É conhecimento.
>
>           Por outro lado, quando eu escrevi a
> polemica frase:
>
> >     Nao concordo que todas as areas do
> conhecimento humano
> > sejam ciencia como voce (aparentemente) colocou
> acima. Meu
> > conceito de ciencia e' bem restrito, pois para mim
> ciencia e'
> > basicamente fisica, quimica e biologia, ou seja,
> as areas do
> > conhecimento em que se formulam hipoteses que sao
> confrontadas
> > com o experimento.
>
> Eu simplesmente queria distinguir as ciencias
> naturais (Fisica,
> Quimica e Biologia) das ciencias humanas (Etica,
> Psicologia,
> Historia, Politica, Economia,  ...)"

Muito bem, não há nenhum problema em distinguir essas
ciências das outras, porque elas são diferentes mesmo.
O problema é que historicamente, a restrição da
designação "Ciência" às ciências "naturais" está
ligada ao positivismo lógico e à negação do status de
"conhecimento" a crenças ligadas a outros campos.
Sendo assim, o problema não é somente de definição,
como você colocou mais à frente.
Agora, se você quiser restringir o uso por outra
razão, mesmo admitindo a existência de outros
conhecimentos, não vejo problema. Pessoalmente, acho
que deveríamos chamar a Física, a Química e a Biologia
de Ciências Experimentais, dado o caráter
prioritariamente experimental dessas atividades. Ou de
ciências naturais.

II) SOBRE OS GRAUS DE CERTEZA

>           "Eu acho necessario percebermos que o
> conhecimento que
> temos da realidade ocorre em graus diferentes. Em
> outras palavras,
> existem verdades mais estabelecidas do que outras.
> Por exemplo,
> todo ser humano concorda que existem arvores,
> enquanto que nem todo
> ser humano concorda que Jesus Cristo vive e e' o
> Filho do Deus vivo."

Bem, aqui nós entramos num assunto sumamente complexo,
que é o problema das estruturas noéticas, ou das
estruturas sobre as quais o conhecimento é construído.
Não dá para tratar disso detalhadamente agora, mas não
concordo que a "existência das árvores" seja uma
verdade mais estabelecida do que "Jesus Cristo vive".

>>
> "Isso nao significa que essa segunda verdade seja
> menos importante
> do que a primeira. Portanto, nao concordo quando o
> Pr. Gui
> conecta importancia com o grau de confiabilidade em
> uma
> verdade:
>
> >(...) para dar um exemplo, a crença na ressurreição
>
>
> >de Jesus teria menos importância dentro de seu
> sistema
>
> >de crenças (estrutura noética) do que as crenças
>
>
> >derivadas da experimentação."

Talvez você esteja certo; preciso pensar sobre o
assunto.

>           A questao que eu quero explorar aqui e'
> saber ate'
> que ponto uma dada teoria humana pode ser
> considerada verdade."

Gui 2, por favor me acompanhe com atenção. A questão
aqui é sobre a justificação do conhecimento e sobre a
estruturação das crenças/conhecimentos no que chamamos
de "edifício epistêmico".

> "E com isso quero me contrapor a necessidade
expressa
> pelo
> Pr. Gui (no final de sua mensagem) de
>
> > iguala(r) todas as ciências quanto à sua
> veracidade.
>
>          Em fisica, e' comum fazermos previsoes de
> experimentos
> com precisoes enormes, digamos de 0.0001%. Nao
> acredito que
> um diagnostico psicologico seja tao preciso e tambem
> nao
> acredito que nossa compreensao da biblia e' tao
> proxima assim do
> significado real do texto (basta notar que nao
> existe consenso
> sobre o significado de alguns textos)."

1) Vamos lembrar algo que eu disse antes:  Conforme
nos ensinou Popper, não é possível provar uma
hipótese. A hipótese "verdadeira" não é a hipótese da
qual temos "certeza de que está certa", mas a hipótese
que "por enquanto não está errada".
Ora, o grau de precisão numa previsão a respeito de
certo experimento está ligada, se não me engano, a
alguma hipótese expressa matematicamente a respeito
dos resultados do experimento. Mas o fato de o grau de
precisão ser alto não prova a hipótese. Apenas ajuda a
indicar o grau de aproximação da hipótese em relação à
verdade, juntamente com outros fatores como: o número
de testes de falsificação e o grau de aceitação das
teorias usadas na interpretação do experimento e na
construção da hipótese.

2) Quanto à comparação com a interpretação bíblica,
ela não foi muito justa. A interpretação de certos
textos bíblicos realmente é muito incerta. Mas isso
não é verdade quanto à maioria dos textos bíblicos.
Vou dar um exemplo banal: "Jesus chorou". Ora, aqui
temos um sujeito e um predicado. O objeto contém
apenas um verbo. Sintaticamente o verbo "chorou" (que
está no pretérito perfeito) descreve a ação do
sujeito. Etc,etc,etc. Agora vou fazer uma afirmação
importante: tenho tanta certeza que o texto significa
que "uma pessoa chamada Jesus lacrimejou devido a uma
paixão indefinida" quanto que 1+1 é igual a 2, ou
quanto o experimento com  0,0001% de grau de precisão.
Aliás, tenho até MAIS certeza do que no caso do tal
experimento (pois não sou matemático)!
Você pode me dizer: "mas este texto é fácil". Pois é;
mas existe uma infinidade de textos facílimos. Aliás,
é por isso que, afinal de contas, nós conseguimos LER
a Bíblia!
Mas de fato há textos difíceis. E alguém poderia ainda
levantar a questão: "o que o choro de Jesus
significou? O sentido verdadeiro daquele versículo
depende do contexto. Como você não examinou o
contexto, não sabe ainda o significado original da
passagem; portanto não pode ter certeza"
Isso é só parcialmente verdadeiro. Posso ter "certeza"
da estrutura gramatical e sintática da oração. Mas de
fato, isso me dá uma série de opções que só serão
solucionadas interpretando o contexto.
Agora deixe-me aplicar isso ao experimento científico.
Você pode chegar a um alto grau de "certeza" (no
sentido popperiano) por meio do experimento. Mas isso
diz pouco sobre a realidade de forma geral, se a
hipótese testada não for integrada a uma teoria mais
ampla a respeito dos processos físicos, ou biológicos.

Na interpretação bíblica, o mesmo ocorre. O exame
indutivo de vários versículos num capítulo bíblico me
dá uma série de interpretações óbvias e certas, e
algumas dúbias. Sobre esse conjunto de dados, eu
construo uma hipótese mais geral sobre o argumento
geral do capítulo. Observe que o grau de certeza da
minha interpretação do capítulo todo depende do grau
de certeza da interpretação de suas unidades menores.
No caso de algumas unidades menores, como "Jesus
chorou", tenho certeza "absoluta", ou "básica". No
caso de outras, não.

3) Isso nos leva à minha proposta acerca do grau de
"certeza" de uma hipótese. Para mim, a certeza depende
epistemologicamente do grau de proximidade daquela
hipótese em relação às "crenças básicas" do indivíduo.
Explico: a certeza de certa hipótese, no caso das
ciências experimentais, depende principalmente  dos
resultados empíricos, que são descritos em termos de
um tipo ou mais de propriedades observadas. Mas quanto
maior é o grau de complexidade de uma teoria, maior
sua distância dos resultados empíricos. Vou dar um
exemplo concreto: a teoria moderna da evolução depende
de uma infinidade de observações, experimentos e
hipóteses de campos diversos como a paleontologia, a
geologia, a bioquímica, a fisiologia, a própria
física, etc. Mesmo que ela seja verdadeira, seu grau
de certeza é menor do que o das "sub-teorias" que a
sustentam, e assim por diante.
Como há teorias divergentes em ciências experimentais,
eventualmente um dado empírico recebe interpretações
diferentes. Isso não acontece só na interpretação
bíblica; também acontece na física, na biologia e na
química, não é verdade? Basta notar que não existe
consenso sobre algumas teorias. :~)

5) O que seriam essas crenças básicas? As crenças que
não se baseiam em outras. Por exemplo: minha crença de
que eu estou vendo o computador é produto de uma
intuição direta da realidade. No seu caso, Gui 2, a
crença sobre a comprovação de certa hipótese
matemática se apóia parcialmente em diversas crenças
básicas: a existência de um aspecto "quantitativo" na
realidade, de leis matemáticas, das observações que
você fez com o olho, da sua própria memória.
Agora veja só: a dimensão linguística da vida humana
envolve a percepção direta de leis e propriedades. É
por essa razão que "vejo" a frase "Jesus chorou" e
"capto" seu sentido. O fato de eu não poder dar um
tratamento matemático ou experimental desse dado não
significa que para mim ele não seja básico ou que eu
não tenha "certeza". Ou seja, há vários tipos de
"precisão" além da precisão matemática.

6) Assim, na minha concepção da estrutura do
conhecimento, a certeza de uma determinada hipótese
não depende da experimentação ou da precisão
matemática, mas do grau de proximidade daquela
hipótese em relação à fundação de crenças básicas
derivadas da intuição direta da realidade. Esse grau
de proximidade não pode ser medido por algum critério
"externo". Assim, o grau de certeza da interpretação
de um texto bíblico, por exemplo, deve ser medido com
critérios internos das ciências bíblicas. Por essa
razão, considero os "métodos centíficos", de uma certa
forma, incomensuráveis. Não tem jeito de fazer
julgamentos comparativos; no máximo, analogias.

III) HISTÓRIA E OUTROS EXEMPLOS
>
>          "Dessa forma, nao e' justo distinguir as
> ciencias empiricas
> das demais? Voces nao concordam que elas tem maior
> credibilidade?
> (Notem que isso nao significa que as demais ciencias
> nao sao verdade,
> mas simplesmente que certas verdades sao mais
> estabelecidas do que
> outras.)"

1) Como eu disse antes, acho que os critérios para o
grau de certeza são diferentes.
>
"Minha
> opiniao e' de que
> o teste experimental garante que uma teoria fisica
> se aproxime mais da
> realidade do que um diagnostico psicologico, por
> exemplo.

         "Faco uma pergunta ao Pr. Gui:
         Como podemos medir a qualidade do conhecimento

gerado em outros campos em que nao se aplica o teste
empirico? Voce nao confia mais na termodinamica
(diariamente testada nas usinas termoeletricas)
do que em um metodo pedagogico?"

2) O método pedagógico é uma coisa; a termodinâmica é
outra (nem é um "método"). Nesse caso, inclusive, é
preciso comentar que a pedagogia não é uma ciência
"pura", porque não lida com um único aspecto da
realidade, mas com uma entidade cultural (a educação)
que envolve vários aspectos. Aqui não cabe qualquer
comparação.


         "A respeito da Historia, eu gostaria de tecer
alguns
comentarios. E' importante notar que as ciencias
empiricas permitem que uma teoria cientifica seja
testada
exaustivamente (falsificabilidade de Popper). Por
outro lado,
nunca saberemos todos os detalhes de um acontecimento
historico."

3) Mas você nunca saberá todos os detalhes na pesquisa
empírica. De novo, acho que você não está usando o
Popper adequadamente. Conforme ele, justamente porque
nós nunca podemos ter certeza de que uma hipótese é
verdadeira por meio do experimento, é que precisamos
procurar falsificá-la por meio de testes exaustivos.
Por mais que uma teoria científica seja testada,
jamais teremos certeza absoluta de sua veracidade. Se
a teoria de Newton tem um alcance restrito por quê ele
não conhecia todos os detalhes, a despeito dos
experimentos, como podemos saber que o mesmo não seja
verdade hoje quanto à física moderna? Pode-se
responder que a teoria de Newton era parcialmente
verdadeira. Pois bem, uma teoria histórica que ignore
muitos detalhes históricos também podem ser
parcialmente verdadeira.

"Nunca poderemos voltar ao passado; nunca poderemos
entrevistar
Napoleao Bonaparte ou Cristovao Colombo. Precisamos
interpretar
a historia a partir dos documentos que ficaram e da
observacao
da parcela do estado presente que foi historicamente
herdada."

4) Ok, sem problemas. Mas a "entrevista" com Bonaparte
corresponde, dentro da história, a uma teoria como a
da evolução na biologia, que não pode ser tratada
diretamente por estar muito distante das crenças
básicas. Mas na história também há os "dados próximos"
que correspondem aos dados empíricos das ciências
experimentais. Por exemplo: a percepção do "tempo"
histórico. Ou as marcas culturais que todo objeto
histórico traz. Por exemplo: o tipo de letra usada no
documento, ou o tipo de papel. A paleografia, usada
para estudar documentos antigos, os transforma em
dados cientificamente aproveitáveis ao identificar sua
origem geográfica, temporal e social examinando a
letra que é utilizada. Depois, tais dados são usados
para construir teorias mais complexas e abrangentes,
como a tentativa de determinar quem foi Napoleão
Bonaparte. Claro, o documento pode ser falso. Mas
também há critérios científicos para identificação de
falsificações, e assim por diante. Como nas ciências
experimentais, há hipóteses muito próximas das crenças
básicas, e outras muito distantes.

         "E se algum acontecimento historico importante
nao foi
registrado? Sera que conhecemos os nomes de todas as
pessoas
que desempeharam papeis importantes no descobrimento
do Brasil?
Sabemos exatamente as motivacoes de cada personagem
historica?
E' impossivel conhecer o passado com a mesma precisao
necessaria
para enviar uma sonda a Marte."

5) Mas Gui 2, são categorias completamente diferentes!
Você está falando aqui de tecnologia e precisão
matemática. Isso não é o mesmo que certeza! Por
exemplo: você tem tanta certeza de que a segunda
guerra mundial aconteceu quanto sobre qualquer
experimento que já realizou. Mas jamais será capaz de
expressar isso matematicamente ou de aproveitar isso
em tecnologia porque são aspectos completamente
diferentes da realidade. Precisão é uma coisa, certeza
cognitiva é outra coisa completamente diferente.

6) Por exemplo: devido ao comportamento das partículas
sub atômicas num experimento controlado, posso
postular a existência de uma partícula X, e até mesmo
descrevê-la por meio da física matemática. Mas a não
ser que possa observá-la diretamente (e em muitos
casos isso não é possível), jamais saberei se a
partícula X existe ou se na verdade o que causa o
efeito observado é uma realidade completamente
diferente. Talvez nem haja qualquer distúrbio no
comportamente daquelas partículas. Eu é que fui
enganado pela aceitação de uma teoria prévia sobre
como as partículas deveriam se comportar e para
"ajeitar" a situação, ao invés de rejeitar a teoria
inicial, preferi confiar nela e postular a partícula
X. Mas suponhamos que haja mesmo um "distúrbio". Como
posso saber se o que descrevi como partícula não é na
verdade a interpretação errônea de um fenômeno físico
muito mais complexo e ramificado, que a física atual
não consegue detectar ou conceber, e que no
experimento, dá a falsa impressão de ser uma
partícula?  E como posso saber se esse fenômeno está
dentro de nossa capacidade de observação e teorização?
E se ele for o efeito de uma dimensão inobservável?

Precisão matemática é uma coisa. Certeza cognitiva é
outra coisa completamente diferente. Uma coisa é uma
coisa, e outra coisa é outra coisa.

Além disso, sondas enviadas a marte também se perdem
no espaço né? Por que será? :~)

         "Em resumo, acho que cada teoria cientifica em
cada
area do conhecimento (ciencia) se aproxima da
realidade com uma
precisao diferente. Esse nao e' um problema com os
cientistas
de cada area, mas e' inerente ao objeto de estudo. O
ser humano
e as relacoes humanas sao muitas e muitas vezes mais
dificeis
e imprevisiveis do que o mundo natural."

6) Bem, o que eu acho é que precisamos de uma reforma
geral na epistemologia e na filosofia da ciência.
Sobre as bases presentes, é impossível uma integração
da fé cristão no pensamento teórico, e muito menos uma
unificação real dos saberes humanos.

bração!

Pastorgui


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#27 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qui, 13 de Mar de 2003 8:56 pm
Assunto: Correção do Horário da Reunião do NEC
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Oi gente!

Peço desculpas por ter cometido um pequeno erro.
Conforme combinado, o horário das nossas reuniões aos
sábados é 14:00, não 14:30 como informado no início da
semana. Para muitos de nós seria melhor que a tarde
inteira não fosse tomada pela reunião.
Se você tem contato com outro membro do NEC, por favor
informe-o da correção.

Até sábado!

Pastorgui



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#26 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qui, 13 de Mar de 2003 6:46 pm
Assunto: Gerundismo
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> Mensagem: 1
>      Data: Wed, 12 Mar 2003 17:08:58 -0300
>        De: "Renato Nogueira Fontes"
> <renato@...>
>   Assunto: Gerundismo
>
> O pior é que crente adora isso... Vamos "estar
> orando", "estar ministrando", "estar louvando", etc
> etc etc...
>
> >>>>Repassando:
>
> O uso freqüente de frases como "vou estar mandando
> um fax" ou "vou estar telefonando em breve" inspirou
> o publicitário Ricardo Freire a escrever um texto
> que se propagou pela Internet, em forma de uma
> corrente de e-mails, para criticar o "gerundismo".
> Confira a íntegra.
>
>
> "Este artigo foi feito especialmente para que você
> possa estar recortando, estar imprimindo e estar
> fazendo diversas cópias, para estar deixando
> discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga
> estar falando sem estar espalhando essa praga
> terrível da comunicação moderna, o gerundismo.
>
>
>
> Você pode também estar passando por fax, estar
> mandando pelo correio ou estar enviando pela
> Internet. O importante é estar garantindo que a
> pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem,
> de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe,
> consiga até mesmo estar se dando conta da maneira
> como tudo o que ela costuma estar falando deve estar
> soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.
>
>
>
> Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias
> quantas você vá estar achando necessárias, de modo a
> estar atingindo o maior número de pessoas infectadas
> por esta epidemia de transmissão oral.
>
>
>
> Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o
> objetivo deste movimento é estar fazendo com que
> esteja caindo a ficha das pessoas que costumam estar
> falando desse jeito sem estar percebendo.
>
>
>
> Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando
> a nossos interlocutores que, sim!, pode estar
> existindo uma maneira de estar aprendendo a estar
> parando de estar falando desse jeito.
>
>
>
> Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar
> sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar
> onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo
> frases assim o dia inteirinho.
>
>
>
> Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto
> de estar estourando. O próximo 'Eu vou estar
> transferindo a sua ligação' que eu vá estar ouvindo
> pode estar provocando alguma reação violenta da
> minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando
> pelos meus atos.
>
>
>
> As pessoas precisam estar entendendo a maneira como
> esse vício maldito conseguiu estar entrando na
> linguagem do dia-a-dia.
>
>
>
> Tudo começou a estar acontecendo quando alguém
> precisou estar traduzindo manuais de atendimento por
> telemarketing. Daí a estar pensando que 'We'll be
> sending it tomorrow' possa estar tendo o mesmo
> significado que 'Nós vamos estar mandando isso
> amanhã' acabou por estar sendo só um passo.
>
>
>
> Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo
> apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing
> para estar ganhando os escritórios. Todo mundo
> passou a estar marcando reuniões, a estar
> considerando pedidos e a estar retornando ligações.
>
>
>
> A gravidade da situação só começou a estar se
> evidenciando quando o diálogo mais coloquial
> demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo
> gerundismo.
>
>
>
> A primeira pessoa que inventou de estar falando 'Eu
> vou tá pensando no seu caso' sem querer acabou por
> estar escancarando uma porta para essa infelicidade
> lingüística estar se instalando nas ruas e estar
> entrando em nossas vidas.
>
>
>
> Você certamente já deve ter estado estando a estar
> ouvindo coisas como 'O que cê vai tá fazendo
> domingo?', ou 'Quando que cê vai tá viajando pra
> praia?', ou 'Me espera, que eu vou tá te ligando
> assim que eu chegar em casa'.
>
>
>
> Deus. O que a gente pode tá fazendo pra que as
> pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá
> provocando no cérebro das novas gerações?
>
>
>
> A única solução vai estar sendo submeter o
> gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual
> precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas
> contagiosos, como o 'a nível de', o 'enquanto', o
> 'pra se ter uma idéia' e outros menos votados: "A
> nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha
> de tá insistindo em tá falando desse jeito?"
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#25 De: Guilherme Jose de Moraes Garcia <gjmg@...>
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Oi Marcelo,
Oi pessoal,


           esse nosso bate-papo sobre Filosofia da Ciencia
esta' interessante, mas acredito que a falta de uma definicao
exata do que e' ciencia esta' gerando um pouco de confusao.
Tambem acho interessante discutir a confiabilidade das teorias
propostas em cada area. Eu gostaria de discutir abaixo minhas
ideias sobre o assunto e tambem de ouvir voces darem a sua opiniao.

           Uma vez que meu conhecimento de Filosofia da Ciencia
e' restrito, saliento que vou simplesmente dar MINHA opiniao.
Assim, seria de grande valia se alguem que tiver mais estudo
do assunto nos der uma explicacao mais profunda.



           O Pastor Gui confere a todas areas do conhecimento
humano o grau de ciencia, pois ele escreve:
>  Mas o que é "ciência"? É conhecimento.

           Por outro lado, quando eu escrevi a polemica frase:

>     Nao concordo que todas as areas do conhecimento humano
> sejam ciencia como voce (aparentemente) colocou acima. Meu
> conceito de ciencia e' bem restrito, pois para mim ciencia e'
> basicamente fisica, quimica e biologia, ou seja, as areas do
> conhecimento em que se formulam hipoteses que sao confrontadas
> com o experimento.

Eu simplesmente queria distinguir as ciencias naturais (Fisica,
Quimica e Biologia) das ciencias humanas (Etica, Psicologia,
Historia, Politica, Economia,  ...)

           Eu acho necessario percebermos que o conhecimento que
temos da realidade ocorre em graus diferentes. Em outras palavras,
existem verdades mais estabelecidas do que outras. Por exemplo,
todo ser humano concorda que existem arvores, enquanto que nem todo
ser humano concorda que Jesus Cristo vive e e' o Filho do Deus vivo.



(OBSERVACAO:

Isso nao significa que essa segunda verdade seja menos importante
do que a primeira. Portanto, nao concordo quando o Pr. Gui
conecta importancia com o grau de confiabilidade em uma
verdade:

>(...) para dar um exemplo, a crença na ressurreição
>de Jesus teria menos importância dentro de seu sistema
>de crenças (estrutura noética) do que as crenças
>derivadas da experimentação.

FIM DA OBSERVACAO.)

           A questao que eu quero explorar aqui e' saber ate'
que ponto uma dada teoria humana pode ser considerada verdade.
E com isso quero me contrapor a necessidade expressa pelo
Pr. Gui (no final de sua mensagem) de

> iguala(r) todas as ciências quanto à sua veracidade.

          Em fisica, e' comum fazermos previsoes de experimentos
com precisoes enormes, digamos de 0.0001%. Nao acredito que
um diagnostico psicologico seja tao preciso e tambem nao
acredito que nossa compreensao da biblia e' tao proxima assim do
significado real do texto (basta notar que nao existe consenso
sobre o significado de alguns textos).

          Dessa forma, nao e' justo distinguir as ciencias empiricas
das demais? Voces nao concordam que elas tem maior credibilidade?
(Notem que isso nao significa que as demais ciencias nao sao verdade,
mas simplesmente que certas verdades sao mais estabelecidas do que
outras.)

          Assim, quando afirmei que apenas Fisica, Quimica e Biologia
sao ciencia, eu queria na verdade conferir a essas ciencias um grau
de confiabilidade maior. Nao quero dizer que o conhecimento obtido em
outras areas nao e' confiavel. Tambem nao quero dizer que nao e'
possivel fazer "ciencia" em outras areas. Minha opiniao e' de que
o teste experimental garante que uma teoria fisica se aproxime mais da
realidade do que um diagnostico psicologico, por exemplo.
E' aqui que o Pr. Gui grita:

>Ok, aqui está o problema.


> (...)  ao dizer que
>
>>"teorias que foram corroboradas pelo teste
>> experimental merecem mais
>> credibilidade do que teorias e hipoteses que nao
>> foram assim testadas"
>
>   você está (na minha opinião) cometendo o erro que
>apontei no princípio: está medindo a qualidade do
>conhecimento adquirido em outros campos a partir da
>metodologia do seu próprio campo.


         Faco uma pergunta ao Pr. Gui:
         Como podemos medir a qualidade do conhecimento
gerado em outros campos em que nao se aplica o teste
empirico? Voce nao confia mais na termodinamica
(diariamente testada nas usinas termoeletricas)
do que em um metodo pedagogico?



         A respeito da Historia, eu gostaria de tecer alguns
comentarios. E' importante notar que as ciencias
empiricas permitem que uma teoria cientifica seja testada
exaustivamente (falsificabilidade de Popper). Por outro lado,
nunca saberemos todos os detalhes de um acontecimento historico.
Nunca poderemos voltar ao passado; nunca poderemos entrevistar
Napoleao Bonaparte ou Cristovao Colombo. Precisamos interpretar
a historia a partir dos documentos que ficaram e da observacao
da parcela do estado presente que foi historicamente herdada.

         E se algum acontecimento historico importante nao foi
registrado? Sera que conhecemos os nomes de todas as pessoas
que desempeharam papeis importantes no descobrimento do Brasil?
Sabemos exatamente as motivacoes de cada personagem historica?
E' impossivel conhecer o passado com a mesma precisao necessaria
para enviar uma sonda a Marte.

         Portanto, seguindo a definicao do Pr. Gui de que
ciencia=conhecimento, eu concordo sim que Historia e' ciencia.
Mas, certamente, e' uma ciencia em que as verdades nao sao
tao precisas quanto nas ciencias naturais e acho necessario
fazer essa distincao.


         Em resumo, acho que cada teoria cientifica em cada
area do conhecimento (ciencia) se aproxima da realidade com uma
precisao diferente. Esse nao e' um problema com os cientistas
de cada area, mas e' inerente ao objeto de estudo. O ser humano
e as relacoes humanas sao muitas e muitas vezes mais dificeis
e imprevisiveis do que o mundo natural.

         Finalmente, a questao sobre se Historia, Etica, Teologia,
Psicologia, etc sao ciencia parece ser uma questao de definicao.

                Aguardo comentarios.

                       um abraco

                                    Gui2

#24 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qua, 12 de Mar de 2003 6:34 pm
Assunto: Ei titio Jr!
pastorgui
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E aí jR, beleza?

Seja bem vindo brother. No momento estamos conversando
a respeito da filosofia da ciência e seus limites.
Você pode dar uma olhada no que já conversamos indo
direto para o NecNet. E pode conhecer o site do NEC:

http://geocities.yahoo.com.br/nucleodeestudoscristaos/

Tudo bem aí? A Cris contou que você vai ter que ficar
mais tempo né? :~(

Aqui; seu e-mail é do Inpa. Acho que logo você vai ter
que fazer outro. Quando fizer, não esqueça de
cadastrá-lo no NecNet.

'té+irmão!

Pastorgui


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#23 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qua, 12 de Mar de 2003 6:26 pm
Assunto: Artigo novo no Site do NEC
pastorgui
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Ei todomundo!

Temos um texto novo no site do NEC. É a tradução do
capítulo 4 da obra de Roy Clouser sobre o papel da
crença religiosa nas teorias. O título é: "O que é uma
Teoria"? Nesse texto o Clouser discute questões
importantes sobre o que é uma teoria, como se forma, e
como podemos avaliar teorias em geral. Vale a pena
ler. É só clicar no endereço abaixo:

http://geocities.yahoo.com.br/nucleodeestudoscristaos/OqueeumaTeoria.html

até+!

Pastorgui


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#22 De: "histomarcelo" <histomarcelo@...>
Data: Qua, 12 de Mar de 2003 1:33 am
Assunto: Re: Re: Resumo 10 (Filosofia e Ciência 2)
histomarcelo@...
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Olá, para todos.
  Oi, Gui 2

  Como sou estudante do curso de história, vou tentar
defendê-la como ciência. Pois, veja bem o que você diz:


"... nao concordo que todas as areas do
conhecimento humano sejam ciencia ...
... ciência é basicamente
fisica, quimica e biologia, ou seja, as areas do
conhecimento em
que se formulam hipoteses que sao confrontadas com o
experimento.
... Mas, ao mesmo tempo, acredito que teorias que
foram corroboradas pelo teste experimental merecem mais
credibilidade do que teorias e hipoteses que não foram
assim testadas."


  Pergunto por quê a história não pode ter teorias que
possam ser confirmadas pelo teste experimental? Ranke,
foi seu maior defensor, criou o método histórico
constituindo-a como uma ciência. Sua maior preocupação
era a separação das fontes primárias e sua identificação.

  Um pequeno resumo: este movimento em constituí-la como
uma ciência, surgiu no século XIX, na Alemanha. Tinham
como preocupação valorizar a origem da nação, ou seja,
voltar ao passado e procurar nele a origem da nação.

  Vamos lembrar de nossa nação como exemplo: o Brasil é
um país que possui sua certidão de nascimento, a carta
de Pero Vaz de Caminha, ela é a fonte para provar que o
Brasil foi descoberto em 1500 pelos portugueses,
portanto possui confirmação pelo teste experimental, é
um documento que comprova tal hipótese de sua descoberta.

  E há outros casos que é possível provar, confirmar
determinados fatos sem contudo possuir documentação
oficial (escrito) como era proposto no séc. XIX.

  Um grande problema que eu vejo no método científico
abordado pela física, química, biologia e até a história
é a de que as teorias deveriam basear-se num processo
evolutivo. Isso no séc. XIX, porém está empreguinado nos
séc. XX e XXI.

  Para mim Darwin veio corromper o conhecimento que nos
foi dado através d palavra de Deus. Se voltarmos a
aprender a verdade criada por Deus "o próprio estudo
cientifico poderá servir para a glória de Deus."
(Schaeffer)



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#21 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Seg, 10 de Mar de 2003 4:36 pm
Assunto: Sábado tem encontro do NEC!
pastorgui
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Oi todomundo!

    Quero lembrar a todos que no próximo sábado dia
15/03 às 14:30 teremos o nosso próximo encontro do
NEC, na IBBS (Rua Francisco Bicalho, 1371, Mons.
Messias). O tema do encontro será "O projeto de
Cosmovisão Reformada de Abraham Kuyper". Eu e o Luiz
Henrique vamos apresentar e depois teremos uma
discussão. Como preparação para o encontro, foi
recomendada a leitura do livro "Calvinismo", de Kuyper
(Cultura Cristã).
    Lembre-se: sua participação é importante para o
projeto do NEC.

Deus abençoe a todos!


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#20 De: junior@...
Data: Dom, 9 de Mar de 2003 11:07 pm
Assunto: Olá!
junior@...
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Olá pessoal,

aqui é o elildo júnior. Não sei se todo mundo do grupo já me conhece, mas sou
irmao do pastor gui. No momento estou terminando meu mestrado em ecologia em
manaus e tentando voltar para belo horizonte. Acabei de ser acrescentado à
lista, vamos ver se da pra trocar umas ideias por aqui.
Um abraço,

Junior

#19 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Dom, 9 de Mar de 2003 5:41 am
Assunto: Re: Resumo 10 (Filosofia e Ciência 2)
pastorgui
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Ei Gui 2!
Vamos lá:

  >         "Deixe-me tentar responder duas questoes
que
> voce me fez:
>
>
> PRIMEIRA QUESTAO:
>
> >   (...)  Preciso fazer uma crítica. Você disse
>
> >que a física é um excelente "protótipo" do que deve
>
>
> >ser a ciência. Acho que discordo. Sua afírmação
>
>
> >aparentemente pressupõe que toda a realidade
> funciona
>
> >num padrão semelhante ao dos processos físicos, de
> tal
>
> >modo que um método padrão derivado da física
> poderia
>
> >ser aplicado a outras ciências sem problemas.
> Talvez
>
> >isso seja verdade, até certo ponto, mas em que base
>
>
> >você se apóia para dizer isso?
>
>
>     Nao! Eu nao acredito que toda a realidade possa
> ser
> explicada por processos fisicos! (Apesar de
> aparentemente
> outras pessoas crerem que sim.) Eu acredito que a
> realidade
> humana engloba a filosofia, a politica, a teologia,
> a psicologia, etc, areas em que a fisica pode ate
> contribuir,
> mas que certamente nao sera' a fonte principal de
> conhecimento."

    Eu já conversei com você sobre isso antes, e estou
ciente de que você não pensa que toda a realidade seja
redutível a uma única ciência. Mas não foi isso que eu
apontei. O problema que eu estou colocando não é
reduzir por exemplo a política à física, mas tentar
aplicar a metodologia da física na ciência política.
Ou seja, prá mim não só há campos distintos e
irredutíveis de conhecimento, mas também cada campo
exige uma metodologia própria.


> "Assim, eu concordo quando voce diz que:
>
> >Para termos
>
> >compreensão plena da realidade, precisamos dar a
> cada
>
> >ciência a liberdade para desenvolver-se por seus
>
>
> >próprios princípios, sem domínio de uma sobre a
> outra.
>
> no sentido que precisamos de todas as areas do
> conhecimento
> humano para descrever a realidade.
>     Mas nao concordo que todas as areas do
> conhecimento humano
> sejam ciencia como voce (aparentemente) colocou
> acima. Meu conceito
> de ciencia e' bem restrito, pois para mim ciencia e'
> basicamente
> fisica, quimica e biologia, ou seja, as areas do
> conhecimento em
> que se formulam hipoteses que sao confrontadas com o
> experimento.
> Se nao me engano, essa distincao e' proveniente de
> Popper e, nela,
> nem mesmo a matematica e' considerada ciencia. Mas,
> acho que voce concorda com o que eu escrevi, pois
> voce mesmo disse
> que a filosofia nao e' uma ciencia no sentido usual,
> mas sim uma
> "ciencia da ciencia".

    Ok, aqui está o problema. Você disse que tem um
conceito de ciência restrito, considerando que apenas
as áreas do conhecimento que utilizam a pesquisa
empírica são ciências. De fato, a distinção é usada
por Popper, mas foi antes dele enfatizada pelo círculo
de Viena (empirismo lógico). Vamos dar um pano de
fundo para discutir a questão:
    Os empiristas achavam que todo o conhecimento
procede da experiência sensível num sentido
materialístico. Para eles, a filosofia da ciência só
teria valor se todos os seus conteúdos tivessem bases
empíricas verificáveis. Todo discurso que não tivesse
uma base puramente empírica para eles era falso, era
uma conversa sem sentido. Eles eram portanto
indutivistas (acreditavam que as teorias são
generalizações logicamente justificadas de dados
empíricos; o experimento "prova" a teoria). Para eles
ética, metafísica, teologia, história, e outras
realidades não tinham valor de conhecimento.
    O Popper discordava dos empiristas lógicos porque
descobriu que toda teoria científica é uma mistura dos
dados empíricos com palpites e crenças não empíricas,
não existindo realmente a possibilidade de apoiar a
teoria apenas nos dados empíricos. Ele era
anti-indutivista. Nesse ponto acho que minha mensagem
anterior foi bem Popperiana. Contra o indutivismo ele
criou o princípio da falsificabilidade para explicar a
ciência (a teoria é verdadeira até que seja comprovada
uma falha). De acordo com esse princípio, teorias não
falsificáveis (que não podem ser testadas para
identificar erros) não são científicas.
    Por outro lado, acho que Popper nunca se
desvencilhou do empirismo, pois considerava o
experimento a única forma de "falsificar" uma teoria.
Para ele só havia conhecimento certo nas ciências
empíricas. Por isso só elas eram "ciências".

    Pois bem; pela sua resposta (e pela anterior),
parece que você tem idéias indutivistas, pois
considera o teste empírico como o modo de se ter
certeza a respeito de alguma coisa, de comprovar ou
verificar uma teoria. Por outro lado, você disse
concordar que só as áreas que empregam a
experimentação podem ser consideradas ciências,
seguindo Popper.
    Mas o que é "ciência"? É conhecimento. Quando os
empiristas e Popper diziam que só ciências de caráter
empírico eram de fato ciências, queriam dizer que
somente elas nos dão "crenças verdadeiras
justificadas", ou seja, conhecimentos. As outras áreas
nos dão apenas "opiniões", que podem posteriormente
(segundo Popper) até contribuir para desenvolver
teorias científicas.
    Parece que você não concorda com isso, pois disse
lá em cima que há outras "áreas de conhecimento", e
depois que há outros "ramos do conhecimento", que para
você não seriam ciência. Veja só: essa declaração não
é Popperiana. Se você acredita que existem
conhecimentos verdadeiros fora da pesquisa
experimental, então acho que você deveria considerar a
possibilidade de ciências sem base experimental.
    De qualquer modo, ao dizer que

"teorias que foram corroboradas pelo teste
> experimental merecem mais
> credibilidade do que teorias e hipoteses que nao
> foram assim testadas"

    você está (na minha opinião) cometendo o erro que
apontei no princípio: está medindo a qualidade do
conhecimento adquirido em outros campos a partir da
metodologia do seu próprio campo. Conforme essa
opinião, para dar um exemplo, a crença na ressurreição
de Jesus teria menos importância dentro de seu sistema
de crenças (estrutura noética) do que as crenças
derivadas da experimentação. Assim a autoridade máxima
dentro de seu pensamento seria a razão autônoma.
    Agora, se há de fato outros tipos de conhecimento
que não vêm por meio da experimentação, mas por outros
meios, considero plenamente possível que haja tipos
diferentes de ciência, cada uma lidando com uma
dimensão diferente da realidade. Quando digo tipos
diferentes de ciência, estou dizendo que o que dá a um
campo de estudo o status de ciência não é uma
metodologia padrão, mas sua fundamentação num nível de
realidade que possa ser conhecido por nós de algum
modo. Mas como tais níveis são distintos, e os modos
de cognição também, os métodos deverão ser diferentes.

"voce mesmo disse
> que a filosofia nao e' uma ciencia no sentido usual,
> mas sim uma
> "ciencia da ciencia".

    Veja só, a filosofia é um caso diferente. Ela não
está na mesma categoria da teologia, ética,
linguística, arte, matemática, física, etc, por uma
razão muito simples: Ela não é um ramo do
conhecimento. Não há "conhecimento" filosófico
rigorosamente falando, porque a filosofia é um método
de crítica do conhecimento, não um método de aquisição
de conhecimento. Filosofia é uma coisa,
ciência/conhecimento é outra coisa. A física por
exemplo, ou a teologia, podem existir sem as outras
ciências. A filosofia não, porque ela é a teoria das
ciências, um recurso propedêutico.

> "Sobre sua pergunta:
>
> > Talvez isso seja verdade, até certo ponto, mas em
> que base
>
> > você se apóia para dizer isso?
>
>     Posso dizer que acredito que processos fisicos
> sao responsaveis
> por processos quimicos e tambem que grande parte da
> biologia pode ser
> explicada por processos quimicos e fisicos. A base
> em que me apoio
> para fazer essa declaracao e' simplesmente a
> constatacao da quantidade
> de fenomenos biologicos que ja sao compreendidos
> hoje com base na
> quimica e na fisica!!!"

    Gui, isso prova que a experimentação é essencial
para essas ciências, mas não prova que esse método
seja adequado às outras ciências, ou uma condição para
a "ciência".
>

> "SEGUNDA QUESTAO:
>
> >Agora veja só
>
> >como isso influencia você indiretamente: quando
> você
>
> >propõe uma hipótese, a sustenta com uma série de
>
>
> >"crenças de fundo", que podem ou não ser
> verdadeiras.
>
> >Agora, essas crenças, quase sempre, são hipóteses
>
>
> >(confirmadas ou não) baseadas em outras "crenças de
>
>
> >fundo" - e assim por diante. De forma que por trás
> de
>
> >cada hipótese formulada, o físico traz uma complexa
>
>
> >"teia de crenças", e ele obviamente não pode lidar
> com
>
> >todas elas ao mesmo tempo. Como parte dessa teia de
>
>
> >crenças estão crenças sobre a natureza do método
>
>
> >científico, sobre a relação entre experiência
>
>
> >sensorial e pensamento, sobre a racionalidade do
> cosmos, etc.
>
>
> >   Pode ser que elas sejam todas verdadeiras,
> mas...
>
> >como é que você sabe? (essa é para você responder!)
>
>
>
>     O fato e' que nao sabemos justificar todas as
> hipoteses
> presentes em uma teoria cientifica. Entretanto,
> sabemos que a
> ciencia funciona, tanto e' que estou escrevendo para
> voce em
> um computador e nao com tinta e papel. Em resumo,
> mesmo nao
> sabendo justificar todas as "crencas de fundo",
> sabemos que
> essa estrutura funciona e que ela pode nos oferecer
> muito. Então, bola prá frente!"

    Certo. Esse é o ponto. As ciências experimentais
não são válidas porque produzem interpretações
absolutamente certas a respeito da realidade. Aliás, o
próprio Karl Popper negava isso veementemente. No caso
de Newton por exemplo: na visão popperiana, a teoria
de Newton foi falsificada quando se observou que sob
certas condições ela não funcionava. Isso não
significa que ela não tinha valor. A validade da
ciência experimental está em seu poder de criar
explicações aproximativas úteis para a teorização e
para as aplicações práticas.
    Essa forma de compreender a questão realmente
aproxima as ciências experimentais (como prefiro
denominar) das outras ciências, uma vez que rompe a
barreira positivista e iguala todas as ciências quanto
à sua veracidade, abrindo espaço para uma verdadeira
pluralidade de ciências, e uma melhor comunicação
entre elas.

bração!


Pastorgui


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#18 De: "histomarcelo" <histomarcelo@...>
Data: Sex, 7 de Mar de 2003 12:21 am
Assunto: Re:Bem-vindo ao grupo nucleodeestudoscristaos
histomarcelo@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Olá,
  Recebi e-mail com muita satisfação.
  Acho que não vou demorar dar umas "pitacas".


  Marcelo





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#17 De: Guilherme Jose de Moraes Garcia <gjmg@...>
Data: Qui, 6 de Mar de 2003 5:48 pm
Assunto: Re: Resumo 9
gjmg@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Oi Pastor Gui,


         muito obrigado pela sua resposta.

         Deixe-me tentar responder duas questoes que
voce me fez:


PRIMEIRA QUESTAO:

>   (...)  Preciso fazer uma crítica. Você disse
>que a física é um excelente "protótipo" do que deve
>ser a ciência. Acho que discordo. Sua afírmação
>aparentemente pressupõe que toda a realidade funciona
>num padrão semelhante ao dos processos físicos, de tal
>modo que um método padrão derivado da física poderia
>ser aplicado a outras ciências sem problemas. Talvez
>isso seja verdade, até certo ponto, mas em que base
>você se apóia para dizer isso?


     Nao! Eu nao acredito que toda a realidade possa ser
explicada por processos fisicos! (Apesar de aparentemente
outras pessoas crerem que sim.) Eu acredito que a realidade
humana engloba a filosofia, a politica, a teologia,
a psicologia, etc, areas em que a fisica pode ate contribuir,
mas que certamente nao sera' a fonte principal de conhecimento.
Assim, eu concordo quando voce diz que:

>Para termos
>compreensão plena da realidade, precisamos dar a cada
>ciência a liberdade para desenvolver-se por seus
>próprios princípios, sem domínio de uma sobre a outra.

no sentido que precisamos de todas as areas do conhecimento
humano para descrever a realidade.
     Mas nao concordo que todas as areas do conhecimento humano
sejam ciencia como voce (aparentemente) colocou acima. Meu conceito
de ciencia e' bem restrito, pois para mim ciencia e' basicamente
fisica, quimica e biologia, ou seja, as areas do conhecimento em
que se formulam hipoteses que sao confrontadas com o experimento.
Se nao me engano, essa distincao e' proveniente de Popper e, nela,
nem mesmo a matematica e' considerada ciencia. Mas,
acho que voce concorda com o que eu escrevi, pois voce mesmo disse
que a filosofia nao e' uma ciencia no sentido usual, mas sim uma
"ciencia da ciencia".

     Naturalmente nao quero desmerecer nenhum ramo do conhecimento,
pelo contrario, repito que acredito que todos eles sao importantes
para nos. Mas, ao mesmo tempo, acredito que
teorias que foram corroboradas pelo teste experimental merecem mais
credibilidade do que teorias e hipoteses que nao foram assim testadas.



Sobre sua pergunta:

> Talvez isso seja verdade, até certo ponto, mas em que base
> você se apóia para dizer isso?

     Posso dizer que acredito que processos fisicos sao responsaveis
por processos quimicos e tambem que grande parte da biologia pode ser
explicada por processos quimicos e fisicos. A base em que me apoio
para fazer essa declaracao e' simplesmente a constatacao da quantidade
de fenomenos biologicos que ja sao compreendidos hoje com base na
quimica e na fisica!!!



SEGUNDA QUESTAO:

>Agora veja só
>como isso influencia você indiretamente: quando você
>propõe uma hipótese, a sustenta com uma série de
>"crenças de fundo", que podem ou não ser verdadeiras.
>Agora, essas crenças, quase sempre, são hipóteses
>(confirmadas ou não) baseadas em outras "crenças de
>fundo" - e assim por diante. De forma que por trás de
>cada hipótese formulada, o físico traz uma complexa
>"teia de crenças", e ele obviamente não pode lidar com
>todas elas ao mesmo tempo. Como parte dessa teia de
>crenças estão crenças sobre a natureza do método
>científico, sobre a relação entre experiência
>sensorial e pensamento, sobre a racionalidade do cosmos, etc.
>   Pode ser que elas sejam todas verdadeiras, mas...
>como é que você sabe? (essa é para você responder!)


     O fato e' que nao sabemos justificar todas as hipoteses
presentes em uma teoria cientifica. Entretanto, sabemos que a
ciencia funciona, tanto e' que estou escrevendo para voce em
um computador e nao com tinta e papel. Em resumo, mesmo nao
sabendo justificar todas as "crencas de fundo", sabemos que
essa estrutura funciona e que ela pode nos oferecer muito mais.
Portanto, bola para frente...

#16 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qua, 5 de Mar de 2003 3:41 am
Assunto: Re: Filosofia e Ciência 1
pastorgui
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Ei todomundo!

    Ei Gui 2. Me desculpe a demora para responder, é
que eu estava meio apertado, depois veio o feriadão
(aí eu fiquei meio solto!). Mas vamos conversar. Uma
coisa de cada vez!


>        "A pergunta e' a seguinte:
>
>        Na fisica, que eu acredito ser um otimo
> prototipo de ciencia,
>        o fundamento de cada teoria sao hipoteses que
> nao sao
>        justificadas `a priori. Ao se formular uma
> hipotese sobre
>        o universo em que vivemos, nem sempre sabemos
> se essa e' uma
>        intuicao correta ou errada. O que determina a
> veracidade de uma
>        teoria e' o experimento."

Ok. O que você disse está quase certo. Que cada teoria
começa com hipóteses que não são justificadas a
priori, não há o que discutir. Mas preciso fazer aqui
duas correções.
(1) Em primeiro lugar, aparentemente, você supõe que a
teoria tem conexões apenas com o experimento. Essa
declaração não é precisa. Quando você faz uma
pergunta, sempre pressupõe alguma coisa. Por exemplo,
eu posso perguntar a você: "qual o nome da sua
namorada"? Repare que nessa pergunta, há algo que eu
não sei (o nome da sua namorada), e há algo que eu
sei, ou suponho (que você tem namorada, que sua
namorada tem nome, que sua namorada é uma pessoa,
etc). Então vamos lá: de fato, as hipóteses
científicas não são justificadas a priori; no entanto,
elas são sempre construídas a partir de outros fatos
que supostamente já estão estabelecidos. Assim, o que
determina a veracidade de uma hipótese não é "o
experimento", mas a soma do experimento com outras
crenças que compõe o escopo da teoria (depois podemos
tentar detalhar tais crenças).

>        "Vou dar um exemplo para ilustrar. No meu
> mestrado trabalhei com
>        ossos de mamiferos. Meu objetivo era
> determinar como o tamanho
>        dos ossos varia com a massa do animal. Em
> particular, eu queria
>        saber qual a formula matematica que descreve
> a variacao do
>        comprimento do femur dos mamiferos com a
> massa. Para alcancar
>        esse objetivo, fizemos um modelo, o que
> consistiu em fazer
>        hipoteses e a partir delas fazer calculos e
> previsoes.
>
>        Uma de nossas hipoteses era a de que as
> propriedades dos ossos
>        de todos os mamiferos sao iguais (por
> exemplo, a elastidade
>        do femur de um gato e' a mesma da de um
> bufalo). Em seguida,
>        comparamos nossas previsoes com os dados do
> mundo real observados
>        por biologos e descobrimos que nossa teoria
> estava de acordo com
>        os dados. Isso nos permite acreditar que
> nossas hipoteses eram
>        de fato corretas."

    Talvez para mim seja um pouco difícil detalhar o
complexo de crenças que é pressuposto na construção da
hipótese a ser testada, mormente porque não sou físico
nem conheço os detalhes da pesquisa. Acho que
precisaria de um tempo do qual agora não disponho! Mas
vou citar alguns a título de exemplo: você supõe
coisas aparentemente banais, como: os mamíferos tem
fêmur, os animais tem massa; outras suposições não são
tão banais: por exemplo a crença de que a matemática é
um instrumento adequado para descrever não só
realidades físicas mas também biológicas.
    Veja só, não estou dizendo que as crenças
pressupostas são falsas. Estou apenas dizendo que são
pressupostas. Sendo assim, sua hipótese não se apóia
apenas no experimento, mas no experimento e em outras
"crenças de fundo", que podem (embora nem sempre) ser
verdadeiras.


>        "Em resumo, na fisica nos temos um metodo de
> testar se as ideias
>        humanas condizem ou nao com a realidade."

    Veja só, de novo você está quase certo. Na física
testamos se as idéias humanas condizem com a
realidade, sim. Mas também, simultaneamente, testamos
se as idéias humanas condizem com outras idéias
humanas previamente aceitas que funcionam como
"crenças de fundo" na formulação da hipótese. Percebe?

  "E e'
> ai' que entra minha
>        pergunta: existe um metodo similar na
> filosofia?

         Na fisica, quando uma teoria fica
> estabelecida, ela esta' de fato
>        correta no contexto em que ela foi testada.
> (Com correta eu quero
>        dizer somente que ela fornece uma explicacao
> teorica razoavel para
>        os dados observados.) "

    Bem, o problema aqui é a definição da natureza da
filosofia. Vou dar aqui minhas próprias definições. A
filosofia não é uma "ciência" no sentido lato, porque
seu objetivo não é a aquisição de "conhecimento" sobre
a realidade objetiva. A filosofia encontra utilidade
(e aqui reconheço minha dívida para com Kant)
funcionando como um método de crítica geral do
conhecimento obtido nas diversas ciências.
    Na física, por exemplo. A filosofia da física tem
por função criticar o método científico da física e
julgar as afirmações científicas dos físicos.
    A essa altura, acho que você deve estar entendendo
o que é a filosofia. É uma "ciência da ciência", na
qual o cientista deixa por um momento de pensar nos
fenômenos físicos e passa a pensar sobre o seu
pensamento científico, e o artista deixa por um
momento de pensar em suas criações e passa a pensar
sobre o ato criativo em si. Ou seja, a filosofia deve
ser uma "Scientia Scientiarum", uma crítica geral das
ciências que fornece a superestrutura para a
organização dos saberes humanos.
    Desse modo, não faz sentido perguntar se a
filosofia tem um método como a física. Na verdade, a
filosofia é quando o físico começa a pensar
profundamente sobre o seu método! Por sinal,
historicamente, o método que você usa na física e
considera tão útil e poderoso não nasceu com o homem.
Trata-se antes de um fruto da história recente da
cultura ocidental. E sabemos que a filosofia (no
sentido que estou dizendo) contribuiu para a sua
construção.
    Nesse ponto preciso fazer uma crítica. Você disse
que a física é um excelente "protótipo" do que deve
ser a ciência. Acho que discordo. Sua afírmação
aparentemente pressupõe que toda a realidade funciona
num padrão semelhante ao dos processos físicos, de tal
modo que um método padrão derivado da física poderia
ser aplicado a outras ciências sem problemas. Talvez
isso seja verdade, até certo ponto, mas em que base
você se apóia para dizer isso? De qualquer modo, a
realidade é exremamente complexa. Para termos
compreensão plena da realidade, precisamos dar a cada
ciência a liberdade para desenvolver-se por seus
próprios princípios, sem domínio de uma sobre a outra.

"Quando Einstein, por
> exemplo, propos sua
>        teoria, ele nao jogou fora a mecanica de
> Newton. Ele restringiu
>        o campo de atuacao da teoria de Newton e
> propos uma teoria mais
>        abrangente, que engloba a anterior. Dessa
> forma, as ideias de
>        Newton nao estavam erradas, estavam certas
> para um grande numero de
>        fenomenos."

    Certo. Mas a teoria de Newton não foi proposta,
pelo que sei, para explicar apenas um grande número de
fenômenos físicos, mas todos que eram conhecidos na
época (ou quase todos). O fato de que a teoria explica
um número limitado de fenômenos não significa que ela
era falsa, mas demonstra que nunca saberemos se uma
teoria é perfeita - a menos que cheguemos a conhecer
todos os fenômenos físicos reais, o que me parece um
pouco difícil. Por essa razão, posso concordar que o
experimento nos ajudar a garantir que as idéias
humanas correspondam à realidade; por outro lado, como
o que podemos obter por meio do experimento é sempre
limitado, diversas teorias podem ser propostas para
explicar um fato, cada uma conectada a uma diferente
teia de crenças.
   Por outro lado, se a teoria de Newton fosse proposta
hoje, depois de Einstein, seria considerada errada
né...

>
>        "Agora, com meu reduzido conhecimento de
> filosofia (perdoem minha
>        ignorancia; e' justamente por isso que
> gostaria de ouvir sua
>        opiniao), `as vezes parece-me que na
> filosofia nada e' realmente
>        estabelecido. Ficamos imersos em um mar de
> ideias, sem ter uma
>        base solida (experimento) onde se apoiar.
> Temos varias ideias
>        distintas (ate' mesmo contraditorias) sobre
> como funciona o mundo
>        e o homem e nao temos um metodo para decidir
> qual ideia e' a
>        correta."

    Quanto à sua afirmação: "Ficamos imersos em um mar
de ideias, sem ter uma base solida (experimento) onde
se apoiar." - Ora, a idéia de que a única base sólida
para as idéias é o experimento é parte de uma teoria
filosófica específica sobre a origem do conhecimento:
o empirismo. Parece então que entre suas crenças de
fundo há uma teoria filosófica que você aceita como
fato. Agora pense comigo: (1) para aceitar como
confirmada uma hipótese científica que pressupõe uma
determinada teoria filosófica, o cientísta terá de
julgar a teoria filosófica de algum modo; (2) para
verificar se a teoria empirista é verdadeira, o
cientista precisará de algo além de "dados
experimentais". Terá de filosofar sobre o método
científico - acho bom você começar a fazer isso logo!

>        "Afinal, como decidir qual linha filosofica
> esta' certa e qual
>        esta' errada?"

    Pois é, isso é um problema mesmo. Agora veja só
como ele influencia você indiretamente: quando você
propõe uma hipótese, a sustenta com uma série de
"crenças de fundo", que podem ou não ser verdadeiras.
Agora, essas crenças, quase sempre, são hipóteses
(confirmadas ou não) baseadas em outras "crenças de
fundo" - e assim por diante. De forma que por trás de
cada hipótese formulada, o físico traz uma complexa
"teia de crenças", e ele obviamente não pode lidar com
todas elas ao mesmo tempo. Como parte dessa teia de
crenças estão crenças sobre a natureza do método
científico, sobre a relação entre experiência
sensorial e pensamento, sobre a racionalidade do
cosmos, etc.
    Pode ser que elas sejam todas verdadeiras, mas...
como é que você sabe? (essa é para você responder!)



                                   um abraco

    Guilherme 2


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#15 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Dom, 23 de Fev de 2003 6:57 pm
Assunto: Pergunta do Gui 2
pastorgui
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E aí gente, alguém se dispõe a tentar responder à
pergunta do Gui 2? Vamos todos participar!

Pastorgui



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#14 De: Guilherme Jose de Moraes Garcia <gjmg@...>
Data: Seg, 17 de Fev de 2003 2:15 pm
Assunto: Re: Resumo 6
gjmg@...
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Oi pessoal!

        gostaria de saber a opniao de voces sobre uma pergunta
        que esta na minha cabeca. Acredito que essa questao esta'
        relacionada `a propria raiz da filosofia e assim e'
        de interesse para todos nos do NEC.


        A pergunta e' a seguinte:

        Na fisica, que eu acredito ser um otimo prototipo de ciencia,
        o fundamento de cada teoria sao hipoteses que nao sao
        justificadas `a priori. Ao se formular uma hipotese sobre
        o universo em que vivemos, nem sempre sabemos se essa e' uma
        intuicao correta ou errada. O que determina a veracidade de uma
        teoria e' o experimento.

        Vou dar um exemplo para ilustrar. No meu mestrado trabalhei com
        ossos de mamiferos. Meu objetivo era determinar como o tamanho
        dos ossos varia com a massa do animal. Em particular, eu queria
        saber qual a formula matematica que descreve a variacao do
        comprimento do femur dos mamiferos com a massa. Para alcancar
        esse objetivo, fizemos um modelo, o que consistiu em fazer
        hipoteses e a partir delas fazer calculos e previsoes.

        Uma de nossas hipoteses era a de que as propriedades dos ossos
        de todos os mamiferos sao iguais (por exemplo, a elastidade
        do femur de um gato e' a mesma da de um bufalo). Em seguida,
        comparamos nossas previsoes com os dados do mundo real observados
        por biologos e descobrimos que nossa teoria estava de acordo com
        os dados. Isso nos permite acreditar que nossas hipoteses eram
        de fato corretas.

        Em resumo, na fisica nos temos um metodo de testar se as ideias
        humanas condizem ou nao com a realidade. E e' ai' que entra minha
        pergunta: existe um metodo similar na filosofia?

        Na fisica, quando uma teoria fica estabelecida, ela esta' de fato
        correta no contexto em que ela foi testada. (Com correta eu quero
        dizer somente que ela fornece uma explicacao teorica razoavel para
        os dados observados.) Quando Einstein, por exemplo, propos sua
        teoria, ele nao jogou fora a mecanica de Newton. Ele restringiu
        o campo de atuacao da teoria de Newton e propos uma teoria mais
        abrangente, que engloba a anterior. Dessa forma, as ideias de
        Newton nao estavam erradas, estavam certas para um grande numero de
        fenomenos.

        Agora, com meu reduzido conhecimento de filosofia (perdoem minha
        ignorancia; e' justamente por isso que gostaria de ouvir sua
        opiniao), `as vezes parece-me que na filosofia nada e' realmente
        estabelecido. Ficamos imersos em um mar de ideias, sem ter uma
        base solida (experimento) onde se apoiar. Temos varias ideias
        distintas (ate' mesmo contraditorias) sobre como funciona o mundo
        e o homem e nao temos um metodo para decidir qual ideia e' a
        correta.

        Afinal, como decidir qual linha filosofica esta' certa e qual
        esta' errada?


                                  um abraco

                                                 Guilherme

#13 De: nandoenanda@...
Data: Sáb, 15 de Fev de 2003 8:44 pm
Assunto: Res: Resumo 4
nandoenanda@...
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Gostei muito do seu texto.
fernanda

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#12 De: nandoenanda@...
Data: Sáb, 15 de Fev de 2003 8:41 pm
Assunto: Res: Resumo 5
nandoenanda@...
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Guilherme,
passei aí às 13:30 para te avisar que meu marido trabalharia até mais tarde e
não poderia ficar com as crianças, mas sua irmã disse que vc ainda não tinha
chegado... As reuniões serão sempre aos sábados? É o único dia que fico com meu
filho...
um abraço
Fernanda

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#11 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qui, 13 de Fev de 2003 10:28 pm
Assunto: Calendário do NEC 2003
pastorgui
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Ei amigos do NEC!

Como prometido (e um pouco tarde), estou enviando uma
sugestão para os encontros do NEC em 2003.

CRONOGRAMA PARA A FASE 1

1.(Março)Discussão da Obra “Calvinismo”, de Abraham
Kuyper
2.(Abril)A Apologética de Francis Schaeffer
3.(Maio)A Filosofia de Herman Dooyeweerd (i): Religião
e Pensamento Teorético/Ground Motives
4.(Junho)A Filosofia de Herman Dooyeweerd (ii): A
Teoria das Esferas Modais e o Conceito Dooyewerdiano
de Ciência.
5.(Julho)Reunião administrativa.
6.(Agosto)A Epistemologia de Alvin Plantinga (i): O
Colapso do Fundacionalismo Clássico e a Fé em Deus
7.(Setembro)A Epistemologia de Alvin Plantinga (ii): A
Epistemologia Reformada.
8.(Outubro)Reforma e Ciência
9.(Novembro)Dooyeweerd e Política
10.(Dezembro)Reunião Administrativa

Para cada encontro haveria uma bibliografia indicada e
poderíamos ter um grupo de trabalho que participaria
da exposição. Alguém tem alguma sugestão sobre os
encontros?







CRONOGRAMA PARA A FASE 1

1. O Pensamento de Francis Schaeffer
2. Discussão da Obra “Calvinismo”, de Abraham Kuyper
3.
4. A Crítica de Hermann Dooyeweerd à suposta autonomia
do pensamento filosófico.
5. “O Pensamento Econômico e Social de Calvino”, de
André Bieler.
6. Fé e Razão em Santo Agostinho
7. A Epistemologia de Alvin Plantinga (i): O Colapso
do Fundacionalismo Clássico e a Fé em Deus
8. A Epistemologia de Alvin Plantinga (ii): A
Epistemologia Reformada.
9. A Filosofia de Herman Dooyeweerd (i): Religião e
Pensamento Teorético
10. A Filosofia de Herman Dooyeweerd (ii): Os “Ground
Motifs”
11.
12. A Filosofia de Herman Dooyeweerd (iii): A Teoria
das Esferas Sociais

Os 12 colóquios poderiam ser realizados mensalmente,
associados a leituras preparatórias, e abertos a
ouvintes. Além disso poderíamos fazer uma lista de
discussão na internet.



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#10 De: "Elildo Carvalho" <elildo@...>
Data: Ter, 11 de Fev de 2003 9:01 pm
Assunto: Re: Resumo 3
elildo@...
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Recebi as mensagens do NEC.
OK.
----- Original Message -----
From: <nucleodeestudoscristaos@...>
To: <nucleodeestudoscristaos@...>
Sent: Tuesday, February 11, 2003 5:45 AM
Subject: [nucleodeestudoscristaos] Resumo 3


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Existe 1 mensagem sobre este tópico.

Tópicos contidos neste resumo:

       1. Reunião do NEC 15/02
            De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>


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________________________________________________________________________

Mensagem: 1
      Data: Mon, 10 Feb 2003 14:34:57 -0300 (ART)
        De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
   Assunto: Reunião do NEC 15/02

Saudações aos amigos do NEC!

No próximo sábado dia 15/02, às 14:00h teremos nossa
primeira reunião do NEC em 2003. O endereço é o mesmo
da última reunião: Rua Francisco Bicalho, 1371,
Monsenhor Messias (tel: 34114017).
Nessa reunião estaremos discutindo o calendário de
atividades para 2003 e outros projetos. Ainda nessa
semana vou enviar por e-mail uma sugestão para vocês
analisarem.
Estaremos também discutindo dois textos que estão em
nossa página: "Calvinistas também pensam", de Ricardo
Gouveia e "O que significa pensar como Cristão", meu.
Por favor, leiam! :-)
Parece que alguns membros do NEC não estão recebendo
os resumos do NecNet. Se esse é o seu caso, por favor
informe.
Finalmente, preciso que todos confirmem a participação
na reunião do dia 15, por e-mail ou telefone. Meu
celular é 96136076.

até+!

Pastorgui

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Seu uso do Yahoo! Grupos é sujeito às regras descritas em:
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#9 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Ter, 11 de Fev de 2003 4:46 pm
Assunto: Endereço do Site do NEC
pastorgui
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Para quem não tem, aqui está o endereço do NEC:

http://geocities.yahoo.com.br/nucleodeestudoscristaos/

Gi, acho que você não encontrou porque eu ainda não
cadastrei o site no yahoo, google, etc.

até+!

pastorgui



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#8 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Seg, 10 de Fev de 2003 5:34 pm
Assunto: Reunião do NEC 15/02
pastorgui
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Saudações aos amigos do NEC!

No próximo sábado dia 15/02, às 14:00h teremos nossa
primeira reunião do NEC em 2003. O endereço é o mesmo
da última reunião: Rua Francisco Bicalho, 1371,
Monsenhor Messias (tel: 34114017).
Nessa reunião estaremos discutindo o calendário de
atividades para 2003 e outros projetos. Ainda nessa
semana vou enviar por e-mail uma sugestão para vocês
analisarem.
Estaremos também discutindo dois textos que estão em
nossa página: "Calvinistas também pensam", de Ricardo
Gouveia e "O que significa pensar como Cristão", meu.
Por favor, leiam! :-)
Parece que alguns membros do NEC não estão recebendo
os resumos do NecNet. Se esse é o seu caso, por favor
informe.
Finalmente, preciso que todos confirmem a participação
na reunião do dia 15, por e-mail ou telefone. Meu
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#7 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Sex, 7 de Fev de 2003 3:24 pm
Assunto: Senhor dos Anéis: superlinks
pastorgui
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--- LeaderU Online Editor
<editor@...> escreveu: > Data: Mon, 6
Jan 2003 18:57:32 -0500
> Assunto: LU-Announce: January 6, 2003: Lord of the
> Rings: True Mythology? (Update of last year's
> popular collection)
> Para: "pastorgui@..."
> <pastorgui@...>
> De: "LeaderU Online Editor"
> <editor@...>
>
> LU-Announce, Leadership University's  e-newsletter,
> brings you the latest additions to the best in
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> Lord of the Rings: True Mythology?
> The second film adaptation of J.R.R. Tolkien's
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> UK) of all works in
> England's great literary legacy - based in pagan
> myth or Christian themes
> or both? Dig into the story behind the stories and
> their master
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>
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> In this issue:
> Lord of the Rings: True Mythology?
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>
> Lord of the Rings: True Mythology?
>
> The Lord of the Rings trilogy by J.R.R. Tolkien has
> inspired more
> commentary, creativity and following than arguably
> any other modern-day
> work of art or literature. The successful film
> adaptation of the first
> book and highly anticipated release of the second,
> The Two Towers, has
> kept the fires of interest alive. Surprisingly, this
> classic has also been
> interpreted by--and, thus, embraced by--the
> adherents of such wildly
> divergent philosophies as neopaganism and
> evangelical Christianity. Just
> what is it about these mystical, mythical and
> monumental books that spurs
> whole communities of devotees to create Web sites,
> Internet browsers,
> countless graphics, fonts and articles, take on the
> nomenclature and
> Tolkien-created languages for their own use and wait
> in panting
> anticipation for the celluloid interpretation of
> their beloved epic?
>
> In this collection of resources, we explore the
> meanings of the
> mythology--myth, Tolkien argued, is not by necessity
> false--as they stem
> from the author's past, pain and a deep-seated
> Catholic faith. A master of
> languages who saw language as intrinsically creative
> (not simply useful to
> label reality but to imbue it), Tolkien's created
> universe and tongues
> stand alone in the history of literature. Many
> critics have scorned the
> trilogy as mere escapism, but Tolkien saw it as
> discovered reality, that
> his mythmaking was an attempt to uncover what is
> real in the clearest way
> possible: "true myth." (This idea profoundly
> affected his close comrade
> C.S. Lewis and his decision of faith in Christ).
> Biblical imagery, many
> claim, abounds within the tales--which actually
> contain no explicit
> mention of God, Christ or worship.
>
> This seeming ambiguity has left much room for
> neopagans and others to
> point out the abundance of gods, spirits, sprites
> and other mythical and
> pagan characters in the text. Many in this camp
> claim as much prominence
> for their worldview regarding Lord of the Rings as
> do Christians. We
> explore the books and author, as well as his
> worldview with mentions of
> the movie and related topics in our Special Focus,
> which we hope you enjoy
> and share with others.
>
> Feature Articles
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-rings.html
> Tolkien's The Lord of the Rings: A Book for Our Time
> of Terror
> Professor Ralph Wood
> Dr. Wood, a literary expert on Tolkien, briefly
> outlines a lecture he gave
> to Logos Academy in Dallas, Texas. Although very
> terse, these notes offer
> deep insight to readers of the trilogy in their
> present form. Plans call
> for the audio copy of this lecture to be online at
> LeadershipU soon.
>
> http://leaderu.com/humanities/ware-tolkien.html
> Looking For God in The Lord of the Rings
> Jim Ware
> "[The idea] that God uses small hands to accomplish
> great deeds -- could
> almost be called the heart and soul of Tolkien's The
> Lord of the Rings.
> It's Moses and Pharaoh, David and Goliath, Gideon
> and the Midianites all
> over again. But the mission of Frodo and Sam isn't
> just your typical
> 'underdog' story. It's something much more."
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-classic.html
> Tolkien's Lord of the Rings: A Christian Classic
> Revisited
> Professor Ralph Wood
> Professor Ralph Wood's passion for The Lord of the
> Rings shines through
> this insightful examination of the fantasy epic's
> meaning and importance.
> He is amazed that, in a day of passive
> entertainment, this complex book
> that spans from time immemorial to the end of the
> world, remains so
> popular. Perhaps, he seems to say, readers are
> grasping at something
> eternal, transcendent. A sample: "Tolkien's work is
> imbued with a deep
> mystical sense of life as a journey or quest that
> carries one,
> willy-nilly, beyond the walls of the world. To get
> out of bed, to answer
> the phone, to open the door, to fetch the mail--such
> everyday deeds are
> freighted with eternal consequence. They immerse us
> in the river of time:
> the 'ever-rolling stream'."
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-biography.html
> J.R.R. Tolkien (1892-1973)
> Professor Ralph Wood
> Tolkien expert Ralph Wood deeply examines the life
> of the great author and
> linguist from his youth, through early manhood and
> into the "mature
> years." A picture emerges of a sad, but affable man,
> brilliantly gifted in
> language and resolute in his faith.
>
> http://leaderu.com/humanities/zenit-tolkien.html
> J.R.R. Tolkien's Take on the Truth
> ZENIT interview with Author Joseph Pearce on "Lord
> of the Rings"
> Interview with Joseph Pearce, author of 'Tolkien:
> Man and Myth" and
> "Tolkien: A Celebration." Discusses Tolkien's Lord
> of the Rings regarding
> pagan issues, whether there is any danger to
> children in its content, the
> author's intentions, values it offers and what the
> trilogy may teach us
> about today's mass media.
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-cosmogony.html
> Tolkien's Cosmogony
> Professor Ralph Wood
> Intimately familiar with Tolkien's views and
> imaginative creations, Dr.
> Wood lays out his cosmogony, i.e., his account of
> God and the divine
> powers and the world's creation. This defines the
> hierarchy of characters
> in the Lord of the Rings trilogy.
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-review.html
> Book Review: A Question of Time: J.R.R. Tolkien's
> Road to Faërie
> Professor Ralph Wood
> Professor Ralph Wood reviews the book, A Question of
> Time: J.R.R.
> Tolkien's Road to Faërie by Verlyn Flieger. He
> concludes that, "Flieger is
> right to contend that Tolkien shared their
> neo-gnostic critique of our
> century's decadent and violent materialism. Yet she
> fails to see that
> Tolkien also resists what is spurious in the attempt
> to have God without
> incarnation or cross or resurrection-in short, to
> have God without God."
>
>   Related Articles and Reviews
>
> http://leaderu.com/humanities/kjos.html
> Tolkien's Lord of the Rings: Truth, Myth or Both?
> NEW
> Berit Kjos
> Kjos calls into question the basis of this
> collection--that mythology can
> be true and that Tolkien's mythology is, at base,
> about truth and
> reality--in part by heavily critiquing this very
> feature (first edition
> published online in 2001). She concludes that, by
> his use of non-specific
> imagery presumably based on a Christian worldview
> and his use of pagan
> myth and occult elements--which Kjos views as out of
> bounds for Christians
> in any manifestation, even as literary device--that
> Tolkien actually
> obscures God's truth as revealed in Holy Scripture.
> "Like the serpent's
> temptation in the garden, Tolkien's illusions of
> truth appeal to human
> feelings and may lead to deception," she warns.
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-response.html
> Tolkien's Orthodoxy: A Response to Berit Kjos NEW
> Professor Ralph Wood
> Litererature and Religion Professor and Tolkienite
> Wood takes to task
> Berit Kjos, whose criticism of the entire basis of a
> biblical view of Lord
> of the Rings appears here. Dr. Wood accuses Kjos of
> bad literary criticism
> and worse biblicism, correlating her viewpoint with
> some of
> evangelicalism's worst traits.
>
> http://leaderu.com/humanities/wood-film1review.html
> Tolkien the Movie: A Review of The Fellowship of the
> Ring (First Movie by
> New Line Cinema) NEW
> Professor Ralph Wood
> Tolkien expert and literature professor Wood, in a
> review of Fellowship of
> the Ring (the first of three films based on
> Tolkien's beloved Lord of the
> Rings trilogy) credits director Peter Jackson's with
> exciting special
> effects, concentration on faces and pacing. But he
> faults the cinematic
> adaptation for several important omissions (among
> them, the transcendent
> religious element of Tolkien's books) and
> inaccuracies (the chief Hobbit
> characters played young actors). NOTE: a review of
> the second film by Dr.
> Ralph Wood, The Two Towers, will be posted this
> week.
>
> http://leaderu.com/humanities/mattingly-tolkien.html
> God, man, hobbits & Tolkien
> Terry Mattingly
> Tolkien saw himself as a subcreator, his created
> world of Middle Earth a
> mere copy of a pre-Christian reality. In fact, his
> avoidance of explicit
> religious practice sprang from a conscious effort to
> stay doctrinally true
> to his Catholic Christian beliefs. The movie
> inspired by the epic may not
> be so true to the author's intent, that is, the True
> Myth Tolkien
> attempted to create may not resemble the film
> version.
>
> http://leaderu.com/humanities/tolkiensimpact.html
> Tolkien's Impact in Literature and Life
> Patrick W. Curles
> Tolkien saw himself as a hobbit in every way but in
> stature.
>
> http://leaderu.com/humanities/colson-myth.html
> Get A Myth: Inventing Stories To Live By
> Charles Colson
> Cultural commentator and author Colson sensed a
> resurgence of the myth in
> society when, among other things, the film The
> Highlander was released.
> Myth and fantasy, properly used as by Tolkien, Lewis
> and others, can help
> us all--especially kids--understand truth and aspire
> to ideals
> communicated by story.
>
> http://leaderu.com/humanities/riven.html
> Interactive: Virtual sub-creation
> Mark J. P. Wolf
> Popular computer games Myst and Riven were created
> in the mystique of and
> were inspired by Tolkien's Lord of the Rings.
>
> http://leaderu.com/humanities/ringing.html
> Still Ringing True
> Gene Edward Veith
> Reading The Lord of the Rings--this time as an
> adult--remains an
> overwhelming experience.
>
> Other Sites and Resources
>
> Official Site for Lord of the Rings Films
> (http://www.lordoftherings.net)
>
> Angels & Elves (http://www.angelsandelves.com)
> Fashioned in the geography and feel of the work
> itself, this site claims
> to be "he one and only online guide to the epic
> trilogy The Lord of the
> Rings, based on the classic books by J.R.R. Tolkien.
> Our purpose is to
> provide teens with a healthy resource so that they
> might unlock the
> secrets behind the film and books' deeper
> meaning.... Whether you're a
> fanatic or a skeptic, you've come to the right
> place. We'll set your fears
> at rest concerning the 'magic' in Middle-earth, and
> open your eyes wide to
> the epic adventure that has captivated generations
> for half a century."
>
> Christianity, Paganism and Literature
> (http://www.geocities.com/Athens/7734/xnpaglit.htm)
> Steve Hayes
> Discusses Tolkien, C.S. Lewis and Charles
> Williams--the Inklings--and
> their remythologizing influence during a time when
> Christians in some
> circles sought to demythologize Christianity and the
> Bible. He draws on
> what he sees as common ground between neo-pagans and
> Christians that
> foster popularity in both camps of Tolkien's
> trilogy, although he fails to
> explicate this common ground here.
>
> The J.R.R. Tolkien Information Page
>
(http://www.csclub.uwaterloo.ca/u/relipper/tolkien/rootpage.html)
> Contains loads of links on everything from Web sites
> to graphics
> collections to discussion forums on this most
> popular subject and author.
>
> The book of the century
>
(http://www.salon.com/books/feature/2001/06/04/tolkien)
> Andrew O'Hehir
> Although its popularity is unparalleled,
> intellectuals dismiss "The Lord
> of the Rings" as boyish fantasy. Now one scholar
> defends J.R.R. Tolkien's
> "true myth" as a modern masterpiece. First of two
> parts. Philology, the
> study of languages and their development, is
> discussed.
>
>
>
>
>
>
--------------------------------------------------------------------------------
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>
> ResourceCenter. The place to buy ministry materials.
> Christian Leadership Ministries has created a
> Resource Center
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> growing collection of books, Bible studies, videos
> and other resources
> offered for the purpose of encouraging you in your
> spiritual growth and
> ministry. Items published by Campus Crusade for
> Christ, NavPress,
> InterVarsity Press and many others, as well as those
> created and published
> specifically for the Christian professor, are made
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>
>
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> EasyGift. Making it easy for you to give to
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> Many have indicated a desire to give financially to
> the Leadership
> University web-based ministry of Christian
> Leadership Ministries (a
> ministry of Campus Crusade for Christ). We have made
> it easy to give
> through our EasyGift secure website. Please visit
> this site and join us as
> a financial partner in this important outreach.
>
>
https://leadernet.clm.org/donor/easygift.nsf/Step1?OpenForm
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#6 De: Giselle Fontes <gfontes@...>
Data: Qui, 6 de Fev de 2003 11:23 am
Assunto: Re: Reunião do NEC dia 15/02
gfontes@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Ok,
estarei lá dia 15!
Giselle

nucleodeestudoscristaos wrote:

> Ei todo mundo!
>
> Como vocês foram de "férias"? Eu viajei mas não descansei dessa
> vez... Mas viajei!
> Bem, estou enviando essa mensagem para "abrir oficialmente" o NEC
> neste ano de 2003. Em nosso primeiro encontro, ficou combinado que
> teríamos uma reunião de abertura no próximo dia 15/02 (sábado). Esta
> reunião está de pé, a não ser que muitos de vocês não possam
> comparecer.
> A reunião será das 14:00h às 16:00h, na Igreja Batista Beth Shalom, à
> rua Francisco Bicalho, 1371, Monsenhor Messias (tel: 34114017). A
> pauta será: (1) Definição de um calendário de atividades para o ano
> de 2003; (2) escolha de um secretário(a) para o NEC; (3) Uma breve
> discussão sobre os textos de introdução ao pensamento reformacional
> disponíveis em nossa página (o do Ricardo Gouveia, "Os Calvinistas
> também pensam", e o meu, "O que Significa Pensar como Cristão?").
> Se você vai participar da reunião, por favor confirme aqui mesmo na
> lista ou por teleforne. Caso um de vocês não possa comparecer, por
> favor, se comunique também!
>
> Agradeço o interesse de todos.
> Em Cristo,
>
> Pastorgui.
>
> Para cancelar sua assinatura deste grupo, envie um e-mail para:
> nucleodeestudoscristaos-unsubscribe@...
>
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#5 De: "pastorgui" <pastorgui@...>
Data: Qui, 6 de Fev de 2003 10:22 am
Assunto: Dissertação do Choi
pastorgui
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Ei Susie/Daniela/Elildo/?/!

Vocês já começaram a ler a tese do Choi? Eu gostaria de discutir
algumas coisas para entender melhor.
O que vocês entendem quando Dooyeweerd trata a realidade como sendo
fundamentalmente "significado", Meaning?

até+!
Pastorgui

#4 De: "nucleodeestudoscristaos" <nucleodeestudoscristaos@...>
Data: Qui, 6 de Fev de 2003 10:11 am
Assunto: Reunião do NEC dia 15/02
nucleodeestu...
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Ei todo mundo!

Como vocês foram de "férias"? Eu viajei mas não descansei dessa
vez... Mas viajei!
Bem, estou enviando essa mensagem para "abrir oficialmente" o NEC
neste ano de 2003. Em nosso primeiro encontro, ficou combinado que
teríamos uma reunião de abertura no próximo dia 15/02 (sábado). Esta
reunião está de pé, a não ser que muitos de vocês não possam
comparecer.
A reunião será das 14:00h às 16:00h, na Igreja Batista Beth Shalom, à
rua Francisco Bicalho, 1371, Monsenhor Messias (tel: 34114017). A
pauta será: (1) Definição de um calendário de atividades para o ano
de 2003; (2) escolha de um secretário(a) para o NEC; (3) Uma breve
discussão sobre os textos de introdução ao pensamento reformacional
disponíveis em nossa página (o do Ricardo Gouveia, "Os Calvinistas
também pensam", e o meu, "O que Significa Pensar como Cristão?").
Se você vai participar da reunião, por favor confirme aqui mesmo na
lista ou por teleforne. Caso um de vocês não possa comparecer, por
favor, se comunique também!

Agradeço o interesse de todos.
Em Cristo,

Pastorgui.

#3 De: "Elildo Carvalho" <igreja.bethshalom@...>
Data: Sex, 20 de Dez de 2002 1:16 am
Assunto: Ref. ao núcleo.
igreja.bethshalom@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Recebí a mensagem. Em breve vou enviar minha participação efetiva.
Gui, faça a indicação do artigo como conversamos.
Pr Elildo

#2 De: "Lizandro Nei Gualberto" <gualberto@...>
Data: Qui, 19 de Dez de 2002 4:42 pm
Assunto: Re: Ei todo mundo!
lizandro_nei
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Oi Guilherme e turma do NEC

Naquela segunda foi muito tumultuada pra mim: eu já tinha que terminar e
entregar um capítulo da minha dissertação, aí inventaram de fazer uma reunião
do grupo de pesquisa que participo e para arrematar, teve uma defesa de
dissertação de um colega que eu tinha obrigação de ir - resumindo, faltaram
horas de relógio para fazer tudo.

Mas todo final de ano aqui na UFMG é esse corre-corre, no começo do ano as
coisas fluirão melhor. [tenho essa fé...]

Mantenham-me informado do NEC.
um abraço e feliz passagem de ano para tod@s!

em Cristo,
lizandro.
  ¦         Lizandro Nei Gualberto.             ¦             ¦
  ¦  Mestrando em Demografia    Cedeplar - UFMG ¦             ¦
  §---------------------------------------------§  @@@@@@@@@  ¦
  ¦ "e esta é a confiança que temos em Deus,    ¦ @@  ¯ ¯  @@ ¦
  ¦  que,  se pedirmos alguma coisa, segundo    ¦ @ [ð]¬[ð] @ ¦
  ¦  a sua vontade, Ele nos ouve." (IJoão 5:14) ¦      ß      ¦
  §---------------------------------------------§    \___/    ¦

---------- Original Message -----------
From: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
To: nucleodeestudoscristaos@...
Sent: Thu, 19 Dec 2002 13:17:43 -0300 (ART)
Subject: [nucleodeestudoscristaos] Ei todo mundo!

> Ei todo mundo!
>
> Lizandro, o que houve? Achei que você viria à nossa
> próxima reunião!
>
> pastorgui
>
> =====
> "Cor et res coram Deo"
------- End of Original Message -------

#1 De: Guilherme Carvalho <pastorgui@...>
Data: Qui, 19 de Dez de 2002 4:17 pm
Assunto: Ei todo mundo!
pastorgui
Offline Offline
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Ei todo mundo!

Lizandro, o que houve? Achei que você viria à nossa
próxima reunião!

pastorgui

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