Lagrimas do amor
Noite maravilhosa eu te saúdo e te bendigo. Este é o momento belo que mais
adoro. Quem disse que eu não posso ser um Deus? Quem indaga tal absurdo? Se eu
munido pelo fogo que queima sem cessar, armado com o calor do teu olhar minha
princesa, fortificado em todos os meus músculos me sinto como poderoso Hercules.
Minha atitude é de erguer-me diante de ti e cravar no seu coração minhas
palavras e que seu olhar me revele sua verdadeira face – Oh virgem sacerdotisa.
Por de trás dessa cortina, tu me seduzia dançando como o incenso em meu altar.
Abafado ficava meu pensamento como a vela que não se assopra. Turvo minha visão
ao tanto tentar compreender a natureza de mil e uma noites diferentes. Agora eu
me sacio quando a Luz da Lua se intensifica e eu ainda queimo como Sol.
Abençoado Eu Sou.
Olha estes cabelos tão negros e estes olhos tão secos e sem vida, quanto tempo
alguém vai demorar para fertilizar com água e paixão esse seu toque frio e sua
pele pálida? Brilharia o Sol em seu ventre e apontarias tu minha cúmplice para
onde não vive mais ninguém no universo. Ah, lá você teria paz por repetidos
momentos em que me desse à compreensão do seu suspiro.
Mãe perdoa-me porque eu pequei, mas eu amo esta maldita tanto quanto a ti.
Neste momento eu te peço querida mãezinha dance conosco, ajeite meu cabelo como
fazia em minha infância e coroa-me com a certeza que sempre amanha os homens vão
esperar o meu nascer para que eles levantem e trabalhem.
Hoje essa paisagem se mostra sombria mas eu toco com minha mente os pontos que
cativam meus braços. O calafrio destes barulhos me percorre a espinha da baixo a
cima, e em minha nuca eu grito. Cala-me querida, podem nos ver aqui – Cala-me
querida para que eu possa planejar melhor nossa rota.
Você é previsível e cruel e quer brilhar mais que o ouro adornado em meu
peitoral, mas tu é prata, e prata será ao meu lado.
Olha que belo e fascinante, jorram de ti os riachos que fecundam a terra.
Ironicamente você ri porque é mãe do que eu criei e eu Pai e Filho disto que já
era antes de nosso estimado casamento.
Olho as estrelas brilharem, e delas eu vejo lagrimas que correm seu rosto
suado, desembaralho estes teus cabelos para notar a falta de brilho e pudor em
teu olhar. Sim eu adorei você durante a noite inteira. Mas não terá o meu verbo.
Não terá o seu "eu te amo".
Eu agora estou em paz, e essa criatura tão esquisita e misteriosa, ilógica e
insensivel, tenta ouvir em meu peito a conversa dos senhores que habitam o meu
templo. Eu me pergunto, pode esta me ouvir? Se eu clamar dali de dentro com toda
minha força, a Lua vai esboçar um sorriso? A noite vai se tornar clara? E ela
novamente vai me dar o suspiro que eu quero?
Eu viverei então essa noite, tu se fecha pra mim e vejo nos seus sonhos as
maldiçoes de outros astros em seu interior, a disputa que eu tenho que
enfrentar, mas no meu mundo acostuma-se ver o sangue dos animais. Agora você
foge de mim e fica pequena eu te guardo em meus braços e minhas lagrimas correm
nesse momento para que você não veja.