JC e-mail 3794, de 30 de Jun
Foi aberto oficialmente nesta segunda-feira (29) o Congresso
Internacional de Arte Rupestre ? Global Rock Art
A cerimônia, realizada em São Raimundo Nonato, Piauí, contou com as
presenças do ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e do
governador do Estado Wellington Dias, além de diversas autoridades
federais, do estado e de representantes da Federação Internacional de
Organizações de Arte Rupestre (Ifrao).
A Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, é a área onde existe a
maior quantidade de sítios arqueológicos de toda a América. Foi
reconhecido em 1991 como Patrimônio Cultural da Humanidade pela
Unesco. O sítio arqueológico da Serra da Capivara está dentro do
Parque Nacional da Serra da Capivara e conta hoje com quase 800 sítios
arqueológicos com esqueletos humanos e pinturas rupestres coloridas.
No local existem 14 trilhas e 64 sítios pré-históricos abertos ao
público.
A arqueóloga e diretora-presidente da Fundação Museu do Homem
Americano (Fumdham), Niède Guidon, recebeu os participantes do
congresso e declarou que o evento é um ?ponto de transição? na
história de São Raimundo Nonato e do Piauí.
Niède Guidon disse que o Global Rock Art é o coroamento de 38 anos de
pesquisa e preservação dos sítios arqueológicos da região. ?Foram 26
anos de pesquisas e mais 12 tentando fazer com que essa imensa riqueza
fosse preservada?, afirmou a diretora-presidente da Fumdham e
presidente do Global Rock Art.
A arqueóloga também destacou o aspecto de inclusão que esse trabalho
tem incorporado, criando, cada vez mais, oportunidades de geração de
emprego e renda à população de São Raimundo Nonato e de outros
municípios da microrregião.
O governador Wellington Dias destacou a importância do evento para o
mundo e para o Brasil. ?É uma honra receber esse evento aqui no Piauí.
É a primeira vez que esse Congresso acontece no Brasil, um evento que
pode dar um passo importantíssimo para o mundo, recontando a própria
pré-história da ocupação do planeta terra ao longo dos anos. É uma
oportunidade para a troca de ideias sobre diversos temas?, disse.
O governador observou que o Congresso Internacional de Arte Rupestre é
uma ocasião oportuna para discutir sobre o que se pode aprender com os
antepassados, a partir das inscrições rupestres. Dias destacou também
que os estudos arqueológicos podem ajudar a entender o fenômeno das
mudanças climáticas e a própria evolução planetária. O governador
ressaltou o apoio do Governo Federal ao evento, através de seus vários
ministérios com o Ministério da C&T e demais órgãos.
?O que temos aqui não é apenas um patrimônio da humanidade, nacional
ou um patrimônio cultural. Toda essa riqueza pode ser usada também em
favor de todos que vivem na região?, disse. O governador lembrou ainda
que a infraestrutura e os estudos realizados em São Raimundo Nonato
estão permitindo a criação de muitas oportunidades e transformando uma
região pobre. ?Esse evento também ajuda a fazer com que o Brasil e o
mundo descubram essa região e, assim acontecendo, nós vamos dar
oportunidade para milhares de pessoas que precisam?, disse.
O ministro da C&T, Sergio Rezende, enfatizou a expressiva participação
de congressistas. ?É um congresso que tem a participação de mais de
800 pessoas e de representantes de pelo menos 40 países e, portanto, é
um evento de relevância internacional?, avaliou. ?Esse congresso foi
realizado em cerca de oito países anteriormente, e o fato de vir para
o Brasil, para o Piauí, representa uma mudança na trajetória dessa
área no País?, destacou.
Rezende ressaltou o esforço feito pelo governo do estado para dotar a
região da estrutura necessária para receber o Congresso e o trabalho
realizado pelos diretores Museu do Homem Americano (Fumdham). O
ministro também falou sobre a importância do evento que poderá
estimular ainda mais o turismo científico e ecológico de alto nível no
estado, dado o elevado potencial da região para essas atividades.
O ministro lembrou que a arqueologia e o estudo das artes rupestres
foram desvalorizados durante muitos anos no Brasil. ?As pessoas não
davam importância a esses indícios da presença do homem há dezenas de
milhares de anos. Com a vinda da professora Niède Guidon para cá, há
mais de 30 anos, que percebeu a riqueza que aqui existe, começou então
a haver um esforço para construir um centro de pesquisas para
valorizar esse acervo?, finalizou.
(Assessoria de Comunicação do MCT)
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