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SOBE!
Senador Pedro Simon (PMDB-RS)
Quando ingressei na vida pública, há cinco décadas, eu apertei o
botão de
subida do elevador da política, no seu sentido mais puro. E ele
subiu.
Parou em muitos andares. Abriu e fechou.
Muitas vezes, parecia que as portas emperravam, presas a grades e
a
paus-de-arara. Mas, mesmo assim, abriam-se, com o esforço de todos
os
passageiros.
Havia uma voz, que anunciava cada etapa dessa nossa subida, na
busca do
destino almejado por todos
nós. "Liberdade", "democracia", "anistia",
"diretas-já". Não era uma voz interna. Ela vinha das ruas, e ecoava
de fora
para dentro.
Vi gente descer e subir, em cada um dos andares deste edifício
político..
Comigo, subiram Ulysses, Tancredo, Teotônio. Já nos primeiros
andares,
vieram Covas, Darcy, Fernando Henrique. Mais um ou outro andar,
Lula,
Dirceu, Suplicy. Outros mais, Marina, Heloísa.
De repente, o elevador parou entre dois andares. Alguém mexeu,
indevidamente, no painel. Parece que alguns resolveram descer e
fizeram mau
uso do botão de emergência. O Covas, o Darcy, o Ulysses, o
Tancredo, o
Teotônio já haviam chegado a seus destinos.
Sentimos, então, uma sensação de insegurança e de falta de
referências.
Apesar dos brados da Heloísa, parecia que nada poderia impedir a
nossa
queda livre. A cada andar, uma outra voz, agora de dentro para
fora,
anunciava, num ritmo rápido e
seqüencial: "PC", "Orçamento", "Banestado",
"Mensalão", "Sanguessugas", "Navalha", "Xeque-Mate". Alguns nomes,
eu nem
consegui decifrar, tamanha a velocidade da descida.
E o elevador não parava. Nenhuma porta se abria. Haveria o térreo, de
onde
poderíamos, de novo, ganhar as ruas. É que imaginávamos que seria o
fundo
do poço do elevador da política. Qual o quê, não sabíamos que o
nosso
edifício tinha, ainda, tantos, e tão profundos, subsolos.
Daí, a sensação, cada vez mais contundente, de que o baque seria
ainda
maior. Quantos seriam os subsolos? Até que profundezas suportaríamos
nessa
queda livre?
Mais uma vez de repente, o elevador parou, subitamente. Uma fresta,
uma
sala, uma discussão acalorada. Troca de insultos. Uma reunião da
Comissão
de Ética da Torre Principal do Edifício.
O Síndico teria pago suas contas pessoais com o dinheiro do
Condomínio,
através do funcionário do lobby de um outro edifício. E, por isso,
teria,
também, deixado de pagar pelos serviços de manutenção do elevador.
Mais do
que isso, o zelador também não havia recebido o seu sagrado salário,
para o
pão, o leite, a saúde e a educação da família. Idem o segurança..
Mas, havia algo estranho naquela reunião: os representantes dos
condôminos,
talvez por medo de outros sustos semelhantes, em outros solavancos
do
elevador, defendiam, solenemente, o Síndico.
Ninguém estava interessado em avaliar a veracidade das suas
informações.
Nem mesmo as contas do Condomínio. Queriam imputar culpa ao zelador
e ao
segurança. Ou, quem sabe, teria o tal Síndico informações
comprometedoras,
gravadas nos corredores soturnos do edifício, a provocar tamanha
ânsia
solidária? Não se sabe, mas, tudo indica, isso jamais será
investigado,
enquanto vigorar a atual Convenção de Condomínio.
Há que se rever, portanto, essa Convenção. Há que se consertar
esse
elevador. Há que se escolher um novo ascensorista. Há que se eleger
um novo
síndico. Há que se alcançar o andar da ética.
A voz das ruas tem que ecoar, mais alto, nos corredores deste
edifício.
A voz de dentro, parece, insiste em continuar violando os painéis
de
controle.
Até que não haja, mais, subsolos.
E, aí, o tal baque poderá ser irreversível.
Não haverá salas de comissões de ética.
Porque não haverá, mais, ética.
Quem sabe, nem mesmo, edifício.
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Qua, 4 de Jul de 2007 12:03 am
"movimentobaianocontracorrupcao" <movimentobaianocontracorrupcao@...>
movimentobai...
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