A
vida é feita de pequenos momentos e grandes voos. Na busca por livros;
na busca pela qualidade da literatura; na busca pelas obras de que mais
gostamos, os escritores podem garantir agilidade que nos fazem voar
cada vez mais, simplesmente.
Seja
pela leitura, por autores independentes, juntos voaremos ainda mais
alto, quando nos lembramos de autores como Roberto Piva, que com
competência revolucionou a linguagem-escrita em forma de criatividade e
novidades. Seus primeiros poemas foram publicados em 1961, quando tinha
23 anos. Piva formou-se em sociologia e foi professor de Estudos
Sociais e História.
Segundo
João Silvério Trevisan, “em suas aulas aos adolescentes do segundo
grau, costumava trabalhar as matérias a partir de poemas que os fazia
ler e interpretar.â€
A
criação dos poemas de Roberto Piva teve rara influência na literatura
brasileira, porque seus textos aliam transgressão a um notável
conhecimento e saber.
Sua
obra é referenciada pelos filósofos e poetas que extrapolam os limites
da expressão racional, como podemos ver no seu poema Libelo:
“Não mais trarei justificações / Aos olhos do mundo. / Serei incluído /
“Pormenor esboçado†/ Na grande bruma. / Não serei batizado, /
Não serei crismado, / Não estarei doutorado, / Não serei domesticado, /
Pelos rebanhos / Da terra. / Morrerei inocente / Sem nunca ter /
Descoberto / O que há de bem e mal / De falso ou certo / No que vi.â€
Piva
é grande apreciador do jazz e da bossa nova. João S. Trevisan diz que
“o traço marcante na obra de Piva é o total desmantelamento da
versificação métrica... na tentativa de transpor para a poética escrita
o ritmo sincopado do jazz e a respiração do músico de jazz.â€, como no
poema:
“Não vale / sair / com asas / onde / o cracracracracracracra /
cracracracracracra / se amassava / nas / velas apagadas /
quem quer / o telhado / de lágrimas? ...â€
A
única certeza que tenho é a de que Piva veio para transgredir na vida e
na poesia; seus textos refletem musicalidade, ritmos e delírio
expressivo. Na sua vida incorpora o intelectual e o erudito, conhecedor
de arte, literatura e filosofia. Ainda hoje, é referência de
transgressão e crítica que se faz marcante tanto em sua poesia, quanto
em nossas vidas.
Não
permitamos sermos um país sem memória, deixando raridades intelectuais,
como Roberto Piva, pelos corredores da vida, porque concordo quando
Leila Míccolis diz que “Além das Letras? Há vidaâ€.
REVISTA LITERÁRIA DIGITAL - CENTRO DE COLABORAÇÕES
O grupo de doze autores que se conheceu no Portal Literal e fundou o Blog Letras etc.etc. et cetera - novo sítio de prosa e poesia na web, lançado em dezembro de 2009 - abre espaço para colaborações.
Os escritores que desejarem ter seus trabalhos publicados devem enviar seus poemas, contos ou crônicas para o Centro de Colaborações: letrasetc@...
__________ Informação do ESET NOD32 Antivirus, versão da vacina 4797 (20100122) __________
A mensagem foi verificada pelo ESET NOD32 Antivirus.
Dezembro é um mês atípico: editamos uns aos outros e encerramos as atividades antes: neste 2009, mais precisamente, no final da próxima semana. Em fevereiro - como sempre - retornamos com as melhores edições do ano anterior e, em março, com edições novas.
Deixo o texto do Jean-Pierre escrito especialmente para este momento - e para vocês! - com os votos de nossa equipe de que tenham um Natal de paz e um Novo Ano pleno de realizações e esperanças, com muita saúde e amor. Feliz 2010!
Sonia Regina
O CAMINHO HUMANO DO ABRAÇO...
Jean-Pierre Barakat
Dizem que a oração é o caminho mais curto para se estar com Deus. Eu me atrevo a dizer que o caminho mais curto para alcançar profundamente a alma humana é o abraço. Aquele aperto forte, generoso, dado com a inequivocável emoção que reside em nós.
É comprovado cientificamente, somos feitos de átomos. Há naquele maravilhoso gesto um intercâmbio explosivo de matéria viva e incandescente que se detona em harmônicos desconcertos e depois se recompõe em pares subatômicos inscindíveis pelo resto de nossas vidas. Pode ser que, pelo decorrer frenético de nossos afazeres no cotidiano, nos esqueçamos do mais recente abraço que damos (ou recebemos. Trata-se aqui de mera conjectura acadêmica, pedante argumentação da lógica que nos perfaz e quer sempre prevalecer a qualquer custo. Abraço dá-se, e ponto final!) .
Então, que fazemos para nos lembrar? A resposta é clara. Abracemos outra vez! Não nos enganemos, este abraço será diferente, com novas texturas e sabores, e enriquecerá a nossa alma sedenta de carinho. Este momento será diferente, porque terá o calor da nossa vontade incondicional de abraçar novamente, de doar um pouco do nosso excesso de euforia atômica para, quem sabe, suprir a escassez de sentido de uma alma sem norte, sem sul e sem calor humano, e sobretudo para contagiar com o nosso élan um gigante adormecido nas profundezas da solidão humana.
Abençoado seja Deus pelos braços que temos! Há pessoas bem menos avantajadas fisicamente (ou de outra forma) que a gente, e com uma enorme vontade de abraçar, ousarei dizer infinitamente maior que a gente. Um abraço. Um simples gesto, corriqueiro, que pode significar muito para quem nada tem, a não ser a indomável força interior de vencer com a “raça” os obstáculos postos em seu caminho.
Há incontáveis histórias que começaram, continuaram ou terminaram com o abraço. O recém nascido chorando, consolado pelo abraço carinhoso da mãe, a criança com joelho arranhado chorando, consolada pelo pai ou pela mãe, os namorados se abraçando com aquele calafrio gostoso na barriga, o amigo que nos aperta, em nossos momentos de derrotas, compartilhando a nossa dor, irmãos que se abraçam com emoção após muitos anos sem se ver, a despedida de amigos, amantes, companheiros, e assim por diante.
Mas não quero falar de tristeza agora. Seria muito fácil arrancar lágrimas de ti, leitor. E seria covardia, pois estamos com o coração aberto e sensível ao sofrimento humano (quem dera fosse assim sempre...) nesta época do ano. Vim aqui falar do abraço, aquele ato mágico que restaura, ainda que temporariamente, o nosso bem-estar e nos coloca de volta na estrada. O seu caminho entre nós é complicado, mas quando ocorre, abre portas e janelas em nosso coração.
Portanto, vá até a esquina de teu bairro, ou pode até ser que nem precise ir assim tão longe. Antes, olhe ao teu redor. Há com certeza alguém que precisa de um abraço muito mais que um presente de Natal.