Notícias de Amanhã. Hoje.
Saint-Denis (DR), 06 de OUTUBRO de 1999 - Edição Número 43 (EXTRA) - Fundado em Dezembro de 1997
Neste domingo, segunda e terça, novamente a população assistiu a bate-bocas e brigas no Chandon Lusófono, protagonizadas pelo editor de O CORREDOR, o ex-premier Eduardo Iatauro, o cabo-de-armas Luiz Octavio Azambuja e a cidadã Nadja Kaprinski, além de outros dignatários que acabaram reagindo às provocações, como o Presidente da APQ Olympio Teixeira Neto, a ex-premier Laura Dayspring Ricce e o qualícato Eduardo Tomasi. Após dois dias em que nem mesmo os pedidos do Secretário de Manutenção de Listas, Leonardo Oliveira, e até mesmo da Juíza Imperial Roberta Bourbon não resolveram, o Imperador decidiu se manifestar. Utilizando-se do Poder Moderador, Cláudio I advertiu quase uma dúzia de cidadàos, e, em mensagem em que classificou o ocorrido como "esbórnia protagonizada por bêbados", tomou medidas sérias contra a moblocracia que havia se formado. Entre as medidas tomadas, ordenou que o Lorde Protetor Filipe Oliveira, a partir daquele momento, passasse a rebaixar todo e qualquer nobre que se envolvesse neste tipo de celeuma, e garantiu que aqueles que enviarem mensagens ao Chandon (que já conta com mais de trezentos inscritos) sem assinatura ou com "quote" de mais de uma mensagem anterior serão severamente punidos, de acordo com o Código de Comportamento em Chandon. O Imperador emitiu também uma ' restraining order' proibindo Quintino Gomes de qualificar de qualquer coisa o qualícato Eduardo Tomasi, e outra vedando que o ex-premier Iatauro sequer dirija a palavra à também ex-premier Laura Dayspring Ricce. O procurador geral do império Marcelo Schusch Pereira não foi encontrado para fazer declarações, mas sua assessoria informa que está a redigir várias peças de denúncia contra três cidadãos. Também não encontramos a tempo o Ministro do Interior Rodrigo Rezende, para que se pronunciasse.
Antes mesmo que a Assembléia Popular de Qualícatos se pronunciasse sobre a quebra da imunidade do membro Eduardo Iatauro, por ofender repetidamente a ex-conselheira Patrícia Trigo e a controversa ex-premier Laura Dayspring em Chandon, o Imperador Cláudio I, ao vê-lo reincidir ontem, decidiu quebrar por Ordenação Interventiva a imunidade parlamentar do Duque de Tuehlão. A quebra de imunidade já havia sido pedida pela Procuradoria Imperial ao Presidente da APQ Olympio Teixeira Neto, após representação oferecida ao procurador Marcelo Pereira pela firma de advocacia Advocatus in Actu, de Mairon Augustto Rodrigues. Esta é a terceira vez em que Iatauro enfrenta este tipo de processo, e fontes garantem que novos processos devem recair em suas costas, pelas mensagens que têm enviado sem usar assinatura com nome completo. Um conselheiro imperial afirmou que 'as regras do Chandon parecem chatas e supérfluas, mas temos que entender que'há mais de 300 pessoas inscritas na lista, e que se cada um deixar de assinar o nome, enviar mensagens com attachments gigantescos, e não se comportar, em breve conheceremos o caos, caos análogo ao que pode-se encontrar em micropaíses desorganizados e, diga-se de passagem, muito menores que nosso Império". Ainda não se sabe que pena será pedida pelo procurador geral, mas fontes do PACSO garantem que "não deve ser pequena". Dentro da ARENA, partido de Iatauro, a situação é de expectativa; sobre o facto em tela, o Conselheiro Orlando Correia não fez qualquer comentário.
Em discussão trazida à tona pela presença de repórteres de O CORREDOR em listas de outras micronações e de países virtuais, na qual questionava-se a hipótese de tal facto configurar DUPLA CIDADANIA (crime punido com o banimento), o Poder Moderador decidiu dar prazo de 10 dias para que todos os que se encontrem nesta situação peçam autorização em Chandon ao Gabinete do Lorde Protetor, para que fiquem regularizados. No caso, o Poder Moderador é competente pois a dupla cidadania é punida por acto do Moderador, e não do Poder Judiciário, dada a necessidade de se punir rapidamente este tipo de crime. Os pedidos de autorização já começaram a chegar, e vão desde aqueles que desejam estar presentes na lista do Reino do Porto Claro até aqueles que querem permanecer na lista de Sayed e Cyberia Oriental. Ficou estabelecido, porém, que os cidadàos de Reunião munidos desta autorização - que, é claro, não é o caso dos embaixadores - não poderão manifestar-se nas listas em que estão presentes, devendo permanecer como observadores apenas. Consultado sobre o assunto, um freqüentador do Palácio Imperial disse que o Imperador estaria disposto a abrir exceções em casos de extrema necessidade, mas jamais no caso dos que alegam estar em um certo país apenas para "ficar a par dos acontecimentos". Pelo que consta, o Gabinete do Lorde Protetor ainda não emitiu nenhuma licença. A assessora do Lorde Filipe Oliveira, Gláucia Borsato, não fez qualquer comentário.
SUPER-ESPECIAL
Imperatriz Roberta de Castro-Bourbon
Bem , vou, então, começar a minha história...
Quando Reunião ainda era um lindo bebê de berço, lá já estava eu como Imperatriz do que seria, agora, essa grande potência (inter)micronacional. Por incrível que pareça, sou uma das mais antigas "habitantes" da Ilha , embora em absolutamente nada participasse dela, pelo fato de não ter computador.
Por que eu não tinha computador, vocês perguntam? Não posso ser hipócrita a ponto de dizer que foi por impossibilidade financeira. Claro que não, mas sim por um imenso preconceito. Pensava eu, influenciada, erradamente, pelas pessoas que me rodearam a vida toda em minha escola: " Computador é coisa de nerd, é coisa de homem verde e mulher gorda"! Santa imbecilidade !!!!! Hoje me vejo aqui que nem uma louca, mais sadia e feliz do que nunca, abraçada com "Carolina" (este foi o nome que dei para meu computador), cheia de ciúmes de quem quer que toque nele(a).
ANO 1998
ANO 1999
Tudo iniciou em minha faculdade (PUC-RJ), onde eu e Cláudio estudamos Direito. Lá, sempre tiveram aversão a nós de forma gratuita; muita inveja emana daquela gente, ódio da felicidade de um casal apaixonado que fica junto o tempo todo, raiva, quem sabe, das roupas do Imperador ou até dos cabelos da Imperatriz. Sei lá...
Enquanto todos os namoros lá terminaram ou até mesmo nunca começaram, o nosso lá estava, firme e forte, de vento em popa, e ninguém ali aceita a felicidade alheia. A destruição é a regra; o maldizer é o tema.
Um belo dia, não se sabe nem como nem porque, o endereço do Sacro Império de Reunião "vazou" pela faculdade. Ficaram sabendo. Aí sim foi a glória para o "momento destruir", do qual o pessoal lá da faculdade costuma ser bem adepto.
Quanta coisa aconteceu depois disso, quanto medo eu tive de acontecer alguma coisa ruim com a minha criança linda e comigo. Quanta coisa eu escutei por aqueles corredores, tudo só por causa desse nosso lindo e amado Império....
Os mais antigos, ou melhor, aqueles que aqui estavam desde janeiro deste ano ou antes devem ter sabido da desgraça, das ridículas ameaças de morte que o Imperador sofreu e das barbaridades que de mim falavam. Tal coisa, inicialmente, me fez ter uma certa raiva de Reunião. Como uma coisa restrita à Internet ( assim pensava eu na época ) pode causar tanto rebuliço???
Por que falam isso e ameaçam pessoas que nunca fizeram nada de ruim com ninguém? Por que tanta inveja?
Até hoje me pergunto, mas esta ferida já está curada. Hoje, andamos com as pessoas comentando e eu quero mais é que comentem , que batam palmas ,que joguem tomates, porque eu sou mesmo a Imperatriz e amo esse Império como minha segunda casa.
Ainda assim, a curiosidade não me deixava sossegada um só minuto, e eu queria saber como era isso aqui; o que aqui se faz. É claro que Cláudio me explicava as coisas, mas sem vivenciar não dá para compreender direito.
Pronto, me rendi, então, à minha curiosidade e à insistência dele, e me despi de meus preconceitos já um tanto abalados pelo fato de querer estar com ele nesse seu "invento". Como a sua namorada de tanto tempo não estaria aqui, conversando e se divertindo junto com ele em algo que lhe toma tanto tempo??? Que namorada desnaturada seria eu!!!
Assim, comprei finalmente meu computador, ou, sejamos mais precisos, comprei a passagem de ida para Reunião em julho de 1999, quando finalmente cheguei a St. Denis.
HOJE
Um mundo novo entrou na minha vida, pessoas novas agora fazem parte dos meus pensamentos, n'um chão desconhecido outrora, agora eu piso com a mesma naturalidade que piso no chão de minha casa... Esse novo mundo em que me tratam de forma tão maravilhosa e reconfortante, que me faz correr para cá com o objetivo de sempre estar a par dos fatos mais quentes, e que algumas vezes me deixam com os ânimos à flor da pele... É...Acho que me tornei uma reuniã fervorosa...
Agora, estando aqui, me sinto mais perto da realidade do Cláudio, com um universo de pessoas, fatos e personalidades a serem examinados de forma cuidadosa. E meu cargo de juíza??? que satisfação pessoal!!! Que maravilha caprichar nas sentenças e botar em prática os meus conhecimentos macronacionais, fazendo aquilo que pretendo fazer na minha vida: SER UMA MAGISTRADA !!!
E meu título de Arquiduquesa, um presente inesperado, que me deixou metida à beça...
Como tudo me satisfaz... Como quando pego o avião, ao ligar meu computador, saio de repente de qualquer problema que esteja tendo no momento. É uma terapia...
O quanto agora eu e Cláudio conversamos sobre Reunião... O quanto estamos em uma mesma vida e como isso me deixa infantilmente alegre...!
Preconceitos ????? Onde estão ???? Morreram... Ah, como eu era burra...
Reunião...pra sempre com você !!!!!!!
PALACIANAS
Cláudio André Padilha de Castro
Mário Giudicelli
Todas as vezes que retorno ao Brasil, não passa mais de meia hora sem que comece logo a notar as coisas curiosas, estranhas, por vezes espantosas que ocorrem por todo o lado e que, surpreendentemente, parece provocar pouca atenção. Devo também confessar que isso não me é novidade, porque o mesmo me ocorre todas as vezes que desembarco em Miami ou New York, e instantaneamente torno a ficar surpreendido que os horrores do mês passado continuam a ocorrer nos dias de hoje. Contudo, o fato é que agora que a entrada da TV a cabo num vasto número de lares brasileiros está cada dia mais popular e como também a própria TV Globo agora já pode ser vista em muitos outros países do mundo, deixem que eu observe aqui algumas das coisas que tanto me surpreendem.
O ASSASSINATO DO IDIOMA
Logo de cara devo dizer que imaginava que os jornalistas que escrevem ou se apresentam na TV deveriam certamente ter um pouco mais de cuidado com o idioma português. Mas isso não acontece. Aqui em Santos, por exemplo, o subjuntivo dos verbos simplesmente não existe. Os locutores a todo momento dizem coisas deliciosas tais como "eu espero que ele fica", ou eu quero que ela gosta" e assim por diante. Quanto à pronúncia, bem, é difícil dizer quem é que cada vez mais assassina o português. O carioca com seu sotaque curioso diz : ishto, eshtchimatchiva, goshto e etc. O paulistês em Santos não perde para o carioca com seu conhecido "elemeinto"., "noveimbro", " perceinto" e a jornalista Zileida Silva da Globo nos deixa com os cabelos em pé todas as noites por causa desses imperdoáveis erros. Esse fenômeno de usar em programas nacionais locutores que persistem em falar com seus sotaques locais, foi um erro que acontecia lá pela década de 50 nos Estados Unidos. Mas tão logo a TV americana passou a ser costa a costa, logo os diretores dessas organizações contrataram locutores com um sotaque coringa para não ofender ninguém, e o problema foi completamente solucionado
Mas a coisa mais espantosa é na TV a cabo. Parece que os homens que controlam e dominam o canal MUNDO, e o Discovery Channel , não se deram conta de que agora são vistos por milhões e suas falhas todas as noites se contam aos milhares. Um exemplo no outro dia foi na tradução da abreviatura do nome do ex-presidente Johnson . Não entendendo bem o que o locutor em inglês dizia e conhecendo muito pouco da história dos Estados Unidos, o despreparado tradutor ao invés de repetir "LBJ", que foneticamente se pronuncia "El-Bi-Djei", não teve dúvidas: simplesmente chamou-o de "El- Bi-James", já que não conseguiu saber ou entender o que era a última letra.
Tanto no canal Discovery, como no MUNDO e na própria Globo, os tradutores até hoje ainda não sabem a diferença entre "bravo"e "brabo", de modo que a todo instante nos sapecam o "bravo" como uma pessoa zangada ( e nem sabem que bravo quer dizer bravio, corajoso etc). Ainda no MUNDO o outro dia ouvi a tradução da expressão " the works" como " os trabalhos", quando deveria ter sido ""e tudo mais" (como no exemplo : "você tem que fazer, isso, aquilo e..."the works", isto é, e tudo mais). Sem falar nas numerosas ocasiões em que os tradutores venezolanos em Caracas ( que é de onde vem o canal MUNDO) nos sapecam o texto metade em espanhol e metade em português, ou simplesmente ignoram o til e o circunflexo.
Mas há uma grande esperança pela frente. Sob o comando do preparado e capaz Eliakim Araujo., e de sua mulher, como nos bons tempos do noticiário do SBT, esse jornalista competente agora nos manda desde Miami seu novo noticiário ligado à poderosa CBS (Columbia Broadcasting System), que se soma aos interessantíssimos programas e de grande sucesso nos Estados Unidos, como "2Oth Century ", 24 hours later," e "60 minutes", todos superiores ao que produz a TV Globo. Além do que tenho observado que muita gente agora procura ouvir os canais americanos para, de lambuja, procurar aprender inglês de graça, uma vantagem que ninguém esperava encontrar na televisão globalizada. Se os diretores de MUNDO ou do notável Discovery Channel puderem corrigir essas imperdoáveis erros de tradução e locução, não tenho dúvidas que a TV brasileira vai ter que se mexer e melhorar consideravelmente sua programacão porque a concorrência vinda dos Estados Unidos vai esvaziar os altos níveis de popularidade da Globo.
ESPECIAL: ENTREVISTA, PARTE II
A ENTREVISTA NUNCA PUBLICADA DE WERNER VON BRAUN
Pouco depois do grande sucesso da chegada do homem à lua, o cientista alemão, em Huntsville, Alabama, voltou a conversar demoradamente com o jornalista Mário Giudicelli.
( Nota do Editor: Os que desejarem foto do encontro podem requisitar ao Mário Giudicelli, já que O COMETA não publica fotos de qualquer espécie. Somos o LE MONDE de Reunião. A propósito, esta matéria está aqui justamente pelo facto de que a empresa de médio porte Microland vem publicando artigos sobre a Segunda Guerra, e O COMETA gostaria de colaborar, com seu material exclusivo. Afinal, um de nossos jornalistas esteve lá. <riso de quem pode se gabar disso> )
O COMETA - : O Sr. comentou na primeira parte desta nossa entrevista que o vasto volume de recursos fornecidos pela NASA se deveu ao temor norte-americano em face ao expansionismo da União Soviética. Mas eu pergunto : não poderíamos dizer igualmente que existe de parte dos Estados Unidos uma igual tendência a expandir seu poder e que portanto a ação de Stalin e, posteriormente do Sr. Nikita Kruschev, e do Sr. Kosigin ao lançar-se com todo empenho na corrida espacial se deveram às mesmas motivações dos Estados Unidos ?
Von Braun : - Muito provavelmente. Lembre-se do que disse ha pouco em relação ao nosso comportamento político na Alemanha de Adolf Hitler, quando nós, cidadãos completamente apolíticos e dedicados somente a nossa ciência, não deixamos durante a maior parte do tempo da existência do governo de Hitler de apoiar a concordar com o que se fazia e nem procurávamos averiguar o que não se trazia a público, conforme foram os casos dos campos de concentração. O povo e governo russos são certamente tão patrióticos e dedicados a sua pátria como são os norte-americanos ou fomos nós há alguns anos na Alemanha. Nem os russos achariam que desejam conquistar o mundo, nem o povo americano aceitaria a acusação de querer mandar no mundo. Mas a verdade é que por baixo da pele de cada um de nós existe um animal feroz que nunca poderá ser domado e por mais que o procuremos amansar com nossos ensinamentos culturais do ocidente, ou mesmo com qualquer outra forma filosófica de vida, como é o caso do comunismo sem Deus ou o cristianismo com Deus, a humanidade será sempre o que foi e que continuará a ser.
O COMETA: - Nesse caso então gostaria de saber sua opinião, ou talvez vaticínio do futuro do comunismo.
Von Braun : - Se a história nos ensina alguma coisa, minha impressão é que mais dia menos dia o comunismo terá eventualmente que acabar. E minhas razões nada têm a ver com antipatia ou simpatia políticas por este ou aquele sistema de governo. Minha opinião é que a espécie humana, como qualquer outra espécie animal, vive , luta, trabalha, procura sobreviver ou se comportar dentro exatamente dos preceitos darwinistas da sobrevivência do mais forte. A igualdade pregada por Lenin e baseada nas idéias econômicas propugnadas por Karl Marx pode ser muito bonita no papel e teoricamente. Mas na prática isso não funciona. Veja agora, por exemplo, que no governo tanto do falecido Stalin, como no do passado Krustchev e atualmente de Kosigin, somente os grandes dirigentes e líderes soviéticos podem passar suas férias nas praias da Criméia. Em Moscou somente os mesmos líderes é que possuem confortáveis dachas fora de Moscou. A grande massa, em nome da qual se pretendeu estabelecer a justiça e a igualdade social, nada ganhou com o comunismo.
O COMETA – Mudando de um polo a outro. Durante os poucos dias que o Sr. esteve em visita ao Brasil, que impressões pode recolher dessa breve permanência no Rio de Janeiro? O que mais lhe chamou a atenção, tanto do ponto positivo, como do negativo ?
Von Braun -: Três coisas mais se destacaram na minha impressão e eu as descrevo sem ser por ordem de importância e sim à medida que vou me lembrando delas. A primeira foi a de que os brasileiros parecem não se dar conta ou importância à imensa riqueza que possuem em todos os sentidos. Veja este simples exemplo para começar : durante minha permanência no Brasil fui convidado várias vezes para almoçar e jantar. Logo nos dois primeiros dias sempre levaram a um tipo de restaurante que não parava de servir carnes de todos os tipos , mas não me lembro seu nome.
O COMETA – Churrascarias ?
Von Braun – Exato. ( ele tentou novamente pronunciar o nome corretamente mas com alguma dificuldade ). Churrrrrtassscaarhiiiaa.
O COMETA – E o que havia de especial nessas churrascarias ?
Von Braun – Além do fato curioso que eu nunca havia visto, que é o de servirem os garçons uma enorme variedade de tipos de carnes, o que me espantou foi que eu pensei inicialmente que aquele tipo de restaurante fosse algo assim como que especial e reservado somente para a classe rica, ou para dar boa impressão a visitantes estrangeiros. O público, a massa comum, não poderia ter acesso a tanta carne. Acontece, entretanto, que depois de quatro almoços e jantares em variadas churrascarias sempre cheias e em várias partes diferentes do Rio de Janeiro, num dia quando nosso avião que nos levaria para outra cidade teve um problema técnico e tivemos que seguir de carro, duas horas depois do começo da viagem terrestre paramos num pequeno lugarejo e ai, sem que nada tivesse sido preparado previamente, voltamos a parar noutra enorme churrascaria também cheia de gente de todo tipo e onde voltamos a nos empanturrar de uma grande variedade de carnes deliciosos a preços incrivelmente baratos. Ora, isso eu nunca vi em toda minha vida na Alemanha, como também nunca vi mesmo no rico e vasto Estados Unidos. Vocês portanto devem se sentir muito felizes em poderem comer com tanta abundância essa quantidade de carne, que era completamente inaccessível a não ser para os muito ricos na Alemanha.
O COMETA - E qual foi o segundo aspecto que lhe chamou a atenção?
Von Braun : - Foi a tremenda mistura racial. Para quem vive como nós hoje nos Estados Unidos é difícil de compreender como é possível que os italo-Brasileiros não se separem dos negro-brasileiros, dos judeus-brasileiros- dos japoneses-brasileiros e assim por diante. Nos Estados Unidos ninguém quer se misturar com ninguém, enquanto que o Brasil é uma nação completamente integrada, sem conflitos sociais de qualquer espécie. Nas nações completamente integradas como o Japão ou a Noruega, onde todos parecem ter a mesma cara e a mesma côr, essa tranquilidade não surpreende ninguém porque mais ou menos todos parecem ser a mesma pessoa. Nos Estados Unidos, entretanto, que tem a mesma variedade de pessoas e tamanho mais ou menos igual, sendo portanto bem parecido ao Brasil, a homogenização é impossível, conforme todos sabemos. Deve ser algum milagre essa completa integração brasileira, para a qual não consigo encontrar explicação
O COMETA: - E depois disso ?
Von Braun - O terceiro e igualmente espantoso detalhe é que, segundo me revelaram no Brasil, essa nação parece ser a única que possui quatro colheitas anuais. Nós na Alemanha somente tínhamos uma única colheita por ano e o mesmo acontece em todos os demais países da Europa. Isso significa que o Brasil sozinho pode alimentar todo o mundo se assim o desejar, embora me contem também que os brasileiros são enormemente desperdiçadores de tudo, sobretudo de comida. Imagino que esse desperdício se deve precisamente a seu clima e suas terras extraordinárias, que levam a uma enorme produção que assim se perde.
O COMETA - E alguma observação negativa para encerramos esta entrevista?
Von Braun - Devem me sobrar ainda poucos anos de vida e portanto não estarei aqui para presenciar essa previsão. Mas minha impressão é que a espécie humana é uma espécie animal condenada a desaparecer, conforme ocorreu com tantas milhares de outras espécies animais ou vegetais que não souberam se adaptar ao meio ambiente onde viviam. Eu sei que, em última análise, todas as espécies um dia eventualmente irão desaparecer. Mas no caso dos seres humanos, e diferentemente de todas as outras espécies, aquela curiosa e única característica humana que é a de possuir inteligência, isto é, a capacidade de pensar e raciocinar, longe de servir aos homens para melhorar sua condição de vida e felicidade, tem sido utilizada em toda sua breve história neste planeta para a destruição, para o combate, para as guerras e para a morte. Agora, com a invenção da bomba de hidrogênio, com os novos foguetes que estamos fabricando e com os intermináveis conflitos entre nações ou internamente entre os mesmos povos de uma nação, conforme ocorreu sempre na Irlanda, tudo me leva a crer que somos uma espécie condenada. Mas eu não estarei aqui para ver essa debacle," concluiu o Dr. Von Braun.
Cláudio Rodrigues
NO AGUARDO DA PRÓXIMA COLUNA
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O Cometa não tem a intenção de ser imparcial; muito pelo contrário. Caso sinta-se ofendido com alguma matéria aqui inclusa, reclame com João Paulo II.