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Lúcia Turnbull, roqueira do mundo - Entrevista   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #10006 de 10493 |
 
Olá pessoal.
Segue aí uma matéria e entrevista com a lendária Lucinha Turnbull:
Lúcia Turnbull, roqueira do mundo

* Nélio Rodrigues

    Lúcia tombou tem umas das histórias mais interessantes da cena roqueira dos anos setenta, especialmente. Nascida em São Paulo, também viveu em Londres, onde tocou e gravou com a banda de Ritchie, Everyone Involved. Amiga dos Mutantes, dividiu a dupla Cilibrinas com Rita Lee, integrou o Tutti Frutti, trabalhou com Gilberto Gil e gravou seu álbum solo ‘Aroma’. Em entrevista a Nélio Rodrigues, Lúcia fala de suas experiências musicais e de vida e resgata estórias da história secreta do rock brasileiro. Entre elas, a gravação do pré-Atrás do Porto... (de Rita Lee), segundo ela, feita "numa tacada só, ao vivo no estúdio. Chamamos vários amigos pra fazer platéia e gravamos. Aquele material que está no LP ‘Hollywood Rock’ é parte dessas gravações". (Fernando Rosa).

Senhor F - Qual é a origem do seu sobrenome?

Lúcia Turnbull - Vem da Escócia. Meu pai é escocês e minha mãe é brasileira, de São Paulo.

Senhor F - Você nasceu em São Paulo?

Lúcia Turnbull - É.

Senhor F - Como é que começou seu envolvimento com a música?

Lúcia Turnbull - Desde de pequena. Me lembro de chorar ao ouvir a gaita escocesa.

Senhor F - Dava uma sensação de melancolia?

Lúcia Turnbull - Dava essa saudade de não sei o quê. Eu me lembro que ficava muito angustiada quando tinha problemas na garganta e não podia cantar.

Senhor F - Qual foi o primeiro disco que você comprou?

Lúcia Turnbull - Foi ‘I Can´t Stop Loving You’, do Ray Charles, que tinha ‘Bye Bye Love’ no lado B. Eu economizava meu dinheirinho da mesada pra comprar discos. E assim foi indo. Ouvia também muitos discos da minha irmã: música francesa, Rita Pavone, os Beach Boys...Quando os Beatles apareceram, que eu ouvi no rádio, fiquei meio... sei lá, tinha tanto talento ali. Eu ouvia o ‘Pop Go The Beatles’, transmitido pela BBC, num rádio do meu pai. Virou mania porque eu ouvia sem parar. Era sagrado aquilo. Minha mãe reclamava que eu tinha que estudar e eu cantava "please go away, leave me alone don´t bother me" .

Senhor F - E o primeiro instrumento?

Lúcia Turnbull - Foi um violão, quando eu tinha 13 anos. Foi comprado lá na Augusta, numa lojinha. Eu tinha uns vizinhos que tocavam, aí ia lá perturbar: afina pra mim, me ensina um acorde...Era o maior sacrifício. Aquela seqüência de ‘dó’: dó maior, lá menor, ré menor, sol. Ninguém agüentava mais.

Senhor F - E quando é que começou esse negócio de banda?

Lúcia Turnbull - Foi no prédio que eu morava, com dois cariocas, os irmãos Figueiredo, Jorge e Fernandinho. Depois o Fernandinho foi meu namorado. Éramos os Capops, Cagando e Andando Pra Opinião Pública. Tocávamos aquelas músicas da época, como ‘Keep On Running’, que eu conheci com os Outsiders antes de conhecer a versão original com o Spencer Davis Group. Era legal. Tocávamos em festinhas no prédio. Eu cantava e tocava pandeiro. Uma menina, os rapazes não deixavam tocar outra coisa. Isso durou uns meses.

Senhor F - Mas isso era apenas curtição, né?

Lúcia Turnbull - É, eu tinha uns 14 anos.

Senhor F - Quando é o negócio começou a ficar mais sério?

Lúcia Turnbull - Quando eu fui pra Londres com meu pai. A situação por aqui não estava muito boa pra ele. Como ele tinha amigos na Europa dispostos a ajudá-lo... Inicialmente, ficamos na Dinamarca. Depois fomos pra Londres, onde ficamos por dez meses. No curso de inglês que eu fazia lá, conheci um professor que tinha um grupo folk. Era ele, a namorada dele, que era uma canadense, e mais um sul-africano. Acabei entrando no grupo, cujo nome era Solid British Hat Band.

Senhor F - Que ano foi isso e o que é que vocês tocavam?

Lúcia Turnbull - !969. Tocávamos músicas próprias, algo a ver com ecologia, como ‘Motortown Madness’.

Senhor F - Faziam apresentações?

Lúcia Turnbull - Claro, em parques, pubs...

Senhor F - E ganhavam um troco.

Lúcia Turnbull - Ganhávamos um troco, literalmente. O Ken Wilson e namorada dele eram professores e o outro tinha uma loja de antigüidades. Apesar disso, queriam que a coisa da música evoluísse. Mas era meio underground. Depois disso, quando voltei a Londres, em 1972, já com a Rita (Lee), aí...Na verdade, quando estava lá, na primeira vez, escrevi uma carta para o Arnaldo (Baptista).

Senhor F - Você o conhecia?

Lúcia Turnbull - Não, mas tinha descolado o endereço dele. E ele me respondeu. Quando veio a resposta dele eu estava morando em Londres e o padre daquela área vinha fazer uma visita de cortesia. Eu nem quis saber dele, só pensando na carta. Foi super legal. Tenho a carta até hoje.

Senhor F - E aí, foi procurá-lo?

Lúcia Turnbull - Fui ver um show deles (Mutantes) no Tietê. Clube Tietê. Depois fui falar com ele dizendo que era a pessoa que havia escrito de Londres. Ele me contou que não deixava ninguém ver as cartas. Ele as lia e respondia. Bom, aí comecei a andar com eles, isso em 1970, 1971. Mas levei um tempo pra me aproximar deles. Eu não tinha coragem. Achava chato ficar perturbando. Só nesse show é que tive coragem de me aproximar. Aí virei mais uma da turma.

Senhor F - Em 1972, você participou das gravações de ‘Hoje É o Primeiro Dia...’. Foi sua estréia em estúdio?

Lúcia Turnbull - Foi. Participei em ‘Vamos Tratar Bem da Nossa Saúde’ e ‘De Novo Aqui Meu Bom José’.

Senhor F - Nessa época eles já estavam querendo enveredar pelo som progressivo e também houve o afastamento da Rita.

Lúcia Turnbull - Eu me senti meio culpada. Na verdade, se não fosse eu teria sido qualquer um. Eu tinha um amigo em São Paulo que me mostrou o ‘Yes Álbum’. O disco é lindo, melodioso, um disco solar. Minha mãe morava num prédio junto ao do Liminha. Ele morava com a Leila, a namorada do Liminha então. O apartamento deles era minúsculo. Tinha até apelido, era o Zé. Da janela da minha mãe, dava pra ver a casa deles. De vez em quando pegavam alguma coisa com a minha mãe, manteiga etc. Eu me lembro de ter levado o disco pra eles ouvirem. Bom, todo mundo acabou ouvindo, algo que ia acontecer mais dia, menos dia.

Senhor F - Nessa época você conheceu o Ritchie em Londres. Como foi essa história?

Lúcia Turnbull - Em 1972, eu fui pra lá com a Rita, o Liminha e a Leila. Quando cheguei lá, esse pessoal com quem eu tinha tocado em 1969 tinha virado uma coisa imensa. Chamava ‘Everyone Involved’. Era muita gente. O Ritchie tava nesse bolo. Me lembro que tinha um baterista doidíssimo. Lembro muito bem do Richie cantando. Nós tocamos juntos num parque. Nesse dia perdi um show tipo revival, com Little Richard, que a Rita e o Liminha foram ver. Acabei vendo o Little Richard na Alemanha anos depois. Subi no palco e tudo, claro, né? Aliás, o Liminha também não foi ao show, já que foi tocar conosco no parque.

Senhor F - Foi só essa apresentação com o Ritchie?

Lúcia Turnbull - Foi.

Senhor F - Qual era o estilo?

Lúcia Turnbull - Era folk, mas com guitarra. Depois gravamos com eles (o Everyone Involved). Tem o nosso nome no disco. Liminha aparece como Limiga. Ele tocou guitarra e eu acho que toquei baixo. Era uma turma enorme. Aliás, antes de ir pra Londres eu já tinha aberto um show dos Mutantes, no Oficina. Cantei ‘Unchain Melody’ porque minha mãe e minha madrinha estavam na platéia. Fizemos até uma brincadeira de mau gosto. Idéia do Arnaldo, que me fez entrar no palco carregada no colo, sem sapato. Sentei na cadeira e o sapatinho ali perto. O pessoal ficou meio comovido quando me viu entrar assim. Quando acabei de cantar, botei o sapato, levantei e agradeci.

Senhor F - Nessa fase...

Lúcia Turnbull - Eu também estava trabalhando no Teatro Oficina. Tocava guitarra para a peça ‘O Casamento do Pequeno Burguês’, de Brecht, com música de Kurt Weil, com direção de Luiz Antônio Martins Corrêa, que foi assassinado. Foi depois disso, em julho, que eu fui pra Londres.

Senhor F - Essa ida pra Londres foi por causa de problemas do Arnaldo e da Rita?

Lúcia Turnbull - Não, eu não sabia detalhes da vida pessoal deles. Parece que havia algo acontecendo, mas eu não ia atrás disso. E foi muito bom. Ficamos um mês. No blog do Ritchie tem até uma foto nossa. O Ritchie, a Rita, eu e Sandra Werneck. Eu nem me lembrava. Coisa dos anos 70: a gente não se lembra de certas coisas. Foi quando disseram pro Ritchie "vai pro Brasil tocar com a gente", "passa lá!". E ele veio e não era nada disso.

Senhor F - Bom , você formou uma dupla com a Rita.

- É, começamos a ensaiar no final de 72. Éramos as Cilibrinas. Durou um show! (o Phono 73). Existe um material dessa época na Polygram, acho que até rolando por aí.

Por que a dupla não vingou?

Lúcia Turnbull - Acredito que devia ser muito difícil pra Rita. Os Mutantes estavam indo bem com aquela coisa progressiva e eu lembro que um dos nossos violões, não sei se o meu ou o da Rita, tinha um palitinho de fósforo pra consertar um defeito, uma coisa bem caipira. Mas era legal. Bom, aí ela desistiu da dupla. Ela não tava bem... Passamos um tempo sem se ver até que ela me procurou de novo dizendo que tínhamos que tocar junto e isso e aquilo etc. etc. etc. Era uma época que ela não tava legal, todo mundo ficava preocupado e tal. Eu estava até pensando nela quando ela adentrou pelo meu apartamento. Foi isso. Então rolou o Tutti Frutti.

Senhor F - Já tinha uma certa estrutura.

Lúcia Turnbull - É, tinha a Mônica Lisboa empresariando, o Zé Rodrix na direção musical, o Antônio Bivar... Ficamos meses ensaiando no porão do Ruth Escobar, o dia inteiro. É um teatro bonitinho, na parte mais alta da Rua dos Ingleses.

Senhor F - E o disco?

Lúcia Turnbull - Bom, a Rita já tinha feito o ‘Build Up’. Uma menina tocando guitarra numa banda de rock chamava atenção, né? Quer dizer, as gravadoras já estavam de olho.

Senhor F - E o disco inédito, pré-‘Atrás do Porto’?

Lúcia Turnbull - Gravamos numa tacada só, ao vivo no estúdio. Chamamos vários amigos pra fazer platéia e gravamos. Aquele material que está no LP ‘Hollywood Rock’ é parte dessas gravações.

Senhor F - E por que não saiu?

Lúcia Turnbull - Não sei o que houve. Ia até sair um tempo atrás pela Universal. Ligaram pra mim da Universal dizendo que queriam incluir umas faixas bônus num CD da Rita. Eram faixas que tinham minha participação. Perguntei sobre elas e me disseram que eram das Cilibrinas. "Bom, você acompanhou a Rita", disseram. Respondi que não, que na verdade éramos uma dupla, o que é uma coisa diferente. Quiseram me dar 200 reais por faixa. Eu disse que não, que havia direito artístico, afinal era uma dupla. Acabou que não chegamos a um acordo. Não quiseram nem conversar. E olha que me coloquei a disposição para dar depoimento, ceder fotos etc. Depois, li uma matéria que dizia: "Certas pessoas que não gravam mais etc etc ... impedem o público de ouvir..." Pô, queriam me pagar 600 reais por três faixas achando que eu estaria ferrada, me arrastando pra receber essa quantia. Precisaria estar passando fome, morando na rua, em estado de decrepitude total pra aceitar isso. Eles não iam deixar de ganhar dinheiro. Mas querem tudo. Acho que teve mais alguém que também não assinou.

Senhor F - Aí veio o ‘Atrás do Porto’.

Lúcia Turnbull - Que gravamos no Rio.

Senhor F - E por que você saiu da banda?

Lúcia Turnbull - Aconteceu que tinham a idéia de lançar a Rita mais sozinha. Fizeram pressão, a gravadora e a empresária, e ela (Rita) aceitou.

Senhor F - A única estrela entre os homens. Isso chateou, claro.

Lúcia Turnbull - Chateou a ela e a mim, né? Quer dizer, colocaram da seguinte forma: "Ou nós ou a Lúcia". Uma pressão de todo mundo. Pelo menos foi o que eu soube, que a empresária, a gravadora queriam a Rita. Todo o foco nela. E ela teve que escolher. Deve ter sido isso, ou então tá mal contado até hoje. Não sei.

Senhor F - E o relacionamento entre vocês esfriou?

Lúcia Turnbull - Não, exatamente. Mas nós dividíamos uma casa e eu acabei saindo de lá. Não dava pra ficar vendo tudo acontecer e você ali, presente. Então fui atrás das minhas coisas.

Senhor F - Foi quando você foi parar no Made In Brazil.

Lúcia Turnbull - Antes disso, acho que fiz uma banda chamada Bandolim, com Péricles Cavalcanti e o Rodolfo, baixista que tinha tocado no Pau Brasil. Era uma colcha de retalhos, com música de Luiz Gonzaga, Stevie Wonder. Fizemos o festival ‘Banana Progressiva’. Tocamos depois do Som Nosso de Cada Dia, uma roubada! Isso foi em 1975.

Senhor F - O que aconteceu em seguida?

Lúcia Turnbull - Fui trabalhar com Gil. Eu ia embora do Brasil, pra uma comunidade na Escócia ligada com magia, fadas etc. Fui passar o carnaval na Bahia antes de viajar e aí o Gil me pegou.

Senhor F - Foi fazer vocal de apoio...

Lúcia Turnbull - E guitarra também.

Senhor F - Foi na época do ‘Refavela’.

Lúcia Turnbull - É.

Senhor F - Depois veio seu disco solo.

Lúcia Turnbull - Antes teve o ‘Refestança’ (do Gil e da Rita), só que eu estava do outro lado. Foi ótimo. Três guitarras. Você ouve o ‘Refestança’ e vê que neguinho limava minha guitarra. Ah, em 1975 fiz o ‘Rock Horror Show’, em São Paulo.

Senhor F - Você gravou com muita gente, como...

Lúcia Turnbull - Ih, com Luli e Lucinha, A Cor do Som, Zezé Motta, Luiz Melodia, Guilherme Arantes, Caetano, o ‘Luar’, com Gil. A gente gravou logo depois que o John foi assassinado. Fiz todos aqueles vocais com uns ié, ié, ié. Com Gil é uma delícia, a gente pode tudo. Você sugeria uma coisa e ele dizia, com aquele sotaque dele, "coloque".

Senhor F - Foi uma boa experiência?

Lúcia Turnbull - Foi. Gil é de uma generosidade musical...Ele me fez tocar guitarra no ‘Refestança’. Depois, no show dele também. Fiquei um ano com ele. Gil fazia muito show, muito trabalho, uma coisa operária. Bom, eu adoro trabalhar. A gente podia estar cansado, mas quando começava...Com ele, conheci o Brasil que eu não conhecia. Fizemos tudo de ônibus. E jogávamos muito baralho no ônibus. Gil jogava buraco bem. Lembro que paramos diante de um vale. Todos choramos vendo aquilo. Foi muito bom. Gil dava solo pro baixista, pro guitarrista, pra todo mundo. O Tutti Frutti tinha sua mágica também, mas era diferente. Na época do Tutti Frutti, aconteceu uma coisa muito legal no Hollywood Rock (no campo do Botafogo, em 1975). Antes de entrarmos no palco, rolou um estresse entre a empresária e o Carlini. Não lembro exatamente o que é que foi mas foi um negócio que não pode acontecer antes de um show. Aí entramos muito nervosos no palco. No filme ‘Em Ritmo Alucinante’, você vê que a Rita entrou bufando, né? É um, dois, três e o show já está rolando. Eu olhava pra ela e nada. Olhava pro Carlini, e lágrimas caindo. Bom, o jeito era fazer o show. O Eric Clapton estava assistindo. No palco, aquela coisa complicada. Teve uma hora que eu fiz uma coisa que nunca tinha feito antes: uma variação de voz. A Rita do outro lado fez a mesma coisa em terça, abrindo a voz. Olhamos uma para a outra...

Senhor F - Baixou um troço.

Lúcia Turnbull - A conexão tava ali. Foi uma coisa! A gente quase chorou. Nunca tínhamos feito isso. Tive ótimos momentos com a Rita. Isso é o que mais guardo.

Senhor F - Você tocou com o Eric Clapton na casa do Midani, não é?

Lúcia Turnbull - Teve uma festa pro Clapton e eu estive lá com a Rita. O problema é que depois da primeira música, me deu um branco e eu fiquei meio sem saber o que tocar.

Senhor F - Bom, e o ‘Aroma’?

Lúcia Turnbull - Cantora, naquela época, tava meio na moda. Teve um boom de cantoras e acho que entrei na Odeon provavelmente pra preencher uma lacuna meio pop. Aí fui contratada pra fazer um disco. Liguei pro Gil, pra pedir música. Ele disse (imita o Gil): "Eu fiz uma aqui" e me mostrou ‘Aroma’. Na hora eu disse: "É minha". Na verdade, primeiro fiz o compacto, que tem uma música dos Demônios da Garoa ("Oi Nóis Aqui Trá Veis"). Hilária.

Senhor F - O ‘Aroma’ não teve prosseguimento. Por quê?

Lúcia Turnbull - Aconteceu que eu tive uma proposta de sair da Odeon pra ir para outra gravadora. Eu acreditei, saí da Odeon e fiquei sem gravadora. Como se eu estivesse jogando no Flamengo, ou no Fluminense, e tivesse aceitado deixá-los em troca de um time qualquer. Acabou não dando certo. Uma certa inocência minha. Eu não tinha um empresário legal, enfim ninguém que me aconselhasse em nada. Hoje existem bons empresários, como o Zé Fortes, por exemplo. Na época, era tudo meio no chute. Eu vi muito artista sofrer por não ter o seu Brian Epstein. O fato é que eu rescindi o contrato com a Odeon. A pessoa que me fez optar por isso ficou me enrolando. Aí virei uma pessoa non grata no meio, alguém que não era séria. Quem abandona uma multinacional e não vai pra lugar nenhum é o quê? Muito louca, irresponsável, coisa que eu nunca fui. Se me chamassem de inocente, tudo bem. O que me faltou foi essa mentalidade empresarial. E assessoria. A Mônica foi uma empresária legal pra Rita. Investia em cenário, fez muita coisa acontecer. Não tiro os méritos dela, não. Só sacaneiam a gente se a gente deixar. Mas, estou aí, pronta pro que der e vier.

 

Senhor F - A Revista do Rosa
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