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micromundi · Grupo MicroMundi - Sacro Império de Westerland

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Qua, 11 de Dez de 2002 8:15 pm

kelterspruf
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Cordial Reino de Kelterspruf

Miscelânea Musical:

- O Estilo Musical Conhecido Como Raï.

No começo do século XX, na área ocidental da Argélia, no âmbito musical, detinha-se com freqüência a batida chamada melhoun, um estilo musical inspirado nos grandes poetas, vivos e mortos, tocado em grandes eventos como casamentos e nas vigílias do Ramadã. Os xeques (cantores ou mestres renomados) interpretavam no estilo beduíno, acompanhados por gellal (típico instrumento de percussão oriental) e flauta. Naquele tempo, o nome xeque refletia um status bastante privilegiado e era reservado unicamente as elites. Apesar destas restrições, algumas pessoas resolveram criar suas próprias obras musicais, combinando melhoun e improvisos. Estes criadores musicais eram principalmente pastores nômades ou dançarinas.

O raï, como conhecemos hoje, só apareceu na década de 1970. Novos instrumentos, como o acordeão e o trompete, vieram se juntar aos tambores tradicionais. Este novo som, o novo raï que, em essência, é a mistura da música árabe tradicional com o pop, traz para o primeiro plano os tabus e a repressão vigentes nas sociedades muçulmanas contemporâneas, o que torna este estilo musical atraente para os jovens.

Acima de tudo, o raï requer performance e improviso. Os cantores frequentemente buscam inspiração na poesia antiga e na música dos xeques, às quais adicionam seu toque pessoal. Também é necessária uma certa atmosfera. Este gênero musical é definido por sua estética de proximidade com a platéia. Como são verdadeiros produtos da interação entre o artista e o público, as canções podem ser modificadas, aumentadas, diminuídas, ter seu ritmo alterado. Os temas evocam a vida cotidiana, o amor e os problemas da sociedade. Também falam de questões sociais e nacionalismo.

Nomes como Cheb Khaled, Cheb Mami, Zahouania, e Cheb Kader se encontram entre os maiores expoentes do raï. Fazem enorme sucesso na França, em parte devido à comunidade magrebina. Os artistas do ritmo raï se encontram principalmente em Argel e em Paris.

Outrossim, a palavra raï significa, literalmente, uma opinião ou palavras sábias. É válido salientar que este estilo musical chegou a ser bastante executado nas rádios brasileiras em 2000 e não tão exaustivamente no ano de 2002.


Dicas de filmes pouco conhecidos no Brasil:

- Le Huitième Jour (O Oitavo Dia). Filme produzido pelo diretor belga Jaco van Dormael: Este filme é sobre a amizade de um executivo estressado, Harry (Daniel Auteuil) e um rapaz com Síndrome de Down, Georges (Pascal Duquenne). Georges vive num internato para excepcionais desde a morte de sua mãe (além dela, ele só possui uma irmã, que não quer ficar com ele). Um dia ele sai de lá e acaba se perdendo na estrada, onde é encontrado por um executivo que está se divorciando e é um pai ausente. Durante o filme, Harry aprende com Georges a dar valor as coisas da vida que antes passavam despercebidas para ele. Embora caia um pouco no clichê dos excepcionais sempre afetuosos e sorridentes, o diretor acertou ao mostrar situações que realmente acontecem na vida deles: os pais da namorada (que também é Down) são contrários ao envolvimento dos dois, para não mencionar o descaso da família. A dupla de protagonistas dividiu o prêmio de melhor ator no tradicional Festival de Cannes no ano de 1996.

- The Magdalene Sisters (ainda sem tradução para o Brasil; "As Irmãs Madalenas"). Filme produzido pelo diretor escocês Peter Mullan: Este filme relata a história de três moças enviadas para trabalhar numa das lavanderias irlandesas da Ordem das Irmãs Madalena, na década de 1960, depois de terem problemas com a moral e os costumes da época. Uma delas foi violentada por um rapaz embriagado num casamento, outra teve um filho sem ser casada e a terceira simplesmente gostava de paquerar e chamar a atenção dos rapazes. As três são reduzidas à virtual escravidão nas lavanderias, isso sem contar com os abusos sexuais, até que uma delas é resgatada por sua família e as duas outras fogem. Este filme é o vencedor do Leão de Ouro no Festival de Filmes de Veneza em 2002.

- Yi Ge Dou Bu Neng Shao (Nenhum A Menos). Produzido pelo diretor chinês Yimou Zhang, o filme narra a simples história de uma menina que se torna a professora de uma aldeia de camponeses paupérrimos, e termina tendo projeção nacional ao partir para a cidade grande em busca de um aluno que foge de suas aulas. Produção ganhadora do Leão de Ouro no Festival de Filmes de Veneza em 1999.


Sugestões de obras literárias:

- The Fourth K (O Quarto K). Autor: Mario Puzo.

Um novo Kennedy tornou-se presidente dos Estados Unidos e é candidato à reeleição. Seu nome é Francis Xavier Kennedy, sendo o mesmo herdeiro do carisma, riqueza, e idealismo dos seus tios famosos. Todavia, o jovem presidente também é assombrado pelo lado obscuro da família Kennedy, cujo legado de tragédia - por melhor que sejam os esforços para evitá-la - podem igualmente vitimá-lo.

Na história, um chefe de estado internacionalmente conhecido é assassinado por uma organização terrorista, sendo que esta mesma organização seqüestra a filha do presidente Kennedy, o que acaba acarretando em atitudes desesperadas exercidas por parte do presidente.

Embora o livro seja um pouco cansativo em certos momentos, a trama que o permeia não justifica a pouca vendagem do mesmo, infelizmente constatada quando do lançamento na década de 1990. Para quem não conhece o escritor Mario Puzo, cumpre-me mencionar sua renomada obra "The Godfather" (O Poderoso Chefão) mundialmente reconhecida por intermédio do filme homônimo, dirigido pelo consagrado diretor Francis Ford Coppola.

- Who Moved My Cheese? (Quem Mexeu no Meu Queijo?). Autor: Spencer Johnson.

De tanto ouvir falar neste livro, optei por lê-lo. É um livro de fácil leitura, para não mencionar que é também de rápida leitura (praticamente impossível não lê-lo em um dia). De modo sintetizado, pode-se dizer que o livro utiliza-se de um metáfora, apresentando a "busca pelo queijo" como sendo a procura pelas realizações que aspiramos na vida, mesclado entre os anseios relativos as satisfações profissional e pessoal. Até bem pouco tempo eu desconhecia o nome do autor, mas depois que soube, recordei-me automaticamente que é o mesmo autor do, igualmente, best seller "O Gerente-Minuto".

- Brave New World (Admirável Mundo Novo). Autor: Aldous Huxley.

Em primeiro lugar, devemos ter em mente que este livro foi escrito em 1931 e, portanto, como obra de ficção transcrita antes do advento da Segunda Guerra Mundial, apresenta inusitados acontecimentos futuros, muito embora, como previamente destacado, trata-se de uma obra de ficção, tal qual o é, por exemplo, "2001: Uma Odisséia no Espaço" de Arthur Clarke. Nesta obra, narra-se a conquista da plena felicidade humana, sendo que no decorrer da história, percebe-se não ser bem assim.

O controle da reprodução, da engenharia genética, bem como o controle através de meios condicionadores que enviam mensagens repetitivas para as pessoas enquanto as mesmas dormem, dentre outros detalhes, representam o pano de fundo desta nova sociedade. O autor deixa explícito em sua obra que nesta sociedade do futuro, a felicidade está condicionada ao consumismo, assim como fica patente apresentar-se como ficção voltada ao entretenimento de facto e não como uma previsão negativa acerca dos recursos tecnológicos inseridos em nosso meio, como - pasmem - certos críticos, erroneamente, costumam afirmar a respeito desta obra literária.

- Memorial de Aires. Autor: Machado de Assis.

Este romance foi publicado no mesmo ano em que Machado de Assis faleceu, em 1908. O personagem central do livro é um diplomata brasileiro aposentado - Conselheiro Aires - que após ter vivido por longos anos no exterior, retorna ao Brasil, estabelecendo-se no Rio de Janeiro. O livro é um misto de história e diário do diplomata, onde consta referências do período histórico compreendido entre janeiro de 1888 e agosto de 1889. Soma-se a isto a capacidade que tinha Machado de Assis em criar poucos personagens e, ao mesmo tempo, prender a atenção do leitor ainda que nas mais corriqueiras situações vivenciadas por personagens, tais como Aguiar e Carmo.

O livro não é muito bem quisto por alguns dos ditos "admiradores" das obras de Machado de Assis. Contudo, ao meu ver, o enredo é subestimado se comparado com histórias enfadonhas de certos autores (sendo que eu prefiro não citar nomes) que acabaram obtendo maior reconhecimento internacional.




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kelterspruf Offline Enviar e-mail 11 de Dez de 2002
8:15 pm
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